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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

16
Fev22

Reflexão sobre o jogo de ontem


Pedro Azevedo

O Sporting tem inegavelmente bons executantes técnicos. Nesse sentido, jogadores como Porro, Gonçalo Inácio, Matheus Reis, Matheus Nunes, Pote, Paulinho e Sarabia não envergonham ninguém. O problema é quando essa qualidade técnica é testada numa outra dimensão galáctica onde o tempo e o espaço são bem menores. Aí, francamente, só Porro e Matheus Nunes conseguem conjugar a capacidade técnica com a protecção de bola e a velocidade de execução que é requerida. Isso ficou bem patente na recepção desta noite ao Manchester City, uma equipa de pirilampos que se acendem e se apagam (mas continuam lá, ainda que perigosamente não os vejam) de tal forma que convidam o adversário a uma espécie de caça aos gambuzinos. Adicionalmente, contra uma equipa como a treinada por Pep Guardiola, que se reagrupa e te cerca rapidamente, talvez faça pouco sentido apostar as fichas num ponta de lança que baixa demasiadamente no terreno para organizar jogo. Mais importante seria procurar explorar o espaço existente nas costas de uma defesa sempre muito subida, solução que aconselharia a lançar Islam Slimani. Tal incomodaria mais o City, que teria que se esticar mais como um harmónio e deixaria um espaço entre-linhas que de outro modo raramente se viu num jogo em que os do norte de Inglaterra pareceram sempre demasiado confortáveis no relvado. Também Bragança poderia ter ido a jogo como falso interior esquerdo, dando uma mãozinha a Palhinha e Matheus Nunes na contenção necessária a meio-campo e ajudando a controlar mais a posse de bola, adaptando este Sporting a uma realidade europeia onde as equipas têm o miolo central mais composto. A solução de Esgaio como ala esquerdo foi muito limitativa do ponto de vista ofensivo e provavelmente destinar-se-ia à utilização de um pé direito que desse um melhor acompanhamento aos movimentos interiores de um Cancelo que jogou... no flanco oposto. Por outro lado, à semelhança do já anteriormente visto contra o Ajax, a nossa pressão alta revelou-se ineficaz e expôs demasiadamente os dois jogadores centrais do meio-campo, deixando imenso espaço entre-linhas para o City explorar e os nossos médios preencher. E depois houve a questão dos erros individuais: no golo inaugural, Matheus Reis primeiro, Gonçalo Inácio depois põem em jogo o jogador do City com bola; no segundo golo, Matheus Reis desequilibra-se e dá espaço a Bernardo Silva; no terceiro, três jogadores na linha da bola (Esgaio, Matheus Reis e Coates) deixam-na passar num número semi-cómico que envolveu uma "cueca", uma escorregadela (será que um defesa como Matheus Reis joga com pitons de borracha?) e um ressalto infeliz; no quarto, Sterling foge no limite do fora de jogo, mas recebe um passe de Cancelo executado sem qualquer pressão de jogadores leoninos sobre a bola (erro colectivo); mesmo o excelente quinto golo nasce de um mau passe inicial de Adán. Assim, foi fácil para o City contruir uma goleada. Demasiado fácil. 

 

Rúben falou, e bem, da sua fé na evolução futura da equipa, mas a margem de progressão está limitada por um nível de competitividade do futebol português muito baixo. A intensidade dos jogos é pequena e o ritmo de jogo está constantemente a ser prejudicado por diversas paragens onde jogadores de diversas equipas (Sporting incluído) aproveitam para recriar a intensidade dramática das peças de Shakespeare, tudo isto concorrendo para que a nossa Liga seja apenas a 25ª europeia em tempo útil de jogo. Assim não temos hipóteses na Europa. O formato das nossas competições internas deveria ser urgentemente revisto e adaptado à nossa realidade e necessidades. Volto por isso a insistir num campeonato a 12, com play-off (6 primeiros) e play-out (6 últimos), jogado em "poule", que teria 32 jogos (apenas menos 2 que no formato actual) certamente bem mais interessantes e geradores de receitas. Mas nisso Amorim não tem qualquer culpa. Milagres já ele fez, como a conquista do campeonato na época transacta e os outros 3 troféus ganhos bem o demonstram. O que não quer dizer que esteja isento de erros, apenas indica, isso sim, que muito provavelmente cometerá menos erros que os seus colegas de ofício em Portugal. Nada porém que nos deva incomodar em demasia, desde logo porque sem erro não há crescimento, e Rúben, como homem inteligente que é, saberá evoluir para um outro patamar. Assim o Sporting continue a ter este tipo de experiências europeias, de preferência esbatendo cada vez mais a desproporção de forças dentro do terreno de jogo. (Já agora, sendo a competitividade do nosso campeonato baixa, talvez não fosse má ideia impôr que os nossos jogadores não relaxassem após uma vantagem de por exemplo dois golos e fossem à procura de mais, mentalidade bem patente em equipas como o Manchester City, Bayern, Liverpool ou Ajax, esta última pertencente a um campeonato que não se pode dizer que tenha jogos intensos ou tacticamente muito elaborados, mas onde a procura do golo por parte de qualquer equipa é incessante.)

18
Abr19

Liga dos Campeões, um hino ao futebol


Pedro Azevedo

Vamos ter umas meias-finais da Champions com vários aspectos de interesse. Os ingleses foram os únicos a conseguirem colocar duas equipas nesta fase da competição. Tal como a presença do Barcelona, este facto não se pode considerar surpreendente. Digno dos maiores encómios é o apuramento do Ajax, proveniente de uma Holanda com muito menor poder económico. O sorteio das semi-finais também teve os seus sortilégios. Assim, teremos um Tottenham vs Ajax e um Barcelona vs Liverpool.

Eis a minha análise do que se poderá esperar destes jogos:

 

Tottenham x Ajax - em confronto vão estar duas escolas de futebol. Se, por um lado, os holandeses, com o seu modelo mais do que consolidado, dispensam apresentação, os ingleses são quem melhor tem progredido no desenvolvimento da Formação nos últimos anos. Assim, a Veltman, De Ligt, De Jong, Van de Beek, Mazraoui, Dolberg ou Blind, o Tottenham contraporá Danny Rose, Kyle Walker-Peters, Oliver Skipp, Harry Winks, Dele Alli ou Harry Kane. Será também um duelo entre dois treinadores emergentes do futebol mundial: Erik Ten Hag, pelos "lanceiros", Mauricio Pochettino, pelos "Spurs". 

O prognóstico sobre esta eliminatória é bem mais difícil de fazer do que à primeira vista poderá parecer. Sendo certo que o Ajax deixou pelo caminho os poderosos Real Madrid e Juventus, também não deixa de ser verdade que teve maiores dificuldades em casa, quando teve de assumir o jogo. Ora, a minha dúvida é se o Tottenham quererá ter a iniciativa do jogo nos dois confrontos. A favor do argumento de o ter está o facto de ser uma equipa de um país cuja cultura futebolistica é a de impôr a sua forma de jogar. Contra, a presença no banco de um treinador sul-americano, que introduz algumas nuances tácticas ao habitual "association" britânico, nomeadamente alguma especulação que foge à tradição do país de sua majestade. Aliás, com jogadores supersónicos como Son ou Lucas, não seria de admirar que os "Spurs" jogassem na expectativa, aproveitando as transições rápidas iniciadas nos movimentos frontais de Alli e concluídas pela sagacidade goleadora de Kane. Assim sendo, os espaços com que o Ajax se sente confortável podem estar vedados, o que aliado à inexperiência dos holandeses lhes pode ser fatal.

Para mim, a eliminatória decidir-se-á no primeiro jogo, em Londres. Se o Tottenham ganhar essa partida (ou mesmo caso empate a zero), então muito dificilmente será eliminado, na medida em que aproveitará o balanceamento ofensivo dos "lanceiros" na partida de volta. Caso o Ajax repita as exibições de Madrid e de Turim e vença em Londres, então a eliminatória penderá para os holandeses. 

 

Barcelona X Liverpool -  de um lado, a reinvenção do tiki-taka, por Ernesto Valverde, evitando demasiadas trocas de bola atrás e procurando a vertigem ofensiva com a incorporação dos laterais Sergi Roberto e Jordi Alba, compensada pelo equilíbrio que Sergio Busquets, Umtiti e Piqué (os dois últimos agora com menos liberdade para se aventurarem ofensivamente) dão à equipa. Quando a bola entra entrelinhas, o Barcelona torna-se particularmente letal, pois o virtuosismo e habilidade de Messi, a qualidade de passe de Rakitic, as penetrações frontais de Coutinho, a velocidade e qualidade técnica de Dembelé e as movimentações e remate de Suarez põem facilmente k.o. qualquer adversário nessas circunstâncias. Do outro lado, o trio dinâmico de Klopp - Mané, Firmino e Salah, por vezes reforçado com o belga Origi, o que o transforma numa quadrilha (ou quadriga, dada a explosão de cada um) MaFiOSa - , provavelmente o melhor terceto atacante da história do futebol, pela versatilidade de cada uma das peças que a integra e sua complementaridade em função da equipa, apoiado pela verticalidade dos laterais Robertson (escocês) e Alexander-Arnold (jovem revelação inglesa) e movimentos de aproximação do holandês Wijnaldum. Os equilíbrios são assegurados pelos veteranos Milner ou Henderson e pelo guineense Keita. Destacam-se ainda o guarda-redes Alisson, titular da canarinha e contratação mais cara (62,5M€) dos "reds" esta época, e o holandês Van Dijk, defesa muito rápido e fortíssimo na bola parada defensiva e ofensiva. 

O meu prognóstico é o de vitória na eliminatória para o Liverpool

 

Enfim, de uma forma geral as equipas que produziram um melhor futebol chegaram a esta fase (algo que nem sempre acontece), exceptuando talvez o caso do Manchester City, o grande ausente. Veremos o que irá acontecer, mas certamente teremos grandes jogos. E os nossos Leitores/Comentadores, quem esperam ver na final no (aziago para nós) Wanda Metropolitano? Aceitam-se prognósticos...

champions1.jpg

12
Mar19

CR11 milhões


Pedro Azevedo

Hoje, no Allianz Stadium de Turim - construído sobre o mítico Stadio Delle Alpi -, Cristiano Ronaldo e a Juventus recebem o Atlético de Madrid. Duelo complicado, em que os espanhóis são amplamente favoritos a passarem a eliminatória após a vantagem de 2 golos conseguida no seu Wanda Metropolitano (onde tudo começou, não é Sporting?). A Juventus tem um futebol de pouco risco, lento e previsível que não convence, mas quem tem CR7 pode sempre sonhar mais alto. O português, produto da Formação do Sporting, costuma dar-se bem com os "colchoneros" (ai mãe, haja alguém da nossa Academia que não se queixe...), como o comprova os 22 golos apontados em 30 jogos, o que faz do Atlético a terceira vítima de eleição de Ronaldo (só atrás do Sevilha e do Getafe). Logo à noite, todos nós estaremos com ele. Força campeão!!!

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