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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

17
Abr21

Tudo ao molho e fé em Deus

Voando sobre um ninho de cucos


Pedro Azevedo

O edifício em que vive o futebol português é um autêntico manicómio. Não surpreende por isso que, face aos casos detectados e outros que estão sobre suspeita de match-fixing, ninguém se indigne por a Liga escolher como patrocinador principal um site de apostas. Ou que dois treinadores se envolvam numa rixa feia durante 10 minutos e a respectiva suspensão seja levada para as calendas gregas, como por exemplo (suponhamos) a véspera de um certo jogo na Luz ou o defeso (já se sabe, é muito duro estar de castigo na praia no Verão). Não, olhando para a imprensa, os problemas do futebol português são o Sporting e o Rúben Amorim. Assim, não admira que ultimamente joguemos como se estivéssemos dentro de uma camisa de forças. É que o Sporting, nos intervalos em que o deixam, voa sobre um ninho de cucos. Cucos, pardais, milhafres, mitológicos reptéis com asas, papoilas saltitantes que são o ópio do mundo da bola. A droga é dura e cria elevada dependência, há que ganhar custe o que custar. Pode, por exemplo, custar 15 dias a quem ousar se atravessar no caminho, ou pode não custar nada a bem da salvaguarda do ecossistema em que vivemos há para aí uns 40 anos. 

 

Ontem fomos a Faro. Do outro lado estava uma das equipas que melhor joga e menos pontos tem. Um jogo entre leões, do reino animal de Portugal e do Algarve, uma partida que curiosamente não ficou marcada pelos poderosos ataques mas sim pelas felinas defesas. De Adán e de Beto. Há também quem diga que o senhor Macron defendeu bem, mas esses são os mesmos que não atribuíram credibilidade ao (primeiro) penalty sobre o Jovane no jogo pretérito. Mais que perfeito ainda assim para se criar uma narrativa. Estou agora à espera do que se dirá quando o Carvalhal tiver de jogar contra um clube que equipar de Lacatoni. Será que lhe irá pesar a camisola? É estranho e pouco plausível o que se diz, nomeadamente quando antecipadamente se sabe que vamos mudar para a Nike. (O Hugo Miguel revela óbvias dificuldades físicas no acompanhamento dos lances, mas mantém durante o jogo um critério técnico e disciplinar uniforme que muito raramente se pode observar nos seus colegas de profissão.)

 

O Sporting apresentou-se nervoso, a falhar muitos passes. O sistema, o nosso que não o dos outros que é perene, voltou a mudar. Regressámos ao 3-5-2, expondo a indefinição entre o ataque rápido e transições que tão bons resultados nos trouxeram e a recém atracção amorinesca pelo ataque posicional. Talvez por isso sempre tenha transparecido que a equipa se quedava a meio-caminho de qualquer coisa. A meio-caminho de ter um goleador, que desce tanto que raramente se encontra na zona de golo ou revela instinto predador, ou a meio-caminho de controlar um jogo que de facto não raras vezes lhe fugiu das mãos. Valeu-nos este Adán que não come da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele que busca a sabedoria somente a partir da experiência adquirida entre os postes e nos bancos das equipas por onde passou. E deu-nos jeito, mais uma vez, um Pote de Ouro, que esta coisa de saber enquadrar um remate não é para qualquer um. Ontem, pus-me a olhar para a sua movimentação no momento do golo: inicialmente, lá estava ele, naquele emaranhado de jogadores que atacou a primeira bola, porém, ao ver que o esférico o sobrevoara, logo recuou para o espaço livre, assim como quem dá uma linha de passe ao Paulinho ou espera um ressalto entre a densa floresta algarvia. Acabou por prevalecer a segunda hipótese, o décimo sétimo golo do Pedro Gonçalves neste campeonato. Será por acaso? Acaso somente me parece a sua ainda não inclusão na selecção principal de Portugal. Um jogador tão versátil, tão capaz de fazer várias posições em campo, tão ao jeito das metamorfoses tácticas em caos organizado do agrado do Engenheiro, com tanto golo, deverá ser sempre um elemento a contar na Equipa de Todos Nós. 

 

Faltam-nos sete finais. Haverá certamente por aí ainda alguns Pedro Henrique ou Gauld para nos darem água pela barba. Precisamos de serenidade, convicções e confiança. E de golos. Amorim e a equipa precisam de voltar a divertirem-se com o jogo, soltarem-se mais, focarem-se no que até agora foi feito de muito positivo e eliminarem da sua acção e pensamento a ansiedade e tudo o que é medíocre e pobre no futebol português, o que também é fonte de "diversão" para muita gente que por aí anda mas não é para nós. No momento em que querem fazer do Amorim o Jack Nicholson do "Voando sobre um ninho de cucos", libertemo-nos da camisa de forças e mostremos a todos que neste futebol somos o ente sano. Força, Sporting!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Adán

pote faro.jpg

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