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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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29
Jan19

Ter ou não ter Ilori


Pedro Azevedo

A acreditar nos ecos da imprensa, Tiago Ilori está em Lisboa para realizar testes médicos e assinar pelo Sporting. O valor da sua transferência será de 2,4 milhões de euros por 60% do passe, o que equivale a dizer que avaliámos o jogador em 4 milhões de euros, um valor superior ao que consta da cláusula de opção celebrada no contrato de empréstimo do turco Demiral ao Alanyaspor (3,5 milhões de euros), jogador que actualmente é pretendido por clubes de Itália, Alemanha e Espanha (para além dos "grandes" turcos).

 

Ilori fez parte de um quinteto de promessas da Academia que saltaram para a equipa principal durante uma época terrível na história do clube de Alvalade. À semelhança do ocorrido em 2016/17, em que Podence, Geraldes e Palhinha foram lançados para disfarçar uma temporada frustrante, Tiago, tal como Bruma, Dier, Pedro Mendes ou Zezinho, responderam à chamada e ainda ajudaram a evitar uma tragédia (o Sporting chegou numa fase adiantada da época a andar no 12º lugar). 

 

No início da temporada seguinte, Ilori esticou a corda e exigiu sair. Segundo as suas próprias palavras, seduzido por uma proposta do Liverpool, para dar um "salto em frente". Sabemos agora que esse salto foi para o abismo, para as profundezas de uma segunda divisão inglesa e  de uma equipa que luta para não descer (à terceira). Nada que não fosse previsível, bastaria ao na altura muito jovem jogador ter prestado atenção às palavras do "profeta" João Pinto, esse mesmo, o nº2 de Pinto da Costa. 

 

Assim sendo, esta mudança para Alvalade é muito mais importante para o jogador do que propriamente para o clube que o vai receber. Há 6 anos atrás, Tiago era um jovem promissor, apetitoso para um mercado sempre sedento de novidade. Tal como Demiral, na actualidade. Neste momento, é apenas um jogador que tomou um mau passo na sua carreira e que se perdeu. Olhando para os seus números, verificamos que desde que saiu de Alvalade realizou apenas 24 jogos (em 6 anos!!) ao mais alto nível, divididos por Granada e Bordéus. Nunca conseguiu jogar na Premier League pelo Liverpool, andou pelos sub23 do clube de Anfield e dos "Villains" (Aston Villa) e apenas no modesto Reading encontrou um espaço de afirmação. 

 

Pelo expresso em cima, Ilori precisava urgentemente de relançar a carreira e, aparentemente, o Sporting foi o único clube de dimensão disponível para lhe oferecer essa bóia de salvação. Bem sei que a nossa história está em 112 (anos completos) - o número de emergência - , mas nem estamos em época balnear (isso seria mais no Defeso) nem o clube de Alvalade é uma instituição de socorros a náufragos, mais a mais quando o naufragado renegou a nossa (e dele) praia, pelo que esta aquisição encerra riscos vários. Desde logo, no que respeita à nossa Cultura, a forma como nos vemos e queremos ser vistos pelos outros, como respeitamos e queremos ser respeitados, os valores que preconizamos e os que exigimos a quem a nós se juntar. Nesse sentido, não ter ou ter Ilori é também uma questão de ser ou não ser Sporting. E não se resolverá favoravelmente apenas com a inevitável retratação pública do jogador que a Comunicação do Sporting certamente orquestrará aquando da sua apresentação.

 

Uma instituição como o Sporting não pode estar a reboque dos caprichos, ou dos estados de alma de um jovem. Por isso, esta transferência é uma jogada de alto risco, embora como atenuante venha à memória que após difíceis negociações tenham ficado nos cofres de Alvalade 7,5 milhões de euros aquando da sua saída. No entanto, só poderá ser julgada em definitivo no futuro. Imaginando que o jogador agarra a oportunidade - a última que provavelmente terá a este nível - e se impõe, então o Sporting terá aproveitado a determinação do atleta em seu proveito próprio, também. Caso tal não aconteça, então será um "loose-loose", com prejuízos consideráveis na nossa imagem. Abrindo um alçapão para que outros usem e abusem do clube, acreditando que um dia mais tarde, candidamente, poderão voltar sem que daí advenha qualquer mal ao mundo. É isto que está em cima da mesa. 

 

P.S. Quando chegou à equipa principal do Sporting, Tiago Ilori era um jogador rapidíssimo, com bons pés, saída de bola, ideal para o actual esquema de Keizer, o qual privilegia um bloco defensivo subido e exige centrais com condução de bola (primeira linha de construção) e recuperação defensiva. Mas nesse tempo, Ilori era também macio na marcação, frequentemente demasiado confiante nas suas capacidades com bola e muitas vezes desconcentrado. Não o vi muito em acção recentemente, pelo que não sei quais as suas capacidades que evoluiram ou regrediram, apenas me parece agora mais robusto fisicamente, factor que poderá ter melhorado a sua capacidade de choque. Se isso implicou alguma perda de velocidade, francamente não sei. 

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