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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

31
Ago20

Sobre a intensidade de um “6”


Pedro Azevedo

Existem várias opiniões, todas elas válidas, sobre o que é necessário a um jogador da posição "6". Na verdade essas opiniões não estão necessariamente certas ou erradas, o que é importante é saber-se o que se quer do jogo. Imagine-se que eu, para este exercício académico investido de treinador, pretendo praticar um jogo posicional, então eu vou querer um "6" forte na construção, com qualidade de passe e capaz de por a bola redonda e entre-linhas em 1-2 toques. Nessa situação, como o meu jogo privilegiará a posse, eu não precisarei de um "bicho" que lute pela bola, apenas necessitarei de alguém que em postura defensiva saiba preencher correctamente os espaços, fechando nomeadamente as linhas de passe mais comprometedoras. Todavia, se eu for um treinador com outro entendimento do jogo, que privilegie a organização defensiva e não queira investir muito em posicionamentos complexos requeridos à transição defensiva, então eu vou querer um "6" essencialmente repressor, que mais do que defender o espaço ataque o portador de bola. Assim, qualquer uma das tipologias de jogador é válida, o que varia é o meu entendimento do jogo e o futebol que quero praticar. Se no caso da escola do Ajax um jogador como Daniel Bragança calharia muito bem, para outro tipo de filosofia de jogo Palhinha seria fundamental. O que têm em comum Frenkie de Jong (Barcelona, ex-Ajax)  e Danilo (Porto)? Apenas saber interpretar o que lhes é pedido. No entanto ambos podem ser extremamente eficazes dentro de princípios que os favorecem. Porém, se pedirmos a de Jong para fazer o trabalho de Danilo, e vice-versa, os resultados dificilmente serão os melhores. 

PS: no caso particular do Sporting, do que tenho observado creio que Ruben Amorim pretende dois "8" à frente do trio de centrais.

18
Mar19

Estratégia SCP(5)


Pedro Azevedo

"Princípios/Ética"

 

Um presidente do Sporting deve observar, na minha opinião, um conjunto de Princípios durante o(s) seu(s) mandato(s). Eis alguns dos que considero mais relevantes:

  • Princípio da transitoriedade presidencial: a um sócio, adepto ou simpatizante do Sporting aplica-se o verbo Ser. A um presidente ou a qualquer títular de cargo directivo no clube aplica-se o verbo Estar. Uma pessoa não é presidente, está em presidente, exactamente da mesma forma que quando não trabalha está desempregado. Não é uma questão de semântica - um presidente serve o clube e os seus sócios - e torna-se muito importante a um candidato ter consciência disto para que não se venham a verificar situações futuras de excessivo apego ao poder;
  • Princípio da perenidade do clube: um presidente de uma instituição centenária como é o Sporting tem de criar condições que garantam a continuidade, estabilidade e inextinguibilidade do clube. Tal como um facho que passa de mão em mão, de geração em geração, cada novo presidente tem de sentir a responsabilidade de futuramente passar o clube a outrém em melhor situação do que a que encontrou;
  • Princípio da adequabilidade do candidato: sendo certo que qualquer sócio do Sporting que reúna as condições definidas nos Estatutos do clube se pode candidatar a presidente, uma candidatura presidencial deve obedecer a uma introspecção do próprio no sentido de perceber se tem a experiência, a idoneidade e o conhecimento necessários ao exercício do cargo e pode, mesmo, futuramente vir a ser préviamente sujeita a escrutínio de Orgão competente (Compliance). Sendo presidente, o não preenchimento destes requisitos pode afectar seriamente a reputação da instituição e causar-lhe prejuízos patrimoniais significativos;
  • Princípio das boas práticas de gestão: o líder deve reunir a informação de gestão necessária à boa decisão e assegurar formas de monitorização contínua dos processos, corrigindo desvios e identificando oportunidades de melhoria, sempre no escrupuloso respeito das regras, procedimentos, regulamentos e leis aplicáveis. Independentemente do escrutínio próprio a que está sujeito pelo Conselho Fiscal e Disciplinar ( e pelos sócios), o presidente deve saber reunir-se de um conjunto de mecanismos que lhe permita autodisciplinar-se e garanta a necessária transparência dos processos. Nesse sentido, deve ser dada toda a liberdade e independência na estrutura aos orgãos de Controlo Interno, Auditoria Interna e Compliance (a criar). Garantida a integridade dos processos e eliminado a montante todo e qualquer tipo de suspeição, o presidente pode concentrar-se no essencial: voltar a colocar o Sporting no topo do futebol português;
  • Princípio da limitação dos mandatos: um presidente do Sporting só poderá liderar o clube em 2 mandatos, seguidos ou não;
  • Princípio da democraticidade interna: o presidente do clube está sempre ao serviço dos sócios e não deve cometer actos que impeçam a expressão do desejo legítimo dos mesmos, assegurado o cumprimento dos devidos formalismos estatutários previstos para o efeito;
  • Princípio de congregação: ao presidente compete estimular a participação dos sócios e a boa recepção das suas ideias;
  • Princípio da Igualdade: para o presidente, todos os sócios são iguais nos seus direitos e na sua liberdade de expressão, não devendo em nenhuma circunstância contribuir para um ambiente maniqueísta, de divisão interna e/ou de criação de castas de leoninidade;
  • Princípio do controlo societário (SAD): o Sporting, directa ou indirectamente através de SGPS, deve manter-se sempre maioritário na SAD;
  • Princípio de governação (SAD): o presidente do Sporting deve ser também presidente da SAD, por uma questão de não fazer sentido haver uma visão distinta nas duas instituições. O "problema" da concentração de poderes, é um falso problema, fundamental é existirem orgãos de controlo. Se o futebol não estivesse na SAD, haveria um presidente para as modalidades e outro para o futebol, dentro do clube? 
  • Princípio do ecletismo: ao presidente cabe garantir a perpectuidade da aposta nas modalidades, elemento distintivo e singular da afirmação da Cultura Sporting em Portugal e no mundo;
  • Princípio do clube formador: outro elemento distintivo e singular da Cultura Sporting que caberá a cada presidente não desvirtuar;
  • Princípio da exigência máxima: ao presidente cabe zelar pela instauração de uma cultura de exigência máxima no clube e pela sua correcta implementação junto de colaboradores, atletas e sócios, no mais rigoroso respeito pela pessoa humana e pela história e pergaminhos do clube. Aos sócios caberá tomar decisões informadas sempre que forem chamados a pronunciar-se sobre a actualidade do clube;
  • Princípio do "Sporting centric": um presidente deve ter consciência que o Sporting é sempre o mais importante, o bem maior e deve estar sempre no centro de tudo;
  • Princípio da ética (em resumo): o presidente deve agir com respeito por sócios e colaboradores, dignidade, solidariedade institucional, comprometimento pelo desenvolvimento do clube, responsabilidade, consciência de alguns dos factores de diferenciação (ecletismo, Formação) que nos distinguem, entre outros valores e atitudes que devem ser apreendidos por qualquer pessoa. O Sporting tem de ser sempre percepcionado como um clube ético, cujas acções visam garantir a integridade das competições em que está inserido, integridade essa pela qual estará disposto a lutar tendo em vista a eliminação de todas as inconformidades. 

 

 

Para além destes Princípios, estas seriam as funções do futuro Comité de Compliance:

  • Zelar pelo cumprimento de todos os procedimentos regulamentares, nomeadamente pela prevenção de conflito de interesses e pelo cumprimento da legislação de branqueamento de capitais, nas operações efectuadas com as diversas entidades envolvidas;
  • Estabelecimento de um Código de Conduta que regule treinadores, jogadores de futebol e atletas das modalidades;
  • Estabelecimento de um Código de Conduta que regule a actividade das claques (anexo ao Protocolo existente), com pesadas sanções (que podem ir até à sua erradicação) caso a sua actuação venha a provocar prejuízos patrimonais e/ou danos reputacionais ao clube;
  • Garantir a transparência dos processos de transferência de jogadores de futebol;
  • Garantir e acompanhar a adopção e cumprimento em todo o grupo Sporting dos valores éticos das várias instituições, de forma a contribuir para a mitigação do risco de imputação a essas instituições de danos reputacionais, sanções ou prejuízos patrimoniais significativos;
  • Acompanhamento de toda a actividade do grupo;
  • Propor à Liga de Clubes e FPF um Código de Conduta e de Ética que regule a relação entre todos os agentes desportivos e que foque primordialmente na prevenção de casos de conflito de interesses, promiscuidade, tráfico de influências e corrupção.

(FIM desta reflexão)

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