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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

04
Fev19

Tudo ao molho e fé em Deus - O acordeão


Pedro Azevedo

Há um equívoco no futebol do Sporting. Keizer tem uma (boa) filosofia de jogo, mas não tem jogadores para essa filosofia. (É como ter "queda" para as acrobacias e não ter rede onde cair.) Os centrais são lentos, e protegem-se não subindo no relvado. Com isso, quando a equipa estica e o adversário entra em transição, fica uma buraco no meio. O mesmo, quando tenta pressionar alto. Em suma, a música que tocamos é de acordeão: quando o fole alarga, tudo fica mais grave. 

 

Claro que não ajuda à festa jogar sem Acuña - lesionado ou poupado (para o Zenit) - ou Ristovski, da mesma forma que a ausência de movimentos interiores dos alas não é benéfica nem ajuda a ligar o jogo. Para não falar do modesto metro quadrado que para Gudelj é um latifúndio, ou da súbita apatia de Dost. Deste modo, torna-se difícil ganhar um jogo quando apenas Wendel, Bruno Fernandes e Renan estão minimamente à altura das circunstâncias. Nesse sentido, torna-se incompreensível que não se tenha aproveitado a reabertura de mercado para imediatamente ir buscar pelo menos 1 central veloz, em vez da prioridade dada a um avançado. É que Ilori - enfim, foi essa a opção e, do ponto-de-vista desportivo, não a vou criticar - chegou apenas em cima do Clássico. Também não se entende como Thierry Correia não voltou a ser chamado (após uma aposta inicial), quando Bruno Gaspar se tem sucessivamente mostrado curto para as exigências a este nível, e um lateral muito rápido (Lumor) - qualidade que poderia compensar a lentidão dos centrais -, e que poderia utilizar a sua aceleração para dobrar o eixo defensivo, foi emprestado. Com tudo isto, não sei se aproveitámos o Mercado de Inverno para arranjarmos soluções ou se, simplesmente, comprámos mais problemas, na medida em que acabam sempre por jogar os mesmos (mas os custos são de todos...). 

 

Hoje, o Benfica foi muito superior. E em nossa casa, o que tornou tudo um pouco mais humilhante. Na primeira parte então andámos completamente à deriva, sendo o resultado ao intervalo lisonjeiro face àquilo que foi a nossa actuação, algo que deveremos agradecer a Renan e a Bruno Fernandes, este último autor de um golo de belo efeito. O curioso é que os encarnados só tinham dois médios no centro, mas conseguiram sempre ter superioridade numérica nessa zona nevrálgica do terreno, aproveitando as transições para explorar o espaço que os leões iam dando, eles que durante esse período do tempo deixaram que a equipa se partisse em dois, com Gudelj e os centrais a terem de se haver com os movimentos frontais de João Felix e Seferovic, frequentemente apoiados pelas subidas de Grimaldo (Pizzi fechava), que beneficiou de uma ala direita do Sporting em fim de tarde desastroso. A equipa leonina não melhorou muito a sua organização no segundo tempo e o Benfica continuou a ser mais perigoso, razão pela qual obteve mais dois golos. No fim, vitória confortável do Benfica, num jogo aberto, com 6 golos, 2 golos anulados por acção do VAR (um fora-de-jogo e uma falta), duas bolas ao poste (uma para cada lado) e dois penáltis (um sinalizado pelo VAR). Uma vitória também da verdade desportiva e da implementação do vídeo-árbitro, que evitou um embaraço maior para as nossas cores (noutras circunstâncias teríamos perdido por 2-5).

 

Mas o mais rude golpe no coração de um leão, a nossa maior derrota, foi ver um menino vestido de vermelho fazer gato sapato da nossa defesa. Porque esse menino é um produto da Formação do Seixal e resulta de uma política desportiva definida pelo Benfica. O presidente do clube da Luz pode ter os defeitos todos que lhe reconhecemos, mas neste particular manteve-se firme numa aposta que outrora já foi uma bandeira verde-e-branca. E parece estar a ganhá-la. Já do nosso lado, Miguel Luís e Jovane foram subitamente sujeitos a um ostracismo que deixa várias interrogações. Acrescente-se o caso  de Francisco Geraldes, cuja proximidade do relvado se circunscreve a umas corridas de aquecimento, e o mistério adensa-se. Não digo que Miguel e Xico fossem titulares indiscutíveis, mas a verdade é que permitiriam dar mais descanso a Wendel e Bruno Fernandes, os quais ainda assim conseguem ser os melhores jogadores da equipa. Até admito que Geraldes possa não ser opção e não peço as 20 oportunidades que já foram concedidas a Bruno Gaspar, gostaria é que pelo menos fizesse 1(!) jogo completo. Depois, até poderíamos concluir que não está à altura... 

 

As dúvidas que nos inquietam não obtêm qualquer resposta da Estrutura do clube. Bem sei que "a alma é o segredo do negócio", mas... Como tantas vezes no passado, os sócios só são importantes nos momentos eleitorais. Passado esse período, o desrespeito é quase total. Agora, como num passado bem recente. Bem sei que tivemos limitações várias na construção deste plantel, que esta Direcção entrou em funções com o campeonato já em funcionamento e sem poder ir ao mercado, mas a verdade é que depois do sonho de umas noites de Outono estamos a cair numa realidade que não compreendemos na sua totalidade, onde a ruptura com o passado não é evidente.

O nosso presidente até pode ser um Egas Moniz da medicina, um Rambo das Forças Armadas portuguesas, um Bill Gates da gestão, mas e o futebol? Durante a campanha eleitoral, Varandas apresentou os seus conhecimentos do fenómeno futebolistico como uma mais-valia. Reconheço na sua equipa pessoas com capacidade, pelo menos nas áreas financeira e do marketing, mas uma boa gestão do futebol profissional é fundamental e ajuda a melhorar o desempenho de outras áreas. No entanto, as evidências parecem provar que, mais ainda do que um gestor para o futebol, aparentemente precisamos é de um técnico de investigação operacional, especializado em gestão de stocks (mais de 80 jogadores com contrato profissional na nossa folha de pagamentos) e em simulação de filas de espera (aparentemente, a Gertrudes na Academia está sempre com o sinal encarnado e não há passagens à equipa principal). E assim se vai esticando o acordeão...

 

P.S. Quarta-feira temos de dar a volta. Um leão nunca se rende. Força Sporting!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (menções honrosas para Wendel e Renan).

sportingbenfica.jpg

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