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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

29
Abr24

Tudo ao molho e fé em Gyokeres

Once upon a time in the West Ham


Pedro Azevedo

Com a vitória sobre o... Vitória, o Sporting ficou muito perto do título de campeão nacional. A instabilidade anterior à entrada de Amorim em Alvalade pareceu longínqua no tempo e definitivamente erradicada, com os resultados tinha chegado a famosa tranquilidade com sotaquezinho espanhol (língua do nosso grande capitão Coates) que no passado, entre outros méritos,  até normalizara o risco ao meio do Paulo Bento. Até que aconteceu segunda-feira, não um dia a seguir a Domingo semelhante a outros 51 que ocorrem durante 1 ano, mas aquele em que Rúben Amorim apanhou um avião (o avião criou imediato desassossego, se tivesse sido visto em Tires a andar de bicicleta ou trotinete saberíamos que não iria longe). A caminho de Londres. Para ir tratar de presuntos, na zona oeste da capital inglesa. Confesso que não entendi o empolamento. Quer dizer, já todos conhecíamos a ambição europeia de Amorim, mas o meu receio foi que ele se tivesse metido num vôo para Estrasburgo, à boleia de ser cabeça de lista da AD para o parlamento europeu. Porque o mandato é de 5 anos. Mas não, felizmente não, tal como o Montenegro, eu confundi alhos com Bugalhos: o Amorim só tinha ido a Londres. E sobre o assunto não adianta serrar mais presunto (há um campeonato para vencer). Ainda se fosse um Pata Negra talvez valesse a pena, mas assim...

 

Bom, mas isso foi na segunda-feira, hoje o Sporting jogava no Dragão (Oeste por faroeste, antes o último, ainda por explorar). Pelo que lá fomos nós à procura do Henry Fonda e de outros mauzões, só que o Fonda já havia sido mandado para casa por uma multidão em repúdio através de um escrutínio popular. Como o Mau estava de fora, tomou-lhe o lugar o Vilão-Boas (mas isso é um outro filme). Não tivemos Bronson, o que (não) foi uma gaita, mas Cardinal(e) não estava na linha, o que deu para revitar distrações. Assim, ninguém ficou de beiço caído... Sem Bronson, o herói foi Gyokeres. Amorim ainda deu 60 minutos de avanço ao Porto, facto de que agora deverá estar arrependido. Foi um erro, uma asneira, ter Inácio fora de posição e uma ala esquerda coxa, assim como a ida de Diomande (desastrado) a jogo. Só que Gyokeres foi para dentro de campo, Quaresma também, Nuno Santos entrou à hora de jogo, todas as peças finalmente encaixaram e o Sporting melhorou imediatamente. Até lá, valeram Hjulmand e Coates, que evitaram o naufrágio e deram fôlego a Amorim para corrigir aquilo que estava errado. 

 

O jogo e a semana resumem-se numa frase/interrogação de William Blake: "Como saberes o que é suficiente, se não souberes o que é demais?". Amorim pisou o risco, teve uma dose dupla de aprendizagem e crê-se que tenha compreendido a lição. Ora, lição rima com campeão. E Portimão, cidade do próximo clube que nos visita. É para ganhar, claro, qual a dúvida? Somos o Sporting, a Oeste nada de novo...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Viktor Gyokeres

 

P.S. Força, meu capitão! As melhoras, Manuel Fernandes, e que no Marquês celebremos também a sua recuperação. 

once upon.jpg

19
Dez23

Tudo ao molho e fé em Deus

Ciclone Gyokeres contra as altas pressões


Pedro Azevedo

Das histórias de quadradinhos do Walt Disney vêm-nos à memória vários personagens. Uns mais recorrentes no almanaque, como o Tio Patinhas, o Mickey, o Donald ou mesmo o Pateta, outros mais raros. Entre estes últimos destaco o Grilo Falante. Este falava frequentemente ao ouvido do Pinóquio, dando-lhe conselhos sábios e constituindo-se como a voz da sua consciência. Transferindo dos quadradinhos para o universo do futebol profissional, o Grilo Falante seria o VAR ideal de qualquer árbitro. O problema é que no nosso futebol há muitos Pinóquios - já o dizia o Pimenta Machado a propósito do que hoje é verdade, amanhã poder ser mentira - e poucos Grilos Falantes, abundando porém os Metralhas. Vem isto a propósito do Clássico de ontem, porque não é natural comentar um jogo contra o Porto em que o nosso maior adversário residiu no auricular instalado no ouvido do Nuno Almeida. A botar faladura, o Tiago Martins: aquando do seu anúncio, disseram-nos que o VAR era para ser usado em lances de flagrante delito do árbitro e seus auxiliares. Tomámos boa nota. O que ninguém nos preparou foi para um anti-ciclone Gyokeres a operar a partir da Cidade do Futebol, uma flor de estufa muito sensível a correntes de ar. Como resultado da acção desse centro de alta pressão (sobre o árbitro), foram anulados dois golos ao Sporting e os ânimos aqueceram na proporção das nuvens cinzentas que se desanuviaram sobre o Porto. No primeiro, o Quaresma veio da direita à esquerda para cortar um ataque perigoso do Porto. Embalado, tabelou com o Morita e foi apanhar a bola à frente. Enquanto o João Mário se contorcia no chão com dores de cotovelo, o Quaresma sacou do GPS e direccionou um cruzamento perfeito para o Gyokeres, que de cabeça disparou um míssil que passou por cima do Diogo Costa antes que este pudesse sequer ajeitar o cabelo para a fotografia. A anulação do golo foi um crime de lesa-futebol. No segundo, o Bragança chegou primeiro à bola - há uma imagem de uma câmara de frente que mostra o portista que o tenta desarmar ainda com o pé no ar - e tocou para o Paulinho, que marcou. O auxiliar anulou por fora de jogo que o VAR posteriormente viu não existir. Os portistas alegaram ter havido falta do Paulinho, que o VAR também viu não existir. Criou-se assim um impasse: consultadas as leis do jogo, a utilização do pé esquerdo não constituía infração por si só para anulação de um golo. A chuteira estava calçada, outro contratempo. Continuação do impasse. Até que o inefável Martins recorreu ao Telescópio James Webb para vislumbrar uma alegada falta do Daniel. O curioso é que o jogador que alegadamente sofreu a falta não protestou, ao contrário dos colegas que se dividiram entre um sem número de alegações cujo único propósito visava evitar a goleada.  

 

Não sei se o Sporting teve melhor organização colectiva do que o Porto, o que é claro é que os nossos jogadores ganharam os duelos individuais mais importantes. Nesse particular, o Gyokeres e o Quaresma destacaram-se: de tanto encostar o Pepe às cordas, o Gyokeres levou-o à exaustão física e mental, erosão que terá estado na origem de ter confundido o relvado com um ringue de boxe e concomitante expulsão por agressão a soco. E o Quaresma colou o cromo do Galeno numa caderneta e não o deixou sair de lá, tendo ainda tempo para uma jogada à Baresi ou à Beckenbauer, conforme a Vossa preferência. No golo, o Gyokeres choca contra o Pepe, ganha o ressalto com o peito e surpreende o Diogo Costa ao chutar para o primeiro poste. (Quem quer comparar este golo com o sofrido por nós em Guimarães engana-se, porque o jogador vimaranense conduz pela esquerda do seu ataque com o pé canhoto e tem pouquíssimo ângulo, enquanto o Gyokeres vem da esquerda, tem a bola no seu pé direito e assim o ângulo aberto.) O Sérgio Conceição logo alegou ter havido mão do sueco. Mas podia também ter alegado maus tratos a idosos e requerido a presença de uma assistente social no local para registar o facto, que ainda que fosse possível motivo para interditar o nosso lar de Alvalade não seria alibi para anular o golo. A cena repetiu-se aquando da anulação do segundo golo a Gyokeres: o árbitro não viu razão para infração e até advertiu por simulação o portista caído no chão. Mas logo se armou a tenda do circo, não faltando o anão da praxe e o médico que troca o juramento de Hipócrates pela hipocrisia de utilizar o seu estatuto para falar ao ouvido do bandeirinha: um outro tipo de Grilos Falantes. Após o intervalo, o Pepe foi expulso. O árbitro, de frente para o lance, não viu a agressão ao Matheus Reis. Chamado ao VAR, Nuno Almeida demorou um tempo infinito a constatar o óbvio ululante. Cheguei a pensar se não estaria a ser equacionado que o Matheus Reis teria agredido com a sua boca o punho cerrado do Pepe, mas o facto de as comunicações entre VAR e árbitro não serem divulgadas em tempo real inibiu o seu cabal esclarecimento. Após consulta exaustiva da Carta Universal dos Direitos do Homem, o direito à segurança pessoal (artigo 3º) prevaleceu sobre a presunção de inocência (artigo 11º) e Nuno Almeida mandou finalmente o Pepe ir tomar banho. No chão, Matheus Reis jorrava sangue... Com menos 1 em campo, os portistas concederam mais espaços ao Sporting. O Geny encontrou o Gyokeres com uma pista para acelerar e este não se fez rogado, oferecendo no fim o golo ao Pote. A celebração que se seguiu foi de baile de máscaras, como se o Pote tivesse reconhecido que o golo era todo construção do sueco e fosse necessário disfarçar a enorme superioridade leonina. Depois o Gyokeres voltou a isolar-se e a tocar novamente para o Pote, mas desta vez o Diogo Costa conseguiu defender. Novo vendaval sueco se seguiria, com o golo a ser novamente anulado como descrito acima. Pelo meio, uma cotovelada de Taremi a Inácio ou um pontapé deliberado de Varela a Catamo escaparam somente com o amarelo. 

 

No fim do jogo lá apareceram o Faustino e o Duarte Gomes na televisão. Afinal foi tudo normal: os golos anulados, a cotovelada do Taremi ao Inácio, o pontapé do Varela ao Catamo e o tempo que o Nuno Almeida demorou para tomar a decisão de expulsar o Pepe. É sempre pungente ver como funciona o corporativismo em Portugal. Em resumo, a arbitragem foi excelente, nós todos é que precisamos de ir urgentemente à Multiópticas. Como aliás já foi a Dª Dolores, a mãe do nosso Cristiano Ronaldo, que, Sportinguista orgulhosa, foi vista a festejar euforicamente a nossa grande vitória. Grande Dª Dolores! Do jogo fica ainda uma lição da matemática: como marcar 4 golos e só ganhar por 2 de diferença, sabendo-se que o adversário não marcou qualquer golo. É que a matemática é uma ciência exacta, excepto quando a bola rola em Portugal. Estamos na frente!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Gyokeres. Grande jogo do Eduardo Quaresma e exibições acima da média do Hjulmand, do Diomande e do Inácio. 

gyokeres porto.jpg

13
Fev23

Tudo ao molho e fé em Deus

Um Chermiti contra o associativismo


Pedro Azevedo

Para além de Ugarte, o Sporting tem no seu plantel 6 médios. Bragança é um lesionado de longa duração, Morita ficou indisponível à última da hora, mas estavam desimpedidos 2 miúdos da formação (Essugo e Mateus Fernandes) e outros 2 jogadores contratados esta época (o Tanlongo e o Buscapoulos). Resultado? Vários milhões depois, gastos entre olheiros (eles), olheiras (nós) e colchões da Academia, contra o Porto o titular foi Pote, o nosso melhor marcador das duas últimas temporadas, que obviamente fez falta lá na frente. Depois há o caso do elevador de St Juste, que voltou a ficar parado. Alta manutenção, está mais do que visto, ou não tivesse custado 9,5M€. Passou mal a noite, leu-se por aí, interpretando-se tal como um transtorno do foro gastro-intestinal. Depois do ombro, joelho, coxa e tornozelo, os intestinos e o estômago... Enfim, o neerlandês até é bom jogador, o problema é que o único orgão relacionado que parece funcionar bem é o da igreja luterana que frequenta. Se uns não podem ir a jogo, outros ficam no banco por opção. Mas é uma opção de curto prazo, porque o impulso pavloviano do treinador com Paulinho e Esgaio faz com que não resista a mandá-los para o relvado à primeira oportunidade, ainda que o primeiro tenha entrado 1 hora antes do tempo e o segundo tenha estado 15 minutos a mais em campo. O fisiologista Pavlov chamou-lhe reflexo condicionado. Se é reflexo, eu não sei, mas que condiciona (a equipa), lá isso condiciona. Muito. E depois há o caso da gestão de Fatawu. De prometedor contra o Braga para a bancada face ao Rio Ave, como tirocínio para a titularidade ontem com o Porto, jogo em que depois saiu ao intervalo. Vi algo parecido na antiga Feira Popular, creio que se chamava Montanha Russa. É só emoção! (Mas cabeça fria precisa-se.)

 

Já li por aí que a nossa exibição foi deprimente e assim, mas não estou de acordo. Deprimente foi o nosso jogo em Vila do Conde, isso sim. Só que ganhámos, e isso fez com que os leões fizessem de avestruzes e enfiassem a cabeça na areia. Ontem, pelo contrário, fizemos uma boa primeira parte. Mas não fomos felizes na finalização. Só que depois demos o estoiro, o que já é prática corrente. E, entre erros próprios (Coates) e má fortuna (Ugarte), demos 2 golos de bandeja ao Porto. Também não ajudou muito termos 1 único jogador capaz de desequilibrar no 1x1 (Edwards) e somente 1 ponta de lança goleador (Chermiti), características individuais que por vezes se sobrepõem a uma equipa que não está a funcionar como um todo e fazem ganhar jogos, pelo que perdemos. Perdemos no presente, mas talvez tenhamos ganho algo no futuro (Chermiti). Mas nunca se sabe, pode ser que o Amorim lance o Youssef no próximo jogo da B. É que é preciso comer muita papa até dominar o associativismo... 

 

Artur a suar(es) há dias é um caso perdido desde que os Super Dragões invadiram o centro de destreinos da Maia. E a culpa nem é principalmente dele, mas sim de quem o deveria proteger (Estado e Federação) e prefere assobiar para o lado, deixando-o exposto. E de quem o freta, ano após ano, para estes caldinhos (Conselho de Arbitragem). Ontem amarelou tudo o que pôde vestido de verde-e-branco e fez vista grossa a um pisão de Pepe que quase arrumava com o Chermiti, ali bem à frente dos seus olhos. O que o faz correr? Com um caso perdido não se devem gastar muitas linhas, que a vaidade de ver o seu nome impresso ainda pode sobrepor-se aos motivos pelos quais é chamado à colação. Apenas dar graças a Deus por haver um limite de idade até para a asneira. (A UEFA e a FIFA é que os topam bem, e mais não digo.)

 

O ambiente está ao rubro entre os apaniguados do J Marques e as testemunhas de Janelá. Se dentro das quatro linhas a disputa vai ser até ao fim, fora delas vamos ver quem vai ser o campeão dos figurões. E o que não falta aí são discípulos (até no nosso clube, mas jogam para nulos), todos a aprenderem pela cartilha de João de Deus dos pobres de espírito. Pode ser que lá para o fim da época até já saibam escrever, que o que dizem não se escreve (nem se recomenda). 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Youssef Chermiti

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11
Fev23

Chermiti, claro


Pedro Azevedo

Na época de 2020/21, o Sporting procurou nos tribunais a "despenalização" de Palhinha, anteriormente suspenso federativamente na sequência de acumulação de cartões amarelos, sendo o último a si mostrado de uma injustiça gritante. O Sporting usou um expediente permitido, não está aqui em causa a ética da coisa, trata-se tão só de um buraco legislativo que outros clubes também já exploraram. E, na sequência, o Tribunal Administrativo de Lisboa determinou a suspensão da sentença que deixava Palhinha fora do derby contra o Benfica. Acontece que Amorim, não tendo certezas durante a semana sobre se poderia contar com Palhinha ou não, treinou Matheus Nunes nessa posição. E, coerentemente, lançou-o como titular, formando dupla com João Mário, começando Palhinha no banco de suplentes. O actual médio do Fulham viria a entrar no segundo tempo. Mas Matheus revelar-se-ia o homem do jogo, marcando o golo solitário da partida em cima do gongo. No final do jogo, o Sporting alargou a vantagem sobre o seu perseguidor mais directo para 10 pontos, vantagem sólida que lhe viria a permitir ser campeão. 

Vem este arrazoado a propósito da suspensão da penalização de Paulinho, que está apto para ir à jogo. Como não tenho dúvidas sobre a coerência de Ruben Amorim, admito até que venha a lancá-lo durante o desafio. Mas o titular será Chermiti. Com o mesmo resultado de há dois anos? Amanhã saberemos. (Mas se o Paulinho entrar e resolver ninguém das nossas cores ficará zangado.)

04
Fev23

Castigos cirúrgicos


Pedro Azevedo

O Sérgio Conceição foi expulso e o CD puniu-o com 1 jogo de suspensão, mesmo a tempo de estar presente no banco quando o FC Porto defrontar o Sporting. Em contraponto, o Paulinho também foi expulso e punido com 3 jogos de suspensão, mesmo a tempo de falhar o jogo com o FC Porto. Surpresa? Não, é só mais um sinal de como o futebol português está morto, ainda que subsista alguma actividade cerebral. A comprová-lo, depois das contratações cirúrgicas, temos agora os castigos cirúrgicos. E assim vai o nosso futebol, já cadáver mas sem que um médico legista lhe decrete o óbito. 

PS1: Posso estar enganado, mas estou em crer que se o Chermiti engata uma exibição em Vila do Conde ao nível da da recepção ao Braga ainda vamos ter o Paulinho despenalizado para jogar com o FC Porto. No futebol português há que baralhar com grande aparência de justiça para que no fim tudo possa ficar exactamente igual. 

PS2: Numa outra qualquer circunstância futura, a celeridade com que foram tomadas estas decisões será mandada às malvas e as suspensões terão efeito prático lá para o Verão... Porquê? Ninguém sabe, mas logo se ajustará a narrativa.

08
Jan23

Nota prévia


Pedro Azevedo

O (J)amor acontece, mas, se não tivermos sucesso na Pérola do Atlântico, é melhor partirmos para outra. Estamos entendidos? É que, para mau entendedor, às vezes duas partes não bastam...

 

 

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20
Ago22

Tudo ao molho e fé em Deus

Campeões de inferno (do mercado)


Pedro Azevedo

Sem quem transportasse a bola a meio campo, consequência do tributo ao dízimo, o Sporting abusou da troca de passes, o que é coisa para ter custado uma fortuna em intermediáções do agente Mendes. (A única boa notícia da noite foi o Porro ter mostrado que não tem passe.)

 

O jogo do Dragão opôs um clube sempre assediado pelo fair-play da UEFA a um novo-rico do futebol português, pelo que só poderia ter terminado em goleada do Sporting ao FC Porto. Ora, somem lá comigo, por favor: 37 M€ do Nuno Mendes + 20 M€ do Palhinha + 5 M€ do Tabata + 45 M€ do Matheus Nunes = 107 M€. Do outro lado umas vendazinhas pelas cláusulas de rescisão (baixas) do Vitinha e do Fábio Vieira. Resultado final: uma goleada das antigas. Espanta-me porém que em vez de ver leões a comemorar no Marquês, o sorriso esteja, sim, estampado no rosto do Marques. Não percebo a que campeonato está gente liga... O meu, já sei, é a Premier League. 

Não percebo também o escândalo que se faz por se abdicar do melhor jogador antes de uma visita a casa do campeão nacional. Parece de gente sem memória. Tão desmemoriada que se esquece que se abdicou de 37 campeonatos nas últimas 4 décadas. É por isso normal abdicarmos de mais um. O desvio-padrão à normalidade das coisas chama-se Ruben Amorim. Dizem que ele faz de CEO, de CFO, de responsável pelo Marketing ou Comunicação e tudo o mais no clube, mas tal não é verdade. O que ele é na realidade é um adepto. Daqueles à antiga. E por isso quer ganhar no campo, o que contrasta com o novo-adepto-novo-rico que esfrega as mãos de contente com a nossa conta DO. Mete dó, não é? 

Gosto muito do Ruben, mas há uma coisa que me incomoda: se é para só ter um ponta de lança suplente e se esse ponta de lança se chama Rodrigo Ribeiro, então por que razão o miúdo não joga? Alguém está a ver o Slimani ser opção ao Paulinho e na ausência deste o argelino não ser titular? Pelo menos escusávamos de passar 90 minutos a procurar o jogo aéreo do... Edwards, esse calmeirão de metro e meio e envergadura de vespa. 

Após uma semana marcada por um pecado original, não foi de estranhar que o Adán estivesse no centro das atenções por acções de proporções bíblicas. Enfim, como o povo sabiamente diz, o que nasce torto (gestão do mercado) tarde ou nunca se endireita. Por contraste, o Diogo Costa tirou 3 golos feitos ao Sporting, e isso no final fez toda a diferença. 

Tenor "Tudo ao molho...": Morita (foi o apagão após a sua saída) 

23
Abr22

Tudo ao molho e fé em Deus

À espera de São Jorge


Pedro Azevedo

Na vida, o timing das coisas é essencial. Para ser perfeito, não convém que a acção se desenrole cedo ou tarde demais. Se uma declaração de amor a uma mulher entretanto já comprometida pode enquadrar-se num exemplo de uma acção tardia, a visita do Sporting ao Porto deve ser considerada no lote das acções prematuras. E porquê? Porque ir ao Dragão nunca poderia ter ocorrido na Quinta-feira, dia 21 de Abril, mas sim hoje, Sábado, dia 23 de Abril, uma data em que se comemora São Jorge, o cavaleiro proveniente da Capadócia que com sucesso enfrentou e venceu o Dragão. Não, não tivemos Jorge e do plantel quem mais perto havia estado dessa região da Anatólia chama-se Slimani (Istambul/Fenerbahçe), que nem ao banco foi, o que não foi nada "católico" por revelar um comportamento do jogador desadequado com o espírito de grupo sempre tão louvado na época passada. Não houve Slimani, mas houve o habitual Paulinho, que nem cócegas fez ao Dragão. Sobre o Paulinho já muito se falou do seu compromisso defensivo, de como recua para organizar e ligar o jogo, blá, blá, blá... Sobre ser um Matador é que nada, e por isso o Dragão esteve sempre descansado. Acresce que o Paulinho que liga o jogo colide com os terrenos que Pote na época passada tornou férteis, prejudicando a acção deste. E, de certa forma, sobrepõe-se até ao espaço antigamente usado por Matheus Nunes para cavalgar a galope. Matheus que agora recebe de lado e sobre a esquerda, e não de costas e ao centro. Só que o luso-brasileiro tinha tanta facilidade em receber de costas que com uma simulação tirava logo um ou dois adversários do caminho, derrubando assim a usual superioridade dos adversários nessa zona nevrálgica do campo. Criando logo ali um bom ponto de partida para dinamitar a linha de defesa adversária. Agora não, é outro tipo de jogador, limitando-se muitas vezes a atrair adversários, que se empilham à sua volta, para tentar libertar alguém. Não é a mesma coisa, e o Sporting ressente-se disso. Como se ressente de não haver quem explore a profundidade como o TT e o Sporar faziam. Não teria sido melhor termos contratado alguém com essas características, de preferência com bastante mais técnica do que esses dois? Bom, o Slimani até acelera nas rectas e melhorou a sua técnica e tudo, mas esta coisa de o Paulinho ter lugar cativo deve ter-lhe rebentado com os fusíveis. E sem sinapses, fez asneira. Curioso porém é verificar que a única vez em que foi titular sem Paulinho até bisou, aliás os únicos golos leoninos nessa partida. Enfim, a crónica já vai longa, mas só para terminar gostaria de expressar o desejo de que no futuro próximo não cheguemos tarde. À Europa. Pode ser? 

03
Mar22

Tudo ao molho e fé em Deus

Haja fé no Amorinismo!


Pedro Azevedo

Há fenómenos que por contrariarem as leis naturais que regem o cotidiano não se enquadram à luz dos conhecimentos existentes. Foi o caso do título nacional conquistado pelo Sporting em 2021, 19 anos depois do último campeonato ganho e 68 anos após o derradeiro triunfo em ano ímpar na principal competição nacional. Carecendo de explicação científica, estes fenómenos tendem a enquadrar-se no sobrenatural. Aparece assim a expressão milagre, geralmente associada pelos teístas a Deus. Acreditando que Deus teria ligeiramente mais do que se preocupar do que com o mundo do ludopédio, tal como no caso dos antigos gregos ou romanos a essa omnipotência divina ter-se-ia de atribuir um deus dessa religião pagã que atrai tantas fiéis em comunhão que se convencionou designar por Futebol. E assim aconteceu, sendo que para os Sportinguistas essa divindade ganhou o nome de Rúben Amorim, que se consagrou após ter vencido os fariseus das sinagogas da bola e interrompido a actividade dos vendilhões do templo na contratação de jogadores. Nasceu assim o Amorinismo. Expandindo-se por todo o mundo Sportinguista (e não só), o Amorinismo foi conquistando um sem número de fiéis, atraindo inclusivé os agora descrentes do profeta (Jorge) Jesus caído em desgraça e algumas testemunhas de Janelá, aquele que inspirava as "escrituras" (e o comportamento padrão em programas televisivos).

 

Não é que esta época a fé no Amorinismo esteja em crise, mas já há quem diga que o deus Amorim é afinal um homem como nós. Eu não creio que o seja. Todavia, é preciso não esconder que começou a caça a alguns dos seus profetas, nomeadamente ao Pedro (Gonçalves) e ao Matheus (Nunes). E se o primeiro desta vez passou incólume devido a ausência, o segundo voltou a ser contestado pela turba revoltada que inconscientemente alinha nesta carneirada orquestrada pelos Pep Rápidos da má língua do costume que não perdoam não terem sido capazes de o valorizar atempadamente. Quer dizer, o homem passou a primeira parte a evangelizar, estando no cerne das 3 melhores acções leoninas nesse período (em duas delas chegando lá após sprints de 50 metros), combinou com Porro e condicionou a acção dos portistas no nosso maior momento de celebração e comunhão, e é agora contestado desta forma apenas porque em inferioridade numérica clara nem sempre conseguiu passar a sua mensagem? Valha-nos Deus, ou valha-nos o deus Amorim! A mim, sinceramente, o que me preocupa são os 3 que vão à frente, que não deram uma para a caixa. Quer dizer, na verdade o Sarabia até deu uma, uma só(!), para a caixa, mas os outros foram uma completa nulidade. O mesmo se aplicando ao Edwards. E nenhum conjunto se aguenta homogéneo e articulado quando há quem não dê continuidade às suas acções e assim exponha o grupo à contestação. 

 

Há ainda que considerar os erros. Houve muito poucos erros na época passada. Mas esta temporada as distrações e acções irreflectidas têm sido mais do que muitas. Como aconteceu com o Esgaio nos Açores, o Nuno Santos na Madeira ou o Porro ontem à noite, por exemplo. É que ir importunar um tipo com nome de pregador evangélico (Evanilson) justamente quando este se afastava do centro da oração não lembra ao diabo, mas o Porro fê-lo. E levou troco, claro. Com direito a apito e tudo. O desacreditar e falta de confiança na palavra de deus Amorim que se lhe seguiu é que não foi bonito. Na incerteza de atacar com uma linha de quatro ou de três atrás, a mensagem não passou e o dia acabou sem glória. Ora, é dos livros que não pode haver Amorinismo sem glorificação do deus que o inspirou. Têm a palavra os seus profetas.

 

P.S. Uma vergonha o sucessivo lançamento de tochas para o relvado por parte de uma claque do Sporting, lesando o clube financeiramente, em termos de imagem e mesmo desportivamente por assim ajudar a quebrar ainda mais o ritmo do jogo. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sarabia marcou 1 golo mas não fez mais nada de relevante. Matheus, melhor do Sporting na primeira parte, e Porro, igualmebnte bem nesse período, caíram muito no segundo tempo. Neto salvou um golo certo mas não ajudou à saída de bola. Assim sendo, ninguém se mostrou à altura da menção. 

sportingporto15.jpg

01
Mar22

Sob o signo do 10


Pedro Azevedo

O mundo do futebol anda louco. Primeiro acabou o "10", o "playmaker", depois deixou de se pedir ao ponta de lança que marcasse golos para passar a exigir-se-lhe que ligue o jogo como um 10, agora há quem lamente a má sorte  de ter de jogar contra 10. Se o 10 é uma especie em vias de extinção mais rara que o lince da Serra da Malcata e o ponta de lança perdeu a ponta... e a lança, o xico-espertismo de Sérgio Conceição ameaça ser a nova coqueluche do futebol mundial, o paradigma da modernidade e da sofisticação. Assim, sob o comando do Sérgio, "blue and white is the new black". A première será já amanhã, em Alvalade, onde se espera que o Porto entre com 10. Ou com 13, descontando já o aVARiado e o quarto auxiliar da passadeira azul e branca que se vai estendendo desde o início da época. Querem apostar? 

13
Fev22

Tudo ao molho e fé em Deus

No Reino dos Visigodos


Pedro Azevedo

Os grandes jogos de futebol lusos são também importantes lições de história, um pretexto para melhor se ficar a conhecer a evolução das comunidades humanas no território que hoje se denomina Portugal. Assim, enquanto a influência romana em Portugal pode ser observada pelo latim que se gasta após os jogos, o legado das invasões bárbaras é continuamente renovado a cada clássico no Dragão. Nesse particular, o líder visigodo, Pinto da Costa (e o engenheiro "visigordo" que é seu lugar-tenente), mostra o quão teme os "mouros", especialmente os que vêm de Lisboa, recorrendo por isso frequentemente a ancestrais tácticas de guerrilha que tanto podem envolver a utilização de reagentes anti-sépticos como de agentes da (des)ordem. Tudo em vão, porque, se a história nos ensina algo, ainda vai acabar a andar à nora... (Já a influência castelhana neste território ficou registada com os olés com que cada Sportinguista em casa mentalmente acompanhou a genial jogada do nosso segundo golo.)

 

Continuando a percorrer a história de Portugal, estes jogos trazem sempre à liça as memórias intemporais dos bárbaros Fernando Couto, Paulinho Santos, Jorge Costa ou Secretário, todos eles anos a fio a gozarem (com a alegada excepção do Secretário) connosco. Era um tempo em que os homens voavam sob a influência dos pitons dos visigodos portistas. Voavam, e por voar acabavam expulsos como o beato Ouattara ou o santo Juskowiak, ambos mártires da Areosa. Mas estava tudo bem, com mais ou menos quinhentinhos, fruta ou chocolate, que de apitos ainda não se conhecia o dourado. A coisa julgava-se já ultrapassada, mas eis senão quando regressou em força na última sexta-feira. Porém, se é verdade que a história frequentemente se repete, não deixa também de ser verídico que sempre adquire cambiantes diferentes. Assim, tanto foi possível observarem-se reminiscências de um outro tempo, do tipo do Matheus Nunes voar após cada nova entrada insuficientemente admoestada pelas costas, como nuances modernaças em que quem voa é o prevaricador - no caso um (A)ladino iraniano que para o efeito deve ter um daqueles tapetes persas das mil e uma noites - e "quem se lixa é o mexilhão" (o importado e importante Coates). Tudo sob o olhar inegavelmente assustado de um Pinheiro, mansinho para os portistas e bravo para os Sportinguistas, provavelmente desejoso de sair dali sem que lhe dessem na pinha. (Ainda assim, a vantagem de ser Pinheiro é que se cria raizes, outros como o Pratas até corriam na hora em que os visigodos levantavam o sobrolho na sua direcção.)

 

No final roubaram-nos: subjectivamente, dois pontos; objectivamente, uma carteira e um telemóvel. Não sei como há quem defenda isto (para além obviamente do Baía, que tem de fazer pela vida e afinal até era guarda-redes), mas há tradições que são difíceis de erradicar. Todavia, que me desculpe o PAN: tourada por tourada, eu prefiro a de Barrancos, que é nossa e não produto da cultura latino-americana. (E quem lidera toma o touro pelos cornos.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes

 

P.S. Ah, e os dois golos que ainda assim conseguimos marcar no Dragão foram tirados a papel químico: variação súbita do centro de jogo (da direita para a esquerda e o seu contrário), bola para o meio e golo. À semelhança de tentos obtidos de igual forma na época passada. Isto também é laboratório.

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10
Fev22

He-Man ou Sli-Man(i)?


Pedro Azevedo

O jornal A Bola diz que Fábio Vieira tem "hímen nos seus pés", algo que assumido literalmente constituirá um inesquecível fenómeno de género que certamente irá ser aprofundado tendo em vista uma melhor ilustração das nóveis aulas de Cidadania. Mas poderá ser também uma notável figura de estilo, que nos revela o quão a bola deve ser tratada com carinho, afagada mesmo, desde o impacto da sua recepção até ao momento em que sai (na ponta) do... pé. Neste sentido, outras metáforas homófonas poderiam ter sido esboçadas à volta do pé do Fábio, por exemplo envolvendo o íman (ou ímã) ou mesmo o He-Man. Esta última seria certamente a mais prazerosa para os portistas, que decerto não enjeitariam ver o alter-ego do Príncipe Adam (Adán, em espanhol) subjugado nos pés ou, mais propriamente, aos pés de Fábio Vieira. Mas, atenção(!), de Alvalade para além do He-Man vem também o guerreiro Sli-Man(i). É que seis golos em oito jogos com os portistas devem ser um suficiente cartão de visita para augurar ir dar água pela barba (o do hímen fica automaticamente livre disso) aos comandados de Sérgio Conceição. Ou não?

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12
Set21

Tudo ao molho e fé em Deus

O Dress-Code foi amarelo


Pedro Azevedo

Ontem em Alvalade houve jogo grande. Dia de festa pede "dress-code" e Nuno Almeida não hesitou em eleger o amarelo no relvado, obrigando leões e dragões a paritariamente se distribuírem com essa cor. Não se sabe se a ideia foi promover a solidariedade, mas no fim os Sportinguistas que assistiram ao jogo também ficaram um pouco amarelados. E porquê? Desde logo porque tiveram a confirmação de que nas recepções ao Porto vale tudo menos tirar olhos dentro da área portista. Já sabíamos que no passado um empurrão de Zaidu a Pote não havia dado grande penalidade, ontem ficámos a saber que um murro nos queixos também não dá. (Ou como um murro desferido por Pepe nos queixos de Coates se transforma num soco no estômago dos adeptos leoninos.) Bem sei, o Porto de Pinto da Costa e de Reinaldo Teles, mas também do guarda Abel e de Pepe, leva-nos muitos anos de avanço em experiência com a secção de boxe, não havia necessidade era de o VAR dar um "(upper)cut" nas imagens e um "knock-out" às regras do jogo. E depois ainda há quem fale no Fontelas e nos queira ver beneficiados pelas arbitragens... Eu estou a perceber o racional: o árbitro pinta abundantemente de amarelo, o VAR mistura com muito azul e o produto só pode ser verde, não é? 

 

O jogo? Há um bocadinho fui à janela e juro que vi o Porro ainda a correr. O homem é incansável e faz várias séries de 110 metros barreiras por jogo. Só que, no futebol, barreiras estáticas só aquelas da publicidade, da Betano ou lá o que é, as outras são dinâmicas e até investem contra as pernas. Mas ao Porro tanto se lhe dá. Venha fulano, beltrano, sicrano, Betano ou Marcano, é sempre para superar. Já o Nuno Santos é um hiperactivo, não consegue estar parado nem calado. Barafusta com os colegas, mói o juízo aos adversários, sua as estopinhas - é um agitador. Não peçam é a um espalha-brasas para depois ter frieza na hora da finalização. Para completar o trio mais proeminente de ontem à noite falta o Matheus. O Menino do Rio não se viu naqueles raides de área a área tão característicos seus. Não, em face da inferioridade numérica no meio campo, Matheus preocupou-se em garantir os equilíbrios defensivos e optou por ofensivamente sobrevoar os adversários. Num desses momentos avistou Porro a 40 metros de distância. Deu golo. Pouco depois, recuperou a bola e isolou imediatamente Nuno Santos para um lance que terminaria com a defesa da noite por parte de Diogo Costa. No fim, tocarem-lhe num gémeo. Bem sei, não se faz. Mas aquela coisa de aparentar que jogava por dois cheirava a esturro... 

 

O Sporting adiantou-se no marcador e podia ter chegado ao intervalo a vencer por 3-0 ou 3-1. As nossas oportunidades racaíram todas no pé esquerdo de Nuno Santos, Corona teve na cabeça a melhor hipótese portista. No entanto, o Porto viria a empatar numa jogada de inspiração de Luis Diaz, num lance que começou no nosso lado esquerdo entretanto todo mudado e continuou até ao lado oposto onde já não havia Jovane a ajudar Porro na contenção. Menor eficácia de um lado, maior qualidade individual do outro, no final os pontos dividir-se-iam. Na flash, o Conceição apareceu calminho e sem azia. Parecia um menino do coro, ou então era mesmo um menino do coro. Daí o colinho, claro.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Porro

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27
Abr21

Por que não o FC Porto?


Pedro Azevedo

Todos precisamos do sentimento de pertença. Sentimos conforto e resguardo se estivermos rodeados por quem vê o mundo exactamente da mesma forma que nós o vemos. E instintivamente escolhemos a nossa tribo. Foi por isso que, desportivamente falando, eu escolhi o Sporting. E nunca conseguirei ter simpatia pelo FC Porto, por muito que o clube vá acumulando títulos. Pelo menos enquanto o seu presidente e respectiva entourage estiverem no activo. 

23
Mar21

Ao fim e ao Cabo


Pedro Azevedo

O FC Porto é uma parábola de uma nação portuguesa, tão capaz de ancestrais e épicas empreitadas extramuros como a dobragem dos cabos Bojador ou das Tormentas, que em casa se especializou a dobrar o Cabo Carvoeiro a caminho das Berlengas, sempre à cata de apanhar todo o percebe existente nas zonas de maior turbulência por muito que se tivesse de arranhar no processo, e depois acabou tomada simplesmente pelo gosto de ir contra a rebentação e não quer (não sabe) mudar de vida. 

10
Mar21

A aritmética do campeonato


Pedro Azevedo

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Cenário Limite 1: Sporting ganha os jogos com Braga e Benfica

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Cenário Limite 2: Braga vence Sporting e Benfica

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Cenário Limite 3: Porto vence Benfica

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Cenário Limite 4: Benfica vence Braga, Porto e Sporting

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Worst Case Scenario para o Sporting: perde com Braga e Benfica

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Não esquecer que entre Braga, Porto e Benfica só 1 no melhor cenário possível poderá amealhar o máximo de pontos possível definido na tabela. Para ser campeão com toda a certeza o Sporting precisará de fazer 86 pontos, o que significa que tem uma pequena margem de 1 empate nos restantes jogos do campeonato (admitindo o worst-case-scenario conjugado de perder com Braga e Benfica e o Braga vencer todos os seus jogos até ao fim).

 

Faltam disputar 4 jogos entre os 4 primeiros classificados. A saber (por ordem cronológica): Braga-Benfica, Braga-Sporting, Benfica-Porto e Benfica-Sporting. Havendo 4 jogos, cada um com 3 resultados possíveis, existem 81 combinações possíveis de resultados entre eles, o que seria exaustivo elencar aqui. Assim, optei por apenas considerar cenários limite. 

10
Mar21

360º


Pedro Azevedo

Pelos ecos que nos chegam de ontem, a derrota do FC Porto em Turim foi festejada como se da vitória na final da Champions se tratasse. Por ironia, quem para tal mais contribuiu foi Sérgio Oliveira, autor de uma frase polémica na sequência do jogo com o Sporting, que marcou os dois golos dos portistas. Sinceros parabéns ao Sérgio e ao FC Porto por mais um relevante serviço prestado ao futebol português no melhor palco europeu e também por nos mostrarem que numa volta de 360º o ponto de chegada é exactamente igual ao de partida. 

PS: Ficaram-lhes bem os festejos, o futebol é alegria. E é também respeito pelos vencedores ou vencidos, reconhecendo que num determinado dia se foi pior ou melhor que o adversário e não deixando de o saudar pela luta que nos deu. 

28
Fev21

Tudo ao molho e fé em Deus

Matheus contra a burocracia


Pedro Azevedo

Tenho vindo aqui a escrever em inúmeras ocasiões que o maior mérito (e são vários) que deve ser creditado a Rúben Amorim é ter feito com que o todo seja maior que a soma das partes. Não sei se Vos parece pouco, mas esta ideia do colectivo, quando comparada com a dos nossos adversários, a mim afigura-se como muito boa. Vejam, por exemplo, o caso do FC Porto: ontem à noite, no Dragão, eles tinham dois Sérgios. Tal presumivelmente configuraria um Sérgio ao quadrado. Só que não, eles empataram-se, não remaram para o mesmo lado, extremaram posições entre a soberba de um e a humildade do outro, enfim anularam-se. Senão vejamos: no final do jogo, enquanto o Oliveira, cheio de fanfarronice, altaneiramente se arvorava em finalista vencido da Champions, ele que no único ano (dos 12 que leva como profissional do clube) em que o Porto conseguiu chegar a uns quartos-de-final da prova milionária estava emprestado ao PAOK, o Conceição, muito comedido, não se queixou de não ter o Garrido, o Martins dos Santos ou mesmo toda a família Calheiros por atacado a apitar, antes pelo contrário ter-lhe-ia modestamente bastado o silvo do Soares Dias para que um sorriso lhe iluminasse a face. Ora, está bom de ver, com esta divergência de postura não há colectivo que resista. Depois não se venham queixar de outrém. Basta! Organizem-se, por favor.

 

Não se pense porém que o Porto jogou apenas contra si próprio, do outro lado estava um Sporting apostado em não deixar jogar o Porto do Conceição e em jogar contra o Porto do Oliveira. Para não deixar jogar o primeiro, o Rúben Amorim meteu o João Mário desde início a esconder a bola, a arrefecer o jogo e os colegas mais jovens de forma a que a tensão não lhes induzisse uma expiração mais forte dentro da própria área que levasse homens reconhecidamente franzinos como o Taremi ou o Marega a caírem para o lado como tordos. Já para jogar contra o segundo, o Rúben fez entrar o Matheus Nunes. Foi remédio santo, a tal ponto que os portistas ainda não devem estar refeitos do susto que apanharam. Estava o Porto meter a carne toda no assador e logo teve que pensar duas vezes antes de entrar em aventuras que lhe poderiam ter custado uma severa indigestão...

 

Parafraseando o grande Gabriel Alves, o jogo não foi bom nem mau, antes pelo contrário. Em comprimento, a maior parte do tempo jogou-se em 40 metros, o que talvez tivesse recomendado transferir a partida para uma quadra de futsal no topo de uma montanha, evitando-se assim o restante tempo ingloriamente perdido pelas equipas no patético esforço de tentar meter a bola por cima das defesas contrárias. (Era pô-los ribanceira acima e abaixo a procurarem a bola perdida para verem o que é bom para a tosse.) É que com tanto tráfego concentrado em tão pouco espaço, nem a circunvalação lhes valeu, até pela desinspiração de quem utilizou essas duas faixas de rodagem. Deste modo, o jogo ficou condenado a resolver-se por quem conseguisse romper o cerco no meio. O Porto tentou, mas também aí a perna esquerda de Taremi não esteve em consonância com a sua direita, anulando-se ambas e inviabilizando um golo cantado. Que culpa temos nós disso? O Sporting procurou-o também num raide em excesso de velocidade de Matheus Nunes, o único alta cilindrada que se mostrou capaz de acelerar em zona urbana, tão cheia de urbanidade que foi uma enfadonhice quase todo o tempo. A bola saiu a tirar tinta à barra. Nada mais houve a registar. O Porto diz que teve mais 4 oportunidades? Sim, o Sérgio Oliveira perdeu uma boa oportunidade de estar calado, o Conceição deixou passar a oportunidade de pedir mais 13 penáltis até ao final do campeonato e ainda houve duas bicicletas do Taremi que a esta hora ainda devem estar a circular no Freixo. O que houve, sim, foi aproximações à baliza. E dessas o Sporting também teve, com Matheus Nunes como denominador comum: primeiro, a flectir para dentro e rematar contra Mbemba; depois, a driblar 3 numa cabina telefónica com o seu "M Turn" e a servir Pote na área; finalmente, após tirar dois adversários do caminho com uma simulação e servir Jovane na esquerda para um contra-ataque perigoso.

 

No fim do jogo não foram só os Sérgios que falaram. O Amorim também falou. E disse qualquer coisa, o que em si não é de todo de estranhar. Disse, por exemplo, que após uma jornada em que o segundo classificado previsivelmente encurtará a distância para o primeiro não se pode afirmar que o título está mais perto. Fez bem. É que uma coisa é termos 10 ou 9 pontos de avanço, outra é ignorarmos que há ainda 39 pontos em disputa e vários jogos complicados pelo caminho, pelo que o que a matemática nos diz é que apenas cerca de 25% do trabalho está feito. Como tal, o resto precisa de ser confirmado. Jogo a jogo.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes. Eu sei, jogou pouco tempo. Mas jogou muito, todas as suas acções tiveram um toque de brilhantismo e o Olimpo do futebol para mim ainda é reservado àqueles poucos que conseguem desequilibrar. Belíssimas exibições também de João Mário, Palhinha, Coates, Feddal e Adán, todos num plano superior ao dos restantes.  

palhinha5.jpg

(Imagem: A Bola)

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