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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

11
Out20

Divisionismos e incongruências


Pedro Azevedo

"Na luta entre o bem e o mal, é sempre o povo que morre." - Eduardo Galeano

 

"O jornalista Henrique Monteiro defende um órgão de consulta da Direção eleito também proporcionalmente (espécie de senado, mas não com a composição e competências do Conselho Leonino), para onde transitassem diversas competências da AG — como a aprovação de contas. No seu entendimento, tal seria mais democrático e mais claro." - in Leonino

 

Após uma semana de trégua entre os adeptos motivada por uma vitória com esperançosa exibição em Portimão, dos escombros de um maniqueísmo infelizmente instalado em Alvalade emergiu Henrique Monteiro com a peregrina ideia de substituição dos sócios por uns seus representantes denominados de senadores. Para quem não saiba, Henrique Monteiro é um jornalista. Ora, de um jornalista espera-se que procure a notícia, transmita-a, comente-a até desde que em coluna própria de opinião. Tudo isso faz sentido. O que talvez faça pouco sentido é um jornalista pôr-se constantemente em bicos de pés para ser a notícia. Bom, dir-se-á que o faz na condição exclusiva de associado do clube e como tal tem todo o direito de intervir no dia-a-dia do clube com as suas ideias. Assumamos então como boa essa premissa e concentremo-nos apenas na bondade (ou não) da sua proposta. Segundo Winston Churchill, a democracia é a pior forma de governo, salvo todas as demais que têm sido experimentadas de tempos em tempos. Quer isto dizer que a democracia não é perfeita, mas permite a cada cidadão (sócio, para o efeito) exprimir a sua opinião através do voto. O que nos leva à questão se todos os cidadãos estarão devidamente informados na hora de votar. A resposta é óbvia: não estão. Um exemplo claro disso é o próprio Henrique Monteiro, o qual confunde elementarmente orgãos consultivos com deliberativos e/ou esquece-se que não cabe em nenhuma circunstância ao poder executivo deliberar em matéria de exclusiva competência de sócios (ou associados), algo que qualquer pessoa minimamente experiente em gestão lhe poderia ter soprado. Quer isto dizer que o sócio Henrique Monteiro deveria ser impedido de votar? Não, obviamente, o caminho nunca poderá passar pela supressão desse ou de qualquer tipo de eleitor. Não, o caminho passa por formar e informar correctamente as pessoas e levá-las a tomar consciência própria e abalizada sobre os temas, tornando assim incompatível o aproveitamento do desconhecimento dos cidadãos, na medida em que estes deixariam de ser facilmente permeáveis a campanhas de desinformação instruídas seja por que parte for. Algo que aliás deveria encontrar particular sensibilidade de quem começou por escrever em a Voz do Povo. Estamos entendidos, "Comendador Marques de Correia"? É que a democracia não é algo que se ponha na gaveta quando não nos dá jeito.

 

P.S. Serei sempre contra o maniqueísmo ou simplista divisão do mundo entre o bem e o mal, da mesma forma que não suporto manifestações niilistas onde vale tudo, desaparece a ordem e não se obedece a nada nem a ninguém. Por isso, urge criarem-se espaços onde todos possamos comunicar sem agressões verbais ou processos de intenção, em que impere a ponderação dos moderados e progressivamente se traga para o centro de discussão os ortodoxos e os radicais. Radicalismo gera radicalismo, e isso não colhe a ninguém de bom senso nem a nenhuma instituição. Nada contra as críticas ao trabalho da direcção, especialmente se forem construtivas e dirigidas para as ameaças à nossa sustentabilidade, mas peço a todos os que como eu têm uma apreciação negativa do mandato de Varandas para não a confundirem com o Sporting que de facto é relevante, aquele que vai a campo e é a razão de toda a nossa paixão e envolvimento com o clube. Não se esqueçam nunca que decisões tomadas em tenra idade não obedecem a interesses, e nunca traiam a integridade daquilo que um dia Vos fez ser Sportinguistas e o desejo de ver sempre o clube a ganhar. 

25
Nov19

Chama-se Tourette e escapou ao Scouting


Pedro Azevedo

O Sporting vive sob o Síndrome de Tourette, um francês que se terá infiltrado no nosso ADN aparentemente sem pedir licença ao Scouting e que explorando um ambiente niilista e maniqueísta produziu um transtorno em Alvalade caracterizado por incapacidade de autoregulação ou autocrítica, inadaptação a novos cenários, intolerância à pressão, ansiedade, libertação de impulsos primários de explosividade, comportamentos generalizadamente agressivos, falta de organização, entre outros. Tal como o Toyota de Salvador Caetano, o Tourette veio para ficar. Ele está presente na gestão do clube, mas também nas relações entre sócios, na comunicação que se estabelece entre presidente e associados e é perfeitamente reconhecível nas redes sociais, televisões, assembleias gerais do clube e em intervenções públicas de dirigentes, sendo verificável a cada borrão (protocolo de Rorschach). Não sei se para alguns isto é chinês (o Rorschach até era suiço), mas creio ser importante haver consciência da existência deste problema. Até porque no Sporting ele sofre uma mutação política, o que permite melhor compreender a razão pela qual um dia os sócios são esqueletos, papagaios, patetas e idiotas úteis e, num outro dia qualquer, quando se torna necessário seduzir um grupo de cinquentenários com votos que decidem eleições, alguém com quem se aprende muito. 

tourette_1884.gif

21
Out19

As claques


Pedro Azevedo

Ponto prévio: a natureza da existência de uma claque é servir o propósito de apoiar as várias equipas, ou atletas, do Sporting Clube de Portugal, não ser um poder ou contra-poder dentro do clube. Aliás, terá sido de forma a consumarem esse objecto que recolheram até recentemente um conjunto de privilégios junto de sucessivas Direcções do clube. Evidentemente, em cada cidadão há um Homem-político, pelo que os membros de uma claque também o serão e legitimamente terão uma opinião sobre a liderança do clube. Não podem é, enquanto claque, manifestarem esse lado político no decorrer dos eventos desportivos, devendo cada um fazê-lo individualmente em espaço próprio como o de uma Assembleia Geral (ordinária ou extraordinária), tal como quaisquer outros sócios, observadas as regras comuns para todos de civilidade e respeito cívico pela Instituição Sporting e seus regulamentos. Isto parece-me básico! 

 

Existe um problema na sociedade portuguesa que consiste em bastas vezes olharmos para a árvore esquecendo a floresta. Falo nisto porque há situações que decorrem de transformações sociologicas verificadas nas últimas décadas no nosso país e que estão a montante do Sporting, tais como familias desestruturadas, desemprego, falência da escola como complemento educacional, a necessidade de muitos jovens de se sentirem parte de algo ou o papel das redes sociais e das ligações virtuais e como se estabelecem na formação de opinião. Concorrentemente a isso, as gerações mais jovens viveram muito menos glórias no futebol do que as gerações mais antigas e por isso, e pela irreverência própria da idade, são naturalmente mais impacientes. Tudo isso necessitaria de ser compreendido e antecipado dentro do Sporting, na medida em que influencia o dia-a-dia do clube. E influencia porquê? Essencialmente, porque a Cultura Sporting, a nossa identidade, encontra-se enfraquecida, pelo que os nossos dirigentes não conseguem filtrar nada do que vem de fora e que acaba por contaminar o que está cá dentro, ao contrário daquela ideia que antigamente existia de que o Sporting era um clube diferente para melhor e, como tal, onde se absorviam valores comportamentais importantes. Ora, aquando do último acto eleitoral escrevi aqui que o tema da Cultura, bem como o dos Princípios (ética), deveria ser tão urgente de ser endereçado como o da Sustentabilidade. Simplesmente, eu não tenho visto o nosso presidente dar o devido relevo a essa matéria de uma forma transversal ao clube, bastas vezes não se compreendendo as causas que o Sporting defende. Também não existe no actual elenco directivo uma pasta da juventude onde alguns dos problemas existentes pudessem ser estudados e analisados de uma forma séria e traçado um plano de acção, nem tão pouco uma Provedoria Geral onde se pudesse estabelecer uma comunicação que permitisse melhor compreender os ensejos dos sócios em geral e aproveitar o seu contributo. Se é claramente inadmissível que as pessoas não saibam manifestar as suas divergências (repito, legítimas) para com a Direcção ou Orgãos Sociais do clube com urbanidade, o que legitima esta tomada de posição da Direcção, também não me parece bem que o presidente se refira publicamente a sócios de forma insultuosa, classificando-os como irresponsáveis, esqueletos, cientistas, cães que ladram ou malucos, sejam eles criticos construtivos ou oportunistas, naquilo que me pareceu servir mais uma táctica de defesa do que o interesse do clube. É que o exemplo deve sempre vir de cima, essa linguagem é desadequada e o momento que o Sporting vive exige particular sensibilidade com esta matéria, pois, se da consequência dos esforços presidenciais não resultar união, pelo menos não deverá emergir ainda mais fragmentação. 

 

Finalizo, dizendo que estou efectivamente muito preocupado com esta realidade actual. Incomoda-me viver este ambiente que anteriormente nunca vi no clube, com tantos consócios, ou simplesmente adeptos, desavindos. Mais do que um clube de Sportinguistas, diz-se que o Sporting está dividido por supostos interesses diversos e perspectivas messiânicas, mais parecendo que a devoção devida ao clube se transferiu para "lobbies" e proseletismos de carne e osso. Não sei se será tanto assim, mas a verdade é que o último acto eleitoral teve uma disseminação de candidatos anormal neste tipo de plebiscitos do clube. Numa situação como a actual, dir-se-ia de emergência, exponenciada também pelo péssimo momento da equipa de futebol, expôe-se mais a necessidade de um estratégia de união e de uma liderança forte e efectiva, que deveria assentar numa visão prospectiva de futuro, estruturada e estruturante, que antecipasse os problemas em detrimento de ter de recorrer a soluções radicais, e nunca sujeita à ziguezagueante conjuntura. Simplesmente, e quem dirige o clube que me perdoe, não sinto nem acredito que Frederico Varandas seja o homem certo para esboçar e/ou pôr em prática algo de estratégico nessa matéria, porque o momento peculiar do clube exigiria, desde o início do seu mandato e especialmente agora, alguém com dotes de comunicação, sensibilidade, experiência e que soubesse apontar a um caminho e visão comuns que o presidente não mostrou até hoje ter na medida em que sempre se mostrou, nesta como noutras matérias, essencialmente reactivo, pelo meio permitindo o vazio. Deste modo, não vencendo o amor ao clube sobre o ódio e o ressentimento/ressabiamento, o Sporting permanecerá adiado, desenfocado e muito previsivelmente entretido com o fosso que inevitavelmente se irá cavar mais entre sócios comuns e claques. 

23
Fev19

Somos diferentes!?


Pedro Azevedo

Somos diferentes...

 

  1. sobrepondo as nossas razões à razão do clube?
  2. no radicalismo com que dois polos opostos expõem as suas opiniões?
  3. expondo um campeão europeu de selecções e vencedor da Champions, formado no clube, na praça pública?
  4. virando as costas ao clube quando ele mais precisa de nós?
  5. desvalorizando a nossa Formação?
  6. usando a Comunicação como um escudo em vez de veículo promotor da união?
  7. querendo que o nosso próprio clube perca?
  8. não sabendo sair do palco?
  9. afastando os sócios e adeptos moderados que estão cansados de tanto ruído?
  10. trazendo a Molaflex e a Moviflor, passe a publicidade, para comunicações institucionais? 
  11. tácticamente mantendo o silêncio à espera que tudo definitivamente desabe para aparecer?
  12. fazendo ouvidos moucos às críticas construtivas?
  13. sucessivamente, mandato após mandato, abusando da demagogia?
  14. utilizando permanentemente linguagem grosseira?
  15. não tendo aparentemente um manual de procedimentos e/ou código de conduta que incida na prevenção de conflito de interesses?
  16. apoiando o nosso clube nos estádios mediante contrapartidas financeiras?
  17. mudando tudo para quase tudo ficar na mesma?
  18. dividindo para reinar?
  19. trocando dichotes e acusações em público?
  20. constantemente trazendo problemas aos sócios em vez de soluções?
  21. multiplicando a nossa identidade sportinguista (a única) entre "sportingados", "croquetes" ou "brunistas"?
  22. não respeitando a nossa história e a razão de estarmos aqui?
  23. afastando os sócios que não querem confusões em vez de os envolver numa cultura renascentista (participativa, inspiradora, de fluência de ideias, inovadora)?
  24. confundindo "ser" presidente com "estar" presidente? 
  25. contribuindo para uma divisão maniqueísta dos sócios?
  26. fazendo "cavas" na roleta da fortuna na tentativa de ganharmos campeonatos?
  27. sacrificando o estrutural ao conjuntural?
  28. baixando os braços perante as arbitrariedades constantemente vividas nos campos de futebol?
  29. sistematicamente gastando mais do que os proveitos gerados?
  30. não tendo uma oferta para jovens sócios e adeptos que não passe pelas claques?
  31. quando nos movemos por ódio, ou por interesse, em vez de por amor ao clube?

 

À atenção de Frederico Varandas, Bruno de Carvalho e sócios e adeptos deste ENORME Sporting Clube de Portugal, deixando ainda para reflexão duas frases lapidares: a primeira, de Platão, que lembra que "a parte que ignoramos é muito maior do que tudo quanto sabemos"; a segunda, de Voltaire, "o orgulho dos pequenos consiste em falar de si próprios; o dos grandes, em nunca falar de si". Dedicadas aos egocêntricos que tudo julgam saber e raramente têm dúvidas. Sim, dúvidas, aquela interrogação consciente que os textos judaicos consideram ser a fonte da sabedoria.

 

 

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