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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

07
Mar24

Tudo ao molho e fé em Deus

A Xerazade que nos acuda


Pedro Azevedo

Em teoria, o Sporting olha para as competições de futebol em que participa como um homem muçulmano para as 4 mulheres com que pode casar. O Islão permite que um homem se case com até 4 mulheres, mediante algumas condições, nada obstando porém a que se case só com uma. Para o Sporting, as "mulheres" também são 4. Chamam-se elas Primeira Liga, Taça de Portugal, Taça da Liga e Liga Europa, o que em teoria configura relações potencialmente polígamas e com forte envolvência de ligas ("comme il faut") entre as competições em que participamos. Porém, na prática, Amorim tem uma ideia diferente e aposta as fichas quase todas na monogamia, consequência da priorização que faz da Primeira Liga (ou será Primeira Dama?). O anúncio surgiu na véspera do jogo com a Atalanta e logo me deixou perante uma questão na cabeça: se a Liga Europa não é prioritária, por que é que o descobrimos agora, após 8 jogos anteriores em que desgastámos os jogadores, quando o número de jogos de que presentemente necessitamos para vencer a competição é menor do que os que disputámos até ao momento? Seria como um homem namorar 8 anos uma mulher e depois, à medida que o casal começa a discutir o casamento, ele descobrir que afinal prioriza outra - porque deveria um muçulmano priorizar uma mulher, podendo ter quatro? Não faz sentido, pois não? Se é para "matar" todas as competições menos a Primeira Liga, por que razão nos inscrevemos nesses certames? É como se Amorim fosse o Rei Shariar e Xerazade a única hipótese de salvação da nossa presença na Europa League. Caso contrário, andaremos sempre nesta coisa de casamentos por conveniência, para que depois cada competição vá sendo eliminada em nome da nossa potencial vitória na Primeira Liga. 

Foi com este pensamento que ontem me sentei em frente do televisor para ver o jogo. Embora também me interessasse ver o dia de campanha eleitoral, o Sporting sempre terá a minha prioridade de agenda não-familiar, ainda que para o Sporting nem todas as competições em que entre sejam uma prioridade. O que me induziu novo pensamento e algumas questões a mim próprio: faz sentido o que é uma prioridade para mim, não priorizar competições onde intervém? Ou seja, devo priorizar quem não prioriza o que me é dado ver, o objecto da minha paixão? O que será o jantar? A resposta às 2 primeiras questões foi sim, que a paixão não se discute ou se subordina à reciprocidade. Quanto à terceira pergunta, ela não teve propriamente resposta imediata. Foi só um momento de associação de sinapses (o Paulinho acabara de inaugurar o marcador), em que a propósito do Islão me lembrei de Maomé e da sua aversão ao porco, assim a modos como uma garantia de que o repasto não seria composto por lombinhos, escalopes ou medalhões, podendo ser essa a suprema ironia de uma priorização pessoal minha em colisão com a priorização que metaforicamente criei para o meu clube. Perceberam? Eu também não (ao Amorim). 

Caro Leitor, a primeira parte também não foi prioritária para o Sporting. Como consequência, levámos 1 golo, duas bolas no ferro e o nosso guarda-redes defendeu três bolas muito difíceis. Estava eu a pensar nisso quando me lembrei que esta crónica acabara de entrar no clássico da geopolítica, na medida em que teria de compatibilizar Israel com a metáfora do homem islamita e não permitir que de algum desconchavo entre personagens surgisse uma Faixa de Gaza para onde os Leitores se refugiassem desta crónica. Regresso assim ao Israel para dizer que uma das suas paradas de ontem só tem comparação na defesa de Banks perante Pelé ou no milagre que Damas fez perante a Inglaterra em plena "catedral" de Wembley (Defesa do Século). É que defender uma bola que nos vai a fugir e, para mais, bate no chão pouco antes da linha de golo, é tarefa só ao alcance de alguns predestinados. Pelo que se o Israel deixar de ter hesitações a sair da baliza, como se fosse um condenado e esse caminho o levasse ao Corredor da Morte, então o que mostra entre os postes e a jogar com os pés é mais do que suficiente para vos dizer que temos homem. Se o afirmo com alegria em relação ao Israel, é com pesar que o comunico em relação ao Gyokeres. É que termos homem não nos basta, nomeadamente quando antes nos convencemos de ter um deus. Só que o sueco ontem mostrou um traço de humanidade. Cansou-se. Esgotou-se. E nós não estávamos habituados (ou estávamos simplesmente mal-habituados). 

No segundo tempo voltámos a não conseguir impor o nosso jogo. Os inúmeros passes perdidos não permitiram que atingíssemos o ritmo certo a que estamos acostumados. O cansaço físico e mental de alguns jogadores limitou as linhas de passe, e sem desmarcações muitas bolas se perderam por falta de opções. Melhorámos porém na contabilidade do ferro, empatando 1-1. E até poderíamos ter ganho o jogo, o que não seria de todo justo, caso Geny tivesse levantado a cabeça e visto Gyokeres liberto ao segundo poste. Mas isso teria sido um cenário das mil e uma noites e a Xerazade não mora em Al Valade. 

Tenor "Tudo ao molho...": Eduardo Quaresma - à direita, à esquerda, a dobrar ao centro, a actuação de Quaresma foi uma parábola das melhores virtudes de cada partido que compõe o nosso espectro político quando se aproxima o tempo de reflexão após renhida campanha eleitoral. 

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