Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

26
Fev24

Tudo ao molho e fé em Deus

E dois pontos o vento levou...


Pedro Azevedo

Para um clube de fidalgos, visitar a vila de um conde enquadrar-se-ia perfeitamente dentro da normalidade do protocolo habitual nessas circunstâncias. Mas o conde de que falamos não deveria frequentar muito as cortes, nem servir-se do cofre real, e o resultado foi que a sua gente teve de fazer pela vida e para sobreviver educou-se mais no conteúdo do que na forma, no pragmatismo ou realismo, o que no futebol se traduz correntemente em meia bola e força, bola para o mato que é jogo de campeonato: não é fácil jogar em Vila do Conde. Exige conhecimento amplo sobre ventos e por vezes marés, navegabilidades, a Arte da Guerra e quais as melhores caneleiras. Nem todas as equipas sabem bolinar por entre os ventos, nem todos os jogadores compreendem as trajectórias de um bom biqueiro na bola ou no lombo, só a frieza de leitura do jogo de um treinador faz perceber qual a pontão que sustenta a estrutura do adversário que é preciso abordar, se tiver a sorte de ter armas para isso ou dinheiro para gastar em Janeiro.  

 

Com o Geny à deriva e o Diomande a não responder à chamada de socorro ao náufrago, cenas da vida marítima, cedo o Umaro Embaló(u) a tempestade. Fazendo jus à lenda, logo o Narciso meteu água (lance precedido de falta sobre Pote) ao validar o golo, dando razão a quem acha que ele não é flor que se cheire (sabe-se que depois do Narciso se ter afogado, Afrodite transfomou-o numa flor). Na baliza, o Jhonatan mostrava-se na hora H, agá que para ele é antecipado desde que os seus pais registaram (mal) o seu nome. Devido a essa emergência, cedo começou a defender, negando o golo ao Gyokeres (duas vezes) e ao Trincão. Mas o Morita soltou-se e quando o Morita solta o seu perfume, os adversários ficam de olhos em bico e aparece o melhor Sporting. Na ressaca, o Hjulmand marcou um bonito golo. Quem também soltou, mas a bola, foi o Adán. Por sorte ou azelhice de um jogador do Rio Ave, não deu golo. Sorte, desta vez do Rio Ave, e azelhice (do árbitro) que se repetiram mais tarde, quando o Nóbrega, com os pitões em riste, aplicou um golpe de ninja em cima do Trincão e escapou sem a grande penalidade. Bola cá, bola lá, mais uma desatenção do nosso lado direito e bola no poste. Até que o Amine teve um atraso (mental) que correu mal e o Gyokeres explodiu com as redes do Rio Ave - foi o 30º golo do sueco e o 100º do Sporting na temporada. Estávamos finalmente em vantagem, ainda por cima com o intervalo a chegar. Só que o Nuno Santos ensarilhou os seus pés entre as pernas de um Costinha de frente para ele, oxímoro que melhor explica o absurdo do sarilho de um penálti e nova igualdade no marcador. 

 

Como o Diomande estava a meter água à direita, para o segundo tempo o Rúben decidiu que ele passaria a meter água pela esquerda a fim de equilibrar as contas (entrou Quaresma para central pela direita). Com isso saiu o Inácio, e com ele os passes rasos entre-linhas que são tão penalizadores para quem nos quer pressionar em cima. Pressão que o Rio Ave idealizou e realizou, desde o reatamento, impedindo que o Sporting partisse confortável para a frente. Desconforto que aumentou quando Quaresma se deixou sobrevoar e Adán hesitou como sempre em sair da baliza e acabou por colidir calamitosamente com o isolado avançado rioavista (Aziz). Do penálti consequente resultou a segunda vantagem do Rio Ave no marcador. Lá apareceu de novo o Morita, de surpresa. E o Coates, ainda sem a lança, empatou, mostrando que um simples central também pode marcar golos. Depois, o Amorim lá o investiu de Central de Lança, um provável resquício futeboleiro (quando não um tique) de um pós-25 de Abril em que os capitães eram graduados em generais. Até ao fim, o Gyokeres continuou a levar pancada. Curiosamente, à medida que o jogo se encerrava, o árbitro foi-se mostrando mais compreensivo com as perdas de tempo dos rioavistas, beneficiando-os com cartões amarelos e até um encarnado, tudo o que no fundo fizesse o relógio avançar e a falta de senso não compensar. Nesse transe, chegou a enviar para casa o Renato, que Pantalon (calças) não é farda que se apresente ao trabalho de um jogador de futebol. [Sim, o Pantalon não pode ter sido expulso à beira do fim por mais uma de muitas outras pauladas que o Gyokeres apanhou e passaram sem admoestação, quando não sem falta, durante todo o jogo.]

 

Pela primeira vez, senti a equipa pressionada. Como se, após o Carnaval, lhe tivesse caído a máscara da tranquilidade. Também não ajudou à festa que em tempo de Quaresma este tivesse ficado de fora, mas pode ter sido devido a uma qualquer penitência mais própria da quadra que vivemos a que Rúben se tenha sujeitado. O que é certo é que se queremos amêndoas docinhas na Páscoa, melhor será recuperarmos o foco. Porque alguma coisa teremos de recuperar, já que mais um interior ou ponta de lança serão irrecuperáveis até ao final da época. Até lá, seguimos crónica a crónica (que com a pressão também têm os seus dias).

 

Tenor "Tudo ao molho...": Gyokeres. Hjulmand (se fosse só pela primeira parte, em que marcou 1 golo e recuperou ou antecipou inúmeras bolas, teria sido o melhor), Morita (esteve em 2 golos e no que poderia ter sido outro) e Coates bem. Pote, Edwards e Diomande: zero. Os outros: neutro.

hjulmad 2.jpeg

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Arquivo

  1. 2024
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2023
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2022
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2021
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2020
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2019
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2018
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Siga-nos no Facebook

Castigo Máximo

Comentários recentes

  • José da Xã

    Pedro,a dor que assaltará por aí tanta gente é dev...

  • Pedro Azevedo

    Com humildade lhe peço então as minhas desculpas. ...

  • Antonio Lopes

    Caríssimo Pedro Azevedo.Interpretei perfeita e tot...

  • Pedro Azevedo

    Antes de comentar faça o favor de interpretar um t...

  • Antonio Lopes

    Com Gyokeres ou sem Giokeres ganha amanhã ao Vitór...