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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

27
Out21

Tudo ao molho e fé em Deus

Faca na Liga e postas de pescada


Pedro Azevedo

Como quase tudo o que se relaciona com o nosso futebol, a Liga Portugal é bipolar. Por um lado, anuncia defender o rigor, a integridade e a defesa do produto Futebol, por outro mantém em aberto uma "competição" que é objectivamente uma "faca na Liga". Senão vejamos: o que dizer de uma Taça onde se joga até ser madrugada, o árbitro se apresenta equipado com uns "flaps" aerodinâmicos sob a forma de uns autocolantes esvoaçantes - em modo "segurem-me, senão eu descolo daqui para fora" (como eu o compreendo...) - , o intervalo(?) induz-nos para as calendas gregas e os discursos do Fidel, não há guita para a vídeo-arbitragem e o emparelhamento das equipas em grupos e respectivo sorteio apenas visam uma "final four" onde os "3 grandes" estejam presentes? Acrescente-se um juíz que, apesar de talhante, não vê um "boi" à frente dos olhos e perdoa um penálti do tamanho de um Miúra ou de um Vitorino ao Famalicão, um campo de pasto mais apropriado à criação do gado Domecq e podem imaginar o pesadelo de que estamos a falar. Depois admiram-se dos adeptos voltarem as costas a este tipo de eventos. Já dizia o Schopenhauer que a soma do ruído que uma pessoa pode suportar está na proporção inversa da sua capacidade mental, e os adeptos são suficientemente inteligentes para não embarcarem em engodos onde sacristãos em Lisboa conseguem vêr uma formiga no cocuruto do Cristo-Rei enquanto o Cardinal, no Pragal (Almada), diz ao Lucílio que nada observou de anormal (rima e tudo).

 

É certo que em tempos esta "competição" serviu-nos para fazer umas cócegas ao ego, mas agora que até já somos campeões nacionais a coisa sabe-nos a pouco. Pelo que a única vantagem de aderir a isto é permitir rodar jogadores, o que aconteceu abundantemente ontem. Foi bom, na medida em que todos tivemos a confirmação da valia de Ugarte, um patrão que deixa o colarinho branco em casa e vai para o trabalho vestido como um operário. Muita categoria reunida num menino que tanto põe a bola a 30 metros como se envolve na luta por a conquistar, nunca deixando de procurar ser feliz nas aproximações em terrenos mais avançados. E de uma dessas aproximações resultou o nosso primeiro golo. A coisa pareceu pré-destinada quando o pé direito do uruguaio encaminhou a bola para junto do poste esquerdo da baliza do Famalicão, mas um minhoto interpôs-se e o esférico seguiu o rumo oposto e anichou-se no canto direito das redes. Voltando a Schopenhauer: "O destino baralha as cartas, e nós jogamos". E, escrevendo direito por linhas tortas, o Sporting adiantou-se no marcador. Depois houve o tal episódio da mão que o Mota não viu, que o comentador da SportTV justificou com o "ângulo fechado", o que pareceu um reparo paradoxalmente obtuso. Estabelece-se assim a seguinte proporção: quão mais agudo o ângulo (menos de 90º), mais obtuso o comentário; da mesma forma, quão mais obtuso (mais de 90º) o ângulo, mais agudo o comentário (como mais tarde se perceberia através da, perfeitamente audível, estridente emoção que se apoderou do comentador quando com o ângulo perfeitamente aberto não conseguiu perspectivar um claríssimo fora de jogo de um famalicense e julgou estar restabelecido o empate na contenda). 

 

Se durante a primeira parte o Sporting escondeu a bola do Famalicão, na etapa complementar os leões preferiram controlar o jogo e reduzir os espaços. Ainda assim, couberam aos pupilos de Rúben Amorim as melhores oportunidades. Até que o Matheus Nunes libertou-se do espartilho e foi espalhar o caos na área dos minhotos. Por entre cruzamentos, remates e ressaltos, o Nuno Santos emergiu e com classe dilatou o marcador. Pouco depois entrou o Paulinho, e com ele nova esperança numa oportunidade de golo não desperdiçada. E desta vez o Paulinho não desperdiçou. Mas também não marcou, podendo talvez dizer-se que enjeitou, não rematando no timing correcto. Logo um senhor da SportTV aproveitou para umas postas de pescada. Segundo ele, o problema do Paulinho é o apoio incondicional do público. É o que se chama um ângulo obtuso sobre o tema do momento. Ora, andava eu pelos blogues a ler que a culpa da greve de fome do nosso avançado se devia aos "não-verdadeiros" Sportinguistas que criticavam a sua fraca produção em frente das balizas e afinal fiquei a saber que é do excesso de apoio que emana a maleita que o afecta. Não querendo fazer tábua rasa sobre o assunto, decidi desligar o televisor a fim de não pressionar o Paulinho com o meu incentivo. Estou agora ansioso por ler as crónicas dos jornais, ciente de que a coisa deve ter acabado numa cabazada de golos do homem de Barcelos. Tinha até planos para ir ver o Guimarães, mas se calhar fico em casa. É que com o estádio às moscas o Paulinho vai facturar. E o seu valor subir. Pelo que no dia em que já não houver um adepto nosso no estádio, vende-se o Paulinho para realizar algum capital, quem sabe transferindo-se então o nosso incondicional apoio para um sempre tão escrutinado qualquer produto da nossa Formação. Genial, o senhor da SportTV. (Queira o meu caro senhor desculpar-me, caso este meu incondicional incentivo ao seu desempenho perturbar futuras tiradas de génio da sua autoria.) 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Manuel Ugarte

 

P.S. Ah, e estamos agora mais próximos da "Final Four", ao contrário do Porto que já está fora. "O que passou-se?", dirão na sede da liga. Houston, we have a problem!? Se calhar, futuramente, é melhor a Taça da Liga avançar directamente para a Final Four pretendida, poupando-se os patrocinadores a estas contrariedades. À atenção do Dr Proença e do "rigor, integridade e defesa do produto Futebol".

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29
Mar21

A todo o gás em Sines


Pedro Azevedo

Sines foi este fim de semana uma porta de entrada para o contentor de golos com que a equipa de futsal do Sporting presenteou a sua homóloga do Benfica. Em jogo estava a Taça da Liga e a amarração dos encarnados iniciou-se com um golo de Merlim, o mago leonino. Antes do intervalo, Rocha refinou um pouco mais o marcador. No segundo tempo o Sporting chegou até aos 5-0, cortesia de Zicky (por duas vezes, há petróleo na nossa Formação!!!) e Pauleta. O Benfica ainda reduziu para 5-2, mas um último golo do capitão João Matos deixou a diferença final no resultado em águas profundas. Uma grande vitória do Sporting e mais um título na carreira do nosso Nuno Dias.

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24
Jan21

Tudo ao molho e fé em Deus

Campeões de Inverno


Pedro Azevedo

Bem sei, estamos em tempo de pandemia. Ainda assim, estes dois jogos em Leiria fizeram-me lembrar um outro tempo, aquele em que uma visita do Sporting à Cidade do Liz servia também para ir com os amigos "matar o bicho" ao Tromba Rija, o que por si só pressupunha que esse bicho, embora não contagioso, ocupasse para aí umas quatro assoalhadas do intestino delgado de cada um de nós. Por vezes a coisa até acabava em azia, sem que tal se devesse propriamente ao epicurismo treinado à mesa. Como naquela ocasião (2000) em que no último minuto o Schmeichel pôs banha a mais nas luvas, a bola escorregou-lhe e saímos do antigo Municipal a lamentar a (má) sorte e a pensar (erradamente) que ainda não seria dessa vez que o Sporting interromperia o seu hiato de títulos no campeonato nacional.

Nada disto viria a acontecer ontem. 

 

Gostei muito do jogo e do comportamento das duas equipas. Num campo com um lago no meio, Sporting e Braga bateram-se galhardamente. Havendo um lago, armei-me em Julius Reisinger, e qual coreógrafo da bola pensei logo em cisnes e no Jovane a bailar sobre os defesas como chave para desbloquear o jogo. O Tiago Martins é que não me pareceu sincronizado com a melodia do Tchaikovsky, nomeadamente quando a meio do primeira parte achou por bem mostrar um amarelo ao Jovane depois de este ter sofrido um toque por trás do Castro e um pisão do Horta, coisa que uns senhores da SportTV validaram enquanto faziam de conta que todo o seu auditório tinha fechado os olhos nesse preciso instante. Pondo-nos a duvidar do que os nossos próprios olhos viam, não fosse vir-nos à memória o velho adágio de que pior cego é quem não quer ver. [Tanto assim é que no fim do jogo ainda tiveram o topete de sugerir demoradamente que o Jovane deveria ter sido admoestado com o segundo(!) amarelo quando à meia-hora se tentou interpor entre o Matheus, um defesa braguista e a bola e tocou ligeiramente no guarda-redes.]

 

Na sequência deste último lance, o Carvalhal e o Amorim foram expulsos, um daqueles insólitos à portuguesa que ocorrem quando o árbitro quer tomar o protagonismo a jogadores e treinadores e, qual pavão, abre o leque (dos disparates). Não me impressionei por aí além, afinal desde pequeno que lido com coisas destas no Jardim da Estrela enquanto alternativa a dar milho aos pombos. Logo de seguida, uma nova rábula: Tiago Tomás disputava a bola ombro-a-ombro com Fransérgio quando levou uma cotovelada que o atingiu na face e o deixou a sangrar nessa zona, obrigando-o a ser assistido fora do campo. Perante o cenário que se lhe deparava, com aquela altivez típica dos ignorantes, Tiago Martins apitou falta contra o Sporting, involuntariamente fazendo de TT o trouxa que enfiou a touca (literal e metaforicamente). Azar do nosso jovem jogador, que por essa altura já tinha desenvolvido guelras, tantas foram as vezes que Sequeira, à margem das leis, o fez mergulhar no lago. Tudo sem que o árbitro visse razão plausível para amarelo, claro, que o miúdo ainda respirava e por isso mantinha boa cor. Estávamos nós nisto, faltas e faltinhas para aqui, habitual não observância da lei da vantagem para ali, critério disciplinar com as arbitrariedades do costume do futebol jogado em Portugal, quando o Elmusrati quis molhar a sopa por um(a) Palhinha, num dois-em-um ainda no nosso meio-campo em que primeiro tocou na bola e depois em quem lhe apareceu pela frente. Foi o tempo dos putos darem o Grito de Ipiranga: o Inácio bateu o livre para as costas do Galeno, o TT fez que ia mas não foi (e assim atraiu o Sequeira, que ficou nas covas) e o Porro teve uma auto-estrada com via verde para o golo. Ainda antes do intervalo, o Pote foi por ali fora qual Moisés abrindo o mar vermelho e quase aumentava o marcador. Uma jogada de grande inspiração (e transpiração) individual. 

 

No reatamento, o Amorim, que já tem uns anitos disto, anteviu o que todos estávamos a prever. Vai daí, antes evitar um xeque-mate que um (ballet de) Tchaikovsky, substituiu o Jovane pelo Nuno Santos. A ideia foi meritória, porém acabou por resultar numa troca entre a quase certeza de virmos a ter menos 1 homem em campo e a realidade de termos ficado em inferioridade numérica mesmo com os mesmos jogadores que o adversário, na medida em que o ex-vilacondense nunca se conseguiu adaptar às condições do terreno(?) de jogo. Ainda assim, até meio do segundo tempo as melhores oportunidades foram nossas, com Pote a testar o Matheus do Braga. Mais à frente, o recém entrado Matheus Nunes protogonizou a melhor oportunidade da etapa complementar, oferecendo a Sporar, outro substituto, um golo cantado. A bola perder-se-ia ingloriamente nas mãos do guarda-redes bracarense. Todavia, essa ocasião surgiu já em contra-ciclo face ao melhor período do Braga. Com a entrada do nosso velho conhecido Iuri Medeiros, os pupilos de Carvalhal carregaram então em cima de nós, mas uma actuação estóica de todo o sector recuado superiormente liderado pelo Ministro da Defesa (Sebastián Coates) e coadjuvado pelos secretários de estado Feddal e Inácio com o apoio dos assessores Porro e Mendes evitou o pior. O que já ninguém conseguiu evitar foi que Pote fosse expulso após dois bizarros amarelos em apenas dois minutos. Foi a forma encontrada por Tiago Martins de encerrar de forma invernal, perdão, infernal, uma actuação que o devia remeter imediatamente para a jarra. Com a água disponível em Leiria, podia ser que aí arrebitasse para se mostrar viçoso em futuras ocasiões. 

 

Já havíamos por duas vezes nos últimos 3 anos sido campeões de Inverno em sequeiro. Ontem fomo-lo também em regadio (o que pode ter parecido precipitação, afinal foi aspersão). Aliás, comme il faut! E se o Inverno voltou a ser o Inverno (do nosso contentamento), por que não o Sporting voltar a ser campeão? Por acaso, campeão até rima com Verão... (Foi absolutamente exemplar a entrevista que Rúben Amorim concedeu à SportTV pouco tempo após o fim do jogo.)

 

Parabéns a todos os Sportinguistas!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Coates

 

P.S. Dedico esta modesta crónica assente numa belíssima vitória à leoa Joana Cruz, excepcional radialista e mulher dotada de uma ironia fina que muito me agrada, nela exortando todas as senhoras que se deparam com o cancro da mama, não deixando também de me associar ao alerta para a necessidade de diagnóstico precoce que a motivou corajosamente a expôr a sua situação. Certíssimo de que a Joana, que não conheço pessoalmente, com o espírito, força e determinação que emanam do que lhe vou ouvindo, lendo e vendo, não dará quaisquer hipóteses à doença, daqui lhe envio os meus votos de rápido restabelecimento. 

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23
Jan21

Final da Taça da Liga


Pedro Azevedo

Hoje, frente-a-frente, vão estar dois treinadores que já venceram a Taça da Liga - Carvalhal, pelo Vitória de Setúbal, na primeira edição da prova; Amorim, pelo Sporting de Braga, na última edição - e os dois mais recentes Campeões de Inverno (Braga em 2020, Sporting em 2019 e 2018). Estarão também em compita dois campeões em título: o Braga enquanto equipa, Amorim como treinador. Em termos mais latos, de um lado teremos o histórico Sporting, do outro o eterno pretendente Braga. Tudo isto serão ingredientes mais do que suficientes para dar sal e apimentar a final de logo à noite, que espero ver concluir-se com uma vitória do nosso Sporting. Força leões!!!

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20
Jan21

Tudo ao molho e fé em Deus

Com Jovanotti a música foi outra


Pedro Azevedo

Esta janela de transferências de Janeiro tem habitualmente o seu quê de "silly season" antecipada, servindo essencialmente para que os clubes que não fizeram bem o trabalho de casa no Verão possam retocar os plantéis e para que os empresários de futebol retoquem também um pouco mais a sua conta bancária. Por isso, as primeiras páginas dos jornais enchem-se de putativas compras de alegados craques. Este ano o panorama não tem sido diferente, registando-se um notório acréscimo do número de notícias relacionadas à medida que o mercado se encaminha para o seu fecho. Em conformidade, o grande destaque da semana foi o Unilabs. Porém, consultadas as minhas fontes - até à hora do fecho desta edição as alcoviteiras do Mais Tabasco não estiveram disponíveis, pelo que fui beber inspiração ao Aqueduto das Águas Livres - , estas, apesar de confirmarem a sua certificação de qualidade para a nossa Liga, apontam-lhe alguma inconstância nas acções, pelo que a sua eventual contratação poder-se-á revelar falsamente positiva.

 

Com o mercado a dominar as atenções de toda a gente, quase não se deu conta que Sporting e Porto defrontavam-se para a Taça da Liga. Acabadinho de empatar o Benfica na gloriosa final da Champions League disputada na pretérita Sexta-feira, o Porto de Sérgio Conceição era o grande favorito para a maioria dos analistas. A coisa era de tal modo um pró-forma que seria uma mera questão de tempo. Quer dizer, uma mera questão de tempo até ao Jovane entrar e deixar o Conceição com um positivo para a azia laboratorialmente confirmado. Nesse sentido, o Rúben Amorim foi particularmente cínico, escondendo o jogo e dando a ilusão ao técnico portista de que eram já favas contadas. Como tal, pôs o Inácio de pé trocado (grande personalidade do miúdo), deixou o João Mário 69 minutos a fazer de holograma e só meteu o Jovane a 12 minutos do fim. Atentem bem neste último dado porque ele é particularmente interessante e advoga bem no sentido da sagacidade do nosso treinador. Eu passo a explicar: é que o Jovane tem esta época uma média de 1 golo a cada 78 minutos, o que estatísticamente lhe teria dado uma probabilidade interessante de fazer 1 golo caso tivesse jogado de início e ainda estivesse em campo por essa altura. O Sérgio Conceição sabia disso. O que ninguém suporia, para além do Mister Amorim, é que, tendo passado esse período no banco, ao entrar não só marcaria 1 como também 2 golos. É que para o Rúben onde vai um, vão todos, e o Jovane, assegurado o primeiro, fez logo questão de partir para o segundo. A sorte do Conceição foi que o jogo terminou logo ali, caso contrário a coisa ainda acabava numa quarentena (de golos) ou assim. E que golos marcou o Jovane! Assim, para celebrar o seu (re)descobrimento, o inaugural foi de embandeirar em arco, como os navios quando anunciam festa. Um golo algumas vezes visto em Figo, num misto de técnica e força. E, como muitos Sportinguistas o tratam como um patinho feio, o que encerrou a contagem foi de bico, à Romário. 

 

No final do jogo estava à espera de ver e ouvir os protagonistas: o Jovane, o Amorim e assim. Imaginei a coisa como se fosse na TV inglesa, com o Lineker em estúdio a tecer loas ao nosso "Jovanotti" e tudo e os Sportinguistas a comunharem a emoção do momento. Mas não, quem apareceu foi o presidente Varandas. Para dizer que hoje estaria na tropa. Um, dois, esquerdo, direito, meia-volta volver, agradeci a informação, encaminhei-me para o quarto e dormi muito mais descansado. Eu sei, tudo isto fez parte de uma grande mise-en-scène de desvalorização da vitória. É que o Benfica A e o B estavam de olhos postos em nós e agora ficaram a saber que nós é mais faca na Liga. Assim, confiantes, diria até falsamente positivos para o que se seguirá, irão até Sábado. E nós, como quem não quer a coisa, dando avanço com o Matheus e o Jovane no banco, no fim cantaremos de galo, que é como quem diz, rugiremos como um leão. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": "The one and only" Jovane Cabral 

 

#ondevaiumvaodoisgolosdejovane

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Que dupla!

18
Jan21

Tudo, assim-assim ou nada?


Pedro Azevedo

Vivemos até hoje na assumpção de que o importante no futebol era a bola, os jogadores e o público. Entretanto, o público desapareceu dos estádios e o tribunal onde se aprovava ou chumbava o desempenho de um jogador passou das bancadas para as enfermarias dos estádios, substituindo-se o aplauso ou assobio à posteriori pela zaragatoa ab initio. É perante este novo-normal de múltiplos condicionalismos que Sporting e FC Porto se apresentarão amanhã em Leiria na primeira semi-final da Taça da Liga, competição sui-generis e com um formato competitivo absurdo que visa apurar por todos os meios legítimos possíveis as teoricamente 4 melhores equipas nacionais para a sua Final Four. Na outra meia-final, um Benfica que parece ter saído do Dragão como vencedor da Champions (apesar do empate) defrontará o actual detentor do troféu, o Sporting de Braga, "Campeão de Inverno" em 2020 com Rúben Amorim ao leme. 

 

Havendo um troféu em disputa ainda que de notoriedade reduzida, a pergunta que hoje formulo aos Leitores é se, por um lado e atendendo à sua grandeza enquanto clube, ambição inata e pergaminhos históricos, deve o Sporting apostar forte no certame ou, por outro, se seria preferível guardar energias para o que resta do campeonato nacional, competição onde à 14º jornada leva 4 pontos de avanço sobre o duo Benfica/Porto e nove pontos à maior sobre o Sporting de Braga. Ainda que esteja por provar que o desgaste de uma Taça da Liga possa provocar assim tantos danos no que resta do campeonato, mais a mais sabendo-se que, eliminados que estamos da Liga Europa e Taça de Portugal, teremos um calendário mais desanuviado que os rivais a partir do mês de Fevereiro, gostaria de auscultar a Vossa opinião. Fico então à espera de saber da Vossa justiça...

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16
Dez20

Tudo ao molho e fé em Deus

O Princípio de Incerteza de Sporar


Pedro Azevedo

Esopo dizia que um pedaço de pão comido em paz era melhor do que um banquete deglutido com ansiedade e o Sporting deu-lhe inteira razão enquanto foi depenicando sob a nova égide da tranquilidade um Pão de Mafra que já se sabia de antemão ter propensão para estaladiço e apresentar alguns buracos no seu miolo.

 

Quem também parece revelar ter buracos no miolo das suas chuteiras na hora de finalizar é o Sporar, fazendo com que as bolas frequentemente as trespassem sem que a olho nu se perceba bem como. O que nos leva ao postulado do Princípio de Incerteza de Sporar que acabei de inventar - o Heisenberg que me desculpe - e reza assim: "Estando bola e Sporar em rota de colisão, quão menor for a incerteza da posição da bola, maior será a incerteza do movimento do esloveno". E assim se vão perdendo golos em barda. Como ontem exclamava um amigo: "C' um cacete!", ou o jogo não fosse contra o Mafra... 

 

Mas o que mais gostei de ver foi o Beckenbauer canhoto que em segredo andámos a formar em Alcochete. Tanta coisa com o Keizer e afinal a solução da Formação estava no Kaiser. É o que se chama "lost in translation"... Gonçalo Inácio é o seu nome. O Bruno Fernandes bem que já havia avisado que ele era o jogador da Formação que mais lhe enchia as medidas, o que dada a classe do Bruno deve ser coisa equivalente em capacidade ao maior tonel do mundo (374 mil litros, para quem tiver curiosidade). Que categoria! 

 

P.S. Pareceu-me penálti (mão) aos 5 minutos. A não ser que por erro de paralaxe meu o contacto do Tiago Tomás (saltou primeiro e sem apoio dos braços) tivesse ocorrido na pequena área (e o guarda-redes do Mafra usasse equipamento de jogador de campo). 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Gonçalo Inácio

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22
Jan20

Tudo ao molho e fé em Deus - "Marxismo-Leoninismo"


Pedro Azevedo

Um homem pensa já ter visto tudo na vida até ao momento em que chega o dia em que se depara com a insólita situação de ter de observar a equipa por quem dispara o seu coração entrar em campo coxa e toda inclinada para a esquerda, qual Titanic à beira de afundar. De facto, do meio-campo para a frente só com uma ala, o Sporting pareceu um carro sem direcção(!), em sub-viramento constante para a esquerda. Dada a tendência, após o "keynesianismo-keizerismo" que marcou um consulado anterior, é caso para dizer que Silas instaurou o "marxismo-leoninismo". A coisa se não fosse trágica até daria vontade de rir. Afinal, o que nos resta fazer quando o nosso lado direito se transforma no prolongamento da A1 com a A3 e, após o rectificarmos ao intervalo com a entrada de Bolasie, o congolês se faz expulsar infantilmente ao fim de 15 minutos? 

 

Dizem-me alguns com olhos doces (olá Régio!) que o Sporting precisa de tempo, enquanto também eles procuram ganhar tempo. Mas não basta ganhar tempo, é preciso saber-se o que fazer com ele. Nesse sentido, o Sporting destes dias faz-me lembrar uma camisola que em tempos descobri na cidade brasileira de Natal e que tinha inscrita a seguinte mensagem: "comecei uma dieta e em duas semanas perdi... 15 dias".

 

Estamos fora das taças nacionais e no campeonato distamos 19 pontos do primeiro classificado. Olhando para a época passada, eu diria que o tempo não nos está a fazer nada bem. É que se me dissessem no Verão que ao fim da primeira volta estaríamos equidistantes em pontos de Benfica e Aves, eu julgaria que os avenses haviam sido comprados por um excêntrico multimilionário árabe estranhamente apaixonado pelos jesuítas do Concelho. Porém, a realidade é bem diversa e hoje ficou bem patente em Braga, onde durante todo o jogo o grande pareceu ser o Sporting local e não o (enorme) Sporting de Portugal. Porque se na etapa complementar ainda pode haver a desculpa da expulsão de Bolasie, no primeiro tempo o nosso lado direito foi um bar aberto que só não deu mais prejuízo devido aos brandos costumes da cidade dos arcebispos. (Já se sabe que bar aberto dá sempre confusão no fim e por 1 minuto já não fomos a tempo dos 'shots ' de penaltis.)

 

O Sporting é um clube cujo futebol se crê assentar sobre brasas. A Formação então deve estar assente num bico de bunsen. Por isso, não quisemos queimar o Demiral, o Domingos Duarte ou os Matheus, da mesma maneira que, com todo o enlevo, hoje também não queremos queimar o Quaresma. E, para não queimar os jovens da nossa Academia, vamos esturricando as sinapses dos dedicados Sportinguistas e depauperando as nossas frágeis finanças ao ritmo das "contratações cirúrgicas". No entretanto, não temos Quaresma mas já temos a Via Crúcis, o que não deixa de ser invulgar mesmo tendo em conta que se trata do nosso clube. As estações são catorze e nós já atingimos a trágica décima segunda. Resta esperar agora pela ressurreição (do clube, porque de Frederico Varandas apenas espero que com toda a dignidade retire as devidas consequências políticas). Haja fé! Sporting sempre!

 

P.S.1: 21 (de Janeiro) e uma capicua: 12 derrotas...

P.S.2: Até o santo do Mathieu, grande profissional e um senhor, já perde a cabeça...

P.S.3: No final do jogo, Mathieu deslocou-se ao balneário do Braga para pedir desculpa ao nosso ex-atleta Ricardo Esgaio. O gaulês, que no dia em que sair me vai deixar muitas saudades, apesar da inicial atitude irreflectida, mais uma vez demonstrou ser alguém portador dos verdadeiros valores do Sporting (se é que ainda alguém se lembra do que isso é).  

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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22
Dez19

Tudo ao molho e fé em Deus - Against all odds


Pedro Azevedo

Dezasseis de Outubro de mil novecentos e oitenta e cinco: Portugal precisava de ganhar na Alemanha e esperar que a Suécia perdesse na Checoslováquia para se qualificar para o Mundial de 1986. As nossas hipóteses eram encaradas por quase todos como meramente académicas. Mas um homem acreditava. Chamava-se José Torres e queria levar a carta a Garcia(*), nem que para isso tivesse de usar a anilha de um dos seus pombos. Na antevisão dessa jornada largara um romântico "deixem-me sonhar", ao jeito de quem ia alimentando a quimera. 

 

Vinte e um de Dezembro de dois mil e dezanove: o Sporting precisava de ganhar em Portimão e esperar que o Rio Ave, que recebia um Gil Vicente já sem aspirações, não vencesse a fim de se qualificar para a "final four" da Taça da Liga. As nossas hipóteses era encaradas por todos como meramente académicas. Desta feita não se sabe se o próprio Silas acreditava. Apenas queria vencer o seu jogo e depois "logo se via", assim como quem primeiro quer terminar o 12º ano e a seguir ver se tem média para a admissão à universidade. 

 

Trinta e quatro anos intercalaram estes 2 acontecimentos, mas a mesma conjugação cósmica sorriu a Portugal (em 1985) e ao Sporting (em 2019). Curiosamente, ou não, ambos os acontecimentos foram marcados por temporais. Em 1985, as tempestades Elena e Gloria; em 2019, as tempestades Elsa, Fabien e... Pinheiro. 

 

Se o Elsa e Fabien causaram a mesma depressão nos nossos adversários que o Elena e Gloria haviam causado nos contendores de Portugal, e como tal deverão ser considerados como benignos em relação às nossas pretensões, a ocorrência da Tempestade Pinheiro foi uma verdadeira ameaça às intenções do Sporting em prosseguir na Taça da Liga. Tudo terá começado numa onda tropical que entrou em Portimão através da África Central, mais concretamente via Congo. Enquanto a onda se ia movendo para noroeste, altas pressões fizeram descer o ar frio sobre o relvado do Portimonense, interagindo com o sistema de forma a se formarem nuvens muito negras que atingiram o seu ponto máximo por volta dos 45 minutos de jogo.   

 

Tendo conseguido reduzir a desvantagem de dois golos que chegou a ter por volta da meia-hora de jogo, a expulsão de Bolasie em cima do intervalo aparentemente comprometia as nossas hipóteses para a etapa complementar. Mas um Sportinguista está sempre preparado para o inesperado, o que só pode ser considerado um paradoxo para quem não vive a nossa saga dos últimos 35 anos. Na verdade, o inesperado e o aleatório estão de tal maneira inculcados na nossa história recente e na nossa memória que, conjugados, desafiam sempre a lógica e o cálculo das probabilidades. Por isso somos uns desmancha-prazeres para os jogadores dos vários sites on-line de apostas. Imagino o fluxo de palpites a favor do Portimonense durante o intervalo do jogo e a decepção que isso deve ter criado a muito boa gente... Ainda por cima com pormenores de malvadez. Não se faz! Então não é que os até aqui obscuros Camacho e Plata desataram a marcar? Ou que o Felipe das Consoantes trocou a gastroenterite que deixou no banco pelo corrimento de golos que vem marcando? No meio desta imprevisibilidade, somos também nós um ciclone. Em certos dias não há Pinheiro que resista, noutros perdemos a força e dissipamo-nos.

 

Vem aí o Mercado de Inverno. Eu gosto muito de mercados. Vou com frequência ao da Ribeira ou ao de Campo de Ourique. Paga-se um valor razoável e geralmente ficamos bem servidos. Já em relação ao Mercado de Inverno fico sempre desconfiado. Tem uma publicidade muito negativa por geralmente se pagar caro por uns refugados. Por isso, os críticos não o recomendam. Não figura em nenhum Guia Michelin e não augura um GoodYear. E para "encher pneus" já temos em casa "alimento" suficiente. Mas isso sou eu, que com tanto pneumático até perco a vontade de ser fleumático.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (duas assistências para golos em momentos fundamentais do jogo). Vietto, 1 golo e uma assistência, Plata (o golo da reviravolta), Luiz Phellype (1 golo) e Camacho (grande golo, mas cometeu a penalidade que abriu o marcador) também se destacaram. Destaque ainda para mais uns minutos concedidos a Battaglia e para a Max, que paulatinamente vai consolidando a titularidade na nossa baliza.

 

(*) Carta a Garcia: durante a insurreição cubana contra os espanhóis, o presidente americano McKinley entregou uma missiva dirigida a Garcia, o líder dos rebeldes cubanos. Com essa missiva pretendia manifestar o apoio do seu país à sublevação contra os espanhóis. Para tal, chamou um mensageiro que assim ficou com a missão de entregar a carta a Garcia, daí para a frente aplicado como expressão que pretende determinar o cumprimento de um objectivo. . 

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05
Dez19

Tudo ao molho e fé em Deus - Auto da fé


Pedro Azevedo

O Sporting voltou a Barcelos para jogar com as reservas(!) do Gil Vicente e novamente encenou o clássico auto da barca do inferno, apenas interrompido por "un grand finale" de auto da fé protagonizado pelo habitual génio da lâmpada (Philips, o PSV que o diga), Bruno Fernandes, o anjo que conduziu a barca, os seus tripulantes, Silas, a Estrutura e todos os passageiros adeptos Sportinguistas até porto seguro, mostrando conhecer bem o significado do símbolo que leva ao peito. Diz-se que Deus se move de uma forma misteriosa, e isso talvez explique a razão pela qual um anjo cuja permanência entre nós alegadamente estragou elaboradíssimos planos da pólvora (seca?) para a época acabe por sistematicamente a todos resgatar das trevas...  

 

O jogo não diferiu muito do anterior, espaçado que foi de apenas 3 dias. A nuance foi que Silas preferiu apostar num onze muito semelhante, submetendo os seus jogadores a um esforço maior e não rodando a equipa - tirando Bruno, Acuña, Mathieu e, vá lá, Coates será que faz assim tanta diferença quem jogue? - , e Vitor Oliveira mudou praticamente tudo. O défice de condição de alguns futebolistas ficou bem patente quando Wendel pareceu guiar um Mini perante um gilista que circulava de Ferrari sobre a direita do ataque da equipa de Barcelos. O Sporting voltou a mudar de táctica, partindo de um duplo pivot mas com uma definição tão confusa mais à frente que até fez a aprendizagem do mandarim parecer fácil comparativamente. Silas concedeu mais uma boa oportunidade a Miguel Luís e voltou a dar minutos a Rafael Camacho, em ambos os casos com os (não) resultados do costume. Em contrapartida, Matheus Nunes (não jogou nos sub23) voltou a não ser utilizado e logo na competição desenhada para que os jovens possam ser testados, algo pouco compreensível. O mesmo em relação a Rodrigo Fernandes, um miúdo atirado às feras num jogo de campeonato e substituído ao intervalo para não mais voltar à equipa. E no fim Silas ainda se queixa de ter muitos jogos (para que serve um plantel vasto e com um custo muito superior ao que a nossa realidade poderia acolher?)... Por outro lado, vejo o Fernando, uma contratação (empréstimo) literalmente curúrgica, a provocar um "traumatismo ucraniano" ao Bruno Tavares, que vê a sua progressão nos sub23 estagnar para que o brasileiro possa ganhar ritmo. Haverá certamente uma racionalidade nisto tudo, mas deverá ser de tal forma inteligente que eu não a compreendo. 

 

Qual é a política desportiva do futebol do Sporting? Recuperar jogadores para o PSG e o Shakhtar Donetsk? Vender qualidade e comprar banalidade? Renunciar à sua matriz formadora e não lançar os jovens perante os conhecidos constrangimentos financeiros e de tesouraria? Até quando teremos jogadores de qualidade cuja venda seja capaz de sustentar o défice brutal de exploração da SAD? E quando tivermos vendido a última pérola, o que fazer, qual o nosso desígnio? Apostar definitivamente na Formação e baixar significativamente os custos com pessoal ou ser uma barriga de aluguer para clientes de luxo? Tudo isto carece de explicação, se é que há alguma. Até lá há que ter fé. Mas do tipo de auto da fé de Gil Vicente interpretado por Bruno Fernandes, não do tipo de auto de fé onde quem critica sustentado em factos que compõem uma realidade (e não uma percepção) possa ser tratado como um herege no mundo do leão e misturado por entre vários epítetos com outras realidades bem diversas. É que para lendas e narrativas basta-me o Herculano, esse pelo menos era um mestre da palavra com quem se podia aprender alguma coisa.  

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes. Destaques, pela positiva para Coates (o Ministro da Defesa esta noite), Neto e Vietto (duplamente bem no segundo golo) e pela negativa para Acuña, um jogador que volta a mostrar sinais de nervosismo extremo na vizinhança da abertura de nova janela de transferências (será coincidência?). 

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27
Set19

Tudo ao molho e fé em Deus - Geometria de Murphy


Pedro Azevedo

O Porto campeão europeu de Mourinho jogava com 3 médios de perfil e ganhou tudo. O Sporting da primeira época de Keizer jogava com 3 médios de perfil e ganhou duas taças. Na segunda época, com a integração de Vietto, o holandês começou a recorrer à geometria. Primeiro pediu a Wendel que fechasse mais na interior esquerda, o que na prática motivou um triângulo a meio-campo de cariz defensivo. Insistindo no argentino - dado que a experiência anterior não correu bem na pré-época - , Keizer montou a Táctica do Quadrado, com Wendel e Doumbia em linha atrás e Bruno e Vietto em linha à frente, o que na prática se revelou tão mortífero para si quanto um suicídio assistido. Ex-treinador do Ajax despedido, chegou Leonel Pontes. E ao segundo jogo implementou o losango. Três derrotas consecutivas depois, os gregos que me desculpem, mas estou farto de geometria. Axiomático como Euclides, Leonel utilizou o método de exaustão de Arquimedes para desesperar os adeptos leoninos, o que não terá desagradado aos espíritos de Sófocles, Eurípedes ou Ésquilo esta noite presentes nas bancadas de Alvalade, que certamente terão recolhido bom material para uma tragédia grega.  (Ou quando o andar a brincar à geometria se associa à Lei de Murphy e cria o caos.)

 

O Sporting tem um plantel desequilibrado e escassos jogadores que façam a diferença. Apesar disso, tinha algumas rotinas no 4-3-3. Com pouquíssimo tempo de trabalho, Leonel ousou mudar isso. Correu-lhe muito mal. Curiosamente, em contraciclo com a hiper-inflação de alas que resultou de um Mercado de Verão perfeitamente caótico para o leão, responsabilidade primeira que tem de ser assacada a Frederico Varandas e à famosa Estrutura. De betão armado (em parvo, quer-me parecer). 

 

O Sporting perde na mesma época em casa duas vezes contra o "mighty" Rio Ave. Depois de também ter sido batido em Alvalade por outro "gigante" (o recém-promovido Famalicão), em jogo onde foi humilhado no segundo tempo tal como na Supertaça. Leonel diz que não pode fazer milagres, mas a própria sequência de resultados em si é miraculosa. Para os nossos adversários, obviamente.

 

Já fora da luta pelo campeonato, com o habitual brilharete na Taça da Liga comprometido e à beira do quinto treinador em apenas 1 ano (é obra!), Frederico Varandas tem sido um factor de instabilidade para a equipa de futebol do clube. Ao ponto de neste momento ter um prazo curto para realizar uma tarefa: desatar os nós que ele próprio criou. Tarefa essa que não se afigura fácil quando o mercado está fechado, Daniel Bragança, Francisco Geraldes e Matheus Pereira emprestados e Domingos Duarte vendido; em contrapartida, existe um claro excesso de alas, insuficiência de pontas de lança, jogadores longe do pico de carreira, equipa em défice de condição física alarmante e falta de qualidade geral (14 contratações e 40 milhões de euros investidos depois).  Salvam-se Bruno Fernandes, Acuña, Mathieu, os de sempre. E pouco mais.

 

Esta noite, com uma equipa mista de titulares e de segundas linhas, o Sporting perdeu com as reservas do Rio Ave. Jogadores a chocar no campo uns com os outros, erros defensivos de principiante de Ilori e Rosier, "inconseguimento" total de compreensão do que é o jogo por parte de Borja, abaixamento de forma de Wendel, recidiva de lesão de um jogador recém-regressado de paragem prolongadíssima (Battaglia) que é obrigado a fazer dois jogos no espaço de 3 dias perante a complacência da "Unidade de Performance" são tudo motivos de preocupação. Some-se o ar de desespero de Bruno Fernandes, o homem que carrega o nosso céu nos ombros há tempo de mais, o qual se encontra visivelmente à beira de um esgotamento ou ataque de nervos, e será caso para declarar o estado de emergência na nação leonina. Digo eu, pois Varandas não sei se já estará preocupado. Até porque, ao fim de duas vitórias, dois empates e cinco derrotas em nove jogos, é certo que irá continuar a ouvir elogios e sentir pancadinhas nas costas dos dirigentes de clubes nossos rivais...

 

Sem resultados desportivos, aposta na Formação ou tesouraria, "quo vadis" Sporting?

 

Venha o Tiririca, pior que 'tá, não fica!

 

Tenor "Tudo ao molho...": os poucos adeptos (uns heróis!) que, acorrendo a Alvalade, se concentraram exclusivamente em apoiar a equipa de futebol do Sporting Clube de Portugal.

 

P.S. Independentemente dos resultados obtidos na equipa principal, espero sinceramente que se reunam as condições (e a motivação do próprio) para que Leonel Pontes possa continuar o bom e importante trabalho que estava a desenvolver nos Sub-23, o que não pode ser considerado menosprezante. O Sporting não pode continuar de costas voltadas para os escalões de formação e Leonel parece ser um homem talhado para artífice dessa última linha de produção da "Mina de Diamantes" de Alcochete.

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28
Jan19

Faca na Liga


Pedro Azevedo

Na última semana, o futebol português teve a sua sede em Braga. A pretexto da Final Four da Taça da Liga, o presidente da Liga, Pedro Proença, convidou os clubes para uma reflexão sobre o futebol português. Interrogado por repórteres no final do jogo decisivo da Allianz Cup, Proença declarou, em jeito de balanço, que "tudo correu muito bem". Mas correu?

 

Comecemos pelos presidentes e pelo que deixaram transparecer: António Salvador disse de um árbitro o que Maomé não afirmou sobre o toucinho, Frederico Varandas classificou as três reacções à perda de um jogo no contexto do futebol português como de "dignidade, histeria e cobardia", e Luis Filipe Vieira pediu a cabeça do "varíssimo". Só Pinto da Costa manteve a boca fechada. Atenção, com esta resenha não estou a concentrar as criticas no que foi dito, muito menos no presidente do Sporting (expressou a realidade) que se não tem falado iria ouvir muitos reparos de adeptos e sócios sportinguistas (preso por ter cão, preso por não ter...), mas apenas sensibilizar no sentido em que isto traduz o actual ambiente à volta do jogo em Portugal, perante o qual não se deve assobiar para o ar.  

 

Dos treinadores também se ouviram os ecos: Abel Ferreira foi (a)bélico, de punho fechado contra a mesa, ar esgazeado, bramindo a voz contra a arbitragem do jogo do Braga. Sérgio Conceição reendereçou a medalha de finalista para as bancadas e tomou a iniciativa de retirar a sua equipa do relvado quando o Sporting se preparava para subir à Tribuna para receber a taça. Mesmo Bruno Lage disparou um timido "entre o é e o não é há uma diferença enorme". Apenas Marcel Keizer se conteve, ele que viu a sua equipa ser coroada como campeã de inverno.

 

Todos estes sinais demonstram à evidência que as coisas não estão bem e que dificilmente melhorarão se não forem tomadas medidas e/ou se as entidades competentes não agirem, sob pena de a violência verbal se continuar a alastrar aos adeptos até ao limite da insanidade e da violência física. Certos comportamentos em conferências de imprensa são absolutamente inadmissíveis e outros demonstram uma falta de "fair-play" que não se coaduna de forma alguma com o espírito das grandes competições.

 

Pegando no caso de Sérgio Conceição, alguém imagina as principais ligas europeias, ou a UEFA, contemporizarem com a ausência de uma das equipas na hora da entrega de um troféu? No futebol existem geralmente 3 resultados possíveis, numa final apenas dois. Quem não está preparado para perder, também não saberá ganhar. Há que perceber que, num determinado dia, uma equipa pode ser melhor do que a nossa ou, simplesmente, ter mais sorte. E isso deve ser aceite por todos, na medida em que, fazendo-o, se está a dignificar a própria competição. Sérgio, de alguma maneira, até o reconheceu na análise ao jogo, infelizmente não o fez pelos actos. Acresce que, ao dizer que o adversário não precisava da presença do Porto para levantar a Taça, Conceição nega o espírito que devia nortear as grandes competições, de honra aos vencidos, glória aos vencedores. Porque a vitória do Sporting tem outro mérito por haver outra equipa igualmente bem preparada, como é o caso do Porto, que poderia perfeitamente também ter triunfado. Nesse sentido, abandonar o relvado na hora da consagração do rival é sair sem honra nem glória. E é não saber valorizar o esforço da sua equipa para tentar atingir a glória e a própria competição. Maus sinais, portanto. Por isso, Sérgio Conceição, treinador com quem até simpatizo, desta vez esteve mal. Muito mal. É tempo de arrepiar caminho e todos, efectivamente, reflectirem - mais evidências e menos aparências - , pois o futebol português não pode estar sitiado por um conjunto de "bullyers" que condicionam a atitude dos adeptos - hoje mais mobilizados "politicamente" do que pelo amor ao belo jogo - e não deixam vir à ribalta os verdadeiros protagonistas: os jogadores.

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28
Jan19

Tudo ao molho e fé em Deus - Taça Durex


Pedro Azevedo

Estive aqui a reflectir - o marketing é uma actividade que estimula e em mim exerce um grande fascínio - e proponho que, depois de Taça Senhor Lucílio Baptista e de Taça da Carica, passemos a designar esta competição como Taça Durex. Isso mesmo! É que sempre se evitavam tantos "penáltis" (o encanto da liga, e tal...), não é verdade? 

 

Como as coisas estão - "penáltis" a toda a hora -, esta denominação oficial de Allianz Cup soa um bocadinho a publicidade enganosa, pois ficam todos a pensar que estão a jogar pelo seguro...

 

27
Jan19

PetroMAX


Pedro Azevedo

Num jogo em que os adeptos leoninos tributaram o seu apreço a uma série de heróis improváveis -  Diaby, Renan (outra vez!!), André Pinto - é justo destacar a prestação de Radosav Petrovic. O sérvio não hesitou - ademais depois de um primeiro sacrifício pela equipa, tendo entrado para jogar fora da sua posição natural - em permanecer em campo mesmo sabendo que tinha o nariz partido. É impossível ignorar o seu foco princípal na altura em que o infortúnio lhe bateu à porta: "deem-me uma camisola" passará justamente à história como a marca mais brilhante da sua presença entre nós, feita da determinação extrema com que ontem à noite iluminou toda a equipa. Com toda a justiça.

 

De patinho feio a belo cisne (ainda que de nariz torto), ou como uma exibição feita de sacrifício, abnegação e comprometimento com o grupo e o clube merece o aplauso deste sócio. Esforço, dedicação, devoção e glória, assim é o Sporting Clube de Portugal!

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27
Jan19

7-3 em oportunidades de golo (ah e tal, o domínio do Porto...)


Pedro Azevedo

Se bem que o Porto, por mérito próprio e por vicissitudes que acometeram ao Sporting, tenha dominado uns bons 30 minutos da segunda parte, a verdade é que a equipa leonina teve bastantes mais oportunidades de golo. Assim, para além dos golos, enquanto o Porto só criou perigo em duas finalizações de André Pereira, o Sporting poderia ter marcado por Nani e Raphinha (duas ocasiões cada), Bruno Fernandes e Bas Dost. Isto é o que nos diz a inexorável frieza dos números...

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27
Jan19

Tudo ao molho e fé em Deus - O Inverno do nosso contentamento


Pedro Azevedo

Confesso que não estava especialmente confiante antes do jogo. Vendo e ouvindo a antevisão televisiva, nos vários canais, pior fiquei: a média das probabilidades a nós atribuídas era a alegria dos cemitérios de um sportinguista.

Com esta carga em cima, sentei-me à frente do televisor. Sintonizei a SportTV. Os comentários iniciais foram no mesmo sentido, como se o jogo já tivesse terminado antes mesmo de ter começado e o que nos fosse dado a assistir daí para a frente, uma mera formalidade.  

 

Passado um curtíssimo ímpeto inicial portista, o Sporting pegou no jogo. Incrédulo com o que via no relvado, o comentador tardou a dar o braço a torcer. Pelo menos muito mais tempo do que André Pinto ou Petrovic demoraram a dar o nariz a partir. A verdade é que as melhores oportunidades no primeiro tempo foram dos leões. Com a excepção de uma cabeçada de André Pereira, todos os lances de perigo foram nossos, destacando-se dois remates desenquadrados de Nani, uma carambola em Raphinha que quase tomava o rumo da baliza e um livre de Bruno Fernandes a tirar tinta ao poste, em jogada precedida de um cartão amarelo-alaranjado atrbuído a Felipe. Perante isto, o senhor da SportTV disse que o Sporting tinha conseguido equilibrar o jogo. (Não tenho a certeza, mas talvez não fosse má ideia entregar a decisão das partidas ao senhor comentador da SportTV. Assim, ambos nos poupávamos ao incómodo: nós, de ver os jogos; ele, de ter de se interrogar porque é que tudo correu ao contrário da sua lógica das coisas.)

Entretanto, o árbitro mostrava total desprezo pela "lei da vantagem" e dava cartões conforme a vontade das bancadas, para o efeito transformadas num circo romano de polegares para cima e para baixo consoante a vontade da maioria ruidosa. Em consequência, Acuña viu um amarelo incompreensível e Keizer, assustado, no reatamento decidiu colocar Jefferson no lugar do argentino. 

 

A troca dos laterais esquerdos abria uma perspectiva tenebrosa para o segundo tempo e a expectativa não saiu gorada: entre ajoelhamentos defensivos e perdas de bola no ataque, o brasileiro contribuiu da forma habitual para a (hiper)tensão deste adepto. O que isto foi de dar de fumar à dor (até à exaustão)...Para piorar o cenário, o "soundbyte Abel(ico)" de que o futebol não é basquetebol produziu efeitos e André Pinto caiu por terra - sangrando abundantemente do nariz - após uma cotovelada de Marega, tudo sem qualquer admoestação de João Pinheiro. Sem centrais no banco entrou Petrovic, o qual pouco tempo depois também se magoou na mesma zona. O jogo voltou a ficar interrompido, o sérvio esteve fora do campo a ser assistido (Miguel Luís chegou a estar de prevenção para entrar, de forma a que Gudelj pudesse recuar para a defesa), e as várias adaptações em tão curto espaço de tempo criaram alguma desestabilização (e mesmo pontual desorientação) na equipa leonina. O Porto, liderado por Brahimi, aproveitou, embora sem criar grande perigo, excepção feita a nova cabeçada de André Pereira, desta vez para defesa de Renan Ribeiro. Até que, num lance onde Gudelj estava muito metido na área e Wendel demorou um pouco a fechar, Herrera rematou praticamente sem oposição. O tiro não saiu colocado, mas Renan calculou mal a trajectória e deixou a bola ressaltar para a frente, proporcionando a recarga vitoriosa do recém-entrado Fernando. 

 

A perder a 10 minutos (mais descontos) do fim, Keizer arriscou o que pôde - já só tinha uma substituição possível - e trocou Gudelj por Diaby, recuando Nani para organizar o jogo com Bruno Fernandes. Sob a batuta dos capitães, o Sporting tomou as rédeas da partida e começou a ameaçar as redes de Vanã. Eis então que, num lance insólito, Diaby antecipa-se na área a Oliver e é carregado por este, em jogada sem perigo iminente. João Pinheiro não viu, mas o BiVAR (é verdade!!) chamou-lhe a atenção. Após visionamento das imagens, assinalou "penalty". Bas Dost converteu, igualando o marcador. O Sporting podia ter decidido o jogo ainda no tempo regulamentar, mas Vanã salvou miraculosamente o Porto ao defender um remate de Raphinha que concluiu uma assistência soberba de Bruno Fernandes. 

 

Seguimos para "penáltis" e o Sporting voltou a falhar primeiro. Após novo golo de Dost, Coates repetiu o falhanço da semi-final. Mas Renan tornava a baliza pequena e Militão escolheu (acertar no painel d`) a Super Bock. Bruno marcou com a classe do costume, e quando Hernâni partiu para a bola comentei para o lado que iríamos ganhar. Estatisticamente, os canhotos geralmente cruzam a bola nos penáltis e Renan também assim o pensou e defendeu. A conversão de Nani deixou-nos muito perto da vitória. Ficámos com duas hipóteses em aberto para ganhar o jogo: se o Porto falhasse a penalidade seguinte, ou Raphinha convertesse a última, o Sporting ganharia. Para sossego do meu coração, Felipe acertou no travessão e começou a festa. Abracei todos os que estavam à minha volta e já não ouvi os comentadores, mas admito que tenham tido uma noite longa a explicar como o Porto perdeu um jogo antecipadamente ganho. Deve ter sido coisa para um certo monólogo shakespeariano que envolve a constatação de que a consciência tem um milhão de diferentes vozes...

 

Na Pedreira, o Sporting levou a Taça e Keizer ganhou o seu primeiro título como treinador. Foi a segunda vitória consecutiva dos leões na competição, com a curiosidade dos 4 jogos da Final Four terem sido ganhos por penáltis. Já se sabe, connosco é sempre a sofrer até ao fim. Destaque-se também que ganhámos os últimos 8 jogos (!!) de mata-mata disputados contra o FC Porto (ninguém diria, pois o tratamento dispensado pela CS foi sempre de "underdog"), o que nos torna já numa espécie de São Jorge (proponho-o para padroeiro do clube) para os dragões, mesmo que neste caso tenhamos tido menos um dia de descanso e a erosão psicológica adicional de uma (prolongada) série de grandes penalidades. 

 

E assim, ao contrário das primeiras linhas de Ricardo III - "(Este é) o Inverno do nosso descontentamento" - , ou do livro homónimo de John Steinbeck, somos os CAMPEÕES DE INVERNO!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (mas "Renan é grande", como disse Dost). Num segundo plano, Petrovic, Coates e Nani (quando passou para o meio) estiveram acima dos restantes. Destaque ainda para Diaby, providencial ao ganhar a grande penalidade.

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26
Jan19

Aí leões!!!


Pedro Azevedo

O jogo não será no (Estádio do) Lima, mas sim na Pedreira. (Pedra lascada, portanto.) Infelizmente, não estará lá presente, pelo menos fisicamente, aquele que considero o melhor actor português de sempre, o sportinguista António Silva, a quem aqui singelamente homenageio. De um leão da Estrela para O Leão da Estrela, com o desejo ardente de que saiamos vitoriosos. Aí leões!!!

 

P.S. Ó Barata (Erico Braga), desculpa lá qualquer coisinha, mas vai ter de ser...

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24
Jan19

Tudo ao molho e fé em Deus - Brexit/Braxit


Pedro Azevedo

"You like potato, I like potahto

you like tomato, I like tomahto

potato, potahto, tomato, tomahto.

Let`s call the whole thing off" - Louis Armstrong

 

A decisão foi adiada o mais possível, mas finalmente terminou o impasse: Brexit ou Braxit, o Braga está fora da Taça da Liga. Aos bracarenses de nada lhes valeu um bíblico Abel, ou mesmo um Salvador, pois na hora da verdade quem passou à história foi Renan (um herói). 

 

Tive sentimentos mistos ao ler a constituição de equipa do Sporting. Por um lado, fiquei contente por ver que tínhamos reforçado o nosso PH (Raphinha e Luíz Phellype), por outro triste pelas ausências de Geraldes (banco) e de Jovane (bancada). Quem estudou química sabe que um maior PH aumenta a basicidade, de alguma forma aquilo que nos atraiu no jogo posicional ("keep it simple") de Keizer. Por relação simétrica, também diminui a acidez (nossa), mas não impede a de quem connosco interage, podendo até dar azia, algo que foi particularmente visível na "flash-interview" de Abel Ferreira, sempre useiro e vezeiro (e agora, não Peseiro) a destilar a sua bilis quando defronta o Sporting. É que por muito que se peça lucidez, no laboratório do futebol português nada se passa a temperatura e pressão constantes e, como veem, está tudo ligado...

 

Não desprezando que jogava em sua casa, na Pedreira - no final, o Abel e o Salvador fartaram-se de "partir pedra" -, a verdade é que durante os 90 minutos o Braga foi mais equipa. Logo a abrir, demasiado espaço entre as linhas defensiva e média leoninas permitiu à equipa liderada por Abel encontrar um homem solto de marcação (João Novais) à entrada da área e com tempo para mostrar a sua qualidade de passe. Do cruzamento resultaria o golo de Dyego Sousa. Ainda mal refeitos, os leões estiveram quase a sofrer outro golo de seguida. Valeu a mancha de Renan perante Wilson Eduardo. O Braga era mais intenso e os seus jogadores chegavam naturalmente primeiro à bola. Quando isso não acontecia, Manuel de Oliveira marcava falta contra o Sporting, como numa entrada de Bruno Viana a fazer lembrar aquela música do Psycho Killer, dos Talking Heads. Passou mais de um quarto de hora até finalmente os comandados de Keizer levantaram a cabeça. O protagonista foi Raphinha. O brasileiro tomou-lhe o gosto e voltou a ter uma soberana oportunidade após soberba assistência de Nani, mas falhou o chapéu a Marafona. Adivinhava-se o golo do Sporting, mas antes ainda tivemos o primeiro momento de excesso de zelo do jogo, quando o árbitro deixou seguir isolado para a baliza um jogador bracarense que já se encontrava em Guimarães no momento em que lhe passaram a bola. Bem sei que as regras mandam prosseguir os lances até posterior visionamento do VAR, mas um pouco de bom senso não fica mal a ninguém. Finalmente, os leões lograram empatar a partida. E de bola parada, após excelente cabeceamento de Coates, que correspondeu a um canto muito bem marcado por Acuña. Logo de seguida, o argentino falhou o segundo, naquela que foi a melhor jogada colectiva do Sporting no jogo e que envolveu a participação anterior de Bruno Fernandes e Nani.   

 

O segundo tempo começou como o primeiro, com um golo do Braga. Não se compreende bem como é possível anular um golo destes, pois o toque de Dyego Sousa em Acuña pareceu um lance natural no futebol. A verdade é que conseguimos sair vivos e, posteriormente, poderíamos ter matado o jogo, mas aí o árbitro, após visionar as imagens, não conseguiu ver um "penalty" claro para todos (menos para o comentador da SportTV, que disse que " se fosse em Inglaterra...") cometido sobre Coates. Enfim, a fita do costume da arbitragem portuguesa e a certeza de que Manuel Oliveira não terá certamente a longevidade na carreira do seu homónimo realizador cinematográfico, embora se queira fazer parecer que a culpa de tudo é do VARíssimo. Só falta mesmo este meter uma licença por tempo indeterminado... Quanto ao "se fosse em inglaterra...", aguardo com ansiedade o comentário deste senhor a um dos próximos jogos da Premier League, nomeadamente quando um guarda-redes saltar com um avançado adversário e o árbitro nada sancionar...

Para não variar, o Sporting continuou a ser um motor a diesel que foi melhorando com o tempo. Durante bastante tempo voltámos a ser antecipados nas disputas de bola e faltou energia nos duelos individuais. Ainda assim, de realçar uma cavalgada impressionante, costa-a-costa, de Wendel. Mas o Braga poderia ter marcado quando Raul Silva acertou no travessão. De seguida, um momento polémico: Goiano (já tinha um amarelo) estorvou faltosamente Bas Dost quando este iniciava um contra-ataque. Novo amarelo (e concomitante expulsão) por mostrar? Até ao final do jogo conseguimos ficar ligeiramente por cima, embora não o suficiente para fazermos a diferença. 

 

E lá fomos para penáltis. Já sabíamos que Marafona era um especialista e conseguiu defender as penalidades apontadas por Dost (o que se passa?) e Nani (que nunca foi grande marcador). O que desconhecíamos era que Renan ainda era melhor. O brasileiro defendeu por três vezes, negando o golo a Ricardo Horta, Murilo e Ricardo Ryller. Pelo meio, Paulinho e Coates haviam atirado à trave e ao poste, respectivamente. (Ambos os guarda-redes pareciam os únicos elementos sóbrios numa despedida de solteiro que tinha descambado numa bravata de penáltis.) Após a derradeira parada de Renan, pensou-se que o jogo tinha terminado, mas afinal estava a começar: Abel e Salvador logo tomaram conta dos microfones, mostrando a habitual indignação de quando perdem contra o Sporting. Curiosamente, tal nunca ocorre quando o contendor é o nosso vizinho da Segunda Circular, e até andam há mais de 10 anos para lhes bater o pé... O "sindicalista" Abel foi o primeiro a falar, num longo discurso sobre a precariedade laboral dos treinadores e jogadores de futebol face ao seguro emprego dos homens do apito. Depois, falou Salvador, que viu penáltis quase minuto-a-minuto e terminou com uma expressão deliciosa para justificar com indignação a razão pela qual Gudelj deveria ter sido expulso: "1 mais 1 deu 1, e não 2...". Pois, Salvador, eu sei, é chato e, ao mesmo tempo, é a sensação que todos nós, sportinguistas, temos quando o Braga defronta o Benfica. É que, certamente, para muito pesar e infelicidade do Braga, a coisa acaba quase sempre num "E Pluribus Unum"...

 

Nota final: Afinal, o senhor do "em Inglaterra" é um oráculo. É que ele já estava a ver o Brexit (ou Braxit) a desenrolar-se à volta dele...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Renan Ribeiro

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