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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

05
Mar24

Tudo ao molho e fé em Deus

Um Domingo qualquer


Pedro Azevedo

Se há clube a quem o José Mota vende cara a derrota é o Sporting. Confesso que demorei anos a perceber a razão porque sistematicamente nos fazia a vida negra em Paços - o Rafael, que connosco pintava sempre a manta e curiosamente só teve sucesso por lá, ainda hoje me provoca suores frios -, mas um dia prestei atenção ao boné com que se apresentava em conferências de imprensa e fez-se-me luz, estava lá escarrapachada a resposta: a JCA Electrodomésticos deu-lhe de patrocínio uma varinha mágica. Só pode... No Leixões, substituiu o boné pela pinta de Beto (nosso antigo guarda-redes) e assim, fingindo-se um de nós, veio ganhar-nos a Alvalade. Em Setúbal já não foi Beto, mas sim Diego (o pai do Callai), o guardião. Resultado: perdemos de novo. E no Aves brindou-nos com uma versão sua de um romance do Camilo: o (J)amor de Perdição. Em troca, guardou a Taça para si. 

 

Com antecedentes assim, a que se podem somar as muitas dificuldades sentidas pela nossa equipa na primeira volta em Faro, é natural que eu tivesse pensado entrar para o jogo de ontem com um pé atrás. Quarenta e cinco minutos depois, enquanto ainda esperava pelo reboque que me levaria a viatura para a oficina, concluí que afinal entraria mesmo com os dois pés atrás(ados). Menos mal, o Flashscore dizia que estávamos a ganhar por 2-1... Sorri e fui à boleia ver o resto do jogo. A vantagem de certas contrariedades na nossa vida é que nos permitem relativizar as coisas. Por isso não sofri demasiado quando o Farense empatou ou o Paulinho entrou, embora este último seja a razão pela qual eu tenho uma fixação por mesas pé de galo, através das quais contacto com antepassados Sportinguistas que me falam do Peyroteo, do Vasques, do Martins, do Figueiredo ou do Yazalde. Ou contactava, porque agora o Gyokeres tira-me a ansiedade. [Sendo de Barcelos, aposto que o Paulinho sabe o que é um(a) pé (esquerdo) de galo.]

 

Na minha teoria da relatividade da bola, não era preciso ser um Einstein para perceber que a massa do Esgaio se deslocava a uma velocidade que estava nos antípodas do quadrado da luz, o que como é óbvio transmitia uma energia muito abaixo do esperado, que não atraía o resto da equipa nem os nossos adeptos. Eis senão quando ele recebeu um passe do Edwards, avançou e deu de bandeja para o Pote, no que foi o golo da vitória. Dando razão a Auguste Comte quando dizia: "Na vida tudo é relativo, e esse é o único valor absoluto". E assim, aquele que muitas vezes ficou aquém, ontem foi além. Transcendeu-se. 


Se o jogo com o Farense já me tinha deixado intranquilo, o final de Domingo confirmou o mau momento de forma do nosso Sporting. O canário na mina do carvão que nos deu esse sinal foi o Benfica, que, apenas 3 dias após ter perdido connosco pela margem mínima, levou uma lição de mão-cheia no Dragão. Nada disto ocorreu por acaso, não se deixam acasos ao acaso numa instituição que move tantos apoios nos corredores do poder e suscita o interesse de tantos filantropos. Não, o intuito do Benfica foi desmoralizar-nos, dar-nos a entender que somos uns fracotes. Minando-nos por dentro, fazendo-nos dúvidar do nosso potencial. Para depois largarem a pele de cordeiro e mostrarem as garras de águia. Então o lateral esquerdo será lateral esquerdo e não central, o ponta de lança será ponta de lança e não ala e o Herr Schmidt será um treinador e não um tipo de investidor que deixa 40 milhões parados no banco. É claro que o "mastermind" disto tudo é o "regista" Rui Costa, um homem do Renascimento, ou não tivesse ele passado longos anos em Florença e outros tantos com o Vieira, este último um período de que não se lembra quase nada (o que já em si é como nascer de novo para a vida). Agora finalmente sem o homem dos pneus, não obstante não deixar de querer um Good Year. (Não lhe chamem pneumático, que o homem deixa logo de ser fleumático.) 

 

E é neste tom carregado, caro Leitor, que me preparo para terminar esta crónica. Porque esta coisa de ir à frente faz sempre um Sportinguista desconfiar. Sim, um Sportinguista tem medo de ser feliz, assumamos. E depois apanha-se com um ponto, que podem ser quatro, à frente, vê o Adán com a capoeira fechada e começa a achar que isto não pode ser real. Belisca-se, debate-se com a realidade nua e crua. Pelo que para reduzir a ansiedade eu pedia já para antecipar a ida ao Dragão para a próxima jornada. Para irmos jogar para o zero a zero, com humildade. Ou então para perdermos por menos de 5. Só assim conseguiremos desenvencilhar-nos da armadilha em que o Benfica nos meteu e fazê-los provar do seu próprio veneno. Uma e outra e uma outra vez. Até que o ninho da águia abane e de lá caia um ovo em quem se possa totalmente confiar como parceiro deste peculiar negócio chamado futebol português. Sporting!!!

JCA.jpg

Tenor "Tudo ao molho...": Pote

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