Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

13
Jan21

Um Nobre influente em tempo de República


Pedro Azevedo

António Nobre protagonizou ontem mais um dia infeliz da arbitragem portuguesa. Primeiro ao punir com a amostragem do segundo cartão amarelo uma carga de ombro, logo legal, do nacionalista Rui Correia sobre um jogador do Porto. Acresce que, para além do lance ter sido mal ajuizado, a ter havido falta a punição só poderia ser o cartão vermelho pois o avançado do FC Porto ficaria de outro modo isolado e com a baliza à sua frente. Sem aduzir qualquer processo de intenção ao árbitro, a verdade é que a amostragem do amarelo validou automaticamente o primeiro erro, inviabilizsndo a apreciação posterior pelo VAR que decirreria do protocolo caso Antonio Nobre tivesse mostrado a cartolina escarlate. Mas não ficou por aqui a polémica: o golo que permitiu ao Porto levar o jogo para o prolongamento ê precedido por um toque da bola no braço de Taremi. Ora, durante semanas, no seguimento do alegado toque da bola no braço de Pore no decurso do Sporting-Moreirense, andámos a ouvir uma narrativa emanada de sábios da arbitragem que consistia em haver recomendações aos árbitros para invalidar jogadas de golo em que o braço de quem ataca tenha sido protagonista, não sendo relevante para o efeito a questão da intencionalidade ou não. Bom, a verdade é que esse era lance de VAR e este não terá visto nada que revertesse a decisão do árbitro. Chegados a este ponto, já ninguém se entende. As más decisões são mais que muitas, a falta de uniformidade de critérios idém e fica a ideia de que jamais nos libertaremos destas polémicas. Em simultâneo, tudo como dantes no Quartel de Abrantes, o Conselho de Arbitragem continua a assobiar para o lado. Até quando, e com que custos para a credibilidade do produto futebol português ainda não sabemos na sua verdadeira dimensão. 

29
Dez20

Retalhos da vida de um campeonato


Pedro Azevedo

Estádio Afonso Henriques, resultado de 1-0 para o Vitória, 29 minutos de jogo: Romário Baró faz falta que interrompe um contra-ataque vimaranense. O árbitro Hélder Malheiro, o do "galo" dê Ristovski, não mostra o segundo amarelo ao jogador portista, a que se seguiria a consequente expulsão. Imediatamente, Sérgio Conceição substitui Baró por Luís Diaz. 

17
Dez20

Tailor-made


Pedro Azevedo

Nem os melhores alfaiates de Savile Row terão alguma vez produzido um fato tão à medida quanto as nomeações pelo Conselho de Arbitragem de Nuno Almeida para a deslocação do Benfica a Barcelos ou de Manuel Oliveira para a recepção do Porto ao Nacional da Madeira terão assentado a, respectivamente, águias e dragões. Já nós vamos ter o André Narciso (5 amarelos mostrados ao Sporting contra o Gil) e Bruno Esteves será o VAR, esperando e desejando eu que o jogo não venha a ser empastelado com faltas e faltinhas e seja respeitada a lei da vantagem como sugerem as directrizes de fluência do jogo. Evidentemente, não é o fato que faz o homem, pelo que temos todos de acreditar que cada um dos árbitros saberá escolher boas linhas com que coser o seu desempenho. Mas que as nomeações são imprudentes, lá isso são, expondo desnecessariamente o árbitro que vox-populi apelidou de Ferrari (alegadamente citado, à semelhança de Bruno Esteves, nos supostos emails trocados entre Pedro Guerra e Adão Mendes como um dos árbitros em que o Benfica poderia confiar, segundo notícia do DN de 6/6/2017) e um outro que causou polémica por alegadamente ter estado num camarote no Dragão. Ora, numa altura em que a arbitragem portuguesa voltou a estar sob os holofotes mediáticos, com críticas ao sector que se estenderam a observadores percepcionados como independentes, até no sentido da protecção da honorabilidade dos árbitros não seria de todo desapropriado que o Conselho de Arbitragem adoptasse o princípio da mulher de César. Mas isso é matéria para o CA reflectir, aos jogadores do Sporting caber-lhes-á focarem-se no que depende deles e no Farense, e dentro do campo fazerem prevalecer a sua superioridade teórica.

 

P.S. Dando voz ao contraditório, sobre o árbitro Manuel Oliveira a APAF em 25 de Setembro de 2018 emitiu o seguinte comunicado: "Sempre que o árbitro Manuel Oliveira é nomeado para um jogo de maior visibilidade começa a circular uma fotografia nas redes socias de forma a denegrir a imagem do árbitro. Nessa imagem (sempre a mesma), Manuel Oliveira surge ao lado de um amigo de longa data e que ao contrário do que é repetido sobre essa imagem, o árbitro apenas está num momento da sua vida social, não está em nenhum camarote de honra, não foi convidado pelo clube e se o fosse naturalmente não aceitaria. 

Vivemos um tempo em que a propaganda impera e lamentavelmente, os órgãos de comunicação social oferecem o tempo e o espaço de que dispõem a este tipo de campanhas fúteis. Este é um tempo em que os jornalistas deixaram de ser as pessoas mais importantes nos meios de comunicação social, pois se os jornalistas ainda dispusessem de liberdade editorial, um simples telefonema impediria a reprodução de mais uma mentira, que constantemente circula de forma propositada e intencional. Infelizmente este é o tempo de luta de audiências, da caça ao clique, da busca de cada euro de publicidade. Num tempo como este, lamentavelmente para o jornalismo e para os jornalistas os cidadãos devemos desconfiar de tudo o que se ouve e escreve nos media. O caso da foto de Manuel Oliveira é apenas um entre muitos." Sobre Nuno Almeida não encontrei qualquer posição da APAF.

manuel oliveira.jpeg

09
Dez20

Pergunta inocente (2)


Pedro Azevedo

Como é que o Sporting vai descalçar esta bi-bota de Gomes (Fernando & Fontelas)? E como é que estes vão descalçar a bota da desvirtuação do papel do VAR e das decisões absurdas e vazias de uniformidade de critérios que dele emanam? 

 

P.S. A propósito, a célebre Comissão de Análise que ficou de estudar a justa pretensão leonina de considerar os campeonatos de portugal conquistados como títulos de campeão nacional já mumificou?

22
Nov20

Bizarrices


Pedro Azevedo

Após uma paragem de duas semanas para as selecções, um pouco por toda a Europa os campeonatos retomaram o seu curso. Assim ocorreu na Alemanha, Espanha, Inglaterra, França e Itália, os Big 5. Não foi porém o caso em Portugal, país onde jogar-se-á muito pouco para a Primeira Liga durante o mês de Novembro. Ora, eu não tenho nada contra a Taça de Portugal, competição que nos traz a nostalgia de rever históricos como a antiga CUF (hoje Fabril), Barreirense, Montijo, Beira Mar ou Sporting de Espinho e leva a atenção dos amantes do futebol até ao Portugal profundo, onde há sempre um David preparado para derrotar um Golias e tornar-se o novo tomba-gigantes. O que me incomoda é a forma como é gerido o negócio do futebol profissional em Portugal. Sim, porque o campeonato e as provas internacionais são o negócio, para a Taça de Portugal está reservado o futebol no seu estado mais puro: uma festa. Mas haverá festa do futebol quando o público não pode estar presente nas bancadas?

a festa da taça.jpg

(Imagem: Sapo Desporto)

23
Out20

Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay


Pedro Azevedo

Sancho Pança dizia ao seu mestre "yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay". Com esta frase, Cervantes colocou na boca do fiél escudeiro de D. Quixote um sentimento por muitos partilhado: não sendo racional acreditar na existência de bruxas, a superstição acaba por fazer temer esses míticos seres do oculto. 

 

O que dizer então da 3ª eliminatória da Taça de Portugal onde o sortilégio colocou frente-a-frente o Fafe e o Vilar de Perdizes? De um lado o Bruxo de Fafe, do outro a aldeia mais mística de Portugal, o jogo (aguardado para o dia 22 de Novembro) promete atrair à cidade do distrito de Braga curiosos interessados em ver bruxos e bruxas, diabos e mafarricos. Todos na esperança de literalmente observarem dentro das 4 linhas aquilo que um adepto Sportinguista figurativamente já há muito se apercebeu: é que, no relvado, o futebol português é solo fértil para o sobrenatural.  

30
Set20

As causas da coisa (2)


Pedro Azevedo

Causa nº2: Equidade de critério disciplinar por parte dos árbitros

 

Procurando deixar de lado a óbvia parcialidade de quem é Sportinguista e adepto e sócio do Sporting, não deixou de ser notório em Paços de Ferreira que o critério disciplinar usado por Fábio Veríssimo não foi uniforme para as duas equipas. Não se tratou só do facto de a equipa que mais faltas cometeu (18 contra 12) ter sido a que menos vezes foi admoestada com o cartão amarelo (2 contra 6) mas também de faltas cometidas por trás pela equipa pacense - por vezes com infração dupla que consistiu em puxão pelas costas acompanhado de pisão no tendão de aquiles (gravidade extrema) - terem passado impunes do ponto de vista disciplinar. Ao mesmo tempo, irregularidades leves cometidas por jogadores leoninos foram severamente punidas com a cartolina amarela. Desta forma, o jogo terminou com um rácio de cartão amarelo por falta de 11,1% para os pacenses contra 50%(!) para os leões. Um absurdo! Poderá alguém alegar que o árbitro não viu o tal lance faltoso do jogador pacense e que o total de amarelos mostrados no jogo (8) se deveu a ser especialmente rigoroso em matéria disciplinar. Porém, analisando os outros dois jogos que apitou esta época - um jogo da Liga das Nações entre País de Gales e Bulgária e uma partida de qualificação para a Liga Europa entre Riga e Celtic - verificamos que em cada um apenas levou a mão ao bolso por três vezes.

 

Se o critério do árbitro num mesmo jogo não é uniforme, imagine-se a equidade que se pode esperar quando se compara do ponto de vista disciplinar o critério dos "n" árbitros habilitados a apitar jogos da Primeira Liga. Nesse sentido, o Tiago Cabral, no És a nossa FÉ, ontem apresentou números comparativos que evidenciam que o Sporting já tem mais cartões amarelos num só jogo do que o somatório de Benfica e Porto em dois jogos. Enquanto para os leões, 12 faltas cometidas implicaram 6 amarelos (rácio de 50%), Porto e Benfica juntos apenas viram o rectângulo icterícia por 5 vezes após 57 (!) faltas (8,8%). Dirão alguns que portistas e benfiquistas sabem onde fazer faltas e que são especialmente meticulosos na forma de transgredir a regra sem necessidade de infração disciplinar, porém não só quem veja os jogos não tem essa noção como não deve ser desprezado o ilícito disciplinar que decorre da recorrência da falta por parte do(s) mesmo(s) jogador(es). Acrescento ainda aqui o exemplo do Braga, equipa que tem os mesmos amarelos que nós. Acontece que para isso os braguistas cometeram 31 faltas, o que lhes confere um rácio de 19,4%. 

 

Estes números do Sporting não deixam de causar estranheza quando analisados de forma comparativa com outros clubes. Analogia que não fica por aqui e que se pode estender ao desempenho disciplinar dos leões nas provas europeias. Se bem que a amostra é de apenas 1 jogo, na partida contra o Aberdeen os leões viram 2 amarelos e cometeram mais uma falta do que no jogo em Paços. Enfim, usando uma expressão bem cara a O' Neill, a uniformidade de critério disciplinar dos árbitros portugueses é "uma coisa em forma de assim". Assim vai o futebol português...

 

P.S. Algumas notas: Guga, do Famalicão, é o jogador mais faltoso (7) ao fim de 2 jornadas. Não tem nenhum cartão amarelo. Enfim, poder-se-á dizer que é um médio de ataque e como tal as infrações que comete são fora de uma zona de perigo para a sua equipa. De qualquer forma, há aqui a questão da acumulação. O mesmo é válido para Corona, que tem já 6 faltas e ainda não viu o amarelo. Já em relação ao rioavista Borevkovic, igualmente com a folha disciplinar em branco, a coisa não será tão líquida, na medida em que é um central e já cometeu 5 faltas em apenas 132 minutos de utilização. 

mao-do-arbitro-com-cartao-amarelo_9083-2170.jpg

29
Set20

As causas da coisa (1)


Pedro Azevedo

Com a devida vénia ao Miguel Esteves Cardoso, a quem alterei o plural com o singular (e vice-versa) de um dos seus mais famosos livros, aqui irei começar uma nova rúbrica dedicada às causas pelas quais merece a pena lutar no futebol português.

 

Causa nº1: Mais tempo útil de jogo

 

https://castigomaximo.com/tempo-util-de-jogo-140013

https://www.ojogo.pt/futebol/1a-liga/tondela/noticias/o-que-aconteceu-e-uma-vergonha-e-o-cartao-de-visita-do-futebol-portugues-12763903.html

 

O indicador estatístico do tempo útil de jogo aponta que a Primeira Liga portuguesa é aquela a nível europeu onde se joga menos. Tal tem obviamente repercussão na qualidade do espectáculo e intensidade e ritmo de jogo, aspectos que se tornam depois mais notórios quando as nossas principais equipas competem na Europa. É essencialmente uma questão de mentalidade que urge alterar, sendo que para isso se torna necessário envolver dirigentes de clubes, treinadores, jogadores, árbitros e a própria Liga Portugal. Para que o futebol positivo vença e possamos ter equipas mais competitivas deverá haver um maior equilíbrio. Isso passa por uma maior equidade na distribuição das receitas televisivas entre os clubes, mas também encontra raiz profunda nos valores que são trazidos para o jogo: presidentes que ao fim de duas, três derrotas interrompem projectos, treinadores receosos do despedimento e a quererem ganhar a todo o custo, jogadores educados no anti-jogo, árbitros que contemporizam com as simulações dos jogadores e paragens abusivas de tempo para quebra do ritmo do jogo são apenas alguns factores que carecem de uma mudança de mentalidade, processo do qual a Liga não se pode obviamente demitir. 

liga nos.jpg

05
Set20

Tudo ao molho e fé em Deus

Baywatch - Marés Vivas


Pedro Azevedo

A "silly season" dos clubes portugueses assemelha-se a uma versão futebolística do "Baywatch". Por exemplo, com eleições à porta no Benfica, Luís Filipe Vieira procurou um salva-vidas no Uruguai. Assim, tendo metido água com Cavani, esbracejou apressadamente para Darwin. Em teoria é o que se chama uma selecção natural, facto científico e como tal irrebatível para a sua oposição. Já o Boavista foi ainda mais longe. À procura de uma bóia de salvação, não podendo contar com a estrela da série, Pamela Anderson, contratou o seu antigo marido, o francês (e campeão do mundo) Adil Rami. Temo, porém, que não fique tão bem nas repetições em "slow motion" (enfim, há gostos para tudo). Quem tem procurado um salvamento do "fair-play" financeiro é o Porto. Ainda assim, para além de uma Zundapp foram comprar um persa. Já se sabe, futebol é farsi... Entretanto, chegámos a Setembro. Em mês de marés vivas, ajuda sempre haver mais um nadador Salvador. Menos, claro, se este der uma de Cobrador do Fraque numa área onde habitualmente se anda de tanga. (Bom, na verdade, eu penso que seria de bom tom que pelo menos se usasse uns calçõezinhos.)

Boas ondas! 

baywatch.jpg

09
Jun20

Os Predadores


Pedro Azevedo

O Universo move-se de ordem e estrutura para desordem e desestrutura, tal como é enunciado pela 2ª Lei da Termodinâmica (Lei da Entropia). Apesar disso, em especiais condições, o Universo consegue criar complexidade. À medida que o sistema vai ficando mais complexo, aumenta o risco de vulnerabilidade e fragilidade. Há momentos em que o equilíbrio se torna de tal forma instável que o mundo passa a ser diferente daquele que conhecemos até aí. Assim aconteceu há 65 milhões de anos atrás, quando a queda de um asteróide na Província de Yucatán criou uma espécie de fenómeno nuclear que matou os maiores predadores existentes no planeta Terra, os dinossauros. Tal acabou por ser uma oportunidade para a evolução do que são hoje os seres humanos, o Homo Sapiens. 

 

Se isto é uma realidade para o Universo, também o é para as empresas e, em particular, para os clubes. Em específico, o futebol ao longo dos anos foi adquirindo uma progressiva complexidade, nomeadamente a partir do momento em que deixou de ser visto como um espectáculo para passar a ser um negócio de transferências milionárias. Nessa metamorfose surgiram uma série de espécies diferentes de temíveis predadores que subjugaram os clubes, hoje em dia reféns de uma vasta teia de interesses que se estabeleceram à sua volta e que em quase nada os beneficia. Acontece que essa subserviência ameaça claramente a sustentabilidade do próprio futebol e, nesse equilíbrio instável, bastaram 3 meses de uma pandemia para o mostrar à evidência. Entretanto, o adepto no estádio, que já estava em decadência, foi substituído pelo adepto no sofá. E o futebol finalmente lembrou-se que precisa dos adeptos para sobreviver. Ainda que persistindo em não actuar sobre as suas próprias vulnerabilidades e fragilidades, permitindo que o adepto continue a ser "engolido" por aquilo que lhe é oferecido. Talvez a solução esteja na erradicação dos predadores, isso sim seria uma oportunidade para nova evolução do ser humano (desportivo). E, concomitantemente, do futebol.

07
Jun20

Pedras na engrenagem encarnada


Pedro Azevedo

A  semana do Benfica ficou marcada pela pedrada. Tudo começou na demissão do seu presidente da AG, uma pedrada no charco, ou melhor, um canhão de Nazaré, abrindo uma onda de contestação à Direcção que foi logo surfada por putativos candidatos à presidência do clube. Seguiu-se-lhe mais um episódio canalha de violência no futebol português novamente perpetrada contra os profissionais do chuto na bola. Da pedrada alegórica passou-se (o que "passou-se"?) para a literal, com um ataque ao autocarro do Benfica do qual resultou ferimentos em dois jogadores (Zivkovic e Weigl). Um momento de terror para os visados, pelo menos a atestar pelas declarações da mulher de Weigl, que se encontrava a falar telefonicamente com o marido quando o incidente ocorreu. Finalmente, o jornal Público denunciou alegados "acordos de dependência" entre o clube da Luz e o Desportivo das Aves que o Benfica classificou de "legais e normais no futebol e em outras sociedades comerciais", ficando a ideia que do ponto de vista estrictamente da ética as explicações se assemelharam a um 'quem nunca pecou que atire a primeira pedra'. 

weigl.jpg

04
Mai20

Mais competitividade, maior sustentabilidade


Pedro Azevedo

O jornal Record dá hoje à estampa uma entrevista ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Dr Fernando Gomes, onde este aponta a venda dos direitos televisivos para outros países como uma futura solução para os problemas financeiros dos clubes portugueses. 

 

Já aqui tinha defendido esse cenário, pelo que em tese nada tenho a opôr às palavras certamente bem intencionadas do presidente da FPF. O problema é que uma reacção por parte do mercado implica uma acção por parte das autoridades que supervisionam o futebol português, e sem uma profunda revolução dos quadros competitivos nacionais tudo não passará de um "wishful thinking". 

 

Gaba-se o Dr Fernando Gomes do sexto lugar que Portugal actualmente ocupa no ranking das competições europeias da UEFA. A verdade é que esse ranking não reflecte a realidade da classe média do futebol português, é tão somente produto de uma macrocefalia do nosso futebol onde as assimetrias entre grandes e pequenos são enormes e a classe média tem sido progressivamente esvaziada, salvando-se Braga, Guimarães e Rio Ave a um nível competitivo razoável. Da mesma forma, aliás, que o título de campeão europeu conquistado por Portugal a nível de selecções ainda menos reflecte as condições existentes no país, dado que, exceptuando um núcleo duro de jogadores que à época actuavam pelo Sporting, a maioria dos seleccionados beneficiou da competitividade dos campeonatos onde actuavam no estrangeiro.  

 

A nossa Primeira Liga tem um défice de competitividade gritante e a falta de intensidade do jogo tem-se vindo a reflectir naquilo que têm sido as últimas participações europeias dos nossos clubes mais representativos. Há dados objectivos que o confirmam: já aqui abordei a questão do tempo útil de jogo, aspecto onde segundo um estudo do Observatório do Futebol, alargado a 37 ligas europeias, a Primeira Liga ocupa o último lugar com 50,9% (60,2% da Premier League, 58,5% da Bundesliga, 55,8% da La Liga). 

 

Por conseguinte, se queremos ter um futebol mais competitivo temos de diminuir as equipas da Primeira Liga e proceder a uma distribuição de receitas mais equitativa entre os seus participantes (DireitosTV e Fundo de Competitividade). Recentemente trouxe aqui algumas ideias que poderiam servir o propósito de melhoria do produto a fim de que este fosse mais vendável nacional e internacionalmente. Creio que a reformulação dos quadros competitivos é fundamental a esse objectivo e deveria ser iniciada de imediato para que daqui a 3-5 anos os nossos campeonatos pudessem reflectir essa visão. Na minha opinião, Portugal deveria ter 3 campeonatos profissionais - Primeira Liga, Segunda Liga e Terceira Liga - , cada um com 12 equipas e jogado em forma de "poule" a duas voltas, com "play-off" (6 primeiros da primeira fase) e "play-out" (6 últimos da primeira fase) também a duas voltas (os pontos acumulam). Desceria o último de cada campeonato e subiria o primeiro da 2ª e 3ª Liga, disputando-se uma liguilha entre o penúltimo de um campeonato e o 2º classificado do campeonato imediatamente inferior. As transmissões televisivas destes 3 campeonatos seriam asseguradas por venda em bloco (centralizada). Por motivos financeiros, a 4ª divisão (semi-profissional) seria disputada por zonas geográficas (4), agrupando-se os clubes em regiões próximas a fim de se evitarem grandes custos de deslocação. Cada zona conteria 14 equipas. Os vencedores de cada zona enfrentar-se-iam numa "poule" final disputada a 2 voltas, o que lhes proporcionaria, no total, exactamente o mesmo número de jogos (32) dos clubes das divisões superiores.

 

A Taça da Liga seria disputada pelas equipas das 3 divisões profissionais (universo de 36). Todas as equipas da Primeira e Segunda Liga (24) estariam automaticamente apurada para os dezasseis-avos-de-final desta competição, assim como os 4 primeiros da Terceira Liga, perfazendo um total de 28 equipas. As restantes 8 disputariam uma pré-eliminatória, apurando-se assim mais 4 equipas para a fase seguinte. Dos dezasseis-avos-de-final até aos quartos-de-final os jogos que o sorteio indicasse seriam sempre disputados em casa do clube pior classificado. A Final Four seria disputada em campo neutro, nos moldes actuais. 

 

Enfim, para que um objectivo não se revele uma quimera é necessário dar passos concretos para que ele se torne possível. É por isso tempo de falar menos e pensar e implementar mais. E também de se fazerem algumas cedências, porque o que à primeira vista possa parecer um passo atrás rapidamente será percepcionado como dois passos à frente. 

P.S. Outro pressuposto fundamental para a imposição de um produto no mercado é a sua credibilidade. E isso só se obtém com transparência de processos e regulamentos claros e inequívocos que protejam a integridade da competição.

04
Mai20

Verdade desportiva?


Pedro Azevedo

Como muito bem deixou subentendido o meu colega João Goulão no "És a nossa Fé", a decisão da Federação Portuguesa de Futebol de indicar para subida à 2ª Liga os dois clubes com mais pontos conquistados no conjunto das 4 séries do Campeonato de Portugal é um absurdo. Na medida em que os oitavos-de-final da Liga dos Campeões não se concluíram, seria o equivalente à UEFA declarar o Bayern de Munique como o vencedor da Champions 19/20 por ter sido a equipa que mais pontos (18) conquistou na fase de grupos da referida competição. Alguém está a ver a UEFA fazer isso? Enfim, singularidades do futebol português...

campeonato de portugal.jpg

30
Abr20

Tudo ao molho e fé em Deus - Vem aí a bola


Pedro Azevedo

Segundo alguns, o futebol português é uma farsa. Eis então que chega a pandemia e tudo muda, e o futebol português passa a ser a única indústria nacional em que os profissionais andam sem máscara. Sem dúvida, uma vitória da transparência do nosso futebol contra a maledicência. Ou não...

 

Estou curioso para ver como se procedem os jogos. Não pondo totalmente de parte a possibilidade de os jogadores aparecerem em campo com capacetes e viseiras à Girão, o mais certo é a marcação à zona imperar sobre o homem-a-homem. O VAR terá o seu trabalho muito facilitado pelas regras de distanciamento social, especialmente devido aos nítidos (2 metros) foras de jogo e inexistentes penáltis. Idém para o árbitro auxiliar, o qual só terá de se preocupar em proteger a cara caso o vento impulsione a bandeirinha na sua direcção. Em contrapartida, os árbitros terão um trabalho intelectualmente extenuante, na medida em que terão de puxar muito pelas sinapses para descortinarem uma razão para advertirem com cartões os jogadores do Sporting. (Se o "Corona" tivesse ocorrido no tempo do José Pratas, aconselhar-se-ia uma viseira aerodinâmica para facilitar a corrida do árbitro ao longo do campo.) As Tácticas da Tosse, do Corrimento Nasal e da Expectoração serão à partida mais eficientes e capazes de proporcionar desmarcações e oportunidades de golo do que os tradicionais 4-3-3, 4-4-2 ou 4-2-3-1. A Liga de Clubes, atenta às recomendações da Direcção Geral de Saúde, lavará muito bem as mãos (como Pilatos). 

 

À partida vai tudo correr bem. A não ser que um Paulinho Santos ou Rambo Dias desta vida se venham a tornar mais perigosos para a integridade física dos jogadores do que o próprio Coronavírus. Cá estaremos para ver... pela televisão, o futebol como Reality Show. Certo, certo é que no fim vai ser uma alegria. Para os confinados dos Aliados ou do Marquês, obviamente...Liga_NOS_logo.png

20
Abr20

Ideias para o futebol português


Pedro Azevedo

Em tempos trouxe aqui um modelo competitivo da Primeira Liga que acredito ser decisivo para elevar o patamar do futebol português, com benefícios em termos de intensidade de jogo, atracção de patrocínios, receitas dos clubes mais pequenos e valor global do negócio. Recapitulando, gostaria que em 3-5 anos a nossa Primeira Liga fosse formada por 12 clubes, jogando-se numa primeira fase em "poule" a duas voltas e depois em play-off a duas voltas (primeiros 6 da primeira fase) e play-out (últimos 6 da primeira fase) com os pontos a serem acumulados (total de 32 jogos). Desceriam 1 ou 2 equipas e subiriam igual número de equipas provenientes de uma Segunda Liga jogada nos exactos mesmos moldes.

 

Hoje trago aqui uma fórmula que não passa pelos DireitosTV que permitiria dar um maior equilíbrio à competição. Aflorei o tema brevemente na caixa de comentários do último Post que aqui deixei, mas quero agora desenvolvê-lo. Ora, eu julgo que se deve avançar para a criação de 2 fundos: um Fundo de Garantia dos Salários e um Fundo de Competitividade do Futebol Português. O primeiro teria uma dotação de capital que visaria mitigar os incumprimentos dos clubes para com os seus jogadores. Seriam os próprios clubes (e não o Sindicato dos Jogadores) a contribuir para esse fundo criado pela Liga que seria administrado por uma sociedade gestora. Em caso de ausência de recursos financeiros, os clubes recorreriam ao fundo, havendo no entanto regras que visassem não premiar os incumpridores. Por exemplo, um clube incumpridor teria um prazo limite (1 ano?) para regularizar a situação perante o fundo, findo a qual, caso continuasse a incumprir, seria penalizado com a descida de divisão automática e a impossibilidade de regressar à Primeira Liga nos próximos 3-5 anos. Quanto ao Fundo de Competitividade do Futebol Português, ele visaria dar outra sustentabilidade ao produto futebol, procurando reequilibrar as forças entre os clubes da Primeira Liga. Nesse sentido, os clubes classificados entre o 7º e o 10º (ou 11º) na tabela da Primeira Liga mais o 1º (e o 2º) classificado da 2ª Liga receberiam no final da época uma compensação do fundo por ordem inversa da sua classificação.

 

Em termos operacionais, os clubes descontariam anualmente 0,25% do valor do Activo Intangível (plantel de jogadores) inscrito no seu Balanço para o Fundo de Garantia dos Salários. Por sua vez, para o Fundo de Competitividade do Futebol Português entrariam 50% do excesso de receitas da Liga face aos seus custos (como se de uma Reserva Obrigatória se tratasse) mais uma dotação anual dos clubes de 0,5% do valor do Activo Intangível. Apurado este valor, ele seria depois distribuido de forma inversamente proporcional à classificação dos clubes na época anterior. Por exemplo, imaginando que só desceria/subiria uma equipa, o 1º classificado da 2ª Liga teria uma ponderação de 20% do valor total, o 11º classificado da 1ª Liga 19%,  e depois 18%, 16%, 14% e 13% até ao 7º classificado. Este fundo funcionaria como um mecanismo de solidariedade dos maiores clubes para com os mais pequenos, cientes de que um maior equilíbrio e competitividade dos campeonatos seria benéfico para todos. 

 

P.S. Da mesma forma que o Fundo de Garantia dos Depósitos é constituído por dotações da banca e não dos aforradores (clientes), também não faz sentido que sejam os jogadores a contribuir para o Fundo de Garantia dos Salários. E a Liga deve ser a maior interessada em organizar uma competição onde não aconteçam situações de concorrência desleal que dão mau nome ao futebol profissional português. 

As equipas que se conseguirem apurar para o play-off não receberão qualquer compensação do Fundo de Competitividade, mas em contrapartida terão jogos muito atractivos do ponto de vista da bilhética, por ser de esperar que venham a receber duas vezes durante a época os 3 grandes, para além do acesso às provas europeias (para todos se o ranking de Portugal subisse devido ao acréscimo de competitividade das nossas equipas. Nesse caso, poder-se-ia ainda disputar uma liguilha entre o primeiro classificado do play-out e o último classificado do play-off para apuramento do último lugar europeu disponível, aumentando-se assim o interesse do play-out). 

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Mensagens

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D

Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Siga-nos no Facebook

Castigo Máximo

Comentários recentes