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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

01
Ago21

Tudo ao molho e fé em Deus

O leão voltou a rugir


Pedro Azevedo

O Carvalhal já não pode ver o Sporting pela frente. Vai daí, é natural que comece a procurar outras opções que não o Braga para a sua carreira. Ontem, por exemplo, estreou uma indumentária que o candidata a próximo treinador português da selecção de futebol da Venezuela, a célebre Vinotinto. Estou aliás convencido de que nesta altura da sua carreira até pode ser palhete, o Carlos já só quer é que o tirem dali e lhe acabem com o sofrimento. (Cada vez que defronta o Amorim é como se o Comissário Dreyfus avistasse o Inspector Clouseau.)

 

Na verdade, o homem pouco mais pode fazer na Pedreira: estuda bem o adversário, condiciona-o uma boa parte do tempo, joga com critério, mas no final o resultado é sempre o mesmo. É coisa para deixar qualquer um sem norte... Em Aveiro, durante 20/25 minutos o Braga não deixou o Sporting sair do seu meio-campo. O segredo esteve na pressão que Al Musrati e Fransergio exerceram sobre Palhinha e Matheus Nunes, não os deixando receber a bola e virarem-se para o jogo. Só que o Sporting tem outros recursos e um passe de meia distância de Nuno Mendes a corresponder à desmarcação de Jovane acabou por matar os braguistas e a estratégia do seu treinador. Como se não bastasse, pouco depois o Pote marcou um golo do outro mundo. Um golo que poderia ter sido marcado à Bélgica, se o Engenheiro não o tivesse condenado a umas férias ainda assim bem remuneradas no centro da Europa. É o que dá ter uma lâmpada mágica ali bem ao pé, no banco, e nunca passar-lhe a mão para deixar sair o génio...

 

O segundo tempo teria sido um deleite para a nossa vista caso não existisse no futebol o objectivo de meter a bola dentro de uma baliza. Tivemos por isso nota artística, mas faltou a nota técnica de remate para uma exibição muito conseguida. O Pote, o Nuno Mendes e o Matheus Nunes estiveram muito bem e durante 35 minutos o Braga nem cheirou a bola. Só nos últimos 10 minutos é que os braguistas puseram a cabeça de fora, mais por consequência da troca do trio da frente Sportinguista do que por outra coisa. Substituindo quem segurava a bola por jogadores com características de exploração do espaço para transição, Rúben Amorim deixou de ter bola no meio campo do Braga e expôs-se de alguma forma a uma última investida dos minhotos. Mas o nosso meio-campo, mesmo amarelado, e a nossa defesa estiveram impecáveis, e tudo não passaria de umas tímidas tentativas de criação de perigo através da bolas paradas sacadas por competentes mergulhadores braguistas. Uma nota para o labor e inteligência do duo central do nosso meio-campo, muito cedo condicionado com admoestação por João Pinheiro, o mesmo árbitro que olimpicamente ignorou uma biqueirada por trás de Paulo Oliveira nos gémeos de um atacante Sportinguista que se procurava isolar. Mas esqueçamos o Pinheiro e olhemos, sim, para a floresta: este Sporting deixa água na boca. Ontem, duas ou três combinações colectivas de altíssimo nível fizeram-nos sonhar. Assim haja eficácia! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pote 

supertaça 2022.jpg

31
Jul21

De “underdog” a “under pressure”


Pedro Azevedo

Embora a "silly season" futebolística ainda esteja para durar - a janela de transferências continua aberta e isso é uma garantia de alarmantes parangonas da imprensa escrita e de programas de TV onde uns indivíduos já com idade para terem juízo peroram demorada e especulativamente sobre o sexo dos anjos enquanto não arranjam um tacho como directores desportivos de clubes que vão 10 anos à frente não se sabe em que modalidade ou habilidade - , para hoje está marcada a disputa da Supertaça. É uma especie de "rentrée", uma Festa do Pontal do futebol português, embora em bom rigor a nova época desportiva já se tenha iniciado com jogos a contar para a Taça da Liga. 

Ora, Sporting Clube de Portugal e Sporting Clube de Braga vão esta noite medir forças em Aveiro, não num mítico Mário Duarte que se enquadrava na perfeição num belíssimo jardim público mas sim num elefante branco ferrugento e símbolo do novo-riquismo tuga. Os analistas dão o Sporting, o nosso, o de Portugal, como favorito, e eu penso que esse poderá ser o maior obstáculo ou desafio que se deparará aos pupilos de Ruben Amorim. Vou passar a explicar: na época passada não éramos favoritos a nada. De tal forma que mesmo quando defrontámos um Braga totalmente incensado pela imprensa desportiva viam-nos como o "underdog". E de filhos de um deus menor em filhos de um deus menor lá fomos fazendo o nosso caminho, sempre sem nos levarem muito a sério, até que, dando finalmente por nós, juntámos a prova de regularidade que é o Campeonato Nacional à Taça da Liga, transformando a estrelinha atribuída a Ruben Amorim numa enorme constelação que uniu em júbilo os Sportinguistas. Caindo na realidade, a imprensa agora já nos leva a sério. E atribui-nos favoritismo. Ora, isso cria pressão, uma pressão boa e natural para quem vista a verde-e-branca, mas pressão. O que também aviva a curiosidade de saber-se como jogadores jovens vão abraçar esta nova responsabilidade tão cedo nas suas carreiras. Esse será um jogo dentro do próprio jogo em si, ao qual poderemos ajuntar o facto de finalmente voltarmos a ter público nos estádios. Teremos assim um novo teste a este Sporting. Amorim já disse que os leões estão mais fortes, os processos de jogo mais assimilados. Assim, queremos também que mentalmente isso se venha a verificar no relvado, de forma a que esta nova etapa coincida com a consolidação de um ciclo virtuoso do nosso Sporting. A partir das 20h45 uma nova história começará a escrever-se. 

05
Ago19

Tudo ao molho e fé em Deus - Crónica de uma derrota anunciada


Pedro Azevedo

Acabado de chegar do Estádio do Algarve, sinto que esta crónica deverá ser uma não crónica. Pelo menos, do tipo a que habituei os Leitores. Perguntar-me-ão o porquê. E eu respondo: no meu entendimento, o sentido de uma crítica deve ser ajudar a evitar algo de negativo que se antevê, de forma a que, mudando o que não está bem, os receios do seu emissor não se venham a concretizar de facto. Por isso, temendo o pior, nunca me coíbi de fundamentar aquilo que não me parecia bem, na esperança de poder despertar consciências em quem tem responsabilidades no clube. Depois de uma debacle como a sofrida esta noite, a crítica já não me parece ter um objectivo, na medida em que não poderá alterar nada e apenas servirá para expôr um determinado estado de alma, ou satisfazer uma vaidade individual. Ora, eu já disse aqui inúmeras vezes que preferirei sempre não ter razão e ela assistir ao meu clube, pelo que não será por isso que usarei este espaço usualmente satírico para achincalhar o clube da minha paixão.

 

Sejamos francos, o Sporting não perdeu esta noite devido ao sistema de 3 centrais que eu tinha antecipado aqui no "Castigo Máximo" poder ser a surpresa de Keizer. Pelo contrário, tal até baralhou o Benfica durante bastante tempo na primeira parte. O Sporting perdeu, porque o Benfica tem melhores jogadores, atletas com a qualidade-extra do meio campo para a frente que a nós nos falta (com a honrosa excepção de Bruno Fernandes). Por isso aqui tanto batalhei para que não se comprasse em quantidade e se apostasse na qualidade, nomeadamente procurando no mercado um ponta-de-lança com mobilidade, técnica para ligar o jogo da equipa e poder de concretização na área. É de jogadores com a capacidade de fazer a diferença que estamos necessitados, e por eles toda uma outra estratégia deveria ter sido implementada, apostando em jovens da nossa Academia como as tais segundas linhas para compôr o plantel em detrimento dos reforços(?) que fomos buscar ao mercado, de forma a conseguirmos manter os nossos melhores jogadores e poder acrescentar-lhes mais um elo vindo de fora que ajudasse a engrenagem a funcionar de forma mais oleada. Infelizmente, não foi isso que aconteceu. 

 

Onde eu questiono Keizer é no valor relativo que vê em jogadores como Diaby em detrimento de um Matheus Pereira ou de um Jovane (esta noite indisponível por lesão), exemplo de um exponencial de situações em que a nossa Formação é deixada para trás em função da integração de elementos que ninguém percebe muito bem como despertaram o interesse do nosso Scouting. O caso do maliano é disso sintomático, na medida em que se torna insuportável para a vista observar alguém vestido de verde e branco e com o leão rampante ao peito a abusar assim tanto da canela, facto que nem para a Fábrica dos Pastéis de Belém o aconselharia. Também me interrogo como é possível não se vêr evolução em Raphinha, um promissor jogador que continua a definir muito mal as jogadas. Estas coisas não são trabalhadas? O brasileiro esteve umas vinte vezes em situação 1x1 contra defesas do Benfica e em todas decidiu com pouco critério. Ora, quando do outro lado temos um Rafa, ou um Pizzi, com uma taxa de aproveitamento desse tipo de lances muito boa, o nosso destino está lançado.

 

Uma última menção a algo que eu havia aqui dito no Sábado: a Direcção do Sporting deveria ter reagido publicamente na sequência das notícias que davam conta do pedido alegadamente formulado por Bruno Fernandes para sair. Se o tivesse feito, Bruno e o grupo teriam sido defendidos e o foco no jogo mantido. Mais, não me parece bem que na ante-véspera de um jogo de capital importância, um momento que deveria ser de total concentração, a Direcção do clube aceite encontrar-se com emissários do Tottenham, o empresário do jogador e o próprio Bruno Fernandes que é bom não esquecer ainda é o capitão da equipa. Esse assunto deveria ter sido adiado para data posterior à Supertaça, evitando-se assim um foco de tensão para o jogador, balneário, sócios e adeptos, os quais deveriam sim estar todos agregados à volta da necessidade de vencer o Benfica. 

 

Nada mais tenho a dizer numa ocasião em que a frustração é muito grande e o sentimento de impotência ainda maior. Resta-me a confiança inabalável na melhor massa associativa do mundo, a única em Portugal capaz de permanecer resiliente perante seja qual for a adversidade, e a certeza que o Sporting se irá reerguer como o enorme clube que é. Aliás, derrotas destas não me fazem ser menos sportinguista, bem pelo contrário. É nestes momentos que gosto de tirar a camisola verde e branca do armário e mostrá-la sem vergonha, com todo o orgulho numa história feita de glória. Sim, porque nunca fui pessoa de esconder a cabeça na areia como a avestruz. Em todos os momentos. Tal como o Sporting. O Sporting, não o A, o B ou o C, a razão disto tudo. Amanhã será outro dia.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Idrissa Doumbia e Thierry Correia, os únicos a merecerem nota positiva. Renan evitou números mais pesados, Wendel perdeu o gás todo contra o vento, Mathieu (grande jogador) cometeu um erro de amador, Acuña provou ainda não estar em condições físicas, Bruno esteve nervoso e decidiu anormalmente mal, dos outros é melhor nem falar.

 

P.S. Ah, e quanto à super aposta na Formação em que alguns acreditam, cumpre dizer o seguinte: no início eram 15. Depois, Iuri não foi para estágio. E lá foram caindo, um após outro, de modo que nos 18 escalados para a Supertaça estavam dois, apenas dois (Thierry e Max). Alguns desaparecidos em combate, como Abdu Conté, após ter sido encarregado da missão suicida de ter de enfrentar sistematicamente dois adversários perante a complacência do recém-recruta Vietto, outros como Matheus Pereira desterrados para zonas densamente minadas. Ou é impressão minha, ou este enredo da Formação está cada vez mais parecido com ‘Os doze indomáveis patifes’. 

30
Jul19

Em 3-5-2 para a Supertaça?


Pedro Azevedo

Trago este tema à colação por me parecer relevante e ainda não o ter visto discutido em blogues ou jornais desportivos. Em 3 de Fevereiro deste ano, aquando da recepção ao Benfica para o campeonato, o Sporting apresentou-se no tradicional 4-3-3 e deu-se mal. Os movimentos frontais de Felix, em aproximação a Seferovic, criaram uma igualdade numérica em redor da grande área leonina que aliada aos movimentos em diagonal de Rafa provocou uma grande desestabilização do último reduto leonino. A tentativa de Keizer de o compensar acabou por se revelar uma emenda pior que o soneto, na medida em que o recúo de Gudelj abriu uma auto-estrada no meio do campo por onde Samaris e Gabriel circularam à vontade. É certo que Mathieu não jogou (lesionado) e sim André Pinto, mas a verdade é que o treinador leonino não terá ficado convencido de que toda a superioridade benfiquista - gritante nesse jogo - adviria dessa contrariedade e no jogo da Taça de Portugal contra o nosso rival de Lisboa arriscou jogar com 3 centrais. 

 

Tendo em conta que correu bem, e independentemente desse sistema táctico não ter sido treinado na pré-época, não é de todo impossível na minha opinião que Marcel Keizer prepare essa surpresa para Domingo. Rafa e Seferovic continuam para os lados da Luz, Felix será rendido por Raul de Tomás, pelo que os "encarnados" não mudarão muito - dinâmicas à parte, pois o actual "colchonero" movimenta-se mais e tem outra criatividade - face à época passada. Nesse sentido, talvez não fosse mal pensado dar mais liberdade a Doumbia para ir à caça, colocando-o na mesma linha de Thierry Correia, Wendel e Acuña, com Bruno Fernandes um pouco mais à frente, Raphinha solto a partir do corredor direito (mas não preso aí) e Dost como ponta-de-lança. No fundo, mais do que um 3-5-3, um 3-4-1-2. Quanto aos 3 centrais, eles poderiam ser Coates, Neto e Mathieu, ou Coates, Mathieu ou Borja, ou até, para quem goste de sofrer, Ilori, Coates e Mathieu. 

 

Perante o arrazoado que aqui descrevi, peço aos Leitores a sua opinião, nomeadamente pretendendo saber se consideram razoável esta possibilidade, se a usariam mas com outros jogadores, ou se a afastam de todo.

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