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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

05
Jun19

PES 2018


Pedro Azevedo

José Peseiro deixou alguns remoques públicos sobre o seu recente período em Alvalade. Defender o seu trabalho é um direito que lhe assiste, logicamente, mas vou deixar aqui a minha avaliação com base naquilo que os meus olhos viram e os números dizem.

 

O que mais fica do trabalho de José Peseiro na sua segunda passagem pelo Sporting é a paupérrima qualidade do futebol apresentado. Os três tristes trincos, a táctica do Pudim Molotov - pouca consistência de jogo e falta de ligação entre meio campo e ataque (buraco no meio) -, o não aproveitamento do melhor Bruno Fernandes de sempre (pondo-o a ver o jogo de costas para a baliza) foram apenas alguns dos sinais exteriores da pobreza das suas ideias para a equipa. A seu favor, a aposta ganha em Jovane Cabral, elemento com grande rendimento nesse primeiro ciclo da época. 

 

Do ponto-de-vista dos resultados, podemos analisá-los em termos de valor relativo ou absoluto. Por um lado, quando foi demitido (após 8 jornadas), a equipa estava em segundo lugar no campeonato, a dois pontos do líder Porto. Por outro, fez apenas 16 em 24 pontos possíveis, média inferior à conseguida por Keizer, com 5 vitórias, 1 empate e 2 derrotas. Para além disso, a equipa encontrou dificuldades inesperadas para vencer o modesto Loures na Taça de Portugal e perdeu em casa com o Estoril para a Taça da Liga - jogo que esteve na base do seu despedimento -, o que usando de honestidade de argumentos não augurava nada de bom para o futuro nas 2 competições que o clube, já sob outra orientação técnica, viria a vencer na temporada de 2018/19.

 

Imagino as dificuldades que Peseiro terá tido no início da época. Sem saber quantos jogadores ficariam, teve de lidar com o descontentamento dos que optaram por ficar face ao ambiente que se vivia, enquanto aguardava pelo sucesso das incursões de Cintra junto dos que rescindiram. Nesse transe, teve de tomar opções, a maioria das quais, infelizmente, incidiria sobre jovens da nossa Formação. Pelo menos uma delas revelar-se-ia desastrosa, não compreendendo o desejo de Demiral de ter uma oportunidade na equipa principal e não nos Sub-23. Preferindo um Marcelo ao jovem turco e não se dando conta da capacidade deste, acabou por permitir que saísse por empréstimo com uma cláusula de compra baixíssima. Também as aquisições deixaram a desejar, com a honrosa excepção de Renan, um achado de última hora que lhe deve ser creditado. 

 

Não consta que alguém tenha apontado uma pistola ao treinador de Coruche na hora em que este assinou pelo Sporting. É certo que outros treinadores terão declinado o convite, mas Peseiro sabia ao que ia e foi remunerado por isso, não sendo despiciendo considerar aí a cláusula de rescisão (indemnização) com que blindou o seu contrato. Apesar de tudo, agradeço o que tentou fazer, algumas coisas boas que efectivamente fez, mas não posso deixar de afirmar, perante a forma como tem reagido às naturais críticas sobre o futebol exibido no seu tempo, o meu desejo de que não venha a ser maltratado uma terceira vez no clube. Para bom entendedor...

10
Fev19

The Good, the Bad and the Ugly, um filme de Leão


Pedro Azevedo

O filme caracteriza-se pela permanente tensão que envolve os três treinadores: Jorge Jesus, o "Mau", José Peseiro, o "Feio", e Marcel Keizer, o "Bom". Todos perseguem o pote de ouro debaixo do arco-iris, a conquista do campeonato nacional, perante uma massa associativa sedenta de vitórias e um enquadramento desfavorável no futebol português.

 

Jesus aparece em Alvalade como o treinador mais caro da história do clube e por larga margem, o homem que encerraria em si conhecimentos que, supostamente, o tornariam mais valioso do que uma Estrutura. Sempre hábil a chamar para si os louros nos momentos das vitórias no clube rival, logo no seu primeiro ano no novo clube (que viria a revelar-se a sua melhor época) duplica o orçamento que Leonardo Jardim e Marco Silva tiverem disponível. Não ficaria por aqui, pois no seu terceiro e último ano a conta de exploração chegaria a apresentar o triplo dos custos (com pessoal) face aos seus predecessores. "Pistoleiro" sempre pronto a esvaziar o carregador, vai exaurindo os cofres do clube com as suas renovadas exigencias, obrigando a sucessivas contratações de jogadores, muitos deles rapidamente abandonados pelo treinador e caídos em desgraça. Enquanto isso, a aposta em novos jogadores da Formação é praticamente abandonada, registando-se apenas o lançamento de Gelson Martins e de Ruben Semedo (Leonardo dera oportunidade consistente a Adrien, William, Cedric, Mané, Wilson Eduardo e André Martins, Marco reforçara-a no que respeita aos 3 primeiros e apostara convictamente em João Mário). A sua amizade com o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, incomoda, mas é a ausência de títulos e a extrema tensão superveniente que acaba por o empurrar para a porta de saída. Com ele, e embora o clube tenha aumentado os seus proveitos ordinários - fruto essencialmente do crescimento da bilhética, das receitas da Champions e do contrato de DireitosTV celebrado com a NOS - , o Sporting torna-se novamente dependente da venda de jogadores (a seu favor, as maiores vendas da história do clube) para cobrir o défice operacional, algo que inverte dramaticamente a estratégia seguida nos dois primeiros anos da gestão do então presidente Bruno Carvalho.

 

Envolto num clima de forte tensão política no clube, eis que chega Peseiro. Treinador mal-amado em Alvalade, devido ao campeonato e Liga Europa ingloriamente perdidos na temporada 2004/05, o coruchense procura redimir-se junto da massa associativa leonina. Desde os primeiros tempos, é notório que a proposta de futebol positivo da sua primeira passagem evoluiu agora para um cinismo mais próprio da escola italiana. O jogo agora é feio e chega a contemplar a figura dos três tristes trincos no meio-campo. Apesar disso, a equipa mantém-se próxima dos lugares da frente. No entanto, tudo se desmorona após uma inesperada derrota caseira contra um clube dos escalões secundários, a contar para a Taça da Liga. Sob pressão dos associados, o treinador não resiste e é despedido.   

 

Eis que chega então Marcel Keizer. Sem currículo apreciável - destaca-se apenas uma passagem de meia dúzia de meses pela equipa principal do Ajax - o treinador começa por conquistar os exigentes adeptos dos leões. Sete vitórias em outros tantos jogos e um saldo de golos favorável de 22 (30 golos marcados e 8 sofridos) encantam o povo, subitamente desperto para uma radical mudança de paradigma. Keizer afirma-se aos olhos dos adeptos como o "Bom", um produto de uma escola idealista de futebol positivo, que vai vencendo barreiras levemente xenófobas e conquistando os sportinguistas e os amantes de futebol em geral. Neste período, o treinador holandês acaba com o excesso de trincos e promove um jogo posicional assente em trocas de bola a 1/2 toques, movimentos constantes de aproximação à bola, início de construção pelos centrais, laterais simultaneamente subidos, movimentos interiores dos alas e recuperação de bola em 5 segundos. Tudo isto num sistema táctico de 4x3x3. Para além disso, parece apostar em jovens. Num jogo a contar para a Liga Europa lança Thierry Correia. No seguinte, de uma assentada reforça a confiança no lateral direito e dá também oportunidades a Bruno Paz e a Pedro Marques. Os adeptos leoninos estão em delírio. 

 

Chega então o fatídico jogo de Guimarães. Começa a sentir-se o cansaço em certos jogadores nucleares, os movimentos perdem a fluidez original. Para além disso, há erros individuais que impedem a equipa de carburar. O treinador mantém Diaby em campo os 90 minutos, ele que faz um jogo desastrado, tanto na ligação com os colegas como no momento da concretização. Exibição que viria a repetir em Tondela, novamente com consequências desastrosas. Paira agora a dúvida. Alguns dos iniciais resistentes ao treinador, que já se preparavam para meter a viola no saco, ganham um suplemento de alma. Regressa o discurso da desadaptação de Keizer, da fraqueza da sua transição defensiva, da sua exposição aos ardilosos treinadores tugas. Keizer passa num instante a ser o "Mau" e as suas convicções parecem estar a ceder perante a necessidade imediata de resultados.

 

Aproxima-se a Final Four da Taça da Liga e Keizer é agora um treinador mais pragmático. O Sporting sobrevive quase miraculosamente a um jogo em que foi inferior (Braga) e está na final contra o todo-poderoso Porto. No jogo decisivo, a equipa faz uma bela primeira parte, mas circunstâncias diversas adversas acabam por a empurrar para um pragmatismo assente na resiliência face a sucessivas vagas do adversário. Quando finalmente em desvantagem, consegue voltar ao jogo e acaba por vencer a competição. Keizer é agora o "Feio" - comparações são imediatamente feitas com Peseiro - , mas consegue levar para Alvalade o troféu. 

 

Segue-se uma partida em Setúbal que faz a equipa desgastar-se em demasia, obrigada a superar-se em desvantagem numérica e no marcador. É a antecâmara da recepção ao Benfica. Entre lesões, castigos e impedimentos vários, o Sporting é batido sem apelo nem agravo. Mais do que a derrota, a imagem que fica é de uma total impotência face ao seu adversário. Uma humilhação! O ciclo ainda não terminou e há ainda uma partida para disputar na Luz, a contar para a Taça de Portugal. Teme-se nova debacle, as circunstâncias do jogo não ajudam, mas a equipa não cede, mostra que está com o treinador, e consegue voltar ao jogo e à eliminatória. 

 

O próximo ciclo de jogos permitirá perceber melhor quem é Keizer. O treinador dos 7 primeiros jogos, a que acrescentarei os dois na Feira para as taças e a primeira parte da final da Taça da Liga com o Porto, é o "Bom". Gosto da sua ideia de futebol positivo, da fleuma com que atura jornalistas e as circunstâncias nem sempre favoráveis em que está envolta a sua profissão. Recorrendo por vezes ao sentido de humor e evitando a desculpabilização tão própria dos seus antecessores. Pode ser que este novo ciclo permita uma maior rotatividade ao plantel, que Geraldes e Idrissa possam ser convenientemente testados, que Acuña, Miguel Luís ou Montero estejam totalmente disponíveis, que jovens como Thierry possam ter finalmente uma oportunidade consistente. Está tudo nas mãos de Keizer e na sua fidelidade às suas ideias e convicções. (Ou, pelo menos, espero que não haja restrições de cima que o impeçam de escolher os melhores.) E eu espero que estas vençam. Um treinador que criou tão grande ilusão entre os sportinguistas não pode sair pela porta pequena. 

keizer6.jpg

20
Jan19

Cuidado com as comparações(2)


Pedro Azevedo

Muito se tem falado da peseirização do futebol de Keizer e a verdade é que nalguns jogos Keizer esteve longe de ser Keizer, mas confundir a entrada nos últimos minutos de Petrovic - e concomitante adopção do duplo-pivot - com uma táctica de raíz que partia do duplo-pivot e, por vezes, evoluia (com muito tempo para jogar) para um trivote parece-me um absurdo.

Em simultâneo, existem outros críticos que censuram Keizer pelo seu futebol iminentemente ofensivo (em que ficamos?) e falta de compensação defensiva, situações apresentadas como causas para o nosso afastamento do título. Segundo esta teoria, Peseiro só estava a dois pontos do líder quando foi afastado e a sua substituição foi um erro.

Tendo ontem Keizer cumprido o seu 14º jogo ao leme da equipa principal do Sporting, exactamente o mesmo número de jogos em que Peseiro foi o timoneiro, já é possível estabelecer uma comparação fidedigna. E a verdade é que os números são arrasadoramente favoráveis a Keizer. Ora vejamos: Peseiro venceu 9 jogos (64,3%), empatou 1 (7,1%) e perdeu 4 (28,6%); Keizer triunfou em 11 jogos (78,6%), igualou 1 (7,1%) e foi derrotado em 2 (14,3%). O coruchense efectuou 8 partidas para a Liga, uma para a Taça de Portugal, duas para a Taça da Liga e 3 para a Liga Europa, o holandês jogou igual número de partidas para a Liga, 3 para a Taça de Portugal, uma para a Taça da Liga e duas para a Liga Europa. Registe-se que a contar para a Liga ambos ganharam 5 vezes, empataram uma e perderam duas. Analisando os golos obtidos e sofridos não deixamos de nos surpreender: a corrente realista que tanto elogiou a apreguada contenção defensiva de Peseiro não pode deixar de ignorar que nesses 14 jogos o treinador português só consentiu menos um golo que o holandês (14 contra 15), o qual é criticado pelo excessivo balanceamento atacante e falhas no processo de transição defensiva; já os números atacantes de Keizer falam por si próprios e envolvem uns esmagadores 41 golos marcados, contra apenas 24 de Peseiro, indicador que dá argumentos suficientes aos defensores de uma corrente, vamos lá, romântica de ver o jogo.

Em abono da verdade, talvez a verdade esteja no meio, como aliás muitas vezes acontece. Essencialmente, não me parece que a tentativa de procurar um equilíbrio entre as acções ofensivas e defensivas, por parte de Keizer, esteja a ser particularmente bem sucedida. Se analisarmos os seus sete primeiros jogos, o holandês fez o pleno de vitórias e a equipa marcou 30 golos e consentiu 8. Nos últimos sete, Keizer venceu 4, empatou 1 e perdeu duas vezes, marcando 11 golos e sofrendo 6. Poucas melhorias defensivas para tão flagrante perda de explosão ofensiva, e a sensação de que só nos 2 jogos com o Feirense a equipa foi leal o tempo todo à filosofia inicial de Keizer. Por tudo isto, mais do que compararmos Keizer com Peseiro, devemos é comparar os dois ciclos do treinador holandês e perceber o que mudou, no sentido de aferirmos se não valerá a pena uma nova inflexão que privilegie o futebol posicional que tão bons resultados nos trouxe inicialmente. Essa, para mim, é uma das discussões possíveis, a outra é sobre a controversa utilização de jogadores como Bruno Gaspar ou Diaby, súbita exclusão de Jovane e Miguel Luís ou falta de oportunidades de Luíz Phellype, tentando perceber se os que estão em melhor forma estão a ir (ou não) a jogo. 

keizer5.png

peseiro.jpg

16
Jan19

Cuidado com as comparações


Pedro Azevedo

Mesmo que Keizer perca os próximos dois jogos, contra Feirense e Moreirense, ainda assim igualará o "score" de Peseiro de 9 vitórias, 1 empate e 4 derrotas, em 14 jogos disputados para LIga, Taça de Portugal, Liga Europa e Taça da Liga. Para além disso, caso a equipa não marque nesses futuros encontros, contabilizaremos 37 golos obtidos com o treinador holandês face aos 24 golos com o coruchense. E, já agora, bastará não sofrermos golos nesses jogos para que Keizer equivale Peseiro no número de golos consentidos (14). 

Esta é uma outra forma de olharmos para os números, os quais não se resumem ao facto, verídico aliás, de Peseiro ter deixado a equipa a 2 pontos do 1º lugar na Primeira Liga. É que não só ainda faltavam 26 jornadas para disputar no campeonato como estavamos fora da Taça da Liga se a competição tivesse terminado quando o treinador português rescindiu. 

Quanto a aspectos qualitativos, bom, a melhoria com Keizer foi total: bom futebol, goleadas, esperança nos adeptos. Perante isto, só haverá uma forma de o ex-treinador do Ajax se igualar a Peseiro e passará por Keizer ser um anti-Keizer e começar a vêr em cada "Loures" desta vida um gigante Adamastor. To be or not to be (Keizer)? - a discussão segue dentro de momentos num estádio perto de si. 

keizer4.jpg

(Fonte imagem: MSN.com)

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