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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

25
Out20

Tudo ao molho e fé em Deus

Pote de ouro na casa de Matheus


Pedro Azevedo

Em nenhuma outra modalidade é tão possível o David bater o pé ao Golias como no mundo do ludopédio. Por isso, o futebol possui um sortilégio inigualável entre os diversos desportos. Muitas vezes a equidade provém da falta de eficácia do mais forte, outras vezes do engenho e da organização do mais fraco que permite que o todo valha muito mais que o somatório das partes. Na maioria dos casos porém esse equilíbrio é fruto das conjugação destes factores. Isto em condições de pressão e temperatura constantes do sistema, claro. Infelizmente, nas últimas décadas, em demasiadas ocasiões quando o Sporting joga, ou o termostato se avaria ou temos bar (e var?) aberto. Concomitantemente, o sistema desregula-se. E sempre que falha um sensor, nunca falta um censor.

 

Hoje à tarde, nos Açores, o Sporting podia e devia ter resolvido a contenda na primeira parte. Com Palhinha imperial no centro do campo, Matheus é como um elástico à sua volta que se vai esticando ou apertando consoante as necessidades da equipa. Durante o primeiro tempo esticou-se tanto que isso provocou suficientes desequilíbrios para matarmos o jogo. Faltou eficácia, que é como quem diz faltou um "Matador", um ponta de lança. Quem não tem cão, caça com gato, e Pote (a passe de Jovane) desfez a igualdade com um remate certeiro de pé esquerdo executado de ângulo difícil. Dir-se-ia que o pior já tinha passado, mas isso é coisa que nunca passa pela cabeça de um Sportinguista. Anos e anos de improbabilidades que se reverteram contra nós fazem com que em cada Sportinguista haja um ser muito desconfiado e cínico. Não se infira daí que temos medo de ser felizes. Nada disso. Aquilo que efectivamente tememos é voltarmos a ser apanhados desprevenidos. É que depois não haveria coração que aguentasse o Coates ensarilhar-se com a bola e abrir uma improvável autoestrada numa pequena ilha. Assim, lá fomos nós para o intervalo com mais uma daquelas vitórias morais do nosso passado recente.

 

No recomeço, o Sporting não voltou tão desenvolto. A relva, em péssimo estado, fofa e cada vez mais solta, também não ajudava. Mas fundamentalmente deixámos de controlar o meio-campo tão bem como no primeiro tempo. Para tal muito contribuiu o elástico ter-se partido. Esgaçado, tanto pelo uso (vai-vem constante) como pelo atrito (entradas a matar dos insulares), Matheus não conseguiu contribuir como anteriormente e a equipa ressentiu-se. O jogo tornou-se muito menos fluído e nem mesmo a entrada de João Mário o abanou suficientemente. Ainda assim tivémos duas soberanas ocasiões de golo, ambas ingloriamente desperdiçadas por Sporar (substituiu Jovane). Na primeira, o esloveno cabeceou sozinho e não acertou na baliza; na segunda a bola parece que o perpassou como se ele fora um holograma dos balcãs, efeito sobrenatural já avistado em duas ou três situações com idêntico protagonista em Alvalade. Porro e João Mário, respectivamente, fizeram as assistências com mel. Até que Pote, correspondendo a um passe longo de Feddal, beneficiou de um momento de apanhados em que o guarda-redes contrário se retirou a si próprio e a um defesa do lance e, novamente de pé esquerdo, marcou. 

 

Vitória justíssima do Sporting, ainda que tanta caridade cristã, embora neste caso com a atenuante de ser com (o) Santa Clara, não seja recomendável no futuro a não ser que também se pretenda fazer um voto de pobreza. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pedro Gonçalves ("Pote")

pote santa clara.jpg

18
Out20

Tudo ao molho e fé em Deus

O “worst case scenario” do Sporting


Pedro Azevedo

O "worst case scenario" é um conceito de gestão de risco inerente ao planeamento de uma determinada estratégia que contempla o pior cenário que se pode perspectivar com razoabilidade a uma determinada situação a fim de melhor se poderem acomodar eventuais futuras contingências relacionadas com eventos muito improváveis. Muito aplicado na banca, empresas e forças armadas, ainda assim ontem voltou a ficar provado que o "worst case scenario" não serve ao Sporting. Acham que estou a exagerar? Imaginemos hipoteticamente o seguinte: um defesa do Porto põe a mão continuamente em cima do ombro de um avançado do Sporting que se isola na área e na sequência dessa acção cai. Perante esta situação, considerando a mais recente jurisprudência resultante do golo anulado a Coates em Portimão por mínima pressão (não continuada no tempo) com a mão, se eu fosse treinador do Sporting e estivesse a planear o jogo, na antevisão de um lance desses daria 95% de probabilidade a ser marcada uma grande penalidade contra o Porto e expulsão do jogador portista (último defesa). Todavia, na realidade - a hipótese formulada aconteceu mesmo em campo - tal vir-se-ia a revelar insuficiente, pois embora o efeito prático da decisão do árbitro tenha sido o mesmo, o jogador não viu o vermelho mas sim o amarelo (no caso, o segundo). Assim sendo, esta observação apontaria para uns 99% de probabilidade (mínimo: grande penalidade e cartão amarelo), intervalo de confiança para a gestão de risco que na história da humanidade só não resistiu ao 11 de Setembro de 2001 e à crise do subprime. Dir-se-ia então razoavelmente imbatível. Eis então que, consultado o VAR, não só o "penalty" é revertido como também o segundo amarelo. Nesse estádio, a probabilidade de contingência em termos de risco para essa situação específica já era equiparável à de um massivo ataque terrorista (ou à de uma emissão de obrigações hipotecárias tóxicas). Mas não ficaria por aí, pois o treinador do Sporting foi expulso por alegados protestos que não terão caído bem ao árbitro que anteriormente havia observado a grande elevação dos responsáveis do banco portista que no português mais irrepreensível e sem vislumbre de qualquer vernáculo lhe haviam pedido por favor, por entre tratamento de V.Exª., digníssimo e ilustríssimo, para consultar o revolucionário amperímetro com que ligado à corrente o VAR na Cidade do Futebol mede a intensidade. Conclusão: no futebol português nem o "worst case scenario" nos acode. Perante o que acabo de descrever, o empate final registado no marcador acabou por ser uma contingência menor em termos globais face a uma situação não-razoável que ocorreu durante o jogo, circunstância essa que me fez evocar os tempos de um certo treinador croata que por cá passou e tão boa impressão deixou pela coragem de apostar nos jovens e estoicismo cavalheiresco com que aguentou os sucessivos atropelos às regras da arbitragem que acabariam por desviar da rota do título uma equipa que no campo exibia um belo futebol.

 

O jogo? O Sporting foi mais equipa e o Porto teve melhores jogadores. A uma boa organização leonina responderam os portistas com as individualidades Luis Diaz e Corona. Matheus Nunes falhou à primeira e Nuno Santos não perdoou à segunda oportunidade. Numa diagonal entre os centrais, Uribe empatou. Luis Diaz ia semeando o pânico na direita da defesa leonina e, após um contra-ataque rápido mal desfeito pelo jovem Nuno Mendes, Corona espalhou o vírus do seu futebol no marcador com toda a defesa leonina em isolamento forçado. Em cima do intervalo, o "worst case scenario" descrito em cima.

 

No reatamento, a toada mantinha-se igual por entre terços e até rosários rezados de cada vez que a bola assomava a Neto. Até que ao fim do segundo terço (do jogo), Sérgio Conceição trocou Diaz e Marega por Martinez e Anderson e o Sporting aproveitou para tomar conta das operações. O Porto limitava-se ao tão enganador quanto ilusório "controlo do jogo", expressão do futebolês que já se sabe não augura nada de bom e precede um imediatamente posterior ar de estupefacção do treinador tuga com uma "batata" com que não estava a contar enquanto alegremente especulava com o jogo, ou seja, entregava a bola ao adversário. Simultaneamente, o Sporting ia progressivamente arriscando mais e mais a partir do banco. Até que uma transição dos dragões virou numa ainda mais rápida transição leonina - ou não tivesse vindo do carrinho de Palhinha - e Vietto empatou a partida após defesa de Marchesin a um toque de calcanhar do entretanto regressado Sporar. 

 

O segredo do Sporting esteve na labuta do miolo do terreno, onde Palhinha (segundo tempo) e Matheus Nunes (primeira parte) estiveram em bom plano e Pedro Gonçalves deu uma ajuda preciosa. Palhinha foi para mim o melhor em campo, por sozinho ter assumido a secção de metais e a percussão quando Ruben Amorim precisou de violinistas para as cordas com que subtilmente agarrou a equipa ao jogo face aos tocadores de bombo que vieram do Norte. Quanto ao brasileiro, voltou a ser massacrado com inúmeras faltas que, para além de nunca resultarem no cartão amarelo correspondente, acabam por o enfraquecer durante o jogo. Exemplo do que acabo de escrever foi a inacreditável inacção disciplinar do árbitro numa acção grave de um portista onde o Ma theus ficou partido em duas sílabas de dor numa palavra aguda, em lance que viria a terminar num remate de Porro a rasar o poste. Quanto a Pote, andou sempre abaixo e acima, defendendo e atacando, recuperando bolas, rematando sempre que pôde e cruzando como no lance do qual resultou o empate final que se viria a registar no marcador. Relevo ainda para a estreia de João Mário, um regresso a casa ao fim de 3 anos de ausência.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Palhinha

palhinha.jpg

(Imagem: A Bola)

05
Out20

Tudo ao molho e fé em Deus

Solar dos Nunos


Pedro Azevedo

Há muitas formas de sofrer a ver um jogo de futebol. A mais radical implica ouvir os comentários da SportTV quando em campo está o Sporting, momento em que a experiência adquire contornos de uma realidade paralela que nos deixa em constante sobressalto. Vou dar-vos alguns exemplos: uma pessoa vê o Matheus Nunes e o Pote a serem ceifados como o trigo e é obrigada a esfregar os olhos várias vezes até concluir necessitar com urgência de uma consulta oftalmológica quando ouve o inefável comentador a defender que não há espiga e, por conseguinte, amarelo. Numa outra ocasião, até fui arrancado do sofá. O brasileiro é pisado no pé e de dentro do aparelho surge o som: - "Quem anda à chuva, molha-se!" - , sentencia um orgulhoso Sousa. Assim mesmo, figurativamente, porque precipitação só mesmo na cabeça do senhor e a "chuva" a que ele se refere é de pitóns de alumínio que literalmente incidem sobre o pobre do Matheus e só "molha" os tolos que ainda se dão ao trabalho de manter o som da televisão ligado. Mais à frente, o Coates tem uma entrada perigosa que é logo apelidada de "duríssima". Depreende-se assim que a chuva quando cai não é para todos. Mas quando um algarvio se pendura num dos nossos, logo surge um "É bem!". Faz sentido, quem anda à chuva molha-se, especialmente se não tiver uma sombrinha. Às tantas o Portimonense ia atacando cada vez mais e o bom do comentador saiu-se com um "É um massacre!". Concordei e tirei o som ao aparelho...

 

Comi qualquer coisa ao pé do televisor e o que vi, ao contrário do que ouvi, não foi um calvário. Calvário onde fica o Solar dos Nunes, que por acaso nem é calvário nenhum mas sim um paraíso epicurista. Só que a noite foi mais de "Solar dos Nunos", do Mendes e do Santos, o berço onde nasceu a nossa vitória. O primeiro, o Mendes, caiu mesmo agora do berço e já marca golos deste mundo e do outro como se fora Rei do reino de Aquém e Além Dor, local imaginário onde não há sofrimento dos adeptos Sportinguistas. Pelo que o jogo, em vez do proverbial "Florbela" espanca-me, começou por oferecer uma flor bela do canteiro de Alcochete cujo aroma nos inspirou. E tanto assim é que ainda mal refeitos estávamos da emoção e eis que o Santos aparece à matador e de cabeça, qual lilliputiano investido de Gulliver, faz o segundo. Surpreendidos? Quem anda à chuva, molha-se!

 

Não queiram saber a choradeira que houve antes do jogo. "Ai que o Wendel isto, ai que o Wendel aquilo", segundo a crítica agora é que estávamos feitos ao bife. Acontece que o Wendel para mim sempre foi como os anos bissextos, que acontecem de quatro em quatro. Assim era ele, em jogos. Quando o calendário era comum, o Wendel tornava-se um caminhante. E um contemplativo. Um indivíduo que partia sozinho, sem destino, por estradas secundárias. Parando aqui e ali para observar a paisagem. Eu não percebia bem para onde e por onde ia ele, mas os peritos diziam que ele cumpria a importantíssima função de transporte. Enfim, para essa missão eu até preferia aquela miúda do gás Pluma da Galp, mas com tanta gente a cair-me em cima às tantas conformei-me. Só que o Matheus começou a aparecer na equipa principal e eu, que o tinha visto nos sub-23, achava-o muito atado e longe do que já lhe tinha visto antes do senhor Sousa me levar a crer que precisava de óculos. Se a mim se me oferecia estar atado, para alguns peritos ele era de uma irrelevância total, a velha dicotomia entre o estar e o ser que pendia contra ele (e mim). Até que o Wendel foi para São Petersburgo e o Matheus com toda a sede ao Pote fez-se finalmente ao caminho. Porém, em vez de picadas escolheu vias rápidas, mais directas. E nunca parou. Entregando sempre (não perdeu uma bola) e voltando de seguida para recolher mais inventário. Às tantas o Sousa até disse estar surpreendido por não conhecer essa faceta do Matheus. E não é que quando acabou o jogo fiquei a pensar nisso? Bom, até recuperei o som da SportTV e tudo. Arrependido, porque afinal o senhor até mostrou sabedoria e honestidade intelectual ao não hesitar dar valor a alguém que anteriormente havia desvalorizado e eu calei-o. Olhe, caro Sousa, é como você para os árbitros: para a próxima prometo ter um critério mais largo consigo.

 

Os primeiros 30 minutos foram muito bons, depois a equipa acusou o desgaste físico e psíquico do jogo de Quinta. Primeiro físico, deixando de se desdobrar tanto ofensivamente. Depois psíquico, procurando apenas afastar a bola da sua área, sem critério. Naturalmente, chegado esse momento, os jogadores mais experientes resistiram melhor. Quase todos, com a única excepção de Feddal. Assim, Neto fez provavelmente o seu melhor jogo de leão ao peito, cortando imensas jogadas de perigo. Mesmo cansado, com a bola nos pés não se lhe afiguraram mil novecentas e seis alternativas sobre que destino dar-lhe, mostrando que nem sempre a falta de irrigação do cérebro causada pela falta de oxigenação é contraproducente. Coates foi o colosso a que nos vem habituando e Adán à falta de ter de orientar a barreira foi ele próprio uma barreira às intenções dos algarvios. Nos mais novos, Porro foi um queniano, Pote mostrou qualidade de passe e disciplina no posicionamento à frente da defesa e o TT desta vez fechou mais espaços do que os que abriu. Vietto deu-se ao jogo enquanto durou, perdoando-se-lhe o já habitual desacerto na hora da finalização pela assistência que deu para golo. E, claro, os Nunos foram decisivos.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes

portimonense sporting.jpg

28
Set20

Tudo ao molho e fé em Deus

Cartão amarelo


Pedro Azevedo

Não sei qual o espanto da generalidade dos comentadores, mas se durante todo o fim de semana só se ouviu falar em cartão amarelo a propósito da actualidade do Sporting teria sido muito difícil isso escapar aos ouvidos do Fábio Veríssimo, não é verdade? É que estas coisas sempre influenciam um bocadinho. Outra coisa: desde o Rui Costa, os árbitros vão todos àqueles cabeleireiros onde lhes fazem um penteado à voleibolista americano dos anos 80 e 90 e à saída começam logo a ouvir piadinhas fáceis do tipo de "sim, senhor, bonito serviço, merece um cartão amarelo!". De seguida vão até Paços, cidade conhecida por o clube da terra ser um submarino amarelo daqueles à portuguesa que já não submerge e anda sempre na linha de água. Como um árbitro gosta sempre de dar nas vistas, um amarelo aos pacenses quase nem se nota, não faz contraste. Vai daí, aponta para o lado, que no caso é verde e branco. Só assim se explica que quem comete 18 faltas escape com 2 amarelos e quem infringe a regra uma dúzia de vezes apanhe com meia-dúzia de admoestações de tom icterícia. É  a mesma razão que justifica o Benfica raramente vêr cartões vermelhos. A excepção só está ao alcance de árbitros daltónicos. E o daltonismo no futebol português não costuma augurar grandes vôos...

 

Por falar em amarelo, quem não se deixou levar em cantigas foi o Ruben Amorim. Sabendo que os eslovenos andam habitualmente de camisola amarela (Tour), não quis arriscar colocar de início o Sporar contra o Paços para não ficar em inferioridade numérica. Perspicaz, o nosso treinador! Assim, o Tiago Tomás foi titular. E não se deu mal. Se é verdade que a abrir falhou um golo cantado, de seguida engendrou uma sofisticada carambola bilharistica que aprendeu com o Theriaga numa daquelas acções de "team-building" leoninas e levou a bola por fim a embater na mão de um incauto pacense que cometeu a ingenuidade de pensar que se podia usar os braços mesmo fora do enquadramento da baliza. O Totói, do União de Tomar dos anos 70, neste futebol actual seria um craque...

 

Quem passa o tempo a esbracejar é o Neto. Já sem o avô (Mathieu) em campo, entretanto reformado, o único que o atura é o Coates. É que o homem, de cada vez que tem a bola nos pés, pensa em 1906 coisas ao mesmo tempo, tempo mais do que suficiente para um adepto em casa sobreaquecer as sinapses antes do nosso defensor acabar por despachar a bola à queima. E, quando não tem bola, geralmente fica a contemplar a sua trajectória, esperando que o pronto-socorro uruguaio faça o resto. Em todo o caso, não há lance por si protagonizado que não acabe em recriminação a alguém. Menos a ele próprio, claro. Dizem que é sintoma de liderança...

 

Anda por aí muito boa gente a embirrar com o Matheus Nunes. Coitado do rapaz, já provou nos sub-23 o que pode fazer com a bola nos pés. Acontece que não é isso que o Ruben lhe pede nos seniores. E ele lá vai fazendo o que lhe é pedido, o que não será o melhor para ele, mas será certamente o que fará mais sentido à equipa na ideia do Ruben Amorim. E, como este não o tira, admitamos que se calhar está a fazê-lo bem. Ontem pelo menos correu o campo todo. Ele e o Wendel. Ambos sem o brilhantismo de um Porro ou de um Nuno Mendes, há que dizê-lo, mas com grande utilidade para uma equipa onde na tracção atrás o Vietto não engrena a marcha. 

 

Mas o Homem do Jogo foi o Coates. Poemas homéricos deveriam ser elaborados sobre a exibição do uruguaio ontem na cidade do móvel. Em tempo de pandemia que recomenda o uso de máscara, o homem parece viver sob o efeito do Mask do Jim Carey, transfigurando-se, com elasticidade desdobrando-se à esquerda e à direita consoante as desatenções dos homens que lhe colocaram ao lado. Na ausência de um ponta de lança, investindo-se ele dessa qualidade. E é verde, obviamente. E grande capitão! Se há quem tenha beneficiado do sistema de 3 centrais para dar um salto de qualidade, esse jogador é Sebastián Coates, El Patrón! 

 

Como o futebol não é só luta e é também arte em movimento, deixem-me destacar para o fim o Daniel Bragança. Pobre do Eustáquio, que ainda deve estar a perceber "o que passou-se" quando o menino lhe passou a bola por cima da cabeça e foi buscá-la mais à frente. Passo a passo, ou paço(s) a paço(s), o miúdo vai mostrando o valor de quem habita a nobre residência leonina sita em Alcochete. E, no entretanto, evidenciando que a celebérrima teoria do "gap" da Formação foi um passo no caminho para o abismo que nos fez ingloriamente perder 1 ano (e muitos jogadores que poderiam estar aqui). 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Sebastián Coates. Vamos!

CoatesLUSA.jpg

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