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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

08
Abr21

Um futebol feito à medida


Pedro Azevedo

Um campo de futebol tem cerca de 100 metros de comprimento, o equivalente a 10 000 cm. Metade - não há foras de jogo antes do meio campo - são 5 000 cm, pelo que 2 cm são 0,04% do comprimento do campo sujeito à regra do fora de jogo. No acesso à Universidade, há quem fique de fora por 0,01 valores numa escala de 20, ou seja, 0,05%. Na F1, numa volta à pista efectuada em cerca de 90 segundos, há quem perca a pole-position por cerca de 1 milésimo de segundo (0,0011%). Estes exemplos servem para explicar que o detalhe está sempre presente nas nossas vidas, muitas vezes dele dependendo o sucesso ou o fracasso de uma determinada empreitada. Assim, não é o rigor dos 2 cm que me incomoda, o que me preocupa é a falta de escrutínio sobre quem efectua essas medições e os meios actualmente existentes para o efeito, que estão longe de oferecer garantias de acuidade (ao contrário do sistema electrónico/"transponder" usado no automobilismo ou das médias ponderadas que dão a nota final para o acesso à faculdade). E é sobre isso que deveria recair a reflexão neste momento, procurando perceber-se de que forma poderemos eliminar a suspeição sobre o VAR e assim dar ao espectador garantias de idoneidade do produto futebol. Porque já não há paciência para tanto ruído negativo e quem efectivamente gosta do jogo merece um futebol feito à medida de quem quer desfrutar dele pelos melhores motivos. É que a já estafada ideia de que o ruído é essencial ao futebol, acerrimamente defendido por quem vê interesse na continuação da suspeição e arbitrariedade do status-quo vigente, só ajudou a formar um adepto sem cultura desportiva, fanático pelo clube e sem verdadeiro gosto pelo jogo ou interesse em o discutir, conhecer ou aprofundar nas suas dimensões técnica, táctica, física ou mental. . 

07
Abr21

Transparência


Pedro Azevedo

Não existe neste momento tecnologia suficiente para determinar com um nível de significância alto se um jogador que à vista desarmada está em linha se encontra de facto em fora de jogo. Desde logo porque o ponto de contacto na bola no momento do passe é muito difícil de determinar com exactidão na medida em que há um atrito não negligenciável entre a superfície do corpo do jogador e a bola (para não falar da incerteza quanto ao efectivo momento em que a bola contacta com a superfície do corpo do jogador ou dela sai). Ora, esse atrito, de décimos de segundo, implica um número considerável de "frames", todos eles apontando para uma posição absoluta e relativa (face aos adversários) do jogador que recebe a bola diferente. Deste modo, torna-se impossível determinar com segurança se o "frame" escolhido é o correcto ou não. Assim, a aceitação da decisão final do VAR é essencialmente um acto de fé, o que nesta religião pagã de que comungam os adeptos do futebol geralmente não augura nada de bom.  

 

Acresce que a própria representação do terreno de jogo em computador pode implicar um erro humano. Foi aliás o que aconteceu em Moreira de Cónegos aquando da deslocação do Braga. Nesse jogo, os bracarenses viram anulado um golo legal por alegado fora de jogo quando o seu jogador estava cerca de 130 centímetros em jogo. Na altura o erro foi imputado ao operador de imagem, mas estranhei não ter havido um inquérito rigoroso por parte da Liga que produzisse conclusões que pudessem sossegar os adeptos do futebol quanto à não recorrência deste tipo de erro. É que se avançamos para a tecnologia com a finalidade de evitar o erro, então deveremos por todos os meios assegurar que essa própria tecnologia não se torna uma fonte do próprio erro, manipulável e assim contribuinte para o adensar do clima de suspeição. E é nisto que eu me gostaria de focar: o que fazem as autoridades competentes no sentido da promoção da transparência? É certo que não se pode ser a favor da verdade desportiva e depois queixarmo-nos de um fora de jogo de 2 cm, mas mandaria o bom senso que houvesse uma espécie de caixa negra onde estes lances milimétricos seriam arquivados para posterior observação de um comité de análise independente, comité esse que depois tornaria pública a sua avaliação. 

 

Quanto à questão da margem de segurança nestas decisões de fora de jogo, o problema é exactamente determinar que tipo de margem deveria ser usada. Para tal, talvez fosse interessante determinar em média qual o impacto de um "frame" em centímetros, mas isso estará certamente dependente da velocidade de deslocamento de um jogador, variando assim consoante a situação específica. Por outro lado, admitindo que se daria uma margem de erro de 15 centímetros na determinação de um fora de jogo, logo apareceria gente a queixar-se se o fora de jogo fosse de 16 cm, insinuando que o tal centímetro adicional teria sido forjado.

 

Assim, não havendo possibilidade com a tecnologia presente de determinar com exactidão o momento em que a bola efectivamente sai do corpo do jogador (diferente do momento do primeiro contacto) que faz o passe, o que sugiro é que se aposte na transparência e que alguém mais tarde venha publicamente informar se a decisão foi bem ou mal tomada face aos óbvios constrangimentos existentes. Como deveria ser, na total salvaguarda da verdade desportiva possível, não dando azo a que o adepto pensasse em manipulação. O que não me parece bem é que o espectador em casa, que é quem paga o serviço televisivo que indirectamente, via DireitosTV, alimenta os clubes (e por conseguinte a Liga), não tenha acesso às medições de fora de jogo de outros dois lances ocorridos em Moreira de Cónegos. Isso não só aparenta ser um desprezo por quem efectivamente paga o futebol como também em nada contribui para a idoneidade do produto Futebol Português. 

 

Concluindo, de pouco serve dotarmos o futebol de um instrumento de apoio à verdade desportiva se depois nos esquecermos dessa finalidade primária e envolvermos o VAR numa opacidade absolutamente contrária ao princípio que o emanou. Nesse sentido, exige-se que haja quem controle à posteriori as decisões do VAR. E, já agora, que as comunicações entre VAR e árbitro sejam públicas, a bem da transparência. Teme-se o quê? Haverá bem maior na promoção de um produto que a sua idoneidade? Food for thought...

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