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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

16
Jun20

Os jogos da minha vida (VII)


Pedro Azevedo

25.05.1980  Vitória de Guimarães - Sporting 0-1

 

A nossa equipa: Fidalgo; José Eduardo, Eurico, Bastos e Barão; Meneses, Ademar (Freire, aos 75 minutos) e Fraguito (Zezinho, aos 87 minutos); Manoel, Manuel Fernandes e Jordão.

 

O Sporting entrou pelos meus ouvidos em 1974 com um rugido tão sonoro que me foi impossível ignorar. Tudo se deveu à narração de um jogo a contar para o campeonato de 73/74 que a aparelhagem instalada no carro do meu pai reproduziu ao longo de uma viagem domingueira de automóvel. Nesse dia o Sporting recebia o Oriental e o relatador de serviço, de forma prolongada e estridente, um a um, ia assinalando cada novo golo de Yazalde (naquele tempo chamavam-lhe "Jázalde"). Despertou ainda a minha atenção o facto de, por sortilégio, ter calhado ao meu homónimo Azevedo a ingrata tarefa de dançar o tango com o argentino, mas à agressividade de Yazalde contrapôs o pobre guardião dos de Marvila a tristeza de por cinco vezes se ter de resignar submissamente a ir buscar a bola às suas redes. Um Tango de "mão-cheia"! O Sporting acabaria por aplicar ao Oriental uma chapa 8, o número do equilíbrio cósmico e das possibilidades infinitas que não deveria andar longe de ilustrar o meu sentimento nesse momento. Mais tarde, no início de 76, a onda média da rádio transformou-se num tsunami de emoções aquando da minha primeira visita ao José Alvalade. Jogo Grande, o Sporting como anfitrião do Porto de Gomes, Oliveira, Seninho e Cubillas. E ganhámos. E goleámos, numa reviravolta que terminou num cinco-a-um, dava Manuel Fernandes (1 golo) os seus primeiros passos no Sporting ao lado de um Fraguito (1 golo) que, sambando, pautava o nosso jogo. 

 

Com um início tão auspicioso, achava eu que isto ia ser uma maravilha. Mas o tempo foi passando e 4 anos depois, uma eternidade na vida de uma criança, continuávamos sem ganhar o campeonato. Até que se levantou a esperança, decorria a época de 79/80. Ganhámos ao Benfica por 3-1 e com isso o direito ao tudo ou nada. O cenário era o Estádio das Antas. O Conselho de Arbitragem, num esforço para eliminar o ruído à volta do jogo havia decidido salomonicamente nomear 3 árbitros internacionais, dois deles com a missão de pela primeira vez na vida fazerem de juízes de linha, coisa peregrina. O principal, António Garrido, apitaria o jogo. Não desfeita a igualdade até ao intervalo, logo no início do segundo tempo o Freire colocou-nos na frente. De pronto, o Manuel Fernandes marcou o segundo. Anulado. Por fora de jogo. Inexistente. Um clássico dentro do clássico. Pior, a um quarto de hora do fim, o Biffe fez-se ao bife, que é como quem diz ao penálti, e o Garrido fez-lhe a vontade, aquilo a que o José Maria Pedroto, sentado no banco do Porto, se fosse contra ele apelidaria de "roubo de igreja". Penalidade marcada e o Vaz defende. O Homem de Preto manda repetir e assim começa o nosso enterro. Quer dizer, o Vaz, que era de Setúbal e já chegou entradote a Alvalade, no meio daquela caldeirada ainda voltou a defender o penálti do Oliveira, mas Romeu, o Cenoura que ainda viria a jogar por nós, recargou para golo. Confesso que chorei, para um miúdo tinham sido emoções a mais, e o sabor a injustiça acelerou a minha perda da inocência. Foi aí que o meu pai se aproximou de mim, deu-me um abraço e disse-me que se porventura o Porto não ganhasse na Póvoa me levaria pela primeira vez a ver um jogo fora de casa, em Guimarães. Faltavam jogar 3 jornadas e esta promessa deu-me suficiente alento para não baixar definitivamente os braços e depositar ainda fé no Varzim. E os poveiros, gente briosa e habituada aos Adamastores que andam pelos mares, fincaram o pé a um gigante terreno e empataram (com) o Porto, pelo que eu iria a Guimarães com o Sporting na frente do campeonato.

 

A jornada começou pela manhã, no Comboio Verde (what else?), ali no Rego, para onde me desloquei com o meu pai e onde ele se reuniu com os amigos Sportinguistas. E lá fui eu, todo pimpão, cachecol ao pescoço, carruagem adentro, para ver o meu Sporting. Durante a viagem recordou-se o último campeonato, o de 74, e o Yazalde que eu já só vi pela televisão. Recordo que o comboio parou em Campanhã (Porto) e que aí tivemos de mudar de composição em direcção a Guimarães. Chegados à Cidade Berço, logo uma vimaranense me levou o cachecol. Corri, alcancei-a e recuperei o objecto da minha devoção como se dele dependesse a minha própria vida. O meu pai sorriu. Entrámos no estádio, que na altura se chamava Municipal, e posicionámo-nos atrás de uma baliza. Com o coração aos saltos, aguardei cheio de esperança o início da partida. 

 

O Sporting começou por atacar para a "minha" baliza. A todo o vapor, com Fraguito a puxar os cordelinhos, o Sporting era dominador e as oportunidades iam-se sucedendo. Porém, provavelmente devido à ansiedade, os nossos na hora da verdade não conseguiam desfeitear o Melo, guarda-redes que dois anos depois se juntaria a nós. Até que Manoel saltou com Manaca, a bola resvalou na nuca, ou nas costas, do nosso antigo campeão de 74 e, zás!, lá para dentro. Euforia da imensa mole humana que por amor ao Sporting se deslocou a Guimarães. O título estava já ali, agora era preciso segurá-lo. O intervalo permitiu regularizar o ritmo cardíaco, mas nada poderia preparar o meu coração para as emoções que ele viria a viver no segundo tempo. A bem da verdade, o Sporting teve mais do que chances para resolver o jogo, mas Manuel Fernandes e Jordão sempre falharam por uma unha negra. Negras não eram, mas ruídas já estavam as minhas (unhas) quando o Jordão é carregado para penálti. Se fosse o Manél tinha ficado no chão, mas qual Gazela de Benguela o Rui levantou-se, ainda isolado, correu e falhou um golo certo. Desespero geral, não havia maneira de matar o jogo. E o pior estava para vir: num último fôlego, o Vitória lança o Vítor Manuel, um avançado que tinha jogado no Sporting na época anterior. Cheio de ganas de mostrar o seu valor à sua antiga casa, começou a pôr a cabeça em água aos nossos defesas. Subitamente, arranca um remate seco, rasteiro, rente ao poste. Mesmo ali à minha frente, eu vi o golo. Ia ser golo, só podia ser golo, foi o que pensei nesses milésimos de segundo em que sustive a respiração. Mas, eis que, embora felino, o Fidalgo se lança já tarde. Tarde demais, pensei eu tal a potência do remate, enquanto o Fidalgo se espreguiçava todo e, espreguiçando-se, se esticava mais e mais, "frame a frame" na minha memória fotográfica em câmara lenta, tempo quasi-suspenso tal como o título ali à mão de semear. E o Fidalgo toca na bola e afasta-a do seu destino mais do que certo. E o Fidalgo bate com a cabeça no poste. E o Fidalgo parece perder os sentidos. E o Fidalgo volta de cabeça entrapada, brioso, voluntarioso, guerreiro, grandioso, a ocupar o seu lugar entre os paus. E o Fidalgo... para sempre será para mim o Homem do Título!

 

Ainda mal recarregadas as baterias dirigimo-nos para o comboio. Muitas, muitas emoções para digerir. O título estava mesmo ali. Nova paragem em Campanhã. Vou à janela, o João Rocha, grande presidente, vai entrar. Vai ser bonita a festa, mas ainda falta ganhar ao Leiria, penso. Penso, logo existo. Mas por pouco, um pedregulho enviado por algum relapso embate na quina da janela. O meu pai ordena-me, vocefera-me, grita-me desesperadamente que saia dali. Imediatamente. Nem tive tempo de processar, o título ali tão perto tinha prioridade. Faltava uma semana, uma semana que pareceram anos a contar os dias. E finalmente a catarse, o José de Alvalade cheio até às linhas que enquadravam o relvado. O Peão, orgulhoso, a ulular as bandeiras ao vento. E eu na bancada a ver o Jordão a desaparecer no meio de um magote de gente após um golo. Era nosso o título. Que emoção! (Foi há 40 anos, mas parece ter sido hoje.)

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10
Jun20

Chana


Pedro Azevedo

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Antes ainda do futebol, o Sporting chegou aos meus ouvidos através do hóquei, por via dos relatos que passavam na rádio. Naquele tempo destacava-se um jovem nascido e criado na Linha (de Cascais), cuja formação incluía os Salesianos do Estoril. Foi aí, por influência do Padre Miguel, que Vítor Manuel dos Santos Carvalho, dito Chana, nasceu para o hóquei na Juventude Salesiana. 

Chegado ao Sporting em 71, vi-o jogar pela primeira vez no antigo Pavilhão dos Desportos, hoje "Carlos Lopes", onde o Sporting realizava os seus jogos antes da construção do seu próprio pavilhão, que se viria a situar ao lado do campo pelado. 


O Chana impressionou-me logo, não só pela quantidade de golos que marcava mas também pela elevada execução técnica empregue em cada lance. Em especial, o poder de finta e a codícia com que colocava a bola por cima do ombro dos guarda-redes, o seu ponto de maior vulnerabilidade, muitas vezes de ângulo dir-se-ia impossível, quando não por trás da baliza. 

No início era ele e o Rendeiro, embora o Salema também fosse um jogador a ter em conta. Depois, chegou o Ramalhete e a equipa ganhou outra segurança. Entretanto, o Chana lá ia brilhando, no Sporting como na seleção nacional, sempre como o melhor marcador. Eis então que João Rocha consegue adicionar a essa equipa as "pedradas" de Sobrinho, outro produto da escola salesiana, e Antonio Livramento.

 

Juntar a qualidade ímpar de patinagem e a técnica do "4" com a habilidade especial e a capacidade de remate do "8" hoje aqui evocado fez as delícias dos apaniguados Sportinguistas. O Sporting ao reuni-los conseguiu impor-se a todos os poderosos adversários que se lhe depararam no caminho. Um a um, todos foram caindo, desde o Benfica de Casimiro, Garrancho, Fernando Pereira, José Carlos, Jorge Vicente, Virgilio, Picas e Piruças, passando pelo Porto de Cristiano e Chalupa, o Infante de Sagres dos irmãos Gomes da Costa, ou o Oeiras dos irmãos Rosado, do Salema (ex-Sporting) e do Carvalho que corria e não deslizava sobre os patins e ainda viria a ser nosso.

 

O mesmo aconteceria na Taça dos Campeões, com o Sporting a trazer pela primeira vez na história do hóquei português a taça para o nosso país. Em noites memoráveis, com o Pavilhão de Alvalade a abarrotar, o Sporting começou por dar a volta ao campeão Voltregá (8-3;2-5), de Nogué e Ferrer, para depois desembaraçar-se com facilidade do Villanueva, de Carlos Trullols - o melhor guarda-redes da sua época, que depois do jogo de Alvalade afirmaria ter realizado a melhor exibição da sua carreira - , por 6-0 e 6-3. 

Já no final da sua carreira, recordo ainda dois grandes momentos de Chana. O primeiro, pela seleção nacional, em 82, no Mundial disputado em Barcelos, onde foi preponderante na vitória de Portugal sobre a Espanha, realizando uma exibição memorável com golos de sonho. Outro grande momento já havia vivido na final da Taça das Taças realizada no ano anterior. Após uma derrota em Oviedo, por 4-1, na primeira mão da final, o Sporting precisava de vencer por mais de 3 golos de diferença na segunda mão para arrecadar o troféu. Acresce que as coisas cedo se complicaram ainda mais, quando o Cibelles se colocou em vantagem por 2-1, totalizando uma diferença de 6-2 no cômputo das duas mãos. Eis então que Chana entrou em acção e com 2 golos de rajada voltou a pôr o Sporting na frente no jogo. Ainda assim faltavam 2 golos para empatar a final quando se iniciou o segundo tempo. Chana ainda voltaria a marcar (terceiro golo consecutivo) e com outro golo os leões conseguiram chegar ao final do tempo regulamentar empatados na final (1-4; 5-2). Foi então preciso recorrer-se a um prolongamento. No pavilhão, o calor era imenso e tal já se fazia sentir não só nos espectadores como também em todos os jogadores. Assim, a primeira parte serviu para recarregar baterias. A hipótese dos penaltis começou a parecer cada vez mais real, mas Chana, sempre ele, tinha outras ideias para a segunda parte: primeiro, com um golo soberbo, colocou o Sporting na frente pela primeira vez; depois, serviu primorosamente o regressado Salema para o 7-2 final (8-6 no total). No banco, Livramento, recém-empossado treinador do clube, exultava de alegria. 

Cinco vezes campeão nacional, em duas ocasiões conquistaria também a Taca de Portugal. A nível internacional acumulou Taça dos Campeões e Taça das Taças. Pela seleção nacional jogou 117 vezes e marcou 226 golos, sagrando-se por duas vezes Campeão do Mundo e por três vezes Campeão da Europa. 

Para mim, que vi jogar os dois, é muito difícil dizer quem foi melhor, se Livramento ou Chana. Na verdade, ambos foram extraordinários. No entanto, o meu coração pende para Chana, que venceu mais coisas pelo Sporting e, talvez por nunca ter jogado no nosso rival, sempre me pareceu um pouco injustiçado e sem o reconhecimento devido da imprensa, distinção essa que seria colocarem-no no mesmo patamar de Antonio Livramento. 

07
Mai20

Quiz47 - A bisar contra Ivkovic


Pedro Azevedo

Já vimos que Ivkovic foi duas vezes eliminado das provas europeias pelo Sporting até se juntar a nós. O que eu quero que me digam hoje é quem foram os únicos dois jogadores do Sporting que participaram em ambas as eliminatórias, a primeira em 82/83 (Taça dos Campeões), a segunda em 87/88 (Taça das Taças). Aguardo as Vossas respostas. 

06
Mai20

Quiz46 - Se não podes com eles, junta-te a eles


Pedro Azevedo

O nosso Quiz está de volta e hoje com uma pergunta de algibeira: quem foi o nosso antigo jogador de futebol que após ter sido eliminado por duas vezes (em duas equipas diferentes) pelo Sporting nas competições europeias acabou por ingressar no nosso clube?

09
Abr20

Contos de um Leão Rampante

Ivaylo Iordanov


Pedro Azevedo

"Leão indomável"

Fato preto, camisa da mesma cor, gravata branca, quando o vi pela primeira vez, acenando a todos nós no tartan azul cinza de Alvalade, o Iordanov parecia uma reminiscência de um daqueles filmes americanos sobre Chicago no tempo da Lei Seca. A coisa para além de retro até era irónica, ou não fosse o Ivaylo proveniente de uma Bulgária que durante tantos anos foi um estado socialista de partido único, integrante da Cortina de Ferro liderada pela URSS. Mas a Perestroika e a Glasnost viriam a despertar nas pessoas o desejo de uma maior abertura política, fazer implodir o poder do Partido Comunista búlgaro e dar origem a uma revolução (pacífica) que terminou com a adopção da primeira constituição democrática desde a 2ª Guerra Mundial. Concomitantemente, deixavam também de figurar as limitações à saída dos seus principais jogadores, os quais anteriormente só podiam emigrar após os 30 anos. Grandes jogadores como Stoichkov, Lechkov, ou o nosso velho conhecido Balakov viriam a beneficiar dessas circunstâncias e o mesmo se passaria com Iordanov, acabando todos por se reunirem naquela mítica equipa búlgara que obteve um quarto lugar no Mundial de 94.  

 

A verdade é que as primeiras impressões podem ser bem enganadoras. O Iordanov era um excelente rapaz, de todos os que vi provavelmente o que melhor terá compreendido a importância daquele símbolo de leão que levou no peito durante as 10 temporadas que esteve connosco. Desde o início, o seu compromisso connosco foi total, deixando tudo no campo como trabalhador notável que sempre foi. Como tal, não admira que o apodassem de "mochilas", porque ele parecia carregar às costas o peso de toda uma nação leonina, compensando nessa entrega uma qualidade técnica menos apurada do que a de outros colegas. Quantas e quantas vezes o colectivo não funcionava, a equipa parecia amorfa, até que o Iorda pegava na bola, baixava a cabeça, cerrava os dentes e lá ia, sempre em frente, galgando metros e empolgando as bancadas. O seu estilo não era o mais ortodoxo, longe disso, mas tinha uma alma indomável de leão. Essa identificação com a nossa causa tornou-o capitão. O segundo estrangeiro da nossa história a merecer tal honraria, depois do brasileiro Vagner (campeão em 74, o ano anterior a ter envergado a braçadeira pela primeira vez) ter sido o primeiro. 

 

Se no campo ele era sempre esfusiante de vida, fora dela foi enganando a morte. Primeiro, sobrevivendo a um terrível acidente de automóvel em que fracturou a coluna, depois controlando a esclorose múltipla com que foi diagnosticado. A tudo reagiu com esperança e bonomia, raça e perseverança, continuando a treinar e a jogar quando era chamado. Mesmo após a sua retirada, um tumor nos intestinos atravessou-se-lhe no caminho. Venceu-o da mesma forma que ultrapassava os adversários.  

 

Há porém duas datas às quais o nome de Iordanov ficará para sempre ligado no meu imaginário. A primeira é o 10 de Junho de 1995, em que o Sporting venceu o Marítimo por 2-0 no Estádio Nacional e arrecadou a Taça de Portugal, quebrando um enguiço de 13 anos. O Iorda marcou os dois golos, ambos de cabeça, voando acima de dois insulares para melhor poder corresponder ao centro de Calos Xavier, ou aproveitando uma bola perdida na área. Eu estive lá e recordo-me dos golos e de o ver a celebrar no relvado com Sousa Cintra, o homem que o trouxe para o Sporting e tinha deixado de ser presidente poucos dias antes (sucedeu-lhe Pedro Santana Lopes). A segunda é o 14 de Maio de 2000, em que seguimos o Iordanov até à Rotunda após a vitória no Vidal Pinheiro que nos devolveu o título de campeão 18 anos depois. A festa foi muito bonita e mais bonita ainda ficou quando o Iorda subiu a uma grua e pendurou um cachecol na Estátua do Marquês de Pombal perante a euforia geral dos Sportinguistas que aí ocorreram. 

 

Iordanov, um campeão da vida!

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02
Abr20

O Super-Lopes


Pedro Azevedo

A primeira vez que o vi ele flutuava imperialmente sobre uma superfície lamacenta e revolta pelo frequente galope dos cavalos. Estávamos em 1976 (28 de Fevereiro) e disputava-se o Campeonato do Mundo de corta-mato. O local: o Hipódromo de Chepstow, no País de Gales. À época Portugal tinha poucas conquistas de relevo no desporto internacional, pelo que a retumbante vitória de Carlos Lopes não me apanhou apenas a mim de surpresa, mas também todo uma nação. Uns meses mais tarde, num outro país e continente (Montreal, Canadá, América do Norte), ei-lo de novo perante os meus olhos. O cenário agora era ainda mais grandioso, visto que a cidade canadiana do Quebec organizava os grandiosos Jogos Olímpicos de Verão. Lopes competia agora em pista, na prova de 10 000 metros (26 de Julho), e não estava entre os principais favoritos. Estes eram o belga Emiel Puttemans, os britânicos Tony Simmons e Brendan Foster e o finlandês e campeão olímpico em título Lasse Viren. O português, que já mostrara anteriormente estar em forma ao vencer a sua série de qualificação, foi logo para a frente impôr ritmo. Um a um, os seus adversários iam ficando para trás, impotentes para acompanharem a passada do homem de Vildemoinhos. Só Viren resistia quando faltavam 500 metros para o fim. Até que o finlandês, suspeito de fazer transfusões do seu próprio sangue previamente congelado, se foi embora e ganhou a medalha de ouro. Carlos Lopes ficou com a prata, tornando-se o primeiro português a ganhar uma medalha em atletismo nuns Jogos Olímpicos. 

 

Após o exuberante ano de 76, Lopes não teve a progressão desejada. Em 77 ainda se sagra vice-campeão mundial de "cross", mas uma arreliadora lesão no tendão de aquiles afasta-o das principais competições mundiais e a carreira está quase a perder-se. Durante 5 anos, o atleta português enfrenta o calvário, resistindo a uma operação que não dava amplas garantias de continuidade de carreira. Optando por tratamentos conservadores, encontra o mestre Koboyashi, o homem que com as suas agulhas de acupuntura salva o português para a competição. Em Maio de 81 vê o seu compatriota e colega de treino, Fernando Mamede, bater o record da Europa dos 10 000 metros. O feito de Mamede espicaça-o. Até que o viseense renasce das cinzas como a fénix e em Oslo, em 26 de Junho de 82, tira mais de 3 segundos à marca do alentejano do Sporting e torna-se o novo recordista da especialidade. Em 83, nova medalha de prata no Mundial de "Cross". O português volta a sagrar-se campeão mundial de corta-mato em 84, nos EUA, batendo o inglês Hutchings e o galês Steve Jones, prenúncio para um resto de temporada fantástico que inclui a obtenção da segunda melhor marca mundial de todos os tempos nos 10 000 metros, em prova onde Mamede bateu o record mundial (Estocolmo), e a primeira medalha de ouro olímpica portuguesa com a vitória na Maratona dos Jogos de los Angeles, batendo o record mundial da prova que celebra a distância percorrida pelo soldado grego Philippides entre Marathon e Atenas. Em 85, correndo em casa e alegando má forma, bate uma dupla africana formada pelo queniano Kipkoech e o etíope Bulti e realiza o hat-trick de vitórias mundiais em corta-mato. Tem 38 anos e nesse momento não há ninguém no mundo que duvide que ele é o atleta mais complato de sempre no combinado de pista, corta-mato e estrada. 

 

Carlos Lopes, um campeão "made-in Sporting".

02
Abr20

Contos de um Leão Rampante - Hector Yazalde(*)


Pedro Azevedo

"Um anjo com cara de índio"

 

O menino permanecia imóvel, como que hipnotizado, diante do imponente Blaupunkt com gravador de bobines, gira-discos e, mais importante, rádio de válvulas onde se podia por exemplo ouvir a BBC. Nesse dia, 31 de Março de 1974, o rádio não estava sintonizado na popular estação britânica, mas sim na Emissora Nacional. A dupla Fernando e Romeu Correia relatava um Sporting-Benfica, o último derby antes da Revolução de Abril, e a vibração da sua narrativa exercia um magnetismo ímpar no menino.

Eram 15h08 e Portugal inteiro parou: os locutores tentavam descrever, ainda incredulos, o que haviam presenciado. Hector Yazalde, o anjo com cara de índio, desafiara o impossível, qual cavaleiro alado mergulhara em voo rasante entre os pés do monstro Humberto e do intratável Barros e, a vinte centímetros do solo, cabeceara (!) a bola na direcção da baliza. Golo!

O jogo continuaria, mas já não seria o mesmo. Naquele momento, ao minuto 8, os espectadores no Estádio sentiram-se recompensados por anos de "idas à bola". Yazalde ainda voltaria a marcar e o Benfica até acabaria por ganhar, mas o Jogo, esse, terminara há muito.

A última aparição pública de Marcelo Caetano (Abril estava mesmo ali), a ovação tremenda e, ver-se-ia, tão enganadora, foi simplesmente olvidada, menosprezada. O momento era de Yazalde, o corajoso e temerario Chirola, o Homem que nunca esquecera as suas origens humildes e que sempre que saía de um treino, presenteava todos os jovens desfavorecidos que o abordavam com tudo o que tinha nos bolsos, entretanto previamente provisionados; o colega que, uns meses depois, quando lhe atribuíram um Toyota, como prémio pela Bota de Ouro europeia, decidiu vender o automóvel e distribuir o dinheiro que daî resultou, equitativamente, por todos os colegas de equipa.

Nesse dia, todos queriam ser Yazalde, até os políticos e os capitães queriam ser Yazalde e Yazalde deixou de ser humano para se tornar um mito em Alvalade, génio impulsionado pela sua musa, a bela Carmén, a quem um dia Beckenbauer, no Lido de Paris após a cerimónia de entrega do Bota de Ouro, disse ser a mais bela de todas as mulheres de jogadores de futebol.

E, o menino? O menino imaginava aquele momento do golo, a ousadia do dianteiro, o espanto dos defesas, o desespero do guarda-redes José Henrique, o Zé Gato, que nesse transe perdera a última das suas sete vidas, sendo substituído ao intervalo por Manuel Galrinho Bento (esse mesmo). E o menino sonhava com isto tudo, estado que se prolongou por todo o Domingo.

No dia seguinte, vestiu a mítica camisola verde-e-branca, com o número 9 cosido nas costas (comprada na Casa Senna), bola na mão, e abalou a caminho da escola, confiante de que a partir daí, nada na sua vida seria impossível de alcançar. Aprendera com o melhor...

 

(*) Publicado originalmente neste blogue em Janeiro de 2019

18
Mar20

A vida em isolamento / Malcolm Allison


Pedro Azevedo

"Cigar" (Charuto)

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"Fedora hat" (Chapéu Fedora)

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"A legend by a legend" (Brian Clough sobre Big Mal)

Southampton-Sporting 

#estamosjuntos #sporting

18
Mar20

A vida em isolamento / Big Mal e a receita mágica


Pedro Azevedo

Big Mal e a campanha de 82: cinco craques (Meszaros, Eurico, Oliveira, Jordão e Manuel Fernandes), seis jovens da Formação (Carlos Xavier, Mário Jorge, Ademar, Virgílio, Freire e Alberto) mais outros 4 criados em Alvalade (Barão, Zezinho, Bastos e Inácio) e dois carregadores de piano incansáveis (Marinho e Nogueira), num plantel treinado por um Malcolm Allison que não olhava a nomes ou bilhetes de identidade. Uma receita de sucesso com direito a dobradinha e tudo. 

 

Ainda que em quarentena, estamos juntos!

#estamosjuntos #sporting

18
Mar20

A vida em isolamento / A melhor época de sempre


Pedro Azevedo

Menos de 1 mês após o 25 de Abril, o Sporting deslocou-se ao D. Manuel de Mello, no Barreiro, e derrotou o Barreirense por 3-0, sagrando-se campeão nacional em 73/74. Yazalde, com 46 golos (30 jogos), estabeleceu um novo record da competição, marca que ainda se mantém imbatível. Seguiu-se nova vitória na Taça de Portugal, após prolongamento, com o golo do milagroso empate a chegar em cima dos 90 minutos. Na Taça dos Vencedores das Taças, privados do goleador "Chirola" e com muito azar, perdemos com sabor a injustiça contra os então alemães do leste do Magdeburgo. Ainda assim, com a dobradinha a nível nacional e a semi-final europeia, o Sporting teve a melhor época da sua história. Treinador: Mário Lino. O açoriano, campeão nacional pelo Sporting como jogador e treinador (também como adjunto de Fernando Vaz), não continuaria, uma sina que o tempo viria a repetir para infortúnio de todos os Sportinguistas.

 

Ainda que em quarentena, estamos juntos!

#estamosjuntos #sporting

18
Mar20

A vida em isolamento / Carambola de milagre


Pedro Azevedo

O derby eterno. O primeiro jogo de JJ contra o seu anterior clube. O remate de Carrillo que fez carambola em Teo e deu uma Supertaça ao Sporting. 

 

Ainda que em quarentena, estamos juntos!

#estamosjuntos #sporting

18
Mar20

A vida em isolamento / Renan, o homem talismã


Pedro Azevedo

Taça da Liga 18/19: meias-finais e final ganha em penáltis; Taça de Portugal 18/19: final vencido nas grandes penalidades. Um denominador comum: Renan Ribeiro. Renan, o Homem Talismã.

Ainda que em quarentena, estamos juntos!

#estamosjuntos #sporting

18
Mar20

A vida em isolamento / o herói improvável


Pedro Azevedo

O amuo de Simon Vukcevic durante o aquecimento como momento chave de um jogo. Entra Tiuí, o mal-amado, o patinho-feio transformado em herói mais do que improvável, com direito a bicicleta e tudo. O futebol e os seus sortilégios...

 

Ainda que em quarentena, estamos juntos!

#estamosjuntos #sporting

18
Mar20

A vida em isolamento / Reviravolta histórica


Pedro Azevedo

O regresso de Derlei após lesão. O Liedson que resolvia. O golo de primeira de Simon Vukcevic. A perderem por 2-0 ao intervalo, os leões deram a volta e terminaram a ganhar por 5-3. Épico!

 

Ainda que em quarentena, estamos juntos!

#estamosjuntos #sporting

18
Mar20

A vida em isolamento / Eu te amo Sporting


Pedro Azevedo

O golo de Miguel Garcia, o "Herói de Alkmaar". A incontida emoção no último relato de Jorge Perestrelo. Que Deus o guarde em eterno descanso!

 

Ainda que em quarentena, estamos juntos!

#estamosjuntos #sporting

17
Mar20

A vida em isolamento / Teo-19 e o vírus do golo


Pedro Azevedo

Aproveito este tempo de quarentena para relembrar alguns antigos jogadores do Sporting porventura mais caídos em esquecimento. O primeiro que me ocorreu foi Teo Gutierrez, que em Alvalade vestiu uma camisola com o número 19 (da nossa inquietação e descontentamento recentes) estampado nas costas.

 

Para muitos foi sempre um "patinho feio". Excêntrico, protagonizou vários momentos insólitos, desde as novelas dos atrasos no regresso da América do Sul até ao roubo do spray a um árbitro na Liga Europa para comemorar um golo que havia marcado ao Besiktas. Insólita também foi sempre a sua relação com o golo. A ele vi marcar com o peito, a anca, o joelho, as costelas, ou simplesmente como pino desviando um remate de Carrillo que daria a vitória sobre o rival Benfica na Supertaça, como se a bola magicamente o procurasse a caminho do golo e usasse a parte do seu corpo "mais à mão" para o efeito. 

 

A verdade é que Teo Gutierrez foi sempre um jogador nuclear para Jorge Jesus. Número 19 nas costas, o "cafetero" sempre se distingiu pela forma inteligente como arrastava marcações, mostrando que tão ou mais importante do que o momento em que se tem a bola é saber o que fazer sem bola, afinal aquilo que acontece na esmagadora maioria do tempo de jogo. Descrevendo umas hipérboles à volta da grande área, o colombiano conseguia abrir espaços para João Mário, Ruiz ou Adrien entrarem nas suas costas e visarem a baliza ou servirem Slimani. Dái aliás resultariam vários golos leoninos nessa época de 2015/16. 

 

Infelizmente, uma inoportuna lesão a que se seguiu a demora no regresso da Colômbia coincidiriam com um período de menos fulgor do Sporting, algo que associado a factores externos alheios aos leões bem pode ter custado o título. No entanto, para que nunca esquecessemos o seu toque distintivo, capricharia no final da época com exibições que lhe valeriam diversas vezes a menção de melhor em campo. Sem criar raízes em Alvalade, viria a sair discretamente no final dessa época sem a repercussão que as vendas de Slimani ou de João Mário tiveram. No entanto, ao contrário destes - ausências colmatadas com a compra de Bas Dost e a promoção de Gelson - , o Sporting não encontraria na temporada seguinte um jogador à altura deste irreverente colombiano nascido em Barranquilla e com passagens pela Turquia, México e Argentina. Aliás, neste último país viria a jogar nos milionários do River Plate, clube pelo qual se notabilizou vencendo a Libertadores, Copa Sul-Americana, Recopa (Supertaça) da América do Sul e campeonato argentino. 

 

Ainda que em quarentena, estamos juntos!

#estamosjuntos #sporting

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22
Fev20

Quiz45 - A primeira grande estrela


Pedro Azevedo

Proveniente do futebol profissional, foi a primeira grande estrela do futsal português num tempo em que a modalidade ainda era denominada de futebol de salão e tinha regras ligeiramente diferentes. Posteriormente, acompanhou a transição para o actual futsal. Todo ele era virtuosismo. Malabarista, fora de série, dada a sua rapidez, engenho e baixa estatura os mais chegados chamavam-lhe Topo Gigio, em alusão a um simpático e diligente  ratito que Rui Guedes introduziu na televisão portuguesa. De leão ao peito actuou durante 6 épocas de glória, muitas vezes conciliando-o com actuações nos EUA e Espanha. Nascido em Angola, viria a morrer cedo (aos 31 anos), devido a um enfarte do miocárdio ocorrido durante um jogo de futsal da sua equipa de então. Quem é?

26
Dez19

Os jogos da minha vida (VI)


Pedro Azevedo

5.11.1986  Sporting - Barcelona 2-1

 

A nossa equipa: Vítor Damas; Virgílio (McDonald, aos 87 minutos), Venâncio, Duílio e Fernando Mendes; Oceano, Zinho, Negrete e Mário Jorge; Manuel Fernandes (Gabriel, aos 69 minutos) e Raphael Meade.

 

O Sporting ganhou o jogo, mas perdeu a eliminatória. Como tal, uma vitória à Pirro, "cortesia" de um golo tardio de Roberto, nome que ainda hoje me custa a pronunciar. A eliminação foi absolutamente injusta. A maior decepção (até aí) da minha vida desportiva, que combinada com o fim da idade da inocência me abriu os olhos e preparou para a resistência que seria necessário ter enquanto sócio e adepto do Sporting. 

 

A nossa equipa tinha uma das melhores alas esquerdas de que me recordo. O aniversariante Fernando Mendes, mais explosivo, e Mário Jorge, mais cerebral, formavam uma dupla de eméritos dribladores que punham a cabeça em água a qualquer adversário. Assim também ocorreu nessa noite de recepção aos catalães. Em particular Mendes, que endiabrado produziu as duas assistências para os golos do mexicano Negrete (1ª parte) e do inglês Meade (2º tempo). Por volta dos 70 minutos, o momento do jogo: o Sporting já vencia por dois golos sem resposta quando o lateral esquerdo leonino avançou por caminhos mais interiores até ser derrubado. Levantando-se antes que o árbitro pudesse apitar a falta, o jovem entrou na área isolado. A seu lado, sozinhos e em posição mais central, estavam Negrete e Meade, mas Mendes só teve olhos para a baliza, fitou Zubizarreta e tentou o chapéu. Os adeptos sustiveram a respiração enquanto a bola caía, caía, caía, mas não o suficiente para descer abaixo do travessão da baliza barcelonista, "optando" antes por se anichar, caprichosamente, no encordoamento exterior da malha superior. Ninguém presente no estádio o suporia, mas esse momento marcaria o canto do cisne dos leões. 

 

A 4 minutos do fim do encontro, a desilusão: o Sporting já dera a volta à eliminatória após uma derrota tangencial (1-0) em Barcelona e o jogo aproximava-se do seu termo. O resto foi o meu primeiro contacto com o fado leonino que vem moldando ao longo dos anos esta nossa estranha forma de ser. Dessa vez o agente do destino chamou-se Roberto. Poderia ter sido a estrela Lineker, o playmaker Marcos Alonso, ou o experiente internacional espanhol Júlio Alberto, mas, não, foi um Roberto, marionete de ocasião do Master Puppeteer que é o deus do futebol mundial. Erros próprios e má fortuna, a saga começava...

10
Dez19

Para mais tarde recordar(*)


Pedro Azevedo

Numa cadeira situada no A24, um homem contempla, ao fim da tarde, a silhueta dos seus consócios dispostos pela bancada poente oposta. 

Dada a hora, no relvado já se reflecte a sua sombra.

Muitos dos consócios, sentados em frente de si, brevemente irão partir. Ao amanhecer fartar-se-ão do maniqueísmo, do niilismo, das bravatas e da guerra e não voltarão. E a sombra, sua companheira de viagem, também irá com eles e com eles desaparecerá.

Mas ainda é fim da tarde. O homem busca um pedaço de papel e nele desenha o contorno da sombra.

Esses traços não irão partir.

Não festejarão em uníssono, e ele sabe-o. Mas não irão partir. 

 

(*) Adaptação livre do conto "A arte de desenhar-te", de Eduardo Galeano

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