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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

20
Set21

Tudo ao molho e fé em Deus

Levante e ria


Pedro Azevedo

Depois do contacto com uns neerlandeses com nome de desinfectante, os jogadores do Sporting rumaram até à Amoreira com o corpo cheio de tintura de iodo e de mercurocromo. E pensos. Penso, logo desisto (como o Mamede)? Nada disso, ou não fosse um jogo a contar para a Liga Betadine (famosa casa de apostas anti-sépticas), e os nossos valentes rapazes dispuseram-se a trazer ainda mais 3 pontos no corpo para garantir a vitória. 

 

Um jogo no Vale da Amoreira é sempre uma boa promoção do futebol das energias renováveis. Em particular, do vento (eólica), que habitualmente faz-se sentir com inusitada intensidade. Por isso, tanto podemos assistir a golos de baliza a baliza e de canto directo como a testes de aerodinâmica da Ferrari e de outras equipas de competição automóvel. Ferraris não se viram, desde logo porque o JJ nunca foi fã dos ares do Estoril e ainda anda a lidar com o excesso de peças em MaraSeixalnello, pelo que o Rúben Amorim aproveitou para vir experimentar os seus domesticamente vitoriosos minis. E o teste nem correu mal. Bom, se o Adán não tivesse oito braços como um polvo a coisa poderia ter dado para o torto, mas assim deu tempo para que tudo se compusesse. E levou tempo, ai se levou! Por exemplo, foram precisos um cabeçudo, uma rodinha e uma paulada até um corridinho do Paulinho ser interrompido por um estorilista com o pé pesado e fora do ritmo e a dança da sorte nos sorrir. Chegou então o tempo para o reencontro do Xico Geraldes com os Sportinguistas, acto que se proporcionou através do insistente contacto com as canelas dos mesmos. Houve logo quem lhe chamasse um ensaio sobre a cegueira...  

 

Por muito que soprasse o vento foi como se não mexesse um(a) Palhinha. E isso é o melhor que se pode dizer do João, que a seu lado teve o Porro, que marcou um golo, e o Paulinho, que se mexeu muito. O Adán também foi importante, decisivo num momento que poderia ter sido chave do jogo. Regressado, o capitão Coates devolveu serenidade ao trio defensivo. Todos juntos, formaram um quinteto largamente responsável pela nossa importante vitória de ontem.

 

Pois é, parece que estamos de volta. Ou, como diria Mark Twain, as notícias da nossa morte foram manifestamente exageradas. Caímos, é certo, mas ontem o vento indicou levante.

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Palhinha

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16
Set21

Tudo ao molho e fé em Deus

Antony and the “Johnsons”


Pedro Azevedo

Quando aos 20 minutos Rúben Amorim olhou para o relvado e viu Inácio pedir a substituição sentiu que algo de apocalíptico podia acontecer. Vai daí, pensou no Nazareno como salvador. Mas Jesus Cristo, diga-se de passagem que compreensivelmente, andava por essa altura absorto com outros flagelos de igual dimensão no mundo (a fome, o desemprego, os refugiados, a pandemia...), pelo que totalmente indisponível, razão que levou Amorim a ter de improvisar com o nazareno do (António) Salvador, o Esgaio. A opção de Esgaio para central não deixou de surpreender. É que, tendo em conta o que se vem ouvindo com alguma compaixão ou comiseração por parte dos adeptos leoninos, as exuberantes qualidades defensivas do avançado Paulinho recomendá-lo-iam prioritariamente para a posição. Acontece porém que o nosso treinador manteve a fé no Paulinho goleador (o Coates estava impedido de jogar) e viria a ser premiado pouco depois quando o guarda-redes do Ajax permitiu que a raposa (epíteto comum aos pontas de lança) entrasse na capoeira e visasse o frango. Por aí tudo bem, e o povo voltou a acreditar. Só que não é com Vinagre que se apanham moscas e o Antony, com ou sem os Johnsons, foi zumbindo e zumbindo sobre a nossa ala esquerda, sem que o Nuno Santos se preocupasse em evitar os sucessivos 1x1 que a sua musiquinha ia entoando. Haller que se faz tarde, o ponta de lança dos lanceiros, na sua época de estreia na liga dourada, agradeceu para praticamente sentenciar o título de melhor marcador desta edição da Champions. 

 

Por essa altura, do nosso lado apenas o Matheus Nunes e o Porro mostravam competência para este nível de competição. Ainda procuraram dar-se como bóia de salvação ao resto da equipa, mas o Neto, o Esgaio e o Feddal metiam água por todos os lados, o Vinagre já era cadáver e a Pamela Anderson, o Hasselhoff e a restante patrulha do Baywatch há muito tempo que havia metido os papéis para a reforma. Adicionalmente, incapaz de se segurar fosse ao que fosse, baralhado nas sinapses pelas sucessivas e rápidas variações do centro de jogo impostas por Ryan Gravenberch, o motor do jogo neerlandês, o Palhinha andava completamente à deriva. Porém, com o Ajax a jogar o jogo pelo jogo e a não baixar linhas, a ingenuidade neerlandesa ainda fez acalentar a esperança e a ilusão dos adeptos. Assim, Palhinha e Feddal desperdiçaram boas oportunidades de reduzir diferenças antes do intervalo. 

 

No regresso dos balneários, o Amorim tirou o Vinagre e o Jovane e meteu o Matheus Reis (esquerda) e o Sarabia (direita). Mudou o bartender, mas o nosso flanco esquerdo continuou a ser um bar aberto para o Ajax saciar a sede de golos, com Antony e Mazraoui a criarem mais oportunidades para o Haller facturar. É certo que o Paulinho ainda marcou o que poderia ter sido o momentâneo 2-3 (e seu segundo golo na partida) e o Porro chutou ao poste, mas por essa altura já vigorava a Lei de Murphy, que fez inchar o pé do nosso ponta de lança para além dos limites regulamentares e impediu um grande golo, ou produziu um estranho efeito no ferro que o fez fundir mais a bola com as mãos do guarda-redes. 

 

Onde vai um, vão todos (ontem dizia alguém jocosamente que foram 5...) deve e vai continuar a ser o mote aglutinador. Mas o Sporting não pode abordar a grande montra onde tem a oportunidade de exibir os seus jogadores (e o clube) da forma que ontem se viu. Que começou na falta de uma estratégia que condicionasse o Antony sem que isso significasse abdicarmos dos nossos princípios de jogo, ou na não-transformação do sistema de 3-4-3 para 3-5-2 com a entrada de Daniel Bragança para o miolo (algo já testado no passado) e consequente fortalecimento do nosso meio campo (e respirar com bola, coisa que ontem não se viu). Adicionalmente, a ausência do capitão Coates foi por demais sentida, assim como a baixa de Pote, um jogador cuja inteligência teria certamente tirado partido do espaço entre-linhas que os neerlandeses permitiram durante a maior parte do tempo e não foi aproveitado por falta de discernimento dos nossos. Sendo que muitas vezes é nas derrotas que aprendemos as grandes lições da nossa vida que nos permitem evoluir, acreditemos na resposta dos nossos. O Rúben tem créditos. Lembram-se do pós-Lask Linz? Aí, leões!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes

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15
Set21

A minha dúvida para hoje


Pedro Azevedo

Já que ninguém fala nisto, aqui ficam os meus cinquenta cêntimos para a discussão: irá Ruben Amorim manter a estrutura base do seu onze, optando por Jovane ou Sarabia na posição de interior direito, ou, alternativamente, mudará o sistema do 3-4-3 para um 3-5-2 e incluirá Daniel Bragança na equipa titular (libertando mais Matheus Nunes para as suas cavalgadas com bola)? 

15
Set21

Espelho mágico


Pedro Azevedo

O jogo desta noite em Alvalade colocará frente a frente duas escolas de Formação de renome na Europa. Dois projectos semelhantes na sua concepção, porém diferentes na sua adequação prática. Isto porque os leões têm-se dedicado à vã glória de precocemente desperdiçar talentos que mais tarde se vêm a impôr ao mais alto nível noutros clubes, enquanto os lanceiros se destacam pela optimização das sucessivas fornadas de jogadores saídos das suas camadas jovens, aliando o sucesso desportivo com a sustentabilidade económica e financeira. Embora os mais recentes ventos de mudança indiquem que as coisas estão a modificar-se para melhor em Alvalade, este jogo com o Ajax deverá ser encarado também como o nosso encontro com a realidade. Porque o Ajax de Janny van der Veen, Rinus Michels, Cruijff, van Basten e outros deverá ser um exemplo duradouro para nós, o paradigma das convicções fortes e da consistência das ideias acima das conjunturas de curto/médio prazo. Por isso, mais do que um adversário, do outro lado teremos um espelho mágico, que nos dirá que a mais bela Formação reside em Amesterdão. Mais do que invejar tal ou ser roídos pelo ciúme, a nós caberá perceber que há um caminho pela frente cheio de obstáculos que cumpre continuar a percorrer. Se o fizermos, talvez um dia o espelho nos venha a dizer que a mais bela Formação estará localizada em Alcochete. E assim viveremos felizes para sempre, tal como nos contos de fadas. 

 

P.S. Os irmãos Grimm estão para o Grimi como o Germano está para o género humano. 

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12
Set21

Tudo ao molho e fé em Deus

O Dress-Code foi amarelo


Pedro Azevedo

Ontem em Alvalade houve jogo grande. Dia de festa pede "dress-code" e Nuno Almeida não hesitou em eleger o amarelo no relvado, obrigando leões e dragões a paritariamente se distribuírem com essa cor. Não se sabe se a ideia foi promover a solidariedade, mas no fim os Sportinguistas que assistiram ao jogo também ficaram um pouco amarelados. E porquê? Desde logo porque tiveram a confirmação de que nas recepções ao Porto vale tudo menos tirar olhos dentro da área portista. Já sabíamos que no passado um empurrão de Zaidu a Pote não havia dado grande penalidade, ontem ficámos a saber que um murro nos queixos também não dá. (Ou como um murro desferido por Pepe nos queixos de Coates se transforma num soco no estômago dos adeptos leoninos.) Bem sei, o Porto de Pinto da Costa e de Reinaldo Teles, mas também do guarda Abel e de Pepe, leva-nos muitos anos de avanço em experiência com a secção de boxe, não havia necessidade era de o VAR dar um "(upper)cut" nas imagens e um "knock-out" às regras do jogo. E depois ainda há quem fale no Fontelas e nos queira ver beneficiados pelas arbitragens... Eu estou a perceber o racional: o árbitro pinta abundantemente de amarelo, o VAR mistura com muito azul e o produto só pode ser verde, não é? 

 

O jogo? Há um bocadinho fui à janela e juro que vi o Porro ainda a correr. O homem é incansável e faz várias séries de 110 metros barreiras por jogo. Só que, no futebol, barreiras estáticas só aquelas da publicidade, da Betano ou lá o que é, as outras são dinâmicas e até investem contra as pernas. Mas ao Porro tanto se lhe dá. Venha fulano, beltrano, sicrano, Betano ou Marcano, é sempre para superar. Já o Nuno Santos é um hiperactivo, não consegue estar parado nem calado. Barafusta com os colegas, mói o juízo aos adversários, sua as estopinhas - é um agitador. Não peçam é a um espalha-brasas para depois ter frieza na hora da finalização. Para completar o trio mais proeminente de ontem à noite falta o Matheus. O Menino do Rio não se viu naqueles raides de área a área tão característicos seus. Não, em face da inferioridade numérica no meio campo, Matheus preocupou-se em garantir os equilíbrios defensivos e optou por ofensivamente sobrevoar os adversários. Num desses momentos avistou Porro a 40 metros de distância. Deu golo. Pouco depois, recuperou a bola e isolou imediatamente Nuno Santos para um lance que terminaria com a defesa da noite por parte de Diogo Costa. No fim, tocarem-lhe num gémeo. Bem sei, não se faz. Mas aquela coisa de aparentar que jogava por dois cheirava a esturro... 

 

O Sporting adiantou-se no marcador e podia ter chegado ao intervalo a vencer por 3-0 ou 3-1. As nossas oportunidades racaíram todas no pé esquerdo de Nuno Santos, Corona teve na cabeça a melhor hipótese portista. No entanto, o Porto viria a empatar numa jogada de inspiração de Luis Diaz, num lance que começou no nosso lado esquerdo entretanto todo mudado e continuou até ao lado oposto onde já não havia Jovane a ajudar Porro na contenção. Menor eficácia de um lado, maior qualidade individual do outro, no final os pontos dividir-se-iam. Na flash, o Conceição apareceu calminho e sem azia. Parecia um menino do coro, ou então era mesmo um menino do coro. Daí o colinho, claro.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Porro

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11
Set21

Theatre of Dreams (só para alguns)


Pedro Azevedo

Com Ronaldo a bisar e Bruno Fernandes a marcar o golo da tarde, o Manchester United despachou (4-1) o Newcastle no agora ainda mais justificado "Theatre of Dreams" (Old Trafford). 


(À atenção de Fernando Santos e dos apologistas da teoria de que com Ronaldo na Selecção o Bruno Fernandes rende obrigatoriamente menos. Pelos vistos há quem veja nessa parceria um sonho, havendo outros em Portugal que insistem em querer ver um pesadelo, uma discussão que sempre me pareceu despropositada e digna de quem complica ao ver problemas nas soluções.)

 

11
Set21

Para Rúben Amorim


Pedro Azevedo

Escrevo propositadamente antes do jogo para vincar que a minha opinião não está dependente do nosso resultado contra o Porto. E faço-o para mostrar o meu apoio incondicional a Ruben Amorim e à forma como encara a constituição de um plantel. Bem sei que nós, adeptos, queremos sempre os cromos todos, o plano de contingência face à lesão simultânea de A e B, o mítico avançado cuja produtividade se expressa em golos, mais um defesa central, etc. Acontece que ao longo dos anos a tentativa de suprir todas as lacunas, associada ao despautério de aquisições sem nível para o Sporting, nos conduziu até a um buraco negro, de onde só se vislumbra sairmos se continuarmos a acreditar e a apoiar a política de Amorim. Este não inventou a roda - há anos que o Ajax trabalha assim -, mas soube conciliar a racionalidade dos custos com um projecto de aposta na Formação, perspectivando-se assim uma sustentabilidade futura. Por isso, os planteis são pouco profundos, a fim de se poder recorrer à Formação em caso de necessidade. Por que diabo havíamos de gastar dinheiro em jogadores das equipas B e Sub-23 para depois lhes fecharmos a porta de entrada na A?  Obviamente, havendo oscilações na qualidade entre gerações, nem sempre teremos uma substituição óbvia. Por exemplo, tenho dúvidas se Chico Lamba ou Skoglund algum dia poderão ser reais opções para as posições de central e de ponta de lança, razão pela qual Amorim poderá em certos momentos ser obrigado a promover adaptações e explorar a versatilidade de alguns elementos do actual plantel. Mas esses são os riscos inerentes a um projecto que não pode ser alimentado de gorduras que quando saturadas no banco ou na bancada provocam complicações no coração do clube/SAD (conta de exploração). Por isso, mesmo tendo eu algumas legítimas dúvidas sobre a eficácia de Paulinho ou o racional da dispensa de Pedro Marques (coisas de treinador de bancada), gostaria de aqui mandar um forte abraço ao treinador Ruben Amorim (sim, eu discordei dos valores envolvidos na sua contratação) e agradecer-lhe esta certeza que hoje tenho: enquanto estiver em Alvalade poderemos semore perder o próximo jogo , mas nunca perdemos (hipotecaremos) o futuro. Obrigado. 

07
Set21

Três-azeri

Crónica da viagem de Portugal ao Azerbeijão


Pedro Azevedo

Portugal ganhou por três-azeri em Baku. Faz sentido! Um belo dia para quem se revê no Portugal que vai a campo, a nossa Selecção, mas também para os "haters" do Ronaldo e defensores da dependência negativa da Equipa de Todos Nós (na feliz expressão de Ricardo Ornellas) ao astro do United. Deverá aliás ter sido devido a essa dependência que alguns cruzamentos foram dirigidos directamente para Manchester. E o Ronaldo, de quarentena, nem abriu a janela para endereçar a bola para a baliza, o malandro! Na ausência do nosso capitão emergiu a classe do Bruno, o maestro da banda esta tarde no Azerbeijão. Cancelo também esteve acima da média, Moutinho e Palhinha tomaram conta do meio campo e não permitiram veleidades aos azeris. Destaque ainda para um grande golo de Bernardo e para a elevação e cabeceamento de Jota (terceiro golo) a fazer lembrar...Ronaldo. No final, mais 3 pontos, e a perspectiva de uma luta pescoço a pescoço com a Sérvia até ao fim do apuramento. 

07
Set21

Pessoa bem colocada encontra alta patente


Pedro Azevedo

Um amigo da prima do tio do presidente do Zenit, que é como quem diz "pessoa muito bem colocada" do clube de São Petersburgo, terá aparentemente questionado uma "alta patente" do Benfica, não se sabe se general ou apenas indivíduo de estatura superior, sobre Rafa. A alta patente não fechou a porta à negociação e alvitrou um preço que ninguém sabe qual foi, desde logo porque o único interesse da "notícia" é informar o mercado de que o Benfica recusou uma proposta de 30 milhões de euros pelo seu avançado. O que não teria sido de todo possível se a pessoa muito bem colocada não tem falado com a alta patente - se estivesse mal colocada, um metro a mais à frente ou atrás, talvez não se tivesse conseguido dar o encontro - , conforme fica bem patente na leitura de A Bola. Resta saber se essa pessoa bem colocada tem alguma coisa a ver com o amigo da prima do tio do presidente de um clube que alegadamente queria dar 60 milhões de euros pelo Carlos Vinícius, proposta imediatamente recusada por um Luis Filipe Vieira que no Seixal viu uma luz, ou neón, com 100 milhões de euros lá inscritos. (Era um pirilampo.)

07
Set21

Sporting vence prémio


Pedro Azevedo

O Sporting venceu o prémio de "Melhor Projecto de Formação" atribuído pela Associação Europeia de Clubes. Tomaz Morais, director da Formação, enalteceu o "modelo centrado no jogador", uma abordagem holística (o todo maior do que a soma das partes) e científica aos jogadores e equipas, que abrange áreas como a táctica, técnica, tecnologia e ciência, realçando o facto de 11 jogadores formados na Academia de Alcochete terem sido campeões nacionais na última época. 

04
Set21

Manchester by the sea


Pedro Azevedo

Ronaldo retorna a uma casa onde já foi feliz para tomar conta de um Manchester United orfão de Sir Alex Ferguson. Com uma última vitória na Premiership a coincidir com a despedida do lendário treinador escocês, o United procura em Cristiano o ingrediente a mais a nível de exigência ou profissionalismo que o conduza à redenção. A seu favor jogam 3 títulos consecutivos no melhor campeonato do mundo (2007, 2008 e 2009), o último na época anterior a sair para o Real Madrid. Não sei se será possível aos Red Devils chegar ao título no final desta temporada, mas que seria como um conto de fadas, lá isso seria. Ou um roteiro para um tocante filme, com Ronaldo perto do epílogo(?) da sua carreira a deixar mais uma marca incontorrnável na história do Man U. Seria uma bela fita, ou não? Depois, só faltaria que voltasse a equipar de verde-e-branco, o que ainda apareceria antes dos créditos finais. 

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03
Set21

O carteiro Pablo Sarabia


Pedro Azevedo

Formado nas escolas do Real Madrid e com passagens pelo também madrileno Getafe, Sevilha e Paris Saint-Germain, Pablo Sarabia é um virtuoso que usa a canhota como uma espada com que inteligentemente esgrime a diferença, estocada a estocada aproximando-se do âmago do adversário. Com uma recepção sempre orientada e a preocupação de rapidamente se posicionar de frente para a baliza adversária, Sarabia evidencia-se pela sua visão de jogo e velocidade com bola, qualidades que lhe possibiitam inúmeras assistências e golos. Nada egoísta, em terrenos perto da baliza procura sempre entregar a carta a Garcia, escolhendo com critério a solução com melhor probabilidade de golo, não se coibindo até de usar o seu pé direito, se essa for conjunturalmente a melhor solução de passe/remate. Em suma, não desprezando nunca o importante papel de Nuno Santos e de Jovane nas conquistas de Campeonato, Taça da Liga e Supertaça, estamos na presença de um jogador de grande classe, que certamente deliciará os nossos adeptos com pormenores de categoria. Se resistir ao vedetismo, respeitar as legítimas aspirações dos concorrentes ao seu lugar e se integrar no bom ambiente de balneário existente em Alvalade, então poderemos estar na presença de um caso muito sério, um candidato natural a melhor jogador da Liga. Médio de ataque ou extremo no sistema de 4x3x3, no esquema de Rúben Amorim deverá ocupar a posição de interior direito, passando Pote a ocupar uma franja de relvado compreendida entre a esquerda e o centro.

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29
Ago21

Tudo ao molho e fé em Deus

Quarentas, quarentenas e um borrego por matar


Pedro Azevedo

Para gáudio dos "haters" do costume, que escolhem sempre ignorar as suas fulgurantes exibições, e daqueles que olham para a erva de uma forma recreativa e não veem um boi à frente dos olhos, o Matheus ontem foi uma nulidade. É verdade, com a cabeça dividida entre quarentas e quarentenas, que é como quem diz entre a "Equipa de todos nós" e a "Canarinha", o Menino do Rio apresentou um futebol digno da Selecção do Inatel. Assim, em vez de Escrete, esteve discreto. Mas não foi só por ele que a coisa correu mal. Ala que se faz tarde, nas laterais não houve qualquer magia, e Palhinha viu-se desde cedo condicionado por um cartão icterícia cortesia do velho amigo Veríssimo. Quanto ao Paulinho, deu muitos apoios frontais e mostrou um associativismo com a equipa tão digno de registo que convidaria até a que se formasse um clube de futebol na variante sem balizas. 

 

A coisa até poderia ter começado bem, não fora o Jovane ter mostrado uma técnica de recepção digna dos melhores campeonatos amadores. Vindo do mesmo homem que em Braga adestrou na perfeição (golo de Pote) uma bola bem mais difícil de dominar, dir-se-á que o desacerto se deverá atribuir mais a questões de (falta de) concentração do que de perícia. Seja como for, aos 2 minutos de jogo, o Sporting desperdiçou uma soberana oportunidade de golo. Com o Famalicão a pressionar muito os nossos médios centro, faltou paciência e assertividade ao nosso jogo. Prova disso, a quantidade de más decisões e de passes falhados que se verificaram ao longo da partida. Muito ajudaria que um dos centrais avançasse no terreno e ajudasse a libertar os médios centro e alas, e essa não observância foi provavelmente o maior defeito do nosso jogo. Assim, as nossas sucessivas perdas de bola convidaram os minhotos a contra-atacarem com perigo, resultando as suas oportunidades de bolas por nós entregues e não de sábio planeamento na construção de jogo. Valeu aí a presença de Adán, excelente em todas as suas acções, que só não conseguiu lidar com uma jogada de bilhar às 3 tabelas que poderia ter sido desenhada pelo nosso Jorge Theriaga. Do mal o menos, Palhinha ainda conseguiu empatar o prélio, um golo ainda assim insuficiente para que o Sporting conseguisse matar o borrego e finalmente vencer a besta negra famalicense, invicta face aos leões desde que regressou ao convívio com os grandes do futebol português. Que o mercado feche depressa! 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Adán

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24
Ago21

Só faltava esta...


Pedro Azevedo

Leio um ex-presidente (2006-2009) da Juventus, Giovanni Gigli, afirmar que Ronaldo atrapalha o ataque da Vecchia Signora e chego à conclusão que há quem goste de viver numa realidade paralela. Aparentemente, para este senhor, bons, bons são os Dybalas e Moratas desta vida, o Cristiano é um estorvo. Ainda que com cerca de metade dos jogos de Dybala tenha marcado o mesmo número de golos (101) do argentino, 54 mais do que o espanhol Morata facturou numa maior quantidade de partidas efectuadas. 

 

Há quem perante os problemas veja soluções e também há quem veja nas soluções um problema. Nada de novo, Florentino Pérez, que o deixou sair do Real, também já o experimentou. E desde aí não voltou sequer a ameaçar ganhar a Champions. Ronaldo pode já não estar no auge da sua carreira, mas continua a ser um goleador temível. Ainda assim, no Real nunca se colocou a questão da dependência da equipa face ao jogador ser prejudicial, foram questões financeiras (compreensíveis) que estiveram na origem do timing de venda. Aliás, 4 Champions e 450 golos depois, seria uma cretinice ver o copo meio-vazio em Madrid. Todas as grandes equipas dependem dos grandes jogadores. DiStefano e Puskas no Real, Van Basten e Gullit no Milão, Messi e Neymar no Barcelona disso foram exemplo. E isso é bom, vidé o que ganharam para os seus clubes. Já os jogadores de nível médio nunca criarão dependência. Infelizmente, também não deixarão memória...

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22
Ago21

Tudo ao molho e fé em Deus

“Marvel(ous)”;


Pedro Azevedo

Caro Leitor, com o Homem Aranha (Palhinha) a estender a sua teia aos adversários e o Senhor Fantástico (Matheus Nunes) a esticar-se pelo relvado todo não há meio-campo opositor que resista. É verdade, o Sporting tem no centro do campo um dueto da Marvel, uma parelha "marvelous" (maravilhosa) que nenhum adepto quer que seja para (livro de cheques de) inglês ver, literal e metaforicamente falando, que cresce todos os dias sem que para nossa felicidade se perspective onde estará o seu limite. Ontem, voltaram a ser os melhores em campo, bem secundados pelo Rúben Vinagre e Gonçalo Inácio. Dir-se-ia que, a continuarem com o actual raio de acção, vão remeter a análise comparativa aos jogadores que lhes antecederam para o plano das quadras de futsal.  

 

Se a B SAD é, como diria o O' Neill, uma coisa em forma de assim no que diz respeito a um clube de futebol, o Petit podia perfeitamente trabalhar nas Chaves do Areeiro, tal é a inclinação que revela para fechaduras e cadeados - é caso para se dizer que só se estraga uma casa (às costas), desde que o Palhinha e afins consigam sobreviver com os tendões e os ossos intactos ou não se afoguem no pântano do Jamor. Vai daí, dessa ideia de futebol resultou um zero em remates enquadrados à baliza do Adán, até porque das poucas vezes que a dupla da Marvel foi ultrapassada logo Neto, Coates e Inácio chegaram e sobejaram para as encomendas. 

 

O Sporting marcou cedo na partida e na alvorada do segundo tempo ampliou a vantagem, pelo que o restante tempo de jogo foi utilizado pelos leões para desperdiçarem ingloriamente uma goleada. Uma esmerada arte de perdoar que não há maneira de erradicar de Alvalade, mais de um quarto de século após Bobby Robson ter denunciado a falta de killer instinct dos leões. Talvez Rúben Amorim o venha a conseguir, afinal nenhum desafio para ele parece impossível de concretizar: quem diria que de Palhinha veríamos constantes variações do centro do jogo como as que pudemos observar ontem, ou de Matheus Nunes assistiríamos a passes de ruptura como aquele que deixou Paulinho na cara do golo? Enfim, o céu é o limite, mas por Toutatis esperamos que não nos caia em cima da cabeça nesta janela de mercado. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Palhinha

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18
Ago21

Percepções…


Pedro Azevedo

Para quem nos habituou pelo discurso a viver lá no alto, jogar contra uma equipa dos Países Baixos deveria oferecer uma boa perspectiva das coisas. Mas o Jesus, para além de enaltecer mais o Benfica táctico ("eu") em detrimento do Benfica técnico ("eles"), disse que lá para o fim do jogo teve muita bola. Deve ter sido no balneário, porque no campo não se viu...

 

P.S. Ah, e segundo o próprio, o "Ody" não fez nenhuma defesa de alto grau de dificuldade. Ou como um resultado pode mascarar a realidade e prestar-se a percepções fantasiosas, o que me fez lembrar o Sporting-Lask (2-1) do reinado de Silas. O problema é que o tempo geralmente encarrega-se de corrigir a diferença entre a realidade é a momentânea percepção da mesma. 

18
Ago21

Flavia aurum, o ouro de Chaves


Pedro Azevedo

De entre os vários tesourinhos que o Sporting extraiu na mina de diamantes sita em Alcochete destacam-se Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Matheus Nunes (lapidado na última estação de produção da linha de montagem) e Jovane Cabral. Adicionalmente, Tiago Tomás e Daniel Bragança - o sistema de Rúben só o favorece quando o 3-4-3 transmuta num 3-5-2 - também vêm mostrando brilho, estando ainda em avaliação para apurar se são diamantes ou zircónia. Porém, é de um não formado em Alcochete que mais se fala entre os adeptos leoninos. Refiro-me a Pedro Gonçalves, ou simplesmente Pote, o Pote de Ouro do actual Sporting. O Pedro é um jogador extraordinário. Tão extraordinário que se pertencesse ao clube do outro lado da Segunda Circular já teria merecido inúmeras parangonas nos jornais envolvendo o interesse milionário de todos os gigantes deste mundo e do outro. Além da excelência que exprime em campo, o Pote é um jogador intrigante que deveria suscitar na crítica o interesse pela descodificação do seu ADN futebolístico. Afinal, estamos a falar de um avançado que pensa como um médio ou de um médio que age como um avançado? Eu diria que ambas as premissas são verdadeiras. Pote é essencialmente um mutante que remata como quem passa à baliza ou organiza o jogo desde trás, mas também serve apoios frontais ao portador da bola como se de um ponta de lança se tratasse e revela inteligência muito acima da média na leitura do espaço entre-linhas por onde melhor pode desequilibrar o adversário (típico de um categorizado "nove e meio"). Sim, se tivesse que destacar uma qualidade no Pote seria a sua inteligência superlativa. Os apoios frontais que oferece à continuidade das jogadas (vidé a sua primeira intervenção no segundo golo na Pedreira) ou a forma como estrategicamente desaparece do jogo para logo revelar a sua letalidade ao saber apresentar-se no momento certo assim o mostram à saciedade. 

 

Melhor marcador do último campeonato nacional, primeiro colocado na corrida pela Bola de Prata deste ano e já decisivo na conquista leonina da Supertaça, o que precisa mais Pote de fazer para ser unanimamente reconhecido como o jogador de referência do futebol jogado em Portugal? Na verdade nada, pois tudo o que depende dele merece a nota mais alta. Já o que depende de terceiros é outra conversa. Fernando Santos que o diga. E assim o Pote arrisca-se a ser visto como um engraçado jogador de um tempo em que um Rafa cai mais facilmente em graça...

pote de ouro.jpg

17
Ago21

Max(i)


Pedro Azevedo

Olá! Numa altura em que, curiosamente, o Perna de Pau continua a fazer furor entre os adeptos leoninos, ficámos ontem à saber que este Verão não haverá mais Super Maxi em Alvalade, acabado que foi de vender para Espanha (Granada). Acontece que, em condições normais de pressão e temperatura, o Luis Maximiano estaria a valer entre 10 a 15 milhões de euros. Mas para isso seria necessário que fosse titular do Sporting. Porém, Rúben Amorim privilegiou a contratação de um jogador mais experiente para a função. E ganhou a aposta, na medida em que Adán contrariou o seu passado de observador privilegiado no banco de suplentes e provou em Alvalade que a sua chegada não foi um pecado original cometido pela Estrutura leonina. Assim, o nosso jovem guarda-redes estaria condenado a ser um activo imobilizado. Não se mostrando ao mundo, o que implicaria a sua desvalorização progressiva. Deste modo, o negócio (4,5M€) pode ser encarado como um stop-loss que veio evitar maiores perdas futuras de valor, tornando-se assim compreensível. Outra coisa é o lamento que fica pelo potencial do jogador não se ter totalmente expressado no preço da sua venda. São opções que devem ser entendidas à luz de uma posição muito específica no campo. É que o guarda-redes é o último recurso de uma equipa, e dele depende directamente muitas vezes o resultado de um jogo de futebol. Amorim, que tem apostado muito em jovens e assim contribuído para o crescimento do valor intrínseco do plantel, assim o deve ter ponderado. Uma decisão difícil, certamente longe de ser consensual, mas ainda assim uma decisão. O que é sempre melhor que uma não-decisão, o limbo que geralmente está associado a uma política desportiva ruinosa assente em cromos repetidos e idas ao alfarrabista. Toda a sorte do mundo para o Max(i), e o meu desejo de que no futuro a vida lhe sorria e o faça ganhar o posto de titular das balizas da selecção nacional. Podendo, um dia, voltar ao Sporting, o que implicaria um prazeroso novo olá. 

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15
Ago21

Tudo ao molho e fé em Deus

O melhor e o pior na Casa de Matheus


Pedro Azevedo

Caro Leitor, Rúben Amorim aproveitou a Pedreira para esculpir o Colosso de Rodas. Ainda não o conhecem? O homem desliza velozmente no campo, roda para qualquer um dos lados como se não tivesse anca e protege a bola em condução como se desse arrebatamento dependesse a sua própria vida - é uma das 11 maravilhas do mundo leonino que Amorim construiu sobre a rocha, uma garantia de que as nossas investidas chegarão a bom porto. Querem uma pista? (Cuidado que ele acelera por aí fora.) Falo-vos do Menino do Rio. Não, não é um daqueles cariocas bons de bola e habituados a gramado alto, baixa intensidade, bola no pé e chopinho no fim do jogo que quando aterram em Portugal logo se queixam do frio e da mania dos treinadores que lhes pedem para correr atrás dos adversários. Não, este menino está cá desde os 13 anos. E comeu, e cozeu, o pão que o diabo amassou (numa padaria e pastelaria na Ericeira). Até que o Alexandre Santos veio do Estoril para o Sporting B e trouxe-o com ele. Cá chegado, esteve quase a entrar na nossa equipa principal. E ainda estaria quase, povavelmente até à idade de pôr os papéis para a reforma, se Amorim não tivesse dado conta dele (antes já o Bruno, o Fernandes, o tinha realçado, mas esse destaque esbarrara na ilusão daqueles que acham sempre que um jogador não está pronto ainda que na bancada seja difícil para qualquer um mostrar qualquer grau de prontidão). Já adivinharam quem é? Sim, é o Matheus Nunes, o homem que ontem encheu o campo na Pedreira, não perdendo uma bola (recepções imaculadas), saindo da teia que Musrati e Fransérgio lhe entretanto haviam urdido com inusitada facilidade e ainda descobrindo tempo e espaço para patentear talento em passes de trivela como o que deixou Nuno Santos na cara do golo. 

 

Não foi nada fácil o jogo de ontem na Pedreira. A primeira parte foi mesmo muito dividida, valendo a inspiração de Jovane Cabral, o patinho feio que, dizem alguns, deveria sempre partir do banco. Proponho então que se imponha ao cabo-verdiano o ritual de passar pelo banco de cada vez que sair do balneário. Se o banco estiver em resolução pode ser mesmo um novo banco, o fundamental é todos estarmos de acordo quanto à melhor utilização de Jovane. Na Pedreira, o Jovane esticou-se até ao limite que a sua massa muscular lhe permitiu e, chegando à bola, ainda conseguiu direccioná-la com precisão fora do alcance do Matheus, o do Braga, um rapaz cujo nome provavelmente deriva da premonição que os seus pais tiveram de que perante o verde-e-branco passaria provações de proporções bíblicas. Como não há dois sem três, outro Matheus viria ainda a passar pelo relvado. Mas foi breve, tipo visita de médico, acabando expulso da contenda após diagnóstico errado produzido a um tornozelo. A coisa teria dado para o torto se entretanto o Sporting não houvesse conseguido dilatar a vantagem. Numa jogada linda de morrer, começada em Matheus Nunes que amassou e fez farinha com os médios do Braga, continuada na variação do centro do jogo que descompensou a defesa braguista e na consequente recepção extraordinária de Jovane, e finalizada no proverbial passe à baliza que já é uma imagem de marca de Pedro Gonçalves. Esse golo acabaria por se revelar fundamental, como essencial foram as 4 magníficas defesas que Adán realizou durante o jogo: primeiro salvando com o pé, com o corpo todo balançado na direcção oposta; depois, correspondendo a um remate de letra de Fábio Martins com uma parada de nota A; ainda, indo aos pés de Ruíz; finalmente, voando a um remate venenoso de Iuri. Foi tão bom que aquela saída de olhos fechados a um cruzamento em que socou a atmosfera assim como quem sente o ambiente, pressão e temperatura, não aquece nem arrefece o seu desempenho. 

 

Quinto jogo consecutivo contra o Braga, quinta vitória do Sporting. Pode haver quem acredite no acaso, mas eu creio que não há coincidências. E nem se pode culpar o grande Mestre Carvalhal, sempre disposto a criar algo de novo capaz de colocar areia na engrenagem do motor que Rúben Amorim construiu em Alvalade. Simplesmente, este Sporting vende saúde, tem jogadores que fazem a diferença e mostra uma solidariedade em campo difícil de superar. Venha o próximo!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes

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10
Ago21

Matheus e Ugarte


Pedro Azevedo

Se os 3 Mosqueteiros eram na verdade 4, a "santíssima trindade" formada por Pedro Gonçalves, João Palhinha e Sebastián Coates foi recentemente reforçada com Matheus Nunes. Estes são para mim os imprescindíveis para esta época. Gosto muito do Man U (Manuel Ugarte), que além do mais me faz lembrar o Manchester de Sir Alex Ferguson, Matt Busby, Cantona, Giggs, Beckham, Charlton, Best ou Law por quem o meu coração bate em Inglaterra, mas demorará algum tempo até que o onze do Sporting venha a ser Manuel United. Todavia, Ruben Amorim acaba de receber um jogador que lhe poderá ser de grande utilidade. Versátil, tanto pode jogar a 6 como a 8. Tem intensidade defensiva, passe longo com os dois pés e transporte de bola. Não tem a envergadura de Matheus (altura semelhante, mas menos largura de ombros) nem a passada tão larga, a protecção de bola ou a segurança no início da construção do luso-brasileiro, mas será um jogador para ir entrando na equipa. Porém, se queremos ser competitivos na Europa e aproveitar a montra da Champions, então Matheus será o jogador a reter e valorizar. E a sua manutenção será como um investimento a prazo com forte probabilidade de elevado retorno futuro, salvo imponderáveis que podem advir de eventuais lesões. Ganhando-se tempo para que Amorim transforme Ugarte num seu clone perfeito, algo que não me parece de todo despropositado ã luz das características comuns entre os dois (não há em Portugal um jogador que se assemelhe tanto a Matheus como o Ugarte, sendo certo que no caso do ex-Ericeirense o seu potencial é quase ilimitado vis-a-vis estarmos na presença de um Mustang que Ruben tem sabido adestrar sem lhe retirar a explosividade que passou a ser patente apenas no tempo e espaço certos). 

P.S. Tenho enorme apreço pelo Nuno Mendes, um fantástico ala esquerdo de nível mundial, que ataca bem e defende excelentemente (por fora e especialmente na dobra por dentro), mas tenho para mim que a zona central do campo é a verdadeiramente nevrálgica, razão pela qual a sair alguém privilegiaria o Nuno. 

P.S.2 O ano passado o Matheus jogou como 8, 6, ala direito, central pela direita e interior direito. No total, fez 5 posições. Há mais alguém com esta versatilidade no plantel? É que este tipo de versatilidade torna-se fundamental quando o treinador quer mexer na equipa sem necessariamente alterar a sua estrutura. 

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