Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

23
Dez21

Tudo ao molho e fé em Deus

Faroeste lusitano


Pedro Azevedo

No Lucky Luke, imortalizado pelo Morris, o mau da fita geralmente terminava coberto de alcatrão e penas. Mas isso era o faroeste americano, por onde o "poor lonesone cowboy" vagabundeava. Nós por cá, felizmente, somos civilizados e não fomentamos essas práticas indecorosas. Caso contrário, poderíamos ser tentados a pensar que o mundo da bola tuga também é um faroeste, o que com um árbitro com muitos Km de estrada de Primeira Liga num jogo que envolvia uns gansos certamente não auguraria nada de bom.  

O Sporting começou por dar avanço aos casapianos, histórico clube dos internacionais Roquete, que era da PIDE, e de Cândido de Oliveira, mais tarde nosso treinador no tempo dos 5 Violinos, que reza a lenda foi preso pelo primeiro. Presos ao chão pareceram os nossos na alvorada do jogo, e Jota voou para colocar o Casa Pia em vantagem. O golo não mudou a letargia geral dos nossos, e durante um período o futebol foi incaracterístico. Tempo então para Daniel Bragança entrar no jogo e todos deslumbrar com o seu toque fino, acelerações com bola e, imagine-se, até com recuperações de bola aéreas(!!). Porém, seria por intervenção do laboratório de bolas paradas que Amorim montou em Alcochete que o Sporting voltaria e equilibrar a contenda: para não variar, o capitão Coates foi lá à frente fazer a diferença.

Após o intervalo o Sporting entrou com Paulinho no lugar de Nazinho. Quer dizer, mais do que uma substituição de diminutivos houve uma  efectiva troca de posições, com Tabata a recuar para o lugar do muito jovem lateral/ala esquerdo e o Sporting a ganhar finalmente quem fosse capaz de pensar o jogo de cabeça levantada, o que como se sabe ajuda a perceber melhor o que se passa em redor (o Tabata geralmente concentra mais os seus olhos na relva, o que até poderá vir a revelar-se útil no combate a térmitas e fungos que vêm afectando o estado do nosso terreno). 

Com melhor dinâmica, fomos então dominando o jogo. O Pote, às voltas com o mau-olhado, até voltou a passar à baliza, coisa que, já se sabe, o tornou letal. Mas o poste ou o guardião dos Gansos conseguiram adiar o golo. Até que o Sarabia arrancou um remate que fez a bola bater na trave, ressaltar para dentro da baliza e voltar a tocar na trave antes de sair para fora da baliza. Ora, quem perceba um pouco de geometria percebeu logo que a bola só podia ter entrado, mas Rui Costa e companhia não terão sido assíduos nas aulas de matemática e mandaram seguir. Salvou-nos o VAR, como em tantas outras vezes, que em tempos natalício bem merece um "Hosana ao VAR". Ele é o caminho, a verdade e a vida, pelo menos para nós que com os meios de antigamente já estaríamos remetidos ao "nosso lugar" de sempre. É verdade, o VAR para nós é como um profeta que nos ilumina o caminho e nos mostra que afinal não somos filhos de um Deus menor. Pena é que sempre que há margem para a invenção o assistente vídeoarbitral não cumpra o seu papel: ontem, por exemplo, o Tabata viu-se expulso quando tentava fugir a um tackle deslizante perpetrado por um jogador do Casa Pia. Em inferioridade numérica, o que nos valeu foi a sagacidade do Amorim, que de uma penada refrescou todo o meio campo e meteu ainda o Homem Prevenido (aquele que vale por dois). 

Bom, chegámos ao Natal, barreira que noutros tempos era vista com um pessimismo digno de uma profecia de Nostradamus. E estamos em todas as competições: primeiros, ex-aequo, no Campeonato; nos quartos-de-final da Taça de Portugal; na "Final Four" da Taça da Liga; nos oitavos-de-final da Champions. Agora é pensar em trinchar o peru e continuar a encher a pança, sabendo de antemão que a azia ficará para um dos nossos rivais que se degladiarão hoje a partir das 20H45. Feliz Natal para todos os Sportinguistas. (E para todos os outros também, que são igualmente filhos de Deus pese embora o Jesus de Carnide ande a deixar os fiéis em brasa com o namoro com o Flemengo.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Daniel Bragança 

14
Dez21

Tudo ao molho e fé em Deus

No sorteio da UEFA(?)


Pedro Azevedo

De manhã começa o dia a aviarmos a Juventus para a Champions. De tal forma que à tarde já estamos no Campeonato do Mundo, a jogar contra o campeão dos Emirados Árabes Unidos. Ad(e)mirados? É esta a inebriante vida de um grande clube, o Sporting Clube de Portugal. E contra o Manchester City, que como o nome indica é uma agremiação do Abu Dhabi, marcharemos. Com a Ala dos Namorados, a Padeira Brites, o Quadrado e a Táctica do nosso Condestável (que nunca contestável) Dom Rúben Nuno Álvares Pereira Amorim. Mas também com a Ínclita Geração, os infantes Porro, Inácio, Matheus, Ugarte e Pedro, este último o das Sete Partidas (as necessárias até ao final), um homem tão à frente do seu tempo que tanto redige uma carta de Bruges como é bem capaz de despachar um Manifesto de Manchester enquanto o diabo esfrega um olho. Acompanhados pelos mais experientes, mas nada Velhos do Restelo, que são Adán, Coates, Feddal, Neto, Palhinha, Sarabia, Paulinho e companhia. O City, pois, que se ponha a pau, que da ocidental praia lusitana vem uma gente que não torce e tem a ambição de vencer. Mesmo que do outro lado esteja o mestre do trique-traque, ou tique-taque, ou lá o que é, até porque, não havendo uma segunda oportunidade de deixar uma primeira boa impressão, teremos de "matá-los" logo à primeira oportunidade. Portanto, eles que fiquem com a posse e nós com o passe. O passe social para o sorteio da próxima eliminatória. Que bem poderá passar por de manhã nos calhar uma equipa alemã e de tarde outra de Omã (ou do Qatar). Senhores da UEFA, vós Paris com cada sorteio... Já vos havia falado dos Jogos repetidos com informação incompleta , para aquilo que não vos preparei foi para sorteios repetidos com informação incompleta (não sei se não seria aqui de invocar o João das Regras...). Mas a UEFA educa, oh se educa...

 

P.S.1. Nestas coisas de David contra Golias há que sempre contar com a fisga, quiçá reforçada com a tão aguardada bazuca. Aguardemos então...

 

P.S.2. Os sorteios de ontem foram paradigmáticos destes novos tempos: da Vecchia Signora para os novos-ricos europeus há toda uma nova ordem do futebol a passar-nos pelos olhos. 

sorteio.jpeg

29
Nov21

Tudo ao molho e fé em Deus

À margem do Lampionato Nacional


Pedro Azevedo

O Sporting fez mais um jogo para o seu campeonato. Por seu campeonato entenda-se um conjunto de jogos que se amontoam num determinado calendário a duas voltas onde todos os adversários se apresentam com 11 jogadores em campo. Bem sei, uma competição assim poderá ser considerada um pouco exótica para a maioria dos cidadãos deste país que torce por outro clube, mas é o que temos. Já o Benfica concorre numa prova à parte, o Lampionato Nacional. Diga-se de passagem que a coisa é bastante desigual, em forte prejuízo dos encarnados. Senão vejamos: se os doutores da bola afirmam convictamente que jogar contra 10 é mais difícil do que jogar contra 11, imaginem o que será jogar contra 9... E, depois, um a um, para aumentar ainda mais o grau de dificuldade, vão-se retirando jogadores de campo da equipa adversária até que fiquem reduzidos a 6 unidades, o que, como se sabe, torna impossível ao Benfica marcar mais golos e mostrar a sua superioridade. Tal é bastante injusto para os actuais pupilos de Jorge Jesus, mas ao mesmo tempo evoca na nossa memória colectiva as origens do futebol: haverá maior pureza do que uma competição que nos remete para as peladinhas da escola, onde havia guarda-redes avançado e tudo? Pois é, o Benfica pode estar 10 anos à frente da concorrência, mas o Lampionato é o seu contributo para o revivalismo do período da Idade da Pedra do futebol. Esbatendo diferenças e promovendo o equilíbrio, nem que para isso tenha de carregar o terrível "handicap" de começar os jogos com homens a mais em campo. Em nome da verdade desportiva, "what else"?

 

Ainda que participando numa competição diferente, o Sporting recebeu ao final de tarde de ontem o Tondela. Estranhamente, a Liga de Clubes não pugnou pelo adiamento do jogo em virtude dos tondelenses se apresentarem completos pelo que a partida realizou-se mesmo, o que com certeza não deixará de merecer parangonas pouco elogiosas nos principais periódicos internacionais. Até parece que já estou a ver um dos títulos: "Doze indomáveis patifes", estrelando os 11 beirões mais o presidente da Liga, com o Proença a fazer o personagem do Lee Marvin, mas com brilhantina e Restaurador Olex quanto baste (o futebol português, os seus "Restauradores" e os Amigos de Olex). Uma vergonha!

 

Esta coisa de ter 11 em campo complica a vida a qualquer equipa. É que há sempre homens a mais em campo, uns dispostos a tocar na bola de forma inadvertida, outros a não saber sair de cena na altura certa. Por isso vimos um tondelense isolar o Sarabia para o nosso primeiro golo e um outro a pôr em jogo o mesmo espanhol aquando do nosso segundo golo, no momento do passe de ruptura do Matheus Nunes (quão mais jogadores, maior a probabilidade de o adversário não estar em fora de jogo). O resto do jogo até foi entretido, com o antigo cérebro (Ayestaran) por detrás do Quique Flores a mostrar que sabe montar uma equipa de futebol. Mas ontem o Neto parecia ter asas e até o Murillo foi apanhar em excesso de velocidade, pelo que a coisa não passou da ameaça. Para piorar a vida aos beirões, o Paulinho marcou um golo - já não bastava aos tondelenses terem de jogar com onze, ainda levaram com um ponta de lança leonino a cumprir com o seu papel. Enfim, um "nonsense" completo... 

 

Na próxima jornada iremos à Luz. À hora que Vos escrevo ainda não sei se o jogo contará para o Campeonato, Lampionato Nacional, ou até se se disputará. É que tanto poderá cair lã dos céus a dar um toque de Natal como a convocatória da omicron alterar os planos a muita gente. Em todo o caso, a Liga deverá dizer qualquer coisa o quanto antes. Ou não, e continuar em isolamento profilático. É que há precauções higiénicas que devem tomar-se para evitar o contágio no futebol. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Luis Neto

netotondela1.jpg

19
Nov21

Tudo ao molho e fé em Deus

Pote 2 na Taça


Pedro Azevedo

O Sporting sentiu muitas dificuldades em contrariar a excelente exibição dos fungos (e, bate na madeira, térmitas) ontem em Alvalade, ao ponto de Jovane ter mesmo literalmente visto o chão a fugir-lhe debaixo dos pés. Dada esta condicionante, e não desvalorizando o Rúben Amorim como extraordinário treinador que é, para vencer em nossa casa talvez fosse mais aconselhável ter no banco a Nancy Botwin (Mary-Louise Parker) do Weeds, uma renomada especialista em erva. Fica a ideia, até porque sempre se poderia aproveitar a coisa para fins medicinais que não envolvessem propriamente entorses e cirurgias aos ligamentos dos joelhos...

 

Para além dos fungos, as fobias também dominaram o jogo. Por exemplo, a fobia de Paulinho em acudir ao primeiro poste, preferindo esconder-se ao segundo na esperança de que um "alien" amigo subitamente fizesse desaparecer toda a equipa da Póvoa da face da Terra e a bola sobrasse para ele. Só que o alienígena tem andado ocupado no outro lado da Segunda Circular a fazer desaparecer membros dos orgãos sociais do Vieira e faltou à chamada, e o Paulinho voltou a ficar a zeros. Aliás, nem se viu, o que me leva a intuir que, como muitos dizem, defendeu muito bem... o relvado. 


Mas nem só de fungos e de fobias foi feito o jogo, houve também tempo para destruir alguns mitos. O de Bragança como médio defensivo, ou o de Esgaio como potencial central pela direita, neste sistema de Amorim, por exemplo. Não admira assim que Palhinha e Inácio tenham sido ausentes omnipresentes, assim como o grande capitão Coates e o fio de prumo com que orienta a linha de fora de jogo. Também o Nuno Santos agitou muito durante todo o jogo, mas para não variar a classe do Sarabia é que fez a diferença em pouco tempo. 

No fim, valeu o Pedro Gonçalves, o que não é propriamente uma novidade, que marcou dois golos em apenas trinta e dois minutos. Pondo-nos assim no sorteio dos oitavos-de-final. Ainda que lá chegando no Pote 2 (o Pote 1 não foi suficiente). 

Tenor "Tudo ao molho...": Pote 

jovanelesao2.jpg

04
Nov21

Tudo ao molho e fé em Deus

Teatro de Todos os Sonhos


Pedro Azevedo

"Chamem a Polícia" - cantavam os Trabalhadores do Comércio, uma banda onde chegaram a coexistir dois maduros com pinta de diletantes e um puto de 7 anos (não se sabe se com contrato de formação ou mera exploração infantil), uma mescla altamente improvável mas que produziu bons resultados (se ignorarmos que os requintados versos de "Ou estas quietinho, ou levas no focinho" parecem ter sido escritos pela criança enquanto fazia os trabalhos de casa de Estudo do Meio sob a tutoria dos dois marmanjos). Lembrei-me dessa música porque ontem o Sporting requisitou os serviços da PSP (Pote, Sarabia e Paulinho) e deu-se muito bem com isso. Adicionalmente, apresentou alguns jovens jogadores oriundos da sua Formação (Inácio, Palhinha, Matheus Nunes, Jovane, Rúben Vinagre, Esgaio e Daniel Bragança), que mesclados com alguns trintões (Adán, Coates e Feddal) igualmente produziram muito bons resultados. 

 

Old Trafford recebeu um dia de Bobby Charlton o feliz apodo de "Teatro dos Sonhos". Charlton, que está imortalizado conjuntamente com Best e Law (holy trinity/santíssima trindade) numa estátua colocada à entrada do mítico estádio do Manchester United, não terá boas recordações do Estádio José de Alvalade pois aí teve de vergar-se (5-0!) aos pés de Osvaldo Silva & Cia na caminhada triunfante dos leões rumo à final de Antuérpia e consequente conquista da Taça dos Vencedores das Taças. Cito Charlton porque ontem Alvalade foi o Teatro dos Sonhos, diria até de Todos os Sonhos, na medida em que não só a nossa exibição fez sonhar os adeptos como a derrota do Dortmund em casa com o Ajax abriu as portas a todas as ilusões de passagem do Sporting à fase a eliminar da Champions. Nada mau para um clube que há apenas 2 anos tinha uma imensidão de trabalhadores, perdão, inválidos do comércio ao seu serviço...

 

Com Rúben Amorim como encenador e Sarabia como assistente para todo o serviço, Pote voltou a ser o protagonista do Teatro dos Sonhos e Paulinho destacou-se mais uma vez nas acções longe da boca de cena. Matheus Nunes continua a crescer como actor - a sua viragem súbita já mereceu direitos de autor - e o outro Matheus, o Reis, tem-se revelado uma boa surpresa. Coates desta vez levou com um guião que o obrigou a uma inusitada contenção. No fim, o público aplaudiu esfusiantemente. Tempo então de chegar a casa, "Time to sleep, per chance to dream" (Shakespeare). Ou, como diria o Torres, "Deixem-me sonhar". Deu-se bem...

Tony award (já que falamos de teatro...) "Tudo ao molho...": Pedro Gonçalves

PGoncalves65.jpg

31
Out21

Tudo ao molho e fé em Deus

Jogos repetidos com informação incompleta


Pedro Azevedo

Na teoria dos jogos é ensinado que as pessoas que interagem no presente fizeram-no no passado e têm a expectativa de o voltar a fazer no futuro. Para que essa interacção aconteça, a informação é primordial. Informações vitais podem ser reveladas pela acção de um jogador, da mesma forma que um jogador pode inibir-se de praticar determinadas acções a fim de evitar essas revelações. Por exemplo, a colocação de Seba Coates a central é tudo menos inocente. Os jogadores adversários ficam convencidos que ele é um central e tarde demais compreendem que ele é efectivamente o ponta de lança da equipa. Por outro lado, o verdadeiro defensor é o jogador Paulinho, que é apresentado publicamente como um matador. Quer dizer, na verdade ele é literalmente um matador, no sentido em que nos mata do coração a cada novo falhanço, mas a sua função de central mais avançado no campo é muitas vezes ignorada por adversários e até incompreendida pelo público que acompanha os jogos, contribuindo assim para o sucesso da equipa. Outra história de engodo é a que se relaciona com o Matheus Nunes e visa unicamente desvalorizá-lo aos olhos dos adversários. Nesse sentido, a narrativa que foi montada para inglês ver dá-o como tendo sido formado numa padaria da Ericeira, o que contrasta com o prestígio da Academia de Alcochete. É de génio, porque toda a gente sabe que é difícil falar na Ericeira sem se fazerem ondas, ajudando assim a que o embuste pegue mais jogadores desprevenidos. Os adversários olham para o rapaz, ficam condescendentes, julgam até que podem fazer farinha (o que faz sentido com um padeiro) e, quando dão por eles, já estão a correr atrás do prejuízo. Com o Adán é igual. Circulou que ele andou pelos grandes madrilenos a coleccionar autógrafos de galácticos nos treinos, mas isso obedeceu a uma estratégia de longo prazo que visava surpreender tudo e todos quando chegasse a Alvalade. Não fosse isso e o Casillas e o Oblak a única carreira que teriam seria a dos autocarros que os levariam respectivamente a Chamartin ou ao Wanda. Assim, bem podem agradecer ao Adán. 

 

Os exemplos do Coates, Paulinho, Matheus e Adán não surgem aqui por acaso. É que eles esconderam o jogo e forneceram informações incompletas ou erróneas ao nosso adversário de ontem e assim muito ajudaram à nossa vitória. Senão vejamos: uma vez mais, a terceira consecutiva, o Coates voltou a ser decisivo e marcou.   O Paulinho esteve sempre muito preocupado com os contra-ataques adversários, defendendo o que podia e cabeceando para fora um excelente cruzamento do Nuno Santos a fim de não permitir uma eventual parada do guarda-redes do Vitória (ou bola no poste) que desse início a uma transição rápida que pudesse fazer perigar a nossa baliza. (São estes pequenos pormenores que o grande público não entende, e é por isso que o Paulinho é um jogador único e irrepetível e justifica cada cêntimo da sua transferência.) O Matheus arrancou sorrisos amarelos aos vimaranenses a cada nova arrancada, à medida que ia dinamitando as suas linhas com aquele ar de ser apenas mais um dia no escritório. E o Adán mostrou ser como o nadador salva-vidas que a maior parte do tempo está a trabalhar para o bronze mas faz-se ao mar com critério sempre que necessário.  

 

Besiktas, Moreirense, Vitória, os jogos repetem-se. Como dizia o Sérgio Conceição, antes de cada nova contrariedade, é fácil desmontar o Sporting. Pois claro, até La Palisse poderia dizer que é muito mais fácil desmontar um puzzle do que montá-lo (da forma que Amorim o faz). Mas difícil, difícil é parar o Sporting. Dada a informação aqui disponibilizada, talvez a solução passe pelos adversários subirem os seus defesas ao encontro do Coates e recuarem os seus pontas de lança para vencerem o confronto com o Paulinho. A ideia pode parecer estapafúrdia, mas merece ser tentada a partir do momento em que todas as anteriores falharam. Porque com Rúben Amorim a lógica é uma batata. E quem a mete (a batata) lá dentro é o Coates...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes

coates11.jpg

27
Set21

Tudo ao molho e fé em Deus

De canário a leão


Pedro Azevedo

Na antecâmara do jogo de Sexta-feira, o Nostradamus que há em A Bola profetizava que o mundo iria acabar em 2000 e que o Ugarte jogaria contra o Marítimo em 24 de Setembro de 2021. À hora marcada, desejoso de ver em acção o uruguaio, sentei-me à frente do televisor. Que boa surpresa eu tive! Realmente, não esperava um jogador tão maduro, tão seguro das suas qualidades e senhor dos terrenos onde pisa. O único inconveniente foi o senhor da SportTV passar o tempo a chamá-lo de João Palhinha. É que, depois de tanto canto de sereia a reclamar poupanças, nem de fora o Palhinha escapou a ser usado até à exaustão! O meu maior pavor é que agora o Nostradamus de A Bola indique que futuramente o Porro também irá ser poupado. Sinceramente, espero que essa previsão se estenda para além de 2035, período em que o espanhol já deverá estar a jogar com a segurança social do país vizinho. Até lá, eu quero é que o canário (Las Palmas) Porro agite a nossa ala direita e seja a segurança dos sócios do Sporting pelos golos que não poupa na baliza dos adversários. 

 

Para se ser jogador do Sporting é preciso ter um dom. O dom favorito dos nossos jogadores é a esmerada arte de perdoar em frente à baliza. Por isso, o nosso coração fica assim como uma feira popular, oscilando numa montanha russa de emoções. Bom, se calhar a metáfora não é muito apropriada, desde logo porque quem diz Feira Popular diz farturas, e fartura de golos é coisa que não nos assiste. Ainda assim, vencemos da mesma forma que tantas vezes no passado, o que só pode ser um bom presságio (esta equipa nunca se rende). Ganhando tempo para que o Nuno Santos afine o pé esquerdo e o Paulinho encomende um direito ou então marque de letra. Esta última (a letra) seria uma boa alternativa para quem não tem números. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pedro Porro

 

P.S. Desconheço a existência de uma Paulinha, mas talvez a Mariana Cabral nos pudesse emprestar uma Brenda Perez ou, mais apropriadamente pela posição no terreno, uma Diana Silva. É que as miúdas marcam golos que se fartam e esmeram-se particularmente quando do outro lado estão equipas de vestem de encarnado. 

porro6.jpg

20
Set21

Tudo ao molho e fé em Deus

Levante e ria


Pedro Azevedo

Depois do contacto com uns neerlandeses com nome de desinfectante, os jogadores do Sporting rumaram até à Amoreira com o corpo cheio de tintura de iodo e de mercurocromo. E pensos. Penso, logo desisto (como o Mamede)? Nada disso, ou não fosse um jogo a contar para a Liga Betadine (famosa casa de apostas anti-sépticas), e os nossos valentes rapazes dispuseram-se a trazer ainda mais 3 pontos no corpo para garantir a vitória. 

 

Um jogo no Vale da Amoreira é sempre uma boa promoção do futebol das energias renováveis. Em particular, do vento (eólica), que habitualmente faz-se sentir com inusitada intensidade. Por isso, tanto podemos assistir a golos de baliza a baliza e de canto directo como a testes de aerodinâmica da Ferrari e de outras equipas de competição automóvel. Ferraris não se viram, desde logo porque o JJ nunca foi fã dos ares do Estoril e ainda anda a lidar com o excesso de peças em MaraSeixalnello, pelo que o Rúben Amorim aproveitou para vir experimentar os seus domesticamente vitoriosos minis. E o teste nem correu mal. Bom, se o Adán não tivesse oito braços como um polvo a coisa poderia ter dado para o torto, mas assim deu tempo para que tudo se compusesse. E levou tempo, ai se levou! Por exemplo, foram precisos um cabeçudo, uma rodinha e uma paulada até um corridinho do Paulinho ser interrompido por um estorilista com o pé pesado e fora do ritmo e a dança da sorte nos sorrir. Chegou então o tempo para o reencontro do Xico Geraldes com os Sportinguistas, acto que se proporcionou através do insistente contacto com as canelas dos mesmos. Houve logo quem lhe chamasse um ensaio sobre a cegueira...  

 

Por muito que soprasse o vento foi como se não mexesse um(a) Palhinha. E isso é o melhor que se pode dizer do João, que a seu lado teve o Porro, que marcou um golo, e o Paulinho, que se mexeu muito. O Adán também foi importante, decisivo num momento que poderia ter sido chave do jogo. Regressado, o capitão Coates devolveu serenidade ao trio defensivo. Todos juntos, formaram um quinteto largamente responsável pela nossa importante vitória de ontem.

 

Pois é, parece que estamos de volta. Ou, como diria Mark Twain, as notícias da nossa morte foram manifestamente exageradas. Caímos, é certo, mas ontem o vento indicou levante.

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Palhinha

EstorilSporting.jpg

16
Set21

Tudo ao molho e fé em Deus

Antony and the “Johnsons”


Pedro Azevedo

Quando aos 20 minutos Rúben Amorim olhou para o relvado e viu Inácio pedir a substituição sentiu que algo de apocalíptico podia acontecer. Vai daí, pensou no Nazareno como salvador. Mas Jesus Cristo, diga-se de passagem que compreensivelmente, andava por essa altura absorto com outros flagelos de igual dimensão no mundo (a fome, o desemprego, os refugiados, a pandemia...), pelo que totalmente indisponível, razão que levou Amorim a ter de improvisar com o nazareno do (António) Salvador, o Esgaio. A opção de Esgaio para central não deixou de surpreender. É que, tendo em conta o que se vem ouvindo com alguma compaixão ou comiseração por parte dos adeptos leoninos, as exuberantes qualidades defensivas do avançado Paulinho recomendá-lo-iam prioritariamente para a posição. Acontece porém que o nosso treinador manteve a fé no Paulinho goleador (o Coates estava impedido de jogar) e viria a ser premiado pouco depois quando o guarda-redes do Ajax permitiu que a raposa (epíteto comum aos pontas de lança) entrasse na capoeira e visasse o frango. Por aí tudo bem, e o povo voltou a acreditar. Só que não é com Vinagre que se apanham moscas e o Antony, com ou sem os Johnsons, foi zumbindo e zumbindo sobre a nossa ala esquerda, sem que o Nuno Santos se preocupasse em evitar os sucessivos 1x1 que a sua musiquinha ia entoando. Haller que se faz tarde, o ponta de lança dos lanceiros, na sua época de estreia na liga dourada, agradeceu para praticamente sentenciar o título de melhor marcador desta edição da Champions. 

 

Por essa altura, do nosso lado apenas o Matheus Nunes e o Porro mostravam competência para este nível de competição. Ainda procuraram dar-se como bóia de salvação ao resto da equipa, mas o Neto, o Esgaio e o Feddal metiam água por todos os lados, o Vinagre já era cadáver e a Pamela Anderson, o Hasselhoff e a restante patrulha do Baywatch há muito tempo que havia metido os papéis para a reforma. Adicionalmente, incapaz de se segurar fosse ao que fosse, baralhado nas sinapses pelas sucessivas e rápidas variações do centro de jogo impostas por Ryan Gravenberch, o motor do jogo neerlandês, o Palhinha andava completamente à deriva. Porém, com o Ajax a jogar o jogo pelo jogo e a não baixar linhas, a ingenuidade neerlandesa ainda fez acalentar a esperança e a ilusão dos adeptos. Assim, Palhinha e Feddal desperdiçaram boas oportunidades de reduzir diferenças antes do intervalo. 

 

No regresso dos balneários, o Amorim tirou o Vinagre e o Jovane e meteu o Matheus Reis (esquerda) e o Sarabia (direita). Mudou o bartender, mas o nosso flanco esquerdo continuou a ser um bar aberto para o Ajax saciar a sede de golos, com Antony e Mazraoui a criarem mais oportunidades para o Haller facturar. É certo que o Paulinho ainda marcou o que poderia ter sido o momentâneo 2-3 (e seu segundo golo na partida) e o Porro chutou ao poste, mas por essa altura já vigorava a Lei de Murphy, que fez inchar o pé do nosso ponta de lança para além dos limites regulamentares e impediu um grande golo, ou produziu um estranho efeito no ferro que o fez fundir mais a bola com as mãos do guarda-redes. 

 

Onde vai um, vão todos (ontem dizia alguém jocosamente que foram 5...) deve e vai continuar a ser o mote aglutinador. Mas o Sporting não pode abordar a grande montra onde tem a oportunidade de exibir os seus jogadores (e o clube) da forma que ontem se viu. Que começou na falta de uma estratégia que condicionasse o Antony sem que isso significasse abdicarmos dos nossos princípios de jogo, ou na não-transformação do sistema de 3-4-3 para 3-5-2 com a entrada de Daniel Bragança para o miolo (algo já testado no passado) e consequente fortalecimento do nosso meio campo (e respirar com bola, coisa que ontem não se viu). Adicionalmente, a ausência do capitão Coates foi por demais sentida, assim como a baixa de Pote, um jogador cuja inteligência teria certamente tirado partido do espaço entre-linhas que os neerlandeses permitiram durante a maior parte do tempo e não foi aproveitado por falta de discernimento dos nossos. Sendo que muitas vezes é nas derrotas que aprendemos as grandes lições da nossa vida que nos permitem evoluir, acreditemos na resposta dos nossos. O Rúben tem créditos. Lembram-se do pós-Lask Linz? Aí, leões!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes

ajax.jpg

12
Set21

Tudo ao molho e fé em Deus

O Dress-Code foi amarelo


Pedro Azevedo

Ontem em Alvalade houve jogo grande. Dia de festa pede "dress-code" e Nuno Almeida não hesitou em eleger o amarelo no relvado, obrigando leões e dragões a paritariamente se distribuírem com essa cor. Não se sabe se a ideia foi promover a solidariedade, mas no fim os Sportinguistas que assistiram ao jogo também ficaram um pouco amarelados. E porquê? Desde logo porque tiveram a confirmação de que nas recepções ao Porto vale tudo menos tirar olhos dentro da área portista. Já sabíamos que no passado um empurrão de Zaidu a Pote não havia dado grande penalidade, ontem ficámos a saber que um murro nos queixos também não dá. (Ou como um murro desferido por Pepe nos queixos de Coates se transforma num soco no estômago dos adeptos leoninos.) Bem sei, o Porto de Pinto da Costa e de Reinaldo Teles, mas também do guarda Abel e de Pepe, leva-nos muitos anos de avanço em experiência com a secção de boxe, não havia necessidade era de o VAR dar um "(upper)cut" nas imagens e um "knock-out" às regras do jogo. E depois ainda há quem fale no Fontelas e nos queira ver beneficiados pelas arbitragens... Eu estou a perceber o racional: o árbitro pinta abundantemente de amarelo, o VAR mistura com muito azul e o produto só pode ser verde, não é? 

 

O jogo? Há um bocadinho fui à janela e juro que vi o Porro ainda a correr. O homem é incansável e faz várias séries de 110 metros barreiras por jogo. Só que, no futebol, barreiras estáticas só aquelas da publicidade, da Betano ou lá o que é, as outras são dinâmicas e até investem contra as pernas. Mas ao Porro tanto se lhe dá. Venha fulano, beltrano, sicrano, Betano ou Marcano, é sempre para superar. Já o Nuno Santos é um hiperactivo, não consegue estar parado nem calado. Barafusta com os colegas, mói o juízo aos adversários, sua as estopinhas - é um agitador. Não peçam é a um espalha-brasas para depois ter frieza na hora da finalização. Para completar o trio mais proeminente de ontem à noite falta o Matheus. O Menino do Rio não se viu naqueles raides de área a área tão característicos seus. Não, em face da inferioridade numérica no meio campo, Matheus preocupou-se em garantir os equilíbrios defensivos e optou por ofensivamente sobrevoar os adversários. Num desses momentos avistou Porro a 40 metros de distância. Deu golo. Pouco depois, recuperou a bola e isolou imediatamente Nuno Santos para um lance que terminaria com a defesa da noite por parte de Diogo Costa. No fim, tocarem-lhe num gémeo. Bem sei, não se faz. Mas aquela coisa de aparentar que jogava por dois cheirava a esturro... 

 

O Sporting adiantou-se no marcador e podia ter chegado ao intervalo a vencer por 3-0 ou 3-1. As nossas oportunidades racaíram todas no pé esquerdo de Nuno Santos, Corona teve na cabeça a melhor hipótese portista. No entanto, o Porto viria a empatar numa jogada de inspiração de Luis Diaz, num lance que começou no nosso lado esquerdo entretanto todo mudado e continuou até ao lado oposto onde já não havia Jovane a ajudar Porro na contenção. Menor eficácia de um lado, maior qualidade individual do outro, no final os pontos dividir-se-iam. Na flash, o Conceição apareceu calminho e sem azia. Parecia um menino do coro, ou então era mesmo um menino do coro. Daí o colinho, claro.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Porro

classico2.jpg

07
Set21

Pessoa bem colocada encontra alta patente


Pedro Azevedo

Um amigo da prima do tio do presidente do Zenit, que é como quem diz "pessoa muito bem colocada" do clube de São Petersburgo, terá aparentemente questionado uma "alta patente" do Benfica, não se sabe se general ou apenas indivíduo de estatura superior, sobre Rafa. A alta patente não fechou a porta à negociação e alvitrou um preço que ninguém sabe qual foi, desde logo porque o único interesse da "notícia" é informar o mercado de que o Benfica recusou uma proposta de 30 milhões de euros pelo seu avançado. O que não teria sido de todo possível se a pessoa muito bem colocada não tem falado com a alta patente - se estivesse mal colocada, um metro a mais à frente ou atrás, talvez não se tivesse conseguido dar o encontro - , conforme fica bem patente na leitura de A Bola. Resta saber se essa pessoa bem colocada tem alguma coisa a ver com o amigo da prima do tio do presidente de um clube que alegadamente queria dar 60 milhões de euros pelo Carlos Vinícius, proposta imediatamente recusada por um Luis Filipe Vieira que no Seixal viu uma luz, ou neón, com 100 milhões de euros lá inscritos. (Era um pirilampo.)

18
Abr21

Marxismo-Leoninismo


Pedro Azevedo

Não sei se o Leitor se apercebeu deste facto bastante incomum no futebol mundial, mas o Sporting apresentou-se de início em Faro com uma maioria de jogadores canhotos. Ora então anote lá: Antonio Adán, Gonçalo Inácio, Matheus Reis, Nuno Mendes, Daniel Bragança e Paulinho. Não sei se tal já havia ocorrido alguma vez na nossa história, ou mesmo nos anais do futebol mundial, mas por curiosidade aqui fica a devida nota acompanhada por título espirituoso a dar conta da primazia da esquerda no onze do Sporting.

11
Mar21

Lost in translation


Pedro Azevedo

Esta CI da Liga denomina-se Comissão de Instrutores ou Comissão de Inquisidores?

 

Tendo em conta a observância em média de um evento por mês relacionado com o Sporting, não sei se devo circunscrever este tipo de sinal que a CI ciclicamente transmite ao Conselho de Disciplina da FPF no âmbito da convolação ou da... ovulação. Temo porém que os actos não estejam a ser praticados em segurança e que venham a traduzir-se em abortos (jurídicos) quando devidamente apreciados pelos tribunais comuns.

06
Fev21

Tudo ao molho e fé em Deus

A Revolução


Pedro Azevedo

Caro Leitor, do Ilhéu de Monchique no Atlântico até Penha das Torres onde se avistam os primeiros raios de sol, uma Cortina de Ferro desceu sobre Portugal. Comunico-vos assim que o momento é grave e está a mexer com as correlações de poder que sempre conhecemos. Para que o entendam, na sua origem parece estar a Muralha de Aço resultante da união entre um pasteleiro (Matheus Nunes) e um operário (João Palhinha), uma coisa de fazer corar de inveja qualquer Vasco Gonçalves ou projecto de Geringonça neste país à beira-mar plantado. E por falar em à beira-mar plantado, tudo isto é sublimado pela Pérola do Atlântico (Pedro Gonçalves), um perigoso subversivo sempre disposto a desafiar a ordem instituída. Sem esquecer aquele que, reza a lenda, numa das suas expedições Fernão de Magalhães registou ter avistado quando viajando de leste a oeste: um monte muito peculiar a que deu o nome de "Monte Vi Eu" (declinado em Montevidéu), o imponente Sebastián Coates. Estejamos pois atentos, porque há que por todos os meios fazer conter esta revolução.

 

O Churchill que me desculpe por ter trocado o Báltico pelas Ilhas e o Adriático por Bragança, mas o pânico que se faz sentir nos nossos rivais justifica a truncagem. É como se tivessem sido tomados de surpresa por este movimento que se formou na clandestinidade e agora está progressivamente ("jogo a jogo") a tomar o poder. Não só no Continente, mas também nas Ilhas. Diga-se entretanto que todas as tentativas de o conter se têm revelado infrutíferas. Disso são aliás ilustrativos o espancamento e a tortura do apito a que ontem, na Madeira, Matheus e Palhinha, respectivamente, foram submetidos, tendo daí resultado uma eficácia nula para os propósitos de quem com tanto afã pretende manter o "status quo". Já o Pote, começou por escapar através de um túnel até ao mar e a última vez que foi visto estava a fazer baloiçar as redes do Amir, que a pescaria foi de alto nível. Quem ficou até ao fim a proteger a retirada em glória foi "El Capitán Barba Rossa" (Coates), um homem que se vem revelando uma fortaleza impossível de expugnar. Desta vez com a ajuda de um marujo que se julgava já reformado, um tal de Antunes ou Vitorino, que mostrou ainda estar para as curvas, ou para os (bom)bordos que envolvam os melhores caminhos marítimos. Ambos apoiados pelo jovem marinheiro Inácio, que do cesto da gávea vislumbrou mais longe.

 

Portuguesas e portugueses, continuaremos a dar notícias sobre estes dias turbulentos que ameaçam a paz e a ordem no nosso Portugal. A fazer fé nos rumores que circulam, à hora em que Vos escrevo as tropas do regime estarão reunidas de emergência na sede do Conselho de Disciplina. O motivo: procurar decapitar a intentona. É a última esperança. Pouco ainda se sabe sobre esta instância, mas Castigo Máximo obteve a informação de a futura acção estar assente num documento. A única coisa que podemos transmitir é que tem oito pontos. Sente-se o desespero...

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pedro Gonçalves

 

P.S. Entretanto, parece que o Benfica de Jesus e de Vieira foi empatado por um Tanque nos Paços de Ferreira. (Ou como um treinador de meia-dúzia de milhões tem o desempenho de um outro que é obrigado a usar um boné que mais jeito daria na Luz para esconder os melões.)

pote marítimo.jpg

02
Fev21

Tudo ao molho e fé em Deus

O Evangelho segundo Matheus


Pedro Azevedo

Eis o que era verdade no início da época: o Benfica partia com 100 milhões de euros de avanço, ia jogar o triplo e estava 10 anos à frente da concorrência. Não sei se os deuses andarão loucos, mas recordo-me de Pimenta Machado, que até é benfiquista, um dia haver avisado que, no futebol, o que hoje é verdade, amanhã poder passar a ser mentira. Não surpreende assim que tenham bastado 6 meses para o antigo presidente do Vitória de Guimarães voltar a provar o seu ponto (ou três). É que ontem, após ter perdido com o Sporting, o Benfica recuou vertiginosamente de 2031 até 1859, ano em que Darwin escreveu a sua Teoria da Evolução, publicação que a entourage de Vieira precisa rever com a maior urgência. [Nesse transe provavelmente envolvendo um(a) girafa (Luisão), que ninguém explica tão bem assim Darwin.]

Como se este Regresso ao Passado não tivesse sido já suficientemente doloroso, tal coincidiu com o dia em que o rival e líder Sporting provou também gastar milhões num jogador. E com o quê contrapôs desta vez o Benfica? Bom, teve de se contentar com o Ficanov (segundo o meu enviado-especial à Ucrânia, pronuncia-se "fica a nove"), coisa para ter deixado Vieira com um traumatismo "ucraniano"... [Também pode ter sido da Galinha (agora) à Kiev estar estragada.]

 

Desde o início do jogo, o Benfica procurou encaixar-se no Sporting, recorrendo até a 3 centrais para que a adaptação fosse mais perfeita. Porém, se defensivamente as águias montaram uma linha de 5, ofensivamente o Vertonghen encostava à lateral esquerda e o Grimaldo surgia como joker solto a tentar beneficiar da fixação que Cervi provocaria em Porro. Com esse sistema, o Benfica pretendia não só travar as investidas ofensivas do lateral/ala leonino como também perturbar a definição das funções defensivas deste e de Neto e criar aí envolvências que suscitassem uma superioridade numérica numa zona do terreno já de potencial perigo. Acontece que o Sporting de Rúben Amorim nunca defende a 5 quando a bola é metida nas alas, na medida em que o lateral/ala do lado da bola logo sai ao encontro dela, pelo que amiúde Porro ia ao encontro de Grimaldo e Neto basculava até à lateral para vigiar Cervi. E quando os dois partiam em simultâneo para cima de Porro, Matheus ocorria e evitava a criação da tal superioridade numérica. Com o tempo, desfeito o elemento surpresa que Jesus engendrou sem o efeito positivo do colhido no Dragão (Nuno Tavares e Grimaldo sem posição claramente definida baralharam as marcações portistas), o Benfica acabaria por desistir desta estratégia, procurando outros caminhos por via, primeiro, da substituição de Cervi por Taarabt e, depois, da troca de Grimaldo por Nuno Tavares, tentando então maior predominância no centro do terreno. 

 

Se a primeira parte terminou com uma única grande oportunidade de golo incrivelmente desperdiçada por Neto e mais acções desequilibradoras do Sporting através de Pote e do diabólico Tiago Tomás (sacou dois amarelos durante o jogo a defesas do Benfica em jogadas que de outra forma terminariam com ele isolado para a baliza), no segundo tempo o Benfica começou a aparecer mais perigoso na frente. Todavia, tendo sido os seus avanços bem contidos por Matheus (mais tarde também por Palhinha) e por uma defesa de betão, ainda assim, as melhores oportunidades foram do Sporting: primeiro numa arrancada de TT que, nada egoísta, serviu Pote para um remate que ficou prensado em Weigl; de seguida, numa brilhante investida de Jovane, que substituíra um pouco feliz Nuno Santos, culminada em remate deflectido de Pote que quase surpreendeu o atento Vlachodimos; depois, através de Palhinha (troca com João Mário) cujo remate falhou o alvo por escassos centímetros. 

 

O jogo caminhava para o fim, os nossos mais perigosos TT e Pote, esgotados, já haviam saído e pensei que o jogo terminaria a zeros. Adicionalmente, Bragança estava em campo ainda não há 30 segundos e aparentemente a sua troca por Pote significaria um pouco mais de contenção. Mas eis que surge mais uma tentativa de exploraçao da profundidade, Tabata em esforço e com o calcanhar leva a bola para a frente, Jovane baila já na área e cruza, como tantas vezes repetido em laboratório a bola vai de costa a costa à procura das costas do lateral adversário, Porro ocorre e centra, Vlachodimos soca como pode e Matheus aproveita o ressalto e marca. Estavam decorridos dois minutos do tempo de compensação, três que mais pareceram uma eternidade ainda haveria com que sofrer, mas a vitória, justíssima, já não fugiria. Afinal de contas, ganhou a equipa que tinha o sistema enraizado e rotinado e não aquela que improvisou e mudou para este específico jogo. Tudo normal, portanto, que esta coisa de génio da lâmpada acontece essencialmente em filmes (de série B).

 

Com Jesus indisponível, o Benfica recorreu a Deus, só faltando o Espírito Santo de outros tempos para completar a Santíssima Trindade. Todavia, o milagre não aconteceu e o "Evangelho" acabou por ser escrito segundo Matheus (5:6): "Felizes (Bem-aventurados sejam) os que têm sede e fome de justiça, porque eles serão saciados". (A propósito da injusta penalização a Palhinha que permitiu a Matheus assumir a titularidade, com um obrigado sentido a Fábio Veríssimo.) 

 

Quem deve estar a fazer horas extraordinárias na Luz é o "anjo" (João) Gabriel, porque os tempos estão difíceis e tal não deve ser simples para um porta-voz da boa nova aos benfiquistas... De forma que, como as coisas estão, talvez seja melhor o Jesus desistir de jogar o terço e passar a rezar o triplo, ou então efectivamente começar a jogar o triplo e rezar o terço à espera que tal ainda venha a ser suficiente. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": O "Menino do Rio" Matheus Nunes. Tiago Tomás seria a alternativa óbvia, mas toda a equipa (incluindo os menos inspirados, mas igualmente transpirados) funcionou como um bloco coeso e acreditou na vitória até ao fim. No final, venceu quem teve mais fé, o que não deixa de ser uma ironia atendendo a quem estava do outro lado. O caso Palhinha? Escreveu-se direito por linhas tortas. Aí Leões!!!

 

P.S. Tanto se falou de arbitragem esta semana que é justo reconhecer que Artur Soares Dias esteve em bom plano. Com um senão: amarelou prematuramente Gilberto e Tiago Tomás por "bocas", o que me pareceu desnecessário, acabando depois por ter de contemporizar com uma falta cometida pelo mesmo Gilberto sobre Nuno Mendes que seria um óbvio segundo amarelo e concomitante expulsão (roçar de pitons no gémeo, deslizando posteriormente na direcção do pé e colocando em perigo evidente a integridade física do nosso jovem defesa, o qual acabou atingido no tendão de aquiles e tornozelo).

matheus nunes benfica.jpg

27
Jan21

Tudo ao molho e fé em Deus

O Gozão de Higgs


Pedro Azevedo

Ontem, no Bessa, confirmou-se que este Sporting é muito forte na transição. Tão, tão forte que, tendo entrado no campeonato como "underdog", chegou ao tabuleiro axadrezado com indícios de cão-peão, uma importante evolução na cadeia alimentar. Ainda assim, não suficiente para se ver livre do bispo, que mexe-se de forma enviesada. E, se o cão late, o bispo ladra, o peão, que anda a direito, acaba sempre por ser comido. 

 

O que sofre um Sportinguista não vem descrito na Bíblia. E depois ainda há o Sporar, suspeito de causar taquicardias a um monge tibetano. Por isso a melhor estratégia é fazermos como o Professor Cavaco e nunca assumirmos nada: ah e tal, vamos só ali à Figueira fazer a rodagem, e quando derem por nós estamos a sair de lá entronizados. Tal nunca foi possível com Jesus, que é sabido ter amaldiçoado a figueira (Mateus 21: 18-22), mas pode ser que aconteça com o Rúben. Até aposto que ele anda a ler a biografia de Aníbal e tudo. Se eu estiver certo, a sua rodagem será o "jogo a jogo". E, se no fim vencer, será menino para deixar de "trombas" o Conceição. Seria do car(t)ago! Quanto a JJ, ficaria com o triplo da azia.

 

Para tentar contrariar o 3-4-2-1 do Sporting, o Boavista dispôs-se num 5-3-2. A ideia de Jesualdo Ferreira era povoar o mais possível a defesa, precavendo a entrada desde trás dos interiores leoninos, não deixando porém de ter vantagem numérica no miolo do terreno. Só que Matheus e João Mário foram variando inteligentemente o centro do jogo e a postura defensiva dos do Bessa convidou Nuno Mendes e Porro a montarem um acampamento à entrada da área do Boavista. Não surpreendeu assim que, após um curto período de estudo mútuo, o Sporting desatasse a criar oportunidades de golo. E até marcou à primeira (Nuno Santos), embora depois tenha tido oportunidades de primeira que esbanjou por Sporar, Jovane e João Mário. Atrás a coisa esteve tranquila, tendo o lance mais perigoso criado pelos boavisteiros pertencido a Neto, jogador que continua a mostrar que faz bom balneário tanto fora como dentro do campo, desta vez altruisticamente permitindo a um enregelado Adán brilhar.  

 

O segundo tempo começou na mesma tónica. O Matheus roubou uma bola e com uma chicuelina tirou dois do caminho. De seguida, tocou no Nuno Mendes, que deu mais à frente no Nuno Santos. Bola para um lado, jogador a fugir pelo outro, num jeito nada católico para um axadrezado, o Santos apareceu solto na grande área. E deu de bandeja ao Sporar. O que a aconteceu a seguir é difícil de explicar, pese embora tenha vindo a ser objecto de estudo pormenorizado do "Tudo ao molho...", recorrendo-se à ciência - Princípio da Impenetrabilidade da Matéria - , ou até ao sobenatural - holograma de um ponta de lança morto como goleador - para o tentar compreender, continuando a ser um mistério a forma como a bola insiste em perpassar o esloveno como se do vazio se tratasse. Quer dizer, de vazio somos nós cientificamente quase 100% feitos, mas depois há um campo magnético que liberta uma partícula (dita "de Deus") que faz com que o nosso corpo se adere como uma tela esponjosa e ganhe uma massa. Ora, aparentemente, se o nosso corpo sim, o do Sporar não. O que faz com que o Sporar tenha sido a melhor contratação de sempre do Sporting, na medida do que o seu descobrimento significou para a ciência: é que o esloveno desafia a Teoria do Bosão de Higgs. Mais, diria até que Sporar é o Gozão de Higgs...

 

O jogo ia para o fim e esta coisa da vantagem mínima cria sempre alguma tremideira. Noutras épocas, esta esmerada arte de perdoar pagar-se-ia com língua de palmo, mas este Sporting de Rúben Amorim a tudo parece resistir. Vai daí, o Rúben quis dar mais solidez à equipa. Primeiro entrou o Bragança, depois o Palhinha e o TT. Com isto, o João Mário e o Matheus passaram de médios centro para interiores, procurando resguardar mais a equipa. Até que o Porro apanhou uma ressaca (de bola), tomou consciência da sua recepção e orientou-a para o nosso bem comum, transferindo assim as dores de cabeça que já se faziam sentir na sua e nas nossas cabeças. Ficava sentenciado aí o jogo. Depois, a coisa até deu para o Matheus dar dois ou três metros de avanço a um trio de boavisteiros e ainda ir apanhar a bola à frente mesmo que um deles estivesse fresquinho por acabado de entrar, que o xeque-mate no tabuleiro axadrezado já estava consumado.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Hesitei muito na hora de atribuição desta menção. Na verdade, à hora que escrevo ainda estou hesitante, mas se calhar são nervos. Não será assim uma escolha totalmente convicta. Pela primeira parte a menção assentaria bem a Nuno Mendes (de referir que, na segunda parte, salvou um golo certo com um subtil desvio de cabeça). Nuno Santos não esteve assim tanto em jogo, mas fez um golo e quase uma assistência, também poderia ser uma opção. O Porro marcou um golo do outro mundo e fez a minha pulsação voltar a um semi-normal, poderia perfeitamente ser o escolhido. Contudo, acabei por optar pelo Matheus Nunes, que fez um jogo enorme em que alardeou técnica, leitura táctica e disponibilidade física. Assim, até porque tem habitualmente menos visibilidade que os restantes, escolhi-o para Melhor em Campo. 

 

P.S.1: Inacreditável o cartão amarelo a Palhinha que em princípio o retira do derby. Até a hipótese de falta seria difícil de promover, quanto mais a acção disciplinar.

P.S.2: Os meus sentimentos às famílias e amigos de Jozef Venglos (ex-treinador do Sporting) e de John Mortimore (ex-treinador do Benfica), antigos treinadores que faleceram ontem. O mínimo que se pode dizer é que nunca fizeram mal ao futebol. Venglos foi muito conceituado no futebol europeu e devidamente apreciado pela FIFA, Mortimore ganhou títulos em Portugal. RIP!

P.S.3: Após uma nota triste, uma nota alegre: Rúben Amorim completa hoje 36 anos. Parabéns, Mister! 

veríssimo.jpg

26
Jan21

"Prozhaka"


Pedro Azevedo

Depois de mais uma depressão motivada por uma nova eliminação na Taça da Liga, competição que para os portistas evoluiu do desprezo total para a busca do Santo Graal, os pupilos de Sérgio Conceição pareceram encontrar algum conforto naquela rodinha que fizeram no fim do jogo. Ontem, perante um São Luis que mais parecia São Martinho, a coisa foi antecedida por castanha ao Loum e tudo. Depois, lá repetiram o seu "haka" à posteriori, que isto no Hemisfério Norte é tudo ao contrário do Sul. 

rodinha.jpg

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Siga-nos no Facebook

Castigo Máximo

Comentários recentes

  • Pedro Azevedo

    Caro José, Nuno Saraiva foi Director se Comunicaçã...

  • Pedro Azevedo

    Obrigado. Um abraço, Luís. Que logo à noite sejamo...

  • josé

    Apoiado caro PedroÉ preciso defender o Clube não ...

  • Luís Ferreira

    Notável é o seu texto! Um abraço e saudações leoni...

  • Pedro Azevedo

    O que nos faltou no passado foi saber reter durant...