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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

31
Dez23

Tudo ao molho e fé em Deus

Da Profundidade e da Altura


Pedro Azevedo

O futebol é um jogo que se disputa sobre, e não sob, um rectângulo. Ora, num rectângulo há comprimento e largura. E existe ainda uma terceira dimensão medida pela altura, porque o futebol joga-se com uma bola e esta circula tanto à flor da relva como pelo ar. Porém, o "futebolês" gosta de complicar e então inventou um novo conceito de "profundidade". Falar de profundidade é bem, parece até ser erudito e mostrar conhecimento do jogo, especialmente quando acompanhado pela basculação, outra patacoada empregue para comparar o levantamento de uma extremidade e concomitante abaixamento de outra com a mudança de sentido de jogo num campo de futebol onde não há relevo (talvez se justificasse nos campos de treino que Portugal usou em Saltillo). Toca então de a "ensinar" naqueles cursos magníficos de que aquele senhor com nome de gigantone ou cabeçudo das festas e romarias de Portugal tanto se orgulha (o nosso Rúben era o máximo quando não tinha nivel ou só o nível 2). De tal forma que já ninguém se interroga, o que é a reacção típica do povo a qualquer bacorada quando esta é dita com a maior eloquência. Tudo bem, antes tivemos por cá grandes craques do futebol ultramarino, venha então o futebol submarino, que estes "futeboleses" a inventar são dignos do Nemo, do Náutilus e das 20.000 Léguas do Júlio Verne. 

 

Se num campo de futebol não existe essa coisa da profundidade, não deixa de ser relevante a questão da altura. Nos manuais de estratégia militar aprende-se que quando a infantaria não progride, a cavalaria não flanqueia e a artilharia não vislumbra o alvo ao nível do solo, então é preciso bombardear com os meios aéreos disponíveis. Se isso é verdade para as forças armadas, também é real num jogo de futebol: em encontros como o de Portimão, em que o adversário se fecha todo cá atrás e não deixa espaço nas costas para lançar o Gyokeres, é fundamental haver avançados com bom jogo de cabeça. O problema é que esse não é o forte do sueco e Paulinho falha tanto em terra como no ar ou até no mar (só para alegrar os "gajos" da profundidade e do futebol associativo). [Alejo Véliz seria esse ponta de lança de que precisamos como plano de contingência, mas foi (aos 18 anos) do Rosário Central para o Tottenham por um valor de investimento perfeitamente acessível para nós.] Para agravar o problema, tivemos inúmeros cantos a favor, mas o Inácio e o Coates, os nossos jogadores com mais eficácia nas alturas, não estiveram no relvado por castigo ou lesão. Assim, restava-nos encontrar o espaço por onde entrar, só que Pote ocupou durante imenso tempo esse espaço (arrastando sistematicamente para aí um adversário) que deveria ter sido deixado livre para quem viesse de trás, não sendo à toa que Morita o tenha descoberto apenas quando Bragança entrou e veio jogar ao seu lado (e não mais adiantado, como Pote anteriormente). Antes, havíamos explorado uma vez o espaço mínimo existente entre o autopullman da Eva estacionado por Paulo Sérgio e a paragem do autocarro, com Gyokeres a antecipar-se ao "pica" e a conseguir finalmente encontrar a porta de saída desse espartilho e cumprir com o seu destino (goleador). Só que de uma faltinha à portuguesa - só por causa das tosses, em Portugal qualquer corrente de ar (excepto as tempestades que investem sobre o Gyokeres) é logo motivo para que um árbitro sopre o apito - resultou o fim do descanso de Adán e o golo portimonense. E, completamente contra a corrente de jogo, até poderiam ter vindo mais dois de enxurrada, um salvo por Quaresma (e não Adán, como Rúben erradamente referiu) e outro pelo nosso guarda-redes. Até que houve a tal jogada de Morita que Paulinho assistiu de calcanhar para o calcanhar de um algarvio e por fim até às redes. {Um golo de Paulinho geralmente envolve mais rituais e inuendos que um baile de debutantes.] Antes de tudo isto porém (ainda na primeira parte), o Neto havia mandado uma sarrafada num antigo jogador nosso (Gonçalo Costa) que o deixou com a mesma cara com que eu fiquei quando soube que ele iria a jogo e o Quaresma ficaria no banco. Dois ou três jogos no banco, desde que concentradíssimo (pode ser até que levite), o nosso jovem talvez ganhe a titularidade...

 

Bom Ano de 2024 a todos!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Hidemasa Morita 

15
Dez23

Tudo ao molho e fé em Deus

Seguidores de Drucker


Pedro Azevedo

O economista e consultor de gestão Peter Drucker dizia que os resultados são obtidos através da exploração de oportunidades e não pela solução de problemas. E o Sporting levou a sua lição à letra: Trincão foi igual a si próprio, Esgaio idém, mas os leões globalmente fizeram um jogo sério e empenhado e souberam explorar bem a necessidade que o Sturm Graz tinha de ganhar o jogo a fim de se apurar para a Conference League sem ficar tão dependente do resultado do Rakow. 

 

Num jogo aberto, Sporting e Sturm Graz alternaram o domínio durante o primeiro tempo, período onde o equilíbrio foi notório. Curiosamente, quem se desequilibrou foi o árbitro, que caiu, levantou-se e correu com a bota mais à mão até ter de finalmente parar o jogo para se calçar - uma lição para quem acha que não se consegue "descalçar a bota" da arbitragem. Em contra-ciclo, quem nunca fica "descalço" com Gyokeres em campo é o Sporting. Mas já lá vamos... Se logo a abrir o Sporting teve uma oportunidade por Nuno Santos, os austríacos replicaram com uma ocasião ainda mais clara através de um cabeceamento parado por Israel com muita fotogenia. Até que o Matheus Reis tabelou com o Nuno Santos, deixou um defesa com os olhos à Marty Feldman (Mel Brooks) e cruzou exemplarmente para o Gyokeres empurar de pé esquerdo para golo. Grande jogada! Depois, o Gyokeres desarmou um adversário no nosso meio campo e soltou um vendaval até às imediações da área austríaca, passando então ao Paulinho. Este, primeiro, temporizou e depois centrou para o sueco cabecear de forma cruzada, testemunhando o guarda-redes a voar em contra-pé e a bola a esbarrar contra o poste. O suficiente para o Gyokeres, que merecidamente foi descansar para o banco. Para segunda-feira a Protecção Civil anuncia mais vento forte e possibilidade de precipitação... de golos (mas com o Pepe em campo, o "mau tempo" já era garantido).

 

Se na primeira parte o jogo foi repartido, na etapa complementar o Sporting dominou por completo. O recém-entrado Morita contribuiu bastante para isso, na medida em que mostrou uma percentagem de sucesso no seu passe de primeira bem superior à de Hjulmand, o que melhorou a fluência do nosso jogo e nos permitiu ganhar tempo e encontrar espaços por onde ferir os austríacos. Além de que as suas características compatibilizam-se melhor com as de Bragança em jogos em que o adversário não mostra grande intensidade e o Sporting tem mais posse, ambos privilegiando um jogo de passe rápido e desmarcação constantes que foi baralhando as marcações dos austríacos, que nunca encontravam o momento certo de atacar a bola. Quando o meio campo funciona bem, logo aparecem espaços entre-linhas e nas alas e melhor se realçam as virtudes do modelo de jogo em boa hora implementado por Rúben Amorim. Assim também aconteceu ontem, embora a má definição na área nos tenha impedido de alargar a vantagem dessa forma, pelo que os golos acabariam por chegar no seguimento de pontapés de canto, com Inácio, que também só entrou no segundo tempo, a bisar. Pouco mais haverá a destacar, com a excepção da oportunidade concedida ao jovem Essugo de jogar fora da sua posição natural. Um clássico de Rúben Amorim, mas, enfim, também ninguém é perfeito, não é verdade?

 

Para quem já viu uma Valsa em Linz, que mais parecia uma Tragédia Grega, e Ópera Bufa em Viena e Salzburgo, este ensaio geral com a (S)turma de Graz até não correu nada mal. Aproxima-se agora o jogo grande que os Sportinguistas acreditam ser aquele em que a equipa se vai finalmente mostrar à altura do lema do seu fundador, respeitando o adversário mas segura do seu valor. Se jogador por jogador e mesmo colectivamente vejo o Sporting como superior, não se pode descurar o peso que os duelos individuais poderão ter. Principalmente quando as forças começarem a ceder e houver menos compensações. Pelo que na forma como Esgaio (e o Diomande na dobra) lidará com Galeno, ou Edwards conseguirá ou não desequilibrar pelo centro-direita, dependerá muito provavelmente o resultado final do jogo. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Hidemasa Morita. (Matheus Reis merece uma menção especial pela jogada do primeiro golo, Gyokeres teve 1 minuto de sonho que valeu pelo jogo todo e Gonçalo Inácio já leva 3 golos nos últimos 2 jogos.) 

_The_Marty_Feldman.jpg

02
Fev23

Tudo ao molho e fé em Deus

O Tsubasa, o Copperfield e o Button foram à bola


Pedro Azevedo

Os amantes do futebol associativo passaram uma semana de grande ansiedade após terem visto o seu ícone, Paulinho, desassociar-se do resto da equipa, deixá-la em campo em inferioridade numérica e ser suspenso. Foi como se lhes tirassem um dos seus últimos argumentos, uma das suas derradeiras linhas de defesa contra a falta de proficuidade goleadora do nosso avançado centro. Na verdade, o associativismo do Paulinho estava para o ponta de lança como o charme está para os homens - "Ah, e tal, não é bonito mas é um homem muito charmoso" - , uma característica que lhe dava patine, o tornava interessante e fazia esquecer tudo o resto. Mas, o drama, o horror, a tragédia, o Paulinho estava de fora do jogo com o Braga e os últimos resistentes da intrépida devoção ao "Citizen Kane" português - "Como saberes o que é suficiente, se não souberes o que é demais?" Há excessos assim que nos abrem os olhos para delirantes percepções da realidade... - rezavam secretamente para que Amorim lançasse o trio dinâmico na frente, com Trincão e sem ponta de lança. (Se não se puder provar que um seu eventual substituto é melhor, então é mais fácil de conceder que o Paulinho, ainda que não goleador e divergentemente associativo, tem de jogar.)

 

Acontece que o Amorim decidiu operar uma pequena revolução. E, qual Salgueiro Maia, avançar para o quartel que já foi do Carmo (agora no Porto) com o chaimite, ou Chermiti, ou lá o que é esse menino que deslumbra tanto a cada toque na bola como a cada movimentação sem ela, ora servindo apoios frontais, ora arrastando marcações, com a vantagem adicional de não se inibir no jogo aéreo e disputar com quantos adversários for preciso qualquer bola nas alturas. Não é fácil para um menino de 18 anos saber quando deve soltar a bola rapidamente e desmarcar-se ou simplesmente a reter e esperar pelo avanço dos colegas, mas nesse aspecto o Cherniti pareceu um veterano, um Benjamim Button desfilando de chuteiras. E quanto aos arrastamentos dos centrais, bom, basta dizer que os segundo e terceiro golos do Sporting resultaram dessas movimentações, com a cereja em cima do bolo de o segundo ainda ter tido uma assistência à Madjer do nosso puto a engalaná-lo. Além disso, o nosso novo ponta de lança mostrou bom jogo de cabeça, ora antecipando-se a todos ao primeiro poste, ora vencendo a oposição de 2 adversários numa bola dividida. É claro, porém, que o Chermiti não jogou sozinho. Houve muito Edwards na condução e transporte de bola, naquele seu estilo de prestidigitador, que habilmente mostra a bola ao defesa para o iludir e logo a esconde com um rápido movimento de pés. E tivemos também, e principalmente, um grande Morita, o nosso Tsubasa, gregário no meio do campo e letal na chegada à área. Um espectáculo este japonês que a todos encanta pela sua generosidade, humildade, simpatia e, é bom não esquecer, qualidade técnica ímpar. Depois destes, destaco ainda Pote, St Juste e Esgaio (e o grande golo de Matheus Reis e a iniciativa de Fatawu que deu um penálti). O primeiro de volta aos golos e sempre em movimento, o segundo ímpar nas acelerações e com passes sempre precisos e o terceiro rejuvenescido, como que liberto de uma sombra opressora tutelar que o esmagava e confrontava com a sua própria realidade. 

Uma vitória muito importante do Sporting, que culminou uma semana em que o Braga foi servindo de exemplo de gestão para nós. Dez-a-zero depois (pouparam a visita ao museu), com um mês de intervalo, eu diria que o Braga deve mesmo servir de exemplo. Para o Rio Ave, o Porto e os restantes desafios que temos pela frente. Porque o único salvador de que precisamos está dentro da nossa casa. E quando faz as coisas certas, é certo que estamos mais perto de ser felizes. Jogo a jogo, Amorim. 

PS: O único senão foi a voluntária exclusão de Coates para o jogo de Vila do Conde. Os melhores disponíveis devem sempre jogar o próximo jogo (de acordo com a narrativa de "jogo a jogo"), e a ausência do uruguaio vai obrigar-nos a reformular toda a defesa (Inácio para o meio, Reis à esquerda). Aprender com os erros faz parte da evolução humana, e a ausência de Pote (a que se seguiu a opção por não colocar Nuno Santos de início) já nos custou 3 pontos na Madeira à conta de poupanças para o jogo com o Benfica (que não ganhámos). 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Hidemasa "TSUBASA" Morita

morita braga.jpg

06
Ago22

Mr. Hide


Pedro Azevedo

Hidemasa Morita é até ver a grande contratação do Sporting para esta temporada. Calmo, com olhos de falcão, Mr. Hide distingue-se pela segurança dos seus passes rasteiros de primeira que sucessivamente vão quebrando as linhas do adversário. Dotado de uma técnica perfeita, Morita bem poderia ter adoptado o estilo exuberante de Oliver Tsubasa, o herói das "mangas" nipónicas dedicadas ao futebol. Mas não, o japonês é um jogador de equipa e por ela sobrepõe a discrição de processos ao brilharete individual. Como tal, até pode escapar ao olho menos atento do adepto puramente emocional, sempre tentado a louvar os malabaristas da bola, porém não nos iludamos: já dizia Cruijff que jogar simples é o mais difícil no futebol, e o Morita fá-lo, com quilos de classe, ou não fosse ele um craque, um senhor jogador do mundo do ludopédio. Atenção a Mr. Hide!!!

hidemasa morita.jpg

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