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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

09
Jun20

Os Predadores


Pedro Azevedo

O Universo move-se de ordem e estrutura para desordem e desestrutura, tal como é enunciado pela 2ª Lei da Termodinâmica (Lei da Entropia). Apesar disso, em especiais condições, o Universo consegue criar complexidade. À medida que o sistema vai ficando mais complexo, aumenta o risco de vulnerabilidade e fragilidade. Há momentos em que o equilíbrio se torna de tal forma instável que o mundo passa a ser diferente daquele que conhecemos até aí. Assim aconteceu há 65 milhões de anos atrás, quando a queda de um asteróide na Província de Yucatán criou uma espécie de fenómeno nuclear que matou os maiores predadores existentes no planeta Terra, os dinossauros. Tal acabou por ser uma oportunidade para a evolução do que são hoje os seres humanos, o Homo Sapiens. 

 

Se isto é uma realidade para o Universo, também o é para as empresas e, em particular, para os clubes. Em específico, o futebol ao longo dos anos foi adquirindo uma progressiva complexidade, nomeadamente a partir do momento em que deixou de ser visto como um espectáculo para passar a ser um negócio de transferências milionárias. Nessa metamorfose surgiram uma série de espécies diferentes de temíveis predadores que subjugaram os clubes, hoje em dia reféns de uma vasta teia de interesses que se estabeleceram à sua volta e que em quase nada os beneficia. Acontece que essa subserviência ameaça claramente a sustentabilidade do próprio futebol e, nesse equilíbrio instável, bastaram 3 meses de uma pandemia para o mostrar à evidência. Entretanto, o adepto no estádio, que já estava em decadência, foi substituído pelo adepto no sofá. E o futebol finalmente lembrou-se que precisa dos adeptos para sobreviver. Ainda que persistindo em não actuar sobre as suas próprias vulnerabilidades e fragilidades, permitindo que o adepto continue a ser "engolido" por aquilo que lhe é oferecido. Talvez a solução esteja na erradicação dos predadores, isso sim seria uma oportunidade para nova evolução do ser humano (desportivo). E, concomitantemente, do futebol.

07
Jun20

Pedras na engrenagem encarnada


Pedro Azevedo

A  semana do Benfica ficou marcada pela pedrada. Tudo começou na demissão do seu presidente da AG, uma pedrada no charco, ou melhor, um canhão de Nazaré, abrindo uma onda de contestação à Direcção que foi logo surfada por putativos candidatos à presidência do clube. Seguiu-se-lhe mais um episódio canalha de violência no futebol português novamente perpetrada contra os profissionais do chuto na bola. Da pedrada alegórica passou-se (o que "passou-se"?) para a literal, com um ataque ao autocarro do Benfica do qual resultou ferimentos em dois jogadores (Zivkovic e Weigl). Um momento de terror para os visados, pelo menos a atestar pelas declarações da mulher de Weigl, que se encontrava a falar telefonicamente com o marido quando o incidente ocorreu. Finalmente, o jornal Público denunciou alegados "acordos de dependência" entre o clube da Luz e o Desportivo das Aves que o Benfica classificou de "legais e normais no futebol e em outras sociedades comerciais", ficando a ideia que do ponto de vista estrictamente da ética as explicações se assemelharam a um 'quem nunca pecou que atire a primeira pedra'. 

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06
Mai20

Será que lêem (*) o Castigo Máximo?


Pedro Azevedo

Federação Portuguesa de Futebol anuncia a criação de uma Terceira Liga a partir de 2021/22 e Campeonato de Portugal com um formato mais regional.

 

(*) Contra o Acordo Ortográfico marchar, marchar

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04
Mai20

Mais competitividade, maior sustentabilidade


Pedro Azevedo

O jornal Record dá hoje à estampa uma entrevista ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Dr Fernando Gomes, onde este aponta a venda dos direitos televisivos para outros países como uma futura solução para os problemas financeiros dos clubes portugueses. 

 

Já aqui tinha defendido esse cenário, pelo que em tese nada tenho a opôr às palavras certamente bem intencionadas do presidente da FPF. O problema é que uma reacção por parte do mercado implica uma acção por parte das autoridades que supervisionam o futebol português, e sem uma profunda revolução dos quadros competitivos nacionais tudo não passará de um "wishful thinking". 

 

Gaba-se o Dr Fernando Gomes do sexto lugar que Portugal actualmente ocupa no ranking das competições europeias da UEFA. A verdade é que esse ranking não reflecte a realidade da classe média do futebol português, é tão somente produto de uma macrocefalia do nosso futebol onde as assimetrias entre grandes e pequenos são enormes e a classe média tem sido progressivamente esvaziada, salvando-se Braga, Guimarães e Rio Ave a um nível competitivo razoável. Da mesma forma, aliás, que o título de campeão europeu conquistado por Portugal a nível de selecções ainda menos reflecte as condições existentes no país, dado que, exceptuando um núcleo duro de jogadores que à época actuavam pelo Sporting, a maioria dos seleccionados beneficiou da competitividade dos campeonatos onde actuavam no estrangeiro.  

 

A nossa Primeira Liga tem um défice de competitividade gritante e a falta de intensidade do jogo tem-se vindo a reflectir naquilo que têm sido as últimas participações europeias dos nossos clubes mais representativos. Há dados objectivos que o confirmam: já aqui abordei a questão do tempo útil de jogo, aspecto onde segundo um estudo do Observatório do Futebol, alargado a 37 ligas europeias, a Primeira Liga ocupa o último lugar com 50,9% (60,2% da Premier League, 58,5% da Bundesliga, 55,8% da La Liga). 

 

Por conseguinte, se queremos ter um futebol mais competitivo temos de diminuir as equipas da Primeira Liga e proceder a uma distribuição de receitas mais equitativa entre os seus participantes (DireitosTV e Fundo de Competitividade). Recentemente trouxe aqui algumas ideias que poderiam servir o propósito de melhoria do produto a fim de que este fosse mais vendável nacional e internacionalmente. Creio que a reformulação dos quadros competitivos é fundamental a esse objectivo e deveria ser iniciada de imediato para que daqui a 3-5 anos os nossos campeonatos pudessem reflectir essa visão. Na minha opinião, Portugal deveria ter 3 campeonatos profissionais - Primeira Liga, Segunda Liga e Terceira Liga - , cada um com 12 equipas e jogado em forma de "poule" a duas voltas, com "play-off" (6 primeiros da primeira fase) e "play-out" (6 últimos da primeira fase) também a duas voltas (os pontos acumulam). Desceria o último de cada campeonato e subiria o primeiro da 2ª e 3ª Liga, disputando-se uma liguilha entre o penúltimo de um campeonato e o 2º classificado do campeonato imediatamente inferior. As transmissões televisivas destes 3 campeonatos seriam asseguradas por venda em bloco (centralizada). Por motivos financeiros, a 4ª divisão (semi-profissional) seria disputada por zonas geográficas (4), agrupando-se os clubes em regiões próximas a fim de se evitarem grandes custos de deslocação. Cada zona conteria 14 equipas. Os vencedores de cada zona enfrentar-se-iam numa "poule" final disputada a 2 voltas, o que lhes proporcionaria, no total, exactamente o mesmo número de jogos (32) dos clubes das divisões superiores.

 

A Taça da Liga seria disputada pelas equipas das 3 divisões profissionais (universo de 36). Todas as equipas da Primeira e Segunda Liga (24) estariam automaticamente apurada para os dezasseis-avos-de-final desta competição, assim como os 4 primeiros da Terceira Liga, perfazendo um total de 28 equipas. As restantes 8 disputariam uma pré-eliminatória, apurando-se assim mais 4 equipas para a fase seguinte. Dos dezasseis-avos-de-final até aos quartos-de-final os jogos que o sorteio indicasse seriam sempre disputados em casa do clube pior classificado. A Final Four seria disputada em campo neutro, nos moldes actuais. 

 

Enfim, para que um objectivo não se revele uma quimera é necessário dar passos concretos para que ele se torne possível. É por isso tempo de falar menos e pensar e implementar mais. E também de se fazerem algumas cedências, porque o que à primeira vista possa parecer um passo atrás rapidamente será percepcionado como dois passos à frente. 

P.S. Outro pressuposto fundamental para a imposição de um produto no mercado é a sua credibilidade. E isso só se obtém com transparência de processos e regulamentos claros e inequívocos que protejam a integridade da competição.

04
Mai20

Verdade desportiva?


Pedro Azevedo

Como muito bem deixou subentendido o meu colega João Goulão no "És a nossa Fé", a decisão da Federação Portuguesa de Futebol de indicar para subida à 2ª Liga os dois clubes com mais pontos conquistados no conjunto das 4 séries do Campeonato de Portugal é um absurdo. Na medida em que os oitavos-de-final da Liga dos Campeões não se concluíram, seria o equivalente à UEFA declarar o Bayern de Munique como o vencedor da Champions 19/20 por ter sido a equipa que mais pontos (18) conquistou na fase de grupos da referida competição. Alguém está a ver a UEFA fazer isso? Enfim, singularidades do futebol português...

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30
Abr20

Tudo ao molho e fé em Deus - Vem aí a bola


Pedro Azevedo

Segundo alguns, o futebol português é uma farsa. Eis então que chega a pandemia e tudo muda, e o futebol português passa a ser a única indústria nacional em que os profissionais andam sem máscara. Sem dúvida, uma vitória da transparência do nosso futebol contra a maledicência. Ou não...

 

Estou curioso para ver como se procedem os jogos. Não pondo totalmente de parte a possibilidade de os jogadores aparecerem em campo com capacetes e viseiras à Girão, o mais certo é a marcação à zona imperar sobre o homem-a-homem. O VAR terá o seu trabalho muito facilitado pelas regras de distanciamento social, especialmente devido aos nítidos (2 metros) foras de jogo e inexistentes penáltis. Idém para o árbitro auxiliar, o qual só terá de se preocupar em proteger a cara caso o vento impulsione a bandeirinha na sua direcção. Em contrapartida, os árbitros terão um trabalho intelectualmente extenuante, na medida em que terão de puxar muito pelas sinapses para descortinarem uma razão para advertirem com cartões os jogadores do Sporting. (Se o "Corona" tivesse ocorrido no tempo do José Pratas, aconselhar-se-ia uma viseira aerodinâmica para facilitar a corrida do árbitro ao longo do campo.) As Tácticas da Tosse, do Corrimento Nasal e da Expectoração serão à partida mais eficientes e capazes de proporcionar desmarcações e oportunidades de golo do que os tradicionais 4-3-3, 4-4-2 ou 4-2-3-1. A Liga de Clubes, atenta às recomendações da Direcção Geral de Saúde, lavará muito bem as mãos (como Pilatos). 

 

À partida vai tudo correr bem. A não ser que um Paulinho Santos ou Rambo Dias desta vida se venham a tornar mais perigosos para a integridade física dos jogadores do que o próprio Coronavírus. Cá estaremos para ver... pela televisão, o futebol como Reality Show. Certo, certo é que no fim vai ser uma alegria. Para os confinados dos Aliados ou do Marquês, obviamente...Liga_NOS_logo.png

20
Abr20

Ideias para o futebol português


Pedro Azevedo

Em tempos trouxe aqui um modelo competitivo da Primeira Liga que acredito ser decisivo para elevar o patamar do futebol português, com benefícios em termos de intensidade de jogo, atracção de patrocínios, receitas dos clubes mais pequenos e valor global do negócio. Recapitulando, gostaria que em 3-5 anos a nossa Primeira Liga fosse formada por 12 clubes, jogando-se numa primeira fase em "poule" a duas voltas e depois em play-off a duas voltas (primeiros 6 da primeira fase) e play-out (últimos 6 da primeira fase) com os pontos a serem acumulados (total de 32 jogos). Desceriam 1 ou 2 equipas e subiriam igual número de equipas provenientes de uma Segunda Liga jogada nos exactos mesmos moldes.

 

Hoje trago aqui uma fórmula que não passa pelos DireitosTV que permitiria dar um maior equilíbrio à competição. Aflorei o tema brevemente na caixa de comentários do último Post que aqui deixei, mas quero agora desenvolvê-lo. Ora, eu julgo que se deve avançar para a criação de 2 fundos: um Fundo de Garantia dos Salários e um Fundo de Competitividade do Futebol Português. O primeiro teria uma dotação de capital que visaria mitigar os incumprimentos dos clubes para com os seus jogadores. Seriam os próprios clubes (e não o Sindicato dos Jogadores) a contribuir para esse fundo criado pela Liga que seria administrado por uma sociedade gestora. Em caso de ausência de recursos financeiros, os clubes recorreriam ao fundo, havendo no entanto regras que visassem não premiar os incumpridores. Por exemplo, um clube incumpridor teria um prazo limite (1 ano?) para regularizar a situação perante o fundo, findo a qual, caso continuasse a incumprir, seria penalizado com a descida de divisão automática e a impossibilidade de regressar à Primeira Liga nos próximos 3-5 anos. Quanto ao Fundo de Competitividade do Futebol Português, ele visaria dar outra sustentabilidade ao produto futebol, procurando reequilibrar as forças entre os clubes da Primeira Liga. Nesse sentido, os clubes classificados entre o 7º e o 10º (ou 11º) na tabela da Primeira Liga mais o 1º (e o 2º) classificado da 2ª Liga receberiam no final da época uma compensação do fundo por ordem inversa da sua classificação.

 

Em termos operacionais, os clubes descontariam anualmente 0,25% do valor do Activo Intangível (plantel de jogadores) inscrito no seu Balanço para o Fundo de Garantia dos Salários. Por sua vez, para o Fundo de Competitividade do Futebol Português entrariam 50% do excesso de receitas da Liga face aos seus custos (como se de uma Reserva Obrigatória se tratasse) mais uma dotação anual dos clubes de 0,5% do valor do Activo Intangível. Apurado este valor, ele seria depois distribuido de forma inversamente proporcional à classificação dos clubes na época anterior. Por exemplo, imaginando que só desceria/subiria uma equipa, o 1º classificado da 2ª Liga teria uma ponderação de 20% do valor total, o 11º classificado da 1ª Liga 19%,  e depois 18%, 16%, 14% e 13% até ao 7º classificado. Este fundo funcionaria como um mecanismo de solidariedade dos maiores clubes para com os mais pequenos, cientes de que um maior equilíbrio e competitividade dos campeonatos seria benéfico para todos. 

 

P.S. Da mesma forma que o Fundo de Garantia dos Depósitos é constituído por dotações da banca e não dos aforradores (clientes), também não faz sentido que sejam os jogadores a contribuir para o Fundo de Garantia dos Salários. E a Liga deve ser a maior interessada em organizar uma competição onde não aconteçam situações de concorrência desleal que dão mau nome ao futebol profissional português. 

As equipas que se conseguirem apurar para o play-off não receberão qualquer compensação do Fundo de Competitividade, mas em contrapartida terão jogos muito atractivos do ponto de vista da bilhética, por ser de esperar que venham a receber duas vezes durante a época os 3 grandes, para além do acesso às provas europeias (para todos se o ranking de Portugal subisse devido ao acréscimo de competitividade das nossas equipas. Nesse caso, poder-se-ia ainda disputar uma liguilha entre o primeiro classificado do play-out e o último classificado do play-off para apuramento do último lugar europeu disponível, aumentando-se assim o interesse do play-out). 

18
Abr20

Dignos de REGISTO...


Pedro Azevedo

... os mais recentes desenvolvimentos à volta do caso Rui Pinto.

 

P.S. Dedicado a quem verberou a atitude daquele juíz que requereu escusa em processo que dizia respeito ao clube do seu coração.

18
Abr20

Uma crise que é uma oportunidade


Pedro Azevedo

Qualquer crise, seja ela económica, financeira ou sanitária, constitui uma ameaça. Mas é também uma oportunidade, uma forma de reinvenção, renovação, renascimento. Quantas reformas necessárias não ficam na gaveta, vencidas pela inércia e por interesses individuais que não se conjugam com os de um todo, à espera de uma oportunidade como esta? 

 

No caso particular do futebol português urge criarem-se condições para que o produto possa ser mais vendável nacional e internacionalmente, atraindo operadores de televisão além-fronteiras interessados na divulgação da nossa Liga e novos patrocinadores associados. 

 

Em primeiro lugar, há que dotar de outra competitividade o nosso principal campeonato. A Primeira Liga tem de ser o nirvana para quem a alcança e não o purgatório para os clubes do meio da tabela para baixo, sempre numa luta pela sobrevivência desportiva e financeira. Questões como as de uma melhor distribuição das receitas ou do redimensionamento do número de clubes na elite à nossa realidade demográfica serão importantes discutir, assim como as da reorganização dos calendários competitivos ou da eficácia dos regulamentos e transparência, integridade e equidade das decisões arbitrais e disciplinares. 

 

Evidentemente, tudo isto só será possível se tivermos pessoas à frente da Liga de Clubes mais preocupadas com a capilaridade do futebol português do que com a cera para o seu cabelo, empenhadas em garantir a idoneidade e qualidade do produto e dispostas a promovê-lo nesse pressuposto e sem receio de ficarem sem emprego, com sentido de "estado". É que um político preocupa-se com a próxima eleição, um "estadista" deve preocupar-se com a próxima geração, com a sustentabilidade. Que avancem as necessárias reformas!

10
Jan20

Falam, falam...


Pedro Azevedo

A vida de um sócio ou adepto do Sporting (e do próprio clube) é como aquele sketch do Gato Fedorento: está sempre a ser confrontado com certas e determinadas situações, enquanto ao mesmo tempo há gajos que andam por aí e fazem trinta por uma linha e passa tudo incólume. E quando vimos lá de baixo e dizem-nos não sei o quê, chegamos cá acima e parece que não. Logo nós que como clube nos damos bem com toda a gente. Se calhar, o melhor é irmos fazer a vida para outros sítios, sítios onde inclusivamente a malta nos diz: - "Eh Pá, e tal, sim senhor!"

Falam, falam, falam, falam e eu não os vejo a fazer nada...

01
Jan20

A Liga


Pedro Azevedo

Começa um novo ano, e com tal efeméride lembramo-nos que em Portugal há uma competição denominada de Primeira Liga, o nosso campeonato nacional. Uma prova de regularidade em que a frequência de jogos nada tem de regular. Por exemplo, em Outubro quase não se jogou, em Novembro o campeonato parou 3 semanas e desde o dia 16 de Dezembro que não se joga. Curiosamente, desde que em Portugal foi declarada a trégua de Natal, em Inglaterra disputaram-se 4 jornadas da Premiership, o que tudo somado faz com que em terra de sua majestade a Raínha Isabel a principal competição já vá na 21ª jornada. Nós, por cá, vamos na 14ª... "Devagar, devagarinho se vai à Ribeira Grande", e não pode haver muitos jogos de seguida porque os treinadores portugueses começam logo a queixar-se da intensidade do calendário e que não têm tempo para treinar. É que treinar obriga a muito estudo. Por exemplo, não é fácil passar noites em claro à frente de um terminal da Carris a ver como os funcionários da empresa arrumam os autocarros, algo que 70% dos treinadores da 1ª Liga dedica-se a replicar num campo de futebol. Claro está que quando um dia regressar o campeonato as equipas perdedoras nessa efeméride queixar-se-ão de falta de ritmo de competição, o que também está bem. Afinal, se dar desculpas é o passatempo favorito dos portugueses, por que razão os nossos treinadores haveriam de ser diferentes? 

 

Dizem que o futebol deixou de ser um espectáculo para ser um negócio? Só se for no estrangeiro, em Portugal um negócio é que não é. Até porque um negócio implica consumidores, e a vontade de dirigir o foco para estes não faria um campeonato nacional parar tantas vezes ao ponto de nos esquecermos que essa competição existe. Em países como a Alemanha existe a paragem de Inverno por as condições climatéricas serem muito adversas à prática do futebol; em Portugal, país abençoado com um clima temperado, fazemos a pausa de Inverno e a de Outono. E como no Verão o campeonato já acabou, basicamente só não se pára na Primavera. Na verdade, o nosso campeonato é como a Prima Vera, aquela prima distante que vemos poucas vezes ao longo do ano. E quando os nossos emigrantes nos visitam no Natal não há campeonato. Não, imediatamente antes da paragem, preferimos fazer uns joguitos a contar para a Faca na Liga, perdão, Taça da Liga, que é assim uma coisa capaz de criar um entusiasmo semelhante a observar o salto de uma pulga. 

 

Os clubes, que aprovam regulamentos e elegem direcções da Liga, são os grandes culpados. Habitualmente há jogos onde nem 1000 espectadores estão presentes, não existe centralização na Liga dos direitos de TV, as assimetrias entre grandes e pequenos/médios são bárbaras devido à diferença de orçamentos, a intensidade dos jogos ressente-se disso, existe uma dependência notória dos clubes inferiores com tudo o que isso pode significar em termos de se desvirtuar o espírito da competição e a solução para tudo isto é o campeonato parar e não haver receitas. Uma e outra e outra vez. Um campeonato que, nos moldes actuais, também ele pouco sentido faz, com meia-dúzia de equipas que efectivamente joga para ganhar e todas as outras à procura de não perder. 

 

Mas há quem defenda isto. Inclusivé, apontado ao bom desempenho luso este ano na UEFA. É como ver o topo de uma montanha e ignorar o resto, ou elogiar o fraque do cavalheiro sem cuidar que está de tanga e descalço. Aliás, se continuarmos neste ritmo super-intenso no campeonato nacional, estou convencido que um clube português vencerá a Liga Europa. Pudera, todos fresquinhos enquanto os outros se andam a desgastar por essa Europa fora... E com muito tempo para treinar... o encanar a perna à rã.

 

UM ÓPTIMO ANO DE 2020 A TODOS OS LEITORES DE CASTIGO MÁXIMO E, EM ESPECIAL, A TODOS OS SPORTINGUISTAS!!!

08
Out19

Reforma do futebol português


Pedro Azevedo

Não há causa pela qual um blogue, ou um conjunto de Sportinguistas, possa lutar se a Direcção do clube não der o mote nessa matéria. Por isso ficam aqui algumas perguntas: o Sporting considera ajustado o actual formato e modelo competitivo do campeonato nacional? Quais as propostas do clube em termos de prevenção de conflito de interesses, tráfico de influências ou promiscuidade? Qual é a posição do clube sobre a necessidade de divulgação pública dos relatórios de árbitros e delegados aos jogos? Considera o Sporting admissível, em sede de prevenção de conflito de interesses, que os vídeo-árbitros também possam arbitrar jogos, sabendo-se que da sua acção enquanto VAR poderá resultar prejuízo para a nota do seu colega árbitro principal? O Sporting tem alguma exigência no sentido da divulgação semanal da classificação de árbitros e vídeo-árbitros? O que é que o Sporting tem a dizer sobre a ausência de jogos de campeonato durante 1 mês? Constituindo a fiscalidade portuguesa um factor de diferenciação negativa, que propostas tem o Sporting no sentido de se atenuarem as desvantagens competitivas face aos seus pares europeus? Qual é a política de relacionamento com outros clubes que o Sporting preconiza? O que é que o Sporting tem a dizer em sede de escrutínio da constituição de sociedades anónimas desportivas e seus accionistas? Que medidas de defesa do futebolista português tem o Sporting em agenda? Enfim, gostaria de saber qual a posição do clube sobre estas e muitas outras matérias que visem uma maior transparência, competitividade e viabilidade económica do nosso futebol. 

07
Out19

Ainda a paragem do campeonato


Pedro Azevedo

Há 2 dias atrás, trouxe aqui a situação absurda de o campeonato português, ao contrário do que se passa um pouco por toda a Europa, parar durante 1 mês em Outubro. Bem sei que conjunturalmente, dado que durante este hiato iremos realizar a 3ª pré-época desta temporada, esta paragem poderá ser benéfica para o Sporting, mas a verdade é que não o é para o futebol português, o qual necessita de urgentes reformas. Pior, o Benfica tomou a liderança e hoje, através da sua newsletter diária, criticou a calendarização das provas nacionais que, no entendimento do clube da Luz, "não salvaguarda os interesses do futebol português". Ora, eu gostaria é que o meu clube fosse líder no que diz respeito à regeneração de que o futebol nacional necessita, o que no caso particular significaria não reduzir a intensidade a zero durante o mês de Outubro enquanto os campeonatos das potências europeias param apenas 15 dias.

06
Out19

Tempo útil de jogo


Pedro Azevedo

O Observatório do Futebol, fundado em 2005 por Raffaele Poli e Loic Ravanel, publica estatísticas sobre o desporto-rei baseadas na pesquisa desenvolvida por elementos do seu staff. Este Observatório, parte integrante do Centro Internacional de Estudos de Desporto (CIES), uma parceria entre a FIFA e a Universidade, cidade e estado de Neuchatel, publicou recentemente um estudo sobre o tempo útil de jogo em 37 competições europeias de futebol.

 

Nesse estudo, a liga sueca tem, em média, o jogo mais fluído da Europa, com 60,4% de tempo efectivo. Em segundo lugar está a Champions League, a principal prova de clubes da UEFA, com 60,2% de tempo útil. Por oposição, a 1ª Liga portuguesa encontra-se em último lugar, com meros 50,9%.

 

Entre as principais 5 ligas europeias, a Bundesliga alemã é a que tem o maior tempo útil de jogo, com 58,5%, enquanto a La Liga é a que tem mais paragens, com apenas 55.8% de fluidez de jogo. 

 

De entre os clubes, o sueco Sundsvall encabeça o lote daqueles (competições nacionais) em que nos seus jogos a bola está mais em jogo (63,7%), enquanto o Feirense (Portugal) está nos antípodas com apenas 45,7% (os jogos da Belenenses SAD têm 55,2% de tempo útil, ou seja, o valor mais elevado da 1ª Liga portuguesa). Considerando só os clubes presentes na última edição da Champions/Liga Europa, o Clube Brugge (Bélgica) é o mais fluído (66,2%), seguido de Borussia Monchengladbach (62,5%), Liverpool (62,2%), AC Milan (61,2%), Barcelona (60,3%) e Paris SG (60,1%).

 

A amostra para este estudo foi realizada entre 1 de Julho e 28 de Novembro de 2018. 

 

Enfim, "food for thought", sendo certo que quando se fala na necessidade de reformas do futebol português e das suas competições tendo em vista uma maior competitividade este parâmetro de análise não deve ser olvidado. De realçar o bom desempenho à escala nacional da Belenenses SAD, mérito certamente do treinador Jorge Silas, o tal que não tem o 4º nível e cuja chamada para treinador do Sporting foi apelidada de "ridícula" pelo senhor José Pereira, o presidente de uma associação que certifica treinadores cujas equipas são as que mais param o jogo na Europa. Imagino que tal deva ser ensinado nos excelsos e importantíssimos cursos...

 

 

05
Out19

A intensidade das equipas portuguesas


Pedro Azevedo

Espanha, França, Itália, Inglaterra e Alemanha têm os seus campeonatos a decorrer. Em Portugal folga-se. E nem o facto de haver eleições justifica esta pausa, na medida em que se poderia jogar na Sexta, Sábado e até Domingo depois do fecho das urnas (admitindo que não se deveria jogar enquanto estas estão abertas). É também por aqui, mas longe de ser só por isso (clubes a mais, jogos "a doer" a menos, distribuição muito assimétrica das receitas televisivas, falta de uma visão que privilegie estrategicamente o futebol português como um todo em detrimento do interesse conjuntural do clube A, B ou C, necessidade de maior transparência...), que se nota a diferença de intensidade das equipas portuguesas face às suas congéneres europeias quando as defrontam nas provas da UEFA. Como é possível que, tendo actuado para o campeonato no dia 30 de Setembro, o Sporting só volte a jogar para a Liga no dia 27 de Outubro (recepção ao Guimarães)? O Campeonato 1 mês parado? Bem sei que vai haver uma paragem para as selecções, mas até por isso conviria aos clubes e seus jogadores não haver uma pausa tão grande. Ainda por cima, passados os compromissos internacionais de selecções, os campeonatos retomarão um pouco por toda a Europa no fim de semana de 19 e 20 de Outubro, mas em Portugal jogar-se-á...a Taça de Portugal. Uns génios, os senhores que organizam as competições em Portugal... 

16
Set19

Carnaval d' O VAR


Pedro Azevedo

No Portimonense-Porto, Vasco Santos viu uma mão. O azar dos pupilos de Folha foi serem de Porti...mão. Se fossem de Portipé...

A não uniformização dos critérios do VAR é uma brincadeira. Brincadeira é Carnaval. Carnaval d' OVAR, ou, no caso, de O VAR. Mas, como todos os carnavais, um dia acabam. Às quartas-feiras europeias. De cinzas, obviamente.  

13
Set19

Sustentabilidade do futebol português


Pedro Azevedo

O Sporting tem de estar estratégicamente na primeira linha em todas as transformações que o futebol português precisa, no sentido do reforço da sua competitividade e viabilidade económica, e necessita de ser mais persuasivo na mobilização dos restantes clubes para esta causa. Há que perceber o que é fundamental e o que é acessório e saber estabelecer os compromissos necessários para que as nossas ideias vinguem.

 

A descida portuguesa no ranking de clubes da UEFA obriga a reflectir sobre a competitividade do futebol nacional. Assim, o Sporting deveria inspirar uma alteração dos quadros competitivos: em cinco anos (se não se conseguir antes), campeonato com 12 equipas, disputado numa primeira fase a duas voltas; “play-off” (6 primeiros da primeira fase) e “play-out” (6 últimos da primeira fase) com 6 equipas cada, a duas voltas, total de 32 jogos; os pontos contam desde o início, descida de divisão para os dois últimos classificados do “play-out”, o que possibilitaria que a mesma receita fosse dividida por menos clubes. Igual modelo para a 2ªLiga e para a 3ªLiga (inovação). Criação da 4ª Divisão, nos moldes do actual Campeonato de Portugal, a cargo da Federação Portuguesa de Futebol. Desde logo, haveria mais jogos entre Sporting, Porto e Benfica e quem conseguisse chegar ao “Play-off” receberia duas vezes os “grandes”, uma grande motivação e aumento das receitas de bilheteira para todos. O vencedor do “Play-out” poderia ter um bónus da Liga (ou mesmo uma participação europeia garantida, por troca com os quintos/sextos classificados do “Play-off”), a fim de que os clubes estejam motivados. Julgo que com estas medidas, e assegurando que em 5 anos o modelo estaria implantado, teríamos, daqui a 10 anos, 3 clubes na Champions.

 

Deve ser revisto o modelo competitivo da Taça da Liga. O formato actual é aberrante, a sua calendarização e espaçamento temporal, idém. Ou existe um incentivo do tipo participação em competição europeia ou a competição não faz muito sentido. Pior ainda com a criação das competições de Sub23, que permitirão rodar jogadores mais jovens, retirando ainda mais interesse por parte dos clubes maiores a integrarem a Taça da Liga. Esta competição deveria idealmente ser disputada entre Dezembro e Janeiro, num formato de eliminatórias, com um pré-eliminatória que apure 32 equipas, seguido dos dezasseis-avos, oitavos e quartos de final (sempre jogados a uma única volta e em casa da equipa pior classificada no campeonato nacional do ano anterior). Seguir-se-ia o actual formato de Final-Four que me parece bem conseguido, com a atribuição ao clube anfitrião, prévia ao início da competição, da responsabilidade de organizar essa fase decisiva.  

 

A questão da defesa do futebolista português também deve ser abordada. Bem sei que, pós-Lei Boaman, para a UEFA vigora a livre circulação, mas há algumas medidas que se poderiam tomar. Por exemplo, a primeira regra de desempate de pontos nas competições nacionais poderia ser o nº de portugueses utilizados, critério que prevaleceria sobre a diferença de golos, o nº de golos marcados ou os resultados entre os clubes em causa.

 

centralização dos DireitosTV é algo que tem de ser conseguido no médio-prazo. Pode parecer negativo para os "grandes", mas a verdade é que actualmente Portugal só tem um participante garantido na Champions e isso deve-se, essencialmente, à má prestação dos clubes médios do futebol português nas provas da UEFA. Às vezes, é importante dar um passo atrás para se poderem dar dois à frente e uma maior competitividade da Liga beneficiará a todos no longo prazo.

 

A Liga enquanto regulador tem de fazer outro escrutínio na constituição de sociedades anónimas desportivas. O futebol, actualmente, é um paraíso para negócios pouco claros e é necessário tomar medidas para combater isto. O “match-fixing”, geralmente associado às apostas desportivas, é um flagelo que importa enfrentar. Não me parece também que haja suficiente “compliance” sobre os investidores de capital nas SAD e a Liga deveria adoptar os procedimentos actualmente em vigor no sistema financeiro sobre branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo (BCFT). E depois, há modelos que funcionam porque apostam em criar raízes e na envolvência com as povoações, como é o caso do Aves, outros não contemplam essa realidade e acabam por criar um fosso com os sócios e adeptos do clube, servindo apenas como plataforma de interface de jogadores.

 

Código de Ética dos Agentes Desportivos: é fundamental a existência de um código de ética, de conduta, que abranja todos os agentes desportivos, com especial ênfase em regras, procedimentos de prevenção de conflito de interesses, promiscuidade, tráfico de influências e corrupção. Nele estarão claramente definidas as penalizações em sede de justiça desportiva em que incorrerão os prevaricadores. A Liga e a Federação não se podem demitir da sua função reguladora e devem criar condições que previnam a adulteração da integridade das competições e o respeito pelos espectadores/consumidores do produto futebol. O Código deve constar em local bem visível na primeira página dos sites das entidades reguladoras. A justiça desportiva não pode nada fazer a montante e estar sempre à espera, a jusante, de investigações da PGR. O Ministério Público e a PJ deverão ter mais que fazer do que permanentemente ter de alocar recursos para estudar as diversas suspeitas que envolvem o fenómeno futebolistico em Portugal. Ou, Liga e FPF, mostram capacidade de se auto-regularem ou o Estado terá de intervir, criando regras que impeçam a continuação deste status-quo. Para além destas regras, Liga e FPF deveriam conceber durante toda a época um conjunto de iniciativas que visassem promover um futebol limpo, seja por via de acções nos estádios, seja através de acções de formação e sensibilização de todos os agentes. Estes deveriam ser obrigados a fazer um exame e a terem de mostrar ser conhecedores de todos os procedimentos constantes do Manual.

 

O futebol português possui desvantagens competitivas face a diversos países europeus (a diferença para Espanha é gritante) devido a uma fiscalidade mais exigente, que não discrimina positiva uma profissão de desgaste rápido (dos profissionais de futebol) e que muito penaliza os clubes. Promover consenso na Liga e constituir um grupo para sensibilizar o governo, no sentido de tentar aligeirar a carga fiscal dos profissionais de futebol, seria uma prioridade.

 

Um clube formador, como é o caso do Sporting, que abastece todo o futebol português, tem de ter outro peso perante os seus pares, não pode ser permanentemente desrespeitado, nem as suas posições serem sempre relegadas para segundo plano em nome de outros interesses instalados. Assim, o Sporting deve ter uma política de relacionamento com outros clubes, privilegiando aqueles que o respeitem.

 

O produto Futebol Português tem de ser vendido de uma forma totalmente diferente. Devem existir regras claras de transparência para que o consumidor acredite no produto, os artistas (jogadores) têm de ter liberdade concedida pelos clubes para abordarem diversos temas e estar disponíveis para acções com os fãs, a exportação do produto para os mercados americano e asiático pensada. É inconcebível que o futebol do país campeão europeu continue a despertar tão pouca procura e isso dever-se-á muito à inércia da Liga e sua incapacidade de promoção da imagem do nosso futebol. Também não é aproveitada da melhor maneira a passagem de alguns craques pela nossa liga. Jogadores como Schmeichel, Deco, Ramires, Aimar, entre outros (só falando deste milénio), poderiam ter contribuido para uma maior divulgação.  

 

P.S.1 O Henrique Monteiro escreveu um Post (no seguimento de uma crónica em A Bola) com umas medidas (em meia-dúzia de linhas) no meu entendimento relativamente mal-amanhadas e até possivelmente redutoras (10 clubes + 3 voltas = 27 jogos, terceira volta em campo neutro?) sobre o futebol português - mais uma previsão (para pena dele, segundo diz, e minha profunda decepção e tristeza se se concretizar) de que o Sporting será o primeiro dos 3 grandes a perder a maioria de capital na SAD (então, mas não acredita na nossa actual gestão?) - que logo tratou de apelidar de redentoras. Assim, produto de uma reflexão séria (que o passado e a actualidade obrigam), dedico-lhe estas linhas (há muitas mais se estiver efectivamente interessado em aprofundar o tema) já publicadas anteriormente no blogue "És a nossa Fé" (22 de Julho de 2018) e neste mesmo blogue (18 de Março de 2019). Sem a pretensão de serem redentoras, claro está. Até porque na minha vida esse papel está consagrado unicamente a Deus (ou a Cristo por Seu desígnio). 

P.S.2 Para mim, apodos como "sportingados" ou "IURB", que os Sportinguistas se entretêm a endereçar uns aos outros, são expressões de um maniqueísmo que nos afasta da união e que está nos antípodas de uma saudável identidade ou Cultura Sporting. Já o dizia antes, no tempo de Bruno de Carvalho, e reforçá-lo-ei sempre que tal se torne necessário. Não se pode é ter dois pesos e duas medidas, não é Henrique? E assim anda o Sporting (da "exuberância irracional" de Greenspan para o "new normal")...

01
Set19

"Na vida tudo é relativo, e esse é o único valor absoluto"


Pedro Azevedo

Três penáltis marcados contra o Sporting em Alvalade, expulsão de um jogador do Vitória no Dragão quando ainda nem estava decorrido 1 minuto de jogo (cartão vermelho que até confundiu o narrador da SportTV que anunciara um "amarelo")...

02
Jun19

Liga Ibérica


Pedro Azevedo

Não há muito tempo, trouxe aqui a ideia da criação de uma Liga Ibérica. Hoje, é A Bola que anuncia, citando a agência oficial de notícias belga, que os principais clubes holandeses (Ajax, PSV, Feyenoord, AZ, Vitesse e Utrecht) e belgas (Anderlecht, Club Brugge, Standard Liége e Genk) se reuniram para discutir a criação de um campeonato conjunto, estando em cima da mesa um formato com 18 equipas (10 holandesas e 8 belgas), que permita aumentar a competitividade e potenciar as receitas.

 

Enquanto cá nos vamos entrincheirando na inevitabilidade da nossa condição, com os Velhos do Restelo do costume a perorar sobre a impossibilidade de tudo e mais alguma coisa - uma ideia (e sua implementação) é uma ameaça, no país do penso, logo desisto - , lá fora dão-se passos seguros no sentido de reagir à ditadura dos poderosos novos-ricos do futebol mundial. 

31
Mai19

A Revolução


Pedro Azevedo

Portugal é aquele país em que tudo vai acontecendo naquele jeito de que se não for exactamente assim não há problema, que isto de engendrar o acaso deve obedecer a imenso planeamento, parecendo sempre que o importante para os decisores(?) é que pareça que algo mude para que tudo fique mais ou menos da mesma forma. De vez em quando, surge alguém que vem abanar o status-quo" vigente. Em Portugal, a alguém assim chamam-no de revolucionário, no resto do mundo é um simples empreendedor. Foi mais ou menos assim, contra este estado de coisas, que desceu à capital o capitão Salgueiro Maia, ele próprio um herói com perfil de anti-herói, naquele jeito semi-inconsciente de quem, à despedida, diz "vou ali abaixo fazer a revolução", levando para o efeito consigo o chaimite como quem vai fazer a rodagem ao Hummer, coisita "discreta" e mal disfarçada só por obedecer às cores dos semáforos. Já muito consciente foi o seu regresso, que revelou o homem por detrás do soldado, o sentido de honra e espírito de missão de alguém que soube sempre qual o seu lugar na história e qual a janela de protagonismo a que se obrigava. Por isso voltou, como se nada fora, ao seu quartel, como puro e bom homem das casernas, imune ao xico-espertismo dos aproveitamentos pós-revolucionários e ao lambe-botismo tão nacional das honrarias e das comendas. 

 

Falo de Salgueiro Maia, por quem tenho profundo apreço, porque o futebol português necessita como nunca de um homem como ele, disposto a tudo arriscar para vir até Lisboa fazer a revolução. Quem já foi a um estádio de futebol sabe que o assobio é uma arte bem nacional. Mas o adepto assobia, dirigindo o seu silvo para alguém que está à sua frente. É o chamado assobiador amador, uma singular forma de AA que exige reuniões semanais a fim de sublimar o vício em vez de o reprimir. No entanto, à medida que se vai subindo na pirâmide do poder, vamos vendo assobiadores cada vez mais profissionais. Curiosamente, a direcção dos assobios vai-se desviando cada vez mais para os lados. Tanto para os lados que os potenciais alvos deixam de os ouvir, por também não ser esse o propósito do emitente. Este só pretende desviar as atenções e lateralizar para os portugueses. Sim, porque lateralizar é uma arte que os portugueses vêm desenvolvendo de há muitos anos a esta parte. Enquanto os anglo-saxónicos apressam-se a chegar ao âmago da questão, aquilo que no futebol é expresso pelo jargão do futebol-directo, os lusitanos vão percorrendo o algoritmo do caminho crítico, escondendo sempre a sua verdadeira intenção até ao último momento, não vá o conjuntural alvo aperceber-se de que também queremos ser felizes. Por isso, engonhamos. Engonhamos e lateralizamos até à exaustão, até o oponente cansar-se e baixar as suas protecções, para, depois sim, desferirmos o golpe mortal. Ou não, porque às vezes o "inconseguimento" está tanto no nosso sangue que ficamos presos nos meios e esquecemos os fins. Não foi mais ou menos assim, após elaborado planeamento do acaso, que nos sagrámos campeões europeus? Ou como o melhor coisa que os nossos briosos jogadores um dia fizeram por Portugal pode, simultaneamente, ter sido a senha para a legitimação do pior do futebol português...

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