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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

26
Abr23

Tudo ao molho e fé em Deus

Tão grande como os maiores da Europa


Pedro Azevedo

O Sporting jogou em Guimarães, berço da nossa nacionalidade. O regresso às origens avivou-me a memória sobre a determinação demonstrada pelo nosso primeiro rei em obter o reconhecimento de um novo país, daqueles que em manifesta inferioridade numérica bateram o pé a Castela em Aljubarrota ou ainda dos que em cascas de noz partiram à aventura para dar novos mundos ao mundo, no fundo de todos os que não se resignaram à sua sorte e ousaram tudo perder para Portugal vencer. Ambição que também caracterizou o fundador do nosso Sporting, quando anunciou querer um clube tão grande quanto os maiores da Europa. E o que têm em comum Afonso Henriques, D. João I, D. Nuno Álvares Pereira, D.João II, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e José Alvalade? A falta de noção. Pelo menos a avaliar por o que diz o Pedro Boucherie Mendes, a propósito da derrota com a Juve, para quem uma Famel nunca poderá competir com um Fiat (nunca deve ter andado no trânsito de Lisboa), mas não se passa nada se perder para o carro dos Flinstones. Se dependesse de Boucherie, Portugal só pisaria terras de Vera Cruz através de um daqueles catamarans todos sofisticados da Volvo Ocean Race ou do paquete The World, neste último com ele a acompanhar a epopeia através de uma suite com vista para o bote salva-vidas, entre um mergulho na piscina e um pezinho no court de Tennis. Mas o que a Boucherie lhe sobeja em "noção", falta-lhe em rigor. Por isso é possível vê-lo a perorar por aí sobre os 10% do passe do Matheus que mantivemos ou da inundação extraordinária de liquidez que esse negócio significou para o Sporting, ainda que uma rápida consulta ao R&C do Sporting o contradiga terminantemente - o Sporting apenas tem 10% de uma futura mais-valia do Matheus e 26M€ da sua transferência ainda estavam por cobrar em Dezembro de 2022, dos quais cerca de 18M€ só serão recebidos após Dezembro de 2023, o que não torna o modo de pagamento de nenhuma forma melhor do que o que se pratica todos os dias por aí - , um exercício de adivinhação que logo o encorajou a aplaudir a poupança nos custos do factoring. Deve andar distraído e não ter tido ainda tempo de ver o efeito do serviço da dívida na Demonstração de Resultados, além do défice entre proveitos e custos antes de Champions e venda de jogadores, que atingiu um valor recorde porque os proveitos ordinários não descolam e os custos subiram. Sim, recorde, uma verdade indesmentível porque os números não mentem e a matemática, e não o futebol, ainda é uma ciência e exacta. Por falar em falta de noção... (Na dialética hegeliana há uma tese, uma antítese e uma síntese, mas a síntese nunca poderá beber da tese se esta for seca de virtude.)

 

Quando se é Sporting, há muito a perder se não se perceber que em cada jogo há sempre algo a ganhar. Mesmo quando matematicamente já não é possível o cumprimento de um objectivo, o que ainda não é o caso, há que defender o prestígio do Sporting e o respeito pela memória de todos os grandes atletas que nos serviram. Sim, porque muitos dariam tudo para um dia poder vestir a verde-e-branca, mas só alguns eleitos tiveram esse privilégio ao longo da nossa história. Teimosias e tergiversação da comunicação à parte, eu valorizo muito em Rúben Amorim a noção da camisola que veste e o que representa para milhões de Sportinguistas, a inovação que procura incutir nas suas equipas (apesar de algum excesso de experimentalismo) e a ambição com que parte para cada desafio, procurando sempre ver o copo meio-cheio e não se derrotando logo à partida com desculpas, qualidades que fazem dele na minha opinião um português renascentista. Para além do sistema e modelo de jogo, por vezes contestado, mas que eu considero servir os nossos melhores interesses. Tanto que não foi pelo sistema que perdemos este campeonato, mas sim por um início de temporada em que se perderam rotinas com a inesperada saída de Matheus e pela ausência de um matador que no mínimo ombreasse com Pote em golos na Liga, ele que estatísticamente está a realizar a sua melhor época de sempre em todas as competições, contabilizados golos e assistências, algo que na maioria das vezes não transparece para a opinião pública. 

 

Conforme iniciei esta crónica, ontem jogámos em Guimarães. E o jogo foi o paradigma de toda a época: mais uma vez, o Sporting dominou do princípio ao fim, teve inúmeras oportunidades para marcar e tudo se decidiu na inspiração ou não de Pote. Em dia afirmativo, o nosso Pedro Gonçalves agraciou-nos com mais um daqueles passes à baliza que são já um vintage de art-Deco, de tanto que me fazem lembrar a inteligência e requinte do ex-portista. No resto do tempo, entretivemo-nos a desperdiçar ingloriamente golos, com Morita a assegurar que o nosso caudal de jogo chegava ao último terço em condições de ter sucesso e o resto da equipa a não acertar na baliza ou a perder-se em rodriguinhos estéreis na área. Apesar de tudo, no segundo tempo houve um vislumbre de ponta de lança em Chermiti, a fazer-nos lembrar o que muito prometeu contra o FC Porto. Todavia, acabou por sair no seu melhor período no jogo, dando lugar a um Trincão que todos ultrapassou numa cabine telefónica para depois não conseguir encontrar a porta, ela que acabou por se escancarar aos pés de Arthur - assistido por Adán(!) - e mãos de manteiga de Celton Biai. 

 

O que fazer do resto da época? Se, a caminho da Índia, descobrimos o Brasil, pode ser que a caminho de coisa nenhuma encontremos um atalho para uma temporada de 23/24 muito melhor. À semelhança do ocorrido no último terço da campanha de 19/20, que serviu de teste para a época vitoriosa de 20/21.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pote

 

P.S. Um abraço ao Manuel Fernandes, um dos meus ídolos de infância, que teve uma merecida homenagem por ser o jogador com mais jogos e minutos na Primeira Liga. Num mundo ideal o Manuel deveria sempre ser consensual e estar acima, e ser preservado, de politiquices e da espuma do momento. Porque importante é o Sporting, e o Manuel não só publicamente nunca escondeu o seu sportinguismo como na prática o demonstrou ao recusar propostas de Benfica e Porto que lhe dariam a independência financeira. Bem-haja, Manuel!

Pote guimarães.jpg

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