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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

09
Jan21

Tudo ao molho e fé em Deus

Contra ventos e marés


Pedro Azevedo

Foi uma semana estranha. Nos EUA, um homem vestido com pele de bisonte tomou o controlo da Câmara dos Representantes no Capitólio em nome de uma alegada revolução popular alimentada por um discurso anti-democrático onde sobra o ódio e escasseiam as subtilezas. Em Portugal, onde os lobos até ver vestem pele de cordeiro, a revolucionária foi a bola: no Domingo porque não rolou (milagre de Santa Clara), anteontem porque não parou de rolar (depressão Filomena). Na Choupana ainda houve quem jurasse que a bola era chata, mas Galileu Mota Galilei sentenciou "e pur si muove" (contudo, ela move-se). Dito isto, a talho de foice cortou a direito e mandou toda a gente para os balneários, adiando para ontem a realização do jogo.

 

Quais intrépidos marinheiros portugueses que em cascas de noz expostas às intempéries se dispuseram a descobrir novos mundos, os bravos jogadores do Sporting apresentaram-se de um imaculado branco perante a chuva tocada por rajadas de vento e um relvado enlameado. Ainda para mais, o comentador da SportTV anunciava - o drama, a tragédia, o horror - que na primeira parte o Nacional ia atacar no sentido para onde sopravam os ventos da Filomena. Estava lançada a epopeia. Num terreno onde os Ferraris atascariam, primeiramente houve que adaptar a forma de circulação. Muito jeito deu então o tractor de Palhinha e o arado de Pedro Gonçalves, oferecendo mobilidade e ajudando a revolver o último reduto nacionalista. Mesmo João Mário fazia por não desmerecer. Ainda que se sentindo como um bailarino do Bolshoi num hexágono do MMA, o internacional emprestado pelo Inter lá ia procurando através de processos simples soltar a bola o melhor possível. Não se aventurando no ataque, algo que Pote agradeceu para cultivar a sua semente de médio centro e daí criar raizes que dessem fruto ao nosso caudal ofensivo. Até que surgiu o golo. Como não há coincidências, o lance que inaugurou o marcador nada teve de acaso. Tanto assim foi que pareceu tirado a papel químico do nosso primeiro golo com o Braga, trocados apenas os protagonistas das duas acções decisivas: o Nuno Mendes como de costume centrou para as costas do lateral esquerdo adversário, o Pote antecipou-se e assistiu, o Nuno Santos finalizou. Íamos para o intervalo em vantagem e o Nacional mancomunado com a Filomena não havia sequer incomodado o Adán. Filomena? Ainda se fosse a Eva...

 

Na etapa complementar a toada manteve-se, agora com o vento a nosso favor. Na frente, o Pote prometia ganhar o Arado d'Ouro, no miolo o intratável Palhinha fazia e desfazia como se nada fosse com ele e lá atrás o Neto afastava para longe com o pé mais à mão. Puro azar, ou sede a mais ao pote, o Pedro Gonçalves por três vezes não conseguiu marcar: uma foi do Pote ao poste, outra o guarda-redes defendeu, outra ainda mostrou que os grandes jogadores até em cima de uma cama de pregos sabem jogar. O Palhinha também tentou de longe, mas o mais que conseguiu foi encher de lama a cara do desafortunado brasileiro que defende as redes do Nacional. Quem diria que este viria a precisar de uma viseira, e não necessáriamente devido ao Coronavírus? Com o tempo sentiu-se que o Nacional subira um pouco no terreno. O Rúben também o sentiu e mandou entrar dois tractores (Matheus e Jovane) e um todo-o-terreno (TT) para não sofrermos mais sobressaltos. O jogo lá se foi encaminhando para o fim. Estávamos em período de descontos. Tempo ainda para o Matheus avançar pela direita e centrar. Um defesa madeirense afastou atabalhoadamente. A bola ficou ali ao pé do TT que de pronto a endereçou para o coração da pequena área. O Jovane, que não precisa de muitos minutos para marcar um golo, não perdoou e sentenciou o jogo. "Pormaior": passava dos 90 minutos e nesse lance tínhamos 3 jogadores na área. 

 

Esforço, dedicação, devoção e glória, ou a superação da pista de lodo da Choupana como uma parábola da nova vida do leão com Rúben Amorim ao leme. Uma equipa híper-solidária, física e mentalmente fortíssima, ao ponto de até comover vê-la a laborar (a de Silas também comovia, o problema é que o sentimento depois perdurava durante toda a semana e quando dávamos por nós estávamos encharcados de Prozac). Com este carácter, o Sporting produz um "statement", impondo-se e mostrando a qualquer equipa que nos defronte que esta está sempre à beira de sofrer um golo. Ou, como se diz em carvalhalenglish, "You are here, you are eating", lema que talvez melhor reflicta a vontade quase "brutânica" com que estamos em campo. 

 

Tenor "Tudo ao molho..." : Pote

pedrogoncalves10.jpg

06
Jan21

Foi assim que aconteceu...


Pedro Azevedo

19.04.2019  Nacional - Sporting 0-1

 

Crónica "Tudo ao molho...": Ovos K

 

Mahatma Gandhi, que até gostava muito de futebol, dizia sobre a vida que a alegria está na luta, no sofrimento envolvido, na tentativa e não na vitória propriamente dita. Os jogadores do Sporting pareceram partilhar este pensamento e hoje, na Madeira, esforçaram-se até à exaustão para o pôr em prática. Em particular, o Diaby até se esmerou, cada falhanço na cara de Daniel Guimarães equivalendo-se à nona sinfonia de Beethoven. É certo que a época pascal que vivemos é propícia ao perdão, mas, caramba, também não era preciso exagerar...

 

O jogo até começou de forma auspiciosa - cartão amarelo a Acuña - , o que deve ser considerado como uma importante melhoria face ao acontecido na Vila das Aves. Na ausência de Wendel - Raphinha (lesão) e Renan (castigo federativo, cartão vermelho no jogo anterior) também estavam impedidos - , Idrissa Doumbia foi a jogo. O problema é que o marfinense foi ocupar em simultâneo o mesmo lugar no espaço que Gudelj, desafiando assim o Princípio da Impenetrabilidade da Matéria, algo que não pareceu incomodar demasiado Marcel Keizer mas é coisa para ter perturbado o repouso de um tal Isaac Newton. 

 

Sem quem transportasse o jogo pelo meio, os leões optaram por não fazer recuar Bruno Fernandes. Em vez disso, o maiato deslocou-se para a esquerda, procurando combinar com o falso ala desse lado (alternadamente Diaby ou Jovane) que entretanto se havia aproximado de Luís Phellype no eixo do ataque, ou pedindo a profundidade de Acuña para que este colocasse a bola na área. Perante a dúvida, a defesa nacionalista foi soçobrando e as oportunidades sucederam-se. Nesse transe, Diaby, por três vezes, podia ter marcado e o mesma aconteceu com Jovane, um jovem que parece apostado em aprender o pouco entendível francês do Mali. Em todas as vezes, Daniel Guimarães esteve no caminho da bola. O Felipe das Consoantes também tentou e tirou um coelho da cartola digno de fazer inveja a um qualquer vogal de um conselho de administração. Infelizmente, a bola saiu ao lado. Pese todo o pendor atacante, a falta de eficácia impediu o Sporting de chegar ao intervalo em vantagem no marcador. 

 

Para a etapa complementar, Keizer pareceu ter ordenado a Doumbia que se adiantasse no terreno e tentasse transportar jogo. Embora fora da sua posição natural, Idrissa procurou jogar mais para a frente e numa dessas ocasiões serviu soberbamente Diaby, mas o maliano com a baliza toda à mercê conseguiu encontrar um corpo na direcção da bola.  Logo de seguida, com a baliza escancarada, o suspeito do costume não chegou à bola por um triz. Aos 55 minutos, o Gudelj viu um cartão amarelo, motivo que o impede de jogar a próxima partida contra o Guimarães. O drama, a tragédia, o horror terá pensado a SportTV, que logo o nomeou para "Homem do Jogo"...

 

O Sporting continuava a distribuir Ovos Kinder, ou Keizer, ou lá como se chamam esses presentes de Páscoa, aos nacionalistas, até que Acuña levantou para a área e Luíz Phellype não perdoou. Em vantagem, Jefferson rendeu Jovane (e Miguel Luís substituiu Gudelj), continuando Acuña como lateral. O brasileiro serviu Diaby para golo mas o destino foi o do costume. Houve tempo ainda para vêr o ex-Brugge mostrar os seus dotes de recepção quando isolado para a baliza meteu canela a mais na bola, naquilo que deverá passar a fazer escola na Academia como "domínio à Diaby". Posto isto, a mim é que tiveram que dominar. Os nervos, claro. Ah, e claro, o Xico entrou a 1 minuto do fim, em nova "oportunidade" concedida pelo Keizer. Já dizia a Luísa Sobral: "Ó Xico, ó Xico, onde te foste meter?".

 

Tenor "Tudo ao molho...": Luíz Phellype (marcou o único golo do jogo e lutou bastante). Destaques para Mathieu, que muitas vezes fez de "8" em penetrações pelo meio-campo do Nacional, Acuña, que dominou totalmente o lado esquerdo da defesa, e Gudelj, hoje muito mais intenso defensivamente do que aquilo que tem sido normal nele, embora continue a não dar ao jogo atacante aquilo que é necessário num clube de topo. 

 

P.S. falando agora muito a sério, foi um prazer ouvir Gudelj expressar-se num quase perfeito português e sem aquele sotaquezinho castelhano que poderia advir do facto de ter acompanhado o pai quando este foi profissional de futebol em Espanha. Aliás, tanto quanto sei, o sérvio fala seis linguas. Muitas vezes critico-o pelas suas acções no campo, mas aqui fica o meu apreço por alguém que mostra respeitar o clube e o país, se comporta de forma profissional e é inteligente.   

luíz phellype.jpg

20
Abr19

Tudo ao molho e fé em Deus - Ovos K


Pedro Azevedo

Mahatma Gandhi, que até gostava muito de futebol, dizia sobre a vida que a alegria está na luta, no sofrimento envolvido, na tentativa e não na vitória propriamente dita. Os jogadores do Sporting pareceram partilhar este pensamento e hoje, na Madeira, esforçaram-se até à exaustão para o pôr em prática. Em particular, o Diaby até se esmerou. Para o maliano, cada falhanço na cara de Daniel Guimarães equivaleu à nona sinfonia de Beethoven. É certo que a época pascal que vivemos é propícia ao perdão, mas, caramba, também não era preciso exagerar...

 

O jogo até começou de forma auspiciosa, com um cartão amarelo a Acuña, o que deve ser considerado como uma importante melhoria face ao acontecido na Vila das Aves. Na ausência de Wendel - Raphinha (lesão) e Renan (castigo federativo, cartão vermelho no jogo anterior) também estavam impedidos - , Idrissa Doumbia foi a jogo. O problema é que o marfinense foi ocupar em simultâneo o mesmo lugar no espaço que Gudelj, desafiando assim o Princípio da Impenetrabilidade da matéria, algo que não pareceu incomodar demasiado Marcel Keizer mas deve ter perturbado o repouso de um tal Isaac Newton. 

 

Sem quem transportasse o jogo pelo meio, os leões optaram por não fazer recuar Bruno Fernandes. Em vez disso, o maiato deslocou-se para a esquerda, procurando combinar com o falso ala desse lado (alternadamente Diaby ou Jovane) que entretanto se havia aproximado de Luís Phellype no eixo do ataque, ou pedindo a profundidade de Acuña para que este colocasse a bola na área. Perante a dúvida, a defesa nacionalista foi soçobrando e as oportunidades sucederam-se. Nesse transe, Diaby, por três vezes, podia ter marcado e o mesma aconteceu com Jovane, um jovem que parece apostado em aprender o pouco entendível francês do Mali. Em todas as vezes, Daniel Guimarães esteve no caminho da bola. O Felipe das Consoantes também tentou e tirou um coelho da cartola digno de fazer inveja a um qualquer vogal de um conselho de administração. Infelizmente, a bola saiu ao lado. Pese todo o pendor atacante, a falta de eficácia impediu o Sporting de chegar ao intervalo em vantagem no marcador. 

 

Para a etapa complementar, Keizer pareceu ter ordenado a Doumbia que se adiantasse no terreno e tentasse transportar jogo. Embora fora da sua posição natural, Idrissa procurou jogar mais para a frente e numa dessas ocasiões serviu soberbamente Diaby, mas o maliano com a baliza toda à mercê conseguiu encontrar um corpo na direcção da bola.  Logo de seguida, com a baliza escancarada, o suspeito do costume não chegou à bola por um triz. Aos 55 minutos, o Gudelj viu um cartão amarelo, motivo que o impede de jogar a próxima partida contra o Guimarães. O drama, a tragédia, o horror terá pensado a SportTV, que logo o nomeou para "Homem do Jogo"...

 

O Sporting continuava a distribuir Ovos Kinder, ou Keizer, ou lá como se chamam esses presentes de Páscoa, aos nacionalistas, até que Acuña levantou para a área e Luíz Phellype não perdoou. Em vantagem, Jefferson rendeu Jovane (e Miguel Luís substituiu Gudelj), continuando Acuña como lateral. O brasileiro serviu Diaby para golo mas o destino foi o do costume. Houve tempo ainda para vêr o ex-Brugge mostrar os seus dotes de recepção quando isolado para a baliza meteu canela a mais na bola, naquilo que deverá passar a fazer escola na Academia como "domínio à Diaby". Posto isto, a mim é que tiveram que dominar. Os nervos, claro. Ah, e claro, o Xico entrou a 1 minuto do fim, em nova "oportunidade" concedida pelo Keizer. Já dizia a Luísa Sobral: "Ó Xico, ó Xico, onde te foste meter?".

 

Tenor "Tudo ao molho...": Luíz Phellype (marcou o único golo do jogo e lutou bastante). Destaques para Mathieu, que muitas vezes fez de "8" em penetrações pelo meio-campo do Nacional, Acuña, que dominou totalmente o lado esquerdo da defesa, e Gudelj, hoje muito mais intenso defensivamente do que aquilo que tem sido normal nele, embora continue a não dar ao jogo atacante aquilo que é necessário num clube de topo. 

 

P.S. falando agora muito a sério, foi um prazer ouvir Gudelj expressar-se num quase perfeito português e sem aquele sotaquezinho castelhano que poderia advir do facto de ter acompanhado o pai quando este foi profissional de futebol em Espanha. Aliás, tanto quanto sei, o sérvio fala seis linguas. Muitas vezes critico-o pelas suas acções no campo, mas aqui fica o meu apreço por alguém que mostra respeitar o clube e o país, se comporta de forma profissional e é inteligente.   

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18
Dez18

Tudo ao molho e fé em Deus - O que é Nacional é bom (mas Keizer é melhor)


Pedro Azevedo

O Nacional entrou em Alvalade a todo o gás e sem aviso quase marcava na primeira jogada, perante um Sporting pouco atento às alterações legislativas sobre os GPL. Os primeiros trinta minutos do jogo foram uma espécie de preâmbulo da Batalha de Little Bighorn, com as tropas de Marcel “Custer” Keizer a serem invadidas por todos os lados. Deste modo, não surpreendeu que tenha sido um indígena madeirense (João Camacho) a inaugurar o marcador. Outro ainda (Jota) congeminaria o segundo, assinado por Palocevic, numa jogada onde Jefferson aproveitou para dar mais um passeio no parque. Estavam decorridos 25 minutos de jogo e o Sporting perdia por duas bolas a zero e não mostrava reacção. Pelo meio, o VAR também não, ao que parece devido ao mau funcionamento de uma câmara, algo que não consta tenha sido reportado ao Tribunal de Contas. Assim, restou-nos à posteriori o Tribunal d`O Jogo e os conhecimentos desse ilustre painel em geometria e trigonometria. Com tudo isto, os madeirenses safaram-se à tangente de se verem empatados e o tempo de espera foi secante, acabando o Nacional por ser Coroado com a manutenção da vantagem no marcador. Em cima da meia-hora, a coisa esteve para tomar proporções bíblicas, não fora Renan ter efectuado a sua primeira grande defesa do jogo. Sentimos alívio na altura, mas com o que sabemos agora tal só evitou a sequela do Coreia do Norte-Portugal de 66, versão “remastered”. Subitamente, o Sporting pareceu acordar: do lado direito, Coates foi até à linha de fundo para tirar um centro jeitoso - até aí Bruno Gaspar nunca o conseguira, não obstante as cento e dezasseis vírgula cinco tentativas para o fazer, não se sabe se por falta de conta, de peso ou de medida – e, após uma carambola da bola entre Nani e um defensor madeirense, Bas Dost levou um toque de um nacionalista. Na conversão da penalidade, o holandês esperou pacientemente a queda do guardião adversário e atirou para o outro lado. “Business as usual”!

 

Para o segundo tempo, o Professor Marcel fez entrar Miguel Luís no lugar de um abúlico Bruno César e o Sporting começou a ganhar os duelos no meio-campo. Bruno Fernandes jogava agora como o mais avançado das 3 linhas do meio-campo e a equipa leonina começou a impor o seu passe-desmarcação-aproximação à bola e a montar o já famoso carrossel de Keizer. Após solicitação de Jovane (entrara para o lugar do lesionado e pouco inspirado Nani), Bas Dost correu isolado para a baliza com Bruno Fernandes ao lado, a descrever uma paralela. O holandês pareceu adiantar de mais a bola, mas ainda conseguiu dar um ligeiro toque para a sua esquerda imediatamente antes do choque com o guardião adversário, onde apareceu Bruno completamente solto a restabelecer a igualdade. Faltavam 20 minutos para o jogo terminar, mas a vantagem anímica passara para os de Alvalade. Eis então que Gudelj decide fazer a sua melhor acção do jogo e sozinho foi galgando metros, escapando às emboscadas rivais até ser atingido pela bota de um nacionalista na cabeça, algo que tristemente não deve constituir novidade para um cidadão das balcãs. O árbitro assinalou livre directo a cerca de 10 metros da grande área e em vez de consultar um neurologista foi procurar no VAR respostas para a agressão que o sérvio tinha sofrido. Já se sabe que este é menino para duvidar da intensidade do knock-out que um dia Muhammad Ali aplicou a George Foreman e mandou seguir para a marcação da falta. Reza a história que Bruno Fernandes terá segredado a Jeremy Mathieu que era muito importante ser golo. O gaulês aplicou a versão futebolística do enunciado de Arquimedes e com um pé de apoio (direito) bem firme na relva alavancou a bola com o outro pé (esquerdo), de forma a estabelecer a proporção certa entre força aplicada e distância da baliza. Pelo meio ainda aproveitou o satélite francês mais perto (Asterix?) para estabelecer a rota certa e encontrar a “poção” mágica que lhe permitiu marcar um grande golo. Delírio em Alvalade com muitos espectadores a lembrarem-se das agora proféticas palavras de Marcel Keizer de que preferiria ganhar por 3-2 do que por 1-0 (dá mais gozo, sim, mas deve ser coisa para, um a um, ir arrancando os cabelos de um treinador, não é Mister?). Finalmente, via-se um sorriso no rosto do nosso Mona Lisa e jogadores (suplentes incluídos) e treinadores caiam nos braços uns dos outros, sinal de que o espírito de equipa está fortalecido. Muito provavelmente, no passado teria entrado um defesa ou um trinco para segurar o resultado, mas Keizer manteve a pressão sobre a defesa nacionalista e viria a recolher frutos dessa ousadia ao marcar mais dois golos, um de penálti por Dost, outro após insistência à pedrada de Bruno Fernandes. Antes, porém, Renan foi lá onde a coruja dorme evitar o empate.

 

No fim do jogo, Costinha apresentou-se em conferência de imprensa valorizando os méritos da sua equipa e reconhecendo a superioridade dos leões. É sempre refrescante quando um treinador nacionalista discursa em Alvalade sem indignações, revoltas interiores ou preocupações com o estado do futebol português e o fim do espectáculo após colocar dois autocarros Gran Artic (os mais compridos do mundo) importados do Brasil à frente da sua baliza. Pelo contrário, com um discurso escorreito, embora pelo acima descrito não necessitando de recorrer à escola do manuel-machadês, o treinador da equipa madeirense traduziu a excelente atitude que a sua equipa desenvolveu, jogando no campo todo e colocando inúmeras dificuldades ao Sporting.

 

Seis jogos, seis vitórias e vinte e cinco golos marcados (média de 4,17 por jogo) depois, não me apetece acordar deste sonho. Dá para prolongar? Bem sei que ainda há gente à espera da inevitável escorregadela para voltar a ressuscitar a ideia de que com Peseiro (catorze jogos, nove vitórias, um empate, quatro derrotas e vinte e quatro golos marcados) é que era, mas já ninguém nos tira este Outono do nosso contentamento e o prazer que tem sido ver bom futebol e golos.

 

Tenor “Tudo ao molho…”: Bruno Fernandes

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