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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

29
Nov20

Tudo ao molho e fé em Deus

O presente de César


Pedro Azevedo

Como em termos de organização o futebol jogado em Portugal ainda está na Idade Média, disposto a tomar de assalto um grupo de irredutíveis com sede a noroeste de Lisboa, o Clero Regular uniu-se a um César para conquistar a Sportingália. Com esta associação, os cónegos julgaram assim poder ditar leis em terra conhecida por não se governar sozinha nem se deixar governar por outrém. O problema é que com o advento da Idade Média e as invasões bárbaras a influência dos César perdeu-se. E nem o Clero Secular, de estricta obediência aos bispos, ajudou às pretensões dos cónegos. 

 

Em Alvalade, 1 ano corresponde a 1 segundo em termos de tempo de Humanidade. Assim, se ontem estávamos entre o triássico e o paleolítico inferior - assistindo à dança do T-Rex Jesérássico e vendo uns cromagnons a desenhar pinturas rupestres com os pés - , amanhã poderemos chegar à Modernidade. Um dos responsáveis por esta metamorfose é Potix, assim designado por ter tomado um pote de poção mágica em pequenino. O outro é Amorinix, o chefe da Sportingália. Ao contrário do seu antepassado Abraracourcix que tinha medo que o céu lhe caísse em cima da cabeça, Amorinix só tem medo que a cabeça dos seus pupilos toque na lua. Por isso, insiste em que todos ponham os pés bem assentes na terra e não vão em cantos de sereia. O mínimo que se pode dizer é que o combate de ontem deu-lhe inteira razão.

 

Ainda não estavam decorridos 3 minutos e já Palhinix era abandonado por Analgésix no meio da batalha, ficando assim impotente para travar um cónego que de forma nada canónica revelava más intenções. Esquecendo-se de que junto ao seu aquartelamento a correlação de forças era-lhe favorável em 5 para 2, Feddalix não saiu a campo aberto para ajudar. Para piorar as coisas, o jovem Mendix adormeceu na formatura e permitiu que a cavalaria moreirense o flanqueasse. Nesse transe, Geriatrix (também conhecido como Agecanonix ou Decanonix), o ancião da aldeia, assustou-se e abriu as portas à invasão dos cónegos. Determinados a contra-atacar, os homens de Amorinix não desarmaram. Mendix avançou com Santix, e este deu a munição para que os poderes sobre-humanos de Potix restabelecessem a igualdade de forças. Dada a forma célere como as tropas de Amoranix haviam recuperado de um duro revés no dealbar da batalha, pensou-se que a derrota dos cónegos estaria iminente. Puro engano. É certo que Sporarix podia até ter sentenciado cedo a contenda, mas um intrépito cónego também teve tudo para causar dolo se bem municiado quando, após um risco mal calculado por Feddalix, ganhou 2 metros a um Geriatrix que na correria pareceu transportar um menir às costas.

 

Dada a dureza inaugural da refrega, ambos os exércitos optaram por se estudar. Nesse transe, acabou por ser decretado um intervalo na contenda. Não se sabe se tal foi acompanhado por um pequeno repasto, o provável é que ao bardo de serviço não tenha sido impedido que entoasse melodias para um campo de batalha vazio e uma arena envolvente sem assistência até que escrivães e narradores voltassem ao serviço. Reatada a contenda, cedo se notou que a infantaria de Amorinix enfrentava dificuldades tamanhas na nevrálgica zona central do terreno, optando sempre por circular em "U" e utilizar a cavalaria. O problema é que, mesmo desbravado o terreno pelos flancos, Sporarix (onde andava o Marquix?), o guerreiro encarregue de conquistar o estandarte moreirense, tardava em dar a estocada final. Como tal, a situação caiu num impasse. Para quem conheça bem a vida na Sportingália, quando as coisas se complicam a solução está no Potix. E este não desiludiu. Assim, se num primeiro momento fez abanar as fundações da fé moreirense, num segundo momento conseguiu ultrapassar o trôpego "passionato" guardião dos cónegos, um presente de César que antecipou o período natalício que vem aí. Consta que tudo acabou em bem e que, observado o devido distanciamento social, o bardo Assurancetourix lá acabou amarrado a um canto para não suscitar reacções enérgicas da parte dos restantes aldeões. Comme il faut! (O Linguistix da aldeia ao lado é que não deve ter ficado nada contente com o desfecho e em Janeiro lá estará a pedir a um Ordralfabétix de ocasião mais munições para arrasar a malta.)

 

Menir d'Ouro "Tudo ao molho...": Potix. Outra boa opção seria Palhinix.pote moreirense.jpg

07
Jul20

Tudo ao molho e fé em Deus

O Restaurador Olex e a dura lex, sed lex


Pedro Azevedo

Jogo na segunda-feira às 9 da noite, em Moreira as bancadas estão vazias mas há uma varanda desconfinada sobranceira ao estádio onde o distanciamento social é uma ilusão. Sem praia, também o Portugal rural a mandar às couves as recomendações da Drª Graça Freitas. No relvado a coisa parece um concerto dos Stomp em que tudo serve para martelar. Não há canelas, tornozelos, tendões de aquiles ou dedos dos pés que resistam. Dois canhotos, Abdu Conté e Borja, são os líderes metaleiros. Só os guarda-redes parecem a salvo. Mas eis que o treinador do Moreirense entra na festa:

- Pasinato, ó Pasinato! - , grita para o relvado o Ricardo Soares.

- Sim, mister?

- Atira-te para o chão! Para o chão!

- E dói-me o quê?

- O gémeo. (Ricardo Soares caricatamente contorce-se e simula um boneco desarticulado por uma pretensa força que incide sobre a barriga da sua perna.)

- Ah, ok!

Paragem interminável do jogo de forma a que Steven Vitória possa aquecer à vontade e o treinador engendrar um novo sistema táctico que resista à inferioridade numérica. Tudo à vista de toda a gente, sem vergonha, na segurança da sua impunidade. Bem podia ser uma Farsa de Aristófanes, mas não, é o futebol português em todo o seu "esplendor" (caro Fernando Gomes, esta a ver porque o produto não é exportável?). O mesmo futebolzinho onde depois do martelo vem a foice e o Jovane é cortado rente como a seara dentro da área moreirense perante o olhar indiferente de Tiago Martins e o silêncio conivente de Jorge Sousa, o VAR de plantão. Tudo paradigmas da ideologia "comunista" que ontem grassou em Moreira, acérrimamente defensora da igualdade e da co-propriedade (dos pontos).

 

O jogo? Em terra de cónegos é possível que o "Diácono Remédios", habitual zelador dos costumes das tácticas neste blogue, se venha politicamente manifestar, mas o estimado senhor que tenha paciência pois a verdade é que ontem foi de novo visível que, com 2 médios jogando muito perto um do outro, o fosso para os 2 interiores que jogam por detrás do ponta de lança é enorme, o que leva sistematicamente a circularmos a bola em "U", procurando assim através da Ala dos Namorados flanquear o opositor. A alternativa é o recúo dos interiores, ficando então Sporar numa ilha, longe de tudo e de todos. É curto, embora pontualmente a inspiração de um jogador possa resolver. Ultimamente esse jogador vinha sendo o Jovane, isto é, o Jovane que não é loiro nem branco de carapinha e é natural (a marcar golos) como o Restaurador Olex. Mas esse não esteve ontem em Moreira de Cónegos. O Max também poderia não ter estado, visto que não foi chamado a realizar uma defesa. Pelo menos a remates de jogadores do Moreirense...

 

Desta vez jogaram menos miúdos. Com isso vieram à superfície algumas limitações no plantel. Atente-se no Neto. O Neto é bom rapaz, respeitador do clube e da sua história, mas precisa compreender que não tem de ler toda a enciclopédia luso-brasileira antes de fazer um passe. Outro mestre na arte de engonhar na hora da saída de bola é o Borja. O colombiano, naquele seu jeito vai-que-não-vai com passes laterais dentro da área à mistura, provoca calafrios constantes ao bom do adepto. Ontem safou-se de boa após entrada imprudente e pouco católica sobre um cónego. Depois há o Ristovski, sempre a cruzar contra o primeiro boneco que lhe apareça pela frente. A coisa só melhorou quando o Acuña foi improvisado como central pela esquerda, o Nuno Mendes alargou na ala e estendeu-se ao comprido de forma literal e não idiomática e o Wendel entrou e começou a transportar jogo para a frente. 

 

Com os descontos, o Sporting esteve cerca de 45 minutos em superioridade numérica no relvado. Sensivelmente meia-parte em que a bola circulou lenta, lentamente como quem clama por praia em jogos com trinta graus à sombra. O Sporting não tinha sido melhor que o Moreirense na primeira parte e não soube traduzir o domínio no segundo tempo em oportunidades de golo. Talvez se o Geraldes não se tivesse lesionado as coisas pudessem ter sido diferentes, na medida em que houve vários momentos do jogo em que um passe de ruptura e uma superior visão de jogo teriam feito a diferença. De outro modo ficámos com pouco de que nos queixar. Ou ficaríamos, pois tempo ainda houve para o momento de dramatismo em que o Tiago Martins foi ver umas imagens e concluiu que o agarrão ao Coates fazia parte das leis do jogo ("dura lex, sed lex"). Mas quem nada propôs e nenhuma medida se lhe conhece até hoje para alterar este paradigma do futebol português também pouca moral tem para reclamar. Afinal, de que serve esgrimir argumentos contra os moinhos como D. Quixote de segunda-feira enquanto os outros enchem a pança? (A UEFA e a FIFA é que parecem não ter dúvidas sobre a sua qualidade, pelo menos a atestar pela ausência nos relvados dos árbitros portugueses nas ultimas competições internacionais de seleções organizadas por esses dois organismos que superintendem o futebol.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Wendel. Menções honrosas para Coates e Nuno Mendes. 

 

P.S. Uma coisa é termos a consciência da grandeza histórica do clube, daquilo que somos, o que é Ser Sporting. Outra coisa, bem diferente, é os adeptos embandeirarem em arco e, perante o silêncio conivente de uma Direcção que vê nessa ilusão uma forma de sobrevivência, começarem a acalentar o sonho do título em 2020/21. Isso só trará desilusão e consequente instabilidade social ao clube, pelo que é importante haver desde já um discurso de verdade por parte de quem é competente para o efeito. É preciso perceber que há que ter paciência com os miúdos e dar-lhes margem para errarem e crescerem. Simultaneamente, não havendo dinheiro para satisfazer todas as posições em défice, há que definir prioridades de mercado e procurar apenas qualidade. Ao mesmo tempo, urge libertar a folha de pagamentos de imensas redundâncias que nada acrescentam em campo e tantos constrangimentos criam à nossa tesouraria e conta de exploração. É impossível resolver o problema de falta de jogadores de referência em apenas 1 ano, mas se resistirmos a ir ao mercado em quantidade como no passado recente e procurarmos apenas qualidade de uma forma efectivamente cirúrgica (2-3 jogadores por ano), fazendo também regressar alguns dos emprestados (Bragança, Dala), então será possível lutarmos pelo título até ao fim em 2021/22. Portanto, duas coisas serão essenciais no futuro próximo: manutenção de expectativas baixas associadas ao crescimento dos miúdos e escolha criteriosa da qualidade que queremos importar para o plantel. Se estas premissas não forem cumpridas e o populismo se sobrepuser à razão, então teremos definitivamente comprometido o nosso futuro. Mas se tudo for cumprido, então estarei disposto a apoiar esse caminho. 

tiagomartins2.jpg

08
Dez19

Tudo ao molho e fé em Deus - Ter ou não ter um ponta de lança


Pedro Azevedo

O fim de semana tinha começado bem. Com efeito, no andebol, o Sporting havia vencido confortavelmente um Benfica que quase 30 anos depois ainda não mostra sinais de ter recuperado do trauma da perda do angolano Vata, o mais marcante andebolista da sua história. Desta forma, terminaram o jogo com um(a) grande Carol(a). O Domingo também abriu da melhor maneira, com o triunfo do basquetebol no Dragão Caixa, 24 anos após o último clássico que a nossa equipa da bola ao cesto aí havia disputado, numa partida em que se produziu um oxímoro. É que quem acelerou mais o marcador foi um... Travante! (E Williams, como na F1...)

 

Embalados pelos êxitos das modalidades, os leões foram a jogo no futebol contra o Moreirense. O momento da equipa não era o melhor. Adicionalmente, em tempos dominados pelos "padres" uma visita de cónegos constitui sempre alguma apreensão. Ainda assim, atendendo à cotação do adversario, o meu prognóstico na antecâmara do jogo era moderadamente optimista. A coisa piorou quando vi que na frente do ataque estava um "avençado centro" (emprestado) com um estilo à "pintas" de lança. Susti a respiração. A inspiração parece ter contagiado Borja, o qual hoje conseguiu ir mais vezes à linha do que em toda a sua carreira por cá. E logo da primeira vez deu golo! Golo esse que viria a ser anulado por 14 cm, uma grande medida para um vídeo-árbitro, um mero detalhe para o John Holmes. Já se sabe que à menor adversidade a equipa desconjunta-se e assim voltou a acontecer. Bolasie e Jesé (por duas vezes) ainda visaram a baliza moreirense, mas seriam os cónegos a ter a melhor oportunidade da primeira parte quando Luther apareceu isolado mas não conseguiu desfeitear o Super Max da nossa Formação, em lance onde, parabolicamente falando, de uma costela de  Neto os deuses do futebol fizeram um Coates.

 

Na etapa complementar a toada morna mantinha-se. Aqui e ali entrecortada pela classe individual dos nossos melhores jogadores, como quando Mathieu fez estrelar a bola no poste da baliza de Pasinato na conversão de um livre directo. Borja procurava centrar para a área, simplesmente a inferioridade numérica sportinguista na área do Moreirense era da razão de 1 para 5 pelo que as jogadas acabavam por não dar nada de relevante. Os minhotos ameaçaram, mas Max desviou com a luva para canto. Eis então que Silas decide jogar futebol com um ponta de lança a sério. E, se 14 cm fizeram toda a diferença, 6 minutos ainda o fizeram mais. Esse foi pelo menos o tempo que Luíz Phellype demorou a marcar, respondendo com uma forte e colocadíssima cabeçada (até parecia o Jardel...) a um cruzamento de Mathieu, um sub-37 que é uma das maiores promessas em Alvalade. Até ao fim o Sporting conseguiu controlar o jogo, com Bolasie muito dinâmico a arrancar a expulsão de Iago e a colocar assim o Sporting em vantagem também no número de jogadores em campo pese embora a entrada de Camacho. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Jeremy Mathieu. Destaques pela positiva para Max, Bolasie e Luíz Phellype. Borja fez o seu melhor jogo de leão ao peito, mas peca por muitas vezes nos cruzamentos a bola ficar no primeiro homem da defesa contrária. Bruno, sempre esforçado, esteve abaixo do normal, Ristovski substituiu Rosier com vantagem para a equipa. Coates, que entrou para o lugar de Neto, não comprometeu. Os outros estiveram num plano inferior aos citados. Azar para Neto, com uma costela partida e perfuração do tórax. Rápidas melhoras para ele!

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19
Jan19

Tudo ao molho e fé em Deus - Acuña contra os cónegos


Pedro Azevedo

Hoje, pela primeira vez na temporada, faltei a um jogo da Liga em Alvalade. As nuvens negras e a dupla Costa/Capela ameaçavam tempestade, razão pela qual me decidi pelo sofá. Mas não fiquei só, o Bas Dost também seguiu a mesma opção, provavelmente a sonhar com Madrid. Também não me desiludi: não só a chuva caiu durante praticamente todo o jogo como árbitro e VAR estiveram à altura de duas carreiras recheadas de tantas decisões polémicas que não caberiam na edição completa da Enciclopédia Luso-Brasileira. Este tomo em particular começou num lance entre Acuña e Arsénio, com o cónego a parecer ter sido desviado com os braços na área leonina, e acabou num despautério total.

 

Os jogadores do Sporting entraram interessados em mostrar que têm treinado as bolas paradas: aos 2 minutos, Nani apareceu no primeiro poste a desviar (de cabeça) para golo um canto marcado por Acuña, e o mesmo argentino logo de seguida bateu um livre para Diaby acrescentar mais um capítulo ao seu futuro Best Seller "Mil e uma maneiras de falhar um golo", actividade certamente lucrativa (ou não fosse o valor da sua contratação) na qual substituiu outro autor consagrado que passou por Alvalade, o costa-riquenho Bryan Ruiz. Por volta dos 25 minutos a jogada repetiu-se e com o mesmo resultado. Valha a verdade que houve intervenção de Jhonatan, que adivinhou o lance (ou não tivesse o "h" adiantado "nas horas"), e do travessão. A bola, teimosamente, resistiu a ultrapassar a linha de fundo e Bruno Fernandes apanhou-a, afagou-a e serviu Ristovski para nova defesa de Jhonatan. Do ressalto, Bruno Fernandes fez o segundo, coroando a fase matraquilhos da partida. 

 

Acuña era o homem do jogo, no relvado e na televisão. Durante um quarto-de-hora, Rui Pedro Rocha manteve que o argentino tinha rescindido no Verão com o Sporting e que, posteriormente, se havia arrependido e regressado. Após o 2-0, lá desfez o equívoco. O Sporting dominava e Bas Dost falhou escandalosamente à boca da baliza um passe de Ristovski. Logo de seguida, novo caso do jogo: Bas Dost foi derrubado por um defensor moreirense quando se isolava para receber um passe de Diaby, sobrando a dúvida se foi fora ou dentro da área. Nem "penalty" nem expulsão, Rui Costa deixou prosseguir e, após 2 minutos em que o jogo não parou, o Moreirense reduziu, num golo de Heriberto. Estalou a polémica, entrou o VAR em cena, mas o Sporting, em vez de se ver com um jogador a mais e/ou com uma vantagem muito provável de 3 golos no marcador, acabou por ficar a liderar por apenas um golo de diferença. Um clássico com este árbitro, que já na temporada passada havia ignorado o apelo do VAR para uma grande penalidade cometida sobre Gelson, mantendo após visionamento das imagens a sua interpretação de simulação do (aí) ala leonino e respectivo cartão amarelo.

 

Ao intervalo, a SportTV mostrava William nos camarotes de Alvalade. Ouvi qualquer coisa do Rui Pedro Rocha sobre isso, mas depois da confusão criada com Acuña não lhe dei grande credibilidade, pelo que fiquei sem saber se o médio também se arrependeu e se é reforço de Inverno. O segundo tempo iniciou-se e o público ia pautando as poucas faltas marcadas pelo árbitro a nosso favor com aplausos. Nesse transe, o cartão amarelo mostrado a Chiquinho (falta sobre Bruno Fernandes) mereceu até uma ovação. No entanto, rapidamente o Sporting nivelou os cartões, numa fase em que Gudelj filantropicamente preveniu o aparecimento de varizes em vários dos seus adversários, insistindo em que não ficassem de pé durante muito tempo. O Sporting estava mais lento, acusando o cansaço da intensidade posta no jogo de três dias antes, e Diaby conseguia estragar imensas jogadas. Aliás, o ala nunca poderá seguir uma carreira pós futebol na organização de eventos, pois não sabe preparar recepções, até porque as condimenta com demasiada canela. (Já Francisco Geraldes é hoje mais Relações Públicas do que jogador, pelo menos a avaliar pela venda de gameboxes e pelas oportunidades que lhe dão para jogar à bola.) Esperava-se a saída do maliano, mas Keizer surpreendeu ao substituir Nani por Raphinha. O ex-vimaranense entrou com vontade de ganhar a titularidade e marcou à primeira oportunidade. Auxiliar e VAR conseguiram ver um milimétrico fora-de-jogo e anularam o golo da tranquilidade. O martírio da arbitragem prosseguiu quando Wendel foi carregado duramente por trás e o cartão vermelho correspondente foi trocado por um de cor amarela, em jogada que obrigou à substituição do brasileiro e regresso do duplo-trinco (entrada de Petrovic). Até ao fim do jogo ainda houve alguns calafrios provocados por cantos contra nós, mas o triunfo acabaria por ser do Sporting, mesmo que Acuña tenha tido muitas vezes que se superiorizar a dois ou três adversários por falta de ajuda de um Diaby que miraculosamente conseguiu ficar os noventa minutos (mais os descontos) em campo. O ex-Racing de Avellaneda, aliás, foi o melhor em campo, atacando também com grande brio e qualidade, nomeadamente cruzando sempre com eficácia. Fico agora à espera que não cruze também o continente, de oeste a leste, e acabe em São Petersburgo, até porque a equipa precisa de jogadores com esta raça e atitude no relvado.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Marcos Acuña. (Gostei também de Mathieu, Ristovski e de Bruno Fernandes, embora este último não tenha estado particularmente inspirado.)

acuña1.jpg

bas dost.jpg

golo anulado.jpg

(Fonte Imagens: A Bola)

19
Jan19

Xeque-mate!


Pedro Azevedo

A base da ideia de jogo de Marcel Keizer é o domínio do centro, um processo também comum ao xadrez. Por isso, logo à tarde, temos de dispôr as nossas peças no tabuleiro (axadrezado) moreirense de forma a que possamos rapidamente obter o xeque-mate. Os pontos fortes da equipa de Moreira de Cónegos residem no seu meio-campo: à experiência de Fábio Pacheco, potência de Loum e destreza de Chiquinho, somam-se a qualidade técnica, habilidade no 1x1, diagonais e facilidade de remate dos alas Heriberto ou Arsénio que se podem tornar letais para os seus adversários. O ponto fraco será a sua defesa, hoje desfalcada simultaneamente de Ivanildo (emprestado pelo Sporting), Abarhoun (vendido ao Rizespor) e João Aurélio. Há, por isso, que exercer pressão logo à saída de bola e ir flanqueando o último reduto adversário à espera de que se abra uma brecha no centro que deixe Jhonatan desguarnecido. À partida será o suficiente, desde que os cónegos não venham a contar com um inesperado apoio dos bispos.  

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