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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

16
Jun21

Tudo ao molho e fé no Euro21 (ou 20)

A Filosofia do Ketchup


Pedro Azevedo

"Os golos são como o Ketchup" - Cristiano Ronaldo 

 

O grande filósofo Cristiano Ronaldo disse um dia que "Os golos são como o Ketchup e quando aparecem vêm todos de uma vez". Lembrei-me disso ontem quando o Renato Sanches sacudiu a garrafa do Ketchup (lâmpada?) e o génio Ronaldo concedeu os 3 desejos, deixando altruisticamente para o Raphael Guerreiro a tarefa de concretizar o primeiro. Foi, no entanto, necessário esperar 84 minutos para que Portugal fizesse baloiçar as redes magiares, tempo exemplarmente gasto pelos lusos com o intuito de contrariar o postulado do Princípio da Impenetrabilidade da Matéria - "Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo". Para tal, Fernando Santos elaborou uma experiência científica com Danilo e William como cobaias, provando que, em matéria de princípios, até os Princípios da Física não resistem ao futebol português. 

 

Portugal apresentou-se com Rui Patrício como guardião das nossas esperanças e calafrios (ai, ai...). Como o respeitinho é muito bonito, o Jogador do Ano da Premier League (Rúben Dias) foi deslocado para o lado esquerdo da zona central da defesa portuguesa a fim de que o veterano Pepe pudesse jogar de cadeirinha pela direita. Nas laterais o Nelson Sem Medo e o Raphael Guerreiro, dois apelidos à altura da batalha que tínhamos pela frente perante 60 000 húngaros. À frente destes aparecia um pivô duplo, com o Bruno Fernandes a ter mais liberdade para criar. Depois, no ataque tínhamos o Bernardo, o Jota e o inevitável Ronaldo. 

 

Só para contrariar os Velhos do Restelo que dizem que Ronaldo é prejudicial à Selecção porque toda a equipa joga para ele e isso retira imprevisibilidade, o irreverente do Jota começou logo o jogo a ignorar o nosso capitão, desmarcado na esquerda, e a chutar à baliza. O Gulácsi é que não esteve pelos ajustes e contrariou as suas intenções. O Jota não via ninguém, queria marcar um golo de qualquer maneira e, pouco depois, antecipou-se ao Bruno Fernandes e voltou a acertar no guarda-redes magiar. Depois, o Ronaldo isolou o Bernardo na direita, mas este lamentou não ter dois pés esquerdos e o lance perdeu-se mais uma vez. Antes do intervalo o Ronaldo ainda podia ter marcado, não fora ter ficado surpreendido por o Jota finalmente não se ter atirado que nem um glutão à bola. 

 

No segundo tempo o Bruno desatou a rematar à baliza. O Gulácsi provou ser o melhor dos húngaros e negou-lhe um golo certo. Entretanto, O Engenheiro mandou o Rafa lá para dentro para ver se intimidava os húngaros com a barba (ou se dava água pela barba aos magiares, vá lá saber-se...). Mas foi a partir do momento em que o Renato Sanches entrou que Portugal conseguiu abanar o jogo. É certo que o nosso primeiro golo foi às três tabelas, mas depois o Bulo foi por ali acima até servir o Rafa para este cavar um penálti que decidiu o jogo. Quem o transformou foi o Ronaldo, mandando o Platini para canto como melhor marcador de fases finais de europeus. Animado com mais um recorde, o Cristiano engendrou e iniciou uma tabelinha com o Rafa, finalizando com uma finta ao excelente guarda-redes húngaro e provando que ainda não perdeu de todo a habilidade de extremo. E lá ficou o Ali Daei à distância de um "hat-trick"... Assim, com 3 golos em 8 minutos, o jogo chegava ao fim. O jogo jogado, porque o jogo falado teve o "Motorista Santos" como protagonista. Com os hilariantes e habituais tiques de pescoço, provável consequência de algumas caîbras originadas pelas tensas travagens que muitas vezes impõe nas partidas, mas com a naturalidade de quem soube reconhecer que o apodo sugerido pelo técnico italiano dos magiares até se revelou apropriado, tal a forma como Fernando Santos soube com maestria contornar o longo autocarro que a Hungria colocou à sua frente. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Cristiano Ronaldo

ronaldo hungria.jpg

29
Mar20

Heróis do povo(1)

A Hungria de 54


Pedro Azevedo

A história do futebol mundial tem vários exemplos de equipas que maravilharam os adeptos. Porém, na maioria dos casos, ao estilo faltou aliar a eficácia. Vejam o histórico dos Campeonatos do Mundo, por exemplo. A Hungria de 54, a Holanda de 74 e o Brasil de 82 terão sido conjuntamente com o Brasil de 70 as melhores selecções de sempre, todavia só a equipa de Pelé, Tostão, Rivelino, Jairzinho e Gerson se sagrou campeã. 

 

Em 1954, na Suiça, a Hungria era a grande favorita. Os magiares chegavam ao Campeonato do Mundo como campeões olímpicos (1952) e destruidores do mito de invencibilidade dos inventores do jogo, os ingleses. Em dois jogos contra a Inglaterra de Stanley Matthews - o primeiro, em Wembley (Novembro de 1953), perante 105 000 espectadores, passou à história como o "Match of the Century" (Jogo do Século) - os hungaros começaram por golear (6-3) e terminaram a massacrar (7-1) na desforra em Budapeste (Maio de 1954), algo que deixou a "Velha Albion", até aí confiante da sua superioridade, perplexa. A propósito do jogo em Wembley, uns anos depois, o nosso velho conhecido Bobby Robson disse o seguinte: "Nós vimos um estilo de jogo, um sistema de jogo que nunca tínhamos visto anteriormente. Nenhum destes jogadores nos dizia alguma coisa. Não conhecíamos Puskas. Todos estes fantásticos jogadores para nós até podiam ter vindo de Marte. Eles vinham a Londres, a Inglaterra nunca havia perdido em Wembley, a nossa expectativa era ganhar por 3-0, 4-0, talvez até uma demolição por 5-0 de uma equipa proveniente de um pequeno país. Mas, da forma que jogaram, com brilhantismo técnico e organização, destruíram o nosso sistema táctico (WM, 3-2-5) em 90 minutos de grande futebol. Nós pensávamos que eramos os mestres e eles os púpilos, afinal ficou à vista que era o oposto". Na verdade, a grande surpresa introduzida pelos hungaros foi o recúo de um dos avançados (Hidegkuti) para o meio-campo e de um dos médios para a defesa, jogando assim num 4-2-4 que frequentemente confundiu as marcações inglesas. Aliás, Hidegkuti, o homem que organizava o jogo vindo de trás e depois explorava qualquer um dos 3 corredores, acabou por ser o homem do jogo em Wembley, com um hat-trick, superiorizando-se até a Puskas (bisou), o "Major Galopante", avançado centro e estrela da equipa (saíria do Honved para o Real Madrid), dono de um pé esquerdo de sonho. Para lá de Puskas e de Hidegkuti, os magiares tinham outros jogadores de grande nível como Kocsis (ponta de lança) e Czibor (estremo esquerdo), mais tarde contratados pelo Barcelona, ou Bozsic (médio defensivo). O seu treinador era o revolucionário Gusztav Sebes. 

 

No Mundial, os magiares arrancaram com uma vitória em Zurique por 9-0 sobre a Coreia do Sul. No jogo seguinte, em Berna, bateram copiosamente a Alemanha Ocidental (RFA) por 8-3. Em apenas duas partidas, Kocsis acumulou 7 golos, Puskas 3. Apesar da vitória retumbante sobre o antigo aliado, o jogo deixou mazelas nos húngaros, pois Puskas sofreu uma lesão no tornozelo da qual nunca viria a recuperar. Apesar do contratempo, a Hungria continuou a somar vitórias, ambas por 4-2, contra Brasil (Berna) e Uruguai (Lausana), até chegar à final. Kocsis marcou por mais 4 vezes e Hidegkuti fez um bis. Chegou então o dia da final (Berna, 4 de Julho). Com Puskas a pé-coxinho, os húngaros ainda se adiantaram no marcador e por dois golos (Puskas e Czibor), mas a reacção alemã não se fez esperar e mais frescos (haviam poupado alguns titulares no jogo da fase de grupos) acabariam por dar a volta ao jogo com um bis de Rahn e um golo de Morlock. Assim, acabaria por ser Fritz Walter, e não Ferenc Puskas, a levantar a Taça Jules Rimet. Todavia, foram os húngaros que conquistaram o coração dos adeptos com o seu "Futebol Total", um sistema revolucionário que haveria de fazer escola e acabar com o WM. Infelizmente, este estilo futebol-champanhe, que exigia aveludada destreza técnica (Hidegkuti e Puskas protagonizavam diversos números de malabarismo, desde passar a bola por cima dos adversários até 'escavar túneis' entre as pernas dos seus oponentes) e muita versatilidade (trocas de posição constantes entre sectores) por parte dos seus executantes, não duraria muito mais. O esmagamento da Revolução Húngara de 56, que visava a libertação do regime soviético, acabou por ver alguns dos seus melhores jogadores pedirem asilo político a outros países, nomeadamente a Espanha. Mas a história jamais se esquecerá deles.

match of the century.jpg

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