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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

25
Nov20

Pedro, o perseverante


Pedro Azevedo

Pedro David Rosendo Marques é a nova coqueluche proveniente da Formação do Sporting. Uma colheita tardia, vintage, como tal delicada e de grande qualidade. Ouvi falar no Pedro pela primeira vez através de um primo "belém" (eu sei, acontece nas melhores famílias haver quem escape ao desígnio do leão) que, entusiasmado, me ia relatando o impacto tremendo que estava a ter nas camadas jovens do Belenenses. O Sporting contratou-o no seu primeiro ano de junior e logo se distinguiu pela profusão de golos que marcou. Recordo em especial um golo de belo efeito contra o Real Madrid na Youth League: servido por Abdu Conté, Pedro imitiu o movimento dos alcatruzes de um engenho hidráulico trazido para a península pelos muçulmanos para deixar o guardião madridista à nora, afagando primeiro a bola no ar com o seu pé esquerdo para depois rodar e chutar, sem deixar cair a bola, com o pé direito. Um golo de elevadíssima execução, porém não suficiente para chamar a atenção do juiz da nota artística que por essa altura embora já patinando ainda era rei em Alvalade. 

À míngua de oportunidades, o Pedro foi sendo condenado à irrelevancia. Ressurgiu por momentos numa noite outonal europeia quando as goleadas se sucediam, a esperança se vestia de verde e Keizer era ainda um encantador  de leões. Durou pouco, e a estrelinha do Pedro voltou a ofuscar-se. Na época passada foi para a Holanda onde jogou na Segunda Liga. Primeiro para o Dordrecht, um clube que lutava para não descer de divisão. A equipa não era boa, levava grandes cabazadas, a bola não chegava lá à frente. Ainda assim, marcou 6 golos e fez 8 assistências, o suficiente para suscitar o interesse do Den Bosch, um clube do mesmo escalão mas com aspirações à subida. A sua estrela voltou a brilhar, terminando a época com 8 golos em 7 jogos realizados na sua nova equipa até à suspensão do campeonato devido à pandemia. Mais uma vez a conjuntura parecia estar contra o Pedro, e logo quando se estava de novo a afirmar. Regressou então ao Sporting e foi integrar a recém (re)criada equipa B. O cenário era o do Campeonato de Portugal. Em 4 jogos fez 4 golos, destacando-se não só como matador na área mas também nas transições. Nesse aspecto, o Pedro engana muito. Sempre composto, com o tronco muito direito, transmite a falsa ideia de ser lento. Mas só até começar a correr com a bola, momento em que a sua velocidade associada à boa articulação dos movimentos provoca imediatamente danos nos adversários que anteriormente o subestimaram. Dadas as suas boas prestações, o Pedro já "reclamava" uma oportunidade de jogar com gente grande. Foi convocado duas vezes, mas em ambas não saiu do banco. Até que, a pretexto da Taça de Portugal , finalmente teve a sua chance. Foram apenas 18 minutos, mas o seu impacto dificilmente poderia ter sido mais impressionante. Dois golos, a confirmação dos seus dotes de matador e uma sede de golo que não deixou nenhum Sportinguista indiferente foram a sua assinatura no jogo. E, do nada, tal como no anúncio publicitário, todos ficámos cientes de que se calhar a solução (ponta de lança) estava no banco. Boa sorte, Pedro! 

(Golo ao Real Madrid aos 23 segundos do vídeo. Aos 46 segundos repete a dose.)

25
Nov20

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 10 jogos - 7 para o Campeonato Nacional, 2 para a Liga Europa e 1 para a Taça de Portugal -, obtendo 8 vitórias (80%), 1 empate (10%) e 1 derrota (10%), com 28 golos marcados (média de 2,8 golos/jogo) e 9 golos sofridos (0,9 golo/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (7,1,3), Nuno Santos (4,6,0), Jovane (3,2,0);

2) MVP: Pedro Gonçalves (26 pontos), Nuno Santos (24), Sporar e Jovane (13); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (11 contribuições), N. Santos (10), Sporar (8 contribuições);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (7 golos), Nuno Santos (4), Jovane, TT e Coates (3);

5) Assistências: Nuno Santos (6), Porro, Vietto, Feddal, Matheus Nunes e Jovane (2).

 

Algumas notas complementares:

  • Pote e Nuno Santos juntos contribuíram para 75% dos golos do Sporting. Considerando apenas a acção directa (golos, assistências), o seu contributo conjunto é de 64,3% do total dos golos do Sporting;
  • Pote lidera todos os parâmetros de análise (GAP, MVP, Influência, Goleador), excepto o de assistências;
  • Já 17 jogadores contribuíram para os 28 golos obtidos esta época.

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

ranking gap 251120.png

24
Nov20

Tudo ao molho e fé em Deus

ASAE leonina contra o Whisky a martelo


Pedro Azevedo

Caros Leitores de Castigo Máximo, há qualquer coisa de justiça divina quando um clube da outrora capital da contrafacção etílica lusa vem até ao Estádio Nacional jogar contra o Sporting e chega ao intervalo a provar do seu próprio veneno servido num copo de 3 (golos), ainda assim uma fraca compensação para quem ao longo dos anos tanto tem ressacado a cada nova martelada nas nossas aspirações que suspeitamos nos dão. Tal como na parábola da faca na liga (Liga?), não é que os sacavenenses tenham totalmente abandonado práticas antigas. Desse modo, provavelmente inspirados pelo mítico Manuel Serafim, foi possível observar que mantiveram o velho hábito de expôr rótulos bem conhecidos. Assim, não surpreendeu vermos um Iaquinta em tons de ébano ou um Job que mesmo que caia nas boas graças do Senhor dificilmente viverá 140 anos como o seu homónimo do livro bíblico. Ainda assim, a cópia não foi totalmente adulterada, tendo o Iaquinta dado um golo aos sacavenenses e o Job passado uma grande provação. (Houve até em tempos quem dissesse que o whisky de Sacavém não ficava a perder para o escocês, mas quem o disse não deve ter sobrevivido ao dia seguinte nem experimentado o que é uma cabeça num torno a comprimir-se.)

 

Manda contudo a prudência que não se ponha o carro à frente dos bois, que é como quem diz, em "sportinguês", a "roulotte" à frente do Mini. (O outro senhor é que tem um Ferrari d'arrasar.) Seja como for, o Sporting realizou ontem uma boa exibição e continua a demonstrar saúde. Prova disso, desde o início a nossa equipa cercou o último reduto sacavenense como se do quartel do RALIS se tratasse. E com bastante mais sucesso que os pára-quedistas de António de Spínola no 11 de Março, diga-se de passagem. Assim, logo a abrir, servido pelo Jovane, o Nuno Santos inaugurou o marcador. O mesmo jogador, pouco tempo depois, poderia ter ampliado a nossa vantagem, mas foi tanta a força e vitalidade que ficou logo a descoberto ter encontrado o ferro. Eis então que aparece o Joãozinho Caminhante ("Johnnie Walker", a.k.a. João Mário), que da sua cartola faz sair um (vidro de) tiro contendo um blend harmonioso com o requinte e estilo do seu Black Label. Só faltou a eficácia: a bola falhou o alvo por um grão. Grão a grão enche a galinha o papo, e o Nuno Santos que já andou pela capoeira do Seixal apanhou uma segunda bola e meteu-a no Coates para o segundo da noite. Logo a seguir, o Sporar embrulhou-se com a bola e as pernas de um jogador sacavenense. O árbitro se calhar também se embrulhou um bocado e mandou marcar um penálti. O Jovane não perdoou. Até ao intervalo não houve mais incidências de registo. 

 

No reatamento, o Sporting começou de forma igual ao primeiro tempo. Reatando a parceria luso-uruguaia que estabeleceu com o Coates, o Nuno Santos voltou a oferecer-lhe um golo. O coates mostrou cabeça fria e não desperdiçou. O Ruben Amorim entrou então em modo de experiências. Nesse sentido, deixou de trocar os pés ao Borja, o que também significou deixar de trocar os olhos aos espectadores. Infelizmente, os espectadores estavam todos à frente dos seus televisores, pelo que o Ruben não pôde ouvir "in-loco" a gratidão dos Sportinguistas. O Matheus foi então para a direita. Só para chatear, ele e o Coates ficaram ligados ao golo do Sacavenense. Simplesmente, se defensivamente a coisa não lhe correu lá muito bem - houve ainda uma tentativa sua de substituir o árbitro e assim entregar a bola ao Sacavenense à entrada da nossa área - , ofensivamente o brasileiro esforçou-se por procurar justificar a razão dos provérbios portugueses. Nessa forma de aculturização, começou por demonstrar que "não há duas sem três". A coisa teve a sua graça, na medida em que cada oportunidade que o Matheus criava era depois desperdiçada ao melhor estilo Benny Hill, a fazer também lembrar aqueles "bloopers" de futebol que as televisões portugueses nos servem para fazerem companhia ao bacalhau, perú e rabanadas no nosso Natal. Tudo se iniciou num passe do brasileiro que morreu quando Jovane foi impedido de chegar à bola por Sporar. De seguida, João Mário não teve cabeça para acertar na baliza vazia. Finalmente, Nuno Santos trocou os pés e a bola fez uma rosca e veio para trás. Desfeito o mito de que "à terceira é de vez", o brasileiro procurou estabelecer novos limites. E à quarta tentativa teve sucesso. Para o facto também ajudou já ter em campo um ponta de lança que pode ter "gap" mas não é um holograma: Pedro Marques. Com instinto matador na área (Sporar é essencialmente um jogador forte em transição, de apoios e desmarcações inteligentes nesse momento de jogo), o Pedro voltou a marcar. Aconteceu após uma incursão de Bruno Tabata pela meia esquerda ter apanhado o guarda-redes sacavenense desesperado para evitar o hara-kiri de um seu colega. No ressalto, o Pedro não perdoou. E já que falamos de Tabata, o jogo não terminaria sem que este colocasse a bola com precisão numa zona do terreno capaz de criar indefinição na defesa adversária, situação muito bem aproveitada por Gonçalo Inácio para se estrear a marcar oficialmente pelo Sporting.

 

E assim termina uma crónica que abordou whisky a granel e campeonatos a martelo. Ou vice-versa. É que pelo que se ouve e lê, se uns adicionavam alcool etílico, outros alegadamente juntam-lhe o alcool metílico (metanol). É que este arde e não se vê. Tal como o amor de Camões. Digam lá se não há como não amar o futebol em Portugal?...("To be, or not to be".)

 

P.S. Sete-a-um é um resultado que me faz lembrar o 14 de Dezembro de 1986. E mais não digo. "Time to sleep, perchance to dream". (Thanks Shakespeare, obrigado Manél de Sarilhos porque não se fazem Hamlets sem ovos.)

 

P.S.2 Um abraço aos briosos jogadores e staff do Sacavenense e às gentes de Sacavém, cidade presente em inúmeros momentos marcantes da nossa História de Portugal. 

 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Nuno Santos

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22
Nov20

Bizarrices


Pedro Azevedo

Após uma paragem de duas semanas para as selecções, um pouco por toda a Europa os campeonatos retomaram o seu curso. Assim ocorreu na Alemanha, Espanha, Inglaterra, França e Itália, os Big 5. Não foi porém o caso em Portugal, país onde jogar-se-á muito pouco para a Primeira Liga durante o mês de Novembro. Ora, eu não tenho nada contra a Taça de Portugal, competição que nos traz a nostalgia de rever históricos como a antiga CUF (hoje Fabril), Barreirense, Montijo, Beira Mar ou Sporting de Espinho e leva a atenção dos amantes do futebol até ao Portugal profundo, onde há sempre um David preparado para derrotar um Golias e tornar-se o novo tomba-gigantes. O que me incomoda é a forma como é gerido o negócio do futebol profissional em Portugal. Sim, porque o campeonato e as provas internacionais são o negócio, para a Taça de Portugal está reservado o futebol no seu estado mais puro: uma festa. Mas haverá festa do futebol quando o público não pode estar presente nas bancadas?

a festa da taça.jpg

(Imagem: Sapo Desporto)

19
Nov20

Jogadores do Sporting e a Selecção Nacional

Os Doze Trabalhos de Pote


Pedro Azevedo

Estrangulou o Leão da Nemeia? Matou a Hidra de Lerna? Aprisionou a Corça de Cerineia? Capturou o Javali de Erimanto? Limpou os currais do Rei Aúgias? Matou monstros no Lago Estínfalo? Levou o Touro de Creta até Euristeu? Castigou Diómedes? Venceu as Amazonas? Matou o gigante Gerião? Colheu os pomos de ouro do Jardim das Hespérides? Trouxe do mundo dos mortos o cão Cérbero? Não? Só sete golitos em seis jogos de campeonato? Dois golos em 143 minutos pelos Sub-21? Bah!, então queixam-se do quê? Não sabem que juventude se abrevia com Jota? Quem? Aquele rapaz que foi a Valladolid comprar caramelos e nunca mais ninguém soube do seu paradeiro.

 

Não ver dar valor ao mérito é como um convite à perda da inocência.  

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18
Nov20

Tudo ao molho e fé em Deus

Retratos de Rubens


Pedro Azevedo

A conclusão que se poderá tirar deste jogo é que provavelmente a nossa selecção teria ficado melhor no retrato se Fernando Santos houvesse optado por separar ("split") os Rubens. É que se o estilo barroco de Dias se traduziu extravagantemente no marcador, o estilo bacoco de Semedo na abordagem aos lances, misto de excesso de confiança e de um sem medo a roçar a displicência, poderia ter deitado tudo a perder. E é pena, até porque a qualidade (abundante) está lá. Mas, o tempo passa, as falhas de concentração exasperam e deixam qualquer um de rastos (rastas?).

 

Ao contrário do jogo com a França, desta vez a nossa equipa manteve as linhas bem próximas. Num campo cheio de sulcos e muito esperançoso para o cultivo de tubérculos, coube a Moutinho a batata quente de assegurar a ligação do jogo, tarefa que cumpriu com aproveitamento. Todavia, com Ronaldo (ansioso sempre que se aproxima de um novo recorde) e Jota abaixo dos seus níveis habituais de eficácia e Felix e Bruno muito fora do jogo, Portugal, disposto em 4-4-2, sujeitou-se a que os croatas, com a sua qualidade técnica, numa transição rápida fizessem a diferença no marcador. Desse modo, fomos para o intervalo em desvantagem após uma má abordagem defensiva da nossa equipa ter sujeitado Rui Patrício a um pelotão de fuzilamento. 

 

No reatamento, após uma falta nas imediações da área croata, Portugal rapidamente ficou em vantagem numérica no batatal de Split. Na conversão do livre, Ronaldo mandou uma daquelas bolas curvas e cheias de efeito tão comuns no basebol e Livakovic sacudiu como pôde. Os Rubens combinaram e tiraram-lhe o retrato. Bradaric exclamou e Juranovic ajuramentou a igualdade no marcador. Pouco tempo depois, mãozinha marota de Jota sem VAR e Felix a marcar aos trambolhões. Pensava-se que o jogo tinha terminado aí, mas mais uma abordagem macia de Ruben Semedo a um lance e uma deficiente leitura de jogo de Danilo, atraído pela bola e esquecendo-se de cobrir a entrada de área, combinaram para permitir aos croatas restabelecerem a igualdade. O esgar contínuo de pescoço de Fernando Santos era o retrato fiél do que se passava em campo.

 

Fernando lançou Cancelo e conjuntamente com Nelson Semedo passámos a ter duas motas nas alas. Bernardo também entrou e logo falhou um golo digno dos "bloopers": com o guarda-redes no chão, a bola saiu caprichosamente por cima da baliza. Trincão agitava o jogo e justificava a chamada em cabines telefónicas. O jogo aproximava-se do fim e a igualdade teimosamente persistia no marcador. Lovren, após a expulsão de Rog o único não "ic" em campo do lado croata, insistia em orientar a equipa no sentido de virar a página do seu insucesso recente. Nada como fazer entrar Brekalo para assegurar o mesmo propósito, pensou o seleccionador croata. Até que o guarda-redes largou uma bola perfeitamente ao seu alcance e Ruben Dias pintou de novo a manta. Apesar disso, a imagem que ficou não foi a melhor, como aliás Fernando Santos deu conta no final do jogo. Bons tempos estes em que se lamenta uma exibição menos conseguida após uma vitória no relvado(?) do vice-campeão do mundo!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Ruben Dias

croácia portugal.jpg

15
Nov20

Tudo ao molho e fé em Deus

A razão de Kant(é)


Pedro Azevedo

Não sei o que terá passado pela cabeça de Fernando Gomes para autorizar que um jogo decisivo da nossa selecção fosse marcado para lá das treze horas de um Sábado. Desse modo, os nosso jogadores mantiveram-se durante a maior parte do jogo confinados, saindo apenas para o cumprimento de um passeio higiénico por volta das vinte e uma e quinze, hora a que os franceses ainda se recriavam a seu bel-prazer no relvado da Luz. Antes porém, Rui Patrício já havia negado veementemente por duas vezes que a declaração do Estado de Emergência se traduzisse numa lei Martial. Não obtante, não houve emoção do guarda-redes português que pudesse  calar a razão de Kant(é). É certo que o Bernardo tentou contrariá-la, mas como diz o ditado o cântaro foi a Fonte e partiu-se (contra um poste).

 

Sem cão para passearem no relvado, os portugueses lançaram nesses últimos quinze minutos um Moutinho, a coisa mais parecida em moço marafado que temos com um perdigueiro. Este logo começou a afiar os caninos para abocanhar, um a um, os calcanhares dos gauleses e sacar a bola. Desabituados de não a terem, os pupilos de Deschamps por um momento perderam a compostura. Entretanto, o Jota já estava em campo, ele que compreensivelmente havia sido preterido pelo génio por quem uns madrilenos haviam pago 120 milhões para descobrir a cura da Covid-19. Já se sabe que isto dos milhões tem a sua influência, caso contrário os adeptos do Sporting não ficariam com a pedra no sapato ao ver Pedro Gonçalves relegado para o banco de suplentes dos sub-21 no jogo contra a Bielorrússia. Mas, lá está, por seis milhões e meio de euros o Pote só pôde inventar um remédio santo (que não Santos) para os calos dos Sportinguistas, patente não suficiente para demover Rui Jorge de o preterir em função de um emprestado benfiquista com zero minutos de utilização em Valladolid ou aqui. 

 

Estava eu a falar do Moutinho abocanhar e, vai daí, o Fernando Santos reforçou a dose com o Trincão. Recreando-se finalmente com bola, os portugueses ainda assim iam observando as regras do SNS. Nesse transe, o Cancelo isolou-se pela direita. A bola viajou toda a área gaulesa, mas Ronaldo, Jota e Ruben Dias alinharam em não lhe acertar. Foi (jogo do) galo! E o canto (Kant?) de cisne. 

 

Desconstruir o caos organizado que Fernando Santos trouxe para a selecção nacional não tem sido tarefa fácil para ninguém (creio que nem mesmo para o Engenheiro), muito menos para este Vosso autor que não é nenhum Agostinho da Silva. Tanto assim é que ontem provou-se que a sua compreensão só estaria ao alcance de um filósofo como Kant(é). Este soube perceber a realidade subjectiva do tempo e do espaço, bem como a sua interacção com a intuição, traduzindo-se isso na sua sensibilidade ao objecto bola como condição de pensamento e, por conseguinte, entendimento de todo o jogo, pelo que daí a ter (N')Golo foi apenas um pequeno passo. Por esta não esperava o Fernando, que ainda assim não deve ser criticado. É que se não houvesse do outro lado um Kant(é), outro galo provavelmente (não) Kantaria cantaria. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Moutinho 

RonaldoFranca.jpg

14
Nov20

O triplo também no feminino...


Pedro Azevedo

Então não é que o Sporting deslocou-se à Tapadinha para bater a equipa do investimento milionário por três bolas a zero? Em mais uma reedição do derby imortal, Ana Capeta foi a figura em grande destaque. A ponta de lança leonina abriu o marcador com um remate colocado de fora da área (37 minutos) e alargou a nossa vantagem ao "peyrotear" a bola à entrada da área benfiquista, levando-a num misto de potência e colocação a entrar junto ao ângulo superior direito (53 minutos). A brasileira Raquel Fernandes encerrou a contagem aos 85 minutos com um toque subtil a desviar a bola da guarda-redes benfiquista após passe de ruptura de Tatiana Pinto. Resultado final: Benfica - Sporting 0-3. 

Em suma, Capeta a marcar à Peyroteo, Benfica a triplicar... em golos sofridos. Tudo certo, portanto, tudo de acordo com a tradição do velho Sporting e este novo Benfica.  

ana capeta.jpg

14
Nov20

Duelo de campeões


Pedro Azevedo

O Portugal-França de logo à noite (Estádio da Luz, 19h45) não será apenas mais um clássico latino. De facto, nas últimas décadas o futebol gaulês e o luso evoluiram tanto a nível de selecções que o jogo que se avizinha irá contrapor o actual campeão europeu ao campeão mundial em título. Sendo certo que o Mundo é maior que a Europa - algo que Joaquim Meirim um dia teve oportunidade de explicar enquanto procurava moralizar o guarda-redes suplente do Varzim ("és o maior da Europa") que almejava a titularidade no clube da Póvoa ("não jogas porque o Benje é o maior do Mundo) - , a verdade é que, para ser campeão europeu, Portugal teve de vencer a França, enquanto os franceses não precisaram de ganhar aos portugueses para se sagrarem campeões mundiais. Deste modo, o jogo de mais logo será como que um tira-teimas entre selecções que têm dominado o panorama futebolístico, pouco tempo depois de um primeiro diagnóstico realizado no Stade de France (Saint-Denis/Paris) se ter revelado inconclusivo. Não se pense porém que o único aliciante do jogo residirá aí, pois é bom não esquecer que estará em causa a qualificação para a final-four da Liga das Nações, competição que Portugal brilhantemente venceu em 2019 após derrotar na final a Holanda. Num jogo desta natureza é muito difícil atribuir favoritismo. Se é certo que Portugal venceu o Euro-2016 após bater os anfitriões gauleses na final com um golo de Éder no prolongamento, não é menos verdade que os lusos não ganham aos franceses em 90 minutos há 45 anos. É verdade!, a última vitória portuguesa conseguida no tempo regulamentar data de 1975. O jogo ocorreu em Colombes, os golos foram obtidos por Nené e Marinho. O treinador luso era José Maria Pedroto, e Samuel Fraguito destacou-se pela arte com que escondeu a bola dos gauleses. Doze jogos depois - oito derrotas e quatro empates - , Portugal irá entrar em campo para matar o borrego, que é como quem diz, depenar o galo. E se os gauleses têm razões para levantar a crista dada a presença de Griezmann, Pogba ou Martial, os portugueses não lhes ficarão atrás com o trio Bruno Fernandes, João Félix e Bernardo Silva. Para o póquer de ases ficar completo, nada como acrescentar-lhe as cartas principais de cada baralho futebolístico: Mbappé e Ronaldo. Em condições normais isto poderia ter a simbologia de um render de guarda, uma passagem de testemunho do veterano português para o jovem francês. Porém, Cristiano Ronaldo nada tem de normal no que de comum concerne. A sua ambição renova-se a cada instante e a sua sede de glória parece inesgotável. Assim sendo, acredito que Mbappé vai ter de continuar à espera da sua hora. Ah, e já agora, tenho o pressentimento que, cartas todas metidas em cima da mesa, um Joker (Jota) poderá fazer toda a diferença e em Dia dos Bandeirantes - também é Dia Mundial da Diabetes, o que, já se sabe, invoca a necessidade de  muito equilíbrio - abrir novos caminhos para Portugal. Em todo o caso, Senhoras e Senhores, Mesdames et Messieurs, façam as vossas apostas, faites vos jeux!

portugal frança.jpg

13
Nov20

No banco estão valores seguros


Pedro Azevedo

Dos 19 golos marcados pelo Sporting na Primeira Liga nesta época desportiva, 4 (21,1%) vieram directamente do banco de suplentes. O primeiro foi da autoria de Luciano Vietto (acção anterior de Sporar, também suplente utilizado) e valeu um empate contra o FC Porto. Os segundo e terceiro permitiram a reviravolta contra o Gil Vicente, tendo o de Sporar restabelecido a momentânea igualdade e o de Tiago Tomás permitido a ultrapassagem aos gilistas no marcador. Finalmente, o quarto golo a vir do banco teve a autoria de Jovane Cabral (assistência de Matheus, outro suplente) e encerrou a contagem em Guimarães. De referir que o golo de Tiago Tomás ao Gil Vicente teve a contribuição exclusiva de jogadores provenientes do banco: recuperação de bola e passe de Sporar, assistência de Daniel Bragança, conclusão à matador de TT. 

São bons sinais, transmitindo a ideia que, titulares ou suplentes, todos os jogadores entram com ganas de fazer a diferença. A prová-lo também o facto de já 14 jogadores terem contribuído (vidé Ranking GAP) de alguma forma para os 21 golos (Liga Europa incluída) do Sporting nesta época desportiva. 

11
Nov20

Ranking GAP (após 9 jogos)


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 9 jogos - 7 para o Campeonato Nacional e 2 para a Liga Europa -, obtendo 7 vitórias (77,8%), 1 empate (11,1%) e 1 derrota (11,1%), com 21 golos marcados (média de 2,33 golos/jogo) e 8 golos sofridos (0,89 golo/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (7,1,3), Nuno Santos (3,4,0), TT (3,0,1);

2) MVP: Pedro Gonçalves (26 pontos), Nuno Santos (17), Sporar (12); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (11 contribuições), N. Santos e Sporar (7 contribuições);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (7 golos), TT e Nuno Santos (3);

5) Assistências: Nuno Santos (4), Porro, Vietto e Feddal (2).

 

Algumas notas complementares:

  • Nesta época, Pote foi até agora influente em 52,4% dos golos do Sporting;
  • Influência de Bruno Fernandes no total dos golos do Sporting - 2018/19: 59,3%; 2017/18: 49,1% (épocas completas);
  • Pote lidera todos os parâmetros de análise (GAP, MVP, Influência, Goleador), excepto o de assistências;
  • Já 14 jogadores contribuíram para os 21 golos obtidos esta época.
  • Indicadores de Porro: 6º Ranking GAP, 5º MVP, 4º Influência, 6º Goleador, 2º Assistências.

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

ranking gap 7.png

10
Nov20

Estatísticas da Liga 2020/21 (Jornada 7)


Pedro Azevedo

O Sporting lidera isolado o campeonato. Para além disso, lidera também noa rankings de maior número de golos marcados e de menor número de golos sofridos. Por fim, tem ainda o melhor marcador da competição (Pote). 

 

  1. Melhor rácio de CA p/ falta cometida: Paços - 8,3% (18º Sporting - 20,8%)
  2. Pior Rácio de CA p/ falta cometida: Sporting - 20,8% 
  3. Menos Faltas com. por jogo: Benfica - 13,3 Faltas (8º Sporting - 15,1 Faltas)
  4. Mais Faltas com. por jogo: Boavista - 21 Faltas
  5. Menos CA por jogo: Paços - 1,5 (18º Sporting - 3,1)
  6. Mais CA por jogo: Sporting - 3,1
  7. Menos Golos Sofridos: Sporting (novo) - 4 golos 
  8. Mais Golos Sofridos: Tondela e Boavista (novo) - 15 golos
  9. Mais Golos Marcados: Sporting - 19 golos 
  10. Menos Golos marcados: B SAD - 3 golos
  11. Menos Posse de bola: Marítimo - 40,6%
  12. Mais Posse de bola: Porto (novo) - 60,7% (3º Sporting - 54,1%)
  13. O Sporting cometeu 106 faltas que se traduziram em 22 amarelos (rácio de 20,8%)
  14. Os jogadores do Sporting sofreram 128 faltas que deram 20 amarelos (15,6%)
  15. Matheus (18) e TT (16) sofreram 26,6% do total de faltas cometidas sobre os leões
  16. Matheus é o 8º jogador da Liga que sofre mais faltas 
  17. Pote (aproveitamento de 38,9%) é o mais rematador do Sporting (18 remates)
  18. Nuno Santos é o 4º melhor do campeonato em assistências (3)
  19. Pote é o Goleador da Primeira Liga (7 golos)

estatísticas7.png

08
Nov20

Tudo ao molho e fé em Deus

A Supernova equipa e o “Lucky number seven”


Pedro Azevedo

Durante o jogo de ontem veio-me à memória por diversas vezes uma frase de William Blake. Filósofo e poeta pré-romântico que atravessou os séculos XVIII e XIX, Blake ficou célebre por várias tiradas, de entre as quais destaco esta: "Como saberes o que é suficiente, se não souberes o que é demais?" A frase de Blake pretendia demonstrar que o equilíbrio se obtém através do excesso, e que é da sabedoria adquirida nesse transe que se evolui para situações mais sustentáveis. Se olharmos para o nosso Universo, ele move-se de ordem para desordem e de estrutura para desestrutura (entropia), e ainda assim consegue gerar complexidade no meio da fragilidade. Nasce um átomo, energia gera matéria, quarks, protões são libertados, há hidrogénio e hélio, as nuvens de grande densidade são atraídas pela gravidade, produz-se energia, criam-se estrelas. Com a Supernova, diversos elementos da tabela periódica são libertados, organismos vivos criados pela química que enfrentam forças electromagnéticas. No espaço intergaláctico os planetas criam-se por estarem suficientemente longe das estrelas. Aproveitando-se a combinação com a água dos oceanos, criam-se moléculas. Diversos átomos interagem de forma exótica. As moléculas estabilizam-se através do ADN, o seu código replica-se. Nessa cópia há erros, produzem-se imperfeições, gera-se diversidade, organismos multicelulares (fungos, plantas, répteis, dinossauros). Um asteróide que cai na Península do Yucatan recria o efeito de uma bomba nuclear. Os dinossauros desaparecem, criando as condições para a sobrevivência do ser humano. Estes começam a migrar pelo mundo, procurando meios de sobrevivência. Com a aprendizagem, descobrem a riqueza dos solos, começam a trabalhá-los. Desafiando a 2ª Lei da Termodinâmica, o mundo evolui agora da desestrutura para a estrutura, da desordem para uma nova ordem criada por condições especiais.   

 

Nem sempre porém o que se passa no Universo é replicado no futebol. Este é como aquela irredutível aldeia gaulesa cercada por romanos que ainda assim obstinadamente se recusa a capitular e a ceder perante a nova ordem. O cúmulo disso é o futebol português. Neste, o demais nunca é suficiente, e por isso o suficiente é sempre um bocadinho demais. Mas ainda há quem aprenda.  

 

O Sporting deslocou-se ontem à Cidade-Berço. Confesso que estava apreensivo. Não tanto pelo valor dos vimaranenses, mas devido às fragilidades do futebol português. Ademais, com 3 filhos, de berçários percebo uma coisa ou outra. Por exemplo, sei o que é chorar por auxílio e também sei que tal por sistema se resolve com colinho. Porém, a entrada da nossa equipa em campo sossegou-me. Nesta nova era de Ruben Amorim a energia dos nossos jogadores é contagiante. Dessa energia produzem-se diversas associações, nascem estrelas como Pedro Gonçalves. Nesse sentido, o Pote é a nossa Art Deco, a habilidade fina que gera luxo e glamour durante a nossa presença em campo. Com apenas 1 minuto observado já tínhamos desperdiçado duas oportunidades. Em ambas o denominador comum foi João Mário. Na primeira, na assistência para Sporar. Na segunda, no remate. Bola na barra. Pouco depois, Sporar voltou a falhar. O esloveno é um ponta de lança que consegue gerar complexidade mesmo no meio da sua própria fragilidade. Exemplo disso é a desordem que provoca de cada vez que isolado falha um golo fácil, logo compensada pela ordem que o norteia em transições rápidas e lhe permite vislumbrar matéria à solta em ponto de ruptura. Tantas vezes o barro foi atirado à parede que o Pote apareceu. A bola foi metida no Nuno Santos e este fez tudo aquilo que não é recomendável nos compêndios do futebol. Resultado final: golo. Houve ainda uns bons 10 minutos, mas a partir daí a equipa começou a criar desestrutura. O Neto ia mostrando ter mais propensão para o hara-kiri que para o tiki-taka, o João Mário teve um eclipse penumbral e as nossas vagas de ataque deixaram de ter a lua como orientação. Nessa fragilidade, sem iluminação, o nosso jogo entrou nas trevas. As tatuagens de Quaresma e de Edwards mostravam o mapa da mina, mas por uma razão ou por outra esse caminho tardava em ser encontrado. O Sporting sofria em campo. Tempo então para a magia de Harry Pote aparecer. Desta vez num remate. Fatal. Haveria melhor maneira de terminar o primeiro tempo?

 

A etapa complementar começou com um golo anulado ao Guimarães e outra soberana oportunidade. Só que, subitamente, um momento de desconcentração, aliás recorrente também neste Vosso autor, sentenciou o jogo. Eu explico: há dias em que saio de casa, chego ao carro, e de repente lembro-me que deixei as chaves da viatura em casa. Volto para trás, subo as escadas, abro a porta, tudo isto para descobrir que afinal as chaves do carro estão num outro bolso do fato que trago vestido. Lá regesso à primeira forma, encaminho-me de novo para a rua, por entre a cólera e um sorriso, ciente de que já não compensarei o atraso provocado por este meu lado lunar. Algo do género terá ocorrido na cabeça do Sulliman. O Pote agradeceu. E voltou a facturar. No banco, o Ruben Amorim percebeu que isto era demais, a equipa não estava a jogar para esses números, o nosso meio-campo por essa altura era uma dique preste a desmoronar. Vai daí, entendeu que o suficiente seria introduzir Matheus no jogo. E o brasileiro entrou e estabilizou o meio campo. E o brasileiro entrou e em duas arrancadas que nem um André ao quadrado conseguiu suster fez-se notar ao mundo, explicando a injustiça da natureza de certas críticas de quem não compreende que a única limitação do seu jogo é a que reside na sua própria mente, que físico, táctica e técnica coexistem perfeitamente em si. Se a primeira arrancada terminou ingloriamente no pé direito de Nuno Santos, a segunda chegou a Jovane. E o Patinho Feio não a desperdiçou. Nem poderia, porque não há nada de feio na forma como Jovane encara o jogo e uma baliza. O Bruno Fernandes, a quem dedicou o golo, sabe-o bem.

 

Por esta altura dirão Vós: mas o que é que Blake, a 2ª Lei da Termodinâmica e a criação do Universo têm a ver com um jogo de futebol? Tem tudo a ver, senão vejamos: temos uma equipa super nova, o que não é uma novidade. O que é novo é Ruben Amorim e Pote, duas Supernovas, que fazem com que o nosso universo particular tenha evoluído de desordem e desestrutura (excessos) para uma nova ordem que até permite vislumbrar uma suficiente Estrutura.

 

Nessa complexidade, até a fragilidade da maldição do número 7 se dissipou. Ora vejam: ganhámos no dia 7, na 7ª jornada e ficámos 7 pontos à maior (ainda que à condição) sobre o último lugar que dá acesso directo à Champions de 2021/22 - um jackpot de Setes. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pote 

 

P.S. A arbitragem esteve em bom plano, VAR incluído (embora aquele lance de hipotética mão na área do Vitória possa prestar-se a diferentes interpretações).

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06
Nov20

Espada de Dâmocles, não obrigado.


Pedro Azevedo

Não sei se Vasco Santos até é o melhor árbitro do mundo e as chefias da arbitragem portuguesa, UEFA e FIFA é que estão desatentas, mas a verdade é que o Sporting não costuma ter muita sorte com ele. Uma infeliz coincidência, por certo, mas a verdade é que o Sporting regista apenas 46,2% de vitórias nos jogos apitados pelo árbitro natural de Gondomar. Não se pense que o histórico comporta jogos grandes. Pelo contrário, envolve, isso sim, partidas com adversários como a União de Leiria, Marítimo, União da Madeira ou Feirense (derrotas), Olhanense, Vitória de Setúbal ou Nacional (empates), Feirense, Nacional, Gil Vicente, Moreirense, União da Madeira ou Estrela da Amadora (vitórias). Fazendo fé nos dados disponibilizados pela Liga Portugal (e Transfermarket) o Sporting em 39 pontos possíveis apenas fez 21(aproveitamento de 53,9%) nos jogos arbitrados por Vasco Santos desde a época de 2008/09 (o aproveitamento global do Sporting nos campeonatos, desde essa data até ao momento presente, é de 67,5%). Há pelo menos um deles que me ficou atravessado, o da derrota na Madeira contra o União com um golo em fora de jogo (época 15/16), numa altura em que previamente a esse jogo o Sporting levava 7 pontos de avanço na classificação. Nos últimos anos, Vasco Santos converteu-se a Vídeo-Árbitro. Nessa função as suas actuações não têm estado isentas de polémica, bastando consultar a internet para aferir tal. Calhou-nos agora em sorte(?) para Guimarães, deslocação difícil e a exigir a melhor concentração dos nossos. Num tempo em que o VAR vem sendo uma crescente fonte de polémica (vidé o desempenho de André Narciso no recente Paços de Ferreira/FC Porto ou a intervenção de Tiago Martins no Sporting/Porto), espera-se que Vasco Santos tenha um desempenho isento de erros e não venha a ser mais uma "espada" pendente em cima da cabeça dos nossos jogadores, nesse cenário tornados Dâmocles, para além daquela que legitimamente desembainharão uns briosos vimaranenses que aliás adoptaram Afonso Henriques como símbolo. Por isso, aqui deixo os meus votos de que equipa de arbitragem e VAR tenham uma óptima actuação. Se assim for, mesmo que o Sporting porventura não saia vencedor, disso aqui darei nota após o jogo.

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04
Nov20

O Sporting contra a bipolarização


Pedro Azevedo

Na religião, ética ou filosofia, sob a forma do "bem" e do "mal", ou mesmo no taoismo, que opõe o "yin" ao "yang" (a noite e o dia), a dualidade é uma realidade no nosso universo. No fundo, tal traduz a tendência natural do ser humano de simplificar as coisas, mas quando exacerbado tende a gerar maniqueísmo e intolerância. Já abordei suficientemente essa temática neste blogue, pelo que voltar ao assunto seria redundante. Aquilo que penso não ter ainda sido suficientemente explorado é a tendência dual do universo e a forma como isso se expressa em termos económicos, políticos, sociais ou (o que me traz aqui) desportivos.  

 

A necessidade do ser humano de simplificar opondo uma força a outra tende a aumentar o impacto de duas forças à partida percepcionadas como mais fortes e a diluir todas as outras. Nesse sentido, uma força emergente pode sê-lo toda a vida, traduzindo-se tal mais numa condição que num estado. Olhando para a economia e para o mundo financeiro, vemos que existem duas teorias opostas predominantes - o keynesianismo e a escola austríaca - e que os mercados avaliam o risco entre "investment grade" e "emergentes". Na política existe um bloco central, em Portugal representado por PS e PSD, em Inglaterra por Conservadores e Trabalhistas, nos EUA por Republicanos e Democratas. Socialmente, o mundo está a evoluir para uma batalha entre conservadores e revolucionários, polos opostos mas com alguns elementos comuns de ortodoxia, diluindo-se cada vez mais a força dos moderados e reformistas. Chegamos então ao futebol. Tal como na política americana, o actual futebol português é dominado por "red states" e "blue states". A tendência natural desenhada após o 25 de Abril, período no qual o Sporting foi permitindo a ascensão do FC Porto decorrente da alteração da ordem política e da progressiva predominância do tecido produtivo a norte, é essa, e isso significa uma diluição progressiva do impacto do Sporting Clube de Portugal. Vítima da tal simplificação, ou se quiserem bipolarização, o Sporting terá de lutar bastante contra essa força de forma a não ficar condenado à irrelevância. A meu ver, se quisermos mudar a realidade, então teremos de alterar a percepção da mesma. E é contra o enraizamento dessa percepção que teremos de lutar. O problema é que, criando raizes, essa percepção vai-se incorporando e alimentando e assim criando um paradigma, pelo que combatê-la exige muita dinâmica que desafie a visão predominante cada vez mais estática sobre a correlação de forças. Ademais, é mais fácil a bipolarização vir a transformar-se em hegemonia de um dos contendores do que verificar-se a intrusão de um terceiro. Tal aliás é caucionado na Comunicação Social, nas regras de acesso ao pote de ouro da Champions, ou em termos sociais e económicos pela crescente polarização entre norte e sul. Estando na mesma cidade que o Benfica e enfrentando o poder crescente do norte, o Sporting precisa de se reinventar constantemente. No fundo é a luta desesperada que o Atlético trava em Madrid, a que o United enfrenta face à desvirtuação da concorrência com a emergência de um clube-estado em Manchester, a mesma que o Gran Torino perdeu já há muito tempo para a Juventus em Turim. Olhando para a Europa Ocidental, talvez só em Milão resida a fonte de equilíbrio, com Milan e Inter mantendo uma correlação de forças entre eles, pese embora progressivamente vão perdendo significância na disputa do Scudetto.

 

Einstein dizia ser mais fácil desintegrar um átomo do que destruir um preconceito, pelo que eliminar a percepção que se criou da correlação de forças no futebol português é o desafio enorme que o Sporting tem pela frente. Tal é uma missão do presidente, mas deve ser também o desiderato de todos os Sportinguistas. Se a disponibilidade de cada leão é fundamental, convocar todos os Sportinguistas para essa batalha é um imperativo. Mas é preciso que deixemos de marcar auto-golos, como quando afirmamos que a nossa equipa de futebol está melhor por não haver público nos estádios. A nossa força, a força do adepto comum, nunca pode ser uma fraqueza, e não há nenhum clube no mundo que desvalorize tanto o que é seu como o nosso. Verdade seja dita que também há adeptos que confundem a conjuntura com o Sporting e outros há que vão alimentando o guerrilha interna para interesse próprio, uns e outros assim contribuindo para o definhar da relevância do clube. Mas, fundamentalmente, é preciso não esquecer que a melhor forma de mobilização não é contra alguém - tal pode produzir efeitos a curto-prazo, mas é devastador no longo termo - , mas sim em torno de um elo identificador, projecto comum. Esse, que visará responder ao porquê das coisas (qual o nosso papel?), tem de ser renovador, diria até renascentista, e deve passar por traduzir os Valores Sporting num conjunto de ideias de regeneração do produto futebol português que o tornem mais justo, transparente, competitivo, credível e que deem a oportunidade ao clube de "voltar a contar para o totobola". Esse é o investimento que tem de ser feito. Tudo o resto, como por exemplo os protestos contra o status-quo vigente, serão panaceias que não devem ser desprezadas mas que não se traduzirão em mais do que o estabelecimento de uma linha de defesa contra o inevitável. E nós somos leões, letais no ataque. Não contrariemos a nossa natureza.

 

P.S. Em simultâneo, lideramos o Campeonato Nacional. Bem sei, é cedo e não deveremos entrar em euforias. Mas este período tem de ser aproveitado para reafirmar o Sporting no contexto do futebol português, mostrar as nossas causas. Oxalá ele se perpetue por muito tempo, a fim de ponderadamente podermos ir gerando comunicação que vá restaurando essa influência. O próximo passo será Guimarães, cidade onde em 1980, ainda menino, vivi ao vivo uma das mais bonitas páginas da nossa "leoninidade". Que tal se repita, e que da cidade-berço saiamos com mais 3 pontos. Até porque é mais fácil instaurar a mentalidade do jogo-a-jogo enquanto estivermos no topo. Força, leões!!!

03
Nov20

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 8 jogos - 6 para o Campeonato Nacional e 2 para a Liga Europa -, obtendo 6 vitórias (75%), 1 empate (12,5%) e 1 derrota (12,5%), com 17 golos marcados (média de 2,125 golos/jogo) e 8 golos sofridos (1 golo/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (5,0,3), TT (3,0,1), Nuno Santos (2,4,0);

2) MVP: Pedro Gonçalves (18 pontos), Nuno Santos (14), Sporar e TT (10); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (8 contribuições), N. Santos (6 contribuições), Sporar (5);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (5 golos), TT (3), N. Santos e Sporar (2);

5) Assistências: Nuno Santos (4), Vietto e Feddal (2).

 

Algumas notas complementares:

  • Nesta época, Pote foi até agora influente em 47,1% dos golos do Sporting;
  • Influência de Bruno Fernandes no total dos golos do Sporting - 2018/19: 59,3%; 2017/18: 49,1% (épocas completas);
  • Pote lidera todos os parâmetros de análise (GAP, MVP, Influência, Goleador), excepto o de assistências;
  • Já 12 jogadores contribuíram para os 17 golos obtidos esta época.

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

ranking gap 202021.png

03
Nov20

Estatísticas da Liga 2020/21 (Jornada 6)


Pedro Azevedo

Olhando para o rácio de cartões amarelos por falta cometida, o Sporting mantém uma percentagem relativa elevadíssima face à concorrência. Mesmo analisando apenas pelo valor absoluto, temos de convir que uma média de cerca de 1 amarelo por cada 4 faltas é um absurdo. Uma anomalia estatística, e não um comportamento anormal em campo. Mais curioso ainda é verificar que sendo a 6ª equipa menos faltosa, o Sporting é quem tem mais cartões amarelos (21).

 

  1. Melhor rácio de CA p/ falta cometida: Paços - 8,3% (18º Sporting - 23,9%)
  2. Pior Rácio de CA p/ falta cometida: Sporting - 23,9% 
  3. Menos Faltas com. por jogo: Benfica - 13,3 Faltas (6º Sporting - 14,7 Faltas)
  4. Mais Faltas com. por jogo: Boavista - 22 Faltas
  5. Menos CA por jogo: Paços - 1,5 (18º Sporting - 3,5)
  6. Mais CA por jogo: Sporting (novo) - 3,5
  7. Menos Golos Sofridos: Vitória SC - 3 golos (2º Sporting - 4 golos)
  8. Mais Golos Sofridos: Tondela (novo) - 15 golos
  9. Mais Golos Marcados: Benfica, Sporting (novo) e Porto (novo) - 15 golos 
  10. Menos Golos marcados: B SAD - 3 golos
  11. Menos Posse de bola: Marítimo - 39,8%
  12. Mais Posse de bola: Porto (novo) - 59,2% (3º Sporting - 56,2%)
  13. O Sporting cometeu 88 faltas que se traduziram em 21 amarelos (rácio de 23,9%)
  14. Os jogadores do Sporting sofreram 112 faltas que deram 17 amarelos (15,2%)
  15. Matheus (17) e TT (15) sofreram 28,6% do total de faltas cometidas sobre os leões
  16. Não há nenhum jogador do Sporting no Top 20 dos mais faltosos da Liga 
  17. Pote (aproveitamento de 35,7%) e Porro são os mais rematadores do SCP (14 remates)
  18. Nuno Santos é o 3º melhor do campeonato em assistências (3)
  19. Pote é o 2º melhor marcador da Primeira Liga (5 golos)

estatísticas6.png

02
Nov20

Tudo ao molho e fé em Deus

Pote em brasa


Pedro Azevedo

Depois de um Jogo do Galo a meio da semana que só se começou a resolver quando finalmente conseguimos meter 3 em linha - Nuno Santos, Jovane e Sporar, no lance do primeiro golo -, o Sporting voltou ao José Alvalade para desta vez receber o Tondela. 

 

De Tondela vem bom fumeiro, e já se sabe que isso pede um Pote ao lume. Quem diz ao lume, diz em brasa, e assim foi, para gáudio de todos os Sportinguistas que puderam assistir pela televisão, que isto de encher chouriços ao vivo só seria possível se o entendessemos de forma figurativa, havendo então liberdade por exemplo para ir à Festa do Avante ou deixar o pimba em paz no Campo Pequeno. Uma "tourada" (e não uma corrida de touros), ou não se fiassem os nossos políticos em cidadãos com olhar bovino. 

 

Assim sendo, imediatamente antes e depois do intervalo para compromissos publicitários, a SportTV lá mostrou as imagens do Pote "on fire", iguaria que foi sendo acompanhada por uns tintos encorpados de uma bem equipada (adega da) região do Dão tão cara aos de Tondela. A festa estava bonita, tanto que até houve quem jurasse ter visto fumar um Porro. Quem não estava para folias era o Trigueira e com ele o Sporar durante muito tempo não fez farinha. De outro modo, com tanto chouriço beirão à sua volta, teria "enchido a mula". 

 

A noite já ia alta e os convivas foram saindo de cena. Fui então espreitar a sede da Liga, e não é que vi fumo verde e branco a sair da chaminé? "Habemus Ducem", que é como quem diz: temos líder. É verdade, trinta e sete jornados depois, ainda que à condição, o Sporting volta a comandar a classificação da Primeira Liga! Assim sendo, vou também eu "passar pelas brasas". Bons sonhos e uma noite descansada a todos os Sportinguistas!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pedro Gonçalves "Pote" (2 golos e participação num outro). Marca de cabeça, pé esquerdo, pé direito, ao todo são já 5 golos em outros tantos jogos do campeonato (ausente em Paços de Ferreira). Pedro Porro (1 golo, 1 assistência, 1 participação em jogada de golo) seria uma alternativa óptima. Destaque ainda para a estreia a titular de João Mário, a qual seria coroada mesmo no fim com uma assistência para golo (a assistência para não-golo havia ocorrido logo nos primeiros momentos de jogo).

pote tondela.jpg

31
Out20

My name is Bond, James Bond


Pedro Azevedo

Sir Sean Connery, o Bond mais frio, sarcástico, credível e carismático de sempre, faleceu hoje aos 90 anos. Connery alcançou a popularidade com o papel de agente secreto do MI6, os serviços secretos britânicos. Não se ficou por aí a sua carreira, destacando-se as suas interpretações em filmes como "O Nome da Rosa" e "Os Intocáveis", este último a valer-lhe o tão merecido Oscar de Melhor Actor Secundário. O que poucos saberão é que antes da fama, quando as luzes dos holofotes não iam ainda para além de pequenas participações em musicais e peças de teatro, Sean Connery esteve para ser jogador do Manchester United. Tudo aconteceu após um jogo amador que disputou com o elenco de uma das peças em que entrava. Acontece que a partida disputou-se em Manchester e teve como espectador privilegiado Sir Matt Busby. Este, impressionado com a capacidade física do escocês, logo lhe propôs um contrato profissional sujeito a um período de testes. Diz a lenda que Connery, à época com 23 anos, sabendo que aos 30 anos um futebolista está perto do fim de carreira, preferiu apostar numa carreira de actor que lhe garantiria outra longevidade profissional. Perdeu-se mais um "Busby Babe", ganhou-se "O Bond". R.I.P. e obrigado!

007sean_connery-20384988.jpg

30
Out20

Dia de Finados pela arbitragem


Pedro Azevedo

Apesar de o árbitro ter anulado um golo limpo aos pacenses (com o "auxílio" do VAR) e ter erradamente marcado um penálti a favor dos portistas, o Paços de Ferreira venceu o FC Porto por 3-2. Os erros acumulam-se, pelo que, terminado o fim de semana futebolístico, na próxima segunda-feira (dia 2 de Novembro), a FPF, entidade que alberga no seu seio o Conselho de Arbitragem, deveria mandar celebrar o Dia de Finados da arbitragem portuguesa. É que há muito tempo que esta morreu e ainda ninguém lhe disse nada (mas a UEFA e a FIFA nos seus torneios de seleções têm dado um bom toque). É por isso chegado o tempo de os altos dirigentes da Federação fazerem o luto, despedirem-se dela (arbitragem) e partirem para uma outra, com novas regras de transparência e de escrutínio que permitam que os adeptos - consumidores final do produto futebol que curiosamente nunca são tidos nem achados em qualquer discussão - voltem a acreditar na integridade das competições. Isto como está, não pode mais ser escamoteado. 

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