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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

29
Mar21

Ingratidão 3D


Pedro Azevedo

Leio em A Bola 3D, um canal de conteúdos digitais exclusivos para assinantes, o seguinte título sobre Garrincha: "Queria o Sporting quando já só era acompanhante de sambista (e bêbado)". Escrevo sobre isto porque tenho pena que se trate assim um dos maiores do jogo de todos os tempos. Quem gosta de futebol deve proteger aqueles que mais contribuíram para a afirmação do jogo. E haveria certamente formas mais simpáticas (e não desrespeitosas) de assinalar o declínio do Anjo das Pernas Tortas ("o seu melhor já tinha passado" teria sido suficiente), ainda que o contexto se reportasse ao período posterior ao da sua glória. Acresce que "acompanhante de sambista" aqui foi usado como pejorativo e preconceituoso (se fosse acompanhante de uma manequim da Victoria Secret serviria para este título?), demonstrando profundo desconhecimento dos factos, o que muito desvaloriza o papel que Elza Soares, deusa do culturalmente relevante samba (importante não esquecer), teve na vida de Garrincha, ela que foi provavelmente a única pessoa que verdadeiramente o amou e compreendeu, e que durante o tempo que esteve com ele conseguiu atenuar o efeito da progressiva dependência do jogador com o alcool. Mané Garrincha foi um dos melhores jogadores de todos os tempos. Aos grandes de todos os tempos devemos não só muita da nossa paixão pelo jogo como respeito. Da mesma forma que o que ficou de Baudelaire, Rimbaud ou Oscar Wilde foi a sua obra, a exploração vulgar da decadência de Garrincha passa ao lado do essencial: os milhões de pessoas a quem num qualquer dia de Domingo arrancou um sorriso com as suas intrépidas fintas. E isso é o que perdurará no tempo. Lembram-se do Brasil de 62? Viva Garrincha, viva o futebol! 

garrincha3d.jpg

27
Abr20

Sugestão do dia

Garrincha


Pedro Azevedo

"Garrincha", numa edição inglesa da Yellow House, é uma biografia de Ruy Castro sobre Mané Garrincha, o "anjo das pernas tortas" como Vinícius de Moraes o popularizou em poema. O livro acompanha a ascensão e queda da lenda do drible do futebol brasileiro desde os seus primeiros tempos no Botafogo até à decadência física e financeira, passando pelo esplendor dos seus melhores anos ao serviço do Escrete Canarinho. Se Mané já tinha sido providencial em 58 na Suécia, quando Feola o fez saltar para dentro do campo conjuntamente com Pelé após um decepcionante primeiro jogo da selecção brasileira nesse campeonato do mundo, em 62 ele foi o herói: Garrincha pegou numa equipa orfã de Pelé (prematuramente afastado por lesão) e levou-a ao mais alto patamar, aumentando o moral das tropas com exibições de finíssimo retorne técnico e golos e passes decisivos. 

Quem olhasse para Garrincha já consideraria um milagre ele poder andar, mas com a bola nos pés ele era um furacão que destruía qualquer tentativa de organização adversária. Apaixonado pelo jogo e pela vida, desregrado dentro e fora do campo, não obedecendo a tácticas ou convenções, Mané foi um cometa que passou pelo planeta Terra e prematuramente (49 anos) desapareceu. Uma mistura explosiva de futebol e samba que acabou de forma trágica, mas não fez desvanescer a imensa aura que angariou entre os fãs do desporto-rei. 

garrincha.jpg

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