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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

14
Dez20

Fábrica de golos


Pedro Azevedo

Pedro Marques voltou a bisar, desta vez contra o Fabril, numa vitória do Sporting B por três bolas a zero, um golo a mais do que o conseguido pelo FC Porto quando derrotou o outrora primodivisionário clube do Lavradio (Barreiro) em anterior eliminatória da Taça de Portugal. Deste modo, o ponta de lança leonino eleva para 9 golos em 7 jogos os seus números na presente época desportiva. A Pedro só faltou mesmo o golo de cabeça, marcando alternadamente de pé direito e de pé esquerdo. O seu primeiro resultou de um remate forte e colocado que não deu tempo ao guardião adversário de esboçar a defesa. Já o segundo foi uma pequena obra de arte, mudando de pé à última hora e colocando a bola lentamente e em jeito no poste mais distante. Não assisto aos treinos e portanto desconheço a prestação do Pedro nos mesmos e a forma como se está a entrosar com a equipa, mas parece-me óbvio que os jogos realizados até agora indicam que vai justificando mais minutos de utilização numa equipa principal onde terá potencialmente golos servidos em bandeja de prata por Pedro Gonçalves, Nuno Santos, João Mário e demais jogadores. Não será ainda certamente na terça-feira - uma pena! - devido ao pouco tempo de recuperação do esforço, mas se Ruben Amorim assim o entender talvez possamos ver o Pedro no banco como alternativa ao TT no jogo contra o Farense. Se o futebol é o momento na medida em que a componente anímica é tão importante quanto a táctica, técnica e física, entre Sporar e não Sporar melhor mesmo será o Pedro não desesperar e começar a ir a jogo. Temos (mais um) Ponta de Lança na cantera.

pedromarques1.jpg

05
Dez20

Sporar ou não Sporar


Pedro Azevedo

O tema do momento no futebol do Sporting versa sobre a titularidade ou não de Sporar. De facto, para quem olhe apenas para os golos e assistências, os números do esloveno estão longe de impressionar. Como tal, há quem legitimamente defenda que um ponta de lança tem obrigatoriamente de apresentar mais acções decisivas por jogo. Porém, o futebol está longe de ser apenas aquilo que os nossos olhos retêm num primeiro momento, sendo certo até que muitas vezes o que nos agrada à vista não nos enche a barriga. Quando há 3 anos criei o Ranking GAP, fi-lo para ajudar  a uma melhor compreensão do jogo e também para reparar a injustiça de não se verem plasmadas nas estatísticas ofensivas uma série de acções que conduzem ao golo. Desse modo, comecei a considerar passes de ruptura e participações em lances de ataque que são determinantes para golo. Assim, um passe de 30 metros a isolar o jogador que depois faz a assistência, ou o jogador que é carregado em falta dentro da área passaram a constar dessas minhas estatísticas enquanto participação importante para golo. Adicionalmente, incluí essas acções, conjuntamente com os golos e assistências, na medição da influência de um jogador. Foi isso, por exemplo, que me levou a concluir ser Bruno Fernandes o jogador mais influente do Sporting na época 17/18, a última de Jesus. Ora, olhando para o Ranking GAP, é possível verificar que apesar do seu número de golos (2) e de assistências (1) ser modesto, Sporar participou de forma importante em outros 5 golos. Assim sendo, não é para mim consensual que não esteja a cumprir com os objectivos. Há, porém, algo que me suscita apreensão e que creio diluirá a sua importância na equipa: a esmagadora maioria das acções que o revelaram influente resultaram de lances de transição. Ora, é minha convicção que, passado um primeiro momento em que beneficiou de algum menosprezo dos adversários, a nossa equipa encontrará muito menos espaços para transição nos próximos jogos, tendo de percorrer estradas secundárias e itenerários complementares com muito tráfego em detrimento das autoestradas em que se sente particularmente confortável. Provavelmente ainda não em Famalicão, equipa que assume o jogo e pretende construir desde trás, mas definitivamente no que virá para diante. Assim sendo, teremos muito mais jogos como o do Moreirense e muito menos como o de Guimarães. Nesse sentido, sem espaço, Sporar torna-se um jogador mais banal. Ele não é o ponta de lança clássico, mas sim um jogador essencialmente de transições, inteligente na movimentação de procura dos espaços (para si ou para os colegas) que se abrem entre os defesas contrários. Quando esse espaço lhe é retirado, Sporar vê expostas imediatamente duas debilidades: o seu fraco jogo de cabeça na área e a falta de faro de golo, características importantes para um "9". Assim, não sendo um cabeceador nato e não antecipando os lances, o esloveno tem muita dificuldade em contribuir para a equipa. É possível que com a idade que tem ainda possa haver alguma evolução, mas dificilmente Sporar será algum dia aquilo que se designa como um "Matador". Assim, antecipando as dificuldades que os autocarros estacionados à volta de Palhinha prometem avolumar, creio ser tempo de começar a dar algum tempo de jogo ao jovem Pedro Marques, o qual possui características mais híbridas, revelando dons que o esloveno não tem na área e mostrando-se igualmente competente em transições no que a acções de finalização diz respeito (vidé os golos obtidos recentemente na Holanda ou pela nossa equipa B), embora porventura não tão forte na associação com a restante equipa como o esloveno. Talvez ainda não com o Famalicão, pelos motivos que acima descrevi, mas em breve. É que, caso contrário, a pouca eficácia do ponta de lança acabará por induzir situações de risco máximo do tipo das utilizadas contra o Gil Vicente (3-2-5), o que nos poderá ser fatal quando do outro lado houver um "10" com bom tempo de passe a lançar a transição face a um equipa toda adiantada no relvado. 

 

P.S. Não descartar Tiago Tomás. Apesar de mais utilizado sobre a direita, TT mostrou contra o Gil Vicente uma qualidade essencial num ponta de lança: o timing de ataque à bola e remate. Nesse sentido, esse lance foi de compêndio.

sporar.jpg

25
Nov20

Pedro, o perseverante


Pedro Azevedo

Pedro David Rosendo Marques é a nova coqueluche proveniente da Formação do Sporting. Uma colheita tardia, vintage, como tal delicada e de grande qualidade. Ouvi falar no Pedro pela primeira vez através de um primo "belém" (eu sei, acontece nas melhores famílias haver quem escape ao desígnio do leão) que, entusiasmado, me ia relatando o impacto tremendo que estava a ter nas camadas jovens do Belenenses. O Sporting contratou-o no seu primeiro ano de junior e logo se distinguiu pela profusão de golos que marcou. Recordo em especial um golo de belo efeito contra o Real Madrid na Youth League: servido por Abdu Conté, Pedro imitiu o movimento dos alcatruzes de um engenho hidráulico trazido para a península pelos muçulmanos para deixar o guardião madridista à nora, afagando primeiro a bola no ar com o seu pé esquerdo para depois rodar e chutar, sem deixar cair a bola, com o pé direito. Um golo de elevadíssima execução, porém não suficiente para chamar a atenção do juiz da nota artística que por essa altura embora já patinando ainda era rei em Alvalade. 

À míngua de oportunidades, o Pedro foi sendo condenado à irrelevancia. Ressurgiu por momentos numa outonal noite europeia quando as goleadas se sucediam, a esperança se vestia de verde e Keizer era ainda um encantador  de leões. Durou pouco, e a estrelinha do Pedro voltou a ofuscar-se. Na época passada foi para a Holanda onde jogou na Segunda Liga. Primeiro no Dordrecht, um clube que lutava para não descer de divisão. A equipa não era boa, levava grandes cabazadas, a bola não chegava lá à frente. Ainda assim, marcou 6 golos e fez 8 assistências, o suficiente para suscitar o interesse do Den Bosch, um clube do mesmo escalão mas com aspirações à subida. A sua estrela voltou a brilhar, terminando a época com 8 golos em 7 jogos realizados na sua nova equipa até à suspensão do campeonato devido à pandemia. Mais uma vez a conjuntura parecia estar contra o Pedro, e logo quando se estava de novo a afirmar. Regressou então ao Sporting e foi integrar a recém (re)criada equipa B. O cenário era o do Campeonato de Portugal. Em 4 jogos fez 4 golos, destacando-se não só como matador na área mas também nas transições. Nesse aspecto, o Pedro engana muito. Sempre composto, com o tronco muito direito, transmite a falsa ideia de ser lento. Mas só até começar a correr com a bola, momento em que a sua velocidade associada à boa articulação dos movimentos provoca imediatamente danos nos adversários que anteriormente o subestimaram. Dadas as suas boas prestações, o Pedro já "reclamava" uma oportunidade de jogar com gente grande. Foi convocado duas vezes, mas em ambas não saiu do banco. Até que, a pretexto da Taça de Portugal , finalmente teve a sua chance. Foram apenas 18 minutos, mas o seu impacto dificilmente poderia ter sido mais impressionante. Dois golos, a confirmação dos seus dotes de matador e uma sede de golo que não deixou nenhum Sportinguista indiferente foram a sua assinatura no jogo. E, do quase nada, em pouco tempo, tal como no anúncio publicitário todos ficámos cientes de que se calhar a solução (ponta de lança) estava no banco. Boa sorte, Pedro! E muito trabalho. 

(Golo ao Real Madrid aos 23 segundos do vídeo. Aos 46 segundos repete a dose.)

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