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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

08
Jan22

Tudo ao molho e fé em Deus

Maldição insular


Pedro Azevedo

Já se sabia que os termos nazareno e catolicismo andavam de mãos dadas, mas ontem tivemos a sua confirmação ao vivo e a cores num jogo de futebol quando o Esgaio incorporou de tal modo o espírito de Santa Clara que acabou a notabilizar-se por uma exibição de uma pobreza franciscana. Paradoxalmente, houve logo quem visse nisso um pecado, imagine-se, mas o Esgaio é um santo homem. Pelo menos, nos Açores. E em Assis, claro. Continuando na senda da dádiva, alguém deveria dizer ao Matheus Nunes que tem de rematar à baliza. São já incontáveis as jogadas que se perdem ingloriamente por optar por um último passe em detrimento do chuto. É uma pena, até porque toda a construção que antecede esse(s) momento(s) tem sido brilhante, mas o excesso de altruísmo do Menino do Rio à entrada da área está a prejudicar o seu desempenho e o da equipa. A ausência no banco de Ruben Amorim foi também uma benesse concedida aos açorianos. O seu adjunto, Carlos Fernandes, ouviu mais pelo auricular do que aquilo que viu com os seus próprios olhos no relvado. O que não viu, e nós também não, foi aquele tocar a reunir que nos caracteriza nos momentos difíceis, deixando que a equipa frequentemente partisse o jogo e deixasse avenidas para circulação pouco comuns em ilhas de pequena dimensão. Com Pote e Paulinho perdulários e a classe de Sarabia a ser sistematicamente mal-aproveitada através de passes em profundidade a solicitar uma velocidade que não tem, o Sporting acabou por deixar 3 pontos nos Açores neste início do ano. A fazer lembrar a eliminação (Taça dê Portugal) aos pés do Marítimo em igual momento do ano transacto, o que configura uma maldição insular de ano novo. Ele há coisas... Como dizem os espanhóis: "yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay". Terá sido por efeito da Madalena Aroso?

23
Dez21

Tudo ao molho e fé em Deus

Faroeste lusitano


Pedro Azevedo

No Lucky Luke, imortalizado pelo Morris, o mau da fita geralmente terminava coberto de alcatrão e penas. Mas isso era o faroeste americano, por onde o "poor lonesone cowboy" vagabundeava. Nós por cá, felizmente, somos civilizados e não fomentamos essas práticas indecorosas. Caso contrário, poderíamos ser tentados a pensar que o mundo da bola tuga também é um faroeste, o que com um árbitro com muitos Km de estrada de Primeira Liga num jogo que envolvia uns gansos certamente não auguraria nada de bom.  

O Sporting começou por dar avanço aos casapianos, histórico clube dos internacionais Roquete, que era da PIDE, e de Cândido de Oliveira, mais tarde nosso treinador no tempo dos 5 Violinos, que reza a lenda foi preso pelo primeiro. Presos ao chão pareceram os nossos na alvorada do jogo, e Jota voou para colocar o Casa Pia em vantagem. O golo não mudou a letargia geral dos nossos, e durante um período o futebol foi incaracterístico. Tempo então para Daniel Bragança entrar no jogo e todos deslumbrar com o seu toque fino, acelerações com bola e, imagine-se, até com recuperações de bola aéreas(!!). Porém, seria por intervenção do laboratório de bolas paradas que Amorim montou em Alcochete que o Sporting voltaria e equilibrar a contenda: para não variar, o capitão Coates foi lá à frente fazer a diferença.

Após o intervalo o Sporting entrou com Paulinho no lugar de Nazinho. Quer dizer, mais do que uma substituição de diminutivos houve uma  efectiva troca de posições, com Tabata a recuar para o lugar do muito jovem lateral/ala esquerdo e o Sporting a ganhar finalmente quem fosse capaz de pensar o jogo de cabeça levantada, o que como se sabe ajuda a perceber melhor o que se passa em redor (o Tabata geralmente concentra mais os seus olhos na relva, o que até poderá vir a revelar-se útil no combate a térmitas e fungos que vêm afectando o estado do nosso terreno). 

Com melhor dinâmica, fomos então dominando o jogo. O Pote, às voltas com o mau-olhado, até voltou a passar à baliza, coisa que, já se sabe, o tornou letal. Mas o poste ou o guardião dos Gansos conseguiram adiar o golo. Até que o Sarabia arrancou um remate que fez a bola bater na trave, ressaltar para dentro da baliza e voltar a tocar na trave antes de sair para fora da baliza. Ora, quem perceba um pouco de geometria percebeu logo que a bola só podia ter entrado, mas Rui Costa e companhia não terão sido assíduos nas aulas de matemática e mandaram seguir. Salvou-nos o VAR, como em tantas outras vezes, que em tempos natalício bem merece um "Hosana ao VAR". Ele é o caminho, a verdade e a vida, pelo menos para nós que com os meios de antigamente já estaríamos remetidos ao "nosso lugar" de sempre. É verdade, o VAR para nós é como um profeta que nos ilumina o caminho e nos mostra que afinal não somos filhos de um Deus menor. Pena é que sempre que há margem para a invenção o assistente vídeoarbitral não cumpra o seu papel: ontem, por exemplo, o Tabata viu-se expulso quando tentava fugir a um tackle deslizante perpetrado por um jogador do Casa Pia. Em inferioridade numérica, o que nos valeu foi a sagacidade do Amorim, que de uma penada refrescou todo o meio campo e meteu ainda o Homem Prevenido (aquele que vale por dois). 

Bom, chegámos ao Natal, barreira que noutros tempos era vista com um pessimismo digno de uma profecia de Nostradamus. E estamos em todas as competições: primeiros, ex-aequo, no Campeonato; nos quartos-de-final da Taça de Portugal; na "Final Four" da Taça da Liga; nos oitavos-de-final da Champions. Agora é pensar em trinchar o peru e continuar a encher a pança, sabendo de antemão que a azia ficará para um dos nossos rivais que se degladiarão hoje a partir das 20H45. Feliz Natal para todos os Sportinguistas. (E para todos os outros também, que são igualmente filhos de Deus pese embora o Jesus de Carnide ande a deixar os fiéis em brasa com o namoro com o Flemengo.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Daniel Bragança 

19
Dez21

Tudo ao molho e fé em Deus

Um homem prevenido


Pedro Azevedo

O Nuno Santos é um homem prevenido, como tal vale por dois. Por isso, mesmo com apenas 9 jogadores de campo e um guarda-redes, o Sporting jogou sempre num 3-4-3 e não no 3-4-2 que toda a crítica apontou. Mérito total do ex-jogador da Formação do Benfica, que foi um dois-em-um, defendendo como um Matheus e passando a bola a si próprio como se de um Sarabia se tratasse. Foi assim aliás que nasceu o nosso primeiro golo: o Nuno Reis recuperou a bola na saída para o ataque dos gilistas e lançou o Pablo Santos que logo desferiu um remate que carambolou para dentro da baliza. Na verdade, as expulsões fizeram toda a diferença no jogo: é que enquanto o Ruben Amorim trocou um por dois, o pobre do Ricardo Soares soube de antemão ser impossível substituir uma (Fuji) moto e ficou apeado. Foi galo! 

Quem parece andar às voltas com a sua essência é o Pote. Então não é que o homem decidiu começar a rematar à baliza? Como consequência, os seus golos deixaram de existir. Quando simplesmente passava à baliza o desfecho era inevitável, o golo, mas agora, ao parecer forçar a barra, a bola deixou de entrar. Do mal o menos, se antes marcava como quem assistia, em souplesse, ontem assistiu (Inácio) como quem marca, em força. 

Com o jogo partido entrou o Bragança. Aquilo foi uma delícia, uma coisa a fazer lembrar o Brasil de 82, do Zico e do Sócrates, um festival de toque e retoque que desmaquilhou o resto da compostura barcelista. Como corolário, mais um golo, com classe, obviamente. Bem também o Esteves, o puto faz-se jogador e não tem medo de nada nem de ninguém. 

Do árbitro Tiago Martins será melhor nem falar. Desde confundir o Neto com o avô - sim, o Ugarte joga com tanta personalidade que mais parece um veterano de 20 anos - até não ver um penalty do tamanho do Cidade de Barcelos, passando por ignorar um golpe de MMA perpetrado pelo Fujimoto ou por impedir sucessivos contra-golpes leoninos alegando faltinhas daquelas a que os árbitros por toda a Europa não dão ouvidos (sim, a encenação vem geralmente acompanhada de gritinhos agudos e manhosos), o Tiago Martins fez de tudo um pouco. Em suma, uma arbitragem própria de um jogo de solteiros e casados, do Inatel, com paragens ideais para se tomar uma cervejinha ou fumar um cigarrinho. 

E assim chegou a décima (vitória consecutiva), com o Ruben já a alertar para a urgência da décima primeira. É assim também que se faz este novo Sporting, olhando para a frente e não para o retrovisor. Sem madeixas. Eu gosto. 

Tenor "Tudo ao molho...": Nuno Santos

nunosantos.jpg

08
Dez21

Tudo ao molho e fé em Deus

Derrota com moral


Pedro Azevedo

Com Rúben Amorim ganhamos sempre, mesmo quando perdemos. No passado, o Sporting perder era previsível, hoje passou a ser determinístico, obedece a uma causa. Sabemos quando podemos perder, e até ousamos perder para podermos ganhar diferentes coisas: novos jogadores, experiência, foco, humildade, pés bem assentes na terra. Uma causa assim é justa: perdemos hoje rumo à vitória final. Além disso, deixamos de banalizar a vitória. Vencer exige trabalho, concentração e organização permanentes. As vitórias alimentam-se a si próprias, acrescentam aos factores que conduzem ao êxito porque dão um moral que eleva a parte mental para o nível do físico, técnico e táctico. Mas também podem conduzir à soberba, atribuirmos a nós próprios um valor acima do real. A derrota tem o condão de nos fazer reflectir, rever processos, crescer. Por isso também é importante perder, nomeadamente quando a derrota não tem impacto no atingir de objectivos. Escolhendo criteriosamente o momento da derrota, mais perto estaremos de alimentar o sonho de vitória. E ganhamos tempo. Tempo de recuperação para jogadores fatigados, tempo de jogo para os menos utilizados, antecipação do lançamento de jovens. E prevenimos contratempos: lesões e impedimentos disciplinares. Pensando bem e analisando todos os factores, o Sporting goleou ontem à noite em Amesterdão. É que se há vitórias que são à Pirro, também há derrotas que deixam um sabor doce na boca.  Este, aliás, é o paradigma do novo Sporting: deixámos para trás o tempo das vitórias morais (derrotas injustas) e encaramos o novo tempo das derrotas justas e que dão moral (e ensinamentos). Procurando nas derrotas identificar os problemas que depois de solucionados nos levam às vitórias. Se isso só pode acontecer perdendo, percamos então com estilo. O que me leva à seguinte interrogação: não terá sido o 1-5 com o Ajax a nossa maior vitória da época? No fim se verá, mas hoje tudo leva a crer que sim...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Ugarte

SportingAmesterdao.jpg

04
Dez21

Tudo ao molho e fé em Deus

Dinamatheus


Pedro Azevedo

Com o Rúben Amorim a degustar ao jantar o Mestre da Tactica com 3 batatinhas e o Matheus Nunes a recordar-nos que o Ruca é uma estorinha para embalar meninos, o Sporting venceu sem espinhas na Luz. Durante a semana muito se havia falado das ausências de Palhinha e Coates, como se o Sporting, à laia da B SAD, se fosse apresentar apenas com 9 jogadores em campo. Acontece que o Ugarte e o Neto jogaram mesmo, e o uruguaio destacou-se em particular pela audácia com que encarou o seu novo habitat, não deixando crescer a relva à sua volta. Depois, os movimentos entre-linhas de Pote, a utilização por parte de Sarabia da via verde na auto-estrada existente entre Lázaro (mais tarde, Cebolinha) e André Almeida e a capacidade de pressão alta de Paulinho ajudaram a cavar a diferença. De tal forma que só por sorte o Benfica não chegou ao intervalo a perder por 2 ou 3 golos, algo visível para todos os espectadores excepto para o Mr Magoo que se sentou no banco dos encarnados. Com muitas soluções entre os suplentes para refrescar a equipa, no segundo tempo o Benfica cresceu na partida. Mas então entrou em acção Matheus Nunes: foram duas cavalgadas (eu já tinha dito que ele é um Mustang) de 50 metros que dinamitaram e aniquilaram por completo a resistência encarnada, a primeira concluída com um passe de ruptura(!) a servir de bandeja Paulinho, a segunda directamente a pô-lo na cara do golo e assim permitir-lhe sentenciar o jogo. O que deixa a seguinte questão: quão mais tempo conseguiremos manter o  Matheus afastado da cobiça dos gigantes europeus? É que ele assentaria que nem uma luva no Liverpool de Klopp, por exemplo. Bom, mas isso só acontecerá numa das próximas janelas de transferências, por isso desfrutemos ao máximo dele enquanto podemos. Todavia, será possível ter saudades de alguém ainda presente? Eu já tenho. Ah, e não esquecer o Gonçalo Inácio! Vinte aninhos apenas, mas uma saída de bola a fazer lembrar o Kaiser Beckenbauer e uma coordenação da linha defensiva que deve ter rebentado de orgulho o grande capitão Coates. E assim, com este espírito e esta classe, vai crescendo a onda Sporting. Na crista, a surfá-la com maestria, está o Amorim. Deus o guarde connosco por muitos anos, que não há preço para a felicidade e a alegria nos lábios de crianças e de adultos que há muito já mereciam isto. 


P.S.1. Qual a diferença entre o golo de Sarabia e o tão aclamado golo de Bernardo Silva a meio da semana? 

P.S.2. Sem querer "puxar o saco", já dizia o Cruijff que os sacos de dinheiro não ganham jogos. 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes. Paulinho, Sarabia, Gonçalo Inácio, Ugarte e Pote (anormalmente perdulário na finalização) estiveram também em excelente plano, mas todos os utilizados passaram no teste. 

19
Nov21

Tudo ao molho e fé em Deus

Pote 2 na Taça


Pedro Azevedo

O Sporting sentiu muitas dificuldades em contrariar a excelente exibição dos fungos (e, bate na madeira, térmitas) ontem em Alvalade, ao ponto de Jovane ter mesmo literalmente visto o chão a fugir-lhe debaixo dos pés. Dada esta condicionante, e não desvalorizando o Rúben Amorim como extraordinário treinador que é, para vencer em nossa casa talvez fosse mais aconselhável ter no banco a Nancy Botwin (Mary-Louise Parker) do Weeds, uma renomada especialista em erva. Fica a ideia, até porque sempre se poderia aproveitar a coisa para fins medicinais que não envolvessem propriamente entorses e cirurgias aos ligamentos dos joelhos...

 

Para além dos fungos, as fobias também dominaram o jogo. Por exemplo, a fobia de Paulinho em acudir ao primeiro poste, preferindo esconder-se ao segundo na esperança de que um "alien" amigo subitamente fizesse desaparecer toda a equipa da Póvoa da face da Terra e a bola sobrasse para ele. Só que o alienígena tem andado ocupado no outro lado da Segunda Circular a fazer desaparecer membros dos orgãos sociais do Vieira e faltou à chamada, e o Paulinho voltou a ficar a zeros. Aliás, nem se viu, o que me leva a intuir que, como muitos dizem, defendeu muito bem... o relvado. 


Mas nem só de fungos e de fobias foi feito o jogo, houve também tempo para destruir alguns mitos. O de Bragança como médio defensivo, ou o de Esgaio como potencial central pela direita, neste sistema de Amorim, por exemplo. Não admira assim que Palhinha e Inácio tenham sido ausentes omnipresentes, assim como o grande capitão Coates e o fio de prumo com que orienta a linha de fora de jogo. Também o Nuno Santos agitou muito durante todo o jogo, mas para não variar a classe do Sarabia é que fez a diferença em pouco tempo. 

No fim, valeu o Pedro Gonçalves, o que não é propriamente uma novidade, que marcou dois golos em apenas trinta e dois minutos. Pondo-nos assim no sorteio dos oitavos-de-final. Ainda que lá chegando no Pote 2 (o Pote 1 não foi suficiente). 

Tenor "Tudo ao molho...": Pote 

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15
Nov21

Tudo ao molho e fé em Deus

“Primavera Marcelista” ou Revolução?


Pedro Azevedo

Portugal venceu o Euro 2016, ganhando somente um jogo nos 90 minutos. Quem viu o copo meio cheio atribuiu o título europeu à resiliência e crença de jogadores e equipa técnica, os outros creditaram-no ao animal sagrado da Índia (possível reminiscência imperialista por Goa, Damão ou Diu terem sido nossas). O que é certo é que essa conquista instaurou a ditadura dos resultados. Portugal ganhava, e pouco interessava que o seu jogo colectivo rivalizasse com o "poderoso"  Liechtenstein, sentimento que se acentuou com novo triunfo europeu, agora na Liga das Nações. E assim fomos andando, ao ponto de o endurecimento da ditadura (dos resultados) implicar que goleadas por 0-0 fossem bem aceites pela maioria. Até que chegaram os sérvios, tão criticados por históricamente não conseguirem formar uma equipa minimamente condizente com a valia individual dos seus jogadores, e mostraram que o "rei" ia nu. Seguir-se-á a "Primavera Marcelista" (em Março), na esperança de que o desanuviamento (das exibições) se alie aos resultados e o povo se alegre. Se não resultar, Abril será mês de revolução (aonde é que eu já vi isto?). 

P.S.1. É impressão minha ou, após tanto debate à volta da melhor forma de encaixar as condições climatéricas do local onde vai ser jogado o próximo campeonato do mundo no calendário, o Qatar ficou subitamente muito mais frio?  

P.S.2. Algo terá de estar substancialmente errado quando um lateral com o balanço ofensivo e a categoria de João Cancelo passa um jogo inteiro sem ultrapassar a linha do meio campo. 

P.S.3. Clubite à parte, a opção inicial por Danilo em detrimento de Palhinha (para jogar em 4-3-3 e não em 5-3-2, que mesmo mais tarde o 3-5-2 nunca apareceu em campo) parece-me muito pouco defensável. 

12
Nov21

Tudo ao molho e fé em Deus

Nacionalismo-santinho


Pedro Azevedo

Caro Leitor, se os adeptos do Sporting viveram com Silas um período que denominei como de marxismo-leoninismo, ontem os fãs da nossa Selecção depararam-se com o nacionalismo-santinho (saúde!), um movimento entre a democracia cristã - patente na autonomia conferida a cada jogador (ao ponto de às tantas aquilo parecer que é cada um por si) e na solidariedade (no caso) para com os concidadãos de etnia celta que se nos depararam - e uma extrema-direita onde até quem está à sua esquerda (Dalot) é um conservador empedernido (e destro). Com uma equipa sub-virada à direita, não tardou que a nau portuguesa adernasse e se expusesse às vagas de ataque irlandesas. Matheus Nunes ainda procurou fazer contra-peso à esquerda, mas o seu esforço foi totalmente em vão por falta de quem o acompanhasse: por essa altura, Ronaldo, Bruno e André Silva mantinham-se no centro e Guedes e Sem Medo a estibordo da embarcação. A esquerda, dizimada pela Geringonça, desapareceu sem deixar rasto (e lastro).

 

Com 6 jogadores à bica, Fernando Santos esteve quase a tomar um Irish Coffee (ou "coffin", que a coisa esteve mesmo para correr muito mal) com doses de cafeína e whiskey suficientes para que os seus tiques de pescoço se manifestassem da forma hilariante que se conhece. Mas nem precisou, tal a enebriante declaração final que bem poderia ter sido produzida à saída do Temple Bar. Ficámos então todos a saber que para o engenheiro ter goleado por 5-0 ou por 0-0 era igual. O que vale é que só falta mais um jogo até ao Qatar. Depois, "vão-se catar", que a prioridade por uma vez serão os clubes, afinal quem paga isto tudo (mas em terras de Leprecons e sem Pote de Ouro até não parece).

03
Nov21

Oktoberfest em Novembro


Pedro Azevedo

- O Maite era bom para jogar na Austrália: "Hi Meite (mate), Bye Meite" (à medida que os adversários o iam ultrapassando). 
- O Grimaldo ficou em estado de coma(n). 
- Jesus, "factualmente", preferiu sacrificar os cordeiros, e assumiu-o.
- O Pizzi deve ser o mais requisitado após os jantares do plantel do Benfica: nunca será apanhado em excesso de velocidade. 

25
Out21

Tudo ao molho e fé em Deus

A importância de ganhar


Pedro Azevedo

Os jogos com as equipas pequenas e médias são os que tradicionalmente decidem campeonatos. Como tal, é decisivo ganhá-los. E, para ganhá-los, há que marcar golos ou, pelo menos, mais um golo que o adversário, cabendo geralmente ao ponta de lança a dose de leão da contabilidade dessa arte de abanar as redes. É certo que o adepto pode exasperar se aquele que é designado por ponta de lança não fizer jus a esse epíteto, mas no passado já tivemos pontas de lança goleadores como Liedson ou Dost e não deixámos de escorregar e de perder pontos em jogos que antecipadamente dávamos como favas contadas. Por isso, ganhar é sempre o mais importante, marque o Coates, o Paulinho roupeiro ou o Ambrósio do Ferrero Rocher. (Neste último caso, tipo disco pedido do "Quando o telefone toca..." com senha e tudo a condizer, o adepto partilharia o seu desejo com o Ambrosio da seguinte forma: - Ambrósio, apetece-me algo... - Sim, senhor, que tal um golo açucarado? O adepto assentiria, o Ambrósio far-lhe-ia a vontade e ambos, no fim, partilhariam um doce e cúmplice sorriso.)

 

Para além destes jogos tomados como fáceis muitas vezes darem razão à alegoria do David e do Golias, a recepção ao Moreirense em particular sucedia a uma partida desgastante do ponto de vista físico e emocional, de alta intensidade e concentração máxima, disputada na longínqua Istambul. Havia, como tal, razões ponderosas de gestão de plantel a considerar, bem como uma presumível preocupação acrescida da equipa técnica com o foco dos jogadores, algo sempre difícil quando se vem da Cerimónia dos Óscares para a festa de anos do Óscar.  

Assim, há que dizer que a prova foi superada. Não com distinção, até porque do outro lado não estavam exactamente 11 bidões e sim uma equipa que ainda num passado recente veio ganhar com alguma facilidade ao Estádio da Luz, mas de uma forma relativamente tranquila e com poucos sobressaltos, que no fim serviu para garantir os tão desejados 3 pontos. 

O Paulinho não marcou? Não. E teve 5 boas oportunidades para isso. Não sei se será possível estabelecer com o Paulinho uma linha de diálogo do tipo Ferrero Rocher e porventura (o mais certo) ele até poderá ser diabético em matéria de golo e ter um metabolismo que não aguenta níveis elevados de produtividade em frente das balizas, mas enquanto houver uma equipa em vez de 11 jogadores será sempre possível esconder as fragilidades de cada um e sublimar a força do todo. Todo esse onde nós, adeptos, também nos inserimos, levando ao colo o Paulinho aquando da sua saída do terreno de jogo. Para um dia, quem sabe, levar-nos ele ao colo, se bem que "colinho, colinho" é mais fácil presumir do outro lado da Segunda Circular. 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Reis (melhor exibição de leão). Coates foi, uma vez mais, decisivo (quem é que precisa de um ponta de lança quando tem um Coates escondido lá atrás?). Sarabia já podia ser o rei das assistências deste campeonato, assim concretizassem os seus inúmeros passes com conta, peso e medida para golo. Bragança distinguiu-se pelos bons pormenores com bola, ainda que defensivamente tenha sido leve na abordagem de alguns lances. Ugarte entrou com ganas e mostrou merecer mais minutos e Matheus Nunes ainda teve tempo para uma arrancada típica das suas. 

13
Jul20

O Feddalismo


Pedro Azevedo

O Feddalismo é um sistema político, económico e social que vigora no Sporting há muitos anos. Deve a sua formação à desagregação do império (terrenos, equipamentos desportivos, influência por via do ecletismo, passivo zero, dinheiro em caixa) criado por João Rocha, lançamento da SAD, menor importância dada aos sócios, necessidade de contabilisticamente alimentar o activo (os jogadores da Formação entram a zero no Balanço) e geração de "turnover". A consequência directa da existência deste sistema é a ausência do título nacional em futebol, a indirecta é a falência técnica da sociedade desportiva que sustenta o projecto(?) futebolístico do Sporting. Tolerado por algumas elites e na sua última versão fortemente suportado pelo actual tudólogo do regime (numa qualquer televisão ao pé de si), o Feddalismo ameaça acabar com o clube. Cumpre por isso mudar de vida e substituir este sistema autoritário e altamente demagógico, frequentemente populista e nada popular, explorador das expectativas dos vassalos adeptos, de economia estagnada, finanças depauperadas e política caótica, sem critério ou flexibilidade para admitir as mudanças que seriam lógicas e nos afastariam do mau caminho (qualquer caminho se faz caminhando, até o do abismo), em que mesmo um óptimo sinal como a (tardia) aposta na Formação é imediatamente contradito pela falta de critério na roda do mercado que melhor poderia enquadrar os nossos jovens jogadores. Porém, os observadores dividem-se quanto à opção a seguir no futuro. Para uns a solução é o capitalismo puro e duro, para outros, nos quais me incluo, a competência, objectivos concretos e um sistema de governação que dê garantias das melhores práticas de gestão. Uma coisa parece certa: no Sporting ainda vamos ter durante algum tempo a figura do senhor Feddal. Ao que parece, tal como no Excel, há quem acredite que o clube suporta tudo...

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30
Ago19

O estado da Nação


Pedro Azevedo

O Sporting deste milénio, sendo dos três grandes o único que tem Portugal no seu nome, é curiosamente o menos português dos clubes portugueses. Na verdade, quando a generalidade dos portugueses cultiva o mito sebastiânico e espera que o regresso d`El Rei num dia de nevoeiro os salve de uma vida onde sobra pouco tempo (e dinheiro) para viver a... vida, nós, os Sportinguistas, não somos saudosistas e até gostamos de utilizar a expressão "o cemitério está cheio de insubstituíveis" enquanto contemplamos um céu sem nuvens no horizonte. É um "wishful thinking", o Prozac - deve estar referenciado pelo nosso Scouting - que cada leão toma enquanto lhe levam os anéis (e também o cenário do céu sem nuvens emprestado por um estúdio da Venda do Pinheiro, de Oeiras ou de Queluz). De facto, no Sporting quase tudo é substituível. A começar pelos jogadores. Pouco interessa que não ganhemos um campeonato em ano ímpar desde 1953, há portanto 66 anos. Para nós, os Sportinguistas da era pós-moderna, o Necas, o Malhoa, o Zé da Europa e o Albano foram/são perfeitamente substituíveis. Só que não, como o comprova termos perdido o campeonato em 33 anos ímpares consecutivos. Ainda assim, poder-se-ia ter dado o caso de termos ganho o campeonato em todos os anos pares desde 53. Só que (de novo) não. As nossas vitórias nesses anos não chegam a 1/3, o que significa que ganhámos menos de metade do que Benfica e Porto juntos. E já nem falo de Peyroteo, homem honrado, de outros tempos, que, por ter feito uma festa de despedida que lhe permitiu arrecadar uns cobres para salvar um negócio em mau momento, sentiu que estaria a enganar os Sportinguistas se voltasse aos relvados, pese embora as suas (imensas) capacidades futebolisticas ainda estivessem intactas. Para sua sorte, mas não para sorte da sua carteira, nunca jogou nestes tempos modernos em Alvalade, não se tendo assim de sujeitar a ser considerado um tosco que só atrapalhava o "processo" ofensivo e logo aí ter como destino ser recambiado para alívio salarial da entidade patronal, coisa obviamente de conotação kafkiana para quem apresentaria a modesta contribuição de 1,6 golos por jogo.

 

É curioso, pois quando era pequenino o Sporting era aquele que aos Domingos ia a jogo, em que os ídolos eram os jogadores, a origem do sortilégio da nossa paixão. Hoje, no pós-modernismo leonino, eles são todos substituíveis para os sócios e/ou adeptos. Mesmo que se chamem Bruno Fernandes, Marcos Acuña, Jeremy Mathieu ou Bas Dost, ou qualquer um equivalente ao abono de família do atarantado senhor Keizer - "Tragam-me um ponta de lança. Móvel, de área? Tanto faz" - no fim do mês. Dizem que é a natureza do "negócio", uma forma altamente "edificante" de meritocracia em que aqueles que elevam mais alto a nossa camisola são tratados da mesma forma (quando não pior, e já nem falo do dia de horror vivido em Alcochete) que aqueles que não cumprem os mínimos daquilo que deveria ser a exigência pedida a um futebolista do Sporting. Por exemplo, se Vasco da Gama estivesse ao serviço das nossas cores, a sua descoberta do caminho marítimo para a Índia não valeria mais para nós que o deslindar do melhor caminho para a Brandoa pelo Moovit, ou até que os atalhos que o Ilori e o Borja escolhem para pôr em perigo o meu pobre coração sofredor. É o que fica implícito depois de tanto leilão, ou saldos, ou liquidação total, ou lá o que é. Posto isto, nós, sócios e adeptos, queremos que os jogadores nos respeitem, o que também faz sentido. Para nós, Sportinguistas, única e exclusivamente, bem entendido...

 

Aparentemente, os únicos não-substituíveis no clube são os presidentes. Por eles não se cala a indignação, sobram querelas, batalhas, guerras até. Deles certamente dependerá a emoção de todos os fins de semana. E quando não a emoção, a razão, a nossa sustentabilidade, as contas sempre impecáveis que apresentamos no final de cada época desportiva, ano após ano, razão pela qual todos os futebolistas devem ser substituíveis. Para que possamos apresentar sempre lucros? Não. Para que possamos fazer plantéis cada vez mais fortes? Também não. Por qualquer outra razão estratégica, aliás explicada tim-tim por tim-tim aos sócios? Não, não e não. Para fazer sócios e adeptos felizes, o que deveria ser a única motivação de quem dirige? Nãox4. Mas que interesse tem dissecar tão pueris questões, não é verdade?

 

Últimamente, o nosso futebol também é subsbtituível. Aliás, a minha relação com o nosso fio de jogo é semelhante à que tenho com Deus: creio e sinto que existe, embora não o veja. Bem, houve profetas que pregaram a palavra d`Ele (e um deles foi especialmente relevante) como agora há um Bruno - o Atlas que carrega o nosso céu azul nos seus ombros - que tem o seu nome em quase todas as escrituras dos jogos. Ainda assim há uma diferença. É que em Deus eu tenho fé e nesse Sporting sem os melhores jogadores não tenho fé nenhuma. Confesso que ainda julguei ser possível nos primeiros tempos de Keizer, mas tal como um dos seus (iniciais) princípios perdi-a em cinco segundos. Mas graças a Deus que já era católico antes de ser Sportinguista. Caso contrário, seria tentado a pensar que Deus não existe, partilhar do silogismo de que vale tudo e assim assistir impávido ao declínio, resssentimento, incapacidade de avançar, paralisia, ausência de finalidade ou de resposta ao "porquê" das coisas - o niilismo Sportinguista pós-João Rocha (com breves interrupções que deram esperança e acabaram por gerar grandes desilusões). Antes que me lancem um Auto da Fé Sportinguista, algo com que consócios e adeptos se gostam de entreter nos tempos livres enquanto expiam o sentimento judaico-cristão da culpa, convém lembrar que o último ritual de punição pública na Península Ibérica contra hereges que repudiavam a igreja católica data de 1826. Ainda assim, como nem nisso somos bem portugueses, ou mesmo iberos, e apesar de saber que nós somos um clube civilizado, de gente do bem ("de bem", não sei "bem" o que pensar), diferente até, que como tal terá espírito e certamente se saberá rir de si própria, dizia eu antes que me atirem com um daqueles epítetos que vêm entre aspas e estão tão em voga neste milénio Sportinguista depois de infelizmente terem sido fomentados por um antigo presidente, cumpre-me informar que não tendo fé ainda tenho paixão. Muita! Imensa! E genuína! Mas não ao ponto de estar preocupado. Se o (actual) insubstituível não está, porque carga d`água deveria eu estar? Só está preocupado quem tem uma ilusão e eu não tenho ilusão nenhuma, só paixão. Essa paixão leva-me a ter um ideal de clube, da sua identidade, da sua Cultura corporativa, princípios e sustentabilidade, que ninguém irá substituír porque reside na minha mente, morrerá comigo e não é alienável como a celebérrima aposta na Formação é para alguns (ateus da sustentabilidade, por certo). Bom, a esta hora muitos estarão a pensar que também eu sou substituível. Eu e mais uns quantos sócios do Sporting. O que num dia, que até já esteve mais longe, será indiferente, na medida em que por este andar só contarão os accionistas. Da SAD, obviamente. Maioritários, obviamente (de novo). Afinal, o dinheiro compra quase tudo. Bem, a luxúria talvez, mas não compra o amor. Se bem que este, por estes dias, também já deva ser substituível. No pós-modernismo, onde o equilíbrio é uma coisa que só imaginamos no trapézio do circo, o que interessa é o cliente, essa figura da mitologia leonina que um dia chega a Alvalade e compra todas as gamebox do futebol mais as das modalidades, sorve cem tonéis de duzentos litros de cerveja com alcool, enfarda uma tonelada de cachorros quentes e de enfiada ainda varre todas as camisolas do Bas Dost, perdão do Bruno Fernandes, perdão do Acuña, perdão... Do Tiago Ilori ou do presidente Varandas?... Bolas!!! Não me deem cabo do(s) plano(s). Deixem-me trabalhar. Vá, soletrem lá: A, B, C...   

 

P.S.1: Não troco a próxima geração pela próxima exibição. 

P.S.2: A paixão pelo clube, na sua génese comum a todas as gerações de Sportinguistas, confunde-se com a paixão por jogadores míticos que ajudaram a fazer a história do Sporting Clube de Portugal. É bom não o esquecer.

P.S.3: O Grande Prémio do Mónaco de BF8 não tem transmissão televisiva?

P.S.4: Jorge Fonseca sagrou-se hoje campeão do mundo de judo (-100Kg). Atleta do Sporting, é o primeiro campeão do mundo de judo de nacionalidade portuguesa. Mais um campeão que o Sporting oferece ao desporto português e ao país. Há todo um Sporting eclético e gerador de contentamento para lá da Sporting SAD...

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