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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

15
Mar24

Tudo ao molho e fé em Deus

Extraído o apêndice


Pedro Azevedo

Caro Leitor, a boa notícia que emerge da noite é que estamos quase-quase a concentrar-nos exclusivamente no campeonato nacional. Assim, o apêndice da Liga Europa já foi cortado ontem a fim de evitar uma peritriunfite (inflamação generalizada de vitorias) e as amígdalas da Taça não deverão resistir ao bisturi da Luz, pelo que Ruben Amorim poderá por fim cumprir o seu sonho de só ter de pensar na bicha solitária da Liga. É isso(!), se com o Mourinho aprendemos o que é a periodização táctica, agora com o Amorim percebemos o conceito de priorização tácita. Graças a este brilhante pensamento, o Sporting continuará a posicionar-se num bloco médio baixo no que à tabela periódica (para nós, uma constante) dos clubes europeus mais significativos diz respeito, vendo-se assim obrigado todos os anos a vender os seus melhores jogadores, enquanto os seus rivais com melhor ranking continuarão a ganhar valores milionários pela simples presença no Mundial de clubes. Não se preocupe porém o Leitor, porque para o ano há mais. Isto é, para a época que vem podemos continuar a fingir que ligamos à Europa. Sugiro até que antes dos jogos europeus se troque "O Mundo sabe que..." pelo irónico "Portugal na CEE", dos GNR, e o símbolo do leão por um pedregulho (de Sísifo), só para que não nos esqueçamos que lidamos com a Europa com o mesmo empenho que os nossos governantes tiveram o trabalho de lidar com as nossas agricultura e pescas no passado. 

 

Geralmente, depois de um jogo perdido, quem treine o Sporting vê-se na necessidade de conceder a derrota. Mas ontem não, foi a vitória de Ruben Amorim e da priorização tácita. E dos adeptos que ficam em êxtase quando veem o Sporting libertar-se de competições, o que leva à interrogação se nos querem sequer ver nesses certames. Será que podemos não nos inscrever? É proibido desistir a meio, se a coisa estiver a dar muito trabalho? A quem nos podemos queixar em caso de bullying? A ideia de fundo que estes entusiastas da derrota passam é que o plantel é curto para tanta competição. Nesse caso, um burro pensaria que a solução seria aumentar o plantel. Felizmente, temos inteligências raras em Alvalade que privilegiam planteis curtos para ser mais fácil gerir o balneário. Assim, ficamos com um balneário são... e zero títulos, Como na época passada, o que cumpre mais ou menos com o último lema conhecido do fundador, encontrado aqui há dias na etiqueta de um velho frasco de lixívia numa escavação ali ao pé do Lumiar: "Tão bons como os melhores balneários da Europa". Parabéns então ao Amorim por esta retumbante vitória. Com uma especial dedicatória ao Edwards e ao Paulinho, que tudo fizeram para  que este... êxito se confirmasse. (O St Juste ficou ligado aos 2 golos do adversário.)


É tal o desprezo que damos à Europa que nem se percebe o ênfase em sermos conhecidos internacionalmente como Sporting Clube de Portugal. Eu acho que até disfarçava se nos chamassem Sporting de Lisboa. Ou só Sporting, que podia ser confundido com o de Gijón (Astúrias) ou de Charleroi (Bélgica). Assim, como está, é que não, é impossível escondermo-nos. Sessenta anos após Alexandre Baptista (que recentemente nos deixou) e outros briosos leões terem trazido para Portugal a Taça dos Vencedores das Taças. Ultrapassando a Atalanta pelo meio (desta vez. quatro tentativas não foram suficientes para conseguirmos uma vitória). 

Tenor "Tudo ao molho...": Gyokeres. Ele e Hjulmand estão a anos-luz de todos os outros no poder físico e qualidade e constância da decisão. Menção honrosa para Franco Israel. Os restantes largaram a letargia a partir dos 10 minutos finais, o que significa que perderam 80 minutos num ritmo muito baixo para o padrão europeu. 

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23
Fev24

Tudo ao molho e fé em Deus

As pequenas coisas


Pedro Azevedo

Daqui a alguns anos, quando olharmos para o ranking UEFA, não nos vamos lembrar deste empate contra o Young Boys. E, contudo, é à conta de deslizes assim - o Leitor recordar-se-á do Skenderbeu e dos jogos com o LASK... -, e da atitude de alguma indiferença que foi havendo perante a sua acumulação ao longo dos anos, que o Sporting tem poucos pontos na Europa e não participará no próximo Campeonato do Mundo de clubes (2025). Porque, se o diabo está nos detalhes, as pequenas coisas acabam por no fim fazer toda a diferença. Como foi ontem o caso do desacerto na finalização, que nos custou uma vitória mais do que certa. E por goleada. Amorim sentiu-o, muito, quando se apresentou na flash-interview a deitar fumo por dentro, sem necessidade de recorrer a truques circenses. Fez bem em dar esse sinal, porque o Sporting conseguiu o mais difícil, que foi manter um ritmo alto durante todo o tempo, e tinha de ter ganho o jogo. 

 

Entre tantos falhanços à frente da baliza, difícil será destacar qual foi o mais bizarro ou caricato,  desde o pé direito de Edwards que travou o remate de pé esquerdo de... Edwards que se encaminhava para a baliza deserta até ao pontapé desferido por Bragança na pequena área que acertou no único pedaço de baliza coberto pelo guarda-redes suiço, para já não falar do traço de humanidade revelado pelo deus Gyokeres no momento em que falhou uma grande penalidade ou de uma outra perdida clamorosa do Daniel. 

 

Ainda assim houve um golo, um grande golo, marcado por Gyokeres num movimento soberbo em que rodou sobre 2 adversários e rematou de forma indefensável, por alto. No resto do tempo, a boa dinâmica leonina foi alargando os buracos no queijo suiço por onde surgiram as tais grandes oportunidades. Mas na hora de comermos o queijo, a gula demasiada levou a que a sofreguidão se impusesse ao discernimento e acabámos por cear mal e ir dormir com fome, que comer de penálti também não ajuda à correcta ingestão dos alimentos. (Continuamos sob o signo da temporada de 73/74: depois de uns 8-0 ao Casa Pia que evocaram igual resultado contra o Oriental, este jogo fez-me recordar a aziaga recepção ao Magdeburgo.)

 

Seguem-se os Oitavos e de novo a Atalanta. Um reencontro, pois então. E a possibilidade de corrigir velhas falhas para não incorrer em novos erros (Confúcio). Para que no fim a dor de partir não emerja sobre a alegria de um reencontro bem sucedido. A fazer lembrar a igualmente (à de 73/74) épica época de 63/64 (sempre a acabar em 4), em que dois jogos não bastaram para pôr fora do caminho a briosa equipa de Bérgamo no nosso rumo até Antuérpia (finalíssima), cidade onde levantámos por fim o caneco. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Viktor Gyokeres

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16
Fev24

Tudo ao molho e fé em Deus

Sintético a dobrar


Pedro Azevedo

Caro Leitor, isto de ser analítico a comentar o sintético já de si é uma contradição nos termos. Acresce que sintético não foi só o relvado, artificial. Não, sintético foi também o Rúben Amorim na dosagem de esforço dos mais utilizados, gerindo a condição física dos jogadores e simultaneamente a disposição anímica do balneário. Doravante, socorramo-nos então do dobro do sintético para nos aproximarmos de algo que se assemelhe a uma análise, substituindo a relva e o Amorim por Kant e Hegel em busca de uma síntese filosófica que explique o que se passou ontem em Berna.

 

A síntese filosófica é um processo que deriva do simples para o composto, do elemento para o todo, das causas para as consequências, com o objectivo último de defender uma ideia através da argumentação. Como tal, comecemos pelo mais simples, o elemento, o jogador: Coates e Paulinho foram poupados a um piso demolidor para as articulações e ficaram em Lisboa. Trincão, que pegou de estaca e muito tem jogado (e jogado muito, também) desde que o novo ano brotou, e Morita, em acção recente na Taça de Ásia, não iniciaram o jogo por gestão da sua condição física. Se estas foram as causas, tudo isto conjugado deu a oportunidade a Edwards, Bragança, Matheus Reis e, mais tarde, aos estreantes Nel e Koba de jogarem, solidificando a união do balneário, pelo que a única consequência negativa para o todo (a equipa) foi um desempenho menos bom do nosso meio-campo. Tratou-se de um risco, creio que calculado, que o nosso treinador assumiu correr, mas a verdade é que a dupla Bragança-Hjulmand não funcionou, não conseguindo controlar os tempos de jogo e dando demasiado espaço (por vezes, avenidas) aos nossos adversários no miolo do terreno. Então, o que nos valeu? Bom, desde logo a excelente acção dos nossos 3 centrais, em especial de Eduardo Quaresma e de Gonçalo Inácio, que numas vezes deram o corpo ao manifesto e noutras fizeram valer a antecipação para evitarem males maiores. E depois a acção de Edwards e de Gyokeres na frente (Pote esteve muito activo, mas desinspirado na definição), que puserem sempre em sentido as pretensões helvéticas de avançar mais as suas linhas, com o "plus" do sueco ter arrancado desde cedo um cartão amarelo ao seu marcador directo (quando mais tarde ficámos a jogar contra 10, senti-me um voyeur a espreitar o que é jogar como o Benfica), ele que foi carregado à margem das leis tantas vezes quantas as que ousou transformar a defesa do Young Boys num queijo suíço. [Emmental (que até é de Berna), meu caro Watson.] 

 

No fim, gerindo até ao limite (os nossos dois melhores jogadores, Gyokeres e Pote, foram descansar com um quarto de hora mais descontos por cumprir), Amorim venceu a triplicar: o jogo, a condição física dos jogadores e o balneário. Especulou e foi feliz, que o controlo esteve à beira de se descontrolar em momentos como o do "frango" de Adán ou dos golos anulados ao Young Boys e o golo inaugural do jogo foi na realidade um auto-golo. Não que o Sporting não fosse muito superior aos suiços, mas porque Amorim quis ganhar em Berna a pensar em Moreira de Cónegos. Legítimo, evidentemente, mas não necessariamente sinónimo de uma menor ambição europeia, espera-se. Pelo menos a fazer fé no lema do nosso fundador: "TÃO GRANDES COMO OS MAIORES DA EUROPA". 

 

Um dia, num treino do Varzim, o Joaquim Meirim, que tinha tanto de filósofo como de psicólogo e louco, disse a um guarda-redes espanhol que lá treinava, Jose Luis de seu nome, que era o melhor da Europa. Quando este então o inquiriu sobre a razão por que não jogava, Meirim respondeu-lhe que o Benje era o melhor do Mundo. O Sporting pode até ganhar a Liga Europa, mas a condição de melhor equipa da Europa paradoxalmente não lhe garante o título máximo doméstico. Por isso há que fazer pela vida, externa e internamente. E ser objectivo, que é como quem diz, sintético. Serve como análise? (Deu para "dobrar" os suiços.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Eduardo Quaresma. Edwards, Inácio e Gyokeres estiveram em bom plano. 

P.S. (Sobre o excesso de futebol nas televisões.) À hora a que termino esta crónica está a começar mais um jogo no 11, canal sempre na vanguarda da promoção do futebol exótico. Parece que é em casa (casota?) do São Bernardo. Não ouvi o adversário, mas suspeito que seja o Pastor Alemão. Ou então o Serra da Estrela, o que daria um belo clássico de montanha.

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15
Dez23

Tudo ao molho e fé em Deus

Seguidores de Drucker


Pedro Azevedo

O economista e consultor de gestão Peter Drucker dizia que os resultados são obtidos através da exploração de oportunidades e não pela solução de problemas. E o Sporting levou a sua lição à letra: Trincão foi igual a si próprio, Esgaio idém, mas os leões globalmente fizeram um jogo sério e empenhado e souberam explorar bem a necessidade que o Sturm Graz tinha de ganhar o jogo a fim de se apurar para a Conference League sem ficar tão dependente do resultado do Rakow. 

 

Num jogo aberto, Sporting e Sturm Graz alternaram o domínio durante o primeiro tempo, período onde o equilíbrio foi notório. Curiosamente, quem se desequilibrou foi o árbitro, que caiu, levantou-se e correu com a bota mais à mão até ter de finalmente parar o jogo para se calçar - uma lição para quem acha que não se consegue "descalçar a bota" da arbitragem. Em contra-ciclo, quem nunca fica "descalço" com Gyokeres em campo é o Sporting. Mas já lá vamos... Se logo a abrir o Sporting teve uma oportunidade por Nuno Santos, os austríacos replicaram com uma ocasião ainda mais clara através de um cabeceamento parado por Israel com muita fotogenia. Até que o Matheus Reis tabelou com o Nuno Santos, deixou um defesa com os olhos à Marty Feldman (Mel Brooks) e cruzou exemplarmente para o Gyokeres empurar de pé esquerdo para golo. Grande jogada! Depois, o Gyokeres desarmou um adversário no nosso meio campo e soltou um vendaval até às imediações da área austríaca, passando então ao Paulinho. Este, primeiro, temporizou e depois centrou para o sueco cabecear de forma cruzada, testemunhando o guarda-redes a voar em contra-pé e a bola a esbarrar contra o poste. O suficiente para o Gyokeres, que merecidamente foi descansar para o banco. Para segunda-feira a Protecção Civil anuncia mais vento forte e possibilidade de precipitação... de golos (mas com o Pepe em campo, o "mau tempo" já era garantido).

 

Se na primeira parte o jogo foi repartido, na etapa complementar o Sporting dominou por completo. O recém-entrado Morita contribuiu bastante para isso, na medida em que mostrou uma percentagem de sucesso no seu passe de primeira bem superior à de Hjulmand, o que melhorou a fluência do nosso jogo e nos permitiu ganhar tempo e encontrar espaços por onde ferir os austríacos. Além de que as suas características compatibilizam-se melhor com as de Bragança em jogos em que o adversário não mostra grande intensidade e o Sporting tem mais posse, ambos privilegiando um jogo de passe rápido e desmarcação constantes que foi baralhando as marcações dos austríacos, que nunca encontravam o momento certo de atacar a bola. Quando o meio campo funciona bem, logo aparecem espaços entre-linhas e nas alas e melhor se realçam as virtudes do modelo de jogo em boa hora implementado por Rúben Amorim. Assim também aconteceu ontem, embora a má definição na área nos tenha impedido de alargar a vantagem dessa forma, pelo que os golos acabariam por chegar no seguimento de pontapés de canto, com Inácio, que também só entrou no segundo tempo, a bisar. Pouco mais haverá a destacar, com a excepção da oportunidade concedida ao jovem Essugo de jogar fora da sua posição natural. Um clássico de Rúben Amorim, mas, enfim, também ninguém é perfeito, não é verdade?

 

Para quem já viu uma Valsa em Linz, que mais parecia uma Tragédia Grega, e Ópera Bufa em Viena e Salzburgo, este ensaio geral com a (S)turma de Graz até não correu nada mal. Aproxima-se agora o jogo grande que os Sportinguistas acreditam ser aquele em que a equipa se vai finalmente mostrar à altura do lema do seu fundador, respeitando o adversário mas segura do seu valor. Se jogador por jogador e mesmo colectivamente vejo o Sporting como superior, não se pode descurar o peso que os duelos individuais poderão ter. Principalmente quando as forças começarem a ceder e houver menos compensações. Pelo que na forma como Esgaio (e o Diomande na dobra) lidará com Galeno, ou Edwards conseguirá ou não desequilibrar pelo centro-direita, dependerá muito provavelmente o resultado final do jogo. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Hidemasa Morita. (Matheus Reis merece uma menção especial pela jogada do primeiro golo, Gyokeres teve 1 minuto de sonho que valeu pelo jogo todo e Gonçalo Inácio já leva 3 golos nos últimos 2 jogos.) 

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21
Abr23

Tudo ao molho e fé em Deus

Edwards e Ugarte contra o passeio dos Allegri


Pedro Azevedo

O futebol tem tanto de imprevisível como de injusto. Aquando do sorteio, poucos na Europa não deram o favoritismo à Juventus, clube com inúmeros troféus continentais, não faltando até quem perspectivasse um passeio dos Allegri (mas sem o Júlio Isidro, que como se sabe é dos nossos). Só que o futebol joga-se dentro das 4 linhas e não nos museus, e no relvado o Sporting foi menos competente no capítulo especifico da finalização mas revelou-se melhor equipa que a Juventus em cada um dos jogos da eliminatória. E se na primeira mão foi Morita a empunhar a batuta, ontem Ugarte encheu o campo. Depois, o perigo veio de Edwards, que revelou a calma suficiente para explorar os espaços que o caos provocado pelos seus arranques e recuos ia abrindo na defesa italiana. Faltou eficácia na finalização, que é como quem diz, um ponta de lança que pusesse a bola lá dentro, porque do outro lado pouco mais houve que Rabiot e a Táctica do Cuadrado (sempre perigoso na ala direita). Inquirido sobre o assunto em conferência de imprensa, o Amorim defendeu-se, argumentando que Liedson, Derlei ou Slimani, todos reconhecidos como bons ponta de lança, nunca tinham sido campeões no Sporting, ao contrário de TT e Paulinho, omitindo porém que o ex-braguista, no ano do título, tinha chegado com o Sporting já 10 pontos à frente (finalizou com 5). Eu compreendo o Rúben, mas se fossemos levar estas palavras à letra então concluiríamos que com pontas de lança assim-assim estaríamos mais perto de ser felizes do que com pontas de lança bons, o que não parece ser um grande silogismo aristotélico: "O Sporting tinha pontas de lança assim-assim, o Sporting foi campeão, logo pontas de lança assim-assim são campeões". E a negativa: "O Sporting tinha pontas de lança bons, o Sporting não foi campeão, logo pontas de lança bons não são campeões". É claro que parece simplista de mais. Desde logo porque despreza o enorme volume de jogo que o autoritário Sporting treinado por Amorim apresenta (o que não era o caso no ano do título, quando se jogava mais em transição e o que se pedia ao ponta de lança era que esticasse na profundidade), o qual muito beneficiaria de um bom ponta de lança. E é esse o grande drama: ao insistir, teimosa ou obstinadamente, em não contratar um ponta de lança bom, usando como argumento Liedson, Derlei e Slimani, Amorim ignora que Liedson e Derlei nunca foram treinados por ele e que Slimani foi por ele devolvido à precedência sem poder mostrar todo o seu potencial. Ou seja, Amorim ignora a sua própria influência num Sporting dominador e controlador dos jogos como nunca, agarrando-se a um conjunto de premissas débeis para chegar a uma conclusão frágil. Porque, com este volume de jogo, um ponta de lança faria toda a diferença. Ou serei só eu a ver que o Liedson de outros tempos, o tipo de ponta de lança móvel de que o Amorim gosta, assentaria que nem uma luva neste Sporting? Recusando-se a ver o óbvio, Amorim está a ser humilde ao ponto de não ver o impacto que tem na qualidade de jogo do Sporting, impacto esse que seria ainda maior com um grande goleador. Pelo que a pergunta que se impõe é esta: até quando será Rúben Amorim o maior inimigo dele próprio? E resistirá o Sporting a isso? E se o ponta de lança finalmente chegar, mas no lugar de Amorim já estiver alguém com bem pior ideia de jogo? Quem foi capaz de miraculosamente esbater bastante as saídas simultâneas de Palhinha e de Matheus e de rearranjar a ala direita pós-venda de Porro, merecia que um bom ponta de lança fizesse o resto do trabalho por si. Ou não? 

 

Quási

"Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe d'asa...
Se ao menos eu permanecesse àquem...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dôr! - quási vivido...

Quási o amor, quási o triunfo e a chama,
Quási o princípio e o fim - quási a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dôr de ser-quási, dor sem fim... -
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos d'alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ansias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indicios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sôbre os precipícios...

Num impeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

. . . . . . . . . . . . . . .
. . . . . . . . . . . . . . .

Um pouco mais de sol - e fôra brasa,
Um pouco mais de azul - e fôra além.
Para atingir, faltou-me um golpe de aza...
Se ao menos eu permanecesse àquem..." - Mário de Sá Carneiro

 

P.S.1. Mário Jardel, Beto Acosta, Manuel Fernandes, Rui Jordão e Hector Yazalde foram excelentes pontas de lança e... campeões! 

P.S.2. O Liedson e o Derlei, com o Paulo Bento, e o Slimani nunca ficaram em quarto. 

 

Tenor "Tudo ao molho": Marcus Edwards

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14
Abr23

Tudo ao molho e fé em Deus

Muita parra para nenhuma uva


Pedro Azevedo

Vecchia Signora? Não, uma Senhora com "vaca".

 

No que diz respeito a sentimentos, Deus poupou-me na inveja e carregou-me no orgulho. Devido a isso, admiro o mérito dos outros e sou fã número 1 de todos os que, em concorrência leal e no respeito por valores e princípios em que me revejo, fazem a diferença nas mais diversas profissões e sectores de actividade. Exactamente por isso, senti-me orgulhoso com a exibição de ontem do Sporting. E o mérito é todo de Rúben Amorim, o treinador que vai criando o Sporting com maior personalidade europeia de que eu tenho memória. Dominando, em Turim ou em Londres, colossos do Velho Continente. Dirão que o Sporting não ganhou, que no fim do dia até perdeu. É uma forma de analisar as coisas, mas sinceramente não é a minha. Porque assim como o resultado positivo muitas vezes esconde um processo negativo, por vezes resultados negativos escondem processos muito positivos. Por isso tantas vezes discordo da critica desportiva enviezada pelos resultados. Que, no caso do futebol, olvida que se trata de um jogo e assim tem uma componente de aleatoriedade inerente, de sorte ("vaca") ou azar, que não pode ser desprezada ou até explicada. Sim, muitos agora dirão que a explicação está na ausência de um ponta de lança de créditos firmados, procurando uma razão científica para um resultado percepcionado como amplamente injusto. Mas eu, que até tenho sido especialmente crítico de não termos um matador, rebato com o facto de as melhores oportunidades de ontem terem ido parar aos pés ou cabeça de Pote, Morita (duas), Nuno Santos e Bellerin. Sendo que Pote é há 3 épocas consecutivas o nosso melhor marcador. Assim, atribuo muito mais a nossa derrota de ontem à falta de experiência a este nível, o que na hora da verdade faz tremer um pouco, razão pela qual falhámos tantos golos e perdemos tantas jogadas no último terço por má definição na finta ou passe, oportunidades em barda proporcionadas por um meio campo que distribuiu e recuperou inúmeras bolas e municiou vezes sem conta o ataque. Não esquecendo que do outro lado não estavam propriamente uns bidões, mas sim jogadores de um clube que foi duas vezes finalista da Champions nos últimos oito anos. E que, para cúmulo, beneficiou de um erro grosseiro de Adán - o erro individual faz igualmente parte do jogo, mas é muito mais evidente aos olhos do público que o erro colectivo - para ganhar o jogo.

 

Se Rúben Amorim é o principal responsável pela revolução de mentalidades que vem permitindo este upgrade competitivo do Sporting na Europa, a ele também devem ser assacadas responsabilidades por alguns erros e défice de motivação na frente doméstica. É certo que perdeu inesperadamente Matheus Nunes e as soluções em qualidade para o meio campo não abundam, mas a opção em relação à posição específica de ponta de lança é dele e muitos golos se perderam em jogos em que massacrámos adversários claramente inferiores por ausência de um matador certificado. Esta época e na anterior. (Além de que a opção por inventar centrais onde havia alas nos custou pontos.) E houve outros jogos, menos, onde a equipa apareceu estranhamente apática, a deixar correr o marfim, a tal questão motivacional. Bom, mas isso é tema para outro dia. Hoje gostaria ainda de realçar o enorme jogo de Morita, um jogador que eu vejo sistematicamente ser subvalorizado pela crítica, eventualmente por vir de um país que não é uma potência no futebol. Pois o Morita ontem colocou no bolso o Rabiot, o motor e grande ligador do jogo da Juve. E ainda teve disponibilidade e iniciativa para ir lá à frente criar perigo em duas ocasiões. No resto do tempo encheu o campo, deliciando-nos com um posicionamento perfeito, recepções imaculadas, passes precisos e cortes preciosos. Ainda por cima jogando fora da sua posição natural. Um manual de bom futebol, este nosso Tsubasa!

 

Se o verdadeiro sucesso está relacionado com as escolhas que fazemos para o tentar alcançar, então curiosamente o Sporting teve maior sucesso que o Benfica nesta jornada europeia. É certo que ambos perderam. Porém, enquanto o Sporting foi infeliz mas fez quase tudo para ganhar, o Benfica transmitiu a sensação de que especulou demasiadamente com o jogo e deixou muito por fazer. Ou seja, nesta jornada em particular, o Sporting mostrou mentalidade de clube grande e o Benfica ficou aquém da sua história, mostrando-nos que no futebol a realidade está em permanente mutação e que até treinadores que revolucionam o futebol de um clube, como Schmidt, têm ciclos menos positivos. Tal como Amorim. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Morita. Destaques especiais para Coates e Pote.

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13
Abr23

Mais difícil ainda do que o Arsenal


Pedro Azevedo

A meu ver a Juve é um osso mais duro de roer que o Arsenal pelos seguintes motivos: 1 -Não assume tanto o jogo, é mais cínica; 2 - Tem jogadores do restrito topo do futebol mundial, como Di Maria, capazes de resolver um jogo sozinhos. Ora, sabendo-se que a genialidade é geralmente intermitente, a sua presença é mais relevante numa competição a eliminar do que numa prova de regularidade (excelentes equipas vencem campeonatos, excelentes jogadores podem ser o detalhe necessário para ganhar Taças); 3 - Tem mais historial nas competições europeias; 4 - Pertence a uma escola de futebol com que tradicionalmente as equipas portuguesas não encaixam bem; 5 - Tem um impacto superior junto dos diversos agentes do futebol.   

 

Dito isto, o jogo iniciar-se-á com um zero-a-zero e a "bagagem" ficará no balneário ou autocarro. Do nosso lado tem de haver um espírito de equipa indomável, motivação no máximo (são estes jogos que ambicionamos disputar, Turim será uma grande montra para os nossos jogadores e clube) e a percepção de que nos encontramos perante uma oportunidade histórica de seguir rumo à glória. Serão 5 finais, e Turim apenas a primeira. Força, Leões!

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17
Mar23

Tudo ao molho e fé em Deus

Contra os Canhões marchar, marchar


Pedro Azevedo

Desde que o Arsenal nos coube em sorteio que alguma coisa me dizia que iríamos passar. À primeira vista, tal pensamento seria puramente emocional, de um emocional nada confundível com o conceito de inteligência relacionado que Goleman, Boyatzis e McKee anunciaram ao mundo e, portanto, potencialmente néscio. Mas, à medida que ia descascando as camadas epidérmicas dessa emoção, ia descobrindo razões além da não-razão evidente, e assim acalentando o sonho. Que o Arsenal liderava (e lidera) o melhor campeonato do mundo era um facto conhecido de todos e razão suficiente para ponto final, parágrafo, a eliminação do Sporting estar entregue ao Criador. Mas depois havia o histórico favorável do Sporting contra equipas inglesas e a sensação de que tendo uma grande equipa - só uma máquina bem oleada poderia dominar uma Liga onde coexistem os gigantes do noroeste de Inglaterra (United, City e Liverpool) - e muito bons jogadores, não possuía aquele tipo de craques à escala planetária, ditos fora de série, capazes de só por si desequilibrarem um jogo renhido. Ou seja, via mais o Arsenal como uma equipa consistente do que de galácticos, e assim mais de Campeonato do que de Taça(s). Ainda assim, tudo teria de correr extraordinariamente bem para que tivessemos uma hipótese de discutir a eliminatória. E correu! Quer dizer, uma pessoa vive mais de 50 anos na esperança de que aquele chapéu do Pelé ao Viktor (Mundial de 70) finalmente entre na baliza checa e de repente vê o Pote de Ouro a fazê-lo com aquela inconsciência típica dos predestinados e fica sem fôlego. Aquilo foi o pináculo da perfeição, a Capela Sistina transposta para um campo de futebol, um traço de sagrado em algo que é iminentemente pagão. E, por isso, rimo-nos, esse sorriso reproduzindo uma faculdade só concedida entre todas as espécies aos humanos, quiçá também esse um rabisco de sagrado atribuído por Deus aos mortais e assim oferecido a nós, Sportinguistas, naquele preciso momento. A um golo que mais pareceu ter sido gerado no Céu teria de corresponder um Adán de nome bíblico e actuação imaculada, sem pecado original porque é de Redenção que aqui falamos. Dele e do Sporting, novamente a brilhar na Europa numa época em que domesticamente as coisas não têm estado a correr nada bem. Mas não foram só Pote e Adán a iluminar a noite londrina: St Juste, o nosso Flying Dutchman, tirou bilhete de primeiríssima classe e voou baixinho no Emirates, muitas vezes escapando aos radares ingleses; Diomande, qual veterano, fez soar os carrilhões de Mafra sobre os britânicos de cada vez que estes se abeiravam da nossa linha defensiva (a ele competiu o papel habitualmente desempenhado pelo capitão Coates) e Ugarte, bem, Ugarte foi o Atlas que transportou o mundo leonino às costas nos bons e maus momentos, organizando e procurando sempre jogar pelo chão, que não é por acaso que não há relva no Céu. Havendo justiça no futebol, o Sporting deveria ter ganho a eliminatória no tempo regulamentar. Mas tivemos de ir a prolongamento, onde a falta de profundidade e traquejo do nosso plantel se fez sentir um bocadinho. Sobrevivemos e fomos para penáltis. Aí ajudou bastante termos um guarda-redes que também é craque a jogar à moeda, primeiro escolhendo a baliza e depois a bola, pelo que seria perante os nossos adeptos que haveria de negar o golo a Martinelli, garantindo uma vitória entretanto alicerçada na destreza de 5 jogadores que apontaram certeiramente às redes. No fim, tudo acabou em bem. Foi um dia de glória para o Sporting e para a "leoninidade", neologismo à medida de um tempo em que é preciso agregar (o "aggiornamento") e empolgar a enorme maioria silenciosa de adeptos. Agora, há que aproveitar os ecos desta retumbante vitória e construir um edifício sólido europeu assente nesta primeira pedra. É essa a responsabilidade que herdamos, mostrando que a eliminação do Arsenal não foi um fogacho mas sim um meio para atingirmos um fim só por uma vez alcançado há 59 anos. Eu acredito!

 

Contra os Canhões (Gunners) marchar, marchar...

 

P.S. Enquanto não ganhamos a Liga Europa, vamos coleccionando candidatos ao Prémio Puskas. Depois de Nuno Santos e de Pote, no espaço de 4 dias, já só falta a FIFA escolher o terceiro golo a concurso. Fica então o hat-trick marcado para 2 de Abril, data em que receberemos o Santa Clara. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Antonio Adán

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16
Mar23

Crença


Pedro Azevedo

Por vezes o futebol desafia a lógica, e é para esses momentos que vivemos enquanto adeptos. A nossa história já foi de hegemonia, mas num dado momento perdemo-nos no caminho. Tivemos de aceitar a derrota e procurar vencer novamente, insistir e perseverar. Não tem sido fácil, mas após cada soco atordoante temo-nos conseguido levantar e procurar o golpe vitorioso. Já ganhámos aos pontos, como em 20/21, hoje necessitamos de um KO. Não resolverá todo o futuro, mas dar-nos-á um suplemento de alma e crença no que está para vir. Força, Sporting! 

09
Mar23

Tudo ao molho e fé em Deus

Canhões de pólvora seca


Pedro Azevedo

O Johan Cruijff, que sabia uma coisa ou outra sobre o jogo e não consta que tivesse uma doença oftalmológica, costumava dizer que nunca tinha visto um saco de dinheiro ganhar uma partida de futebol. Produto das escolas do Ajax, ele havia visto crescer uma equipa da formação do clube que para os obcecados do Transfermarket não teria qualquer hipótese na Europa. Porque o país não tinha história no futebol mundial, e assim a cotação dos miúdos era perto de zero. Até que a equipa se mostrou ao continente, marcando desportivamente a década de 70 e influenciando as décadas futuras. Ora, por falar em décadas, é "décadente" tanto se ouvir falar de orçamentos. Na antevisão do jogo, na televisão ou rádio, todo o papagaio falava que o plantel do Arsenal valia 3 ou 4 vezes mais do que o do Sporting. Evidentemente, isso não levava em linha de conta que no futebol inglês as cotações estão muito inflacionadas, daí a progressão geometrica que se verifica na cotação dos nossos quando se começa a falar em transferências para Inglaterra. Em todo o caso, o assunto era dado como encerrado: o Sporting estava condenado, faltando saber por quantos golos perderia. Custa a crer como nos demos ao trabalho de ir a jogo...  

 

Bom, mas isto aconteceu antes do jogo. Ou foi o pré-jogo, o jogo falado, aquele que precede o jogo propriamente dito e serve como barómetro da mentalidade do nosso clube e dos nossos adeptos. Porque, depois, olhos nos olhos e equipa adversária bem estudada, o Sporting teve tudo para ganhar. Bastaria para tal que o Paulinho tivesse marcado o terceiro e o Morita não fosse alvo de uma carambola provavelmente concebida nas trevas. Sim, esse minuto 62 marcou a transição entre a ilusão de tocar no céu e a ameaça de descida ao inferno. Ficámos então pelo purgatório, o que é um meio termo. Até à próxima quinta-feira, o que apesar de tudo é um prazo razoável para uma vida estar em suspenso. 

 

Quanto ao jogo jogado, o elevador de St Juste esteve sempre lá em cima, foi o melhor em campo. O meio campo aguentou-se como pôde, e se não pôde mais foi porque o plantel não tem jogadores que ofereçam garantias ao treinador nesse sector do campo para poderem entrar a substituir os titulares. Edwards impressionou enquanto teve pilhas, constando na ficha dos nossos dois golos, e o Trincão voltou à sua irrelevância. O Paulinho marcou um golo de oportunidade, mas falhou outro cantado, isolado perante o guarda-redes. Tive pena de não ver o Chermiti mais cedo em campo, mas, como o Transfermarket só lhe atribui 3 milhões de euros de valor, os nosso adeptos devem ter ficado aliviados por lhes terem poupado a humilhação de o mostrar muito tempo àqueles colossos bem-valorizados que o Arsenal aqui mostrou. Uma palavra para o Matheus Reis, que condicionou bem o Saka. E outra para o Inácio, com os cumprimentos ao Fernando Santos (parece que já o estou a ver a marcar por Portugal à Polónia...).

 

O Arteta não ponha o Odegaard e o Trossard, não, e vamos ver a  surpresa que a segunda mão lhe reservará. Enquanto houver vida, haverá esperança. E Transfermarket, respirem fundo os negacionistas (da história do clube) do costume. (Os nossos jogadores acreditam, e serão eles que irão a jogo.)

 

P.S.1: O Diomande jogou com a mesma naturalidade com o Arsenal e o Portimonense, não se intimidou com nomes. Aí está o exemplo de alguém que não é puxa-saco (de dinheiro)...


P.S.2: O Maguire custou quase 100 milhões de euros ao Manchester United e eu não trocaria uma perna do Gonçalo Inácio por ele.  

Tenor "Tudo ao molho...": St Juste

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09
Mar23

Contra os Canhões, marchar, marchar


Pedro Azevedo

Hoje há jogo grande em Alvalade, um daqueles desafios que fazem justiça à história do nosso clube. O Sporting nasceu para isto, para os grandes palcos, os duelos de suster a respiração, o medir forças com os maiores da Europa. Não será fácil, obviamente, mas a ambição expressa no lema do nosso fundador tem de estar lá, razão pela qual nada devemos temer. 

 

Este Arsenal faz muito lembrar o nosso Sporting de 2020/21. Na Premier League é o "underdog", mas não se tem dado nada mal. Assim, lidera um campeonato onde tem como contendores os 2 gigantes do noroeste inglês, Manchester United e Liverpool, um dos principais novos-ricos do futebol mundial, o Manchester City, e os rivais londrinos, Chelsea e Tottenham. O segredo do seu sucesso está na sociedade das nações que se estabeleceu a meio campo entre o músculo de Partey, o cérebro de Xhaka e a criatividade de Odegaard, uma parceria em que o ganês faz com que todos à sua volta sejam melhores, o suiço traz intensidade e caixa de rirmos e o norueguês encontrou o habitat certo para quem é um mestre em descobrir espaço entre-linhas por onde solta o génio da sua lâmpada. Um caso paradigmático da máxima de que o todo é superior à soma das individualidades, três jogadores que estavam a ficar aquém do talento que cedo lhes apontaram mas ligaram instantaneamente nos "Gunners" (canhões). Não se pense, porém, que o Arsenal se fica por aí. Não, a equipa torna-se especialmente perigosa quando a bola chega aos pés de Saka, um ala imprevisível, veloz, habilidoso e com golo. Também as movimentações radiais de Trossard são temíveis, assim como o vai-vem constante de Martinelli no corredor. (Do meio campo para a frente, esta é a melhor equipa do Arsenal, mas com a luta na Premier ao rubro é possível que haja alguma gestão do plantel.)

 

Para vencer o Arsenal, o Sporting tem de ter bola. Apesar de fazer falta no ataque, a eventual inclusão de Pote no meio campo permitir-lhe-á estabelecer um dueto central de jogadores cerebrais com Morita, reforçando a inteligência do nosso jogo. A chave estará aí, na conjugação da leitura de jogo dos nossos médios com a fogosidade dos alas Nuno Santos e Bellerin. A forma como se conseguirem articular, com e sem bola, será determinante no desfecho da partida, num jogo onde os interiores terão necessariamente de fechar os flancos. Assim, não podendo deixar de contar com os desequilíbrios de Edwards, é possível que Rúben Amorim venha a incluir Arthur no Onze devido ao seu maior compromisso defensivo. E, num jogo onde teremos de estar permanentemente ligados à electricidade e dar tudo, a energia contagiante de Chermiti poderá ser determinante, pelo que talvez Amorim aposte na sua titularidade.

 

Força, Sporting!!!

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17
Fev23

Tudo ao molho e fé em Deus

Ornatos de Ponta de Lança


Pedro Azevedo

"Ouvi dizer que o nosso amor acabouPois eu não tive a noção do seu fimPelo que eu já tenteiEu não vou vê-lo em mimSe eu não tive a noção de ver nascer um homem (Chermiti) (...)

 

(...) (Agora a parte em que entra o Espadinha, desconhece-se se à estalada)

O estádio está desertoE alguém ecoa o teu nome (Paulinho) em toda a parteNas casas, nos carros, no (Leonel) Pontes, nas ruasEm todo o lado essa palavraRepetida ao expoente da loucuraOra amarga, ora docePra nos lembrar que o amor é uma doençaQuando nele julgamos ver a nossa cura" - adaptação livre de "Ouvi Dizer", dos Ornatos Violeta

 

Desde a "Antiguidade Clássica" de Rúben Amorim no Sporting que a nossa equipa se vê grega em inferioridade numérica no meio campo. Primeiro com Matheus e Wendel, depois (época do título) com Palhinha e João Mário (34 jogos) e Matheus (39 jogos) sempre pronto a entrar quando o diesel do agora benfiquista chegava ao fim (o que não acontece agora quando Morita "dá o berro"), na temporada passada com Palhinha e Matheus (e Ugarte como opção). Mas havia Palhinha e/ou Matheus, dois super-heróis com poderes especiais que valiam por três jogadores, pelo que a aritmética desfavorável só era absolutamente nítida quando enfrentávamos outros super-poderes na Europa. Havia risco, sim, mas controlado. Só que agora não há Palhinha. Nem Matheus. Há Ugarte e Morita, que são bons mas humanos, não caíram no caldeirão da poção mágica em pequeninos como o Obelix nem foram banhados no rio sagrado como o Aquiles. Sem Morita, Amorim decidiu desafiar ainda mais os deuses e as probabilidades e deixou o uruguaio sozinho no centro do campo. Muitos vê-lo-ão como uma imprudência, eu tomo-o como uma tentativa de homicídio. Passo a explicar: a esforçar-se desta maneira, se não morrer entretanto, o Ugarte acabará a carreira como um ancião aos 25 anos. E, até lá, não haverá uma companhia de seguros disposta a vender-lhe sequer uma apólice de saúde, quanto mais de vida.   

Vem a "Antiguidade Clássica" de Amorim no Sporting a propósito do seguinte silogismo aristotélico: Rúben afirma frequentemente que o futebol é o momento. Ora, em grande momento estava o Chermiti, com golos, assistências e arrastamentos para golo. Assim sendo, o Chermiti deveria ontem ter sido titular. Mas não, em vez do silogismo triunfou o associativismo. E o Paulinho é que foi a campo. É o amor de perdição de Amorim, o Camilo até já escreveu sobre isto. Restará saber se em prol do associativismo não os veremos em simultâneo a deixar Alvalade. Com o Esgaio e o Trincão a transportarem as malas à saída. Talvez então o Rúben se liberte da escuridão e não mais renegue a realidade como ela é, embora quem despreze Aristóteles também possa nada aprender com um  seu mentor (Platão, aluno de Sócrates e autor da Alegoria da Caverna).

 

Outra coisa que me intriga é o início de construção da nossa equipa. Há quem lhe chame saída de bola, mas no nosso caso é mais "saída de barra". É que as chuteiras do Adán devem ter sido feitas na Lisnave, ali bem perto de onde o rio desagua no mar...(Temos aqui um caso paradigmático de construção naval, tanta é a água que se mete no processo, razão pela qual esta temporada vamos permanecer em doca seca... de títulos.)

 

Andamos quase todos aqui às voltas com a vontade de recuperar o melhor Amorim (esse pelo menos fez-nos campeões, que garantias nos darão os que se seguirão?) que até nos esquecemos das responsabilidades de Frederico Varandas. É que bom presidente não é o que passa a perna ao treinador ao vender-lhe o Matheus, bom presidente, sim, é o que estende a mão ao treinador e despacha o Paulinho para longe, para as arábias ou assim, onde se poderá associar com os camelos de duas e uma bossa (dromedários) e assim aprender como armazenar energia, conhecimento que lhe poderá ser muito útil na hora de rematar à baliza. [Em tirocínio, ontem até me pareceu vê-lo a transportar qualquer coisa (seria a bola?) nas costas.] Com a ajuda do super-empresário Mendes, pois claro, que vender seca (de golos) no deserto não deve ser tão fácil quanto "enganar ingleses" com o Bruno e o Matheus, ao melhor estilo do Zezé Camarinha. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Manuel Ugarte, qual Atlas a levar às costas o mundo do leão. 

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24
Set20

Tudo ao molho e fé em Deus

Antevisão da Liga Europa


Pedro Azevedo

Quando soube que o Sporting iria jogar com esta equipa escocesa lembrei-me da minha estadia em Londres e de um restaurante da cadeia Aberdeen Steak House que se situava perto da minha casa. Fiquei por isso a pensar que Aberdeen o Sporting iria apanhar, se uns “sirloin steak” (vazia), uns “fillet steak” (lombo), ou simplesmente uns bifes cheios de nervos. A própria forma de degustação também me ocorreu: bem passado ou mal passado, cheguei à conclusão que o importante seria a digestão ser proveitosa. Para que tal se processe, talvez seja necessário um catalisador de todo o metabolismo. Como os eslovenos estão na moda desde o Tour, não tendo Pogacar ou Roglic para pedalar por nós, pensei no Sporar. Assim, na antecâmara, ou ante câmara (de ar) do jogo, estou para aqui a sonhar com uma bicicleta decisiva do nosso ponta de lança. O suficiente para não provocar azia no organismo, apesar de como efeito colateral haver decerto algum pneu envolvido. Consequência do consumo em excesso de gorduras, por muito que o músculo estimulado pela recente adição de fibras jovens o disfarce.

 

E o Leitor? Como antevê o jogo de logo à noite?

 

P.S. Não foi de bicicleta, foi mesmo de todo-o-terreno (TT). 

22
Set20

Pensamento do dia


Pedro Azevedo

"Um dia tudo será excelente, eis a nossa esperança; hoje tudo corre pelo melhor, eis a nossa ilusão" - Voltaire

 

P.S. Boa sorte para a nossa equipa na Quinta-feira, numa eliminatória fundamental para nós tanto do ponto de vista financeiro como desportivo. Sobre contas, e mais concretamente sobre Orçamento e Relatório e Contas do Sporting Clube de Portugal (e não da Sporting SAD, tema sobre o qual me tenho debruçado em sucessivas análises trimestrais), falaremos na Sexta-feira. (Entretanto, as minhas questões sobre o Orçamento para 2020/21 e R&C de 2019/20 do Sporting já foram formuladas através do "link" que o clube disponibilizou para o efeito.)

16
Ago20

Pró-Bono


Pedro Azevedo

Julien Lopetegui, treinador que não deixou saudades na cidade do Porto, especializou-se em ser o carrasco dos portugueses na Liga Europa. Primeiro eliminou a Roma de Paulo Fonseca, depois afastou o Wolverhampton de Nuno Espírito Santo, Ruben Vinagre, Moutinho, Ruben Neves, Jota, Podence e Pedro Neto, agora despachou o United de Bruno Fernandes a caminho da final. Sendo certo que no futebol não há justiça ou injustiça, os "Red Devils" foram muito penalizados pela sua falta de eficácia. Bruno ainda adiantou os de Manchester no marcador, mas os sevilhanos viriam a operar a reviravolta. Uma vitória pró-Bono, tal a contribuição do guarda-redes para o triunfo andaluz. Todavia, um português ainda poderá ser o último a rir: Luís Castro, ao leme do Shakhtar Donetsk, defronta amanhã o Inter e ganhando encontrará Lopetegui na final da Liga Europa. 

20
Jul20

Do mal o menos


Pedro Azevedo

Bem sei, esta temporada ficará aquém dos pergaminhos do clube. Porém, com a derrota do Braga hoje em Tondela, bastará ao Sporting uma vitória na recepção ao Vitória Futebol Clube (de Setúbal) para automaticamente assegurar o 3º lugar no campeonato. Dir-me-ão que terceiro ou quarto é igual. Não é, na medida em que o último lugar no pódio garante a passagem imediata à fase de grupos da Liga Europa e mais algum dinheiro (embora nada que se compare à Champions), evitando assim o Sporting disputar duas fases a eliminar e podendo começar a época mais tarde. Uma boa notícia, portanto. (Mas é preciso ganhar amanhã.)

27
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - E tudo o vento levou


Pedro Azevedo

Campeonato Nacional... check!, Taça de Portugal... check!, Taça da Liga... check!, Liga Europa... check! Tudo conferido, deve ser a melhor época dos últimos 114 anos. De quem jogue contra nós, bem entendido. Algo que promete piorar sem Bruno Fernandes. É caso para dizer que o nosso Brexit (venda de Bruno) em termos práticos se materializou numa saída da Europa ainda mais rápida que a dos ingleses. 

 

Nem os turcos acreditavam, pelo menos a julgar pelo aspecto despido das bancadas, mas o Sporting conseguiu ser eliminado por uma equipa onde constam vários jogadores que segundo datações realizadas com Carbono-14 ainda são do tempo do império bizantino. É verdade, sob chuva e vento, os leões deslocaram-se a um parque geriátrico de Istambul e cedo começaram a ceder a vantagem que traziam da primeira mão. A tal ponto que ao intervalo a eliminatória estava perdida, cortesia de um golo de cabeça de Skrtel na sequência de um canto e de um livre directo batido por Aleksic cuja trajectória foi mal calculada por Max. 

 

Na antevisão do jogo, Silas dizia que ia surpreender os turcos. A coisa soou-me apocalíptica. Confesso que este desejo do treinador leonino de espantar cada novo adversário sempre me assustou, principalmente porque quem geralmente acaba por ser surpreendido sou eu (e todos os adeptos leoninos). É que a continuar assim, de experimentalismo em experimentalismo, arriscamo-nos a experimentar ficar fora da Europa também em 2020/21, um tipo de Experiência Sporting que certamente não estaria nos planos de Miguel Cal quando aceitou juntar o seu projecto comercial ao projecto(?) desportivo desta Direcção. Todavia, sendo camaleónico, Silas tem pelo menos a vantagem de se poder confundir com o verde, camuflando-se aos olhos dos adeptos leoninos perante os enormes erros de preparação e gestão de temporada da Estrutura liderada por Frederico Varandas que dirige o futebol do clube. 

 

O Sporting começou com Jovane como médio deslocado sobre a esquerda e Vietto no lugar de ponta de lança. Sporar estranhamente posicionava-se na ala canhota, a recrear o que Silas já tinha feito com igual inêxito com Pedro Mendes na Áustria. Porém, alguém ter-se-á esquecido de dizer a Bolasie para fechar um corredor direito leonino que se tornou uma via verde de fácil acesso para os jogadores do Basaksehir. Nesse transe, Battaglia desgastava-se em compensações a Ristovski e faltava num miolo do terreno onde Wendel voltou a adoptar o modo de samba carnavalesco. O intervalo chegou sem que o resultado pudesse ser considerado surpreendente. No segundo tempo o Sporting surgiu mais organizado, trocando mais a bola no meio campo turco e explorando as óbvias debilidades defensivas da equipa de Istambul. Assim, após um excelente centro de Acuña, Vietto surgiu no centro da área e repôs o Sporting dentro da eliminatória. Os leões tiveram então um período em que poderiam ter sentenciado a qualificação para a próxima fase, mas a deficiente qualidade da definição manteve tudo em aberto. Entretanto, Silas abriu nova autoestrada, agora no nosso flanco esquerdo, movendo para aí um inadapado Vietto (estava a ser influente ao centro) e deixando desamparado Acuña. Até que, já em tempo de compensação, novamente na sequência de uma bola parada, um golo de Visca obrigaria o jogo a ir para prolongamento, uma velha sina leonina já vivida no passado contra o Rapid de Viena ou o Casino Salzburgo. Com o prolongamento, o jogo partiu-se definitivamente. Ainda assim o Sporting foi sempre mais perigoso, muitas vezes faltando qualidade técnica de passe (Battaglia), remate (Vietto, Plata e Doumbia) ou recepção (Eduardo) para tirar partido de uma condição física melhor que a da veterana equipa turca. Até que um erro infantil de Vietto acabou por deitar tudo a perder, pois Visca não desperdiçou, de penálti, a oportunidade de bisar na partida e sentenciar a eliminatória a favor dos turcos, conseguindo assim estes cumprir o pleno de quatro golos marcados através de bola parada. E assim Basaksehir tornou-se "Basakseguir". Já nós, ficámos (por aqui). Acabou a "digressão europeia". E tudo o vento levou...

 

Crónica difícil. Agora é tempo de fechar o computador rapidamente e ir dormir, não vá o Silas me surpreender por aí e pregar-me mais um susto. Por falar em susto, talvez não fosse mau que quem tem a incumbência de zelar pelo futebol nacional pensasse na competitividade do campeonato português, seu número de equipas e condições mínimas, organização da competição e seu (bizarro) calendário. É só uma ideia... 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Acuña. Battaglia foi o segundo melhor (ou menos mau).

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20
Fev20

Tudo ao molho e fé em Deus - Banho turco


Pedro Azevedo

Não sei se já Vos havia contado, na verdade na altura nem dei conta, mas devo ter sido um dos primeiros portugueses a conhecer este clube turco. E não foi em Istambul, não senhor. Aconteceu em Lisboa, no consultório do meu oftalmologista, enquanto olhava para uma parede iluminada onde constavam as letras B A S A K S E H I R que tive de soletrar. 

 

Se o meu diagnóstico foi 20/20 em cada olho, o Sporting também esteve próximo de fazer o pleno: bastaria que na primeira parte tivesse concretizado mais algumas das inúmeras oportunidades de golo criadas para que o resultado ao intervalo se pudesse ter cifrado num 5-0. Ainda assim, um tango envolvendo o argentino Acuña e o uruguaio Coates permitiu a primeira explosão de alegria no estádio e uma dança eslava de Dvorak (entre o macedónio Ristovski e o esloveno Sporar) devorou os turcos. Destaque ainda para um grande golo de Jovane, infelizmente anulado por fora de jogo anterior de Sporar.

 

O Basaksehir era curto para o Sporting e já se sabia que o  que é estreito em Istambul liga ao mar negro, pelo que ao intervalo o cenário para os turcos não era de todo auspicioso. E, de facto, apenas 6 minutos foram suficientes para que um refinado número de bailado de Jovane deixasse os otomanos de cara à banda e desse a possibilidade a Bolasie de isolar Vietto na esquerda para um golo de grande classe do argentino. A ganhar por 3 de diferença, os leões desaceleraram, permitindo que os visitantes assumissem as despesas do jogo. Daí acabaria por resultar um golo do Basaksehir marcado por Visca após penálti cometido por Neto sobre o ex-Chelsea Demba Bá, um banho de água fria depois do banho turco servido pelo Sporting à equipa de Istambul. Bolasie, em jogada individual, fez a bola estrelar-se na barra e nos descontos, já com Gonzalo Plata em campo - jogador mais de contra-ataque, podendo aí usar o seu drible mais largo e em progressão, entrou muito bem - , Vietto, após assistência do equatoriano, desperdiçou a derradeira oportunidade de dilatar o marcador e dar outra tranquilidade para a viagem à Turquia. 

 

Pese embora a diferença pudesse ter sido maior, o Sporting realizou uma das melhores exibições colectivas da época e deu uma volta de 180º à imagem deixada em Vila do Conde apenas 5 dias antes. Os leões foram mesmo a única equipa portuguesa a vencer nesta ronda europeia, após o Benfica ter perdido em Kharkiv com o Shakhtar, o Porto sido derrotado em Leverkusen e o Braga permitido a reviravolta do Rangers. Para a melhoria da equipa leonina muito contribuiu  a adição de início de um Jovane que quebrou a percepção de que é melhor a sair do banco, realizando uma exibição de luxo principalmente durante o primeiro tempo. De destacar ainda os cruzamentos de Acuña, a estreia a marcar de Sporar (continua a fazer-me lembrar um Van Volfswinkel com menos jogo de cabeça) e a melhoria física e anímica patenteada por Battaglia. Agora resta estabilizar o carrossel de altos e baixos, manter o 4-3-3 (ou 4-2-3-1) com alas verdadeiros - o sistema que melhores resultados tem dado - e acabar definitivamente com a posse estéril de bola que ameaçava esterilizar definitivamente a vontade dos adeptos de ir à bola. 

 

Tenores "Tudo ao molho...": Marcos Acuña e Jovane Cabral

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12
Dez19

Tudo ao molho e fé em Deus - A Valsa dos Milhões


Pedro Azevedo

O Sporting jogou esta tarde em Linz. Ali, mesmo ao lado, na antiga Checoslováquia, Milan Kundera editara A Valsa do Adeus, a sua última obra escrita na terra natal. O livro é um romance onde os personagens abordam questões graves com uma inusitada leveza, fazendo-nos entender que o mundo contemporâneo nos roubou o sentido do trágico. (Não sei se isso Vos faz relembrar algo.)

 

Eliminado da Taça de Portugal, com a Taça da Liga comprometida e a 9 pontos da qualificação para a pré-eliminatória da prova raínha da UEFA, Silas decidiu não dar prioridade a um jogo europeu onde, em caso de sucesso total ou relativo (o empate servia), evitaríamos os tubarões provenientes da Champions nos dezasseis-avos-de-final. Nota-se que o Sporting actual não tem noção do ridículo quando uma partida nos Açores contra o Santa Clara assume prioridade sobre a presença europeia e obriga a poupar quase uma equipa inteira. Mas enfim, já nada nos surpreende, deve ser a isso que se chama valorização da marca. 

 

O Sporting entrou em campo ao som d`A Valsa dos Milhões, género musical ternário cultivado por Varandas, Viana e Beto, os melómanos que levaram os dlim-dlins do mercado aos salões austríacos. Disponíveis para a dançar estiveram Rosier, Ilori, Borja, Eduardo, Camacho e Jesé. Mais tarde, apareceriam ainda Doumbia e Luíz Phellype a dar um pezinho e a mostrarem-nos a todos por onde escoou o dinheiro disponível para transferências. 

 

O Linz marcou cedo, num canto que foi simultaneamente o canto do cisne: Ilori saltou como nunca e falhou como sempre, Rodrigo e Rosier não tiraram os pés do chão e Trauner inaugurou o marcador para os austríacos. De seguida, Rosier não apareceu no enquadramento e Renan não ousou sair da pequena área e meteu um presente no sapatinho do "Santa" Klauss. Reagindo tarde, acabou expulso enquanto via o Lask ampliar o marcador.

 

Com menos 1, o segundo tempo foi penoso para o Sporting. Em tempo natalício, Coates e Max evitaram que saíssemos da Áustria com um cabaz. O uruguaio  limpou tudo o que pôde, inclusivé usando o calcanhar para parar um atraso suicida de Ilori, e Maximiano salvou o resto. Ainda assim, já nos descontos, o Linz marcaria o terceiro.

 

No fim do jogo Silas trouxe a habitual musiquinha. Apelou tanto ao coração que, por momentos, julguei mesmo ter ouvido o coro dos pequenos cantores da família Von Trapp. Em resumo, a culpa foi do risco inerente à aposta na Formação e os adeptos não se podem queixar. Mesmo que Rodrigo tenha saído logo aos 35 minutos, o que é uma estranha forma de encarar a promoção de jovens, ou que Max tenha sido um dos poucos heróis leoninos esta noite na Áustria, ou ainda que das insistências de Pedro Mendes tenham resultado as únicas duas oportunidades de golo do Sporting em 90 minutos. Já quanto à prestação das contratações cirúrgicas dos dois mercados da era Varandas, Silas não emitiu uma palavra. Fiquei elucidado!   

 

Levámos um banho de bola...

 

P.S. O que estragou os planos foi não termos vendido Bruno Fernandes? Haja paciência!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Coates. Notas positivas ainda para Max e Pedro Mendes.

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28
Nov19

Tudo ao molho e fé em Deus - Trio Maravilha


Pedro Azevedo

A Silly Season já terminou e quando muito estamos na Silas Season, mas ainda assim o Vidigal disse na televisão que o Bruma - assobiado de cada vez que tocava na bola - sempre respeitou o Sporting. Quem verdadeiramente continua a respeitar o nosso clube é o Bruno Fernandes, grande capitão, hoje com mais 2 golos e outras tantas assistências (103 acções directas decisivas desde que chegou ao clube). Sobre isso, não há revisionismo histórico que valha...

 

O Sporting, disposto num 4-2-3-1, apresentou-se com uma maior ligação entre os sectores do que vinha sendo hábito, provando que o trabalho de Silas começa a dar frutos. Wendel é melhor jogador do que Eduardo e, desde que capaz fisicamente, assegura uma melhor parceria com Bruno Fernandes, Acuña dá uma amplitude à lateral esquerda que Borja nem em sonhos e Mathieu é o farol que impede a defesa de naufragar. O gaulês, o argentino e Bruno foram os melhores esta noite em Alvalade.

 

O Sporting marcou cedo, quando Bruno solicitou o desvio de cabeça do Felipe das Consoantes na pequena área. Pouco tempo depois Unnerstall (guarda-redes dos de Eindhoven) não conseguiu parar "unabomber" e os leões aumentaram a diferença no marcador. Eis então chegado o momento Formação, aquele em que Super Max, esta noite em estreia europeia, retirou a justa causa dos pés de Bruma e evitou que os holandeses reduzissem. Essa oportunidade ocorreu numa janela de 10/15 minutos em que os leões perderam o controlo do jogo, o seu pior período. Ultrapassada essa fase, o Sporting ampliaria o marcador ainda antes do intervalo: após umas entretidas carambolas protagonizadas por Doumbia terminadas da forma que seria de esperar de um bilharista marfinense, Bruno ligou o GPS e providenciou a munição ao míssil instalado no pé esquerdo de Mathieu; a bola só parou no fundo das redes do PSV.

 

A etapa complementar iniciou-se com mais uma boa defesa de Max. O Ilori entrou de pitons à bola e a seguir acertou num adversário. O árbitro marcou falta e o Vidigal voltou à carga. Agora invocando a "dinâmica do carrinho". Tal como a (electricidade) estática do televisor tudo se terá devido ao alumínio...  

Consistente e equilibrado, o Sporting ia fazendo a gestão do jogo. Só que o indisciplinado Acuña amotinou-se e decidiu expôr a Borja o algoritmo do caminho mais curto. Vai daí irrompeu numa correria, ultrapassando holandeses atrás de holandeses, fintando todos os que não lhe saíam da frente até ser derrubado já dentro da área. Na conversão, o clássico: guarda-redes para um lado e Bruno Fernandes e a bola a rirem-se do outro. E com esta prosopopeia termina a narrativa de um jogo que abriu o caminho para a qualificação para a fase a eliminar da Liga Europa. Que prossiga a epopeia!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes

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  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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