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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

12
Jul21

O Ovo de “Colombo” Mancini


Pedro Azevedo

Roberto Mancini, Gianluca Vialli e Attilio Lombardo estiveram em Wembley em 92 quando a Sampdoria perdeu a final da Champions para o Dream Team que Cruijff construiu em Barcelona. Agora, fazendo parte da estrutura que a Federação Italiana montou para a Squadra Azzurra, vingaram essa derrota no regresso ao mesmo palco (entretanto remodelado). Com uma equipa técnica onde ainda consta um outro ex-jogador da genovesa Sampdoria (Gianluca Salsano), Roberto Mancini foi o Cristóvão Colombo deste Euro, mostrando ao mundo que era possível a Itália ser competitiva sem que para isso tivesse de recorrer ao Catenaccio (curiosamente celebrizado por um chileno, Helenio Herrera). Esse Ovo de Colombo permitiu à Itália, nos últimos anos arredada dos grandes palcos, mostrar ao mundo um futebol positivo e alicerçado numa eficaz pressão alta, sem que tal redundassse em menor equilíbrio nas acções defensivas. Em contrapartida, a final não correu nada bem a Gareth Southgate. Em certa medida não lhe fez justiça, pois quem viu jogar "Calamity" Maguire no Man Utd certamente deu mérito ao duplo-pivot de meio campo com que o treinador inglês conseguiu assegurar a segurança das suas redes. Porém, neste último jogo revelou-se por demais receoso, inicialmente primando pela inacção ao não reagir atempadamente à pressão italiana - tinha muitos criativos no banco que poderiam ter colocado novos problemas aos italianos - , depois ao lançar tardiamente dois jovens que sem ritmo de jogo entraram somente para marcar os penáltis. Perante as hesitações de Southgate, os intrépidos "marinheiros" de Mancini acabaram por levar o troféu para a pátria de Garibaldi, vendo assim premiada a sua ousadia. Mais do que a vitória final ter sido justa - a Espanha foi superior aos italianos na meia-final - , foi justo ver vencer quem arriscou sair da sua zona de conforto. Uma nota final positiva que ainda mais abrilhantou um dos melhores europeus de sempre. 

12
Jul21

O mistério dos números primos (19)


Pedro Azevedo

Não sei se a vida é feita de coincidências ou se não existe essa coisa a que chamamos coincidência, o que é certo é que ontem ocorreu comigo um daqueles insólitos que me/nos fazem pensar. Eu passo a contar: convidado por um amigo de toda a vida, passei uma muita agradável tarde dividido entre uma imponente piscina e um suculento barbecue. Pelo meio conversas reais com gente real, que a vida é demasiado importante para se perder em inuendos, hesitações e meios termos. Como pano de fundo, vulgo "pièce de résistance", havia um Itália-Inglaterra, final do Campeonato da Europa. Ora, apesar de estar eternamente agradecido a Inglaterra e aos ingleses pela forma como me receberam quando lá trabalhei, o meu coração desta vez batia por Itália, pelo belo futebol. De tal forma que para o evento levei um polo azul comprado há mais de uma década atrás. Produzido por uma conhecida marca americana, tem Itália estampado na frente e o número 19 nas costas. Logo um amigo me inquiriu do porquê do número 19, algo que remeti para o critério da marca. Novas investidas no mesmo sentido vim a ter de outros convivas, às quais dei sempre a mesma resposta. O jogo começou e não voltei a dar relevância ao assunto. E, se eu não dei, os meus amigos também não. Até que acordo hoje e revejo que o golo italiano, o único golo italiano da noite, foi marcado por Leonardo Bonucci. Porém, com a emoção do jogo havia-me escapado um pormenor. Adivinham o número da sua camisola? O 19. Talvez nada aconteça por acaso...

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02
Nov19

A alma de Kolisi deu asas ao sonho de Mandela


Pedro Azevedo

A África do Sul partia para a final do mundial de rugby como o "underdog". Do outro lado estava a poderosa Inglaterra, grande favorita à vitória final. Tudo assentava numa espécie de silogismo: os "Springboks" sul-africanos haviam perdido bem contra os "All Blacks" neozelandeses (fase de grupos) que por sua vez tinham sido derrotados convincentemente pela selecção da Rosa (meias finais), logo a Inglaterra devia naturalmente vencer.

 

Acontece que os sul-africanos não estiveram de acordo. Tudo começou na estratégia de jogo e na palestra motivacional do seu treinador, o conhecedor Rassie Erasmus (a fazer jus ao nome). Depois, prolongou-se no campo através da acção de liderança de Siya Kolisi, o primeiro capitão negro da história dos "Springboks", que no final do jogo teve este discurso inspirador: "Viemos de contextos diferentes, distintas raças, mas juntamo-nos com um único objectivo: alcançar a vitória no Mundial e mostrar à África do Sul que quando estamos juntos, conseguimos tudo". Mandela, em cima, no Céu, deve ter sorrido embevecido...  

 

O jogo ficou marcado pelos pontapés de Handre Pollard, o experiente médio de abertura sul-africano, que desde o apito para o início da partida foi estabelecendo a diferença no marcador, apoiado no desempenho dos seus valorosos avançados (o número 8, Vermeulen, foi considerado "Man of the match") que foram ganhando sucessivos "rucks" e faltas. Destaque também para a acção dos talentosos pontas Mapimpi e Kolbe, os quais foram decisivos na fase final do jogo com ensaios obtidos através de movimentações onde combinaram velocidade com inteligência e/ou trocas de pés estonteantes. 

 

Com esta vitória, os "Springboks" estão agora a par da Nova Zelândia como as selecções com mais  vitórias em mundiais (3), com a particularidade de os sul-africanos terem ganho sempre com intervalos de 12 anos (1995-2007-2019). Uma palavra de apreço para o Japão, país que organizou um Mundial fantástico, com muita festa nas bancadas. Uma celebração da vida, não do ódio. Aliás, digno de destaque foi o "fair-play" de todos os intervenientes, desde árbitros (sempre a privilegiarem a prevenção em detrimento da repressão), treinadores, jogadores até ao público presente. O rugby, mais uma vez, a dar uma lição de civilidade a todos os amantes do desporto em Portugal e no mundo.

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Kolisi recebendo a Taça Webb Ellis com De Klerk (influente Médio de Formação) a seu lado

24
Fev19

And now for something completely different


Pedro Azevedo

Ontem em Cardiff, em partida épica a contar para a 3ª jornada do Torneio das 6 Nações, em rugby, o País de Gales bateu a Inglaterra por 21-13 e assumiu a liderança da competição. 

 

O Torneio das 6 Nações reune as melhores equipas europeias. Iniciou-se em 1883, então com a denominação de "Home Nations",  reunindo as 4 equipas britânicas (Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda), com a curiosidade dos irlandeses incluirem na sua equipa jogadores do norte da sua fronteira. Com a entrada da França em 1910, a competição passou a designar-se como Torneio das 5 Nações. Após dois interregnos - o primeiro entre 1932 e 1939, em que a competição voltou a só reunir as selecções britânicas, e um segundo devido à 2ª Grande Guerra - , desde 1947 e até 1999, o torneio continuou a desenrolar-se com estas 5 selecções. A partir de 2000, já com a presença da recém-admitida Itália, a competição adoptou a actual designação de "Torneio das 6 Nações".

 

A Inglaterra liderava o torneio até à deslocação a Gales e era a grande favorita das casas de apostas. Após a sua imponente vitória na Irlanda - vencedora da última edição - , os ingleses apresentavam-se em óptima forma para este jogo. E a verdade é que cedo o demonstraram: ao intervalo batiam os galeses por 10-3, fruto de um ensaio (no rugby, um ensaio vale 5 pontos e a sua conversão aos postes mais 2 pontos adicionais) do jovem Tom Curry. A Inglaterra optava pelo jogo aéreo, através de pontapés desferidos desde a sua linha de 3 quartos, procurando a carga dos seus avançados. Só que o galês Liam Williams - Man of the Match - começava a destacar-se, captando impecavelmente todos os "up-and-under" ingleses, mantendo assim os galeses no jogo.

 

Na etapa complementar, fruto inicialmente de alguma variação de jogo do seu médio de abertura Gareth Anscombe (abusara do jogo ao pé no primeiro tempo), os galeses conseguiram aproximar-se até aos 10-9, beneficiando também do descontrolo emocional do pilar inglês Kyle Sincklair (muito faltoso). O capitão inglês, Owen Farrell, ainda voltou a ampliar a vantagem inglesa através da conversão de uma penalidade, mas a entrada em cena do agora suplente, e habitual titular, médio de abertura galês Dan Biggar viria a mudar por completo o jogo. Completando uma acção intensa de ataque, que incluiu 34 fases no chão, Biggar, qual Médio de Formação, deslocou-se até a um "ruck" e soltou a bola no momento exacto para um embalado Cory Hill marcar o 1º ensaio de Gales. Na conversão, Biggar não falhou e Gales passou a vencer por 16-13. Os "reds" estavam imparáveis e, já com o árbitro a dar vantagem, voltariam a concretizar, quando Biggar colocou um pontapé lateral na ponta direita, onde Josh Adams se superiorizou no ar ao defesa Elliot Daly e marcou o segundo ensaio galês do jogo. Biggar não converteu, mas o resultado final (21-13) já não se alteraria.

 

Com esta vitória, os galeses passaram a liderar o Torneio, contando por vitórias os jogos disputados (França, Itália, Inglaterra) até ao momento. Para finalizarem a competição, os galeses ainda terão de se deslocar à Escócia e receberem a Irlanda naquele que poderá ser o jogo do título. Com este triunfo, Gales atingiu um novo record de 12 vitórias consecutivas em "test matches", batendo o anterior que durava desde 1910. Confirmada ficou também a sua apetência em vencer os ingleses num ano terminado em "9". Foi assim em 1949, 59, 69, 79, 89, 99, 09...e 2019.

 

A Inglaterra é ainda, do ponto de vista histórico, a dominadora da competição, com 28 triunfos, seguida de Gales (26), França (17), Escócia (15) e Irlanda (14). A Itália não tem qualquer torneio conquistado. Os ingleses dominam também as estatísticas de Grand Slams (vitórias em todos os jogos) conquistados, com 13 triunfos, seguidos de Gales (11).

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(Liam Williams - Foto:BBC)

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(Dan Biggar - Foto: Getty Images)

 

Nota: no Torneio das 6 Nações, a vitória vale 4 pontos, o empate 2 e a derrota 0. Marcar pelo menos 4 ensaios num jogo dá 1 ponto bónus adicional. Perder por 7 ou menos pontos de diferença também dá 1 ponto bónus à equipa derrotada.

 

P.S. é impressionante a lição que o rugby permanentemente nos transmite. Sendo um desporto de contacto, poder-se-ia supôr que tal apelaria à violência, mas o jogo é disputado sempre com lealdade, bem escoltado por árbitros que estão lá para ajudar os jogadores e que até os avisam de que estão prestes a infringir as regras. O ambiente nas bancadas é genericamente de festa, mesmo quando a rivalidade é grande (como foi o caso de ontem). O momento dos hinos é particularmente tocante, dada a forma como os jogadores e espectadores o cantam e sentem. Eu então, que torço sempre por Gales, fico sempre sensibilizado ao ouvir o imponente "Land of my fathers". Obrigado rugby!

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