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Castigo Máximo

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Castigo Máximo

12
Jul20

A Oeste do Éden(I)

Matthew Le Tissier


Pedro Azevedo

Nesta série que hoje se inicia irei apresentar futebolistas extraordinários já retirados e com carreiras bem sucedidas que por um motivo ou outro foram como deuses sem Olimpo, na medida em que muitos dos seus feitos permanecem ainda hoje desconhecidos para a maioria dos adeptos do futebol.

 

Matthew Le Tissier é o exemplo acabado do parágrafo anterior, razão mais do que suficiente para muitos poderem ficar boquiabertos ao saberem que foi eleito este ano como o "Melhor Jogador de Sempre da Premier League" numa votação levada a cabo pelo Eurosport. 

 

Quem é então este mítico jogador de futebol? Le Tissier nasceu em Guernsey, uma ilha localizada no Canal da Mancha que embora sob dependência da coroa britânica não faz parte do Reino Unido. Estreou-se como profissional aos 17 anos no Southampton e por lá ficou até ao final da sua carreira, devoção ao clube que lhe terá custado um outro reconhecimento nacional e internacional. Porém, não lhe faltaram oportunidades para mudar de ares, pois durante os anos em que esteve no activo foi uma constante obsessão de Sir Alex Ferguson, que tentou levá-lo para o Manchester United em múltiplas ocasiões. Para além dos "Red Devils", os londrinos Chelsea e Tottenham também o cobiçaram sem sucesso, mesmo tendo feito ofertas que o tornariam o futebolista mais valioso da época. Menos mal, a sua lealdade aos "Saints" valeu-lhe a adoração dos adeptos do clube do sul de Inglaterra e o espirituoso epíteto de "Le God" que cruza o seu apelido de origem gaulesa com o requinte divino do seu futebol.  

 

Centrocampista, Matthew Le Tissier foi o sexto jogador a atingir a marca dos 100 golos na Premier League, o primeiro se considerarmos apenas os jogadores de meio-campo. No total obteve 161 golos em 443 jogos no campeonato inglês e 209 golos em 540 jogos pelo Southampton em todas as competições, tendo sido grandemente responsável pelo facto de os "Saints" nunca terem descido de divisão. Tal aliás esteve perto de acontecer numa mão cheia de vezes, mas "Le God" evitaria sempre tal desígnio. Numa dessas ocasiões, em 94/95, obteria 30 golos na temporada, marca só recentemente ultrapassada por Bruno Fernandes (32 golos) e que durante muitas épocas foi o recorde de golos para um centrocampista. 

 

Número 7 nas costas, Le Tissier foi um predestinado que enchia de magia o relvado do antigo "The Dell", a velhinha casa do Southampton. Dotado de uma grande visão de jogo que lhe permitia colocar a bola à distância em companheiros bem colocados ou inesperadamente enganar guarda-redes adiantados à linha de baliza, aliava essa característica a uma técnica de remate que era um misto de força e colocação. Além disso, a sua habilidade natural permitia-lhe recrear-se com a bola em fintas e simulações que faziam as delícias da multidão que pagava para o ver jogar. Todas estas qualidades permitiram-lhe ao longo dos anos disfarçar a sua pouca intensidade sem bola e falta de resistência ou velocidade. Ele era mais do tipo artista que com uma pincelada de génio pintava uma bela tela.

 

O facto de nunca ter jogado num grande inglês fez-se sentir nas convocatórias da selecção inglesa. Muitas vezes sentiu-se injustiçado, especialmente quando Glenn Hoddle não o convocou para o Mundial 98. Ainda assim, realizou 8 jogos pela equipa de Sua Majestade. 

 

Tendo vivido em Inglaterra, acompanhei de perto a carreira de Le Tissier e senti o respeito que os adeptos do mundo do futebol britânico tinham por ele, algo que se estendia a treinadores e jogadores da Premier League. Se pensam que estou a exagerar, nada como verem o vídeo que deixo em baixo. Enjoy!

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