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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

09
Jan20

A estabilidade


Pedro Azevedo

Sendo a saúde um estado transitório que não augura nada de bom, a morte será uma forma definitiva de estabilidade. O problema é que temos de esperar por morrer para saber se essa estabilidade é boa ou má, algo que para efeito deste exercício eu e os Leitores não estaremos disposto a antecipar em nome do conhecimento de causa, pelo que tudo o que se possa dizer sobre o assunto agora é apenas uma expressão de fé (ou de ausência dela). O que se pode dizer com toda a certeza é que a Terra gira sobre si própria, a Lua roda sobre a Terra, a vida das pessoas e das instituições é feita de mudança. A ausência de mudança traz estagnação, e a estagnação conduz à extinção. Por isso, as empresas líderes a nível mundial mudam muito. Refiro-me às suas estratégias, não necessariamente às pessoas, embora os resultados (ou falta deles) impactem muito nas pessoas, líderes incluídos. Mais do que estabilidade, o equilíbrio na gestão é que cria harmonia e sustentabilidade. Já a prosperidade advém da qualidade do investimento efectuado e de não se gastar mais do que aquilo que se produz. 

 

Quem pede estabilidade, pede tempo. O tempo é uma "commodity" muito valiosa com um termo incerto. As únicas duas coisas que são certas é que um dia esse tempo esgotar-se-á e amanhã já terei menos tempo do que hoje. Daí o adágio popular de não deixar para amanhã o que pode ser feito hoje. Assim, a estabilidade não pode ser vista como um fim em si. Ela é um meio. Para além disso, a estabilidade que peço para mim deve ter equidade com a estabilidade que preconizo para os outros. Deste modo, é complicado em nome da estabilidade eu pedir tempo para mim quando num ano tive 4 treinadores a quem não dei estabilidade e já vou no quinto, o que denota haver aqui uma ausência de convicção ou pensamento estratégico. A esses treinadores não foi dada estabilidade nem tempo. Mas a pelo menos um deles foi dada uma missão. Uma missão suicida, veio-se a perceber ao fim de duas semanas, que foi interrompida em nome do fim da estabilidade: no caso, dos péssimos resultados. 

 

O actual presidente do Sporting tem também uma missão. Desse modo, cumpre-lhe traduzir na prática as promessas que fez em sede de campanha eleitoral. Tal como acontece com qualquer gestor, será da percepção que se vai formando junto dos sócios em relação às suas reais condições de atingir o sucesso que dependerá a sua continuidade. E na ausência de resultados substanciais de curto-prazo tem de procurar comprar tempo. Daí o aparecimento da narrativa da estabilidade. Acontece que não basta pedir tempo, é preciso saber-se o que fazer com esse tempo e se esse tempo não servirá para perder mais tempo, tempo esse que se não tem. É que nós não vivemos numa dimensão diferente da dos nossos rivais e o nosso atraso para eles intensificou-se nesta última época. Assim, de futuro não bastará acompanhar a pedalada deles, pelo contrário teremos de dar ao pedal com uma rotação por minuto superior. E, nesse processo, não ter furos, quedas ou desfalecimentos, que no futebol estão associados, respectivamente, a tempo que se perde a enquadrar jogadores que deveriam pegar de estaca, investimentos ruinosos em atletas sem a qualidade necessária e suficiente para vestirem de verde-e-branco e falta de consistência exibicional. Ora, precisando de acelerar o tempo (ou, se quiserem, encurtar distâncias), o Sporting deve mitigar o mais possível o erro. Logo, mais do que pedir estabilidade, Frederico Varandas deve concentrar-se em convencer os sócios do Sporting de que não voltará a cometer erros como os do passado, o que se pode tornar mais difícil se um dia atribuir à falsa expectativa de saída de Bruno Fernandes o mau planeamento da época (imagine-se!!!) e noutro dia se orgulhar de tudo ter feito para manter o nosso brioso capitão. Não, o que Varandas deve garantir aos sportinguistas é que não voltará a investir 40 milhões de euros da forma que se viu nos dois últimos mercados. Para além disso é importante que tenha a coragem de admitir que é preciso fazer mais com menos e que o Sporting ainda gasta anualmente em salários bastante mais do que o que devia. Começando por cortar em "gorduras saturadas" desnecessárias quando em Alcochete se produz um azeite virgem da melhor qualidade que acompanha bem à mesa qualquer bom pescado. Mostrando assim estar no caminho da sustentabilidade. Esse sim é um valor importante, não a estabilidade nos moldes em que nos é servida. (E fico-me por aqui, pois se tivesse de falar da Cultura Sporting e dos princípios de governação teria aqui arenga para vários dias.)  

 

P.S. Defendo qualquer iniciativa estruturada e estruturante contra qualquer forma de violência no desporto. Um problema do futebol, mas essencialmente um transtorno da sociedade. Que urge atacar, e perante o qual o governo não pode lavar as mãos como Pilatos e deixar os clubes sozinhos. Mas a Cultura Sporting não se restaurará automaticamente assim que esse problema se resolva e Frederico sabe disso. Varandas está no clube há muitos anos e se calhar está a faltar-lhe o distanciamento suficiente para não cair no erro ou tentação de do seu discurso resultar uma imagem de miserabilismo à volta de um clube que "nenhum treinador quer treinar" (mas já teve 5) ou que é de "malucos". Não será com esse discurso defensivo que conquistará a maioria dos sportinguistas ou, pelo menos, lhes devolverá a esperança. Também não o será com promessas vãs como as feitas no último defeso, que se provaram irrealistas e revelaram imaturidade associada a uma exuberância proveniente das taças conquistadas na época transacta em circunstâncias difíceis e especiais. Tal como os bons exemplos, que devem sempre vir de cima, a gestão de expectativas é uma ferramenta essencial a um gestor e o "aggiornamento" que se pretende depende muito disso, o que só é possível com equilíbrio. Equilíbrio, algo que só na mecânica se pode confundir com estabilidade.  

02
Dez19

Quem resiste à mudança acaba a ter de resistir à extinção


Pedro Azevedo

Há um princípio elementar na economia que consiste em que os recursos são escassos. Por outro lado, o Sporting tem pouco dinheiro para investir. Tudo isto concorreria para haver muito critério e o máximo zelo na contratação de jogadores. Ora, o que verificamos é que, 40 milhões de euros investidos desde Janeiro depois, a qualidade média do plantel de futebol do Sporting é agora bem pior do que aquela que Varandas herdou de Sousa Cintra e da Comissão de Gestão após os devastadores acontecimentos de Alcochete. É obra! Em qualquer Organização alguém teria de ser responsabilizado por isto. No Sporting, não.

 

Sejamos sinceros, este plantel é uma ratoeira para qualquer treinador que lhe pegue. Senão vejamos: possui jogadores com estatuto e elevado vencimento que há pelo menos 3 anos não fazem nada de significativo e já mostraram o seu desagrado quando foram substituídos no decorrer de jogos. Jogadores caros e longe do pico da sua carreira, que mudam de clube todos os anos, exactamente aquilo que Varandas, durante a campanha eleitoral, afirmou ser de evitar. Atletas redundantes e que ajudam a inviabilizar a aposta na Formação. No entanto, não se pense que o problema se circunscreve a eles. Não, houve um conjunto de situações no mínimo aberrantes que desafiam qualquer explicação lógica. Como o caso da contratação de Valentin Rosier, um atleta que chegou lesionado e no qual o Sporting investiu 5,3 milhões de euros (80% do passe) mais os direitos económicos de Mama Baldé, um ala que também poderia fazer a posição de lateral e que na temporada anterior, ao serviço do Aves, marcara 10 golos no campeonato. Ou a contratação de Camacho (5,6 milhões de euros mais a possibilidade de 2 milhões de euros em variáveis), um jovem de 18 anos que mal chegou garantiu não estar disponível para jogar numa determinada posição, ou o empréstimo de Fernando, uma revelação de um só jogo no Brasileirão que chegou lesionado e ainda não se estreou. Simultaneamente, jovens promissores da Academia, como Domingos Duarte, Matheus Pereira ou Daniel Bragança, nunca encontraram a oportunidade de se afirmarem. Bas Dost, emérito goleador, foi vendido ao desbarato, surpreendendo até o Director Desportivo do Eintracht Frankfurt, clube que o contratou. Perante este cenário é difícil perceber se Silas pode ser uma solução ou se é também parte do problema, sendo certo que terá os seus dias contados - à semelhança de Keizer e de Pontes - se não se libertar de constrangimentos diversos e insistir em colocar em campo hologramas de quem em tempos idos teve relevo, ou "contratações cirúrgicas" que ficam aquém do melhor que temos em Alcochete.  

 

Perante o ror de críticas que se seguiu aos maus resultados desportivos, Frederico Varandas reagiu com insultos aos sócios do clube. Mostrando não compreender, ou não querer compreender, a legitimidade de tais criticas. Chegou, numa 2ª ocasião, até a considerar que tudo se deveu a não ter conseguido vender Bruno Fernandes (imagine-se!), o nosso melhor jogador - ele que anteriormente havia dito que optou por o manter - , evidenciando nada ter aprendido com os erros. O que remete para a próxima janela de transferências e receios associados. Assim sendo, é tempo de os sócios do Sporting deixarem proselitismos de diversa ordem de lado e porem o Sporting em primeiro lugar. É também o tempo de o actual presidente demonstrar o seu amor ao clube e colocar o seu lugar à disposição. Urge mudar de vida. Caso contrário, a vida mudar-nos-á para sempre. 

 

P.S. Faz sentido mudar constantemente de presidentes antes do final dos mandatos? Não. Da mesma forma que não faz qualquer sentido o insuficiente escrutínio dos Sportinguistas na escolha dos mesmos presidentes. Por isso, das duas uma: ou somos responsáveis nas escolhas que fazemos, ou então será o clube que interromperá o seu "mandato" antes daquilo que seria expectável. 

29
Set19

Ó Teresa!


Pedro Azevedo

Começando por dar a entender que Silas foi a enésima solução encontrada após terem falhado todas as de treinadores europeus e de treinadores portugueses com currículo europeu, Frederico Varandas de seguida usou a opinião de um desses técnicos abordados para dizer que a instituição a que preside é um clube de malucos, não esclarecendo se já o seria quando os sócios o elegeram ou se o fenómeno é recente e simultâneo à sua presidência. 

 

Durante a entrevista, Varandas apelou algumas vezes à necessidade de ser dado tempo ao Conselho Directivo e à administração da SAD, tempo esse que os próprios vêm negando a sucessivos treinadores, tendo o clube já conhecido 5 técnicos num ano de trabalho deste elenco directivo. Deste modo, concluí que a noção que Varandas tem do seu tempo é diferente da que tem do tempo dos outros, o que para mim faz sentido na medida em que o presidente parece viver numa realidade alternativa.

 

Nessa realidade alternativa, não há dinheiro para contratar jogadores quando o Sporting investiu 40 milhões de euros em aquisições desde Janeiro, um treinador ganha dois títulos e posteriormente é que sente dificuldades em se adaptar, o grupo de trabalho sem Dost, Raphinha e Nani é mais valioso do que o do ano passado, não houve tempo para inscrever Pedro Mendes na Liga mas já o houve para um "road show" promocional de Bruno Fernandes no Mónaco e para inscrever 3 emprestados, não há uma varinha mágica para transformar um miúdo de 16 anos num de 21 mas já há para fazer desaparecer qualquer miúdo formado no clube com mais de 19 anos e um assunto que primeiro é considerado interno (Jovane) é no segundo seguinte tratado na praça pública (carta falsa). Posto tudo isto, fiquei só com a dúvida sobre que realidade estamos a falar quando Varandas diz que quem chegar a seguir vai apanhar um clube 10 vezes pior. 

 

Agora, já deitado, vou tentar dormir, algo que não tem sido fácil nos últimos tempos. Mas estou esperançoso numa noite retemperadora. É que Varandas deu-me um trunfo: em vez de contar carneirinhos para tentar adormecer, vou tentar repetir vezes sem conta "Teresa...Teresa...Teresa...Teresa...Teresa...Teresa...Teres...Tere...Ter...Te...T...Zzzzzzzzzzz".

 

P.S.1 Com Varandas a colocar o "clube dos malucos" na agenda mediática desta forma, desconfio que Luis Filipe Vieira será quem irá dormir melhor depois dos desacatos na AG do seu clube... 

P.S.2 Não querer ver que um presidente não pode desvalorizar o seu clube (e os seus sócios) desta forma, é não ter a noção que o valor de uma marca passa muito pela percepção que se tem dela. Depois não se queixem de falta de patrocínios e dos prémios de risco que as instituições financeiras cobram...

07
Set19

Adjectivos a mais, união a menos


Pedro Azevedo

À margem da entrega dos prémios Leões D`Ouro, prestigiada gala organizada conjuntamente pelos núcleos de Matosinhos, de Vila do Conde/Póvoa do Varzim e pelo Solar do Norte, Frederico Varandas afirmou que "quem acha que num ano se resolve um fosso de dezoito, ou é louco ou desonesto". No mesmo discurso, o presidente do Sporting mencionou ainda que ter gastado 10/12 milhões de euros na contratação de um avançado teria sido uma medida popular, mas que preferiu investir na Academia e na Formação. 

 

A meu ver, Frederico Varandas precisa rapidamente de encontrar o equilíbrio. As suas criticas a sócios do Sporting começam a ultrapassar o limite da razoabilidade. De facto, não pode ser de maneira nenhuma considerado admissível que quem detém o poder executivo no clube (des)trate o universo que o elegeu com epítetos como "esqueletos", "cientistas" (este ainda vá lá...), "cães a ladrar" e agora "loucos" ou "desonestos intelectualmente" (se queria vincar um ponto, não lhe bastaria ter usado a expressão "irrealista"?). Há limites para tudo, nomeadamente para não termos a reprise aditivada dos epítetos de "sportingados", "melancias" e "croquetes", formas de tratamento entre os sócios absolutamente desagregadoras e lesivas para a identidade do clube, aquilo que costumo denominar de Cultura Sporting.  Mais uma vez, sem nomear ninguém e assim pondo todos no mesmo saco, Varandas dá-se ao topete de voltar a destratar sócios, muitos deles certamente com mais anos de associativismo no clube do que ele tem de idade, esquecendo-se de que como membro dos Orgãos Sociais do clube a eles deve prestar contas. No meu caso particular e de tantos outros, sócios que sempre deram o que puderam ao clube e que do clube nunca receberam um centavo, e que ainda assim se consideram profundamente em dívida com uma instituição centenária que os tem acompanhado ao longo da vida. 

 

Dá vontade de perguntar o que é que o senhor presidente da mesa da AG, Dr. Rogério Alves, pensará disto tudo. É que se torna cada vez mais difícil esconder a minha vergonha alheia perante o actual estado de coisas. Acresce que no início de Julho, o próprio Varandas elevou as expectativas ao transmitir estar certo de que esta época iria ser melhor do que a anterior. Não querendo ter com o senhor presidente a mesma desconsideração com que brindou os sócios do clube, resta-me apenas dar conta da contradição no seu discurso escassos dois meses depois, algo que já não é propriamente novo como pode ser aferido quando pede estabilidade no clube e fala em projecto, ele que já vai no quarto treinador de futebol em apenas 1 ano e crê que os ciclos duram 10 meses. E já agora, uma nota: após ter comprado um lateral direito por 8 milhões de euros e 50% do passe de um segundo avançado por 7,5 milhões de euros, não fica bem a Varandas o argumento de que quis poupar num ponta de lança, principalmente quando qualquer sócio ou adepto tinha no início da época essa contratação como prioritária (com ou sem Dost). 

 

Eu sei que haverá franjas de sócios do Sporting com quem não será fácil lidar. Durante anos ouvi e li apreciações sobre Sportinguistas que se preocupariam mais com o seu umbigo do que com o clube e demorei muito a perceber o clube. As coisas são os que são, não o que desejaríamos que fossem. Confúcio dizia que se um problema tem solução, então uma pessoa dever-se-ia concentrar nessa solução; caso o problema não tenha solução, então para quê preocupar-se? O "umbiguismo" é o que é, a feira de vaidades é o que é, e na verdade tudo isso não é exclusivo do Sporting nem provoca grande mossa a um verdadeiro líder, que até o poderá reverter em seu favor. Acresce que o clima tenso pós saída de Bruno de Carvalho adicionou outros focos de tensão, esses sim dignos de merecer a maior atenção. A missão nunca seria fácil, mas Varandas propôs-se a ter esse privilégio e submeteu-se a votos. Como tal deveria ter definido como prioridade do seu mandato a união no clube. Não como slogan eleitoral, mas como prática. Ora, este tipo de comportamento está nos antípodas desse caminho e não traz a paz. O velho discurso do implícito "deixem-me trabalhar" - sempre acompanhado de vitimização - como resposta aos criticos é uma táctica herdada do pior da política. Destina-se apenas e só a ganhar tempo e é próprio de quem já sente esse tempo a fugir, no caso por mau planeamento da temporada desportiva. Deveria, por isso, acusar a recepção da mensagem que os sócios lhe estão a passar sob a forma de uma critica, assinalando que os valoriza, que os escuta até à "ultima gota", o que indubitavelmente reduziria o ruído (quem nunca errou que atire a primeira pedra). Em vez disso, qual animal acossado, isola a sua base de apoio ao dar nota de ignorar o que lhe tentam transmitir e, pior, parte ele para o ataque com adjectivações que revelam pouca elevação e só contribuem para tornar as questões pessoais e aumentar a divisão, recorrendo ainda em discurso indirecto aos nossos rivais, e à sua compreensão - "não lhe dão descanso", "esse clube não tem emenda" - sobre as agruras por que passa, para reforçar o seu próprio ponto de vista sobre os sócios do Sporting, esquecendo-se que mais uma vez o vexado principal é o clube do nosso amor comum. Pelo caminho, não hesitando em flagrantemente encenar uma realidade alternativa, falando em "aposta na Formação" e "contratações Cirúrgicas". Neste estado de coisas, enfraquecida a base de apoio dos moderados, Varandas torna-se precocemente refém dos resultados desportivos. Serão eles a ditar o seu futuro no clube.

 

P.S. Em qualquer organização encontramos sempre pessoas mais bem ou menos bem formadas em termos de valores comportamentais. Mais do que estarmos preocupados negativamente com as criticas, deveremos usar o tempo para analisar a qualidade dos nossos processos. A critica, desde que não seja destrutiva, deve ser vista como algo de positivo, sinal de vitalidade, e dela podem surgir pistas que permitam melhorar aquilo que já existe. Cumpre a um presidente mostrar maturidade para lidar com as diversas sensibilidades e com as tormentas próprias de uma nau da dimensão do Sporting que se move nas águas encrespadas do futebol.

varandas.jpg

14
Ago19

Dr House (with a porch) e o Ajax Limpa Tudo


Pedro Azevedo

Um elabora o diagnóstico, o outro executa. Exterminadores implacáveis da Formação, especialmente da que já não é teenager, não há germes, perdão genes (com ADN desenvolvido em Alcochete), que não sejam neutralizados no acesso à equipa principal. Espera-se que tudo não termine numa espécie de anatomia da grei leonina.  

12
Ago19

A Keizer o que é de Keizer, a Varandas o que é de Varandas


Pedro Azevedo

Quem definiu a política de contratações? Quem já gastou cerca de 36 milhões de euros (sem contar com as comissões do Mercado de Verão) desde Janeiro? Onze contratações depois, por que é que a categoria dos jogadores não melhorou? Quem decretou que a Formação não tinha qualidade? Quem emprestou ou vendeu quase todos os jovens promissores entre os 18 e os 24 anos? Quem escolheu Keizer? Quem viu no treinador holandês um fiél seguidor dos princípios da escola do Ajax? O que se passa com Battaglia? O que se passa com Dost? O Sporting não é a Christie`s ou a Sotheby`s, então qual a razão porque parecemos uns leiloeiros no mercado internacional? O que quis Keizer dizer com "perguntem ao Director" (sobre Matheus Pereira)? Quem foi responsável pela vinda do "sonho" de uma noite de Verão (Vietto), tragicomédia de inspiração shakespeariana que o treinador já deu a entender não encaixar no seu sistema? 

 

Posto isto, é certo que Keizer aposta pouco nos jovens, é muito rígido nas substituições, tem uma comunicação básica e fraca, um plano de jogo que consiste em meter a bola em Bruno Fernandes, et caetera e tal. Mas a verdade é que o seu início foi auspicioso. Isso até ter começado a aculturizar-se à realidade portuguesa e, quiçá, à tão famosa Estrutura leonina. 

 

Olhando para as mais recentes declarações de Keizer, a que se podem adicionar diversos "soundbites" do presidente Varandas, eu só posso esperar que estes dois protagonistas reflictam no caminho a seguir e ponham as razões do Sporting acima das suas próprias razões. O tempo, inexorável, não pára. É preciso reagir, compreender que o que se nos afigura fácil muitas vezes encerra segredos e mistérios dificilmente decifráveis que exigem especial sensibilidade, e dar a volta por cima. É isto possível? (Ou vamos continuar a brincar "às casinhas"?)

28
Jun19

Varandas para Cintra


Pedro Azevedo

Não morrendo de amores por Sousa Cintra, não consigo desgostar dele. Agrada-me tanto aquele seu estilo voluntarioso e optimista quanto me desagrada a sua atracção fatal por microfones e câmaras de televisão, ou a impulsividade que marcou a sua primeira passagem pelo clube. Essencialmente, valorizo o facto de ter chegado a Alvalade em dois períodos particularmente difíceis do clube e de em ambos ter evitado o vazio, o caos, resistindo em ambos à tentação de perpetuação no poder e abrindo o lugar a outros. Inclusivé, num desses períodos conseguiu criar a melhor equipa - conjuntamente com a de 74, que marca o início das minhas recordações de futebol e do Sporting - que vi jogar em Alvalade. Em contra-ciclo, também foi capaz de despedir o treinador que a orientava durante o vôo de regresso a Lisboa posterior à derrota sofrida em Salzburg.

 

Ontem, em entrevista à SportingTV, Frederico Varandas acusou Cintra de irresponsabilidade e de ter dito um "chorrilho de disparates". É certo que Cintra anteriormente dera uma entrevista de que Varandas, compreensivelmente diga-se, não gostou. Eu mesmo caricaturei aqui a capa de "A Bola" alusiva a essa entrevista. Mas uma coisa é o direito legítimo de alguém que se sente desconsiderado (mais do que desrespeitado, o termo que usou), outra foi a forma encontrada de resposta. Cintra é um sócio do Sporting, e Varandas, durante a campanha eleitoral disse variadíssimas vezes que nunca atacaria sócios do clube. É também um ex-presidente. Na minha opinião, Varandas não soube ler as entrelinhas da referida entrevista, ou viajar ao filtro do antigo presidente. Sousa Cintra viu neste regresso ao Sporting uma oportunidade de melhorar a sua imagem junto dos sportinguistas, a qual ficara um tanto ou quanto beliscada por aquela decisão prematura de despedir Robson. É por isso entendível e humano que se queira associar ao relativo sucesso da época e que, sentindo-se esquecido pela actual Direcção, puxe pelos louros do seu trabalho. Reverteu os processos de rescisão de Bruno Fernandes - de quem Varandas disse que melhorou muito com Keizer, o que é verdade, mas com quem o treinador holandês não teria contado se não fosse a acção de Cintra - , Dost e Battaglia, e contratou Renan, Gudelj e Diaby, jogadores que foram indiscutíveis para Keizer, exactamente o treinador que Varandas escolheu, pese embora seja conhecida a minha posição sobre a relação custo/benefício (e custo de oportunidade) dos dois últimos. 

 

Sousa Cintra, na minha opinião, não atacou devidamente o problema do custo do plantel, embora se possa dizer em sua defesa que perante tanta indefinição no dossier rescisões se tornou difícil prever com que jogadores contaria. Nesse contexto, o afastamento de vários miúdos da nossa Formação terá sido o seu maior erro, com Demiral à cabeça. Erros, faltas de convicção do qual o futebol do Sporting é fértil há vários anos e que um dia poderão também ser assacados a Varandas, que mesmo dizendo que vai cortar na despesa continua a contratar e a manter a cisma contra a faixa etária 17/23 anos da Formação do Sporting. (Um dia alguém lhe há-de perguntar se são os técnicos da Formação e equipa principal que pensam assim, se é uma convicção pessoal sua, ou se isso envolve motivações políticas.)

 

Finalizando, Frederico Varandas perdeu ontem uma oportunidade de ouro de fazer a diferença, de ser magnânimo e de mostrar que quer unir o Sporting. Poderia ter mantido o que disse em campanha eleitoral, não deixando de acusar o toque (por exemplo, dizer que tinha ficado triste), mas alardeando que em nome dos superiores interesses do Sporting (e não dos seus) iria ficar em silêncio. Com isso, teria mostrado sentido de estado e vontade de colar as peças. Preferiu seguir na linha de um passado recente no clube de exuberância irracional e respondeu com contundência, acusando de ser irresponsável um senhor que podia ser seu pai, ou mesmo quase avô, mostrando falta de educação e de respeito para com o cidadão, sócio e ex-presidente. Perante isto, resta-me esperar sinceramente que este episódio desagradável não seja marcante da personalidade do actual líder dos destinos do leão. 

27
Jun19

Varandas dixit


Pedro Azevedo

  • Estou optimista, confiante, desejoso que a época arranque;
  • A nova época está a ser trabalhada há muitos meses;
  • Formaremos um grupo com ambição;
  • Por trás do plantel estará uma Estrutura competente;
  • A última época (futebol) foi a melhor dos últimos 17 anos;
  • Houve irresponsabilidade de Sousa Cintra e desrespeito para com este CD;
  • Está concluída a 1ªfase: regularização da situação financeira do clube;
  • A 2ªfase será de consolidação: redução de custos/aumento de receitas;
  • O clube estava na Idade da Pedra/ desenvolver Marketing e IT;
  • Revolução digital vs "A Casa de Papel" (situação herdada);
  • No Mercado de Inverno cortámos 10M€ em Custos com Pessoal;
  •  Bruno Fernandes parece que é uma das novelas do Verão;
  • Estrutura preparou-se para os vários cenários do mercado;
  • Não implica drama nenhum se Bruno Fernandes sair;
  • A Estrutura tem muita responsabilidade no crescimento de Bruno Fernandes;
  • Vamos ter um grupo mais competitivo e homogéneo; 
  • Garanto que todos os jogadores que entram no Sporting são escolhidos pelo clube;
  • Nenhum elemento do Sporting receberá 1 cêntimo em comissões;
  • Neto era uma prioridade, Vietto era um sonho;
  • Quem tem o faro da decisão está sujeito à crítica;
  • Durante o ano os sócios do Sporting vão perceber ainda melhor o negócio Gelson;
  • Nas próximas horas serão apresentados 3 jogadores;
  • No futebol, vamos fazer melhor que no ano passado;
  • Quero que o Sporting cresça de uma forma sustentada, estruturada;
  • Nada se alcança com bazófia e populismo;
  • Tem de haver uma aposta na Formação;
  • É uma obrigação apostar na Formação, é fundamental à sustentabilidade;
  • Estamos a pagar o preço do abandono da Formação nos últimos 5 anos;
  • Vamos ter uma equipa sub-23 com uma média de idades de 18/19 anos;
  • Para formar é preciso investir;
  • Vamos investir 12M€ na qualificação da Academia neste mandato;
  • Em 2022, a Academia voltará a ser uma das melhores do mundo;
  • É muito importante para o clube a aprovação do orçamento (NA: AG no Sábado);
  • Existe muito populismo e demagogia sobre as modalidades;
  • Este orçamento (clube) será superior ao da época 17/18;
  • O orçamento do Voleibol passou de 800.000 (17/18) para 1,8M€ (18/19);
  • Jamais este CD tirará 1 cêntimo às modalidades para dar ao futebol;
  • A nossa missão é servir o Sporting.

 

(Excertos da entrevista de hoje de Frederico Varandas à SportingTV.)

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