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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

18
Dez18

Tudo ao molho e fé em Deus - O que é Nacional é bom (mas Keizer é melhor)


Pedro Azevedo

O Nacional entrou em Alvalade a todo o gás e sem aviso quase marcava na primeira jogada, perante um Sporting pouco atento às alterações legislativas sobre os GPL. Os primeiros trinta minutos do jogo foram uma espécie de preâmbulo da Batalha de Little Bighorn, com as tropas de Marcel “Custer” Keizer a serem invadidas por todos os lados. Deste modo, não surpreendeu que tenha sido um indígena madeirense (João Camacho) a inaugurar o marcador. Outro ainda (Jota) congeminaria o segundo, assinado por Palocevic, numa jogada onde Jefferson aproveitou para dar mais um passeio no parque. Estavam decorridos 25 minutos de jogo e o Sporting perdia por duas bolas a zero e não mostrava reacção. Pelo meio, o VAR também não, ao que parece devido ao mau funcionamento de uma câmara, algo que não consta tenha sido reportado ao Tribunal de Contas. Assim, restou-nos à posteriori o Tribunal d`O Jogo e os conhecimentos desse ilustre painel em geometria e trigonometria. Com tudo isto, os madeirenses safaram-se à tangente de se verem empatados e o tempo de espera foi secante, acabando o Nacional por ser Coroado com a manutenção da vantagem no marcador. Em cima da meia-hora, a coisa esteve para tomar proporções bíblicas, não fora Renan ter efectuado a sua primeira grande defesa do jogo. Sentimos alívio na altura, mas com o que sabemos agora tal só evitou a sequela do Coreia do Norte-Portugal de 66, versão “remastered”. Subitamente, o Sporting pareceu acordar: do lado direito, Coates foi até à linha de fundo para tirar um centro jeitoso - até aí Bruno Gaspar nunca o conseguira, não obstante as cento e dezasseis vírgula cinco tentativas para o fazer, não se sabe se por falta de conta, de peso ou de medida – e, após uma carambola da bola entre Nani e um defensor madeirense, Bas Dost levou um toque de um nacionalista. Na conversão da penalidade, o holandês esperou pacientemente a queda do guardião adversário e atirou para o outro lado. “Business as usual”!

 

Para o segundo tempo, o Professor Marcel fez entrar Miguel Luís no lugar de um abúlico Bruno César e o Sporting começou a ganhar os duelos no meio-campo. Bruno Fernandes jogava agora como o mais avançado das 3 linhas do meio-campo e a equipa leonina começou a impor o seu passe-desmarcação-aproximação à bola e a montar o já famoso carrossel de Keizer. Após solicitação de Jovane (entrara para o lugar do lesionado e pouco inspirado Nani), Bas Dost correu isolado para a baliza com Bruno Fernandes ao lado, a descrever uma paralela. O holandês pareceu adiantar de mais a bola, mas ainda conseguiu dar um ligeiro toque para a sua esquerda imediatamente antes do choque com o guardião adversário, onde apareceu Bruno completamente solto a restabelecer a igualdade. Faltavam 20 minutos para o jogo terminar, mas a vantagem anímica passara para os de Alvalade. Eis então que Gudelj decide fazer a sua melhor acção do jogo e sozinho foi galgando metros, escapando às emboscadas rivais até ser atingido pela bota de um nacionalista na cabeça, algo que tristemente não deve constituir novidade para um cidadão das balcãs. O árbitro assinalou livre directo a cerca de 10 metros da grande área e em vez de consultar um neurologista foi procurar no VAR respostas para a agressão que o sérvio tinha sofrido. Já se sabe que este é menino para duvidar da intensidade do knock-out que um dia Muhammad Ali aplicou a George Foreman e mandou seguir para a marcação da falta. Reza a história que Bruno Fernandes terá segredado a Jeremy Mathieu que era muito importante ser golo. O gaulês aplicou a versão futebolística do enunciado de Arquimedes e com um pé de apoio (direito) bem firme na relva alavancou a bola com o outro pé (esquerdo), de forma a estabelecer a proporção certa entre força aplicada e distância da baliza. Pelo meio ainda aproveitou o satélite francês mais perto (Asterix?) para estabelecer a rota certa e encontrar a “poção” mágica que lhe permitiu marcar um grande golo. Delírio em Alvalade com muitos espectadores a lembrarem-se das agora proféticas palavras de Marcel Keizer de que preferiria ganhar por 3-2 do que por 1-0 (dá mais gozo, sim, mas deve ser coisa para, um a um, ir arrancando os cabelos de um treinador, não é Mister?). Finalmente, via-se um sorriso no rosto do nosso Mona Lisa e jogadores (suplentes incluídos) e treinadores caiam nos braços uns dos outros, sinal de que o espírito de equipa está fortalecido. Muito provavelmente, no passado teria entrado um defesa ou um trinco para segurar o resultado, mas Keizer manteve a pressão sobre a defesa nacionalista e viria a recolher frutos dessa ousadia ao marcar mais dois golos, um de penálti por Dost, outro após insistência à pedrada de Bruno Fernandes. Antes, porém, Renan foi lá onde a coruja dorme evitar o empate.

 

No fim do jogo, Costinha apresentou-se em conferência de imprensa valorizando os méritos da sua equipa e reconhecendo a superioridade dos leões. É sempre refrescante quando um treinador nacionalista discursa em Alvalade sem indignações, revoltas interiores ou preocupações com o estado do futebol português e o fim do espectáculo após colocar dois autocarros Gran Artic (os mais compridos do mundo) importados do Brasil à frente da sua baliza. Pelo contrário, com um discurso escorreito, embora pelo acima descrito não necessitando de recorrer à escola do manuel-machadês, o treinador da equipa madeirense traduziu a excelente atitude que a sua equipa desenvolveu, jogando no campo todo e colocando inúmeras dificuldades ao Sporting.

 

Seis jogos, seis vitórias e vinte e cinco golos marcados (média de 4,17 por jogo) depois, não me apetece acordar deste sonho. Dá para prolongar? Bem sei que ainda há gente à espera da inevitável escorregadela para voltar a ressuscitar a ideia de que com Peseiro (catorze jogos, nove vitórias, um empate, quatro derrotas e vinte e quatro golos marcados) é que era, mas já ninguém nos tira este Outono do nosso contentamento e o prazer que tem sido ver bom futebol e golos.

 

Tenor “Tudo ao molho…”: Bruno Fernandes

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