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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

16
Out21

Tudo ao molho e fé em Deus

Regresso ao passado


Pedro Azevedo

Já não sou do tempo das Salésias, do Matateu, Vicente, Yaúca, ou, ainda mais remotamente, do Serafim, Vasco, Feliciano, Capela, Amaro, Jose Pedro Basaliza, Rafael, Scopelli, Tellechea, Di Pace ou Quaresma. Não, eu sou é contemporâneo do Restelo e do seu lindo recorte para o rio e o Cristo Rei, um estádio de uma beleza singular e onde ainda vi jogar uma bela equipa do Belém em que pontificavam o canhoto Paco Gonzalez, o meia Godinho e o ala Vasques, entre outras gerações de bons jogadores onde se incluíam o atacante Djão, o médio Gonçalves e o central goleador Luis Horta. Hoje, esse Belenenses ainda existe porque houve alguém que escolheu viver em vez de simplesmente sobreviver, por muito que isso tenha significado a queda nas profundezas das competições nacionais. Só que não caminha sozinho, como ontem abundantemente se pôde observar nas bancadas bem compostas do Restelo, ao contrário da homónima entidade (it's SAD, como diria um amigo meu inglês) que em tempos lhe usurpou o nome mas nunca a identidade. Por isso, o momento do jogo ocorreu singularmente já após este acabar, quando o speaker de serviço fez lembrar a importância de ter memória e da resistência em tempos de crise, marcando assim um grande golo em direcção a um futuro que se espera um dia poder ser de reconciliação com o passado glorioso de uma grande instituição centenária. A comunhão que em sequência se gerou um pouco por todo o estádio, unindo Belenenses e Sportinguistas, foi comovente e demonstrativa de que o ser humano é capaz do seu melhor quando (bem) orientado para causas justas e nobres. 


O jogo? O Sporting tinha tudo a perder, o Belenenses já tinha ganho antes mesmo do jogo começar porque a mole humana que se deslocou ao Restelo assim o obrigava, dirigindo cada um dos seus resilientes adeptos para um alegre e não nostálgico regresso ao passado e fornecendo alento para a perseverança necessária para o reencontro com esse passado num futuro que se deseja o menos longínquo possível. Talvez por terem tudo a perder, os leões entraram de garras bem afiadas e marcaram  logo na alvorada do jogo: o regressado Pote rasgou a régua e esquadro a defesa azul, Vinagre centrou para a área e TT encostou serenamente ao segundo poste. Uma jogada geometricamente perfeita. Em perfeita sintonia com os de Belém, os leões mostravam também esta ser uma noite de reencontros: de Pote com os relvados, de Vinagre com a boa forma, de TT com os golos. Acordando cedo para o jogo, os pupilos de Amorim tardaram no entanto a matá-lo. Para tal muito contribuíram os inúmeros falhanços na cara do guarda-redes do clube da Cruz de Cristo, com Pote e TT em particular evidência. Assim, o intervalo chegou com o jogo ainda em aberto. 

O segundo tempo manteve a incerteza no marcador durante muito tempo. Não propriamente porque Os Belenenses incomodassem, mas porque o Sporting jogava francamente pior e complicava o que não parecia difícil. Com o jogo assim, temia-se que uma bola parada pudesse equilibrar a contenda, mas curiosamente acabaria por ser através desse quinto momento do jogo que o Sporting viria a ampliar o resultado. E por três vezes!  

No Sporting gostei particularmente de Gonçalo Esteves, um lateral/ala que não se limita a dar profundidade e vai à bolina (diagonais de 45 graus) procurar o jogo interior, e de Ugarte, um patrão que veste a pele de operário quando é preciso, aliando visão, técnica e disponibilidade física. Daniel Bragança mostrou a qualidade de passe a que nos habituou e Matheus Nunes, mesmo improvisado a ala, encantou pelas acelerações nos arranques que deixaram os azuis agarrados ao chão. Uma nota dissonantemente negativa para a lesão de Porro, ferido na região da tíbio-társica devido a uma tesourada aplicada por um amolador azul que ficou a assobiar para o lado perante a inércia do homem do apito. 

Tenor "Tudo ao molho...": Manuel Ugarte

 

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