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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

18
Set20

Voar como o Jardel sobre os centrais


Pedro Azevedo

Mário Jardel perfaz hoje 47 anos. Em dia de aniversário, nada como oferecer de presente, a ele e a todos os Leitores de Castigo Máximo, este golo marcado ao Vitória de Setúbal que me desperta tantas recordações por motivos não exclusivamente relacionados com o futebol. Nessa noite tive um jantar em Alenquer, repasto há muito agendado que não me permitiu ir a Alvalade. A mesa estava quase completamente preenchida por Sportinguistas (cerca de uma dúzia) e o Tomaz, de transistor colado ao ouvido, ia-nos dando novidades sobre o jogo. Ainda antes do intervalo, uma péssima notícia: o Marius Niculae lesionou-se com gravidade. O tempo passava, o marcador não se alterava e o nosso grupo desesperava. Tudo levava a crer que uma vez mais o velho fado leonino se iria entoar. Mas nós tínhamos o Jardel! E em cima da hora ele lá nos salvou. Bom, mas o melhor é deixar correr as imagens. Elas, muito mais do que a minha prosa, farão justiça ao goleador que foi Mário Jardel. Parabéns! E saudades...

 

P.S. No banco do Vitória, após aquele golo de gala, o JJ até teve de dar brilho ao sapato...

08
Set20

Análise ao R&C da Sporting SAD (19/20)


Pedro Azevedo

Demonstração de Resultados

  • A Sporting SAD apresentou um lucro do exercício anual findo a 30 de Junho de 2020 de 12.5M€.
  • Excluindo os rendimentos líquidos (já expurgados de comissões de 22.7M€) provenientes da venda de jogadores, o Resultado teria sido negativo em 71.7M€ (-70.2M€ se não considerarmos Perdas por Imparidade que podem estar relacionadas com alienação de direitos económicos), valor (recorde) em linha com aquilo que aqui tenho vindo a transmitir aos Sportinguistas.
  • O desequilíbrio entre Proveitos e Custos (ordinários) atingiu um valor recorde de -38.9M€.
  • Os juros pagos atingiram o valor de 15.4M€ (10.4M€ em 18/19).
  • Considerando apenas os últimos 3 meses do exercício, a SAD perdeu 18M€ nesse período (inclui venda de Matheus Pereira por um total líquido de 8.2M€).
  • Ao contrário do que havia sido divulgado aquando da divulgação da Estratégia PES (Pessoas, Estruturas e Software) e mais recentemente em editorial do Jornal Sporting, os custos com Pessoal não desceram 18M€ ao ano nem baixaram 18M€ nesta época. Houve sim um decréscimo de 9.6M€ em salários e encargos e menos 2.4M€ atribuídos a título de prémios de desempenho, mas esse valor foi em parte diluído por indemnizações de 7.1M€ (treinadores e jogadores), mais 5.5M€ que em 18/19. Relembro ainda que houve 3 meses de lay-offs que justificam parte significativa da queda dos custos, na medida em que foi anunciada uma redução de 40% dos ordenados durante 3 meses (com posterior redução a apenas 20% caso o campeonato se reiniciasse, valor que desconheço se já foi compensado ou entrou neste Relatório).
  • Ademais, os Gastos Gerais da sociedade subiram para 107.4M€, mais 2.5M€ que em 18/19. Em contraciclo, os Proveitos quedaram-se pelos 68.5M€, menos 7.3M€ que em 18/19. De referir a queda dos DireitosTV em cerca de 2.7M€ face a 18/19, bem como da Bilhética (efeito Covid) em cerca de 2.4M€.

Balanço

  • O Activo reduziu-se em 12.5M€, sendo que as principais descidas registaram-se a nível do Valor Bruto do plantel (-19.2M€) e da rúbrica de Clientes/valores a receber de clubes (-6.2M€, para 17.2M€). A contribuir para uma queda menos pronunciada do Activo esteve a rúbrica Outros Devedores, a qual subiu em 12.3M€, destacando-se aqui o crescimento da dívida de entidades relacionadas e em particular a do Sporting Clube de Portugal que é a 30 de Junho de 17.3M€. Neste Relatório foi possível observar que já não consta qualquer dívida do Manchester United à nossa SAD, sinal de que os 55 milhões de euros já estão integralmente pagos. (Recordo que em termos de Balanço o valor contabilístico dos formandos em Alcochete é próximo de zero, o que não reflecte o seu real valor de mercado, valor esse que cresceu intrinsecamente a partir do momento em que vários jovens foram postos a jogar na 1ª categoria.)
  • O Passivo baixou em 26.2M€, sendo que os Financiamentos desceram em cerca de 23M€ (Passivo bancário).
  • Em Clientes (17.2M€), o maior devedor é o WBA (9.1M€, o valor de venda de Matheus Pereira).
  • Por outro lado, a rúbrica de Fornecedores subiu face a período homólogo em 8M€, situando-se agora nos 55.9M€. Os Fornecedores não-correntes desceram em 4.6M€, estando agora nos 9.7M€ (Total de Fornecedores= 65.6M€). 
  • Após ter vendido, no final de Janeiro, Bruno Fernandes por 55M€ (integralmente pagos), a Sporting SAD tem a 30 de Junho cerca de 14M€ em Depósito à Ordem.  
  • A conta restrita para pagamento de VMOCs continua apenas com cerca de 600 mil euros (necessitamos de 40.5M€), dando a ideia que o acordo que reestruturação financeira que obriga a provisionar essa conta numa determinada proporção após vendas de jogadores ainda não está totalmente fechado. 
  • Os Capitais Próprios da SAD continuam negativos, agora em 9.9M€.
  • A SAD informou que 4 adjuntos do treinador Mihajlovic, invocando terem celebrado, em Junho de 2018, contratos de trabalho com a Sporting SAD, apresentaram uma acção junto do TAS em que peticionam a SAD a pagar-lhes o valor de 2.95M€. A SAD mais informa que não celebrou quaisquer contratos com os autores.

Conclusão

  • A Sporting SAD tem hoje pela frente um cenário de um quadrado com 4 faces iguais, todas elas a mirrarem e a necessitarem da maior atenção dos Sportinguistas. Cada face corresponde a um problema de dimensão idêntica. Os problemas são sociais, económicos, financeiros e desportivos, todos de alguma forma se interligam (e interagem) e merecem uma resposta de todos os Sportinguistas que amam o clube e o colocam acima de quaisquer proselitismos. Do ponto de vista social, eu fico chocado com o nível de discussão que se estabelece entre todos, desde ataques pessoais até aos proverbiais processos de intenção sempre colocados a quem não partilhe exactamente da nossa opinião. Eu penso que isso é indecente, não está de todo de acordo com os pergaminhos deste grande clube e com os valores que propagandeamos e tem de acabar, sob pena de o clube acabar primeiro para futuro desespero de todos os que se consideram actualmente cheios de uma razão que passará a ser inútil. Se evitar este tipo de coisas é o que cada Sportinguista pode fazer pelo clube, à Direcção caberá informar correctamente os sócios sobre a actividade do clube. Não vejo isso. De todo. Seja na forma como meias-verdades (passe o eufemismo) são plantadas para satisfação de uma certa narrativa, seja pela ausência de comunicação oficial sobre dispensas, jogos, etc. No prisma económico, o clube continua a laborar num paradoxo, mantendo custos com pessoal altíssimos e promovendo elevadíssimo número de contratações todos os anos (21 para a equipa principal desde que Frederico Varandas lidera o clube). O problema já vem de trás, mas a falta de acerto na maioria das contratações na época passada agudizou-o, levando a mais venda de qualidade e concomitante enfraquecimento do plantel. Financeiramente, o clube tem inúmeros problemas de tesouraria, deve 65 milhões a Fornecedores, renegoceia pagamento ao Braga, tem umas VMOCs integralmente por pagar e não tem novos meios de financiamento que não sejam a antecipação de receitas da NOS. O problema são os altos juros da operação (8,25% segundo foi dito por um dos participantes do "Rumo Certo"). Estamos a pagar 15 milhões de euros só em juros, anualmente, ou seja, entramos em cada novo exercício já a perder esse valor. Desportivamente é o que se vê, quarto lugar no campeonato, eliminados pelo Alverca na Taça e pelo Basaksehir na Liga Europa. Como sair disto? Cortando em gorduras desnecessárias, diminuindo peso adiposo e compensando-o com músculo proveniente de fibras jovens e 2-3 craques que peguem de estaca na equipa. Aproveitar a boa base da Formação (e não desperdiçar ingloriamente gerações como as de Demiral, Domingos Duarte, Matheus Pereira, Mama Baldé e afins) e complementá-la, ano a ano, com qualidade indiscutível. Ter uma política que privilegie os sócios, os aproxime do clube. Ter um discurso de verdade, que arregimente, evitando desculpas do passado que criam ainda maior afastamento entre consócios. É preciso acabar também com lendas e narrativas e a forma como se vertem em documentos estratégicos do clube ou nos seus meios. Só trabalhando bem todas estas faces do problema poderemos vir a ter uma solução. Evidentemente, um Sportinguista que se preze quer sempre que o Sporting ganhe, chame-se o presidente Varandas, Carvalho, Godinho ou Bettencourt. O fundamental é conseguir-se transformar esta massa imensa actualmente amorfa num mecanismo oleado onde todos caminham para o mesmo lado, juntos naquilo que a todos deve unir: o amor ao Sporting. Por isso, precisamos de doutrina como necessitamos de boas práticas de gestão e de bom entendimento do que deve ser uma política desportiva. E por aqui me fico presentemente, independentemente de asegurar a minha presença na AG ainda sem data marcada, que o campeonato começa dentro de dias e quero ficar focado no apoio (mesmo que no sofá) ao Sporting que para mim sempre foi mais relevante, aquele que todas as semanas vai a campo. Estes são e sempre foram os meus princípios. Ao contrário do que alegava Groucho Marx, peço desculpa mas não tenho outros. 
05
Set20

Notas breves sobre o jogo de ontem


Pedro Azevedo


  • A equipa deu uma boa resposta num jogo com um grau de intensidade superior aos dois anteriores;

  • Wendel, Jovane e Palhinha foram as figuras do Sporting. Coates foi o melhor defesa;

  • A boa exibição de Palhinha não deve, à boa maneira portuguesa, ser depreciativa para Matheus Nunes. Ambos têm lugar no plantel, porém as suas características são diferentes: enquanto Palhinha é um jogador que ataca o portador da bola, Matheus fecha o espaço. Com bola, Matheus tem maior visão periférica e capacidade de passe à distância, Palhinha distingue-se pela simplicidade das suas ações e é eficaz no passe curto que quebra a primeira linha de pressão adversária. Ontem, com Matheus em campo a equipa poderia ter ganho vantagem no marcador não fora a deficiente finalização de Jovane e Tiago Tomás. Com Wendel mais expansivo, Matheus distinguiu-se pelo equilíbrio que deu. A realidade é que o Valladolid não teve uma única oportunidade de golo. Concordo, no entanto, que Matheus não fez um jogo exuberante. O que me dá confiança nele é que os melhores jogos que lhe vi foram contra os grandes, Porto (melhor em campo) e Benfica (teria sido o melhor em campo não fora aquele bico da sua bota branca a pôr Vinícius em jogo). Seja como for, Palhinha dá poder de choque e com a sua entrada a equipa melhorou. Obviamente, é mais um jogador da nossa Formação que eu gostaria que ficasse;

  • Feddal mostrou o melhor e o pior que já lhe vira no Bétis. Ofensivamente, distingue-se pelo seu poder nas alturas. Ontem, acrescentou uma excelente colocação na sua cabeçada de que resultou o golo do nosso momentâneo empate. Porém, defensivamente cometeu 2 ou 3 erros básicos. Na primeira parte, perdeu o duelo nas alturas com Gassama, mas o remate saiu à figura de Adán. No segundo tempo, mostrou o seu imprudente tempo de entrada aos lances e levou um cartão amarelo. O penalty que concedeu foi uma ingenuidade difícil de entender a este nível. Um sinal positivo foi a reacção ao erro, indo à outra área com personalidade corrigi-lo;

  • Porro mostrou bons pormenores ofensivos. O jogo não deu para o testar defensivamente;

  • Antunes não deu à equipa ofensivamente aquilo que Porro deu. Além disso, pela segunda vez consecutiva o Sporting sofreu um golo em desequilíbrio nascido pelo seu lado;

  • Tiago Tomás parece jogar com a mesma naturalidade que lhe vi nos juvenis e sub-23. Excelente pormenor a isolar Jovane em lance que terminou com penalty a nosso favor;

  • Jovane não perdeu a sua melhor característica de ir para cima dos defesas. Ontem, semeou o pânico em três ocasiões, marcou um golo e deu outro incorrectamente anulado. Senhores árbitros, até na pré-época temos de levar com estas decisões? É que já com o Belenenses SAD houve no mínimo 3 foras-de-jogo não assinalados aos de Belém.

03
Set20

Ainda Samatta


Pedro Azevedo

Velocidade, instinto, técnica, potência, inteligência, bom jogo de cabeça, finalização...

01
Set20

Mbwana Samatta


Pedro Azevedo

Pretendido por Fenerbahçe e Galatasaray, este ponta de lança tanzaniano, o primeiro natural do seu país a jogar na Premier League, poderá custar cerca de 10 milhões de euros. Esta seria uma das 3 únicas contratações que promoveria nesta época desportiva, qualquer uma delas visando um impacto imediato na equipa. 

 

Samatta ofereceria ao nosso jogo não só o aproveitamento de transições rápidas como também frieza na finalização e instinto matador na área. É que se Sporar garante o primeiro, a verdade é que não temos ninguém que se possa denominar como "rato de área". Ademais, o tanzaniano é um jogador de refinada técnica e capaz de ligar o jogo fora da área em construção, não apenas um ponta de lança. Logo, seria um elemento que caíria muito bem no esquema de Ruben Amorim. 

 

Na minha opinião, para além do contributo que daria ao jogo ofensivo da equipa, Samatta facilmente faria entre 20 e 30 golos por época pelo Sporting. Aos 27 anos, e depois de uma passagem de grande sucesso pelos belgas do Genk (onde foi colega do ucraniano Malinovskyi), que incluiu 3 golos na última edição da Champuons, e um até agora curto percurso num frágil Aston Villa (salvou-se da despromoção na última jornada) onde a bola raramente lhe chega em condições, o tanzaniano está a chegar ao pico da sua condição física e técnica. Vamos aproveitar? 

31
Ago20

Sobre a intensidade de um “6”


Pedro Azevedo

Existem várias opiniões, todas elas válidas, sobre o que é necessário a um jogador da posição "6". Na verdade essas opiniões não estão necessariamente certas ou erradas, o que é importante é saber-se o que se quer do jogo. Imagine-se que eu, para este exercício académico investido de treinador, pretendo praticar um jogo posicional, então eu vou querer um "6" forte na construção, com qualidade de passe e capaz de por a bola redonda e entre-linhas em 1-2 toques. Nessa situação, como o meu jogo privilegiará a posse, eu não precisarei de um "bicho" que lute pela bola, apenas necessitarei de alguém que em postura defensiva saiba preencher correctamente os espaços, fechando nomeadamente as linhas de passe mais comprometedoras. Todavia, se eu for um treinador com outro entendimento do jogo, que privilegie a organização defensiva e não queira investir muito em posicionamentos complexos requeridos à transição defensiva, então eu vou querer um "6" essencialmente repressor, que mais do que defender o espaço ataque o portador de bola. Assim, qualquer uma das tipologias de jogador é válida, o que varia é o meu entendimento do jogo e o futebol que quero praticar. Se no caso da escola do Ajax um jogador como Daniel Bragança calharia muito bem, para outro tipo de filosofia de jogo Palhinha seria fundamental. O que têm em comum Frenkie de Jong (Barcelona, ex-Ajax)  e Danilo (Porto)? Apenas saber interpretar o que lhes é pedido. No entanto ambos podem ser extremamente eficazes dentro de princípios que os favorecem. Porém, se pedirmos a de Jong para fazer o trabalho de Danilo, e vice-versa, os resultados dificilmente serão os melhores. 

PS: no caso particular do Sporting, do que tenho observado creio que Ruben Amorim pretende dois "8" à frente do trio de centrais.

30
Ago20

Telegrama de pré-época(2)


Pedro Azevedo

Gonçalo Inácio é um espectáculo STOP Rápido a encurtar espaços e com excelente colocação de bola à distância STOP Nuno Mendes de novo bem STOP Tiago Tomás e Sporar voltaram a marcar STOP Pote também fez o gosto ao pé e esteve de novo em evidência STOP Daniel Bragança e Matheus Nunes fazem uma dupla de médios de grande classe STOP Se o futebol fosse basquetebol STOP Matheus Nunes tirava vários adversários do campo por ultrapassarem o limite de faltas pessoais STOP Em 4-3-3 ou 4-2-3-1 seria mais fácil compatibilizar Pote e Jovane STOP Gostava de ver Bragança (6) STOP Matheus (8) e Pote (10) a jogarem de perfil no meio-campo STOP Nuno Santos não é tão bom a jogar pela direita ou em posições interiores STOP Adán fez uma boa defesa e Max uma assistência para golo STOP Ambos atentos a saírem dos postes em antecipação e assim cobrirem o espaço deixado livre pelo bloco alto STOP À excepção do seu golo STOP as melhores oportunidades da Belenenses SAD resultaram de foras de jogo não assinalados STOP Falta-nos um "rato de área" STOP um Matador STOP Sporar é essencialmente forte nas transições STOP Tiago Tomás tem instinto mas parece ser opção a partir da direita STOP 

30
Ago20

O Sporting e as reformas inadiáveis


Pedro Azevedo

A jurisprudência resultante do caso Bosman, e concomitante fim de normas internas da UEFA e das suas respectivas federações nacionais de futebol, teve um impacto negativo bastante significativo a nível da competitividade internacional das equipas portuguesas. É certo que depois disso o FC Porto ainda venceu a Champions e a Liga Europa (duas vezes), alicerçado numa base de bons jogadores portugueses (a realidade com Mourinho) complementada por jogadores estrangeiros de inegável categoria (mais predominante com Villas-Boas) como Deco, McCarthy, Derley, Hulk, Otamendi, James Rodriguez ou Falcão, mas isso deve ser entendido como a excepção que confirma a regra. 

 

De uma forma geral os planteis mais fortes existentes em Portugal ocorreram entre a segunda metade dos anos 80 e a primeira metade dos anos 90. No caso particular do Sporting é claro e inequívoco que o clube não se soube adaptar à nova realidade. Se hoje em dia seria muito difícil termos um meio campo de luxo constituído por Paulo Sousa, Cherbakov, Figo e Balakov cujos suplentes eram da estirpe de um Peixe, Filipe, Capucho ou Pacheco, isso decorre essencialmente do facto de seis desses oito jogadores terem sido comprados no mercado e de ser cada vez mais complicado manter por um período razoável de tempo os jogadores por nós formados. 

 

É exactamente no que diz respeito à nossa Formação e sua utilidade na equipa principal que se pode fazer mais qualquer coisa. Mesmo levando em linha de conta o novo paradigma (duas, três décadas) da crescente influência dos empresários e concomitante pressão sobre esses activos, a verdade é que uma gestão eficiente dos nossos recursos deveria permitir que o núcleo central da equipa proveniente da Formação se mantivesse mais tempo connosco. O problema é que à medida em que a sua influência na equipa vai aumentando, também a sua visibilidade para o mercado cresce. Começa aí a pressão no sentido da saída, pressão essa que advém maioritariamente da promessa de salários muito mais elevados de clubes com outro potencial económico. Acontece que muitas vezes o Sporting não consegue ir ajustando a valorização do jovem atleta e sua crescente importância na equipa porque na sua folha salarial tem demasiados jogadores que não fazem a diferença e que pesam muitíssimo no total dos custos com pessoal, não deixando grande margem para ajustes salariais que premeiem a meritocracia. Se calhar, devíamos começar por aí, eliminando um significativo conjunto de redundâncias que só acrescentam na folha de pagamentos. 

 

O futuro do Sporting passará indubitavelmente por uma base sustentável de jogadores made-in Alcochete, base essa que necessariamente deve ser complementada por qualidade importada. Por isso digo muitas vezes que mais vale comprar 2-3 jogadores de indiscutível categoria, que provoquem um impacto imediato na equipa, do que apostar em quantidade numa classe média/baixa de jogadores que manifestamente não acrescentam. Se entre Janeiro de 2019 e Janeiro de 2020 comprámos (ou recebemos emprestados) 15 jogadores, só nesta janela de transferências já adquirimos mais 6. Ora, é relação a este tipo de política que eu estou em absoluto contra, e os factos que se consubstanciam em resultados vêm provando em abundância o porquê. Há um problema conceptual de definição de plantéis e a pressa em reunir rapidamente um conjunto de jogadores acaba por ser a némesis de qualquer aspiração ao título. Pensava eu que após uma temporada em que terminámos a 22 pontos do primeiro colocado algo de fundo se alteraria, mas a recente investida ao mercado prova o contrário. É certo que deposito fundadas esperanças em Pote, mas não vejo o enquadramento em termos de competência (capacidade, qualidade e experiência temperadas) importada ideal para que esse jogador possa ser útil à equipa sem que daí advenha uma pressão desmesurada para a sua juventude. 

 

Na verdade, tudo poderia ser diferente. É até uma realidade que recentemente tivemos connosco uma espécie de Balakov, de seu nome Bruno Fernandes, o que prova que esses jogadores não são impossíveis de obter. Infelizmente, o excesso de aposta na classe média/baixa acabou por motivar a venda de toda a qualidade que fazia a diferença, de Nani a Bas Dost, passando por Raphinha ou o próprio Bruno, sem esquecer Mathieu que terminou a carreira. O que nos resta hoje é uma belíssima base proveniente da Formação. Jogadores como Jovane Cabral, Matheus Nunes, Nuno Mendes, Daniel Bragança, Eduardo Quaresma ou Gonçalo Inácio são o futuro. Mas esse futuro só se materializará se houver um plano de carreiras para eles, o que passa antes de mais por uma gestão racional dos recursos existentes e sua não dispersão à toa. Caso isso continue a não existir, o mais certo é continuarmos no paradigma errado de formar para vender, quando o que deveríamos tentar fazer era formar para ganhar. Nesse sentido, não precisamos de jogadores a mais e que não façam a diferença. Do que precisamos, isso sim, é de qualidade que enquadre esses jovens e os faça elevar o seu patamar competitivo. Mas isso presentemente não temos. E continuaremos a não ter à razão de mais de 10 jogadores comprados por época, muitos deles prontamente na porta de saída. É urgente mudar este paradigma, da mesma forma que é premente dizer-se esta verdade aos sócios: se não souberem esperar 2 anos pela construção eficiente de uma equipa com pretensões ao título ficaremos cada vez mais arredados de qualquer palavra significativa no que diga respeito ao rendimento desportivo. Por muito que a cada janela de mercado se queira sonhar com Feddal e companhia, a realidade está aí ao virar da esquina e dá pelo nome de Rosier, Camacho, Eduardo, Ilori, Jesé, Fernando, etc. E é nesse sentido, não deixando de amar este clube para sempre, que digo que não se pode ser súbdito do "feddalismo" que invadiu o Sporting Clube de Portugal. Não só não se pode ser cúmplice do caminho da desesperança como é preciso que se dê voz aos reformistas, que querem essencialmente alterar as coisas por dentro. Até porque a história nos mostra que quanto mais se tenta calar os reformistas (moderados), mais azo se dá aos revolucionários. O problema das revoluções é que no dia seguinte há a necessidade de criar tudo de novo. Entre o caos. 

29
Ago20

Gonçalo Inácio


Pedro Azevedo

Há já algum tempo que venho pondo os olhos em Gonçalo Inácio, central canhoto que também fez parte da sua formação a lateral esquerdo. E gosto. Muito. Nomeadamente como central, onde a sua visão de jogo, encurtamento rápido dos espaços e superior capacidade técnica dão diferentes tipos de soluções, desde passe à distância e bloco alto até superioridade numérica em zonas mais avançadas do campo por via da sua boa saída de bola de trás. Para continuar a ver...

goncaloinacio1.jpg

29
Ago20

Telegrama de pré-época


Pedro Azevedo

Primeira parte sonolenta STOP Wendel em modo Zé Carioca STOP Pouco Porro e Plata STOP Simulação de falta dá penálti a favor deles STOP Oferta dá penálti a nosso favor STOP A um passe extraordinário de Gonçalo Inácio correspondeu Pote com uma assistência certeira para o jovem Tiago Tomás adiantar o Sporting no marcador STOP Matheus Nunes STOP em passe magistral STOP isolou Nuno Mendes na esquerda para remate defendido pelo guardião portimonense STOP Pormenor técnico excelente de Matheus Nunes STOP recebendo a bola de costas na quina da área STOP rodando por fora e ganhando a frente ao seu adversário para um cruzamento que acabou interceptado por um central algarvio STOP Pareceu o famoso "Turn" do Cruijff STOP Bastaram-lhes 20 minutos STOP mas Matheus Nunes STOP Nuno Mendes STOP Gonçalo Inácio e Daniel Bragança foram os melhores em campo STOP Viva a Formação do Sporting e todos aqueles artífices de jogadores que ao longo dos anos trabalharam e se esforçaram para apontar um caminho e assim nos mostrarem o óbvio ululante STOP Pote confirmou ser o melhor reforço STOP

27
Ago20

Ponto de situação


Pedro Azevedo

Nos últimos tempos tenho vindo a ouvir falar muito em experiência. Mas experiência não é só por si sinónimo de competência. Um indivíduo pode ter 33 anos de experiência e tal significar apenas um ano mau repetido por trinta e duas vezes. A experiência é importante quando acompanhada por qualidade e sabedoria. Olhando para o Sporting, Jeremy Mathieu foi o paradigma de como pode haver utilidade na experiência quando o ponto de partida é a qualidade e depois existe a humildade de procurar conhecer mais sobre o jogo, aprender e evoluir. Quando tudo isto é acompanhado por uma especial vocação para transmitir conhecimento, então, aí, sim, esse capital de saber acumulado torna-se determinante para uma qualquer organização, não só pelo trabalho individual realizado pelo próprio mas também pelo seu papel formativo dos quadros mais jovens e desenvolvimento geral do grupo de trabalho. Nesse sentido pode dizer-se que Mathieu elevou a qualidade do futebol Sporting, lamentando-se apenas que só tenha tido escassos 3 meses de contacto a sério com os jovens da nossa Formação a fim de deixar um cunho ainda mais pronunciado nas suas características futuras. Algo que, por exemplo, o Benfica soube fazer muito bem com Luisão, que do meu ponto de vista era menos jogador que Mathieu,  aproveitando-o praticamente como última estação de produção da linha de montagem sita no Seixal. É essa qualidade futebolística extra, aliada à sabedoria, que recomenda a aquisição de um veterano, pois do ponto de vista estritamente financeiro é sabido de antemão que o negócio será deficitário. Todavia, aposta-se no rendimento desportivo imediato do jogador e seu contributo para a melhoria do desempenho colectivo da sua equipa, bem como na ajuda pelo exemplo ao desenvolvimento de futuros novos craques que, para além do rendimento em campo,  poder-se-ão vir a constituir como importantes mais-valias para o clube. Na minha opinião, nesse sentido, e apenas assim, a contratação de um veterano fará todo o sentido.

 

Dito isto, para mim não é correcto ir-se buscar um veterano sem passado desportivo significativo ou para uma posição onde já se impôs um jovem da fornada da Formação. Desse modo, não só na minha ideia não se substitui um jogador de qualidade-extra como Mathieu por um Feddal como também não se coarta o desenvolvimento de valor de um Max adquirindo Adán. Admitia, isso sim, e escrevi-o aqui no início de Julho, que o gaulês fosse substituído por Vertonghen, jogador que a fazer fé nas notícias chegou ao Benfica por valores contratuais e prémio de assinatura semelhantes aos que envolveram em 2017 a aquisição de Mathieu. Por outro lado, havendo um Renan que foi determinante na conquista de duas taças, não só teria mantido o brasileiro como segunda opção como continuaria a apostar na melhoria de valor de mercado de Max, jogador que me parece seguir as pisadas de Rui Patrício, eventualmente até com menos dores de crescimento do que o hoje campeão europeu e guarda-redes titularíssimo da selecção nacional.

 

Mais do que experiência, falta ao plantel do Sporting jogadores de qualidade superlativa que peguem de estaca. Nesse sentido, a saída de Acuña, jogador de raça, regular a alto nível, experiente, polivalente, de forte entrega ao jogo e capaz de proporcionar cruzamentos com conta, peso e medida, parece-me um passo atrás na progressão colectiva da equipa, perdendo-se mais uma referência a juntar à sangria verificada em apenas ano e meio, período no qual o Sporting viu sair Nani, Raphinha, Bas Dost, Bruno Fernandes e Mathieu. Esta escassez de qualidade-extra no plantel trará inevitavelmente como consequência uma pressão adicional sobre os mais jovens, em especial sobre o muito promissor Pedro Gonçalves, um jogador que poderá ser o nosso Pote de Ouro mas que precisará de um período de adaptação a um grande clube e necessitaria de um melhor enquadramento que o soltasse mais de prematuras responsabilidades para com a equipa. 

 

Acresce que nenhuma equipa do mundo terá estabilidade quando praticamente todos os seus jogadores estiverem no mercado. Já o ano passado foi notório, mesmo num jogador experiente e plenamente adaptado ao clube como Coates, a consequência das notícias da imprensa que apontavam para a sua muito possível saída. O que me parece é que existem planos a mais e convicções a menos. Disse-o na preparação de 19/20, apontando algumas incongruências que alguns na altura terão interpretado mal, e repito-o agora. Não é possível abrirmos diariamente os jornais e vermos Acuña ou Jovane como vendáveis a preços muito abaixo das suas cláusulas de rescisão, o mesmo se passando com Max. Com a agravante do argentino, à semelhança de Palhinha, nem ter seguido para o estágio no Algarve, uma forma de desvalorização imediata de jogadores.

 

Neste transe, teme-se que se volte a vender qualidade para continuar a comprar quantidade. Entretanto, à maioria dos sócios continua a passar despercebido o nosso maior problema. Falo da colocação do elevado lote de excedentários, muitos deles acabados de comprar pela Estrutura de futebol do clube. Entre eles, aliás, constam dois dos mais caros: Rosier e Camacho. Não conseguindo baixar a massa salarial e realizar algum capital nessas vendas, para além da venda de qualidade teme-se que voltemos de novo a alienar prematuramente os passes dos jogadores mais jovens. Esse é um erro recorrente proveniente de uma política desportiva que enferma de vários erros, uns conceptuais, outros funcionais, outros ainda orgânicos. 

 

Tudo isto vem contribuindo para reduzir o moral dos adeptos Sportinguistas e traz agregado o habitual discurso miserabilista de que não há dinheiro - entre Janeiro de 19 e Março de 20 investiram-se (com comissões) cerca de 50 milhões de euros em 15 jogadores, que terão custado nesse período qualquer coisa entre 15 e 20 milhões em salários (estimativa), além de termos pago 8,7 milhões de euros em indemnizações a treinadores e um ou outro jogador, mais 3 milhões a Mihajlovic e 10 milhões a Ruben Amorim (e penalizações e juros), num total que deve andar à volta dos 90 milhões de euros (fora os custos com o restante plantel de cerca de 50 milhões anuais, ou talvez um pouco menos exclusivamente devido à Covid e concomitantes medidas de lay-off, mais os 30 milhões de fornecimentos e serviços externos, além de outros pequenos itens) - , afastando cada vez mais o nosso estado actual daquilo que efectivamente somos: o maior clube desportivo nacional e uma dos maiores da Europa. O ser humano convive bem com conjunturas positivas e prepara-se no sentido de adequar-se por algum tempo às conjunturas  negativas. Aquilo com que o ser humano convive mal é com a incerteza. E aquilo com que não consegue viver de todo é com a ausência de esperança. Eu quero estar errado, mas entrando numa nova época com um défice estrutural sem venda de jogadores de cerca de 70 milhões de euros, e nada mudando em termos de política desportiva, os augúrios não são os melhores. Além disso, continua a faltar um discurso de verdade, que indique as coisas como elas são e simultaneamente dê eco de que se escutaram as pessoas e vamos mudar na direcção certa, explicando minimamente os passos que serão dados. Pedindo tempo, mas mostrando que esse tempo não será ingloriamente desperdiçado como até agora. Infelizmente, não vejo nada disso. E, sinceramente, já não acredito nisso. O Sporting é um grande clube e conduzir esta nau é uma enorme responsabilidade. Nunca seria fácil após as consequências sociais, desportivas, económicas e financeiras de Alcochete, mas esta direcção tem conseguido piorar a situação em todas as vertentes. Mesmo os resultados financeiros que vai apresentando resultam exclusivamente da venda dos melhores jogadores do plantel, vendas essas cuja necessidade se tem vindo a intensificar. Temo, como tal, que a filosofia venha a ser cada vez mais a de lançar jovens para rapidamente os vender, paradigma a meu ver totalmente errado. Isso até pode fazer sentido num Vitória de Guimarães, com todo o respeito que me merecem a instituição e as aguerridas gentes vitorianas, mas não faz qualquer sentido num clube com os pergaminhos do Sporting, onde formar deve ser sinónimo de ganhar e só depois vender. Só que para ganhar precisaríamos de enquadrar esses jovens com 3 contratações efectivamente cirúrgicas ano a ano, de indiscutível qualidade, que aumentassem a qualidade global da equipa. Ora, não deixando de saudar finalmente se ter apostado nos jovens, para ganhar é preciso criar-se uma simbiose perfeita entre os jovens, jogadores de qualidade e carregadores de piano. À semelhança do que Allison fez em 82. E isso não é possível à medida que, um a um, os melhores jogadores do plantel vão saindo. Deixo a pergunta: onde estão os nossos Meszaros, Eurico, Manuel Fernandes, Jordão e Oliveira, os craques de 82, que permitiram enquadrar os Mário Jorge, Virgílio, Carlos Xavier, Freire, Alberto ou Ademar que então despontavam? Concluindo: há que mudar de paradigma em termos de política desportiva e ter uma comunicação que efectivamente envolva os Sportinguistas e lhes mostre não só objectivos mas também, de uma forma convincente, a forma de lá se chegar, ainda que possa demorar algum tempo. E mesmo com tudo isto, ainda faltará uma coisa: uma ideia do Sporting para o futebol português. Tudo o que seja menos que isto significará uma perda de tempo que não temos.

22
Ago20

50%Dala+75%Geraldes+3M€=Nuno Santos


Pedro Azevedo

O reino da subjectividade situa-se na ponta mais ocidental da Europa. Aqui é possível sempre adoptar qualquer versão à vontade de quem comenta, menos quando os factos são de tal forma evidentes que batem de frente com a percepção da realidade que se pretende criar.

 

Como exemplo do que acabo de escrever, tomemos a recente contratação de Nuno Santos e concomitantes dispensas de Gelson Dala e de Francisco Geraldes. Lendo o que se comenta por aí fica a sensação que a preocupação de muito boa gente é não permitir que a verdade se entreponha numa boa história. 

 

O que se diz então por aí? Sobre Gelson Dala começa por se dizer que o Sporting só cedeu metade do seu passe. Dito desta forma até parece que reteve a outra metade. Acontece que um mínimo de aprumo levaria os interessados a analisar os R&C da sociedade. Ora, olhando, por exemplo, para o R&C anual de 2018/19 (página 113 de 164) é possível verificar que o Sporting apenas possuía 50% dos Direitos Económicos do atleta angolano. Entrando na análise propriamente dita da sua valia como futebolista circula a tese de que, não tendo sido titular com Carvalhal no Rio Ave, isso seria razão mais do que suficiente para justificar a falta de interesse do Sporting na sua continuação. Fixem bem o pormenor da utilização de Carvalhal como argumento, pois mais à frente, a propósito de Nuno Santos e de uma entrevista que o ex-treinador rioavista concedeu ao Tribuna Expresso em que considerou ter ponderado colocar o ala como interior até que concluiu que ele era muito mais útil como extremo, o actual treinador do Braga já é para os mesmos um Zé-Ninguém, na medida em que é preciso criar uma narrativa em como Nuno Santos encaixa bem no 3-4-2-1 de Ruben Amorim. É o que se denomina desonestidade intelectual. Adiante... 

 

Vamos a indicadores objectivos? Querem números? Pois, aqui estão eles. É certo que Gelson Dala só realizou 14 jogos para o campeonato pelo Rio Ave. Há, no entanto, uma razão para isso ter acontecido: o angolano só chegou em Janeiro, proveniente dos turcos do Antalyaspor. Alguns também dizem que na comparação com Taremi ficou a perder. Realmente, olhando para os dados verificamos que Taremi marcou 18 golos e Dala apenas 6. Curioso, fui ver o número de minutos de utilização de cada um. Eis senão quando me deparo com os seguintes indicadores: em 2352 minutos de utilização na Primeira Liga, Taremi obteve 18 golos (vários de penálti) e produziu 5 assistências. E o Dala? Ora, o angolano foi apenas utilizado em escassos 583 minutos, marcando por 6 ocasiões (sem penáltis) como atrás foi dito e dando 3 assistências (além de ter provocado várias grandes penalidades a favor dos rioavistas). Conclusão: O Taremi marcou 1 golo a cada 131 minutos e o Dala fez abanar as redes a cada 97 minutos, o iraniano demorou 470 minutos entre cada assistência, o angolano apenas precisou de 194 minutos entre cada passe para golo. Mais impressionante: não encontrei nenhum jogador da Primeira Liga que precisasse de tão pouco tempo quanto Gelson Dala para marcar 1 golo. Mas, como quem chegou foi Nuno Santos e não Taremi, fui ver os números do antigo ala vilacondense. Pois então, o Nuno fez 32 jogos para o campeonato onde marcou 2 golos e assistiu em 6 ocasiões. Em média, tendo sido utilizado em 2521 minutos na Primeira Liga, marcou 1 golo a cada 1261 minutos (13 vezes pior rácio que o de Dala). - "Ok, mas o Dala é ponta de lança, o Nuno Santos dá golos a marcar" - , dirão os do costume. Bom, o Nuno assistiu a cada 420 minutos (2,16 vezes pior rácio que o do angolano). Ah, já me esquecia: o Dala marcou estes golos como segundo avançado, médio ofensivo ou ala direito improvisado. Em Portugal só foi ponta de lança mesmo no Sporting B. Conhecem os números? Eu digo-vos: 17 golos em 23 jogos (1829 minutos), 1 golo a cada a 107 minutos de utilização. I rest my case...

 

Quanto ao argumento de que o angolano desperdiçou as oportunidades que lhe foram concedidas por diversos treinadores no Sporting, oferece-me dizer o seguinte: é extraordinário como uma utilização na Primeira Liga inferior a 1 minuto permite chegar a essa conclusão. Há pessoas de facto muito adiantadas no tempo, cuja genialidade permite extrapolar conclusões deste tipo. Eu cá ficarei à espera dos ecos das maravilhas que o Nuno Santos conseguirá fazer no seu 1º minuto de verde e branco, sendo certo que, pelo mesmo padrão de exigência, tudo o que não seja um golo de cabeça, outro de calcanhar e um pontapé de bicicleta, ou, vá lá, de triciclo, me deixará profundamente decepcionado. 

 

E o Geraldes? Bom, o Chico não teve uma época brilhante, pouco utilizado no AEK de Atenas e no Sporting. Porém, para o comparativo ser rigoroso, recuemos a 17/18, época em que o Geraldes representou o Rio Ave. Tinha 22-23 anos, realizou 30 jogos, marcou por 3 vezes e produziu 7 assistências na Primeira Liga. Em média, pós 2319 minutos de utilização, obteve 1 golo a cada 773 minutos e fez uma assistência a cada 331 minutos, ambos os números inferiores aos de Dala e superiores aos de Nuno Santos no último ano.

 

Ouve-se por aí também o argumento de que estamos a limpar a casa e que com a dispensa destes 2 jogadores vamos poupar salários. Ora, uma leitura do Relatório de Auditoria que infelizmente se tornou público permite concluir que no final de 2018 Geraldes tinha um vencimento ligeiramente inferior a 100.000 euros/ano. Quanto a Dala, o angolano auferiu cerca de 225.000 euros nesse ano. O que não se poderia então dizer sobre Rosier, Borja, Neto, Eduardo, ou mesmo Ilori cujo contrato até tem uma comissão anual de manutenção? Já para não falar de Vietto, cuja relação custo/benefício é assaz duvidosa. 

 

Mais uma vez estamos na presença de um caso de desperdício de talento (ou últimos retoques) fabricado em Alcochete, a somar a tantos outros de que mais tarde nos lamentamos. Todavia, esperemos que um caso semelhante ocorrido no Seixal venha a reverter favoravelmente para nós. Nuno Santos fez a sua formação no Benfica e chega agora ao Sporting. Oxalá, por uma vez, venha a ser um caso sério e uma futura glória do clube. Creio que todos os Sportinguistas querem isso. O que não invalida que o negócio no papel não pareça bom à luz dos indicadores que aqui deixo. (Para além de que, a não ser que Ruben Amorim tenha um plano alternativo envolvendo um 4-4-2 ou um 4-3-3, me parece difícil o encaixe de Nuno Santos como interior nos dois enganches atrás do ponta de lança que o treinador leonino sempre utiliza.) Porque uma coisa é desejarmos sempre o melhor para o clube que amamos, outra é não querermos aceitar a realidade como ela é nem que para tal tenhamos de recorrer a lendas e narrativas. E todos já sabem o que eu penso sobre os amanuenses.  

 

P.S. Gelson Dala tem 24 anos. Geraldes e Nuno Santos têm 25 anos. 

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18
Ago20

Pote de ouro?


Pedro Azevedo

Pedro Gonçalves, ou "Pote", é até ver potencialmente o melhor reforço da era Varandas. O meio-campista foi, conjuntamente com o seu colega Fábio Martins, os braguistas Paulinho e Ricardo Horta, o vimaranense Edwards e o vilacondense Taremi, um dos melhores jogadores (extra-"grandes") da Primeira Liga de 2019/20. Versátil - tanto pode jogar como um "8" ou um "10" - , assenta bem tanto em 4-4-2 como em 4-3-3, ou até no sistema preferido de Ruben Amorim, o 3-4-3. Neste último sistema poderá ser o segundo médio ou um dos interiores por detrás do ponta de lança. Jogador com algumas características comuns a Bruno Fernandes, Pote será a grande esperança do Sporting para elevar o patamar de jogo da equipa. É, desde já, também a única contratação anunciada capaz de fazer sonhar os sócios e adeptos leoninos. 

Há todavia 2 pontos a merecerem reserva: por um lado, a expectativa quanto à forma como a sua juventude reagirá à enorme responsabilidade que terá sobre os ombros, num clube de grande dimensão mas onde o enquadramento a nível de qualidade extra não abunda; por outro, a percentagem reduzida do passe que estará na posse dos leões (apenas 50%) após uma transferência cujo valor global de referência ultrapassou em 30% a contratação em 2017 de Bruno Fernandes (comissão incluída), jogador que já levava 4 épocas em Itália.

 

Boa sorte Pedro Gonçalves, e o desejo de que com esta contratação o Sporting possa ter encontrado o "Pote de Ouro" no final de um arco-íris feito de muita precipitação entrecortada por ocasionais raios de sol.

10
Ago20

Um grande!


Pedro Azevedo

Nos últimos dias, perante a provocação dos braguistas, tenho visto Sportinguistas a defender que "o 3º grande somos nós". Ora, o Sporting não é o 3º grande, o Sporting é, sim, um dos 3 grandes (para mim, o maior). Parece a mesma coisa, mas não é. De todo. É isso que deve ser dito perante o ardil que à nossa volta é montado, na medida em que quando se começa a traçar uma linha na areia isso soa a desespero e último bastião de defesa e traz à recordação Os Belenenses e a sua afirmação à época de serem o 4º grande enquanto resvalavam para fora desse núcleo notável do futebol português. 

 

Mesmo que pontualmente possa não estar, o Sporting é um grande. Por isso é que importa não nos conformarmos e não se perder mais tempo, de forma a que a percepção da realidade não roube o palco à realidade como ela sempre foi. É ao encontro da nossa história que temos de rapidamente caminhar, porém isso implica que tenhamos consciência do nosso estado actual para que possamos agir, corrigir e reocupar sustentadamente o nosso lugar de direito. 

08
Ago20

Eleições já!!


Pedro Azevedo

Em Ser Sporting, o "ser" é simultaneamente um substantivo e um verbo, identidade e existência. Ora, precisamente aquilo que está em causa hoje em dia é a nossa identidade, e saber se será possível continuar a existir o clube como sempre o conhecemos quando os atropelos cometidos sobre a nossa identidade já são significativos. 

 

Vou ser claro: desde Julho de 2018 que escrevo estruturadamente sobre os 3 pilares da nossa perenidade: Sustentabilidade (política desportiva, estratégia financeira e futebol português), Cultura Corporativa e Princípios/Ética. Antes ainda já perorara sobre cada um desses pilares, embora de uma forma não tão organizada ou que os relacionasse entre si. Acontece que actualmente é claro que estamos a falhar rotundamente na abordagem individual e colectiva a esses pilares, tampouco transparecendo que eles sequer tenham sido interiorizados por quem nos dirige. 

 

João Goulão hoje fala nisso no És a nossa FÉ, mostrando as consequências de uma política desportiva errática e transbordante de planos da pólvora que, obviamente, depois nos explodem nas mãos, onde qualquer jogador não está seguro, seis treinadores lideram a equipa principal de futebol em apenas ano e meio e quinze jogadores são contratados entre Janeiro de 2019 e Janeiro de 2020 enquanto, um a um, todos os craques do plantel vão rumando a outras margens. Ao mesmo tempo, tornam-se cada vez mais públicos e notórios os problemas financeiros e de tesouraria da SAD do Sporting por via da ausência de um modelo económico que sustente a nossa actividade. Adicionalmente, a voz do Sporting não se ouve nos orgãos de decisão do futebol português, restando cuidar de saber se tal decorre das nossas ideias não passarem ou de não haver ideia alguma. 

 

Também a nível de Cultura Corporativa nada tem sido feito para aproximar os sócios. Pelo contrário, o fosso entre eles e entre eles e o clube é cada vez maior. Falta doutrina que extraia o melhor de cada um, sobra vacuidade e sentimentos negativos que são terra fértil para aparecimento de comportamentos desviantes e enfermos de um radicalismo intolerável. Não há qualquer magistério de influência. No entretanto, continua-se a brincar às castas de leoninidade e a balcanizar o clube em sub-espécies que me dispenso (por não concordar de todo com elas) de caracterizar. Somos todos Sportinguistas e essa sempre será a nossa força, do que precisamos é de uma liderança que não tema a opinião dos sócios e não os tente transformar numa mole acrítica e conformada. Pelo contrário, o que é necessário é saber ouvir as pessoas e compreender o que cada sócio pode fazer pelo clube do seu coração em vez de ficar à espera do que o clube pode fazer por ele. 

 

E já que afloro John Fitzgerald Kennedy, permitam-me que adapte o seu célebre "Ich bin ein berliner" proclamado às portas de Brandenburg e Vos diga que "Eu sou um Sportinguista", cada um de Vós é um Sportinguista, por isso não construamos muros entre nós, até porque é o objectivo de termos um clube melhor que nos dará posteriormente satisfação pessoal e não o seu contrário  O tempo urge e não se pode permitir que o senhor presidente da MAG continue a "comprar tempo" para que o CD o desperdice ingloriamente. Os sócios do Sporting não podem continuar a ser ignorados, as suas ideias não devem continuar a não ser discutidas. Isso remete-me para o plano dos princípios e para a relação que se estabelece entre OS e sócios. Estes são sempre muito importantes aquando das eleições para rapidamente serem encarados como um maçador empecilho no dia seguinte. Ainda recentemente, por via da inoportuna introdução do tema do i-voting na agenda mediática - não por não dever ser discutido, mas sim porque os actuais Orgãos Sociais estão numa posição de enorme fragilidade e o tema facilmente resvalará unicamente para um plebiscito à actual Direcção - se perdeu mais uma oportunidade de unir os sócios. Para tal bastaria tão somente envolver outros Sportinguistas na procura da melhor solução a ser apresentada futuramente em AG Estraordinária. E o que fez o PMAG? Tanto quanto foi anunciado, constituiu uma comissão exclusivamente formada por elementos da MAG e da Direcção do clube, todos certamente peritos informáticos de primeira linha que isto de pensar em aplicações, infraestrutura, telecomunicações e autenticações deve ser coisa pouca como ir à televisão mandar uns bitaites sobre tudo e coisa nenhuma. Adicionalmente, vemos um Conselho de Administração a aumentar-se a si próprio (ou sob poposta de uma Comissão de Vencimentos conivente, com o voto do Sporting) contra a vontade de todos os outros accionistas da SAD e sente-se que quem nos comanda confunde o "ser presidente" com o "estar presidente", não observa o princípio da transitoriedade dos cargos e o bem-maior Sporting e vai continuando a dividir para melhor se proteger e reinar, esquecendo-se que o clube é dos sócios. Além de que me parecem justificadas as críticas à opacidade de gestão, com notícias frequentemente plantadas nos jornais que mais tarde não se vêm a confirmar na leitura dos respectivos R&C (forma de pagamento pelo Man United de Bruno Fernandes ou alegadas dúvidas de Valência e Atlético de Madrid). 

 

Sportinguistas, todo este arrazoado nem seria necessário na medida em que o porquê das coisas deve sempre preceder a análise do que se fez ou como se fez. O porquê neste caso é a razão de aqui estarmos, a nossa identidade. E sobre isso não pode haver tergiversão. Qualquer Sportinguista sabe que desde 1906 o nosso lema é "Tão grande como os maiores da Europa" e não "tão grande como o clube da outrora Bracara Augusta". Assim saibamos ou queiramos estar à altura do desígnio do nosso fundador, José Alvalade. Como tal, cumpra-se José Alvalade, faça-se cumprir o Sporting Clube de Portugal. Eleições já!!

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06
Ago20

Polígrafo Sporting


Pedro Azevedo

Pós Editorial do Jornal Sporting ("Polígrafo Sporting CP") publicado por André Bernardo, cumpre dizer que a realidade financeira da SAD do Sporting é a seguinte: em 9 meses de actividade da época 19/20, a Março de 2020, a SAD obteve um resultado (sem venda de jogadores) negativo em €49,2 milhões. Tal compara com prejuízos (igualmente sem venda de jogadores) de €42,8 milhões em Março de 2019 e de €27,4 milhões em Março de 2018. Anualizando a perda anual e expurgando o efeito pandemia nos custos (corte nos salários nos últimos 3 meses de 40% com consequente reposição de 20% por via do recomeço do campeonato), o resultado anual sem venda de jogadores andaria à volta (para mais, devido á eliminação precoce das provas europeias) de €66 milhões. Acresce que a incerteza quanto à bilhética em 20/21 e a não qualificação directa para a fase de grupos da Liga Europa poderão elevar este valor deficitário para cima de €75 milhões.

 

Vejamos agora do ponto de vista do activo intangível, o valor do nosso plantel. Independentemente dos valores em queda apresentados no Balanço, e na medida em que os activos provenientes da nossa Formação têm um valor contabilístico próximo de zero, procurei a avaliação do Transfermarket como valor absoluto e comparativo mais fidedigno. Ora, o valor actual do nosso plantel para o Transfermarket é actualmente de €115,1 milhões de euros, uma descida acentuada face aos €211,1 milhões de euros verificados no início de 18/19 ou os €259 milhões observados no início de 17/18.

 

Conclusão: o nosso défice estrutural nos Resultados (sem venda de jogadores) aumentou 15% face a 18/19 e 79,6% quando comparado com 17/18. Paralelamente, os nossos activos depreciaram-se fortemente (45,5% face a 18/19, 55,6% perante 17/18). Ou seja, em 17/18 o nosso rácio de cobertura do défice de resultados por via da venda de jogadores era de 4,82 vezes, em 18/19 (consequência de Alcochete e opção de não aproveitamento de várias gerações da Academia e concomitante não diminuição dos Custos face à não-qualificação para a Champions) baixou para 3 vezes e no final de 19/20 (após 15 jogadores comprados!) é apenas de 1,71 vezes (57,3% do valor total do plantel, não esquecendo ainda que o Sporting não é detentor de 100% dos direitos económicos de diversos jogadores que compõem o seu plantel). É este o rastro de destruição de valor na SAD. E é muitíssimo preocupante, obviamente. 

 

Sem lendas e narrativas, com honestidade intelectual e apenas baseando-se em indicadores irrefutáveis extraídos dos Relatórios&Contas, este é o polígrafo de "Castigo Máximo" aplicado ao Sporting Clube de Portugal. Porque verdadeiramente assumir a responsabilidade das consequências das decisões tomadas no Sporting é aceitar os tremendos erros do passado e mudar de vida. Não é branquear o passado e com soberba imaginar os sócios do Sporting como menores do ponto de vista intelectual e como tal facilmente manipuláveis. Quem age assim não merece ter mais tempo à frente do clube para depois o desperdiçar ingloriamente.    

 

P.S.1. Em relação ao desempenho desportivo nem vale a pena falar...

P.S.2. O Sporting Clube de Portugal gasta de mais (€70M vs €18M em custos com pessoal, €105M vs €31M em gastos gerais) para andar a discutir taco-a-taco com o Sporting de Braga.

04
Ago20

Roger Over and Out


Pedro Azevedo

Roger Over: Uma nau à deriva

 

Roger Out: Carta aberta ao PMAG

 

P.S. A troca de palavras entre Rahim Ahamad, antigo vice-presidente do CD conhecido pela forma "carinhosa" como em editoriais do Jornal Sporting procurava "unir" os sócios do clube que criticavam o caminho seguido e apontavam em outras direcções, e Rui Morgado ilustra bem o jogo de espelhos que se vive em Alvalade. Rahim, que desafiava os ("sonsos") sócios a pensarem para lá do óbvio, não poderá demitir-se de considerar que hoje o óbvio é ululante e não deixa ver mais nada a não ser o fim de um ciclo. rogerioalves4.jpg

02
Ago20

Músculos, gorduras e o lado lunar


Pedro Azevedo

Após a não qualificação para a Champions de 18/19, a que se seguiu a invasão a Alcochete e suas consequências imediatas, o Sporting precisava de emagrecer. Acontece que esse emagrecimento não aconteceu, mantendo-se o peso. Mais, por via de uma vida sedentária e focada em actividades supérfluas como constantes idas às compras, o músculo foi perdendo fibras, diminuindo assim a sua elasticidade. Entretanto, a camada adiposa de gordura tomou-lhe o lugar.

 

Esta é a realidade recente do futebol do Sporting: enquanto o tecido muscular que gerava movimento e força se foi perdendo e com ele o potencial de acção, a gordura submetida a alta pressão originou malefícios para a saúde do paciente. Ou seja, traduzido para o futebolês, William, Patrício e Gelson primeiro, Nani, Raphinha, Dost, Bruno Fernandes e agora Mathieu depois, um a um os nossos melhores jogadores foram saindo. Para os substituir foram investidos 50 milhões de euros e gastos algumas dezenas de milhões em salários anuais inerentes sem sucesso desportivo relevante. Ao mesmo tempo, fibras jovens foram desaproveitadas durante praticamente 2 anos, acabando por ir reforçar com sucesso o tecido muscular de clubes de outras paragens. De recordar que em todo este processo os custos com pessoal não tiveram uma variação significativa, mantendo-se à volta dos 70 milhões de euros, e que os fornecimentos e serviços externos até subiram de forma acentuada, pelo que a estrutura de custos em nada se ajustou à nova realidade. 

 

O resultado prático disto tudo são os problemas financeiros que aparecem a jusante de um modelo económico de negócio que enferma de uma política desportiva desastrosa. É que não só não reagimos aos acontecimentos e emagrecemos como ainda substituímos músculo por gordura. E para quê? Em termos da Primeira Liga, a prova da verdade devido à regularidade que é necessário manter ao longo da época e competição que pode ou não apurar para a Champions, o Sporting alcançou neste biénio alguns dos piores resultados da década, distando 13 (18/19) e 22 pontos (19/20) do primeiro colocado - esta última temporada só foi ultrapassada de forma negativa em termos pontuais por 2010/11 (onde apesar de tudo garantimos o 3º lugar) e 2012/13 (7º lugar), épocas em que finalizámos com uma distância de 36 pontos para o vencedor - e alcançando um terceiro e quarto lugar que em qualquer circunstância não chegou para garantir o apuramento para a milionária Champions, acentuando também assim os problemas financeiros do clube. 

 

Dir-se-á que as consequências de Alcochete foram muito nefastas para nós. É verdade, na medida em que perdemos pelo menos 3 titulares absolutos, todos jogadores da selecção nacional, para além de também Podence e Leão, jovens de muito potencial, terem rescindido. Ainda assim, mesmo que bastante mais magra do que de outro modo muito provavelmente ocorreria, recebemos uma compensação pela saída destes atletas, valor esse ingloriamente desperdiçado em contratações cirúrgicas que não trouxeram músculo ao leão. Adicionalmente, continuámos a gastar acima das possibilidades oferecidas pela nova realidade europeia, investimos muito mal e desperdiçámos uma geração de jovens jogadores que não hesitámos em rotular de forma precipitada.

 

E por entre "gaps" da Formação, "contratações cirúrgicas" e outras lendas e narrativas criadas por amanuenses chegámos aqui. Como designar isto? Bom, o melhor será procurar um eufemismo. Recorramos assim ao Rui Veloso. Então aqui vai:

 

"Toda a alma tem uma face negra
Nem eu nem tu fugimos à regra
Tiremos à expressão todo o dramatismo
Por ser para ti eu uso um eufemismo
Chamemos-lhe apenas o lado lunar
Mostra-me o teu lado lunar"

 

É por isso tempo de regressarmos da Lua e aterrarmos os pés na Terra, afirmando como David Bowie em Space Oddity: 

 

"This is Major Tom to Ground Control
I'm stepping through the door"

 

Viva o Sporting Clube de Portugal! Viva uma história riquíssima que urge saber respeitar. Que se inicie a recuperação deste clube tão importante para todos os Sportinguistas e para o desporto nacional e internacional.

01
Ago20

Serei candidato assim que haja eleições porque...


Pedro Azevedo


  1. Acredito no Ser Sporting como ser humano envolto de genuíno amor ao nosso clube;

  2. Acredito numa acção prática, quotidiana, que devolva a esperança a todos nós;

  3. Acredito vencer a inércia e o desânimo e mobilizar cada um dos Sportinguistas; 

  4. Acredito na excelência, tendo sempre presente o lema e desígnio do nosso fundador;

  5. Acredito numa doutrina que extraia o melhor e não o pior de cada Sportinguista;

  6. Acredito num clube aberto à participação dos sócios e que não tema as suas ideias;

  7. Acredito que se está presidente, não se é presidente;

  8. Acredito que cada presidente deve entregar o clube melhor do que o encontrou;

  9. Acredito que uma política desportiva adequada resolverá os problemas financeiros;

  10. Acredito nas boas práticas de gestão;

  11. Acredito no princípio do clube formador complementado com atletas de qualidade;

  12. Acredito que os meus interesses sempre se alinharão com os dos Sportinguistas;  

  13. Acredito em poder deixar um magistério de influência para quem venha a seguir;

  14. Acredito numa união que não se pede, antes se conquista a cada dia;

  15. Acredito numa comunicação clara e transparente a sócios, accionistas e mercado;

  16. Acredito em ser sempre pró-Sporting e não pensar na preservação pessoal no cargo;

  17. Acredito que nada disto faria sentido se não fosse pelo Sporting;

  18. Acredito no ecletismo e no legado de Moniz Pereira, Reis Pinto ou Salazar Carreira;

  19. Acredito na democraticidade interna e em abrir os nossos meios aos Sportinguistas;

  20. Acredito no Sporting.

31
Jul20

Sobre a demissão dos Órgãos Sociais


Pedro Azevedo

Não sou de todo dado a exercícios de trapezismo e entendo que o equilíbrio na análise advém acima de tudo do conhecimento e rigor no tratamento da informação disponível e não de tacticismos. Tem sido através deste princípio - e não por dar "uma no cravo e outra na ferradura" - que aqui tenho formulado as críticas que entendo como justas a estes Órgãos Sociais e, especificamente, à Direcção do clube e Administração da SAD, separando sempre os actos escrutináveis de gestão do profissional do respeito que qualquer pessoa me merece, não promovendo nem alimentando ataques "ad-hominem". A maior parte daquilo que escrevo é quantitativo e como tal objectivo. Já a parte restante, sendo qualitativa, poderá ser considerada como subjectiva, porém os resultados práticos observados infelizmente só têm vindo a confirmar a justiça das críticas sempre fundamentadas  antecipadamente feitas. Nesse sentido, por priorizar o não querer ser cúmplice de um caminho de desesperança que obviamente não me parece nada bom em detrimento da solidariedade que de outra forma me moveria em relação aos correntes Órgãos Sociais e ao cumprimento dos mandatos, após inúmeras tentativas falhadas devido ao autismo de quem dirige de antecipadamente evitar um curso de acontecimentos altamente nefasto para o clube e para os Sportinguistas e face à impossibilidade de discutir internamente entre Sportinguistas e na obediência dos Estatutos estes pontos de vista (adiamentos sucessivos do Congresso, da primeira vez bem antes da Covid com a "justificação" de que o momento não era oportuno para debate), tenho vindo publicamente a assumir que o prazo destes altos representantes do Sporting Clube de Portugal se esgotou, razão pela qual deveriam apresentar a demissão. Fazendo-o publicamente, não me refugiando em manobras de bastidores, em prévias benções papais ou cálculos oportunisticos. Sempre com independência e equidistante de facções, porque na minha concepção só existem Sportinguistas e não grupos, grupelhos e grupóides que são formas não úteis de expressão de um todo de "leoninidade". Ainda assim poderá haver quem não goste. Eu, que gosto de assumir o que penso e nunca me escondo nem ando a tergiversar, estou de consciência tranquila. No Sporting não podem haver inimigos e quem gosta do clube tem a obrigação de o debater e defender. Da forma como eu entendo, somos todos do Sporting e todos queremos o melhor para o clube. Simplesmente, haverá naturalmente visões diferentes, mas no fim do dia o que dará gratificação a todos será ver o Sporting num ciclo virtuoso, algo que importa cumprir e não pode ser mais adiado. Viva o Sporting Clube de Portugal, os Sportinguistas e o Sportinguismo. 

Pedro Azevedo

(Sócio 5602-0)

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