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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

12
Jan21

Reflexões sobre o jogo de ontem


Pedro Azevedo

- Os golos do Marítimo não foram consequência do processo colectivo, antes resultaram do somatório de erros individuais: passe errado na saída de bola de Neto e posterior abordagem macia de Feddal no primeiro golo, antecipação falhada de Nuno Mendes e não ataque ao espaço por parte de Sporar no segundo golo (defesa à zona na bola parada). 

- Os nossos interiores de ontem  (Tabata e Nuno Santos) pensam essencialmente como alas. Pode jogar um com Pote mais por dentro, mas os dois ao mesmo tempo diminuem-nos o jogo interior e a associação com os médios. Assim, ficámos reduzidos à procura da profundidade (na primeira parte mais efectiva por o Marítimo ter as linhas mais subidas, no segundo tempo infrutífera). Pote e Jovane são mais perfurantes com bola. O primeiro é muito inteligente a explorar os espaços entre-linhas, o segundo ataca o defesa que o está a marcar e com a sua mobilidade obriga-o a desposicionar-se e abre espaços para a entrada de outros jogadores.

 

- Não entendi a razão pela qual Jovane não entrou durante o jogo (só não sugiro que o tivesse iniciado por vir de lesão). Não conheço o estado físico de cada jogador, mas compreendo a gestão de esforço que Ruben Amorim operou após o desgastante jogo com o Nacional ocorrido apenas 3 dias antes. 

 

- Plata foi uma aposta falhada no corredor direito. Cometeu inúmeros erros defensivos e só no final do jogo fez alguma coisa de relevante ofensivamente. Antes, ao vir sistematicamente para dentro, anulou Tabata, ao contrário do que habitualmente faz Porro que atrai adversários na largura e assim abre espaços no centro. O equatoriano continua a demonstrar pouco entendimento do jogo e dos seus momentos. 

 

- Sporar é um ponta de lança com boa associação com o resto da equipa, mas sem instinto matador ou faro de golo. Isso é gritante em certos posicionamentos (falta de reacção adequada ao cabeceamento/assistência de Coates). Para além disso falha habitualmente golos cantados (ontem mais um). 

 

- O Sporting dominou a maior parte do tempo. Podia ter inaugurado o marcador logo aos 7 minutos ( TT, passe de Matheus), mas a partir daí os desequilíbrios que provocou no adversário não tiveram consequências por má definição do último passe/remate. No segundo tempo, o Marítimo foi um pouco mais afoito no ataque, curiosamente numa fase em que tinha até o bloco mais baixo e procurava mais a transição do que o ataque continuado. As entradas de Pote e Porro pareceram-me tardias, sendo que o espanhol foi ocupar a posição de central pela direita.

 

- O estado do terreno (muito irregular) dificultou obviamente o trabalho à equipa com melhores valores individuais. A bola saltava no contacto com a relva, e isso prejudicou mais os médios e os seus arrastamentos. 

- Será provavelmente só uma coincidência, mas num contexto em que se fala tantos dos méritos dos treinadores portugueses, não deixa de ser curioso que as únicas derrotas esta época do Sporting de Ruben Amorim tenham ocorrido em confronto com treinadores estrangeiros. 

 

- Sendo uma realidade que chegados a Janeiro já estamos fora em 2 das 4 competições em que entrámos (as nossas únicas duas derrotas significaram o afastamento prematuro de duas competições), não deixa também de ser digna de todos os encómios a nossa prestação  no campeonato. É preciso continuar a apoiar a equipa, a qual tem demonstrado até aqui uma óptima mentalidade competitiva. Se uma andorinha não faz a Primavera, também não podemos deixar que uma derrota nos abata ao ponto de nos retirar confiança no caminho meritório que Ruben Amorim e os jogadores vêm percorrendo. Isto é válido para nós, adeptos, mas também para o próprio grupo de trabalho que não se pode deixar afectar por este percalço. Ganhando na sexta-feira ao Rio Ave, a equipa ficará sempre numa posição privilegiada na tabela classificativa (Porto e Benfica defrontam-se no Dragão). E isso deverá ser motivação mais do que suficiente para reentrarmos num ciclo de vitórias. 

 

Na vitória como na derrota, Sporting sempre! Força! 

24
Nov20

Tudo ao molho e fé em Deus

ASAE leonina contra o Whisky a martelo


Pedro Azevedo

Caros Leitores de Castigo Máximo, há qualquer coisa de justiça divina quando um clube da outrora capital da contrafacção etílica lusa vem até ao Estádio Nacional jogar contra o Sporting e chega ao intervalo a provar do seu próprio veneno servido num copo de 3 (golos), ainda assim uma fraca compensação para quem ao longo dos anos tanto tem ressacado a cada nova martelada nas nossas aspirações que suspeitamos nos dão. Tal como na parábola da faca na liga (Liga?), não é que os sacavenenses tenham totalmente abandonado práticas antigas. Desse modo, provavelmente inspirados pelo mítico Manuel Serafim, foi possível observar que mantiveram o velho hábito de expôr rótulos bem conhecidos. Assim, não surpreendeu vermos um Iaquinta em tons de ébano ou um Job que mesmo que caia nas boas graças do Senhor dificilmente viverá 140 anos como o seu homónimo do livro bíblico. Ainda assim, a cópia não foi totalmente adulterada, tendo o Iaquinta dado um golo aos sacavenenses e o Job passado uma grande provação. (Houve até em tempos quem dissesse que o whisky de Sacavém não ficava a perder para o escocês, mas quem o disse não deve ter sobrevivido ao dia seguinte nem experimentado o que é uma cabeça num torno a comprimir-se.)

 

Manda contudo a prudência que não se ponha o carro à frente dos bois, que é como quem diz, em "sportinguês", a "roulotte" à frente do Mini. (O outro senhor é que tem um Ferrari d'arrasar.) Seja como for, o Sporting realizou ontem uma boa exibição e continua a demonstrar saúde. Prova disso, desde o início a nossa equipa cercou o último reduto sacavenense como se do quartel do RALIS se tratasse. E com bastante mais sucesso que os pára-quedistas de António de Spínola no 11 de Março, diga-se de passagem. Assim, logo a abrir, servido pelo Jovane, o Nuno Santos inaugurou o marcador. O mesmo jogador, pouco tempo depois, poderia ter ampliado a nossa vantagem, mas foi tanta a força e vitalidade que ficou logo a descoberto ter encontrado o ferro. Eis então que aparece o Joãozinho Caminhante ("Johnnie Walker", a.k.a. João Mário), que da sua cartola faz sair um (vidro de) tiro contendo um blend harmonioso com o requinte e estilo do seu Black Label. Só faltou a eficácia: a bola falhou o alvo por um grão. Grão a grão enche a galinha o papo, e o Nuno Santos que já andou pela capoeira do Seixal apanhou uma segunda bola e meteu-a no Coates para o segundo da noite. Logo a seguir, o Sporar embrulhou-se com a bola e as pernas de um jogador sacavenense. O árbitro se calhar também se embrulhou um bocado e mandou marcar um penálti. O Jovane não perdoou. Até ao intervalo não houve mais incidências de registo. 

 

No reatamento, o Sporting começou de forma igual ao primeiro tempo. Reatando a parceria luso-uruguaia que estabeleceu com o Coates, o Nuno Santos voltou a oferecer-lhe um golo. O coates mostrou cabeça fria e não desperdiçou. O Ruben Amorim entrou então em modo de experiências. Nesse sentido, deixou de trocar os pés ao Borja, o que também significou deixar de trocar os olhos aos espectadores. Infelizmente, os espectadores estavam todos à frente dos seus televisores, pelo que o Ruben não pôde ouvir "in-loco" a gratidão dos Sportinguistas. O Matheus foi então para a direita. Só para chatear, ele e o Coates ficaram ligados ao golo do Sacavenense. Simplesmente, se defensivamente a coisa não lhe correu lá muito bem - houve ainda uma tentativa sua de substituir o árbitro e assim entregar a bola ao Sacavenense à entrada da nossa área - , ofensivamente o brasileiro esforçou-se por procurar justificar a razão dos provérbios portugueses. Nessa forma de aculturização, começou por demonstrar que "não há duas sem três". A coisa teve a sua graça, na medida em que cada oportunidade que o Matheus criava era depois desperdiçada ao melhor estilo Benny Hill, a fazer também lembrar aqueles "bloopers" de futebol que as televisões portugueses nos servem para fazerem companhia ao bacalhau, perú e rabanadas no nosso Natal. Tudo se iniciou num passe do brasileiro que morreu quando Jovane foi impedido de chegar à bola por Sporar. De seguida, João Mário não teve cabeça para acertar na baliza vazia. Finalmente, Nuno Santos trocou os pés e a bola fez uma rosca e veio para trás. Desfeito o mito de que "à terceira é de vez", o brasileiro procurou estabelecer novos limites. E à quarta tentativa teve sucesso. Para o facto também ajudou já ter em campo um ponta de lança que pode ter "gap" mas não é um holograma: Pedro Marques. Com instinto matador na área (Sporar é essencialmente um jogador forte em transição, de apoios e desmarcações inteligentes nesse momento de jogo), o Pedro voltou a marcar. Aconteceu após uma incursão de Bruno Tabata pela meia esquerda ter apanhado o guarda-redes sacavenense desesperado para evitar o hara-kiri de um seu colega. No ressalto, o Pedro não perdoou. E já que falamos de Tabata, o jogo não terminaria sem que este colocasse a bola com precisão numa zona do terreno capaz de criar indefinição na defesa adversária, situação muito bem aproveitada por Gonçalo Inácio para se estrear a marcar oficialmente pelo Sporting.

 

E assim termina uma crónica que abordou whisky a granel e campeonatos a martelo. Ou vice-versa. É que pelo que se ouve e lê, se uns adicionavam alcool etílico, outros alegadamente juntam-lhe o alcool metílico (metanol). É que este arde e não se vê. Tal como o amor de Camões. Digam lá se não há como não amar o futebol em Portugal?...("To be, or not to be".)

 

P.S. Sete-a-um é um resultado que me faz lembrar o 14 de Dezembro de 1986. E mais não digo. "Time to sleep, perchance to dream". (Thanks Shakespeare, obrigado Manél de Sarilhos porque não se fazem Hamlets sem ovos.)

 

P.S.2 Um abraço aos briosos jogadores e staff do Sacavenense e às gentes de Sacavém, cidade presente em inúmeros momentos marcantes da nossa História de Portugal. 

 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Nuno Santos

pedromarques.jpg

22
Nov20

Bizarrices


Pedro Azevedo

Após uma paragem de duas semanas para as selecções, um pouco por toda a Europa os campeonatos retomaram o seu curso. Assim ocorreu na Alemanha, Espanha, Inglaterra, França e Itália, os Big 5. Não foi porém o caso em Portugal, país onde jogar-se-á muito pouco para a Primeira Liga durante o mês de Novembro. Ora, eu não tenho nada contra a Taça de Portugal, competição que nos traz a nostalgia de rever históricos como a antiga CUF (hoje Fabril), Barreirense, Montijo, Beira Mar ou Sporting de Espinho e leva a atenção dos amantes do futebol até ao Portugal profundo, onde há sempre um David preparado para derrotar um Golias e tornar-se o novo tomba-gigantes. O que me incomoda é a forma como é gerido o negócio do futebol profissional em Portugal. Sim, porque o campeonato e as provas internacionais são o negócio, para a Taça de Portugal está reservado o futebol no seu estado mais puro: uma festa. Mas haverá festa do futebol quando o público não pode estar presente nas bancadas?

a festa da taça.jpg

(Imagem: Sapo Desporto)

18
Out19

Tudo ao molho e fé em Deus - Perder tempo


Pedro Azevedo

Um dia, passeando por Natal, descobri uma loja de T-shirts com frases estampadas. De entre as multiplas camisolas com dizeres humorísticos, uma delas veio-me à memória ontem e narrava qualquer coisa como isto: "Comecei uma dieta e em duas semanas perdi quinze... dias". Enquanto tentava compreender a humilhação em Alverca, esta frase associou-se no meu pensamento para descrever aquilo que sinto que tem sido o constante desaproveitamento de tempo no Sporting.

 

Por paradoxo, o tempo não tem sido bom conselheiro da Estrutura de futebol do nosso clube. No arranque da temporada, Frederico Varandas garantiu aos sócios que o Sporting iria fazer melhor que na época anterior. O pressuposto fundamental para esse optimismo era o facto de a temporada há muito estar a ser preparada por uma Estrutura altamente profissional, assim associando-se o tempo à previsão de sucesso. Acontece que, sendo a libertação de  tempo algo importantíssimo na gestão, a sua constante má utilização pode mais facilmente conduzir ao desastre. O tempo só está do nosso lado se houver competência, caso contrário pode legitimar e exponenciar muita asneira. Ora, após 14 contratações desde Janeiro e vendas de Nani, Bas Dost e Raphinha, é fácil perceber que a equipa de futebol do Sporting não ganhou qualidade, pelo contrário perdeu-a. Ontem, em Alverca, na equipa inicial estavam 9 jogadores recrutados pelo Team Varandas, complementados por 2 elementos da nossa Formação. O resultado dessas apostas viu-se. Perante o quadro actual de jogadores, não haveria Jurgen Klopp, ou mesmo David Copperfield, que conseguisse com um passe de magia alterar instantaneamente o rumo das coisas.

 

Pese embora as condicionantes, a incoerência no discurso de Silas não pode passar em claro. Ontem começou por dizer que não teve tempo para treinar com os internacionais o novo modelo de jogo, mas a verdade é que os colocou em campo. Ora, durante duas semanas, Silas treinou o tal modelo, apoiando-se para o facto em diversos miúdos da equipa de sub-23 conforme foi amplamente noticiado. Se na altura da convocatória deixou todos de fora foi porque colocou os nomes à frente daquilo que faria sentido. Não adianta pois vir falar em "heróis" como algo prejudicial ao grupo, como se já não lhe chegassem os problemas que existem no plantel e ainda quisesse ver um problema na nossa praticamente única solução, o Bruno Fernandes. A verdade é que perante a desvantagem no marcador logo recorreu ao "herói". Como também se socorreu de Acuña, só faltando Mathieu para completar a entrada em campo dos jogadores que efectivamente fazem alguma diferença neste Sporting. De quem Silas não prescindiu foi de Jesé, estranhando-se a titularidade do espanhol que teve uma atitude incorrecta perante o tal grupo que Silas quer legitimamente ver a resolver os problemas. Conclui-se assim que também Silas desperdiçou o tempo que teve disponível desde o último compromisso da equipa de futebol, laborando exactamente na mesma teia de equívocos dos seus predecessores. 

 

Aquilo a que se assistiu ontem deveria obrigar a uma profunda reflexão. E, já agora, a um plano de emergência. A uma política de contratações que privilegiou a quantidade em detrimento da qualidade somou-se o empréstimo de vários jogadores provenientes da Formação (alguns com cláusula de opção de compra do clube que os acolheu) e a venda ao desbarato de alguns dos melhores jogadores do plantel (Dost e Nani). Para além disso, a Estrutura nunca conseguiu dar estabilidade à liderança da equipa de futebol, definindo fins de ciclo ao fim de meses, quando não de dias, e indo já no seu 5º técnico num ano. Os efeitos nefastos da preparação desta época desportiva demorarão anos a dissipar-se. É preciso ter coragem de agir e inverter este rumo, antes que novas opções de mercado tornem o Sporting inviável. O que se viu ontem de Rosier, jogador que custou 5,3 milhões de euros mais o passe de um jogador (Mama Baldé) que havia marcado 10 golos na temporada transacta? Como explicar as dificuldades encontradas pela nossa dupla de centrais perante uma equipa da terceira divisão? A dado momento apeteceu-me perguntar a Doumbia se precisava de uma cadeirinha, tal a displicência do marfinense no lance do primeiro golo do Alverca, jogada em que Alex Apolinário teve tempo para rodar, ajeitar a bola e chutar sem ser incomodado por ninguém. Depois, Jesé foi a nulidade do costume, Borja tem melhorado com Silas mas não há milagres, Eduardo não se viu, Miguel Luís é menos talentoso que diversos jogadores dos sub-23 que não são aposta e Luíz Phellype não conseguiu uma única vez incomodar o seu sósia da baliza ribatejana. Salvaram-se Max, com uma defesa aparatosa, e Vietto, jogador com pormenores técnicos interessantes mas sem golo.

 

Humilhado na Supertaça, fora da Taça de Portugal, com a Taça da Liga muito comprometida e o campeonato irremediavelmente perdido em Outubro, para onde vai este Sporting? O que sobrou em tempo para o desconchavo, escasseia agora para que se reponha algum sentido nas coisas antes que o desastre seja total. Agora, ou isto é feito de uma forma ordenada, ou temo que o radicalismo tome conta do clube e que este se desfaça numa luta fratricida. Urge agir! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Vietto

alvercasPORTING.jpg

27
Mai19

Notas soltas sobre a Final


Pedro Azevedo

  1. Durante a primeira parte foi testada uma alteração revolucionária das regras de jogo, que consiste na abolição do fora-de-jogo. Infelizmente, os espectadores não foram avisados previamente e o teste ocorreu apenas em metade do campo, pelo que a reacção dos sportinguistas não foi positiva.
  2. O único amarelo visto pelos portistas em 90 minutos de jogo foi o do sorriso de Sérgio Conceição.   
  3. O facto que causou maior surpresa, quiçá indignação, junto da falange de apoio sportinguista sentada na Central do Estádio Nacional foi Sérgio Conceição não ter arremessado a medalha de finalista.
  4.  Está decidido: em próximas finais contra o Sporting, os portistas trocarão os penáltis por pontapés de canto.
  5. O Soares quis homenagear Casillas num jogo impróprio para cardíacos. Com amigos destes...
  6. Na natureza, nada se perde, tudo se transforma: o Herrera diminuiu as orelhas, mas aumentou os ombros.
  7. Por ironia, um Andrade (Fernando) entregou a Taça ao Sporting. 
  8. Jefferson apresentou-se na Tribuna de Honra com uma boina vermelha/grená do Grupo Especial de Paraquedistas. Eu bem que suspeitava que ele tinha caído em Alvalade de Pára-quedas...

 

P.S. Casillas, por quem tenho enorme apreço como jogador (excelente) e cidadão (um senhor!), que me desculpe a blague. Desde a sua estadia no nosso país que fiquei seu fã incondicional. Infelizmente, ninguém está livre de lhe acontecer algo similar. A Casillas, bem como à sua família, desejo o melhor que a vida possa dar. Ele bem merece!

26
Mai19

Tudo ao molho e fé em Deus - Gente feliz com lágrimas


Pedro Azevedo

No Jamor, o pré-jogo é tão ou mais importante do que o próprio jogo. Desde o meio-dia reunidos à volta da mesa, os convivas começam por atacar umas entraditas, assim a jeito de quem vai ao relvado fazer um aquecimento. Seguem-se umas gambitas, como quem estuda o adversário e esconde algumas energias para a batalha decisiva que far-se-á mais lá para a frente. Quando chega o leitão, a coisa fica mais séria, o confronto endurece e as armas estão todas presentes em cima da mesa. As pernas começam a fraquejar e a hidratação torna-se fundamental. Produz-se o oximoro: a mini maximiza a resistência ao calor. Vencido este jogo de parábolas, os convivas vão então ao verdadeiro jogo. E que jogo!

 

Anos e anos de desilusões tornaram o sportinguista prudente. Se o resultado é sempre incerto, o sofrimento é mais do que certo. Penso até que, futuramente, o kit para novos sócios deveria incluir um desfibrilador. (Just in case...) Nesse espírito, como quem tenta conter a projecção da felicidade, lá rumámos aos nossos lugares na bancada, descendo dos courts de ténis e passando a Porta da Maratona, tudo presságios daquilo que estará para acontecer mais adiante: um jogo com prolongamento e decidido num tie-break de penalidades. 

 

Devo dizer que a entrada em campo do Sporting foi surpreendente. Os leões rapidamente assumiram o jogo e remeteram os dragões para o seu meio-campo defensivo. Mas alguns handicaps cedo ficam a nu: um alívio despropositado de Bruno Gaspar oferece a Otávio a primeira grande oportunidade do jogo. O remate sai forte e colocado, mas Renan diz presente e resolve com uma grande defesa. O brasileiro abriu em grande e em grande viria a fechar o jogo. Bom, mas isso foi mais para a frente. Rebobinando, o Sporting respondeu de pronto e Bruno Fernandes obriga Vaná a uma boa parada. Até aos 20 minutos, o Sporting tem o controlo das acções, mas após esse período o Porto equilibra e até ganha algum ascendente. Raphinha tira tinta ao poste e, na resposta, Marega marca, mas está fora-de-jogo. Já perto do intervalo, Herrera recepciona a bola com o ombro(?), centra e Soares, de cabeça, coloca os pupilos de Sérgio Conceição na frente do marcador. O jogo está bom e agora é o Sporting que ataca: Bruno Fernandes recebe um passe de Acuña, remata, a bola ainda bate em Danilo e entra. Está reposta a igualdade, mesmo ao soar do gongo para o descanso.

 

Já na etapa complementar, o Porto é agora dominador. Logo de início, Soares acerta no poste direito de Renan, mais tarde Danilo visa o outro poste. Wendel ainda ameaça, mas o Sporting não consegue fluir o seu jogo. Keizer tenta brevemente implementar uma linha defensiva de 3 centrais, retirando Bruno Gaspar, fazendo entrar Ilori e avançando ligeiramente Acuña. Raphinha é agora lateral direito, com Diaby (mudou de flanco) à sua frente. O Sporting parece crescer com a nova táctica e leva perigo por duas vezes ao último reduto portista, mas a entrada de Dost para o lugar do maliano produz nova alteração no xadrez das peças, jogando agora o Sporting num 4-4-2, com Bruno Fernandes encostado à esquerda e Ilori e Acuña a preencherem as laterais. A custo, e com um SuperMat (a versão super-herói de Mathieu), o Sporting leva o jogo para prolongamento.

 

A primeira parte da prorrogação vê o Sporting a dar a volta ao marcador: uma bola perdida na área é aproveitada por Dost para rematar cruzado e sem hipótese de defesa para o guardião dos dragões. Mais uma vez, Acuña está na origem da jogada. O cansaço já é muito, o Porto ameaça, mas o público leonino embala a equipa com os seus cânticos. A vitória parece possível, vai ser possível, mas eis que o fado do leão se volta a manifestar e o Porto empata já depois da hora. 

 

Mais uma cambalhota no jogo e esta com marcas profundas na montanha russa de emoções vivida pelos adeptos sportinguistas. Do outro lado, os Super Dragões rejubilam, conscientes de que a vantagem psicológica passou para o seu lado. Nesse transe, o jogo vai para penáltis. Os leões confiam em Renan, o herói da Taça da Liga, a fé dos adeptos portistas reside na "igreja" Vaná. O início das penalidades confirma que o ascendente passou para os dragões e Dost falha ao tentar estrear uma nova forma de marcar a partir dos 11 metros. Parece que o Porto vai ganhar, mas Pepe acerta também na barra. Nada está perdido, mas também nada está ganho no momento em que os sportinguistas roem as unhas enquanto Coates se prepara para marcar o último penálti da série regular. O uruguaio tem um histórico de falhanços que não abona e muitos viram as costas à finalização. A coisa acaba por correr bem aos leões. Com 4-4, entramos naquela fase mata-mata. Fernando é o homem chamado por Conceição para bater. Renan voa e voa e voa e, num instante, abre asas aos sonhos dos sportinguistas. Agora, "só" falta o Felipe das Consoantes meter a bola lá dentro. Há quem chore, quem não queira ver, quem ganhe força agarrando-se frenéticamente a quem está mais à mão. Um estádio inteiro suspenso de um pontapé na bola. E é a redenção! O toque de Deus! Uma época que tinha tudo para correr mal, acaba em glória com a conquista de duas taças. Confesso que as lágrimas me escorreram pelos olhos no preciso momento em que vi a bola anichar-se no fundo das redes portistas. Feliz por mim, pelos meus companheiros de aventura epicurista, pelos milhares de sportinguistas presentes no estádio, pelos milhões espalhados pelo país e no estrangeiro. Gente feliz com lágrimas, título roubado a João Melo, será porventura a melhor forma de definir a catarse que os sportinguistas ontem viveram. Na hora H, o trauma por todos vivido há 1 ano esvaiu-se naquelas lágrimas e ficou para trás, e os sportinguistas reconciliaram-se consigo próprios e com o clube. Sim, o clube, a razão de ser de tudo isto. Não precisamos de mais nada. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jeremy Mathieu, o SuperMat. Tal como indica a publicidade, ele é rápido, versátil e seguro. Destaques também para Renan (eu bem ia dizendo que ele estava muito sub-valorizado) e para o inevitável Acuña. 

final taça portugal.jpg

(fotografia: O Jogo)

25
Mai19

... E o Sporting é o nosso grande amor!


Pedro Azevedo

Inesquecíveis momentos vividos hoje no Jamor. Desde logo, o pré-jogo, a celebração da vida, da amizade, do sportinguismo. Depois, o jogo, impróprio para cardíacos, onde estivemos à beira do k.o., mas nunca chegámos a ir ao tapete. Pelo contrário, impulsionados por dezenas de milhares de vozes de gente que queria, diria precisava, ser feliz, a equipa ficou por cima no marcador e viu o adversário salvar-se da derrota em cima do gongo. Quis o destino (e Renan) que a vitória viesse por pontos, mais concretamente do ponto que dista 11 metros da linha de baliza. Não poderia ter havido melhor e mais electrizante final para recompensar os melhores adeptos do mundo, aqueles que continuam a encher Alvalade após longo jejum do principal título nacional. No final, as lágrimas corriam nos rostos dos leões. Lágrimas de alegria, por certo, uma forma de o corpo exteriorizar a tensão acumulada internamente. Que orgulho eu tenho em pertencer a esta gesta. Spoooooorting!!!

17
Mai19

Improcedente, disse ele


Pedro Azevedo

O título, rebuscado de uma série televisiva que tinha Angela Lansbury como protagonista, vem a propósito da decisão do Conselho de Disciplina de considerar improcedente o recurso apresentado pelo Sporting sobre a penalização aplicado ao jogador Ristovski.

 

Castigado com 2 jogos de suspensão na sequência da sua expulsão contra o Tondela, o macedónio está definitivamente fora da final da Taça de Portugal.

 

Recorde-se que Ristovski foi três vezes sancionado com a amostragem do cartão vermelho esta época, curiosamente todas antes de jogos contra equipas "grandes". De todos os recursos apresentados pelo Sporting, apenas 1 mereceu um aligeirar de sanção por parte do CD. Irónicamente, tal não se traduziu em nenhuma vantagem para os leões, por não se ter produzido o efeito, dado que a comunicação oficial da decisão chegou praticamente em cima da hora de início do jogo, já não tendo sido possível ao macedónio nele participar. 

04
Abr19

Tudo ao molho e fé em Deus - (C)risto vive em Bruno


Pedro Azevedo

Três jogos contra o Benfica, três golos de Bruno Fernandes. Se o primeiro, para o campeonato, não foi suficiente, os dois marcados para a Taça - como a primeira mão aconteceu no tempo do Paleolítico Inferior talvez valha a pena relembrar que fez um grande golo na Luz - foram decisivos. Ontem, deu mais um passo no sentido de se tornar uma lenda em Alvalade, com um lance de génio culminado num remate que deixou o Svilar das Perdizes com vontade de ir à bruxa.

 

Por falar em bruxas, eu não acredito nelas, mas já diziam os espanhóis "que las hay, las hay". Apesar disso, pobre incauto, acreditei que o Ristovski estaria no "derby". Mas não. Se calhar não era má ideia o Conselho de Arbitragem substituir os testes de aptidão física por testes de física, pois as Leis de Newton são princípios de dinâmica (e de inércia) que convinha consultar. Até porque sempre é informação mais científica do que aquela que o senhor Piscarreta anda a propagandear na televisão, nomeadamente quando diz que o jogador Manafá, no Braga-Porto, não teve intenção de pôr a mão na bola porque "estava de olhos fechados". É no que dá confundir cubismo com cubanos, dá tanta vontade de rir que até a barraca "Havana". Já sobre o senhor Mota, que foi premiado pela "exibição" em Chaves com uma indigitação para a primeira semi-final da Taça, não sei se é por ser talhante, mas quando nos apita estamos sempre "feitos ao bife"... 

 

O Conselho de Disciplina puniu Ristovski - o homem parece que foi condenado a uma Via Crúcis - com um jogo de castigo e indeferiu o recurso leonino, mas a injustiça, quer em termos absolutos, quer em termos relativos (vidé lance de Wilson Eduardo sobre Corona no Braga-Porto), da suspensão do macedónio uniu ainda mais a equipa do Sporting. Na natureza, nada acontece por acaso, e o arrefecimento súbito da temperatura em Lisboa foi só o presságio de que a vingança é um prato que se serve frio. 

 

O Sporting começou o jogo a toda a velocidade e nos primeiros 10 minutos andou perto da baliza do Benfica por três vezes, através de remates de Gudelj - melhor exibição desde que joga de leão ao peito - , Bruno Gaspar e Wendel. Apesar do maior ímpeto leonino, assente numa ousada táctica de 3 defesas, lutava-se mais do que se jogava, destacando-se apenas um remate de Luíz Phellype (29 minutos) e um de Fejsa (primeiro e único chuto dos encarnados à baliza durante a primeira parte), ainda assim não verdadeiras oportunidades. O árbitro ia-se perdendo no critério disciplinar, começando por não punir um jogador de cada equipa para acabar salomonicamente a castigar dois inocentes.

 

A etapa complementar praticamente abriu com uma perdida de Seferovic diante de Renan. Respondeu o Sporting com um livre de Bruno Fernandes que embateu na barra. O Benfica vinha com uma postura mais ofensiva e os leões aproveitavam para jogar entre linhas. Luíz Phellype conseguia dominar a bola e segurar os centrais e isso abria boas perspectivas a Bruno Fernandes. Eis então que Keizer, que já anteriormente havia trocado Gaspar por Ilori, provavelmente com receio de que o lateral visse o segundo amarelo, decide meter a "carne toda no assador" (senhor Mota, esta não é para si) e troca Borja por Diaby, passando Ilori para a linha dos 3 de trás. Logo de seguida, Bruno recebeu a bola na meia direita do ataque leonino, driblou para dentro e colocou a bola no ângulo da baliza defendida por Svilar. Com a eliminatória na mão, o Sporting não abrandou o ritmo. O jogo estava electrizante e Seferovic, primeiro, e Raphinha, depois, podiam ter marcado, mas o resultado, com toda a justiça, já não se alteraria. 

 

Ristovski esteve de fora, mas viveu em Bruno Fernandes. Em tempo de cristianismo no futebol mundial, Bruno, a quem também foi concedido um dom imenso, é, hoje por hoje, o grande redentor do sportinguismo. O cordeiro do deus da leoninidade, que dentro do campo se transforma num leão e que, pouco a pouco, vai trazendo de volta aos estádios, cafés e sofás ao pé de um televisor as "ovelhas" que tresmalharam, mas que não deixam de ser sportinguistas como nós. Por isso, perante a Porta 10A, eu confesso: eu sou um brunista (fernandista)! ("Ich bin ein...")

 

Nota: para quem ficou muito escandalizado por Keizer ter admitido gostar mais de ganhar por 3-2  em vez de 1-0, é só para dizer que o holandês ontem preferiu o 1-0...

 

Nota 2: no duelo particular de golos das estrelas de Sporting e Benfica nos "derbies" desta época, Bruno Fernandes esteve a perder 0-2, mas ganhou a João Félix por...3-2. Dado o "hype" que o encarnado atingiu, deve ser coisa para, no mínimo, garantir a Bruno o epíteto de "menino de diamante"...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes.

Destaques: Acuña e Mathieu, os delfins de Bruno, Gudelj por ter dado mais ao jogo do que habitualmente, Raphinha pela pressão que fez sobre a linha defensiva benfiquista (é ele que ganha a bola do golo), não a deixando subir, Phellype pela capacidade de segurar a bola no meio campo contrário. Todos os outros, sem brilhantismo, não comprometeram.

golo de bruno fernandes ao benfica.jpg

(Imagem: Record)

03
Abr19

Contas de matemática


Pedro Azevedo

A matemática, que é uma ciência exacta e não esotérica como a arbitragem, ensina-nos quase tudo: o que nos divide, diminui-nos, excepto quando o fraccionamento é pela unidade, situação em que a nossa força se mantém exactamente igual, ou quando o divisor é zero, ocasião em que o nosso poder se torna infinito. Hoje, durante o jogo com o Benfica, todas as desavenças têm de ficar para trás. Apenas uma coisa interessa: somar uma vitória que nos permita vingar o que se passou o ano passado no Jamor. Para que tal aconteça, logo à noite, no estádio ou à frente do televisor, temos de multiplicar o nosso apoio.

02
Abr19

Duelo de "éfes"


Pedro Azevedo

Duelo de "éfes" amanhã, em Alvalade: de um lado, o homem dos tornozelos de titânio, o "sempre em pé" Fernandes; do outro, o miúdo ousado, o "às vezes atiro-me para o chão" Félix.

 

Em ambos a qualidade salta à vista, seja por via do passe de ruptura ou remate de Bruno, seja pela rapidez de execução ou ginga de João. Em comum, partilham uma característica muito própria dos xadrezistas: ainda a bola não lhes chegou aos pés e já têm vários lances pensados. 

 

A manter-se a táctica do jogo para o campeonato, João Félix procurará aproximar-se dos centrais leoninos para obrigar Gudelj a recuar e aumentar o fosso com o meio-campo do Sporting (que tal responder com a táctica dos 3 centrais/defesas?), para que depois Gabriel e Samaris possam entrar à vontade em construção através do passe frontal ou a solicitar as alas, jogando também com as penetrações essencialmente de Grimaldo na esquerda. Quanto a Bruno, deverá procurar os espaços entrelinhas que lhe venham a ser concedidos entre a linha média e a defensiva encarnada. Para que os encontre, o Sporting vai necessitar dos movimentos dissuasores dos alas tão comuns aos primeiros tempos de Keizer, mas novamente patentes no lance do primeiro golo leonino em Chaves. 

 

Fernandes e Félix, a tónica de um derby onde se espera que o futebol se escreva com "F" grande. Escreva ou leia (obrigado Luis Ferreira), não vá o "PH" que há em Raphinha ou Phellype sair do neutro... 

 

P.S. eu jogaria num 3-4-1-2, com Renan; Coates, Mathieu e Borja; Ristovski (queremos cobrir-nos de ridículo pelo mundo?), Doumbia, Bruno F e Acuña, Geraldes (surpresa); Raphinha e Phellype (assim mesmo, dois avançados a cairem em cima dos centrais e a obrigarem o Benfica a recuar 1 elemento, abrindo espaços para Geraldes e Bruno mostrarem a sua superior visão de jogo, pagando-lhes assim do mesmo veneno do jogo para o campeonato).

bruno e joão.jpg

(Imagem: Record)

31
Mar19

Sporting vence Taça de Portugal de futsal


Pedro Azevedo

O Sporting bateu hoje o Benfica, após marcação de grandes penalidades (3-2), conquistando assim a Taça de Portugal de futsal. No final do tempo regulamentar o resultado estava numa igualdade a 4. No prolongamento houve um golo para cada lado, recorrendo-se então aos penáltis. Para o Sporting marcaram Dieguinho, Cardinal, Cavinato e Merlim. Houve ainda um autogolo de um jogador encarnado. Nas penalidades, Cardinal, Dieguinho e Merlim não perdoaram. Destaque para o guarda-redes suplente, Gonçalo Portugal, que defendeu o castigo máximo de Robinho.

07
Fev19

Tudo ao molho e fé em Deus - O derby em notas musicais


Pedro Azevedo

Renan - Nos golos, quase sempre toca na bola. Para quem acredite em encarnações, numa outra vida terá sido pianista, ou mesmo, carteirista, tal a delicadeza dos seus dedinhos. Já um guitarrista... Desconfio que, se deixar crescer as unhas, ainda se torna um Manitas de La Plata das balizas...

Nota: Mi

 

Gaspar - Um suposto Rei Mago que chegou fora da época, trocando o Inverno pelo Verão e o incenso pelo "insonso" (insosso), e contrariou a boa tradição de presentes trazidos anteriormente por Baltazar (campeão de futebol) e Belchior (futebol de praia). Para não falar do Rei Magos: Allison, com certeza!

Nota: Dó Menor

 

Coates - Ele olha para a direita, e pisca, pisca; ele olha para a esquerda, e pisca, pisca. Deve ser de ficar com os olhos em bico! O que pode um Ministro da Defesa fazer perante umas tropas que parecem estar na "peluda"?

Nota: Fá

 

Ilori - Uma mistura potencialmente perigosa entre o Zip-Zip e o Professor Pardal. O resultado é geralmente a velocíssima produção de invenções que costumam não funcionar bem (para a equipa).

Nota: Mi

 

Borja - Pormenores de brinca-na-areia, mas tudo espremido nem um cruzamento para amostra e culpas repartidas nos 2 golos do Benfica.

Nota: Mi

 

Gudelj - Na misteriosa ordem das coisas, geralmente o mal é apresentado aos pares: são as SS, os NN, o FF (canta mal que dói)... E depois, há também os 2G (Gudelj e Gaspar) que já estão fora de moda (toda a gente sabe que o que está a dar é o 4G), para não falar dos JJ (Jefferson e Jonathan), Ufa, que pesadelo!

Nota: Ré

 

Bruno Fernandes - Recebeu meia-dúzia de passes para o hospital com a cortesia de Gudelj. Falhou passes, sim, nomeadamente quando tantas vezes necessitou de binóculos para encontrar um colega a quem endereçar a bola, mas ganhou a falta e marcou de forma soberba o livre que permite ainda alimentar a esperança na passagem da eliminatória.

Nota: Sol

 

Wendel - Mais adiantado do que é costume, teve nos pés uma oportunidade soberana de empatar a partida. Desperdiçou-a com um bico duvidoso para um brasileiro com fama de craque, que isto de ser Romário não é para todos. Deu-se ao jogo, lutou, mas não teve bola. E quando finalmente a teve... 

Podia ainda ter marcado num excelente remate de fora da área.

Nota: Fá

 

Jovane - Do futebol tem estado ausente, mas aparentemente ao churrasquinho tem dito presente. É que as riscas horizontais não mentem e talvez lhe conviesse usar a Stromp. Só para não terem de o comparar ao Rochemback, claro. Ainda assim, o jovem ala tem uma característica que me agrada: mesmo perdendo a bola, vai sempre, olhos nos olhos, para cima do defesa. Sem medos!

Nota: Mi

 

Luíz Phellype - Fez pressão na frente, desarmou, ganhou faltas, sacou cartões, enfim o possível dada a pouca bola que teve. A continuar assim, o Felipe das Consoantes ameaça ser vogal com papel activo na hora das decisões. A rever...

Nota: Fá

 

Acuña - Se o abecedário começa por A, e a seguir vem o B, também a equipa do Sporting começa no Acuña, e a seguir vem o Bruno (Fernandes, claro). Na fase de maior pressão benfiquista foi o único jogador que conseguiu reter, passar e cruzar a bola em condições. Se é para brincar aos campeonatos, vendam-no já!

Nota: Lá

 

Diaby - Procurou a profundidade, mas o melhor que conseguiu foi dar uma pancada profunda na testa de Svilar. Ainda assim, quase ganhou um castigo máximo que nos teria permitido sair da Luz com um empate.

Nota: Mi

 

Dost - Poucos minutos em campo. "Se fosse em Inglaterra", teria participado da jogada do empate. Godinho não quis assim e nem esperou pelo VAR. (Também era o Capela, não é assim?)

Nota: Ré

 

Raphinha - Não deu nem para aquecer.

Nota: - 

 

(notas: de Dó Menor a Dó Maior)

07
Fev19

Tudo ao molho e fé em Deus - Anjos e demónios


Pedro Azevedo

A primeira constatação a fazer é que a lã de vidro do Estádio da Luz não cedeu, o jogo não foi adiado umas horas e assim Ristovski não pôde jogar. Quem também não cedeu foi o Conselho de Disciplina, que andou a enrolar o recurso do Sporting e quando acabou o novelo (ou será novela?) já era tarde de mais. Com tanta lanzeira, a despenalização de 1 jogo teve o efeito prático da manutenção da penalização de (mais) 1 jogo para o macedónio. Confusos? Perguntem ao Dr. Meirim, que deu ao tema um tratamento de lana-caprina. O futebol português no seu melhor...

 

De amarelo (sorriso) comecei o jogo. O Ilori também, ainda a procissão ia no adro. Uma questão de intensidade sobre o Félix, aparentemente. Do sopro...

O Rui Pedro Rocha também começou mal, mostrando desconhecer as regras do lançamento lateral: - "Pisou a linha" - , disse ele. E eu concordo que pisou! O Rocha, obviamente. Adiante...

Ao quarto-de-hora, tudo falhou: Gudelj a intercepção, Borja a falta, Gaspar a marcação, Jovane a compensação, Renan a defesa. O Benfica adiantava-se no marcador após uma impressionante cavalgada de Sálvio que desequilibrou a defesa leonina, com a bola depois a variar de flanco até chegar a Gabriel, jogador com nome de anjo mas pouca vontade de redimir pecados alheios. 

 

O golo madrugador deixou os leões expostos aos seus demónios e a equipa tardou em recompor-se. Demorou outro quarto-de-hora até que Bruno Fernandes desse um primeiro sinal de vida, após assistência de Jovane. A bola acabou nas mãos de Svilar. Até ao final da primeira parte, de registar a saída de Jardel. Bruno Lage estava como o aço e não quis inventar como central um Petrovic lá do sítio: entrou o Ferro. 

 

Na segunda parte, "Muttley" Acuña, o melhor leão esta noite, continuou a ser o único a conseguir segurar, cruzar e passar a bola com qualidade. Num desses lances isolou Wendel. O brasileiro deixou-nos a todos com os olhos em bico, quando de bico chutou ao lado. No futebol há aquela velha máxima de que quem não mata, morre, e tal voltou a verificar-se: cruzamento para a área, Ilori - displicente como há seis anos atrás - vê a bola ali ao pé de si e deixa-a seguir, Borja permite que Félix o ultrapasse e o resto soube-se logo que traria água no bico (anos e anos de uma história de desventuras dão-nos estas epifanias). Logo a seguir, o Phellype preparou a bola para o Wendel, mas o remate voltou a sair ao lado. 

 

Com os deuses da fortuna contra nós, entrou o Diaby (saiu o Jovane). Entretanto, Bruno Fernandes foi contra o mundo até sacar uma falta em zona central. Na conversão do livre, o nosso maestro deixou o guardião benfiquista com vontade de consultar um bruxo em (S)vilar das Perdizes. É que o Diaby andava ali ao lado, e numa jogada pela direita quase ganhou um castigo máximo. De seguida, o Dost chocou com o Svilar fora da pequena área, mas o árbitro marcou falta. Infelizmente, o Bino da SportTV - aquele nosso ex-jogador e comentador do último BragaXSporting a contar para a Taça da Liga -  desta vez não estava lá para dizer "se fosse em Inglaterra". Quem lá estava era o Rui Pedro Rocha que não parou de intimar o comentador Ricardo até que este dissesse que era falta. Pudera, com o lance do Luisão atravessado na garganta...

 

E assim terminou um jogo em que no final todos pareceram estar satisfeitos: o Benfica porque voltou a ganhar, o Sporting porque evitou uma humilhação semelhante à registada em Alvalade e ficou com a eliminatória em aberto. Tudo está bem, quando acaba bem...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Marcos Acuña (se é para brincar aos campeonatos vendam-no). Bruno Fernandes sacrificou-se como "8" e ainda teve tempo para marcar um grande golo numa das poucas oportunidades que teve de aplicar o seu remate. Uma nota para a capacidade de luta de Luíz Phellype, que muito se desgastou sem bola. 

 

P.S. Ponham a jogar urgentemente o Idrissa e dêem minutos ao Matheus Nunes (na minha humilde opinião, as melhores contratações de Inverno). Ou então, chamem o Tiririca: pior do que está não fica! 

benficasportingtaça.jpg

05
Fev19

Chaves do Areeiro


Pedro Azevedo

Saiu hoje a convocatória para o jogo de Quarta-Feira com o Benfica, a contar para a 1ªmão da meia-final da Taça de Portugal. Surpreendente é a chamada de três trincos - Oh não, outra vez! - , sobrando apenas lugares no meio-campo para Wendel e Bruno Fernandes (a possibilidade de Petrovic poder ser opção como central está posta de lado, visto que Coates, André Pinto e Tiago Ilori foram convocados). Parece-me perigoso, pois em caso de lesão dos médios mais ofensivos nem sequer temos a possibilidade de colocar Nani no miolo. Outra novidade é o facto de terem sido incluidos três laterais esquerdos (Acuña, Borja e Jefferson), a não ser que Keizer esteja a contar com o argentino como ala. Enfim, pode ter a ver com pequenos toques sentidos por jogadores no rescaldo do jogo de Domingo. (Não encontro outra explicação.) Perante isto, acredito que faremos um jogo de contenção, de forma a tentarmos evitar nova debacle como a de Alvalade.

 

De registar ainda, e mais uma vez, as ausências de Miguel Luís, Francisco Geraldes e Montero por opção. Lesionados, e também fora da convocatória, estão Nani e Mathieu. Ristovski está castigado. Enfim, oxalá corra bem!

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