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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

22
Dez19

Tudo ao molho e fé em Deus - Against all odds


Pedro Azevedo

Dezasseis de Outubro de mil novecentos e oitenta e cinco: Portugal precisava de ganhar na Alemanha e esperar que a Suécia perdesse na Checoslováquia para se qualificar para o Mundial de 1986. As nossas hipóteses eram encaradas por quase todos como meramente académicas. Mas um homem acreditava. Chamava-se José Torres e queria levar a carta a Garcia(*), nem que para isso tivesse de usar a anilha de um dos seus pombos. Na antevisão dessa jornada largara um romântico "deixem-me sonhar", ao jeito de quem ia alimentando a quimera. 

 

Vinte e um de Dezembro de dois mil e dezanove: o Sporting precisava de ganhar em Portimão e esperar que o Rio Ave, que recebia um Gil Vicente já sem aspirações, não vencesse a fim de se qualificar para a "final four" da Taça da Liga. As nossas hipóteses era encaradas por todos como meramente académicas. Desta feita não se sabe se o próprio Silas acreditava. Apenas queria vencer o seu jogo e depois "logo se via", assim como quem primeiro quer terminar o 12º ano e a seguir ver se tem média para a admissão à universidade. 

 

Trinta e quatro anos intercalaram estes 2 acontecimentos, mas a mesma conjugação cósmica sorriu a Portugal (em 1985) e ao Sporting (em 2019). Curiosamente, ou não, ambos os acontecimentos foram marcados por temporais. Em 1985, as tempestades Elena e Gloria; em 2019, as tempestades Elsa, Fabien e... Pinheiro. 

 

Se o Elsa e Fabien causaram a mesma depressão nos nossos adversários que o Elena e Gloria haviam causado nos contendores de Portugal, e como tal deverão ser considerados como benignos em relação às nossas pretensões, a ocorrência da Tempestade Pinheiro foi uma verdadeira ameaça às intenções do Sporting em prosseguir na Taça da Liga. Tudo terá começado numa onda tropical que entrou em Portimão através da África Central, mais concretamente via Congo. Enquanto a onda se ia movendo para noroeste, altas pressões fizeram descer o ar frio sobre o relvado do Portimonense, interagindo com o sistema de forma a se formarem nuvens muito negras que atingiram o seu ponto máximo por volta dos 45 minutos de jogo.   

 

Tendo conseguido reduzir a desvantagem de dois golos que chegou a ter por volta da meia-hora de jogo, a expulsão de Bolasie em cima do intervalo aparentemente comprometia as nossas hipóteses para a etapa complementar. Mas um Sportinguista está sempre preparado para o inesperado, o que só pode ser considerado um paradoxo para quem não vive a nossa saga dos últimos 35 anos. Na verdade, o inesperado e o aleatório estão de tal maneira inculcados na nossa história recente e na nossa memória que, conjugados, desafiam sempre a lógica e o cálculo das probabilidades. Por isso somos uns desmancha-prazeres para os jogadores dos vários sites on-line de apostas. Imagino o fluxo de palpites a favor do Portimonense durante o intervalo do jogo e a decepção que isso deve ter criado a muito boa gente... Ainda por cima com pormenores de malvadez. Não se faz! Então não é que os até aqui obscuros Camacho e Plata desataram a marcar? Ou que o Felipe das Consoantes trocou a gastroenterite que deixou no banco pelo corrimento de golos que vem marcando? No meio desta imprevisibilidade, somos também nós um ciclone. Em certos dias não há Pinheiro que resista, noutros perdemos a força e dissipamo-nos.

 

Vem aí o Mercado de Inverno. Eu gosto muito de mercados. Vou com frequência ao da Ribeira ou ao de Campo de Ourique. Paga-se um valor razoável e geralmente ficamos bem servidos. Já em relação ao Mercado de Inverno fico sempre desconfiado. Tem uma publicidade muito negativa por geralmente se pagar caro por uns refugados. Por isso, os críticos não o recomendam. Não figura em nenhum Guia Michelin e não augura um GoodYear. E para "encher pneus" já temos em casa "alimento" suficiente. Mas isso sou eu, que com tanto pneumático até perco a vontade de ser fleumático.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (duas assistências para golos em momentos fundamentais do jogo). Vietto, 1 golo e uma assistência, Plata (o golo da reviravolta), Luiz Phellype (1 golo) e Camacho (grande golo, mas cometeu a penalidade que abriu o marcador) também se destacaram. Destaque ainda para mais uns minutos concedidos a Battaglia e para a Max, que paulatinamente vai consolidando a titularidade na nossa baliza.

 

(*) Carta a Garcia: durante a insurreição cubana contra os espanhóis, o presidente americano McKinley entregou uma missiva dirigida a Garcia, o líder dos rebeldes cubanos. Com essa missiva pretendia manifestar o apoio do seu país à sublevação contra os espanhóis. Para tal, chamou um mensageiro que assim ficou com a missão de entregar a carta a Garcia, daí para a frente aplicado como expressão que pretende determinar o cumprimento de um objectivo. . 

BolasieExpulsao1.jpg

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