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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

02
Out20

Uma nota de esperança


Pedro Azevedo

Seria fácil, até natural e humano, que em mais uma noite onde várias coisas que tenho vindo a escrever aqui no blogue se evidenciaram, eu viesse aproveitar para esmiuçar as minhas razões, ou exercer de algum tipo de revanchismo para com quem não me tenha querido interpretar bem ou até tenha ousado fazer juízo de valor sobre a minha pessoa. Porém, não o irei fazer.  Confesso que isso me magoou - e a procissão ainda nem saiu do adro - , mas a quezília não é definitivamente o meu ideal de Sporting e o que mais me interessa são as razões do Sporting e de todos os Sportinguistas enquanto colectivo. Nunca gostei de criar desumanidade, desconversar ou me afastar do essencial e não será num momento de especial gravidade que irá agudizar mais a nossa já debilitada situação financeira que modificarei a minha atitude perante a vida. Peço-vos encarecidamente que procedam de igual forma. Pelo Sporting.

 

De qualquer modo, sinto que devo dizer alguma coisa aos Leitores e de uma forma geral a todos os Sportinguistas que simpaticamente me têm distinguido com as suas palavras. Este é essencialmente um momento (a derrota e, principalmente, as suas consequências) de tristeza e de introspecção para todos os Sportinguistas, dirigentes incluídos, e de cada um perceber o que está aqui a fazer, se está a cumprir bem o seu papel e se isso serve o Sporting. Eu próprio fiz esse exercício nos últimos dias, razão pela qual nesse período estive ausente do comentário à actualidade leonina. (Enfim, mais do que tudo quis dar uma oportunidade àquele Sporting que para mim sempre será o mais relevante, o que vai a campo, independentemente da análise aos acontecimentos que há muito vou fazendo.) O Sporting vive hoje uma profunda crise que assenta essencialmente numa política desportiva errática, numa Cultura e identidade débeis e  com tendência a deteriorarem-se e num conjunto de práticas de gestão muito discutíveis. Isso não é surpreendente para quem acompanhe o clube. Perante isto, o ideal seria que se pudesse suspender o tempo de forma a que a reflexão não fosse contaminada pelo turbilhão de acontecimentos. De certo modo, o destino - por tristes motivos que têm trazido muita contrariedade a vários lares por esse mundo fora - até nos concedeu essa possibilidade, só que mais uma vez desperdiçámo-la de forma inglória e não aprendemos com os erros. Ora, o pior que se pode fazer perante um problema é não tomar consciência dele. E a verdade é que o Problema Sporting diz respeito a todos os Sportinguistas, deve ser reconhecido e enfrentado e só assim daí poderão resultar soluções. Isso implica que haja discussão, logicamente. Porém, exige também responsabilidade. E respeito. Respeito e abertura para ouvir o outro, viajar ao seu "filtro", perceber as suas razões e não fechar portas. Para além do problema económico que está a montante do financeiro e que resulta de um erro conceptual de perspectiva sobre a política desportiva, o Sporting vive hoje um clima de intolerância que gradualmente vai afastando as pessoas do centro e criando trincheiras. Antagonismo gera antagonismo, e na ausência de uma doutrina que aproxime as pessoas temo que o radicalismo tome o centro da discussão. Ora, todos nós que nascemos antes do 25 de Abril sabemos bem o custo de uma revolução. Porém, a história conta-nos que há reformas inadiáveis que a não acontecerem ameaçarão não só terminar de forma desordenada com o actual governo do clube como com o próprio regime. Quem diz regime, diz Sporting, ou pelo menos o Sporting como sempre o conhecemos. E é sobre as reformas que eu gostaria que se falasse nos próximos dias. Porque as coisas não podem mais mudar para tudo ficar na mesma e o Sporting merece ter um projecto com ideias claras e um caminho com um plano de acção pela frente em que uma ampla maioria se possa reconhecer. Tudo o que seja diferente disto será surfar na maionese, o que dará razão ao velho ditado que diz que quem resiste à mudança geralmente acaba a ter de resistir à extinção. É de projectos que eu gostaria verdadeiramente que se falasse. Sem ruído, mas também sem lendas e narrativas, até porque, por muito que se criem artificialmente percepções de uma realidade, há sempre um dia em que a realidade choca de frente com todos nós e da pior forma, já tarde e sem que se possa impedir o então inevitável. Haveria muitas outras coisas que gostaria de dizer à volta daquilo que deveria ser um ideal comum, mas isso levar-me-ia por caminhos que não são para um dia como o de hoje. Apenas gostaria de contribuir com esta reflexão e com isso singelamente transmitir alguma esperança no futuro. Repito, este não é o tempo de reciminações vãs, mas sim de temperança e sentido de responsabilidade para quem conhece a situação social, económica, financeira e desportiva do clube e antevê a sinuosidade do que vem aí a seguir. Não sou, e nunca fui, contra ninguém. Sou, e serei sempre, a favor do Sporting e da perenidade das instituições que efectivamente merecem a pena. Todavia, não posso e não devo ficar indiferente ao facto de o mercado estar praticamente fechado e de qualquer solução directiva no curto-prazo estar amputada pelo constrangimento de não poder agir por essa via, razão pela qual apelei no passado e em tempo útil ao senhor presidente da mesa da Assembleia Geral do clube para que me ouvissse e daí retirasse as conclusões que fossem melhores para esta centenária instituição. Enfim, não se pode mudar o que está lá atrás, concentremo-nos e gastemos as nossas energias sim em mudar o futuro como ele hoje infelizmente se perspectiva e tenhamos a humildade e lucidez de envolvermos todos aqueles que possam ser úteis e quiserem tomar parte nele.

 

Um abraço a todos para quem o Sporting é relevante, que têm o dever de contribuir com elevação e ideias para um clube melhor, mais são e forte, capaz de enfrentar os difíceis desafios que tem pela frente. Mas, o que não nos mata faz-nos mais fortes, pelo que ressurgiremos mais sábios, preparados e capazes de honrar o lema que um dia José Alvalade enunciou, especialmente se soubermos entre nós proceder da exacta mesma forma que um dia o nosso fundador descreveu em carta ao seu amigo José Gavazzo. Sim, porque também é muito de humildade e de se encontrar pontos em comum que vos falo aqui.

 

Viva o nosso Sporting Clube de Portugal!

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