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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

10
Jul19

Tudo ao molho e fé em Deus - Entrada de cordeiro


Pedro Azevedo

O Sporting estreou-se contra o Rapperswil, a melhor equipa... do Lago Oberer, e "meteu água". Pertencente ao terceiro escalão suiço, o Rapperswil, treinado pelo português Pedro da Silva, não incomodou na primeira parte, período em que o Sporting actuou com o teóricamente melhor "onze" entre os jogadores que estão em estágio. Com Bruno Fernandes a jogar na sua posição habitual do 4-3-3, Luciano Vietto foi desviado para a esquerda (eu já tinha antecipado que isto iria acontecer), adicionando mais um elemento à hiper-inflacção de alas (8) - parece que ainda queremos mais um, para além de Jovane, Diaby e Acuña (espero que seja lateral) que não actuaram hoje - do plantel leonino. Ainda assim, o primeiro tempo foi agradável, com Doumbia a dar saída de bola com critério e rapidez, Thierry Correia (seria necessário Rosier?) a destacar-se pela velocidade na recuperação, Neto e Mathieu a oferecerem segurança, Raphinha a causar perigo em diagonais e Bruno a fazer a diferença no passe de ruptura. Assim, após uma primeira oportunidade desperdiçada por Dost (remate ao poste), o melhor jogador da Liga 2018/19 facturou de penálti. Raphinha e o próprio Bruno tiveram acção preponderante nos dois lances. Até ao intervalo, o Sporting continuou a dominar, ficando a dever a si próprio dois golos que estiveram nos pés de Raphinha.

 

Para a etapa complementar, Keizer rodou os 11 jogadores. Os sintomas de hiper-inflacção de alas foram evidentes quando Matheus Pereira foi desviado para o meio, tal a abundância nos extremos. Plata foi para a ala direita e Camacho para a esquerda. Diga-se que o equatoriano esteve bem melhor do que o ex-Liverpool no 1x1, embora tenha denotado muitas dificuldades em combinar com a restante equipa. Como sabemos da economia, quando se continua a fazer compras como se tivessemos uma rotativa de impressão de moeda (não há dinheiro), fomenta-se a hiper-inflação. Associada a ela, acontece a recessão e concomitante desvalorização dos activos com risco. O activo(?) Ilori chegou-se logo à frente, aprestando-se a confirmar a teoria em dois lances decisivos que deram a vitória aos helvéticos, mostrando que o valor pago pela sua aquisição dificilmente será recuperado. À frente da defesa, Eduardo foi demasiado macio, nomeadamente no primeiro golo dos suiços onde o médio portador da bola teve todo o tempo do mundo para solicitar o seu avançado. Talvez não fosse mal pensado deslocar o brasileiro para a posição "8", onde me parece que Miguel Luis está sem confiança e Wendel pode dar mais. O problema é que "oitos" há muitos, mas o melhor é Bruno Fernandes, o qual é absolutamente necessário como "10" (agora que já não há Geraldes), a não ser que Keizer o faça recuar e ponha Vietto a jogar na posição no terreno condizente com o número da sua camisola, solução que não me parece plausível em muitos jogos. Portanto, este primeiro ensaio mostrou-nos que temos quantidade de sobra em várias posições, mas também continua a faltar aquela qualidade que faça a diferença, mesmo jogando contra uma equipa de terceira linha.   

 

Pese os desequilíbrios evidentes no plantel, uma equipa começa a desenhar-se de trás para a frente. Com a integração de Coates e de Acuña, a categoria de Mathieu e o reforço de Neto não me parece que tenhamos problemas por aí. Mas a maioria dos jogos em Portugal ganham-se com jogadores que façam a diferença do meio campo para a frente. É certo que é muito cedo para tirar conclusões definitivas, mas temo que sem Bruno esta equipa vá perder ainda mais qualidade. Nesse sentido, com ou sem ele, sacrificaria muitos alas e médios defensivos do plantel - Matheus Nunes, bom jogador contratado em Janeiro, nem convocado para o estágio foi, e ainda há Battaglia e Bragança, para além dos utilizados Doumbia e Eduardo - por um ponta de lança, que pudesse simultaneamente ser decisivo na área e ter mobilidade, e um "oito" com mais golo e chegada à área que Wendel. É que há uma outra regra de economia que nos diz que os recursos são escassos. Como tal, deverão ser utilizados (aplicados) de uma forma eficiente.  

 

Tenor "Tudo ao molho": Bruno Fernandes

 

P.S. Desde Janeiro, o Sporting contratou 1 defesa direito, 2 centrais, 1 defesa esquerdo, 3 médios defensivos, 1 ponta de lança e 3 alas. Para as posições "8" e "10" não contratámos ninguém (Vietto será um "mezzapunta" e não um "10", e jogará numa ala se Bruno ficar).

P.S.2 Vem o Eduardo, que desvaloriza o Doumbia, que por sua vez desvaloriza o Matheus Nunes (últimas 3 contratações para a posição), que desvaloriza o Bragança. Quando voltar, o Battaglia desvaloriza todos os outros. Nas alas é ainda pior: o Vietto, recambiado para lá e fora da sua posição natural, desvaloriza o Camacho, que por sua vez desvaloriza o Plata (últimas contratações), que desvaloriza quem já lá estava (Jovane). E ainda há o Raphinha, o Diaby e o Matheus Pereira. Para não falar do Acuña, que o melhor que tem a fazer é recuar para lateral esquerdo a fim de que o Borja não desvalorize... a equipa. 

P.S.3 Se Bruno ficar, é possível que Keizer seja tentado a jogar num 3-5-2, de forma a tentar compatibilizar Bruno com Vietto. Imaginem uma equipa com Renan; Coates, Mathieu, Neto(Borja); Ristovski, Doumbia, Wendel, Bruno e Acuña; Vietto e Dost. Nesse cenário, não haveria lugar para qualquer um dos alas. Quantos temos? 

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