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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

21
Dez22

Ronaldo e Messi


Pedro Azevedo

No futebol, como na vida, há várias formas de procurar o sucesso. Messi e Ronaldo tiveram um acompanhamento díspar (Ronaldo, aos onze anos, sozinho em Lisboa, o adolescente Messi acompanhado pelos pais na capital catalã) mas uma formação semelhante, no Barcelona e no Sporting, que lhes moldou a arte e o engenho no um-para-um. Acontece que cedo Ronaldo migrou para Inglaterra, sob a influência de um treinador britânico que lhe depurou as qualidades de explosão e finalização e o fez abandonar o apêndice circense e tudo aquilo que não tivesse golo como código postal. Tornou-se assim um jogador diferente, ainda que diferenciado, produto da visão prática típica da cultura da Grã-Bretanha. O que teria sido, melhor ou pior, se em vez de Ferguson tem encontrado orientação num outro tipo de treinador, nunca o saberemos, mas nos livros de ouro do futebol mundial estará muito bem assim, ele que chegou ao United e apanhou uma equipa já oleada mas teve o mérito de ser a cereja no topo do bolo que fez toda a diferença no título europeu obtido pelos ingleses. Se Ronaldo foi desenvolvido para ser um motor altamente rotativo, Messi cresceu com um sistema de transmissão instalado da cabeça aos pés, incluindo embraiagem, mudanças, eixo cardan e diferencial. Produto de uma escola de futebol onde a vertigem é preterida pelo pensar do jogo, o seu futebol é feito de acelerações, travagens súbitas, mudanças de direcção, desmultiplicações e alta aderência em curvas sinuosas que só umas passagens de caixa perfeitas lhe poderiam dar. Mas também tem passe e repasse, tabelinha, controlo do jogo, sentido colectivo e uma cultura táctica superior que é herança dessa casa, cultura essa que associada à atractibilidade do clube lhe permitiu crescer sem pressão na sombra de Ronaldinho, Deco, Xavi ou Iniesta antes de se tornar o seu timoneiro. No fundo, o futebol de Messi foi desenvolvido para potenciar a ginga e esconder as limitações físicas, o que faz com que tenha a necessidade de pegar na bola mais atrás, em zonas onde o povoamento não é tão intenso, tendo desenvolvido no proceso qualidades de armador de jogo. Já Ronaldo também podia ter ido nesse caminho, mas Ferguson, ao deslumbrar-se com as suas características físicas, apontou-lhe um atalho. Durante anos, o seu futebol não necessitou de caixa de velocidades, era só pôr a potência no chão, independentemente da zona de onde partisse. Perdida alguma da explosão, adaptou-se, continuando a fazer a diferença pelo killer-instinct associado a características como a capacidade de impulsão ou a qualidade do remate, dentro ou fora da área, com o pé esquerdo ou o direito, quando não de cabeça. 

 

Dois grandes jogadores, ícones da modalidade, que nasceram semelhantes e se desenvolveram em direcções diferentes, com Ronaldo mais aventureiro e sempre a procurar novos desafios e Messi mais acomodado na Cidade Condal. Pena foi que ao longo das suas carreiras nunca tenham jogado juntos, porque, egos à parte, teriam sido perfeitamente complementares no que respeita ao plano técnico, táctico, físico e mental do jogo. Ainda assim, tem sido um prazer vê-los a competir um com o outro, mas principalmente com eles próprios, ao longo dos últimos 15 anos. Tão, tão competitivos que bem dispensam médicos legistas e cangalheiros apressados. 

 

P.S. Durante o Mundial, Messi teve toda uma nação e uma equipa por detrás dele, acarinhando-o, dando-lhe força e impulsionando-o para que finalmente fosse coroado com o título mundial que lhe faltava. Enquanto isso, Ronaldo teve de lidar com a ingratidão dos portugueses e, por que não dizê-lo(?), do próprio seleccionador nacional. Ronaldo chegou em forma deficiente, faltando-lhe a pré-época, não foi utilizado no jogo de preparação com a Nigéria e não teve a rodagem suficiente em jogo para que conseguisse ganhar a confiança que lhe elevasse o patamar. Pelo contrário, foi sempre substituído, até perder a titularidade, apesar de ter sido importante dos 2 primeiros jogos e de, com ele em campo, a Selecção não se ter mostrado nunca inferior ao adversário no marcador (contra a Coreia saiu quando estavamos empatados, com Marrocos entrou com Portugal já a perder). Todas as polémicas - alegado toque na bola antes de golo, insatisfação ao sair prematuramente de campo, saída precoce após final dos jogos - foram canalizadas contra si e serviram para o ridicularizar perante o grande público, num julgamento primário que a todos devia envergonhar quando se trata de um ícone que nunca rejeitou a sua Selecção, antes por ela o vimos chorar com emoção ao som dos acordes do hino nacional. Não é perfeito? Não, longe disso. (Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.) Mas que se levantem então esses paladinos da perfeição, num país iminentemente corrupto e pouco meritocrático, de filiações, afiliados e afiliações, e cheio de falsos moralistas que logo se desenganam mal passam o adro da igreja.

messi e ronaldo.jpg

14
Dez22

"Argentina va a salir campeón!?"


Pedro Azevedo

Não deixando o futebol de ser um desporto colectivo, as individualidades têm contribuindo muito ao longo dos anos para a sua divulgação. Por essa via, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi dominaram como até aí ninguém no passado o panorama futebolístico na última década e meia, criando para si próprios um duopólio que só por duas ocasiões (2018 e 2022) foi quebrado, sendo Luca Modric e Karim Benzema esses intrusos quase acidentais dos prémios Ballon D'Or ou The Best FIFA Award. Sendo a hegemonia de Ronaldo (5 distinções de "melhor jogador do mundo", 5 Champions e 1 Campeonato da Europa) e Messi (7 distinções de "melhor jogador do mundo", 4 Champions e 1 Copa América) esmagadora, seria justo que ambos não terminassem a sua carreira sem um título de campeão do mundo de selecções, algo atingido no passado recente pelos Bola de Ouro Zinedine Zidane (1998), Ronaldo "Fenómeno" (2002) ou Fabio Cannavarro (2006). Embora outros grandes astros premiados no passado como "Melhor do Mundo" (Alfredo Di Stéfano, Eusébio, George Best, Johan Cruijff, Michel Platini, Marco van Basten ou Luis Figo) nunca tenham conseguido o máximo título planetário pelo seu país, nenhum elevou tanto a fasquia quanto Ronaldo e Messi. Assim, na impossibilidade do português levantar o caneco, gostaria que Leo Messi o fizesse, razão pela qual estarei a torcer pela Argentina na final do próximo Domingo. Não olvidando que o futebol é um desporto colectivo, mas querendo homenagear assim quem, tarde após tarde, noite após noite, procurou a superação e elevou a qualidade para um nível estratosférico, por pleno direito ascendendo a um olimpo de deuses onde até aí só estavam Pelé e Diego Armando Maradona, também eles campeões do mundo. Ganhe então Messi, não podendo ser Ronaldo. Pelo futebol. (Cruijff, pela conjugação do que deu ao futebol enqanto jogador e treinador, merece completar um quinteto muito exclusivo de deuses do olimpo do ludopédio.)

messi.jpg

16
Jun19

Queiroz derrota Messi


Pedro Azevedo

A Argentina de Messi perdeu hoje por 2-0 com a Colômbia, na 1ª jornada da Copa América. Numa competição culturalmente tão enriquecedora quanto o Festival da Eurovisão - aprendemos que o Qatar é na América como já tínhamos sido educados que a Austrália é na Europa - , o treinador português Carlos Queiroz, sempre tão estigmatizado pela sua passagem pelo nosso clube (talvez mais por ter substituído Bobby Robson, que estava a fazer um bom trabalho) e por aquela célebre substituição de Paulo Torres, desta vez acertou em cheio em todas as mudanças operadas na equipa: saídos do banco, Roger Martinez (America, México) e Zapata (Atalanta, Itália) marcaram os golos dos "cafeteros", Lerma, outro substituto, fez a assistência para o segundo. 

 

Queiroz não foi a única ligação a Portugal e ao Sporting, pois também estiveram presentes Oceano (treinador adjunto de Queiroz, antigo capitão leonino) e Borja, pela Colômbia, e Acuña (Argentina), embora os nossos 2 jogadores não tenham chegado a entrar em campo. De destacar ainda que, uma vez mais, Lionel Messi entra com o pé esquerdo numa grande competição por países. Embora ainda tenha tempo de se redimir e de ganhar o seu primeiro certame internacional pela Argentina, começa a ser cada vez mais visível o contraste de rendimento com o astro português Cristiano Ronaldo e com o seu compatriota, o genial Maradona, a nível de selecções.  

 

Parabéns a Carlos Queiroz!

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