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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

12
Jun22

O Mundial dos mundiais


Pedro Azevedo

Vem aí o Mundial do Qatar e Portugal estará presente numa fase final pela sexta vez consecutiva. Este facto, corriqueiro para as novas gerações, nunca fez sequer parte do imaginário de um jovem habituado a ver os outros em competição no maior certame do mundo de seleções. Nesse tempo o número de países presentes era bem menor (16) e os jogos ainda passavam na TV a preto e branco. Até que, já na minha adolescência, o Brasil me apareceu a sambar a cores na televisão. Por esse motivo, pela categoria e qualidade de jogo de muitas equipas presentes, nível superlativo de vários jogadores, drama, exotismo e magia de certos momentos, o Mundial de Espanha de 82, o primeiro com alargamento para 24 equipas, continua a ser para mim o melhor de sempre. Desde logo pela cor, mas também por ter juntado o génio de Zico, Sócrates, Platini, Rummenigge, Littbarski, Madjer, Conti, Boniek, Panenka, Kempes e Maradona, naquele que foi o último mundial dos jogadores, estes ainda razoavelmente libertos de pesados esquemas tácticos.  Foi também o mundial da raiva causada pela agressão bárbara de Schumacher a Battiston, do exotismo de um scheick do Kuwait ter retirado a sua equipa do campo ou da quebra de protocolo protagonizada pelo eufórico Sandro Pertini na tribuna de honra do Bernabéu. Nada disso, porém, ofuscou o nível altíssimo dos participantes. Como esquecer o último samba brasileiro protagonizado por Zico, Sócrates, Falcão, Leandro, Junior ou Eder? Ou o perfume africano dos surpreendentes Camarões de N'Kono e Roger Milla? Ou de uma Polónia que juntou numa mesma equipa craques como Boniek, Deyna, Lato ou Szarmach? E, claro, sem esquecer a França de Michel Hidalgo, com um meio campo de sonho onde um pequeno sósia de Asterix (Giresse) tocava em dueto com a gazela Tigana sob a batuta do maestro Platini. Mas houve mais, muito mais. Desde a cortina de ferro protagonizada por uma muito ucraniana União Soviética de Blokhine, Baltacha, Demianenko, Protasov ou Rats (e Dasaev), ou a Checoslováquia de Panenka e Nehoda, até à Áustria de Krankl, Prohaska, Pezzey e Schachner, passando pela Argélia de Madjer e Belloumi, a Escócia de Gemmill, Gray, Dalglish, Souness, Archibald ou Strachan, ou a campeã em título Argentina, de Kempes, Ardilles, Tarantini, Passarella e... Diego Armando Maradona. Todos ficando pelo caminho, que à final chegariam uma muito odiada Alemanha de serviços mínimos, apoiada no repentismo de Rummenigge e em dois laterais todo-o-terreno (Briegel e Kaltz), e a Squadra Azurra de Bearzot, o fleumático italiano sempre inseparável do seu cachimbo, qual Corto Maltese aventureiro que, contra tudo e contra todos, haveria de levar o barco a bom porto. Num Mundial que ficaria muito marcado pela elevadíssima qualidade de jogo da Canarinha, chega a ser injusto olvidar gente como Zoff, Scirea, Cabrini, Tardelli, Antognoni, Altobelli, Conti ou Rossi, os campeões. Este último, Paolo Rossi, ausente dos relvados durante dois anos após envolvimento no escândalo do Totonero, viria a ser a grande figura do Mundial. Uma história de sonho, de conto de fadas, ou não tivesse esse Mundial ficado na história pelos seus pózinhos mágicos. 

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