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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

07
Jul21

Cinco pontos (pintos?) para o País de GALOS


Pedro Azevedo

Comunicado (real) retirado do Facebook:

 

Não nos prejudiquem!
O Rei dos Frangos não é “esse rei dos frangos”!
Mais uma vez, a nossa empresa Churrasqueiras Rei dos Frangos, Lda, com sede em Leiria e com 19 churrasqueiras take-away em Portugal, vem a público defender o seu bom nome e vincar que EM NADA tem a ver com o circo metafórico “do rei dos frangos”, nem com nenhuma das pessoas envolvidas nesse grupo de peças que se vêem noticiando desde 2019.
Para quem quiser perceber um pouco melhor a diferença entre a realidade e notícias feitas descuidadamente, explicamos, ponto a ponto:
1) nenhuma das nossas lojas nem a nossa sede foi alvo de buscas por qualquer núcleo de investigação ou instituição de segurança pública. EM NADA estamos relacionados com o Sr. Luís Filipe Vieira ou com qualquer uma das empresas que dá origem às diversas peças jornalísticas.
2) a nossa empresa chama-se Churrasqueiras Rei dos Frangos, Lda. e tem direitos sobre a marca comercial “Rei dos Frangos”. Este é o nome utilizado nas nossas lojas para denominar o nosso serviço e os nossos produtos. Queremos e devemos lutar pelo bom nome desta marca e desta empresa que existe desde 1989.
3) um dos gerente da empresa Churrasqueiras Rei dos Frangos, Lda. chama-se João Carlos Paiva Santos. EM NADA o nosso gerente está relacionado com o Sr. Luís Filipe Vieira nem com qualquer uma das empresas que dá origem aos negócios noticiados.
4) o Grupo Valouro SGPS, SA. tem como administrador o Sr. José António dos Santos, o tal apelidado de “rei dos frangos” por parte dos órgãos de comunicação. Entre João e José vai todo um nome diferente, que deveria servir para inúmeras peças jornalísticas o conseguirem discernir, mas inúmeras vezes deixaram de o fazer.
5) Não existe nem existiu qualquer relação empresarial entre a nossa empresa e o Sr. José António dos Santos além da natural interação comercial entre fornecedor e comprador: a Avibom, uma das empresas do Grupo Valouro, vende matéria-prima à Churrasqueiras Rei dos Frangos, concretamente, frango. Porque é de assar frango que nós percebemos, de acções e SADs… nem tanto.
*
Perceba-se, desde já, a diferença de tratamento entre o indivíduo Luís Filipe Vieira, sempre tratado pelo nome, e o indivíduo José António dos Santos, que nunca é tratado pelo nome nem pelas empresas que gere, mas por uma metáfora bem mais curta e elegante, o “rei dos frangos”. E é aqui que, infelizmente, somos chamados “à baila”.
Nos dias que correm, nenhum jornal sequer se dá ao trabalho de falar em Valouro GSPS ou qualquer outra empresa devidamente detida e/ou administrada pelo senhor que é descrito como amigo do senhor Luís Filipe Vieira. Hoje, temos clientes, fornecedores e amigos a perguntar, a ligar e a comentar consecutivamente, sem já conseguirem distinguir uma metáfora demasiadamente disseminada, estupefactos sobre o que (não) está a acontecer.
Em nada queremos limitar o direito à opinião nem à liberdade de imprensa. Por várias vezes, desde 2020, alertámos diversos elementos da imprensa sobre o enorme dano à reputação da empresa e dos graves mal-entendidos que estariam a gerar às diversas pessoas que aqui trabalham todos os dias.
 
Como nota final, até explicamos mais: os nossos gerentes até são simpatizantes do Sporting!
Pode ser uma imagem de fogo
24
Jun21

Tudo ao molho e fé no Euro21 (ou 20)

Olimpíadas da Matemática


Pedro Azevedo

Entrámos em campo no terceiro lugar do grupo. Entretanto, paralelamente, disputava-se o Alemanha-Hungria, de cujo resultado, em caso de derrota nossa, dependeria a qualificação lusa. À meia-hora estávamos em primeiro, ao intervalo em segundo. Quarenta e sete minutos de jogo e éramos quarto, logo eliminados, mas à hora de jogo voltávamos a ser o segundo. Para trás ficavam 13 angustiantes minutos em que já nos víamos a observar o Euro dos outros. Por 1 minuto (entre os 66 e os 67 minutos) descemos a terceiro, para depois regressarmos a segundo. Até que a partir dos 84 minutos nos fixámos no terceiro, assim regressando à casa de partida e carimbando o passaporte para Sevilha, cidade que o nosso Ferro Rodrigues pretende ver invadida de portugueses, quiçá nas suas variantes alpha, delta e quejandos. Ufa, estou exausto(!), foram tantas as contas que fiz durante o jogo que estou desconfiado que este grande certame internacional afinal é a Olimpíada da Matemática, torneio em que os portugueses são sempre à partida os grandes favoritos. 

 

A verdade é que depois do Euro 2016 a nossa Selecção desenvolveu uma imunidade de grupo às críticas. O seu líder, Fernando Santos, vai gozando com o que a malta diz até ao momento das grandes decisões, instante a partir do qual põe a teimosia de lado e lança os melhores para dentro do campo. A coisa produz efeito imediato, podendo dizer-se que é remédio Santo(s), desatando a Selecção a jogar futebol e a ultrapassar os incautos adversários como se não houvesse amanhã. Os próximos que nos sairão na rifa serão uns belgas, os primeiros no ranking dos profissionais chocolateiros. E da FIFA, dizem-me. Têm o gigante Courtois e o duende Hazard, o colosso Lukaku e o genial De Bruyne. Mas não têm o Cristiano Ronaldo, o Velho, que alguns dizem estar acabado. Acabado de igualar o recorde mundial de mais golos marcados ao serviço de uma selecção. Acabado de ultrapassar o recorde de mais golos marcados em fases finais de europeus. Acabado de bater o recorde de mais golos marcados no somatório das fases finais de europeus e mundiais. Acabado de terminar a fase de grupos deste Europeu como o melhor marcador destacado (5 golos) da competição. Enfim, acabadíssimo. E depois há um veloz Pepe a viver a jovialidade dos seus 38 anos, um Patrício que realizou a melhor defesa deste Euro, um Renato que é um touro e um ousado Palhinha que até se estreou neste Euro num túnel onde arrancou a crista ao galaroz do Pogba. E ainda resiste o Moutinho, mestre na arte de esconder a bola e de a passar a um só toque, um dos melhores do mundo na modalidade do futebol sem balizas, variante que foi rei no Portugal dos anos 70. Sem me esquecer do Bruno do Sporting e do Manchester que ainda não apareceu na Selecção, dos milhões do Felix que sebastianicamente um dia ainda se capitalizarão dentro do campo, ou do André Silva da Bundesliga, entre outros.

 

Dizem-me que o problema é a Bélgica jogar num 3-4-3. É que a amostra contra a Alemanha não foi nada auspiciosa e teme-se que a coisa se repita. Se calhar, o melhor será o Fernando Santos inspirar-se no Rúben Amorim e aproveitar o cochecimento que os jogadores do Sporting têm desse sistema. Por exemplo, recuar o Palhinha para a linha dos centrais, entregar ao Nuno Mendes a ala esquerda e estrear o Pote com o Jota como enganches do Ronaldo. A verdade é que a defesa dos belgas não me parece por aí além, pelo que saber explorar o espaço entrelinhas compreendido entre médios e centrais poderá ser a chave para a vitória lusa. 

 

Enfim, no Domingo logo saberemos. Para já fica o registo de um empate com sabor a vitória contra o campeão do mundo, tónico certamente motivador. Esperança também no nosso Ronaldo, tão fresquinho que desafia os controladores aéreos e continua a invadir o espaço onde é suposto só circularem os aviões, e no progressivo desenvolvimento da equipa em competição tão típico de Fernando Santos. Definitivamente, há que contar connosco. Num torneio de nómadas, disputado em 11 cidades europeias, o nosso treinador até já anunciou a intenção de deixar as malas em Budapeste. Soou-me a presságio e a um regresso ao passado (2016). Querem ver que...?

 

Tenor "Tudo ao molho...": Renato Sanches

portugal frança.jpg

19
Jun21

Tudo ao molho e fé no Euro21 (ou 20)

Teimosia fatal


Pedro Azevedo

Quando um meio-campo luso meiguinho defronta uma "Mannschaft" agressiva o resultado só pode ser um. Sem intensidade, sem meter o pé, Portugal permitiu que os alemães conduzissem a bola perpendicularmente até às imediações da nossa área e depois escolhessem confortavelmente a melhor opção de passe de ruptura ou atraíssem a nossa equipa para um flanco para depois bascularem rapidamente para o outro. Não sei se Fernando Santos terá anotado a matrícula do camião que nos passou por cima, mas as minhas fontes dão-me conta que os capacetes azuis enviados pela ONU a Munique, William e Danilo, ainda estarão a esta hora a elaborar um relatório dando conta que observaram sempre as movimentações dos alemães à distância. Além de não serem intensos, o par de jarras (sem flor) que Portugal apresentou à frente da defesa mostrou flagrantemente um assustador défice de velocidade aquando da transição defensiva, expondo ainda mais a nossa defesa. Curiosamente, a ver o jogo do banco esteve Palhinha, o Exterminador Implacável, o homem que nunca deixa crescer a relva em seu redor. Como se o desacerto dos médios (Bruno incluído) já não fosse suficiente, assistiu-se a uma exibição desastrada dos laterais Nelson Semedo e Raphael Guerreiro, dois náufragos sempre longe das margens, atraídos que foram sempre para o centro pelo redemoinho de ataques germânicos que aí se concentravam. Para piorar, Rúben Dias e o próprio Guerreiro marcaram os golos que permitiram aos alemães dar a volta ao resultado ainda no primeiro tempo. Para trás já ficara o golo inaugural português, obtido contra a corrente e após um corte efectuado ainda na nossa área por Cristiano Ronaldo que  permitiu uma transição rápida iniciada por Bernardo, continuada com distinção por Jota (excelente amortecimento de peito e altruístico passe para golo) e concluída pelo próprio Ronaldo, o qual entretanto disparara de costa a costa em grande velocidade. 

 

Fernando Santos fez entrar Renato no reatamento. Porém, em vez de substituir um dos duplos-pivô, o Engenheiro tirou Bernardo do terreno. No meio, Portugal continuou a dar bar aberto aos alemães e estes não se fizeram rogados e com gosto anteciparam a Oktoberfest em Munique e marcaram-nos mais 2 golos. Por aí já Rafa estava em campo, desta vez sem carambolas a melhorarem a sua exibição e com culpas no quarto golo alemão da tarde. Com Moutinho em jogo e Renato na zona central (saiu William), Portugal conseguiu reduzir quando Ronaldo retribuiu a assistência de Jota. Renato ainda chutaria com violência ao poste direito da baliza de Neuer, mas esse acabaria por ser o canto do cisne português.

 

A Alemanha mostrou ser uma Selecção a ter em conta, mas a insistência de Fernando Santos numa dupla de médios completamente fora de forma, sem ritmo ou velocidade, descendentes do "laissez faire, laissez passer" de Adam Smith e do liberalismo, ajudou muitíssimo ao resultado final. Foi pena, até porque a linha defensiva germânica mostrou uma falta de velocidade que poderia ter sido mais bem aproveitada se Portugal tivesse conseguido ter mais vezes a bola. Adicionalmente, a perda de Cancelo e a lesão de Nuno Mendes estão a constrangir o desempenho geral defensivo. É certo que Pepe e Rúben Dias são muito bons, mas nem eles conseguem operar milagres a toda a hora. Entretanto, os nossos jogadores Pote e Palhinha, que terminaram a época em muito melhor forma que vários dos actuais titulares (o suplente do Bétis incluído), continuam a desfrutar do sol que neste momento brilha intensamente no centro da Europa, pelo que a única lesão de que poderão padecer será um escaldão.  

 

Do mal o menos, num duelo para homens de barba rija pelo melhor marcador, o nosso homem da Gillette (Ronaldo) igualou (Patrick) Schick como lâminas mais bem afiadas no ataque. 

Hoje foram 11 contra 7 (com favor). Se já 11 contra 11 no fim ganharia a Alemanha (velha máxima do futebol postulada por Lineker), creio que deveremos estar agradecidos de não termos saído de Munique com um resultado de proporções bíblicas. Está na hora de mudar. Scolari (em 2004) e o próprio Fernando Santos (2016) fizeram-no no passado, tenhamos então fé que ainda será possível inverter o rumo dos acontecimentos. A poderosa França está aí à nossa espera e a inação não será prudente, mas sim radical. Porém, é justo dizer-se que não foram só as escolhas individuais que se revelaram determinantes na forma como o jogo nos fugiu. Nesse sentido, o plano de jogo falhou. A equipa afundou constantemente, deu (propositadamente ou não) a iniciativa aos alemães e nunca encaixou o nosso 4-3-3 no 3-4-3 teutónico. Há que, no entanto, não esquecer que Portugal é o campeão da Europa e o vencedor da Taça das Nações. E tal tem muito o dedo de Fernando Santos, o treinador que hoje aqui criticamos, que conseguiu criar um grupo solidário, resiliente  e com uma mentalidade vencedora, valores que nos conduziram à superação no passado. Serão suficientes no actual contexto? O futuro próximo o dirá. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Ronaldo (e ainda há quem ponha em causa o homem...). Diogo Jota, Renato Sanches, Pepe e João Moutinho merecem uma menção honrosa.

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16
Jun21

Tudo ao molho e fé no Euro21 (ou 20)

A Filosofia do Ketchup


Pedro Azevedo

"Os golos são como o Ketchup" - Cristiano Ronaldo 

 

O grande filósofo Cristiano Ronaldo disse um dia que "Os golos são como o Ketchup e quando aparecem vêm todos de uma vez". Lembrei-me disso ontem quando o Renato Sanches sacudiu a garrafa do Ketchup (lâmpada?) e o génio Ronaldo concedeu os 3 desejos, deixando altruisticamente para o Raphael Guerreiro a tarefa de concretizar o primeiro. Foi, no entanto, necessário esperar 84 minutos para que Portugal fizesse baloiçar as redes magiares, tempo exemplarmente gasto pelos lusos com o intuito de contrariar o postulado do Princípio da Impenetrabilidade da Matéria - "Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo". Para tal, Fernando Santos elaborou uma experiência científica com Danilo e William como cobaias, provando que, em matéria de princípios, até os Princípios da Física não resistem ao futebol português. 

 

Portugal apresentou-se com Rui Patrício como guardião das nossas esperanças e calafrios (ai, ai...). Como o respeitinho é muito bonito, o Jogador do Ano da Premier League (Rúben Dias) foi deslocado para o lado esquerdo da zona central da defesa portuguesa a fim de que o veterano Pepe pudesse jogar de cadeirinha pela direita. Nas laterais o Nelson Sem Medo e o Raphael Guerreiro, dois apelidos à altura da batalha que tínhamos pela frente perante 60 000 húngaros. À frente destes aparecia um pivô duplo, com o Bruno Fernandes a ter mais liberdade para criar. Depois, no ataque tínhamos o Bernardo, o Jota e o inevitável Ronaldo. 

 

Só para contrariar os Velhos do Restelo que dizem que Ronaldo é prejudicial à Selecção porque toda a equipa joga para ele e isso retira imprevisibilidade, o irreverente do Jota começou logo o jogo a ignorar o nosso capitão, desmarcado na esquerda, e a chutar à baliza. O Gulácsi é que não esteve pelos ajustes e contrariou as suas intenções. O Jota não via ninguém, queria marcar um golo de qualquer maneira e, pouco depois, antecipou-se ao Bruno Fernandes e voltou a acertar no guarda-redes magiar. Depois, o Ronaldo isolou o Bernardo na direita, mas este lamentou não ter dois pés esquerdos e o lance perdeu-se mais uma vez. Antes do intervalo o Ronaldo ainda podia ter marcado, não fora ter ficado surpreendido por o Jota finalmente não se ter atirado que nem um glutão à bola. 

 

No segundo tempo o Bruno desatou a rematar à baliza. O Gulácsi provou ser o melhor dos húngaros e negou-lhe um golo certo. Entretanto, O Engenheiro mandou o Rafa lá para dentro para ver se intimidava os húngaros com a barba (ou se dava água pela barba aos magiares, vá lá saber-se...). Mas foi a partir do momento em que o Renato Sanches entrou que Portugal conseguiu abanar o jogo. É certo que o nosso primeiro golo foi às três tabelas, mas depois o Bulo foi por ali acima até servir o Rafa para este cavar um penálti que decidiu o jogo. Quem o transformou foi o Ronaldo, mandando o Platini para canto como melhor marcador de fases finais de europeus. Animado com mais um recorde, o Cristiano engendrou e iniciou uma tabelinha com o Rafa, finalizando com uma finta ao excelente guarda-redes húngaro e provando que ainda não perdeu de todo a habilidade de extremo. E lá ficou o Ali Daei à distância de um "hat-trick"... Assim, com 3 golos em 8 minutos, o jogo chegava ao fim. O jogo jogado, porque o jogo falado teve o "Motorista Santos" como protagonista. Com os hilariantes e habituais tiques de pescoço, provável consequência de algumas caîbras originadas pelas tensas travagens que muitas vezes impõe nas partidas, mas com a naturalidade de quem soube reconhecer que o apodo sugerido pelo técnico italiano dos magiares até se revelou apropriado, tal a forma como Fernando Santos soube com maestria contornar o longo autocarro que a Hungria colocou à sua frente. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Cristiano Ronaldo

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20
Mai21

Tudo ao molho e fé em Deus

A última ceia


Pedro Azevedo

"That's all folks!", este conto de Cinderela terminou para nós. Para o ano haverá mais, assim o esperamos. Na verdade, não queríamos que esta época de sonho acabasse. Talvez por isso, prolongou-se até quase à meia-noite, não indo mais além apenas por receio que a carruagem se transformasse numa abóbora. Para o fim ficou a ceia, um bom caldo verde onde se afundaram uns chouriços madeirenses. Ainda deu para haver um Pote de Ouro no finalzinho do arco-iris, com o nosso Harry Pote a mostrar toda a sua Art Deco naquele seu jeito de quem faz um passe (de magia) à baliza, no processo batendo o Esferovite na disputa pelo melhor marcador do campeonato. 

 

O jogo começou tão tarde que o Jovane entrou em campo à hora do costume, mais um motivo para dar razão a quem acha que o cabo-verdiano é melhor quando entra tarde. Sendo ele geralmente letal entre as 21H45 e as 21H55 (jogos que se iniciam às 20H00), ou entre as 23H00 e as 23H10 (apito de saída às 21H15), não surpreendeu que tivesse começado por assistir o Pote nesse primeiro intervalo de tempo. Por fim, utilizou o último espaço temporal para, num passe à Neymar, fazer a assistência decisiva para a Bola de Prata. Tudo está bem quando acaba bem, e o Jovane acabará sempre por entrar a altas horas. Dizem que está provado ser melhor assim...

 

Pode ser que um jogo que acabou tão tarde tenha sido uma parábola da carreira de João Pereira. Uma pena que a sua despedida tenha ocorrido sem público. Não há duas sem três e à terceira (passagem por Alvalade) foi de vez, o João finalmente arrumou as botas. Obrigado pela raça e empenho. Seguir-se-à uma carreira como treinador e uma forte candidatura a destronar Rúben Amorim como alvo predilecto do Conselho de Disciplina. A coisa promete.

 

Agora vamos para a "silly season" a sonhar com a próxima época. A Olá já anunciou que criará um Perna de Pau à Sporting para nos dessedentar no Verão. Um Perna de Pau à Sporting? Acho a coisa um bocadinho provocativa, até porque neste Sporting 2020/21 não houve pernas de pau, só craques. Por isso, deixo uma sugestão: que tal reeditar o Super Max(i)? Se o Adán se puser a jeito...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pote

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17
Mai21

Tudo ao molho e fé em Deus

O genial Amorim


Pedro Azevedo

O Rúben Amorim é um génio. Como ser superiormente inteligente que é, sabia que o jogo era mais importante para Jesus do que para o Benfica. Se Jesus ganhasse, teria outra margem para fazer os contestatários "acarditarem", entusiasmar-se e arrasar na próxima época da mesma forma que arrasou nesta. Se perdesse, essa margem ser-lhe-ia provavelmente retirada e Vieira poderia ser tentado a pensar que um treinador que inspirasse apenas jogar o essencial fosse mais útil que um que inspirasse jogar o triplo, assim a modos como consequência da reflexão de William Blake quando se interrogava "como saberes o que é suficiente, se não souberes o que é demais?". Por conseguinte, a derrota do Benfica neste jogo poderia ser perigosa para o Sporting no longo-prazo, enquanto a vitória do rival não teria consequências no curto-prazo porque o título já estava no estômago do leão. Vai daí, o Amorim subtraiu o Palhinha do jogo. Em sequência, durante a primeira parte, o Cebolinha usou e abusou do calcanhar, o Seferovic assemelhou-se a um ponta de lança e o Pizzi até fez lembrar o Bruno Fernandes. Tudo simples, tudo fácil, como se estivessem a jogar contra bidons. Rapidamente, o Benfica marcou 1, 2, 3 golos. Em contrapartida, o Sporting ficou a fazer guarda de honra à nota artística do Jesus. Apenas um jogador ousou destoar do tom geral, o Pote. É que o homem não sabe brincar em serviço e, em cima do intervalo, reduziu a desvantagem leonina no marcador. 

 

Ao intervalo o Amorim pareceu ter-se assustado: é que uma coisa é dar moral ao Jesus, outra é oferecer a hipótese ao Benfica de devolver os célebres 7-1 de 86. Querendo conter o prejuízo, decidiu então fazer entrar o Palhinha. O Matheus Nunes é que não se apercebeu que o "chip" tinha mudado. Então, ala que se faz tarde, ofereceu logo um brinde. Com o tempo a presença do Palhinha fez-se notar. Onde antes havia auto-estradas, os benfiquistas começaram a encontrar becos sem saída, sinais de sentido proibido e tabuletas de aviso de piso escorregadio. Tanto que, durante 30 minutos, só deu Sporting. Dois golos, uma bola no poste, os leões fizeram acreditar que iam dar a volta ao jogo. O Pote continuava desenfreado e agora havia também o Jovane para moer o juízo ao Lucas Veríssimo, um vexame para quem chegou agora à Canarinha. A televisão mostrava-nos o Helton Leite a falar sozinho, o Benfica abanava por todos os lados. Com os descontos, faltavam ainda uns 15 minutos, mas o Sporting acabou aí. Amenizada a derrota para níveis não-apocalípticos, o Rúben pareceu conformado. É certo que o Coates ainda foi lá à frente fingir que tinha custado 16 milhões por 70% do passe mais os ordenados do Sporar, mas foram serviços mínimos porque o resultado era, afinal, o ideal.

 

Além de assegurar Jesus no Benfica para 2021/22, o Rúben Amorim preencheu um outro objectivo. Subliminarmente, o nosso treinador enviou a seguinte mensagem que pôde ser lida da Lua: "NÃO VENDAM O PALHINHA". E assim o título do próximo ano pareceu mais perto. Tanto que, se os benfiquistas este ano apanharam com o Cabo Delgado(*), para o ano levarão com o Cabo das Tormentas. Um génio, o Amorim!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pedro Gonçalves ("Pote") 

 

(*) O meu aplauso para a referência a Cabo Delgado nas camisolas, região de Moçambique alvo de ataques armados do grupo jihadista Estado Islâmico que já provocaram mais de 2.500 mortos e 700.000 deslocados. Para ser justo, inclúo neste aplauso o meu colega bloguista José Pimentel Teixeira, que há muito tempo vem estando na linha da frente do alerta na blogosfera sobre esta tragédia que o mundo não pode mais ignorar.

 

P.S. O problema do Benfica de Jesus não foi a Covid, mas sim, quanto muito, o co-video (vulgo VAR), coadjuvante do árbitro e da verdade desportiva, que veio eliminar alguns dos erros mais flagrantes que aconteciam em campo. De resto, o Benfica foi sempre uma equipa sem intensidade no meio campo, e essa foi a principal pecha que se traduziu no resultado final no campeonato. 

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06
Mai21

Tudo ao molho e fé em Deus

Sem espinhas


Pedro Azevedo

O nosso internacionalmente reconhecido artista Julião Sarmento, com quem uma vez coincidi numas férias caribenhas em Cuba e que  fisicamente parecia o produto da fusão entre o Eric Clapton e o Ray Manzarek, disse um dia que lhe interessava muito mais o desequilíbrio do que as coisas estáveis porque estas últimas não levavam a lado nenhum a não ser a uma pasmaceira de café com leite. Enquanto adepto de bancada, eu também vejo as coisas assim. Tal como a pintura, escultura, fotografia e instalação, ou o desenho e filme para o Julião Sarmento tinham de estar à beira do precipício, também eu gosto de sentir a vertigem e de ver em campo os jogadores que não têm medo de arriscar e ir no 1x1. Todavia, o futebol já não é um espectáculo, mas sim uma indústria, um negócio onde estão muitos milhões em jogo. Com isso, a estética foi substituída pela eficácia e os treinadores são os tiranos que transportam o relvado para laboratórios onde engendram burocracias tamanhas capazes de matar o romantismo do jogo. No elenco actual de técnicos poucas são as excepções, e quando as há geralmente acabam vitimas do pragmatismo dos seus adversários. Deveremos conformarmo-nos com isso? No futebol, quem paga não é tido nem achado e o próprio adepto hoje quer é ganhar e pouco gosta do jogo, o que talvez explique o exacerbar de fanatismo e de violência à volta do futebol. Estaremos no caminho certo? Duvido, mas é o que temos. Nesse aspecto, o nosso Rúben não é melhor nem pior que os seus pares, e é por isso que estaremos condenados a ver o Jovane jogar uns poucos minutos. E a ficarmos desiludidos de cada vez que não marca ou não assiste, como se não estivesse a cumprir o seu papel de Walther de 9 mm que secretamente vem do banco com a bala na câmara pronta para disparar para a baliza. 

 

Paradoxalmente, a fobia aos desequilíbrios que caracteriza os treinadores contemporâneos não encontra depois razão quando temos de aturar com o João Mário 70 minutos em campo. O Palhinha que o diga, obrigado que esteve a ser ominipresente, jogando por dois e esfolando-se e estafando-se para equilibrar a contenda a meio-campo e assim evitar as incursões rioavistas. Não admira assim que tenha tido um período anterior de menor  fulgor, felizmente ultrapassado ontem com uma exibição de grandíssimo nível. Tirando estas embirrações, eu vejo o Rúben Amorim como superlativo. Para começar, a nossa eficácia defensiva é uma coisa espantosa, facto a que não é alheio a inspiradora ideia dos 3 centrais. Se é certo que o Sporting vai ficar a dever uma significativa parte do sucesso desta época a Coates, também não é menos verdade que "El Capitán" beneficiou enormemente do dispositivo que Amorim congeminou e onde se sente como peixe na água, sistema esse que lhe permitiu encobrir algumas deficiências e exponenciar as suas maiores qualidades. Depois, o regresso de Palhinha e a contratação de Pedro Gonçalves fizeram toda a diferença. Enquanto um funciona como uma espécie de gigante Adamastor, o outro é pura inteligência em movimento, sempre à procura de descer e receber entre-linhas e daí partir para interacções elucubradas em equações diferenciais que lhe permitem perceber e dar fluidez às dinâmicas no relvado. Como se já não bastassem estes tiros certeiros, ainda há a cereja no topo do bolo, a aposta na Formação. Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Tiago Tomás, entre outros menos utilizados, todos foram tendo as suas oportunidades de uma forma continuada. É certo que eu embirro com a menor utilização do Matheus. Então o homem dá dois nós cegos sucessivos ao sabido do Coentrão, em duas ou três passadas já está na área adversária, tem técnica de filigrana associada a grande dinâmica e passa a maior parte do tempo a ver os jogos do banco? Não me conformo, não. Mas depois reconheço que o Amorim é que lhe pegou, com o Silas estava sempre a uma porta que nunca se abria. E deu confiança, posicionamento e escola a quem há menos de 3 anos era pasteleiro e gozava os bons ares da bela Ericeira. A tal ponto que eu agora o critico, como se o Amorim fosse o Dr Frankenstein e estivesse a ser vítima da sua própria excelsa e frenética criação. No fundo, são nervos. É que nós, Sportinguistas, sofremos tanto que o Marquês mais parece de Sade. E isto nunca mais acaba...

 

Caro Leitor, o Paulinho ontem marcou. E esteve na origem do primeiro golo. Eu bem que havia dito que o Paulinho iria marcar golos impossíveis e falhar muitos outros aparentemente fáceis. Confesso que o homem aparece aos meus olhos cada vez mais como um Postiga: é bom de mais para ponta de lança, a sua verdadeira vocação é de médio de ataque ou de "mezzapunta", aquele nove e meio do futebol italiano. Entretanto, vamos dormir esta noite com 9 pontos de avanço sobre o Porto. Porém, não estou com muita fé que o Porto não ganhe na Luz. Se estiver enganado, óptimo, mas talvez não fosse má ideia suspender o foguetório e mantermo-nos, nós e os jogadores, concentrados para o jogo com o Boavista. Nesse jogo vai ser preciso construir uma Ellis Island e não deixar ponte de comunicação entre o veloz e fisicamente potente, porém trapalhão, avançado axadrezado e as suas fontes de abastecimento preferenciais (Angel Gomez e Paulinho). O Benfica e Porto que o digam, incautos que foram na sua marcação. E, já agora, o Porro que no seu flanco ponha (Ricardo) Mangas curtas, que daí também geralmente surgem incursões terminadas com remates do próprio ou centros a propósito. 

 

E é tudo, que de Vila do Conde, terra piscatória, viemos com uma vitória sem espinhas. Tanto que o Adán manteve os calções imaculados. No fim, o Amorim deu mais um show de comunicação. É verdade, o homem não só é o nosso "coach" como podia fazer "coaching" a gestores públicos e privados. Uma máquina. Até me vieram umas lágrimas aos olhos, e garanto-vos que não foi das alergias da Primavera. Entretanto, já estamos na Champions. O resto? Está quase, mas é preciso continuar a não tirar os olhos da bola. É que para os nossos adversários isto tem sido um 31...

 

P.S. R.I.P. Julião Sarmento, interposto permanente de pessoas e de ideias como cada Homem deveria ser, sem ilhas. A Tate, o MoMA e o Gugenheim também não o esquecerão. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Palhinha, o melhor em campo. Mas o Homem do Jogo foi o Paulinho, que esteve nos dois golos. Menção honrosa para o Pote, um matemático do futebol. Destaque ainda para a titularidade de João Pereira, que jogou como se estivesse no Onze desde sempre. 

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02
Mai21

Tudo ao molho e fé em Deus

Poder de síntese


Pedro Azevedo

O Jovane ontem jogou vinte e oito minutos. Tanto tempo em campo na vida do Jovane Cabral é objectivamente um luxo asiático, um motivo de abertura de telejornal e de parangonas de tablóide, pelo menos a avaliar pelos 13 jogos anteriores a contar para a Liga em que jogou menos tempo que isso ou não foi sequer utilizado (no 14º, contra o Benfica, pisou a relva durante 29 minutos). Aliás, se analisarmos as estatísticas, só por seis vezes o cabo-verdiano foi utilizado mais tempo do que ontem, cinco delas como titular, sendo que nunca fez um jogo completo a contar para este campeonato. Porém, no somatório de todas as competições, o Jovane é o nosso segundo melhor marcador, só superado pelo Pedro Gonçalves. Tal deve-se ao seu poder de síntese. Metam o Jovane na barra do Gambrinus e em 28 minutos, sob a supervisão arbitral do excelente senhor Brito, ele terá tempo de despachar uns croquetes, desfazer a empada de perdiz e ter a digestão completa em menos de meia-hora. No campo é igual. Para isso contribuem diversos factores. Em primeiro lugar, ele é claro na linguagem que emprega, não se perde a meio do caminho ou corre o risco de entediar, confundir ou desagradar quem o está a ver. Em segundo, é objectivo, vai vertiginosamente direito ao assunto e traduz em golos e assistências a razão da sua existência. Em terceiro, omite informações desnecessárias: o Jovane não anda por atalhos e não se ilude com rococós efémeros e nada eficazes. Em quarto, não tem medo de ser mal-interpretado. Ele vai sempre contra o adversário que se interpuser face à baliza, e ganhando ou perdendo a bola fá-lo-á uma e outra vez. Finalmente, ele desenvolveu uma capacidade tal de ir lapidando a sua linguagem que 12 minutos contra o Porto para a Taça da Liga são mais do que suficientes para deixar uma marca indelével da sua passagem pelo relvado. 

 

Até à entrada do Jovane em campo, o Sporting caracterizou-se pela capacidade do Bragança de encontrar o Pote entre-linhas, seguida por assistência para o Paulinho se esmerar na arte de perdoar em frente do golo, especialidade onde a sua cotação não poderia estar mais em alta. Tudo o resto foram inuendos sem objectividade nenhuma, formas incipientes encontradas para disfarçar a nossa verdadeira prioridade no jogo. Até que entrou o Jovane. A partir daí um vendavel se soltou, uma onda se alevantou, um átomo a mais se animou (obrigado, José Régio). Assim, logo de entrada isolou o Porro na direita, mas o Paulinho trocou os pés na hora de dar o melhor seguimento à jogada. Não satisfeito, aproveitou uma boa simulação do nosso ponta de lança e deixou o Porro na cara do golo. Depois, pegou na bola no meio-campo e arrancou tão potentemente para a baliza que fez expulsar o pobre do Alhassan, única forma de evitar a jogada de 2x1 que se perspectivava. Mas a "pièce de résistance" ainda estava para vir: primeiro trocando as voltas a um defesa e colocando com precisão a bola na cabeça de Feddal para o golo inaugural, depois sprintando e ganhando a frente a um defesa nacionalista até se isolar e ser por este, já grogue (bebida típica de Cabo Verde), derrubado dentro da área. Na conversão da penalidade não fez por menos: bola na gaveta, no ângulo, indefensável. Tudo natural, porque para o Jovane foi só mais um dia no escritório. No próximo jogo lá voltará ao banco, de onde assistirá, sem um queixume ou dor de alma, à exibição dos seus colegas. Se a coisa estiver a dar para o torto, quem sabe poderá jogar 1, 2 ou 3 minutos. Ganhando nós, lá estará como sempre a festejar efusivamente com a restante equipa no relvado. Em síntese, o Jovane é impagável, não tem preço, deve ficar connosco para sempre. Porque, se é verdade que o seu tempo mede-se em fracções irrisórias, essas parcelas ínfimas são as melhores das nossas vidas de leões. 

 

A 4 jornadas do fim, o Sporting lidera com 6 pontos de avanço. Com apenas 12 pontos em disputa, escusado será dizer que ganhar em Vila do Conde será muito importante. Conseguindo-o, assistiremos de cadeirão ao Clássico, algo que seria invulgarmente tranquilo para um Sportinguista. No entretanto, continuemos a testar a máquina. Sem dispositivo para cortar nas rotações, ontem a verificação começou mais cedo, com o futsal, modalidade que deveria ser acompanhada por um desfibrilador ou só vista em diferido e em slow-motion. Temo porém que tenha de ser encontrada uma solução mais efectiva no futuro. Proponho assim que o hino da Maria José Valério e o "Mundo sabe que..." passem a vir acompanhados de uma pequena palestra do Prof. Fernando Pádua, assim a modo de instruções de bordo para os solavancos que a turbulência poderá provocar na máquina. Tocaria nos nossos corações...

 

P.S. Ah, e por falar em linguagem, aquele manuelmachadês que consistiu em comunicar contra tudo o que mexesse de verde-e-branco foi uma afirmação semântica digna de figurar no Dicionário Canelas do futebol português. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jovane Cabral. Pote foi outro dos destaques. Porro parece ter melhorado face a desempenhos anteriores. Max teve uma intervenção decisiva.

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29
Abr21

Há um Zé Pereira fofinho


Pedro Azevedo

"O Sérgio é um belíssimo treinador, um homem de coração enorme, e tem estas reações, já quando era jogador também tinha. Gosta muito de conseguir os seus objetivos, é muito determinado e às vezes excede-se. Criámos uma imagem de grandes treinadores, de melhores treinadores do mundo, e ainda não a perdemos no aspeto técnico e táctico. Mas precisamos de reforçar também em termos comportamentais aquilo que são as nossas grandes virtudes. Temos de valorizar a nossa competência profissional, acompanhada da competência comportamental que é fundamental" - ABola

 

Favor confrontar com (acerca de Rúben Amorim): "Engolimos os sapos, mas estamos mortinhos por vomitá-los".

 

Entre o pedagógico fofinho e o áspero regurgitante. Elucidativo!

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26
Abr21

Tudo ao molho e fé em Deus

A normalidade de ter Coates


Pedro Azevedo

Antes do jogo, o senhor Pinto da Costa declarou que em condições normais o FC Porto será campeão. De normalidade percebe o senhor Pinto da Costa. Por exemplo, a distribuição normal dos eventos narrados no Apito Dourado tinha um desvio-padrão muito pequeno. Em consonância, a maioria das observações estava muito próxima da média do que era alegadamente comum acontecer na relação entre o FC Porto e diferentes agentes desportivos, o que convenhamos oferecia muita segurança a quem tinha de fazer "previsões". Tal fez-me lembrar um livro. Em "Repeated games with incomplete information", Aumann e Maschler abordam a teoria dos jogos. Quando as pessoas interagem, elas habitualmente já o fizeram no passado e esperam continuar a fazê-lo no futuro. É este elemento de continuidade que é estudado na teoria dos jogos repetidos, a qual prevê, por exemplo, cooperação, secretismo, castigo ou vingança. E depois há o aspecto da informação, que revela que sinais vitais podem ser implicitamente revelados pela acção de um jogador, sinais esses que o jogador pode pretender mascarar a fim de induzir o oponente ao engano. Foi o caso de Lord Rothschild, que, tendo tido antecipado conhecimento do resultado da Batalha de Waterloo, enviou um seu agente para a Bolsa de Londres com instruções para vender discretamente títulos accionistas. Simultaneamente, contratou diversos indivíduos que geralmente não trabalhavam para si com o objectivo de comprarem títulos o mais que pudessem. Como Rothschild havia antecipado, o seu habitual agente foi reconhecido. Vendo-o a vender, os restantes operadores associaram-se, julgando a sua acção traduzir que a batalha havia sido perdida pelos ingleses. Acabaram por facilitar a vida a Rothschild, que nesse dia conseguiu comprar acções no mercado a preços muito baixos que mais tarde, quando foi do conhecimento geral o sucesso de Wellington, se convertiriam em importantes mais-valias. Tudo isto para dizer que talvez não fizesse mal a Pinto da Costa esconder o jogo, ou, pelo menos, o seu entendimento da "normalidade" do mesmo.

 

Nos modelos de risco, os analistas estimam a máxima perda com níveis de significância que alternam entre 95% ou 99%, considerando-se os 5% ou 1% como eventos com grau de probabilidade muito reduzida e assim desprezíveis, o que leva a acontecimentos como o 11 de Setembro ou a crise de subprime tenderem a ser subestimados, acabando as previsões desses analistas por falhar. Ora, o futebol é um jogo. Como tal, tem uma componente de aleatoriedade. Os adeptos Sportinguistas que acompanharam o desenrolar do nosso jogo em Braga já rezavam por um empate, mas no fim o Sporting ganhou. Costuma dizer-se que é futebol. Num mundo ideal isso nunca seria considerado uma anormalidade, apenas um jogo. Anormal seria por exemplo a corrupção, promiscuidade, tráfico de influências ou falta de ética, ou até mesmo o condicionamento sobre as equipas de arbitragem (supunhamos umas invasões à Maia, ou assim...) eventualmente influenciarem as ocorrências de um jogo ou de um campeonato ou até marcarem golos, mas sobre isso o Nostradamus da Cedofeita não faz previsões, embora prevenido já tivesse ido até à baliza, perdão, Galiza.  

 

Começado o jogo, o Braga cedo descobriu a localização do cofre. Com Galeno, Gaitan e Sequeira permanentemente em superioridade numérica sobre Porro e Inácio, não surpreendeu que o central leonino se visse em apuros. Duas faltas, dois cartões, o Sporting via-se rapidamente a jogar só com 10. Mas uma coisa é ver o cofre, outra é descobrir a sua combinação. Até ao intervalo o Coates e o Adán certificaram-se que tal não aconteceria. Durante o descanso, o Rúben Amorim compreendeu que teria de pôr alguém mais naquele flanco. Com menos 1, convinha ser um jogador versátil, enérgico e também com chegada à área adversária. Vai daí, pensou no Matheus Nunes. Em boa hora o fez, pois numa jogada semelhante à que deu a nossa vitória na final da Taça da Liga, o brasileiro marcaria o golo da vitória. O restante segundo tempo foi uma história de sacrifício e de superação, um épico que certamente faria furor se representado no mundo da Sétima Arte. Como grande protagonista o Coates. O nosso Ministro da Defesa devolveu tudo, foi um muro intransponível. Coadjuvando-o, o Secretário de Estado Adán. Também ajudou ao sucesso o facto de em campo ter estado o Galeno, um artista com o traço impressionista de um Manet e a definição final de um maneta (no caso, perneta).  No fim, o Amorim disse que foi normal. E teve razão. Oscar Wilde teve um grande sucesso com a peça "A importância de se chamar Ernesto", também designada por "A importância de ser honesto", uma sátira sobre a moral vitoriana. Homem reconhecidamente culto, Pinto da Costa certamente conhecerá a obra de Wilde. E saberá também que a normalidade no Sporting está associada à importância de (o capitão) se chamar Coates. Sim, Coates, o que nunca alimentou dúvidas ou angústias pós-Alcochete aos adeptos e sempre alinhou os seus interesses pessoais com o Sporting, aquele que mais do que ninguém merece o título de campeão nacional.

 

Ganhámos um jogo que facilmente poderia ter caído para o outro lado. Mas é importante também compreender que houve jogos que empatámos e deveríamos ter ganho. É o futebol e os seus sortilégios, tudo normal. O que não vinha infelizmente sendo normal no Sporting era a solidariedade e resiliência dos jogadores em campo. E essa será a melhor contribuição de Rúben Amorim para o Sporting versão 2020/21. Podem contestar-se as substituições - ontem só gostei de Matheus e de Neto - , as alterações no modelo de jogo, a parca utilização de Jovane, dispensa de Pedro Marques, etc, mas a verdade é esta: em 47 anos que levo de ver futebol nunca vi uma equipa tão unida em campo. Se é normal, não sei. Mas espero que doravante seja o novo-normal. Força, Sporting!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates

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22
Abr21

Tudo ao molho e fé em Deus

Virgem aos 28


Pedro Azevedo

Na antecâmara do jogo, todo machão, o marialva Petit revelou querer tirar-nos a virgindade. Poderá até ser natural, num cavalheiro tão esbelto, tão formosamente abençoado pela natureza, esse tipo de auto-confiança. Todavia, inusitado, vindo de um benfiquista assumido, terá sido o reconhecimento de que o objecto da sua cobiça permanecia religiosamente sem mácula na alma e corpo, algo que todos nós, Sportinguistas, reconhecemos desde o berço. A verdade é que no fim, acabados de completar 28 (jogos), permanecemos virgens, pelo que o problema não foi o hímen. Não, esse manteve-se inviolado. Já o iman da nossa triste fatalidade não parou de exercer atração entre os dois polos do campo, tantas foram as asneiras que os nossos próprios jogadores cometeram. [O deus do futebol deve ter revelado em sonhos ao Petit que em Alvalade o iman seria seu, mas este ("lost in translation") terá compreendido hímen e daí aquela tirada à manganão.] Foi assim quando João Mário falhou um penálti, assim foi quando Adán se pôs a inventar junto à sua baliza ou Matheus Reis se esqueceu do avançado e só se preocupou com a bola. 

 

Nada contudo acontece por acaso. Por exemplo, o João Mário é um agnóstico do golo, creio (!?) que por experiência própria o rapaz até duvide que o golo exista. Logo, pô-lo a marcar os nossos penáltis talvez seja uma grande penalidade para a equipa em si. Concomitantemente, o Matheus Reis é essencialmente um lateral esquerdo. Foi assim que construiu a sua ainda breve carreira no Rio Ave, clube onde apenas realizou 3 jogos como central num sistema de 3. Assim, tê-lo a titular como central, com Neto disponível no banco, será sempre um risco, o qual visará uma maior produção atacante mas terá como senão uma menor consistência defensiva (mesmo sendo mais lento e a B Sad tendo avançados rápidos, o Neto compensa no posicionamento neste sistema de 3). Para não falar que desde o início da temporada Adán vem revelado fragilidade a jogar com os pés. Por um acaso ou outro, tal ainda não se tinha revelado mortífero. Infelizmente, aconteceu ontem. Também não foi por coincidência que o Jovane entrou e minorizou o prejuízo. O que não se entende é a razão pela qual só entra quando tudo está aparentemente perdido e é preciso ir encontrar no fundo do baú uma última solução de recurso. Ainda assim, o Jovane ameaça tornar-se o jogador mais importante da época. Primeiro evitando um terceiro resultado negativo consecutivo e impedindo a eliminação de uma Taça da Liga que nos viria a encher de confiança e motivação para o resto da temporada. Segundo, ao ter negado a nossa primeira derrota no campeonato, mantendo o factor psicológico da invencibilidade do nosso lado a poucos dias de uma previsivelmente difícil deslocação a Braga. E vamos ver se, como génio da lâmpada que é para Amorim, não nos concederá ainda um terceiro desejo. 

 

Poder-se-á dizer que Rúben Amorim acertou em todas as substituições. É um facto, Nuno Santos (cruzamento para o 1º golo), Tabata (dinâmica), Bragança (circulação de bola rápida), Jovane (penálti e golo) e Matheus Nunes (assistência no lance da penalidade) entraram muito bem. Porém, tal também revela que o onze base foi mal escolhido. Por exemplo, João Mário esteve 67 minutos entediante e exasperantemente a jogar a passo para trás e para o lado, Matheus Reis nunca compensou ofensivamente aquilo que retirou defensivamente e faltaram-nos sempre o dinamismo do Nuno Santos para desorientar marcações apertadas ou a relação com o golo de Jovane. Já em desespero, regressámos ao 3-2-5 (WM) primeiramente testado contra o Gil Vicente em Alvalade. Com Tabata como extremo direito e Nuno Santos no polo oposto, Jovane posicionou-se como o ponta de lança que recuava nas costas de Paulinho e Coates, este último o verdadeiro avançado centro do Sporting versão 20/21. Lá atrás, Matheus Nunes testava (mais) uma posição nova, a de central pela direita. Ao seu lado Gonçalo Inácio (centro) e Nuno Mendes (esquerda). No meio do terreno, Bragança e Pote. E foi assim que aconteceu... evitarmos a derrota. 

 

A fórmula de sucesso está mais do que encontrada e quem a patenteou foi o alquimista Amorim. Os consumidores, após algum cepticismo inicial, receberam-na em euforia. Tal como a Coca-Cola, primeiro estranhou-se, depois entranhou-se. Não fará como tal sentido andarmos a experimentar novas fórmulas quando a competição se encaminha para o fim. Isto é o que eu penso. Temo porém que tantos pensares distintos existentes na cabeça do Amorim nos possam conduzir por um caminho diferente. É a desvantagem das múltiplas opções, umas tornadas realidade por mérito exclusivo de Rúben, outras encontradas no último mercado. O povo, na sua infinita sabedoria, costuma dizer que quem não tem dinheiro não tem vícios. Como virgens não têm vícios, que joguem os melhores e que melhor funcionam em equipa. Vamos, Sporting!!! (Eu continuo a acreditar, afinal antes desta jornada tínhamos 6,12 e 14 pontos de avanço sobre a concorrência. Se não acreditarmos em nós, como poderão eles (a concorrência) acreditar? Repito; serenidade e confiança. E acrescento: convicção.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Nuno Mendes

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17
Abr21

Tudo ao molho e fé em Deus

Voando sobre um ninho de cucos


Pedro Azevedo

O edifício em que vive o futebol português é um autêntico manicómio. Não surpreende por isso que, face aos casos detectados e outros que estão sobre suspeita de match-fixing, ninguém se indigne por a Liga escolher como patrocinador principal um site de apostas. Ou que dois treinadores se envolvam numa rixa feia durante 10 minutos e a respectiva suspensão seja levada para as calendas gregas, como por exemplo (suponhamos) a véspera de um certo jogo na Luz ou o defeso (já se sabe, é muito duro estar de castigo na praia no Verão). Não, olhando para a imprensa, os problemas do futebol português são o Sporting e o Rúben Amorim. Assim, não admira que ultimamente joguemos como se estivéssemos dentro de uma camisa de forças. É que o Sporting, nos intervalos em que o deixam, voa sobre um ninho de cucos. Cucos, pardais, milhafres, mitológicos reptéis com asas, papoilas saltitantes que são o ópio do mundo da bola. A droga é dura e cria elevada dependência, há que ganhar custe o que custar. Pode, por exemplo, custar 15 dias a quem ousar se atravessar no caminho, ou pode não custar nada a bem da salvaguarda do ecossistema em que vivemos há para aí uns 40 anos. 

 

Ontem fomos a Faro. Do outro lado estava uma das equipas que melhor joga e menos pontos tem. Um jogo entre leões, do reino animal de Portugal e do Algarve, uma partida que curiosamente não ficou marcada pelos poderosos ataques mas sim pelas felinas defesas. De Adán e de Beto. Há também quem diga que o senhor Macron defendeu bem, mas esses são os mesmos que não atribuíram credibilidade ao (primeiro) penalty sobre o Jovane no jogo pretérito. Mais que perfeito ainda assim para se criar uma narrativa. Estou agora à espera do que se dirá quando o Carvalhal tiver de jogar contra um clube que equipar de Lacatoni. Será que lhe irá pesar a camisola? É estranho e pouco plausível o que se diz, nomeadamente quando antecipadamente se sabe que vamos mudar para a Nike. (O Hugo Miguel revela óbvias dificuldades físicas no acompanhamento dos lances, mas mantém durante o jogo um critério técnico e disciplinar uniforme que muito raramente se pode observar nos seus colegas de profissão.)

 

O Sporting apresentou-se nervoso, a falhar muitos passes. O sistema, o nosso que não o dos outros que é perene, voltou a mudar. Regressámos ao 3-5-2, expondo a indefinição entre o ataque rápido e transições que tão bons resultados nos trouxeram e a recém atracção amorinesca pelo ataque posicional. Talvez por isso sempre tenha transparecido que a equipa se quedava a meio-caminho de qualquer coisa. A meio-caminho de ter um goleador, que desce tanto que raramente se encontra na zona de golo ou revela instinto predador, ou a meio-caminho de controlar um jogo que de facto não raras vezes lhe fugiu das mãos. Valeu-nos este Adán que não come da árvore do conhecimento do bem e do mal, ele que busca a sabedoria somente a partir da experiência adquirida entre os postes e nos bancos das equipas por onde passou. E deu-nos jeito, mais uma vez, um Pote de Ouro, que esta coisa de saber enquadrar um remate não é para qualquer um. Ontem, pus-me a olhar para a sua movimentação no momento do golo: inicialmente, lá estava ele, naquele emaranhado de jogadores que atacou a primeira bola, porém, ao ver que o esférico o sobrevoara, logo recuou para o espaço livre, assim como quem dá uma linha de passe ao Paulinho ou espera um ressalto entre a densa floresta algarvia. Acabou por prevalecer a segunda hipótese, o décimo sétimo golo do Pedro Gonçalves neste campeonato. Será por acaso? Acaso somente me parece a sua ainda não inclusão na selecção principal de Portugal. Um jogador tão versátil, tão capaz de fazer várias posições em campo, tão ao jeito das metamorfoses tácticas em caos organizado do agrado do Engenheiro, com tanto golo, deverá ser sempre um elemento a contar na Equipa de Todos Nós. 

 

Faltam-nos sete finais. Haverá certamente por aí ainda alguns Pedro Henrique ou Gauld para nos darem água pela barba. Precisamos de serenidade, convicções e confiança. E de golos. Amorim e a equipa precisam de voltar a divertirem-se com o jogo, soltarem-se mais, focarem-se no que até agora foi feito de muito positivo e eliminarem da sua acção e pensamento a ansiedade e tudo o que é medíocre e pobre no futebol português, o que também é fonte de "diversão" para muita gente que por aí anda mas não é para nós. No momento em que querem fazer do Amorim o Jack Nicholson do "Voando sobre um ninho de cucos", libertemo-nos da camisa de forças e mostremos a todos que neste futebol somos o ente sano. Força, Sporting!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Adán

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06
Abr21

Tudo ao molho e fé em Deus

Regresso às aulas


Pedro Azevedo

Com o regresso às aulas voltaram também as lições de educação visual, trabalhos manuais e ciências. Nesse sentido, a régua, o esquadro e o microscópio foram muito utilizados pela sala do VAR, assim como a tesoura pela turma moreirense. A aplicação desta última sem a requerida cartolina (amarela, ou vermelha?) justificaria uma falta de material à classe arbitral, infração que já se sabe não constituir objecto de análise por parte do conselho disciplinar do colégio federativo. Restará assim a "jarra", se a associação de estudantes do apito não quiser passar uma borracha sobre o assunto.  

 

O Sporting também voltou ao campeonato. Não se pode dizer que o regresso tenha sido auspicioso, pois empatou. Para melhor tentar explicar aquilo que vi (não é axiomático) vou deixar a sátira de lado e concentrar-me na análise que me parece curial fazer nesta circunstância. Assim, mais preocupante que o resultado é a indefinição que se nota quanto ao melhor sistema de jogo a aplicar quando nos aproximamos do último quarto da competição. O sacrifício de um dos interiores (Nuno Santos ou Jovane) teve consequências na falta de apoio observado por Matheus Reis na altura de fechar o espaço a Walterson aquando do golo do Moreirense. Por outro lado, o transporte de bola em segurança de João Mário parece-me claramente sobrevalorizado num clube que quer ganhar todos os jogos, na medida em que retira imprevisibilidade à equipa e não proporciona os desequilíbrios que quem lute por títulos tem de provocar no adversário. A equipa parece estar a viver uma pequena crise de indentidade, dispersa entre o ataque rápido e transição que deram tantos dividendos no passado e os fundamentos do jogo de ataque posicional. A introdução de Bragança traz qualidade de passe e fluidez de jogo, mas se queremos um terceiro médio que contraste com estas características então Matheus Nunes, um dinamitador de linhas, seria uma melhor solução do que João Mário, amortecendo os efeitos da passagem abrupta do 3-4-3 para o 3-5-2. Por outro lado, os poucos minutos de jogo de Jovane são um mistério. O jogador foi progressivamente apagando-se nas preferências de Amorim depois de ter sido instrumental na imposição do jovem técnico em Alvalade no final da época passada. Esta temporada voltou a ter um papel importante quando reapareceu a tempo de evitar o terceiro resultado negativo consecutivo da equipa, ajudando assim a ganhar a Taça da Liga e a criar a confiança necessária que alavancou o nosso desempenho no campeonato. A sua escassa utilização desde esse momento não deixa de surpreender, ainda mais pelo facto de o jogador continuar a mostrar-se influente mesmo jogando muito pouco tempo. Ontem nem sequer foi a jogo, optando Amorim por manter um Paulinho claramente desgastado e ainda a acusar alguma falta de ritmo resultante da lesão que o impediu de realizar uma série de jogos. Ao contrário daquilo que vem sendo habitual, desta vez Amorim não conseguiu esconder os pontos fracos individuais dos jogadores. Assim, Porro mostrou-se desatento ao avanço de Abdu Conté nas suas costas e Feddal foi imprudente na abordagem ao lance fatal, procurando improvisar com o calcanhar sem ter o virtuosismo para tal requerido de um outro magrebino que imortalizou tal gesto técnico no Porto e na Europa, tudo situações que habitualmente não se revelam quando o Sporting está no relvado e que por falta de estrelinha desta vez vieram a redundar em golo no único remate enquadrado da equipa de Moreira de Cónegos. No plano positivo, Paulinho marcou finalmente um golo e mostrou bons pormenores que lhe podiam ter rendido um outro e uma assistência. No entanto, precisa de melhorar o timing de ataque à bola na área, aspecto em que ficou aquém após primorosa assistência de Porro que poderia ter resolvido o encontro. Bragança esteve em excelente plano, rodando a bola com rapidez, incorporando-se no ataque com critério e proporcionando uma excelente assistência para golo a Paulinho. Evidentemente, a avaliação é contínua e a equipa tem créditos acumulados que permitem antecipar uma óptima nota final, mas será importante voltar a estabilizar uma ideia de jogo clara e dar oportunidades a jogadores que façam efectivamente a diferença. A equipa parece viciada nos equilíbrios, mas é importante que haja também quem desequilibre. Igualmente, a manutenção de um elevado ritmo de jogo que não permita aos adversários reentrarem nas partidas parece-me chave para um final de época sem sobressaltos. Nesse sentido, noto que à semelhança do jogo com o Rio Ave estivemos longe de esgotar as 5 substituições possíveis. Mas há que aprender a lição e andar para a frente. Acreditemos, porque Amorim e a equipa merecem-nos esse capital de confiança. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Daniel Bragança

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01
Abr21

1º de Abril


Pedro Azevedo

A Bola assinala a data com a notícia de que Tomás Araújo encanta Jesus. A novidade é que se trata de um jovem da Formação do Benfica. Mais à frente o periódico adianta que ainda é cedo para a tomada de decisões, mas esclarece que o jogador marcou pontos. 

O ponto que vejo é o da limpeza de imagem do treinador...

 

O mesmo jornal dá como certo o regresso de Simão à Luz. As funções é que ainda estarão por definir.

Arranjem-me nomes, depois logo se vê como encaixam...

 

Diz o Carlos Júnior (Santa Clara) ao Record que o irmão ganhou uma ovelha num torneio e a vendeu para o ajudar.

Tem sorte o Carlos, há quem tenha ovelhas negras na família e não as possa vender (ou dar)...

 

Ainda segundo o Record, diz o Júlio César, antigo guarda-redes e hoje empresário, que sente a missão de trazer David Luiz para o Benfica.

Show me the money...

 

Segundo O Jogo, na Sérvia, o árbitro Srdjan Obradovic foi acusado de abuso de poder pelo departamento de prevenção contra a corrupção de Novi Sad após assinalar um penálti inexistente num jogo disputado em 2018. Como consequência, o árbitro foi condenado a cumprir 15 meses de prisão. 

Novas SADs já temos, se isto faz jurisprudência por cá... 

31
Mar21

Tudo ao molho e fé em Deus

A braçadeira não caiu, a braçadeira não cairá


Pedro Azevedo

Portugal foi até ao Grão-Ducado do Luxemburgo onde um dia Siegfried, o da Brunilda de Wagner, mandou edificar uma fortaleza que durante muito tempo chegou a dar ares de aguentar as investidas do tradicional caos organizado que o exército de Fernando Santos montou a partir de um cerco. É curioso falar aqui de Siegfried porque a sua história tem semelhanças evidentes com a de Aquiles, ainda que a fragilidade do nórdico proviesse do ombro e não do calcanhar ou tornozelo. Ora, o nosso Aquiles é o Félix. A julgar pelo jornal da Queimada ambos até terão sido banhados em rios sagrados: o Aquiles já se sabia que no Estige e o Félix dizem-nos que no Judeu, ali para os lados do Seixal. O mesmo periódico que antes de cada jogo de Portugal embala o Félix como o Aquiles que transporta o escudo nacional, o guerreiro épico que fará a diferença na peleja. Só que depois as profecias saem todas furadas - deve ser do efeito nas águas das descargas poluentes na Baía do Seixal que o PAN atribui à inércia da autarquia - e o Jotinha que se destaca no ataque é aquele que o Klopp, qual Wagner, foi um dia buscar a Wolverhampton para dar um novo impulso à "cavalgada das valquírias" do seu Liverpool. Ontem, por exemplo, a única semelhança entre o Aquiles e o Félix foi a vulnerabilidade do tornozelo. Só que enquanto o Aquiles, ferido mortalmente por uma flecha de Páris, só viria a perecer após se encher de uma glória homérica com a conquista de Troia (que não a da Península de Setúbal onde acontece outra "guerra" que Alcochete neste momento lidera), a lesão no tornozelo de Félix foi como um sacrifício que os santinhos afectos ao Fernando congeminaram para que o onze de Portugal tivesse a oportunidade de vencer a Batalha do Luxemburgo. Foi de tal modo que diz-se por aí que como pagamento da dívida aos santinhos e expiação do pecado perante os inquisidores o Ronaldo irá permanecer 3 dias e 3 noites na fortaleza. E no fim, qual Mestre Afonso Domingues, proferirá: "A braçadeira não caiu, a braçadeira não cairá". Desengane-se porém quem pense que morrerá de seguida, que o Cristiano tem mais vidas que um gato e ainda vão ter de levar com ele mais uns anitos. É tomarem Rennie, a poção mágica dos Invejosix, o povo sedentário ocupante da fracção mais ocidental da Península Ibérica que não se governa nem se deixa governar ou dá valor ao real mérito.

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23
Mar21

Penso, logo desisto


Pedro Azevedo

Leio que fizemos uma parceria com uma instituição especializada em encontrar jovens talentos escandinavos "cognitivamente desenvoltos". Parece-me uma boa forma de reformular o Gabinete Olímpico. Assim, se os meninos e meninas não souberem dar dois pontapés na bola, podemos sempre inscrevê-los nas Olimpíadas da Matemática. Ou no Xadrez. E na Sueca, também, obviamente. Com a vantagem, dada a púbere idade, de tal contributo poder ser dado por correspondência. 

 

P.S. Diz o Director da instituição, que tem sede na Ericeira, que esses jovens "contrastam com os portugueses". Entretanto, no seu site anunciam que no Verão irão visitar 30 diferentes locais na Escandinávia.

22
Mar21

Delegado de propaganda médica


Pedro Azevedo

O Otávio sem "c" (vocês sabem do que eu estou a falar) renovou com o Porto e o senhor Pinto da Costa, investido de delegado de propaganda médica, logo alertou que as farmácias vão continuar a vender muito Rennie. Tomando como certo que a Estrutura portista e seu treinador serão clientes certos da pastilha contra a azia, aguarda-se que a próxima promoção de PdC venha a ser um medicamento para incontinentes verbais. É que só o Sérgio Conceição seria menino para esgotar o stock completo. Entretanto, a Federação Portuguesa de Lutas Amadoras ainda não se pronunciou sobre a possibilidade de vir a utilizar alguns vídeos de Sérgio Conceição para a promoção da modalidade. Teme-se porém que a Liga Portugal se tenha antecipado na compra dos direitos. Pelo menos a julgar pela ligeireza com que vem contemporizando com as atitudes do treinador portista. Bem sei, a Comissão de Instrutores anda mais à caça de fraudes na inscrição de treinadores, ainda que tal acção não lhe permita remontar ao tempo em que Sérgio era treinador do Olhanense...

21
Mar21

Tudo ao molho e fé em Deus

Cinderella Man


Pedro Azevedo

Imaginem um clube com sorte madrasta, durante anos tratado como o enteado pobre do futebol português. Desprezado pelos dois filhos do sistema, que nunca perdiam uma oportunidade de dele troçarem, viu-se obrigado a desde cedo trabalhar na regeneração do nosso futebol. Um trabalho na sombra, anos e anos a fio convertido em retalhos por acção directa dos filhos do sistema e assim condenado a nunca emergir no baile de gala de encerramento da época desportiva, um motivo de redobrado sofrimento para todos os que dele gostavam.

 

O sofrimento como marca de existência e uma resiliência a dar razão a Schopenhauer quando classificava o sofrimento como positivo porque não inebriante ou ilusório como a felicidade e portanto revelador da condição humana. "Sofro, logo existo", como paradigma do ser Sportinguista. Até que um dia surgiu uma fada que tudo encantou. De uma abóbora fez uma carruagem dourada, seis ratinhos foram transformados em majestosos cavalos, um rato maior tornou-se cocheiro. Uns sapatinhos feitos à medida de campeão apareceram como que por encantamento, calçando-o para o baile. Logo todos os que gostavam dele se interrogaram se seria real. Poderão anos e anos de sofrimento terminarem com um passe de magia? O nosso receio, o que nos inquieta à noite, é que a carruagem se volte a transformar em abóbora.

 

Vem esta alegoria a propósito do papel de Rúben Amorim na afirmação deste novo Sporting. Amorim é o nosso "Cinderella Man", capaz de mostrar que é de ouro que se fazem os produtos da nossa Academia. Com ele, a nossa existência passou a ser um transcender de liberdade, aquilo que Jaspers ensina que abre caminhos. Como a caminho entre Alcochete e Alvalade, aberto por Amorim quando colheu 6 dos semeados por Aurélio Pereira e seus seguidores e os exibiu na grande montra de ontem. Com outros dois a preencherem a segunda parte. À semelhança de outros jogos em que fomos reganhando a nossa identidade. Dando assim um sentido às coisas. E logo quando tudo parecia perdido, o que dá à emergencia de Amorim um toque de transcendental, como na parábola de Kierkegaard onde um homem determinado a pôr fim ao seu sofrimento e prestes a atirar-se ao Tamisa (o Tejo, para o efeito) é salvo por uma picada de um mosquito que lhe interrompe o movimento. Abençoada picada, certamente. E encantado mosquito.

 

E que bonito é observar os nossos produtos de Alcochete. Com simplicidade, tudo se poderia reduzir à iluste Casa de Bragança, senhorial na arte da posse, douta em conhecimentos aprofundados de geometria e impenetrável às vagas de ataque do "inimigo", onde coexistem o tiki-taka do João e do Daniel, o GPS do Inácio, o rochedo Palhinha, o colosso Tomás - dois fins de semana consecutivos a mandar centrais para o estaleiro com caîbras aos 60 minutos de jogo - e a serpente Mendes, mas também o belo cisne Cabral e o bebé Essugo. Não sei como esta bela aventura irá terminar, mas volto a Kierkegaard para recuperar os seus 3 estádios da existência humana: tendo nós sempre desprezado o estético, em que o prazer momentâneo do belo e de um desejo imediatista (a "facilidade") é garantia de felicidade, encontrámos nas leis da moral e da conduta universais um patamar melhor para a nossa existência. Porque a ética é universal, ao contrário do ser que é único e individual. E assim, arregimentados por um valor comum, contra ventos e marés procuramos a nossa verdade comum. O que nos leva ao último estádio, o do compromisso com a nossa fé. De ser Sportinguista, de ser (Ser?) Sporting.  

 

P.S. Espero que o senhor José Pereira da Inspecção do Trabalho não nos multe por fraude na atribuição de contrato de trabalho ao jovem Dário.  

 

Tenor "tudo ao molho...": João Palhinha. Gonçalo Inácio, Daniel Bragança, Tiago Tomás, Pote e Jovane mostraram pormenores distintivos. E estreou-se o jovem Dário Essugo, 16 aninhos acabados de perfazer, com dedicatória para todos os papás de meninos que querem jogar futebol ao mais alto nível e tudo. Uma palavra final para a estupenda arbitragem de Tiago Martins, um árbitro não poucas vezes traído pela vaidade mas que ontem deixou o palco para os músicos e permitiu que sobressaísse a qualidade das partituras. Grande trabalho!

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14
Mar21

Tudo ao molho e fé em Deus

“Inimigo” invisível


Pedro Azevedo

Uma pessoa olha para as primeiras imagens emitidas directamente do Regimento de Milícias de Tondela e começa logo a interrogar-se sobre a forma como se deve combater um "inimigo" que não se vê. É que aparentemente estavam só 11 jogadores do Sporting em cima do terreno do jogo, mas os tondelenses haviam vestido camuflado, preparado uma emboscada e agora camaleonicamente confundiam-se com a vegetação enquanto aguardavam o início das hostilidades. Não os víamos, mas sentíamos que eles estavam lá, ou anos e anos de sistema do futebol português não nos tivessem já suficientemente desenvolvido a intuição (e a visão noturna). O mote estava traçado, a estratégia deles passava por extrema mobilidade oculta, íamos ter uma luta de guerrilha. Instintivamente pensei que o tempo da camisola, calções, botas e caneleiras já era e o jogador do futuro equiparia com capacete binocular de infravermelhos e assim. Veio-me logo à cabeça o Platoon e imaginei o filho do Martin Sheen a fumar umas cenas e a pensar no White Rabbit que seria preciso tirar da cartola para ganhar o jogo. (Mais tarde na carreira o rapaz dedicar-se-ia mesmo a da cartola tirar coelhinhas... da Playboy.)

 

Rapidamente se percebeu que os Beir'altacongs queriam-nos meter a encher chouriços, atar e pôr no fumeiro. As nossas movimentações eram constantemente vigiadas, o que nos colocava num espartilho. E não tínhamos quem conseguisse saltar as trincheiras que os tondelenses haviam montado com snipers como linha de defesa ao longo do terreno. Entretanto, desperdiçámos ingloriamente 45 minutos a tentá-lo com as mesmíssimas soluções ("I'm sitting on the dock of the bay, watching the tide roll away, ooh I'm just sitting on the dock of the bay, wasting time..."). Do meio campo para a frente os únicos homens com poder de choque eram Palhinha e TT, mas estes não são propriamente criativos, pelo que pensei que as entradas ao intervalo de Jovane e de Matheus Nunes poderiam complementar essas outras duas unidades, juntando mais força física a velocidade, imprevisibilidade e capacidade de ultrapassar linhas. Mas não, voltámos exactamente com o mesmo onze. E a primeira alteração também não foi de ruptura com o andamento do jogo, visando mais posse de bola e passe à distância quando este jogo específico estava a pedir essencialmente capacidade de penetração e dinamite. Obviamente, não resultou. Por essa altura já eu andava a ouvir o Adagio e com tendência para passar ao original do Albinoni , aquele que o Morrison escolheu para o seu "An American Prayer". O jogo continuou exactamente no mesmo enervante rame-rame até que Tabata e Jovane finalmente o conseguiram agitar. Nomeadamente o cabo-verdiano, que se posicionou mais perto de TT e obrigou os beirões a dispersarem atenções. E de uma bola recuperada por Jovane à entrada da área viria a resultar o envolvimento que permitiria a Pote assistir TT para o golo da vitória. 

 

O Sporting cumpriu com o essencial dos 3 pontos. No entanto, independentemente da inquestionável valia dos nossos jogadores, hoje não foi nada claro que tivéssemos escolhido o onze mais adaptado às circunstâncias que fomos encontrar em Tondela (não é com "Bolshoi" que se ataca "Hanói"). Mas ganhámos, e isso nunca defrauda ninguém, logo em princípio não deverá ser alvo de processo por parte da Comissão de Inquisidores, perdão, de Instrutores da Liga. Em princípio. R-E-S-P-E-C-T!

 

Tenor "Tudo ao molho...": TT. Uma palavra de apreço para a forma como defendemos. Noutros tempos, um falhanço como o de Feddal geraria logo o pânico e seria um golo certo. Hoje em dia não. E porquê? Porque os restantes jogadores sabem exactamente como colectivamente se posicionar e que linhas de passe encurtar. E isso é muito trabalho de treinador e da sua equipa técnica, sem desprimor pela forma como os jogadores apreenderam rapidamente os conceitos, que isto de atrás não deixar ninguém entregue à sua sorte tem muito que se lhe diga. Assim, podemos não impressionar ofensivamente, mas esta equipa continua a ser muito difícil de bater. E isso é meio-caminho andado para o sucesso.  

P.S. Retalhos da vida do futebol português: o João Pereira no Sporting nem precisa de jogar para apanhar vermelhos. Quando estava do outro lado da Segunda Circular, o Hugo Viana é que nem precisava de lhe tocar para ver um vermelho. Ah, e o pisão no pé do Tiago Tomás? Lá por o homem ser TT não quer dizer que valha tudo, não é? 

golotondela.jpg

11
Mar21

Lost in translation


Pedro Azevedo

Esta CI da Liga denomina-se Comissão de Instrutores ou Comissão de Inquisidores?

 

Tendo em conta a observância em média de um evento por mês relacionado com o Sporting, não sei se devo circunscrever este tipo de sinal que a CI ciclicamente transmite ao Conselho de Disciplina da FPF no âmbito da convolação ou da... ovulação. Temo porém que os actos não estejam a ser praticados em segurança e que venham a traduzir-se em abortos (jurídicos) quando devidamente apreciados pelos tribunais comuns.

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