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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

10
Dez19

Para mais tarde recordar(*)


Pedro Azevedo

Numa cadeira situada no A24, um homem contempla, ao fim da tarde, a silhueta dos seus consócios dispostos pela bancada poente oposta. 

Dada a hora, no relvado já se reflecte a sua sombra.

Muitos dos consócios, sentados em frente de si, brevemente irão partir. Ao amanhecer fartar-se-ão do maniqueísmo, do niilismo, das bravatas e da guerra e não voltarão. E a sombra, sua companheira de viagem, também irá com eles e com eles desaparecerá.

Mas ainda é fim da tarde. O homem busca um pedaço de papel e nele desenha o contorno da sombra.

Esses traços não irão partir.

Não festejarão em uníssono, e ele sabe-o. Mas não irão partir. 

 

(*) Adaptação livre do conto "A arte de desenhar-te", de Eduardo Galeano

06
Nov19

Niilismo, maniqueísmo e conformismo, eis os males do Sporting


Pedro Azevedo

Não o conheço pessoalmente e nada tenho contra o cidadão Frederico Varandas. Adicionalmente, como Director Clínico, a ideia que ainda hoje retenho é de ter sido alguém muitíssimo competente no decurso suas funções no Sporting. Mas tenho de dizer que como presidente do clube tem falhado em toda a linha. E não falo apenas do que foi a canhestra preparação desta época desportiva e do impacto futuro que a política de aquisições, vendas (Bas Dost, Domingos Duarte) a preço de saldo e empréstimos com cláusulas de opção baixas por parte do clube comprador terá nas nossas já depauperadas finanças, acima de tudo preocupa-me o ambiente que se vive no clube e do qual não tenho memória em 39 anos de associado.

 

Tenho por hábito viajar ao filtro das pessoas, aquilo que na gíria se designa como colocar-me nos sapatos do outro. Desse modo, muitas vezes dou por mim a pensar o que faria se estivesse no lugar do presidente do Sporting e sentisse a contestação dos adeptos. Devo dizer que contestação por contestação não seria nunca motivo suficiente para abdicar das minhas convicções. Penso até que seria uma atitude algo irresponsável demitir-me nessas circunstâncias. Acontece que contestação é uma coisa, o ambiente que se vive no clube é outra. Sendo certo que algum do actual extremismo que se vive no Sporting deriva do radicalismo de linguagem que Bruno de Carvalho introduziu no clube (aquilo a que chamei de "exuberância irracional") quando errónea e despropositadamente trocou o inimigo externo pelo inimigo interno, também não deixa de ser verdade que Frederico Varandas nada fez para alterar esse "status-quo". Pior, do meu ponto de vista acentuou a separação entre sócios do Sporting. Do plebiscito referendário que ditou a destituição do anterior presidente resultou um 71%/29% em votos e uma assimetria ligeiramente menor em nº de votantes. Dado o clima que conduziu à destituição e ao "day after", em que ninguém poupou no verbo (ou melhor, no adjectivo), o radicalismo continuou a grassar. Quando Varandas começou a exercer funções cada um destes grupos já se encontrava confortavelmente barricado na sua trincheira, como se tal fosse o "novo normal" do Sporting. Ora, em vez de procurar um discurso assente no futuro, de reconciliação entre sócios e de aproximação destes ao centro da discussão como aliás havia prometido em campanha eleitoral, o presidente do Sporting não resistiu ao conforto ilusório de gerir a desunião, usando os primeiros opositores como escudo ou justificação para um eventual fracasso, ciente de que a maioria silenciosa estaria consigo. Na minha modesta opinião, um líder não parte para uma batalha com divisionismo nas suas hostes e a preparar uma derrota. Não, um líder arregimenta ao máximo à sua volta as suas tropas e com o foco exclusivo na vitória, ponto. Mais a mais após um acontecimento traumatizante para o clube que recomendava especial atenção e bom senso na colagem dos cacos, algo do género que o Marquês de Pombal exemplarmente quis fazer passar com a célebre expressão "cuidar dos vivos". Acresce que a obsessão com denegrir ainda mais o nome do anterior presidente sempre me pareceu desproporcionada. Uma coisa é eu sentir que Bruno já não tinha as condições psicológicas para gerir o Sporting, que na parte final do seu mandato já confundia o clube com ele próprio, etc, outra é não saber viver com quem partilhe uma opinião diferente ou deixar que se alimente a calúnia, insinuação e um tipo de ataques "ad-hominem" que não gostaria que fossem praticados contra mim. Esse, para mim, foi o primeiro grande erro de Varandas. No meio da exaltação de alguns seus próximos, Varandas nunca soube usar da liderança de forma a suavizar o discurso institucional e assim evitar radicalizar ainda mais o dos saudosos do antigo regime, pensando como um estadista preocupado com a próxima geração e não como um político a preservar a sua eleição. Não, durante uns tempos viveu-se um período de delito de opinião, próximo da "caça às bruxas" de um "macarthismo" bacoco que ignorou algumas realizações do anterior presidente que granjearam legitimamente simpatia nos sócios, mesmo naqueles que não lhe perdoaram a deriva dos últimos meses . Ora, se nós estamos absolutamente seguros da força das nossas convicções não devemos temer as opiniões dos outros, não é assim? À medida que os resultados desportivos mostravam a ponta do icebergue de uma política desportiva incompreensível, Varandas cometeu o seu segundo grande erro: começou o discurso truculento voltado para dentro, primeiro com um alvo definido (Cintra) depois para quem quisesse enfiar a carapuça ("esqueletos", "cientistas", "malucos", "cães que ladram"...), o regresso de uma linguagem imprópria que se julgava erradicada do clube e que ainda ontem se ouviu, imagine-se, em Dias da Cunha ("o bronco", assim se referiu ele a BdC, sendo certo que tem como atenuante já não exercer qualquer cargo no Sporting). Só que já se cumpriu um período de nojo razoável em relação aos acontecimentos de Alcochete e a gestão do futebol de Varandas é algo exogéno a esse dia negro, pelo que os sócios do Sporting, nomeadamente as bases e os moderados, deixaram de bater palmas a esse tipo de maniqueísmo primário e começaram a preocupar-se essencialmente com as consequências da estratégia delineada pela Estrutura para o futebol. Sentindo que a contestação subia de tom e que a fragilidade dos orgãos sociais era mais evidente, logo líderes de algumas claques aproveitaram para mostrar os dentes e vingarem a perda de privilégios. A Direcção respondeu como devia, mas num timing que a fragilizou dado o contexto da equipa de futebol. Entretanto, foi apresentado o 5º treinador da era Varandas, protestou-se um jogo bem perdido contra um clube da terceira divisão, depois de 40 milhões investidos desde Janeiro em contratações a equipa encontra-se à décima jornada a dez pontos do Benfica, não se vê aposta notória na Formação, a Comunicação do clube continua a não acertar uma, as Assembleias Gerais redundantemente vão terminando em arruaça e o Congresso Leonino, espaço onde todos os Sportinguistas podiam finalmente, de uma forma salutar e construtiva, discutir entre si ideias que visassem a melhoria do Sporting, foi adiado com o argumento (dado pela Comissão Organizadora) de que o momento não era o ideal para a reflexão sobre o clube. Convenhamos que é obra! Paralelamente, a equipa de futebol não tem qualquer protecção nos relvados deste país, algo que vem sendo exacerbado pela criatividade dos vídeo-árbitros que nos têm calhado em "sorte". Sobre isto a Direcção também não diz nada. Cria-se assim a sensação de vazio, desconhecendo-se para e por onde se caminha (se é que se caminha) e por que valores lutamos. É a nossa identidade que está em causa quando o niilismo Sportinguista entra em cena e deixamos de acreditar seja no que for e o ressentimento, paralisia e incapacidade de seguir em frente tomam conta do clube. O declínio sente-se a chegar. E é aqui que entra o terceiro grande mal que assola o Sporting: o conformismo. Dado o contexto, tudo hoje em dia no Sporting é visto como uma fatalidade, uma inevitabilidade. É por isso que Frederico Varandas deve repensar o seu futuro no Sporting. Volto a viajar ao filtro do presidente e interrogo-me: se o objectivo de um presidente é fazer os seus felizes, que ilação posso eu tirar de ver toda a gente infeliz e cada vez maior desagregação à minha volta? É aqui que o Sportinguismo do presidente deve, no meu entendimento, prevalecer sobre a ambição pessoal e o natural desejo de inverter o rumo dos acontecimentos, não esquecendo que Varandas tem toda a legitimidade democrática para se manter em funções. Se tomar uma atitude agora, dando o seu acordo para um pacto de regime que viabilize a realização de eleições assim que termine este campeonato, estará a prestar um serviço relevante ao clube, permitindo que projectos alternativos possam ser apresentados aos sócios e por eles devidamente escrutinados com a calma, serenidade e ponderação que não existiu no pretérito período eleitoral, evitando-se assim decisões puramente emocionais ou uma daquelas mudanças que deixem tudo igual ou pior. Se não o fizer, fiél ao seu slogan eleitoralista, continuará a "unir o Sporting". Temo é que os nós usados para o unir acabem por deixar o clube estrangulado.      

26
Ago19

Identidade de clube e marketing de jogadores


Pedro Azevedo

O Sporting saiu a perder de todas as formas na novela Dost. À magra compensação obtida na venda do holandês aos alemães do Eintracht Frankfurt deve somar-se a incompreensão por parte de quem dirige de que a protecção do clube é sempre a protecção dos seus activos e da imagem pública destes. Ficou também bem patente, nas discussões entre os adeptos, outro grande problema do clube: de cima a baixo, não existe uma cultura que promova a meritocracia, coexistindo a falta de reconhecimento com quem serviu bem a instituição com a falta de exigência com quem não cumpre os mínimos. Só nesse sentido se pode entender que o clube, no seu Twitter oficial, tenha publicado uma mensagem onde se pode ler: "o Sporting sabe distinguir o jogador Bas Dost do que o rodeia. Obrigado por tudo, Bas". Sabendo que no subconsciente popular se encontra a frase "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és", o Sporting permite-se, em veículo de difusão da sua Comunicação, saudar pela última vez o seu antigo jogador  - marcador de 93 golos em 3 épocas, é bom não esquecer - com reservas, assim a modos daquilo que os auditores por vezes colocam em Relatórios e Contas, algo que não fez por exemplo aquando das saídas de Barcos, Spalvis ou Castaignos (todos juntos representando zero golos marcados pelo Sporting), os quais mereceram palavras elogiosas de circunstância. Assim sendo, resta a este sócio dizer sem rodeios perante aquilo que o rodeia que também sabe distinguir o enorme Sporting Clube de Portugal da Comunicação do clube e, mais, ainda sabe distinguir o Sporting do senhor Rui Pedro Braz e outros que tais, e como tal, mesmo não se revendo neste triste episódio, continuará fiél ao clube do seu coração, o qual promete continuar a acompanhar com devoção.   

 

Se os jogadores de futebol são o maior activo da SAD - o maior activo do clube são os seus sócios - não se compreende como a Sporting SAD, uma vez mais (não é de hoje), termina uma relação com um jogador desta forma. Não que eventualmente não tivesse as suas razões, mas é bom não esquecer que foi a SAD, através de um comunicado, que tornou público e evidente para todos haver um problema com o seu jogador (em vez de tentar resolver o assunto no silêncio dos gabinetes), imediatamente contribuindo para desvalorizá-lo perante o mercado, com tudo o que antecipadamente saberia que isso iria trazer em termos de danos desportivos, financeiros e reputacionais. Deste modo, enquanto o vizinho ao lado tratou de homenagear Jonas e Luisão, o nosso clube viu sair Bas Dost pela porta pequena, sem sequer os adeptos terem tido oportunidade de dele se despedirem. Falando a nossa Comunicação em "quem o rodeia", como se não houvesse consciência que de entre quem a rodeia a si (ao clube), saíram uns inadaptados sociais (chamemos-lhes assim) que agrediram barbaramente o jogador aquando do inacreditável episódio de Alcochete, situação que o jogador fez por esquecer entre outras coisas porque soube separar os agressores dos adeptos comuns que lhe acenavam na rua. Pode até haver quem ache isto bem, mas este tipo de coisas é ilustrativo da falta de identidade e de Cultura Corporativa de um clube como o Sporting, mesmo que para o efeito tenha sido o seu braço instrumental (a SAD) a perpetrar tais actos. E demonstra, inequivocamente, uma ausência de política de promoção de jogadores, a qual depois tem as suas consequências no valor pago pelo mercado. Assim sendo, resta esperarmos quem será o próximo alvo. Por aquilo que fui lendo hoje no blogue não me admiraria que fosse Acuña. Aparentemente, e sem nunca eu me ter disso apercebido, parece não ter a qualidade suficiente, ser um híbrido e um risco. O que é estranho é estas apreciações depreciativas sobre alguns dos nossos melhores jogadores estarem últimamente muito na moda nas redes sociais. Não era a isso que eu me referia quando falei em Renascimento, mas está bem... 

22
Abr19

A perspectiva da Formação


Pedro Azevedo

O sucesso é muitas vezes uma conjugação de preparação com a oportunidade certa. Quantos jovens da nossa Formação não se perderam por falta de preparação para o mediatismo da fama, ou falta de empenhamento? Quantos miúdos talentosos não se perderam por não terem tido oportunidades? 

 

É difícil a quem está de fora avaliar correctamente sobre as razões pelas quais nem sempre o talento tem correspondência no sucesso. Aliás, o próprio talento de um jovem é algo que divide os observadores. Por um lado, há quem ache que não temos talento entre os jovens para que estes ascendam à equipa principal. Outros há que pensam que o que falta é a oportunidade.

Em relação aos primeiros, recupero aqui o que se dizia de Adrien ou de William nos seus primeiros anos de seniores. Poucos apostariam dobrado sobre singelo nestes dois, na época, jovens da nossa Formação. Simplesmente, aos olhos da maioria, não tinham a qualidade suficiente. Acontece que a situação financeira debilitada do clube e a contratação de um jovem treinador português, conjugadas, criaram a oportunidade para a afirmação destes talentos, eles que andaram pelos campeonatos israelita ou belga sem grande notoriedade.

 

Adicionalmente, a aposta num jovem tem de ser consistente. Não se pode dar infinitas possibilidades a um Diaby e apostar aos soluços num jovem. Jovane, por exemplo, foi uma surpresa porque entrou bem na primeira equipa, mas perdeu alguma confiança e ritmo quando deixou de ser aposta. Em sentido contrário, Paulo Bento confiou em Rui Patrício pese embora sucessivos erros comprometedores do nosso antigo guarda-redes e o Sporting veio a retirar os frutos dessa aposta alguns anos depois. Tal só aconteceu porque Rui tinha qualidade, evidentemente, mas também por influência da persistência do treinador que lhe detectou essa qualidade e lhe incutiu confiança sem esperar resultados imediatos. 

 

Por tudo isto, entendi como curial fazer este Post, de forma a que não sejamos precipitados no julgamento das situações. Se é mais difícil para um adepto perceber se um jogador trabalha bem (ou não), mais fácil é fazermos uma introspecção sobre julgamentos precipitados que fizemos no passado. 

 

02
Mar19

Cântico Verde


Pedro Azevedo

No futebol, o Sporting entrou num "bear market" (ciclo recessivo) há mais de 30 anos. Por vezes, algumas sementes de recuperação criam a ilusão de que o clube entrou num novo ciclo, mas há sempre aquilo a que um dia um ex-presidente da Reserva Federal americana (Alan Greenspan) chamou de exuberância irracional a puxar-nos para baixo. 

 

Nos anos 80, o Miguel Esteves Cardoso escreveu um livro notável, em jeito de sátira, sobre os portugueses. Chamava-se "A Causa das Coisas" e expunha a alma lusa nas suas contradições e idiossincrasias. Não sei o que o MEC hoje diria sobre nós enquanto povo e sobre os sportinguistas em particular, mas tenho por certo que os meus consócios deste tempo se preocupam muito mais com as coisas do que com as causas, pelo que uma reedição do livro dedicada a nós dever-se-ia chamar de "As Coisas da causa", assim mesmo, com causa com "c" pequeno, tal o desprezo que actualmente mostramos pela nossa identidade ou cultura corporativa, que deveria ser a razão de aqui estarmos.

 

Um clube de futebol como o nosso - que é muito mais do que só futebol e deveria ser muito mais do que um clube - não é um circo e, como tal, nele não deveriam coabitar trapezistas, contorcionistas, ilusionistas, palhaços ou adestradores de leões (este último, vulgo plantar de "Comunicação"). Também não deveria ser um clube de danças de salão, embora por exemplo o tango tenha um compasso binário semelhante à tanga do futebol português, onde o Sporting está condenado a perder mais do que ganha. Aliás, na actual conjuntura da Champions, a dança é acompanhada ao som do bandoneon (pequeno acordeão argentino usado no tango), em que os clubes que asseguram a fase de grupos estão num lado do fole e quem não o consegue fica no lado diametralmente oposto, estando o instrumento esticado até ao limite e assim proporcionando enormes assimetrias "rítmicas". 

 

Por tudo isto, hoje ouvimos dizer que somos um "high yield", um elevado risco, mas também elevada perspectiva de retorno caso não haja "default" (incumprimento), para um investidor, coisa que era capaz de deixar o Visconde de Alvalade à beira de um ataque de nervos se voltasse ao mundo dos vivos. Do clube "tão grande como os maiores da Europa" para o "senhor Orlando e os colchões da academia", rotação de cento e oitenta graus de uma peculiar forma de enaltecimento de uma instituição (um nobre até pode ficar sem dinheiro, não perde nunca é a dignidade). E que Instituição!!!

 

Precisamos como nunca de voltar às origens, de procurar as nossas referências. Os mais novos e os rapazes da minha geração que me desculpem, mas este é um tempo de nos sentarmos e ouvirmos os menos jovens, aqueles que são tão pouco rendibilizados nos nossos dias. De recolhermos lições das suas histórias, inspirarmo-nos nas suas memórias, bebermos da sua experiência, vivenciarmos e celebrarmos o sportinguismo, entendermos de onde vinha aquela mística ganhadora. Um clube como o Sporting precisa deles como nunca, como precisa de todos, não pode funcionar em circuito fechado. Apostar no que é nosso e feito de (e por) nós, em vez de importar "novo riquismo". Quando temos dúvidas sobre um caminho, nada como recuar às origens de tudo. Tal permitir-nos-á, como diria José Régio, saber por onde não ir, saber para onde não ir. É que tantos anos de desilusão provocam erosão e nos nossos olhos já há ironias e cansaços. Mas atenção, ao contrário do enunciado pelo poeta, não cruzamos (nem cruzaremos) os braços, porque este cântico pode parecer negro mas é verde. De esperança!

 

P.S. Qualquer pessoa sabe que o dinheiro custa muito a ganhar, nomeadamente se for obtido de uma forma legítima, sem batota. Já perdê-lo, é fácil. Basta gastá-lo, ou investi-lo sem critério.

 

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