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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

22
Jul20

Tudo ao molho e fé em Deus

O Jovane não decidiu (mal)


Pedro Azevedo

Entediado com o tipo de jogo sensaborão que o Lito Vidigal sempre proporciona, entretive-me a ler um estudo da Katherine Berg, professora do Departamento de Terapia Física da Universidade de Toronto. A Katherine é especialista em geriatria e elaborou uma escala. A escala de equilíbrio de Berg é um teste clínico que visa determinar o equilíbrio estático e dinâmico de um indivíduo. Compreende 14 tarefas de equilíbrio simples, cada uma pontuada de 0 a 4. Apresento-vos as conclusões: se o resultado final for entre 41 e 56, considera-se que o indivíduo é independente no que respeita à mobilidade; caso oscile entre 21 e 40, então o indivíduo necessitará de assistência para andar; na eventualidade de ser igual ou menor que 20, determina-se que o indivíduo é um Semedo ou um Makaridze.

 

Eis como lendo um livro se pode aprender sobre o que se passa num relvado de futebol. Pensei logo no Chico Geraldes e que isso também funcionaria bem com ele. Bem, talvez com menos Ensaio sobre a Cegueira e mais Ensaio sobre a Lucidez a coisa vá lá. Ou mesmo - porque não? - , ensaiar o remate. (Chuta rapaz, se não de nada adianta puxar aqui por ti.)

 

O Sporting tinha hoje um primeiro match-point para garantir o 3º lugar que dá acesso directo à fase de grupos da Liga Europa. Mas o que Artur Jorge (pai) e companhia deram, Artur Jorge (filho) e companhia tiraram, e lá iremos para a última jornada a precisar de pontuar na Luz não vá o diabo tecê-las na Pedreira e o Porto sair de lá derrotado. O Vitória, que é sadino mas não e sádico, é que não desperdiçou a oportunidade de melhorar a sua situação (saiu da "linha de água") e agora basta-lhe vencer o Codecity, a SAD que usa o nome d' Os Belenenses, para permanecer na Primeira Liga. Quanto ao Portimonense, que também é uma SAD, até uma vitória sobre a SAD que ameaça não comparecer em Portimão poderá não lhe valer. Atenção porém que estes últimos são Aves e de rapina, como tal até a Taça de Portugal ganha contra nós voou. Como diria um amigo meu inglês, a história das SAD em Portugal é "sad". A da Liga também. Muito.

 

O jogo não foi bom nem mau (antes pelo contrário), o Pentágono do Ruben Amorim não é bom nem mau (antes pelo contrário) e os jogadores que enquadram os jovens não são bons nem maus (antes pelo contrário). Já este autor que Vos escreve também não deve ser bom para alguns situacionistas ou cartilheiros (hoje há horas extraordinárias aí no escritório?) quando escreve o que vê antes dos resultados se desvanecerem, nem mau quando se cala hoje perante evidências que já não pode contrariar (antes pelo contrário). São muitos anos a virar frangos (lembram-se do Katzirz?). Assim, sem mais assunto, após esta longa elegia ao Gabriel Alves, saúdo um novo equipamento que não é bom nem mau (antes pelo contrário) e os 200 jogos do Coates, que é um bom profissional. Ah, quase me esquecia: o Nuno Almeida não é bom nem mau (antes pelo contrário). O Xistra idém, mas pelo menos já está reformado. Pelo contrário, quem hoje deixou saudades foi o Jovane. Muitos tiveram pena que não jogasse, especialmente aqueles que embirram com ele e não perdem uma oportunidade de dizer que decide mal. Pois bem, hoje não decidiu de todo.

 

O mal disto tudo (da formação dos plantéis) é a contabilidade das SAD. Então não é que uma venda entra toda direitinha e uma compra só releva pela amortização do número de anos do contrato? Assim, não há austeridade ou bom senso (e bom Scouting) que impere, ou défice estrutural que assuste uma Demonstração de Resultados, basta vender caro. Depois, compra-se igualmente caro e divide-se por muitos anos de contrato. Eis a essência desse dinheiro cripto ou encriptado para a maioria dos adeptos. Fácil, não é? Quarenta e cinco milhões para aqui, cento e vinte milhões para ali, consoante o escalão de hard-core. Difícil mesmo é haver um Bruno Fernandes com um rendimento desportivo superlativo em qualquer palco, que vale cada cêntimo que se pague por ele. Mesmo que isso apenas represente uma perna do Felix. Assim vai o futebol (português e não só). 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Marcos Acuña

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12
Jan20

Tudo ao molho e fé em Deus - Epidemias


Pedro Azevedo

Bruno Fernandes, Acuña e Mathieu são a equipa do Sporting, havendo ainda o Coates e o Vietto que funcionam como um placebo que nos faz sentir mais confortáveis. O Bruno, então, é meia-equipa. Saber que meia-equipa está a ser leiloada em Inglaterra é uma angústia que tira o sono até a um adepto com narcolepsia. Bem sei, os leiloeiros não são uma qualquer Christie's ou Sotheby's desta vida, mas sim uma Estrutura que nos dá boa-esperança com o seu trabalho invisível no futebol. Ainda assim a preocupação é legítima. O raciocínio é simples: se com a equipa completa estamos atrás de um clube recém-promovido à Primeira Liga, teme-se que sem meia-equipa o Famalicão se torne um gigante Adamastor. Neste transe, não tendo alternativa em termos de calendário e legitimamente defendendo os nossos interesses, enquanto não nos aventuramos na tentativa de dobrar esse cabo das tormentas, fomos treinar ali para os lados do Cabo Espichel.  

 

O treino foi uma boa mostra daquilo que nos espera no futuro próximo. Já sabíamos que tínhamos de fugir ao contágio da epidemia de gripe, mas nada nos preparara antecipadamente para gatos pretos agoirentos a passearem no relvado, adeptos desavindos nas bancadas ou apanha-bolas de máscara na pista, para não falar de presidentes desentendidos nos camarotes. No meio disto tudo, o jogo durante muitos minutos pareceu ser uma coisa acessória. Tão acessória que se não fosse o frio que se fez sentir no Bonfim este Vosso humilde escriba até teria entrado em REM, com pesadelos vividos de ver Bruno Fernandes a marcar os seus últimos golos pelo Sporting. Ainda assim, sonhando acordado, lá vi o Bruno a resolver um jogo que pareceu ganho mesmo antes de ser jogado e que esteve à beira de acabar empatado. É que se os de Setúbal, mesmo apenas com 4 titulares, tiveram de recorrer ao Brufen e Benuron, os nossos devem ter esgotado ao intervalo as doses de ansiolíticos. De tal modo que no segundo tempo não se percebeu se era o Sporting que estava em campo ou o Neuchatel "Xanax", o que se traduziu em algo como levarmos o nosso masoquismo ao sado. À conta disso sofremos um golo, estivemos à beira de levar outro e o Coates ainda teve de fazer uma falta que o impossibilita de jogar contra o Benfica e abre a torturante possibilidade de o Ilori o fazer. Como se não bastasse, o Vietto saiu a coxear. E assim, enquanto aguardamos a todo o momento notícias do Grande Prémio de Inglaterra em BF8 que sucede ao Grande Prémio do Mónaco da mesma modalidade disputado no Verão passado, excruciantemente esperamos pela próxima sexta-feira. Mas ainda há esperança: pode ser que o Benfica se compadeça com esta epidemia que desde o início da época grassa em Alvalade e aceite adiar o jogo... 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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