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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

27
Abr21

Por que não o FC Porto?


Pedro Azevedo

Todos precisamos do sentimento de pertença. Sentimos conforto e resguardo se estivermos rodeados por quem vê o mundo exactamente da mesma forma que nós o vemos. E instintivamente escolhemos a nossa tribo. Foi por isso que, desportivamente falando, eu escolhi o Sporting. E nunca conseguirei ter simpatia pelo FC Porto, por muito que o clube vá acumulando títulos. Pelo menos enquanto o seu presidente e respectiva entourage estiverem no activo. 

23
Mar21

Ao fim e ao Cabo


Pedro Azevedo

O FC Porto é uma parábola de uma nação portuguesa, tão capaz de ancestrais e épicas empreitadas extramuros como a dobragem dos cabos Bojador ou das Tormentas, que em casa se especializou a dobrar o Cabo Carvoeiro a caminho das Berlengas, sempre à cata de apanhar todo o percebe existente nas zonas de maior turbulência por muito que se tivesse de arranhar no processo, e depois acabou tomada simplesmente pelo gosto de ir contra a rebentação e não quer (não sabe) mudar de vida. 

10
Mar21

A aritmética do campeonato


Pedro Azevedo

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Cenário Limite 1: Sporting ganha os jogos com Braga e Benfica

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Cenário Limite 2: Braga vence Sporting e Benfica

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Cenário Limite 3: Porto vence Benfica

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Cenário Limite 4: Benfica vence Braga, Porto e Sporting

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Worst Case Scenario para o Sporting: perde com Braga e Benfica

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Não esquecer que entre Braga, Porto e Benfica só 1 no melhor cenário possível poderá amealhar o máximo de pontos possível definido na tabela. Para ser campeão com toda a certeza o Sporting precisará de fazer 86 pontos, o que significa que tem uma pequena margem de 1 empate nos restantes jogos do campeonato (admitindo o worst-case-scenario conjugado de perder com Braga e Benfica e o Braga vencer todos os seus jogos até ao fim).

 

Faltam disputar 4 jogos entre os 4 primeiros classificados. A saber (por ordem cronológica): Braga-Benfica, Braga-Sporting, Benfica-Porto e Benfica-Sporting. Havendo 4 jogos, cada um com 3 resultados possíveis, existem 81 combinações possíveis de resultados entre eles, o que seria exaustivo elencar aqui. Assim, optei por apenas considerar cenários limite. 

10
Mar21

360º


Pedro Azevedo

Pelos ecos que nos chegam de ontem, a derrota do FC Porto em Turim foi festejada como se da vitória na final da Champions se tratasse. Por ironia, quem para tal mais contribuiu foi Sérgio Oliveira, autor de uma frase polémica na sequência do jogo com o Sporting, que marcou os dois golos dos portistas. Sinceros parabéns ao Sérgio e ao FC Porto por mais um relevante serviço prestado ao futebol português no melhor palco europeu e também por nos mostrarem que numa volta de 360º o ponto de chegada é exactamente igual ao de partida. 

PS: Ficaram-lhes bem os festejos, o futebol é alegria. E é também respeito pelos vencedores ou vencidos, reconhecendo que num determinado dia se foi pior ou melhor que o adversário e não deixando de o saudar pela luta que nos deu. 

28
Fev21

Tudo ao molho e fé em Deus

Matheus contra a burocracia


Pedro Azevedo

Tenho vindo aqui a escrever em inúmeras ocasiões que o maior mérito (e são vários) que deve ser creditado a Rúben Amorim é ter feito com que o todo seja maior que a soma das partes. Não sei se Vos parece pouco, mas esta ideia do colectivo, quando comparada com a dos nossos adversários, a mim afigura-se como muito boa. Vejam, por exemplo, o caso do FC Porto: ontem à noite, no Dragão, eles tinham dois Sérgios. Tal presumivelmente configuraria um Sérgio ao quadrado. Só que não, eles empataram-se, não remaram para o mesmo lado, extremaram posições entre a soberba de um e a humildade do outro, enfim anularam-se. Senão vejamos: no final do jogo, enquanto o Oliveira, cheio de fanfarronice, altaneiramente se arvorava em finalista vencido da Champions, ele que no único ano (dos 12 que leva como profissional do clube) em que o Porto conseguiu chegar a uns quartos-de-final da prova milionária estava emprestado ao PAOK, o Conceição, muito comedido, não se queixou de não ter o Garrido, o Martins dos Santos ou mesmo toda a família Calheiros por atacado a apitar, antes pelo contrário ter-lhe-ia modestamente bastado o silvo do Soares Dias para que um sorriso lhe iluminasse a face. Ora, está bom de ver, com esta divergência de postura não há colectivo que resista. Depois não se venham queixar de outrém. Basta! Organizem-se, por favor.

 

Não se pense porém que o Porto jogou apenas contra si próprio, do outro lado estava um Sporting apostado em não deixar jogar o Porto do Conceição e em jogar contra o Porto do Oliveira. Para não deixar jogar o primeiro, o Rúben Amorim meteu o João Mário desde início a esconder a bola, a arrefecer o jogo e os colegas mais jovens de forma a que a tensão não lhes induzisse uma expiração mais forte dentro da própria área que levasse homens reconhecidamente franzinos como o Taremi ou o Marega a caírem para o lado como tordos. Já para jogar contra o segundo, o Rúben fez entrar o Matheus Nunes. Foi remédio santo, a tal ponto que os portistas ainda não devem estar refeitos do susto que apanharam. Estava o Porto meter a carne toda no assador e logo teve que pensar duas vezes antes de entrar em aventuras que lhe poderiam ter custado uma severa indigestão...

 

Parafraseando o grande Gabriel Alves, o jogo não foi bom nem mau, antes pelo contrário. Em comprimento, a maior parte do tempo jogou-se em 40 metros, o que talvez tivesse recomendado transferir a partida para uma quadra de futsal no topo de uma montanha, evitando-se assim o restante tempo ingloriamente perdido pelas equipas no patético esforço de tentar meter a bola por cima das defesas contrárias. (Era pô-los ribanceira acima e abaixo a procurarem a bola perdida para verem o que é bom para a tosse.) É que com tanto tráfego concentrado em tão pouco espaço, nem a circunvalação lhes valeu, até pela desinspiração de quem utilizou essas duas faixas de rodagem. Deste modo, o jogo ficou condenado a resolver-se por quem conseguisse romper o cerco no meio. O Porto tentou, mas também aí a perna esquerda de Taremi não esteve em consonância com a sua direita, anulando-se ambas e inviabilizando um golo cantado. Que culpa temos nós disso? O Sporting procurou-o também num raide em excesso de velocidade de Matheus Nunes, o único alta cilindrada que se mostrou capaz de acelerar em zona urbana, tão cheia de urbanidade que foi uma enfadonhice quase todo o tempo. A bola saiu a tirar tinta à barra. Nada mais houve a registar. O Porto diz que teve mais 4 oportunidades? Sim, o Sérgio Oliveira perdeu uma boa oportunidade de estar calado, o Conceição deixou passar a oportunidade de pedir mais 13 penáltis até ao final do campeonato e ainda houve duas bicicletas do Taremi que a esta hora ainda devem estar a circular no Freixo. O que houve, sim, foi aproximações à baliza. E dessas o Sporting também teve, com Matheus Nunes como denominador comum: primeiro, a flectir para dentro e rematar contra Mbemba; depois, a driblar 3 numa cabina telefónica com o seu "M Turn" e a servir Pote na área; finalmente, após tirar dois adversários do caminho com uma simulação e servir Jovane na esquerda para um contra-ataque perigoso.

 

No fim do jogo não foram só os Sérgios que falaram. O Amorim também falou. E disse qualquer coisa, o que em si não é de todo de estranhar. Disse, por exemplo, que após uma jornada em que o segundo classificado previsivelmente encurtará a distância para o primeiro não se pode afirmar que o título está mais perto. Fez bem. É que uma coisa é termos 10 ou 9 pontos de avanço, outra é ignorarmos que há ainda 39 pontos em disputa e vários jogos complicados pelo caminho, pelo que o que a matemática nos diz é que apenas cerca de 25% do trabalho está feito. Como tal, o resto precisa de ser confirmado. Jogo a jogo.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes. Eu sei, jogou pouco tempo. Mas jogou muito, todas as suas acções tiveram um toque de brilhantismo e o Olimpo do futebol para mim ainda é reservado àqueles poucos que conseguem desequilibrar. Belíssimas exibições também de João Mário, Palhinha, Coates, Feddal e Adán, todos num plano superior ao dos restantes.  

palhinha5.jpg

(Imagem: A Bola)

23
Fev21

Foco!


Pedro Azevedo

Eu sei que há quem pense que bater 3(?) vezes na Madeira neste momento inibirá as forças da natureza de se manifestarem contra nós sob a forma de um mau-olhado, mas talvez não fosse má ideia deixarmos de alimentar gratuitamente a "besta" e concentrarmo-nos naquilo que depende exclusivamente de nós. É que Sábado, pelas 20h30, há um Dragão com que lutar a fim de começar a libertar o futebol português do sistemático jugo dual a que tem estado sujeito de há tantos anos a esta parte. E, se por acaso o nosso São Jorge faltar à chamada, será fundamental conter os danos e sobreviver para os outros importantes desafios que teremos num futuro próximo. Mantendo o foco nos nossos jogos e não tirando os olhos da bola. Jogo a jogo. Sempre!

11
Fev21

O achamento de Luís Godinho


Pedro Azevedo

Ontem à noite, o FC  Porto deu-se conta de que Luís Godinho é um árbitro incompetente, que revela pouca personalidade dentro do campo e tem uma ainda mais deficiente leitura das jogadas via vídeo do que em tempo real. Assim como Pedro Álvares Cabral achou o Brasil (mas o Brasil já estava lá), os portistas acharam Luís Godinho. Mas a coisa não foi propriamente uma descoberta, o senhor já andava por lá e disso havia amplo conhecimento. Por exemplo, andava por lá em 17 de Outubro do pretérito ano quando no José Alvalade perdoou por duas vezes a expulsão a Zaidu, uma por má avaliação de uma entrada ao tornozelo (é curioso...) de Porro, outra por dar ouvidos ao VAR Tiago Martins em lance que não seria da competência deste avaliar (tanto quanto leio no Protocolo, o VAR não vem munido de amperímetro que meça a intensidade, mas posso estar enganado...) e de onde, cumulativamente, resultou a não-marcação de um penálti favorável ao Sporting. Também andava por lá em 5 de Dezembro de 2020. Nesse dia, para além de uma arbitragem sem qualquer uniformidade de critério disciplinar que prejudicou os leões,  Luís Godinho decidiu acatar nova decisão do VAR sobre intensidade, desta vez cortesia de Artur Soares Dias, e anular um golo a Coates. 

 

Antes tarde que nunca, o Porto finalmente achou Luís Godinho. Mas, o seu a seu dono, a descoberta deve ser creditada ao Sporting.

 

P.S. A inacreditável expulsão de Luis Díaz foi uma dupla-penalização ao jogador. E dupla porquê? Porque, após uma jogada onde desfilou técnica e potência incríveis - isso é que é o futebol, e sobre isso dever-se-ia falar muito mais - , para além de se ver forçado a sair do terreno (deixando o Porto em desvantagem numérica), da sua expulsão resultou o labéu (inaceitável, por não real) de que negligentemente (para não dizer intencionalmente) colocou em risco a carreira de um infortunado colega de profissão (a quem envio votos de o mais rápido restabelecimento). E isso simplesmente não se faz. O resto são narrativas, espuma que o tempo leva. 

luis godinho.jpg

26
Jan21

"Prozhaka"


Pedro Azevedo

Depois de mais uma depressão motivada por uma nova eliminação na Taça da Liga, competição que para os portistas evoluiu do desprezo total para a busca do Santo Graal, os pupilos de Sérgio Conceição pareceram encontrar algum conforto naquela rodinha que fizeram no fim do jogo. Ontem, perante um São Luis que mais parecia São Martinho, a coisa foi antecedida por castanha ao Loum e tudo. Depois, lá repetiram o seu "haka" à posteriori, que isto no Hemisfério Norte é tudo ao contrário do Sul. 

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20
Jan21

Tudo ao molho e fé em Deus

Com Jovanotti a música foi outra


Pedro Azevedo

Esta janela de transferências de Janeiro tem habitualmente o seu quê de "silly season" antecipada, servindo essencialmente para que os clubes que não fizeram bem o trabalho de casa no Verão possam retocar os plantéis e para que os empresários de futebol retoquem também um pouco mais a sua conta bancária. Por isso, as primeiras páginas dos jornais enchem-se de putativas compras de alegados craques. Este ano o panorama não tem sido diferente, registando-se um notório acréscimo do número de notícias relacionadas à medida que o mercado se encaminha para o seu fecho. Em conformidade, o grande destaque da semana foi o Unilabs. Porém, consultadas as minhas fontes - até à hora do fecho desta edição as alcoviteiras do Mais Tabasco não estiveram disponíveis, pelo que fui beber inspiração ao Aqueduto das Águas Livres - , estas, apesar de confirmarem a sua certificação de qualidade para a nossa Liga, apontam-lhe alguma inconstância nas acções, pelo que a sua eventual contratação poder-se-á revelar falsamente positiva.

 

Com o mercado a dominar as atenções de toda a gente, quase não se deu conta que Sporting e Porto defrontavam-se para a Taça da Liga. Acabadinho de empatar o Benfica na gloriosa final da Champions League disputada na pretérita Sexta-feira, o Porto de Sérgio Conceição era o grande favorito para a maioria dos analistas. A coisa era de tal modo um pró-forma que seria uma mera questão de tempo. Quer dizer, uma mera questão de tempo até ao Jovane entrar e deixar o Conceição com um positivo para a azia laboratorialmente confirmado. Nesse sentido, o Rúben Amorim foi particularmente cínico, escondendo o jogo e dando a ilusão ao técnico portista de que eram já favas contadas. Como tal, pôs o Inácio de pé trocado (grande personalidade do miúdo), deixou o João Mário 69 minutos a fazer de holograma e só meteu o Jovane a 12 minutos do fim. Atentem bem neste último dado porque ele é particularmente interessante e advoga bem no sentido da sagacidade do nosso treinador. Eu passo a explicar: é que o Jovane tem esta época uma média de 1 golo a cada 78 minutos, o que estatísticamente lhe teria dado uma probabilidade interessante de fazer 1 golo caso tivesse jogado de início e ainda estivesse em campo por essa altura. O Sérgio Conceição sabia disso. O que ninguém suporia, para além do Mister Amorim, é que, tendo passado esse período no banco, ao entrar não só marcaria 1 como também 2 golos. É que para o Rúben onde vai um, vão todos, e o Jovane, assegurado o primeiro, fez logo questão de partir para o segundo. A sorte do Conceição foi que o jogo terminou logo ali, caso contrário a coisa ainda acabava numa quarentena (de golos) ou assim. E que golos marcou o Jovane! Assim, para celebrar o seu (re)descobrimento, o inaugural foi de embandeirar em arco, como os navios quando anunciam festa. Um golo algumas vezes visto em Figo, num misto de técnica e força. E, como muitos Sportinguistas o tratam como um patinho feio, o que encerrou a contagem foi de bico, à Romário. 

 

No final do jogo estava à espera de ver e ouvir os protagonistas: o Jovane, o Amorim e assim. Imaginei a coisa como se fosse na TV inglesa, com o Lineker em estúdio a tecer loas ao nosso "Jovanotti" e tudo e os Sportinguistas a comunharem a emoção do momento. Mas não, quem apareceu foi o presidente Varandas. Para dizer que hoje estaria na tropa. Um, dois, esquerdo, direito, meia-volta volver, agradeci a informação, encaminhei-me para o quarto e dormi muito mais descansado. Eu sei, tudo isto fez parte de uma grande mise-en-scène de desvalorização da vitória. É que o Benfica A e o B estavam de olhos postos em nós e agora ficaram a saber que nós é mais faca na Liga. Assim, confiantes, diria até falsamente positivos para o que se seguirá, irão até Sábado. E nós, como quem não quer a coisa, dando avanço com o Matheus e o Jovane no banco, no fim cantaremos de galo, que é como quem diz, rugiremos como um leão. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": "The one and only" Jovane Cabral 

 

#ondevaiumvaodoisgolosdejovane

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Que dupla!

04
Jan21

A aritmética do título


Pedro Azevedo

O caminho para se ser campeão é em teoria muito simples, matematicamente falando. Assim, todos os anos faço o mesmo exercício que consiste em atribuir 30 vitórias ao Sporting contra os clubes ditos "pequenos" e com muito menor orçamento. Adicionalmente, por motivos prudenciais relacionados com o tratamento do risco, considero sempre o "worst-case-scenario" nos nossos embates com os "grandes" (Benfica e Porto), ou seja, a derrota. Deste modo chego ao número mágico de 90 como objectivo pontual para se ser campeão, meta nunca até hoje atingida por qualquer clube num campeonato a 18 e com 3 pontos por vitória (o recorde pertence ao Benfica de 15/16 e ao Porto de 17/18, com 88 pontos). 

 

Partindo destas assunções iniciais, vou actualizando os resultados dos diferentes candidatos. Ora, à 12ª jornada a realidade é esta: o Sporting perdeu apenas 2 pontos contra os denominados "pequenos", correspondentes ao empate em Famalicão. Assim sendo, substraindo ao objectivo de 90 pontos, o Sporting poderia ainda fazer 88 pontos. Acontece, porém, que já empatámos um jogo com o Porto, o que nos dá 1 ponto de bónus face ao cenário traçado inicialmente. Feitas as contas, o nosso objectivo concretizável passa a ser de 89 pontos, marca ainda assim suficiente para se ser campeão, pelo menos à luz do histórico de campeões neste formato de competição. 

 

Vejamos agora os outros 2 candidatos pelo mesmo prisma: o Porto já perdeu 6 pontos contra os "pequenos" (Marítimo e Paços de Ferreira), mais 4 que o Sporting. Além disso, empatou contra nós, o que significa uma redução adicional de outros 2 pontos. Assim sendo, no máximo os dragões poderão somar 94 pontos no total do campeonato. Já o Benfica perdeu igualmente 6 pontos contra os "pequenos" (Boavista e Braga), estando assim limitado a 96 pontos nas contas finais. Acontece que Porto e Benfica ainda se terão de encontrar duas vezes e esses eventos serão mutuamente exclusivos, isto é, Porto e Benfica não poderão ganhar simultaneamente a totalidade dos pontos em disputa. Nesse sentido, vários cenários se poderão perspectivar. Imaginando o Cenário 1, em que o Porto perde os dois confrontos, então os portistas ficariam limitados a um máximo de 88 pontos nas contas finais do campeonato, logo 1 ponto abaixo do Sporting (caso este cumpra com as assunções iniciais). Imaginando o Cenário 2, em que o Benfica perde os dois confrontos, então as águias não poderiam somar mais do que 90 pontos no final, ficando assim à mercê de um desaire adicional para serem ultrapassadas pelo Sporting. Num Cenário 3, em que ambos os confrontos terminam com o empate, águias e dragões não poderiam realizar mais do que 92 e 90 pontos no total. Caso prevaleça o Cenário 4, em que cada equipa vence e perde 1 jogo, então encarnados e azuis-e-brancos teriam um potencial máximo de 93 e 91 pontos, respectivamente. Temos ainda mais 2 cenários, um em que o Porto vence 1 jogo e empata o outro, ficando os dragões com um potencial máximo de 92 pontos e os encarnados de 91, e um outro em que o Benfica vence 1 jogo e empata outro, deixando as águias com um potencial máximo de 94 pontos e os portistas com o horizonte de 89.

 

Como se poderá ver pelos diferentes cenários, Benfica e Porto caminham sobre fino gelo, qualquer novo desaire podendo resultar num acréscimo de pressão em relação aos chamados "jogos do título", aqueles embates entre os "grandes" que, como se pretende provar, não decidem efectivamente nada. Nesse sentido, o Benfica parte em desvantagem na medida em que ainda não realizou qualquer jogo "grande". Em contraposição, o Sporting, estando na frente e já tendo jogado contra o porto, está em clara vantagem, situação que ainda poderá melhorar quando Benfica e Porto se vierem a defrontar, evento que, como expliquei anteriormente, será mutuamente exclusivo no que concerne aos 3 pontos em disputa. Quanto ao Sporting, cumpre-lhe continuar a ganhar todos os jogos aos "pequenos". Se isso ainda não lhe dá (à 12º jornada) matematicamente a garantia de ser campeão, pelo menos garantir-lhe-ia uma pontuação final que dificilmente seria batida, na medida em que até hoje nunca um campeão conseguiu obter 89 pontos. Sigamos, portanto, o nosso caminho. Um jogo de cada vez, tal como os maratonistas que se concentram em ir vencendo Km a Km até à meta. 

19
Out20

74:26


Pedro Azevedo

(Imagens: SportTV)

Estavam decorridos 74 minutos e 26 segundos de jogo quando Sérgio Oliveira cometeu esta infração sobre Matheus Nunes que arrancou os pés do brasileiro do chão. O árbitro, perfeitamente em cima do lance, agiu bem do ponto de vista técnico, deixando prosseguir o lance visto a bola ter continuado do lado do Sporting. Porém, disciplinarmente, a acção violenta do médio do Porto passou impune. Convido todos a reverem o lance aqui, através da box da Vossa operadora ou no canal YouTube de Castigo Máximo.

18
Out20

Tudo ao molho e fé em Deus

O “worst case scenario” do Sporting


Pedro Azevedo

O "worst case scenario" é um conceito de gestão de risco inerente ao planeamento de uma determinada estratégia que contempla o pior cenário que se pode perspectivar com razoabilidade a uma determinada situação a fim de melhor se poderem acomodar eventuais futuras contingências relacionadas com eventos muito improváveis. Muito aplicado na banca, empresas e forças armadas, ainda assim ontem voltou a ficar provado que o "worst case scenario" não serve ao Sporting. Acham que estou a exagerar? Imaginemos hipoteticamente o seguinte: um defesa do Porto põe a mão continuamente em cima do ombro de um avançado do Sporting que se isola na área e na sequência dessa acção cai. Perante esta situação, considerando a mais recente jurisprudência resultante do golo anulado a Coates em Portimão por mínima pressão (não continuada no tempo) com a mão, se eu fosse treinador do Sporting e estivesse a planear o jogo, na antevisão de um lance desses daria 95% de probabilidade a ser marcada uma grande penalidade contra o Porto e expulsão do jogador portista (último defesa). Todavia, na realidade - a hipótese formulada aconteceu mesmo em campo - tal vir-se-ia a revelar insuficiente, pois embora o efeito prático da decisão do árbitro tenha sido o mesmo, o jogador não viu o vermelho mas sim o amarelo (no caso, o segundo). Assim sendo, esta observação apontaria para uns 99% de probabilidade (mínimo: grande penalidade e cartão amarelo), intervalo de confiança para a gestão de risco que na história da humanidade só não resistiu ao 11 de Setembro de 2001 e à crise do subprime. Dir-se-ia então razoavelmente imbatível. Eis então que, consultado o VAR, não só o "penalty" é revertido como também o segundo amarelo. Nesse estádio, a probabilidade de contingência em termos de risco para essa situação específica já era equiparável à de um massivo ataque terrorista (ou à de uma emissão de obrigações hipotecárias tóxicas). Mas não ficaria por aí, pois o treinador do Sporting foi expulso por alegados protestos que não terão caído bem ao árbitro que anteriormente havia observado a grande elevação dos responsáveis do banco portista que no português mais irrepreensível e sem vislumbre de qualquer vernáculo lhe haviam pedido por favor, por entre tratamento de V.Exª., digníssimo e ilustríssimo, para consultar o revolucionário amperímetro com que ligado à corrente o VAR na Cidade do Futebol mede a intensidade. Conclusão: no futebol português nem o "worst case scenario" nos acode. Perante o que acabo de descrever, o empate final registado no marcador acabou por ser uma contingência menor em termos globais face a uma situação não-razoável que ocorreu durante o jogo, circunstância essa que me fez evocar os tempos de um certo treinador croata que por cá passou e tão boa impressão deixou pela coragem de apostar nos jovens e estoicismo cavalheiresco com que aguentou os sucessivos atropelos às regras da arbitragem que acabariam por desviar da rota do título uma equipa que no campo exibia um belo futebol.

 

O jogo? O Sporting foi mais equipa e o Porto teve melhores jogadores. A uma boa organização leonina responderam os portistas com as individualidades Luis Diaz e Corona. Matheus Nunes falhou à primeira e Nuno Santos não perdoou à segunda oportunidade. Numa diagonal entre os centrais, Uribe empatou. Luis Diaz ia semeando o pânico na direita da defesa leonina e, após um contra-ataque rápido mal desfeito pelo jovem Nuno Mendes, Corona espalhou o vírus do seu futebol no marcador com toda a defesa leonina em isolamento forçado. Em cima do intervalo, o "worst case scenario" descrito em cima.

 

No reatamento, a toada mantinha-se igual por entre terços e até rosários rezados de cada vez que a bola assomava a Neto. Até que ao fim do segundo terço (do jogo), Sérgio Conceição trocou Diaz e Marega por Martinez e Anderson e o Sporting aproveitou para tomar conta das operações. O Porto limitava-se ao tão enganador quanto ilusório "controlo do jogo", expressão do futebolês que já se sabe não augura nada de bom e precede um imediatamente posterior ar de estupefacção do treinador tuga com uma "batata" com que não estava a contar enquanto alegremente especulava com o jogo, ou seja, entregava a bola ao adversário. Simultaneamente, o Sporting ia progressivamente arriscando mais e mais a partir do banco. Até que uma transição dos dragões virou numa ainda mais rápida transição leonina - ou não tivesse vindo do carrinho de Palhinha - e Vietto empatou a partida após defesa de Marchesin a um toque de calcanhar do entretanto regressado Sporar. 

 

O segredo do Sporting esteve na labuta do miolo do terreno, onde Palhinha (segundo tempo) e Matheus Nunes (primeira parte) estiveram em bom plano e Pedro Gonçalves deu uma ajuda preciosa. Palhinha foi para mim o melhor em campo, por sozinho ter assumido a secção de metais e a percussão quando Ruben Amorim precisou de violinistas para as cordas com que subtilmente agarrou a equipa ao jogo face aos tocadores de bombo que vieram do Norte. Quanto ao brasileiro, voltou a ser massacrado com inúmeras faltas que, para além de nunca resultarem no cartão amarelo correspondente, acabam por o enfraquecer durante o jogo. Exemplo do que acabo de escrever foi a inacreditável inacção disciplinar do árbitro numa acção grave de um portista onde o Ma theus ficou partido em duas sílabas de dor numa palavra aguda, em lance que viria a terminar num remate de Porro a rasar o poste. Quanto a Pote, andou sempre abaixo e acima, defendendo e atacando, recuperando bolas, rematando sempre que pôde e cruzando como no lance do qual resultou o empate final que se viria a registar no marcador. Relevo ainda para a estreia de João Mário, um regresso a casa ao fim de 3 anos de ausência.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Palhinha

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(Imagem: A Bola)

16
Jul20

Tudo ao molho e fé em Deus

Pentágono não evitou festa dos Aliados


Pedro Azevedo

O Sporting foi derrotado no Dragão e a tentação de o justificar devido à utilização de muitos miúdos da nossa Formação será certamente grande. Todavia, do meu ponto de vista tal não só será injusto como também perigoso. Injusto, porque apesar do desaire Matheus Nunes iluminou a noite do Porto com uma exibição onde mostrou categoria e personalidade perante os dois armários que Sérgio Conceição lhe colocou pela frente e Nuno Mendes voltou a deixar água na boca em relação ao seu futuro. Perigoso, na medida em que poderá transmitir a ideia que é só deixar crescer os jovens e acrescentar-lhes experiência para sermos felizes quando na verdade precisamos essencialmente não só de tempo como também de jogadores consistentes e de qualidade a enquadrar a nossa Formação, o que implicará uma abordagem ao mercado completamente diferente daquela que tem vindo a ser seguida até aqui tanto nas compras como nas vendas.

 

Trago à colação o enquadramento porque ao longo de ano e meio perdemos Nani, Raphinha, Bas Dost, Bruno Fernandes e Mathieu, qualidade que foi substituída por quantidade que na sua esmagadora maioria não se impôs. Ontem, por exemplo, Sporar foi de uma inoperância total e até defensivamente falhou ao não ter atacado a bola convenientemente no lance do primeiro golo. Na lateral/ala direita, Ristovski é um brioso profissional que apesar das suas limitações técnicas ainda oferece mais garantias que duas contratações (Rosier e Camacho) que juntas custaram muito dinheiro (10,9 milhões de euros mais o passe de Mama Baldé). Ilori, Neto, Borja, Eduardo, Doumbia são curtos para o Sporting e Vietto tem qualidade mas é estatisticamente pouco relevante, não justificando na plenitude o investimento feito na sua contratação e o seu elevado custo salarial para o clube. De Fernando, Bolasie e Jesé nem vale a pena falar e Luiz Phellype está há muito tempo lesionado. 

 

Assim sendo, apenas Matheus Nunes e Gonzalo Plata, dois jovens, parecem mostrar qualidade suficiente que justifique a aposta que neles foi feita aquando da sua contratação, o que é manifestamente curto para um investimento de 50 milhões de euros e custos com pessoal consideráveis. Acresce que dos que já cá estavam só Acuña é de primeiro plano, pese embora não seja um jogador consensual para quem não entende que muitas vezes as nossas principais qualidades estão perto de ser os nossos principais defeitos. Mais inteligente que a média, Bruno Fernandes resumiu tudo quando alertou que ao tentar corrigir-se os defeitos do argentino poder-se-ia correr o risco de afectar as suas melhores qualidades. Em relação aos outros, Battaglia demora a adquirir a forma anterior à lesão e é uma incógnita para o futuro, Wendel alterna jogos muito bons com outros em que adopta o modo Zé Carioca e mais parece um holograma, Ristovski é limitado ofensivamente e Coates, embora menos exposto pelo sistema de 3 centrais que lhe exige essencialmente que tenha atenção às dobras, tem falta de velocidade, pouca saída de bola e por vezes desconcentra-se na marcação. Sobra o renascido Jovane, um valor seguro nem sempre bem entendido. Mas tem apenas 22 anos e não se lhe pode colocar um peso excessivo em cima dos ombros. Atlas já houve um, chama-se Bruno Fernandes e tem imensa categoria, mas nem ele conseguiu evitar que a época fosse um flop. 

 

Deste modo, é importante perceber que há muitos jogadores no plantel com uma relação custo/benefício deficitária que deveríamos alienar ou emprestar, a fim de se poder libertar cash-flow para a realização de alguns investimentos efectivamente produtivos. Comprar por comprar será apenas mais do mesmo, pelo que os resultados dessa política estarão sempre em linha com o que foi a realidade desta época. Comprar em quantidade, sempre alegando não haver dinheiro, só por si já constituiria um paradoxo, pois essas aquisições acabam por se revelar muito mais onerosas do que a simples contratação de 3 jogadores de qualidade indiscutível, não só pelo investimento inicial como também pelo custo total que o clube acaba por pagar no somatório dos anos de contrato de cada jogador. Ora, se do ponto de vista financeiro o resultado dessa política é desastroso, o impacto desportivo não é melhor, o que numa segunda derivada acaba por comprometer ainda mais as nossas finanças devido à não qualificação para a Champions. 

 

O jogo? Uma primeira parte muito equilibrada em que as equipas se encaixaram perfeitamente uma na outra, bloqueando muito o jogo a meio campo, com muitas faltas à mistura. O primeiro golo do Porto diminuiu a ansiedade dos dragões e facilitou-lhes a vida. Tudo se resumiu à concentração. Um erro individual ofereceu o primeiro golo ao Porto e uma sucessão de erros individuais resultou no segundo. Se Sporar não atacou devidamente a sua zona de acção no canto (do cisne), no segundo golo Wendel alheou-se do lance, Geraldes deixou-se ir no engodo de uma disputa de bola onde Matheus já estava envolvido e deu todo o tempo do mundo a um portista sem pressão para fazer a assistência e Coates só olhou para a bola e esqueceu-se de Marega nas suas costas. 

 

Se perdemos devidos a erros individuais, não foi certamente devido ao sistema do pentágono que fomos menos competentes defensivamente. Porém, do ponto de vista ofensivo foram visíveis as dificuldades de desdobramento da equipa, demasiadas vezes apenas com um jogador (ou 2) nas imediações da área adversária quando em posse ou transição. Pouca chegada para um clube grande e a requerer que futuramente tanto o lateral/ala do lado oposto da bola como um segundo médio apareçam muito mais vezes nos envolvimento atacantes. Disso dependerá o sucesso ou insucesso futuro deste sistema a nível de resultados e também em termos de uma qualidade exibicional que entusiasme sócios e adeptos a comparecerem em massa no José Alvalade e nos estádios deste país assim que as condições sanitárias o permitam. Compreenda-se porém que Ruben Amorim leva muito pouco tempo de trabalho com esta equipa e que há rotinas que demoram até que estejam totalmente interiorizadas. Enfim, há uma base, é preciso é que a direcção do clube acrescente alguma coisa ao processo, não permitindo que se criem falsas expectativas em relação a 2020/21 que justifiquem mais incursões desmesuradas no mercado.  Repito o que tenho vindo a dizer em vários momentos: se queremos estar a lutar pelo título daqui a 2 anos, então precisamos de dar um passo importante na próxima época, e esse passa por apenas 3 contratações que acrescentem qualidade indiscutível à equipa. Esse é o caminho, o resto serão atalhos para o abismo. E não me digam que não há dinheiro, não quando se investe anteriormente cerca de 60 milhões em jogadores (15) e treinadores (mais ordenados) e se pagam indemnizações milionárias por apostas mal sucedidas. Tem de haver dinheiro, eliminem é as redundâncias que fazem com que tenhamos custos na SAD próximos dos 110 milhões de euros anuais e um plantel que custa 70 milhões, valores que necessitam de um corte urgente de aproximadamente 35%, pois são despesas que criam estrangulamento na tesouraria e não se justificam de todo quando temos uma boa base da Formação. Mas sobre isso pouco se ouve.

 

Parabéns ao F.C. Porto pelo título de campeão nacional!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes (elevar o nível do seu jogo num palco grande não é para todos, especialmente quando se trata de um jovem jogador)

 

P.S. Peço desculpa, mas hoje a minha costela irónica ressentiu-se da derrota.

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14
Jul20

Entre as brumas da memória


Pedro Azevedo

Entre brumas ou nevoeiros, uma visita ao purgatório e o inferno de (Alder) Dante ali tão perto, no dia 18 de Outubro de 1975 o Sporting deslocou-se às Antas e venceu o Futebol Clube do Porto por 3-2. O Porto tinha acabado de ir buscar Alhinho e Dinis a Alvalade, situação que aqueceu os ânimos entre os clubes. Branko Stankovic estava no banco dos dragões, o imortal Júlio Cernadas Pereira (Juca) era o treinador do Sporting. Chico Faria (9 minutos), Manuel Fernandes (em época de estreia, aos 15 minutos) e Baltasar (aos 74) marcaram para nós, Murça (19) fez o golo legal do Porto. O outro (57 minutos), que momentaneamente empatou a partida, validado e atribuído a Fernando Gomes, foi efectivamente concretizado por um apanha-bolas (José Matos) que sorrateiramente, a coberto do intenso nevoeiro que se fazia sentir, introduziu a bola dentro das redes de Vítor Damas sem que o árbitro da partida vislumbrasse a infração. Pese esta vicissitude, o Sporting venceu a adversidade e saiu do Porto com uma vitória. Quarenta e cinco anos depois, que tal seja inspirador para os leões que amanhã pisarão a relva do Estádio do Dragão. Força rapazes!

07
Jan20

Rescaldo do Clássico


Pedro Azevedo

Em Portugal, o comentário futebolístico enferma muito de contaminação pelo resultado. A verdade é que foi o melhor jogo que a actual equipa do Sporting pode fazer. Num dia normal até teria dado para ganhar. Não deu porque no desporto, como na vida, a eficácia é determinante. Por muito que se valorize o trabalho, a transpiração necessita sempre do auxílio da inspiração para produzir resultados. Assim, apesar de ter querido mais ganhar que o seu adversário, o Sporting acabou por perder. E de forma justa, na medida em que no futebol ganha quem marca mais golos e o Porto fez mais um. 

 

No futebol, a eficácia está dependente da concentração e da qualidade dos jogadores. Duas distrações defensivas leoninas resultaram em dois golos portistas, má definição em frente da baliza impediu o Sporting de materializar no marcador a sua superioridade em campo (Marchesin nem sequer foi chamado a defender em qualquer uma das seis ocasiões flagrantes de golo desperdiçadas pelo Sporting, o que atesta o demérito leonino na hora da concretização). 

 

Ao contrário do que é habitual, não foi um jogo onde os médios tenham estado particularmente bem. Especialmente os volantes ("6") ou segundos volantes ("8"), que passaram um pouco ao lado do jogo. Doumbia e Danilo deram pouco ao jogo ofensivo das suas equipas e defensivamente foram apanhados demasiadas vezes desposicionados, Wendel e Uribe tiveram posse sem grande critério. Com Bruno Fernandes muito vigiado nas suas acções, encontrando apenas espaços por fora, acabaria por ser Nakajima a dar mais nas vistas, quebrando linhas com entradas em drible que desestabilizaram a linha média leonina.

 

Houve uma importante componente de estratégia por parte dos dois treinadores, a qual se materializou mais pelas movimentações na esquerda dos dois ataques: Sérgio procurando posicionar aí Marega para explorar as suas diagonais nas costas da defesa dos leões, Silas tentando aproveitar o balanço ofensivo de Acuña - o melhor jogador em campo - em contraponto com a menor propensão defensiva de Corona. No final, ambos os treinadores recolheram dividendos dessas apostas estratégicas. Adicionalmente, o Porto voltou a ser muito forte na bola parada, momento do jogo em que é a equipa mais forte do campeonato, tendo Soares resolvido na sequência de um pontapé de canto.

 

O Porto tinha 3 soluções atacantes no banco que o Sporting não possui. Aboubakar, Zé Luis ou Luis Diaz seriam titulares de caras no Sporting e nem sequer jogaram de início nos dragões. Tal possibilitou a Sérgio lançar o colombiano com acréscimo de rendimento global para toda a equipa, algo que Silas não conseguiu com a introdução de Jesé, Plata e Camacho.

 

Sendo certo que ambas as equipas precisavam de ganhar, Silas mostrou maior ambição do que Sérgio. No entanto, a vitória viria a cair no regaço do treinador portista sem que este tivesse feito muito para a merecer. Sérgio privilegiou sempre o controlo das operações à tentativa de desequílibrio e quando mexeu na sua equipa já o jogo poderia estar perdido se o Sporting tivesse minimamente aproveitado o ascendente que teve nos primeiros 25 minutos da segunda parte. Mas, em jogos deste tipo, quem tanto falha (ofensiva e defensivamente) fica sempre mais próximo de perder. Em resumo, mais do que o Porto ter ganho o jogo, o Sporting é que o perdeu. 

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06
Jan20

Tudo ao molho e fé em Deus - Dias inglórios


Pedro Azevedo

Consta numa certa mitologia encarnada que Prometeu roubou o fogo a Zeus para o entregar aos No Name Boys. Deste modo, o grupo desorganizado de adeptos benfiquistas deslocou-se a Guimarães para proceder à passagem de testemunho da tocha olímpica. O Barão de Coubertin deve ter ficado embevecido. Já Varandas, olimpicamente, ignorou o acontecimento, perdendo a oportunidade de alertar publicamente o governo que isto da necessária repressão às atitudes anti-desportivas e ao vandalismo associado ao futebol não é um assunto que diga só respeito ao seu clube. 

 

Enquanto uns veem glória em criar desumanidade, outros não verão glória nenhuma em viver o Sportinguismo com paixão. Não deverá ter sido com este sem-vontade que um dia José Alvalade fez nascer o Sporting Clube de Portugal, mas hoje o hino "O mundo sabe que..." voltou a ser entoado já com o jogo a decorrer, assim a modos como para cumprimento de uma mera formalidade protocolar e como tal destituído de alma ou identidade. 

 

Nunca é fácil ao Sporting deslocar-se ao Dragão e ter que levar com o vibrante apoio dos portistas à sua equipa. Tal reflectiu-se essencialmente nos primeiros 45 minutos, período em que o Porto dominou as operações a meio-campo. Não que os pupilos de Sérgio Conceição tenham criado grandes oportunidades de golo, pois apenas procuraram controlar os acontecimentos após o seu golo madrugador, mas com Doumbia e Wendel sempre atrasados a chegar à bola e as alas sem dinâmica pode considerar-se que o empate no marcador por via de um golo de Acuña em cima do intervalo era lisonjeiro para os leões. É verdade, o Acuña é que repôs a igualdade! O trauliteiro, irascível, louco mesmo, aquele que devíamos vender o quanto antes, o mal-amado em Alvalade que seria herói na Luz ou no Dragão. Aquele tipo de jogador com quem se ganha campeonatos, luxo a que devemos estar tão habituados que quaisquer 20 milhões no último Inverno (e menos actualmente, a fazer fé nos jornais) teriam sido suficientes para o levar com o consentimento e anuência de alguns dos nossos adeptos.  

 

No segundo tempo tudo mudou. O Sporting finalmente teve algum apoio proveniente das bancadas e Acuña, que já tinha marcado, desatou agora a assistir. Primeiro para Luíz Phellype, depois para Bruno Fernandes, finalmente para Vietto. Tudo desperdiçado ingloriamente. Pelo meio, assistido respectivamente por Bruno e Luíz Phellype, Vietto teve outras duas oportunidades igualmente não concretizadas, uma das quais com a bola a esbarrar no poste. Tanta falta de eficácia não augurava nada de bom e o Porto adiantar-se-ia de novo no marcador na sequência de um canto, com Soares a superiorizar-se nas alturas a Doumbia e a bater sem apelo nem agravo Max. Nada voltaria a ser igual. É certo que Coates ainda atiraria à barra, mas o Sporting já não mostraria mais a mesma clarividência e agressividade no desenvolvimento das jogadas, tendo até Max evitado o pior em duas ocasiões. Assim, o resultado já não seria alterado.

 

Silas fez o melhor que pôde com a matéria-prima que lhe ouseram à disposição. A equipa bateu-se com brio e foi abnegada, nunca se poupando a esforços. Mas é facilmente constatável que falta qualidade global. É certo que Mathieu, Bruno Fernandes e Acuña mostram ter muita qualidade, mas falta quem os acompanhe ao mesmo nível: Vietto é um jogador de espaços curtos, com boa técnica, mas mais uma vez mostrou não ter golo, Bolasie é tão esforçado como tosco, Doumbia não tem tempo adequado de entrada aos lances, Wendel é muitas vezes inconsequente, Luíz Phellype passa muito tempo sem bola porque a equipa não privilegia os seus apoios frontais (isolou Vietto numa das poucas ocasiões em que a equipa o serviu desse modo) e Ristovski e Coates têm uma atitude muito profissional, mas não são excelentes. Max, apesar dos muito bons sinais, ainda é só uma promessa. 

No entanto, faz sentido questionar a razão pela qual Pedro Mendes não foi convocado. Não havendo outro ponta de lança para além de Luíz Phellype, Silas preferiu incluir um "avançado centro" como Jesé em detrimento do jovem que viria na véspera a confirmar nos sub-23 os seus dotes de goleador. Evidentemente, o espanhol viria a ser a nulidade do costume, desta vez procurando mais o confronto com os adversários do que com a bola. Também não se compreendeu muito bem porque é que Plata se foi posicionar atrás do ponta de lança, permanecendo Vietto na ala, quando as características de ambos recomendariam o inverso. Até a obstinação em subvalorizar Matheus Nunes face a Wendel, Miguel Luis e até Eduardo pode e deve ser chamada à colação, pelo que Silas ainda tem muito a experimentar antes de dizer que precisa de mais gente para ajudar. O que não invalida que escasseiem opções de qualidade para fazer muito melhor com o plantel que tem. Como Keizer não tinha, aliás. E disso, um e outro não serão certamente os responsáveis, 40 milhões de investimento depois. 

 

Voltámos ao quarto lugar no campeonato e estamos a mais pontos do primeiro (16) do que da zona de despromoção (13). Em condições normais tal seria considerado alarmante. Mas nós estamos concentrados em limpezas. É o que nos dizem: é preciso limpar. Eu entendo. O problema é que, aparentemente, a limpeza está a tornar-se inconciliável com a boa gestão desportiva, o que é pena não ter sido compreendido pelos sócios aquando do acto eleitoral. É que bastaria terem escolhido a Servilimpa e a coisa naturalmente teria saído mais barata. E surgem receios de que a limpeza não fique pela curva sul, temendo-se que não mudando a gestão do futebol cada ocupante das restantes bancadas se comece a limpar a si próprio até ao ponto em que Varandas já não tenha ninguém para limpar. Nesse momento terá de chamar alguém de fora para o limpar a ele e a limpeza ficará concluída. A maçada é que o Sporting, como o conhecemos desde sempre, também. Entretanto, o Rabbani não ficou sequer para as rabanadas, o Raul José mandou uns avisos à navegação e o projecto desportivo dá efusivos sinais de não se estar a sentir nada bem, o que é uma prosopopeia que se calhar não tem o estilo suficiente num clube onde o projecto desportivo é uma figura da mitologia que geralmente precede uma tragédia grega com peripécias tão devastadoras que transformam aquelas que Eurípedes, Ésquilo ou Sófocles mostraram ao mundo em inócuos contos para meninos. Agora só falta vender o Acuña e o Bruno, reformar o Mathieu e investir num satélite do Manchester City. Aí, sim, estarão alinhados os planetas e o Sporting não voltará a macular ninguém.

 

Entrementes, algures no espaço:

"This is Major Tom to Ground Control, I'm feeling very still" - Space Oddity

 

Tenor "Tudo ao molho...": Marcos Acuña (enorme!!!)

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04
Jan20

"Seven" - 7 Desejos para o Clássico


Pedro Azevedo

Domingo teremos Clássico em Alvalade, com a visita do FC Porto. Eis os meus desejos para o jogo:

 

  1. Ambiente no estádio: que seja audível e visível para todos que o Sporting joga em casa e não no Dragão;
  2. Respeito pelos símbolos leoninos: tal como a "Marcha do Sporting", cantada pela Mª José Valério, espero ouvir entoar "O Mundo sabe que..." antes de a bola começar a rolar, à semelhança aliás do que acontece em Anfield com "You`ll never walk alone", ou em Camp Nou com "Cant del Barça". Os hinos são para serem sentidos, interiorizados no seu "tempo" perfeito, pelo que a sua exibição não deve corresponder ao cumprimento de uma mera formalidade burocrática desprovida de alma e identidade;
  3. Fair-play: no relvado, nas bancadas, à entrada e saída do estádio deve imperar o respeito entre os intervenientes, nunca se confundindo a sã rivalidade com a guerra;
  4. Comunhão dos Sportinguistas: por muito que existam diferenças entre todos (e as há), cada Sportinguista presente no estádio tem o dever de apoiar o Sporting. E o Sporting, no caso, será representado por aqueles 11 que irão a campo mais os 7 suplentes e equipa técnica, razão suficiente para não se esperar menos do que o apoio incondicional à nossa equipa durante os 90 minutos do jogo;
  5. Invencibilidade leonina em Alvalade: o Porto não vence em Alvalade desde Outubro de 2008. Que assim continue(!), mas com a vitória do Sporting no final;
  6. Ovo de Colombo: ovo de Colombo, ou de Fernandes, em Bruno depositamos a esperança de tornar possível aquilo que para muitos opinadores se afigura difícil e assim fazer a diferença final no marcador. De Silas não esperamos nenhuma invenção, apenas que coloque os melhores jogadores em campo e mantenha o 4-3-3 que melhores resultados vem apresentando;
  7. Trio Maravilha e fato-macaco: Que a qualidade de Jeremy Mathieu, Marcos Acuña e Bruno Fernandes e o compromisso de Ristovski, Coates e Bolasie contagiem positivamente os seus companheiros. Só assim será possível a tão desejada vitória.

sporting porto.jpg

03
Nov19

A andar sobre rodas


Pedro Azevedo

Perez, Platero e Font marcaram os golos, Girão manteve a baliza inviolável. Com um Pavilhão João Rocha ao rubro, o Sporting venceu o Porto (3-0) e à 4ª jornada permanece invicto no campeonato nacional de hóquei em patins. Após previamente terem batido a Oliveirense, os leões obtêm assim o 2º triunfo contra um candidato directo ao título. 

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Foto: A Bola

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