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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

18
Jan21

Tudo, assim-assim ou nada?


Pedro Azevedo

Vivemos até hoje na assumpção de que o importante no futebol era a bola, os jogadores e o público. Entretanto, o público desapareceu dos estádios e o tribunal onde se aprovava ou chumbava o desempenho de um jogador passou das bancadas para as enfermarias dos estádios, substituindo-se o aplauso ou assobio à posteriori pela zaragatoa ab initio. É perante este novo-normal de múltiplos condicionalismos que Sporting e FC Porto se apresentarão amanhã em Leiria na primeira semi-final da Taça da Liga, competição sui-generis e com um formato competitivo absurdo que visa apurar por todos os meios legítimos possíveis as teoricamente 4 melhores equipas nacionais para a sua Final Four. Na outra meia-final, um Benfica que parece ter saído do Dragão como vencedor da Champions (apesar do empate) defrontará o actual detentor do troféu, o Sporting de Braga, "Campeão de Inverno" em 2020 com Rúben Amorim ao leme. 

 

Havendo um troféu em disputa ainda que de notoriedade reduzida, a pergunta que hoje formulo aos Leitores é se, por um lado e atendendo à sua grandeza enquanto clube, ambição inata e pergaminhos históricos, deve o Sporting apostar forte no certame ou, por outro, se seria preferível guardar energias para o que resta do campeonato nacional, competição onde à 14º jornada leva 4 pontos de avanço sobre o duo Benfica/Porto e nove pontos à maior sobre o Sporting de Braga. Ainda que esteja por provar que o desgaste de uma Taça da Liga possa provocar assim tantos danos no que resta do campeonato, mais a mais sabendo-se que, eliminados que estamos da Liga Europa e Taça de Portugal, teremos um calendário mais desanuviado que os rivais a partir do mês de Fevereiro, gostaria de auscultar a Vossa opinião. Fico então à espera de saber da Vossa justiça...

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18
Jan21

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 20 jogos - 14 para o Campeonato Nacional, 2 para a Liga Europa, 3 para a Taça de Portugal e 1 para a Taça da Liga -, obtendo 15 vitórias (75%), 3 empates (15%) e 2 derrotas (10%), com 45 golos marcados (média de 2,25 golos/jogo) e 16 golos sofridos (0,8 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (12,2,3), N. Santos (5,9,0), TT (5,2,2);

2) MVP: Pedro Gonçalves (43 pontos), Nuno Santos (33), TT (21); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (17 contribuições), N. Santos (14), Sporar (11);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (12 golos), TT e Nuno Santos (5);

5) Assistências: Nuno Santos (9), Tabata, Porro, Vietto, Feddal, M. Nunes, J. Mário, Jovane, Pote, TT e Plata (2).

 

Fazendo uma análise por sectores em termos de pontos MVP (golo=3; assistência=2; participação=1), teremos:

 

Pontas de Lança (total=54): TT (21), Sporar (20), Vietto (7), Pedro Marques (6)

(nota: TT também jogou como interior)

 

Interiores (total=104): Pote (43), Nuno Santos (33), Jovane (16), Tabata (12)

(nota: Jovane também jogou como ponta de lança)

 

Médios Centro (total=20): João Mário e Matheus Nunes (7), Palhinha e Bragança (3)

 

Laterais/Alas (total=25): Porro (13), Nuno Mendes (8), Plata (4)

 

Centrais (total=18): Coates (10), Feddal (5), Gonçalo Inácio (3)

 

Guarda-redes (total=2): Adán (2)

 

Conclusões:

  • A posição de Interior contribui em acções de golo praticamente o dobro da posição de Ponta de Lança;
  • Os nossos Médios Centro têm menos preponderância nos golos que os Laterais/Alas e pouco mais que os Defesas Centrais, o que pode indicar que RA vê-os mais como um factor de equilíbrio defensivo, sendo os desequilíbrios ofensivos mormente produto da circulação em "U";
  • Ordem de importância no golo: Interiores, Ponta de Lança, Laterais/alas, Médios Centro, Centrais, Guarda-redes;
  • Um total de 19 jogadores já contribuiu para os golos leoninos. Dos utilizados, Max, Neto, Quaresma, Borja e Antunes ainda não tiveram preponderância nos golos marcados. 

 

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

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18
Jan21

Foi assim que aconteceu...


Pedro Azevedo

26.01.2019   FC Porto - Sporting 1-1 (1-3 G.P.)

 

Crónica "Tudo ao molho...": O Inverno do nosso contentamento

 

Confesso que não estava especialmente confiante antes do jogo. Vendo e ouvindo a antevisão televisiva, nos vários canais, pior fiquei: a média das probabilidades a nós atribuídas era a alegria dos cemitérios de um sportinguista.

Com esta carga em cima, sentei-me à frente do televisor. Sintonizei a SportTV. Os comentários iniciais foram no mesmo sentido, como se o jogo já tivesse terminado antes mesmo de ter começado e o que nos fosse dado a assistir daí para a frente, uma mera formalidade.  

 

Passado um curtíssimo ímpeto inicial portista, o Sporting pegou no jogo. Incrédulo com o que via no relvado, o comentador tardou a dar o braço a torcer. Pelo menos muito mais tempo do que André Pinto ou Petrovic demoraram a dar o nariz a partir. A verdade é que as melhores oportunidades no primeiro tempo foram dos leões. Com a excepção de uma cabeçada de André Pereira, todos os lances de perigo foram nossos, destacando-se dois remates desenquadrados de Nani, uma carambola em Raphinha que quase tomava o rumo da baliza e um livre de Bruno Fernandes a tirar tinta ao poste, em jogada precedida de um cartão amarelo-alaranjado atrbuído a Felipe. Perante isto, o senhor da SportTV disse que o Sporting tinha conseguido equilibrar o jogo. (Não tenho a certeza, mas talvez não fosse má ideia entregar a decisão das partidas ao senhor comentador da SportTV. Assim, ambos nos poupávamos ao incómodo: nós, de ver os jogos; ele, de ter de se interrogar porque é que tudo correu ao contrário da sua lógica das coisas.)

Entretanto, o árbitro mostrava total desprezo pela "lei da vantagem" e dava cartões conforme a vontade das bancadas, para o efeito transformadas num circo romano de polegares para cima e para baixo consoante a vontade da maioria ruidosa. Em consequência, Acuña viu um amarelo incompreensível e Keizer, assustado, no reatamento decidiu colocar Jefferson no lugar do argentino. 

 

A troca dos laterais esquerdos abria uma perspectiva tenebrosa para o segundo tempo e a expectativa não saiu gorada: entre ajoelhamentos defensivos e perdas de bola no ataque, o brasileiro contribuiu da forma habitual para a (hiper)tensão deste adepto. O que isto foi de dar de fumar à dor (até à exaustão)...Para piorar o cenário, o "soundbyte Abel(ico)" de que o futebol não é basquetebol produziu efeitos e André Pinto caiu por terra - sangrando abundantemente do nariz - após uma cotovelada de Marega, tudo sem qualquer admoestação de João Pinheiro. Sem centrais no banco entrou Petrovic, o qual pouco tempo depois também se magoou na mesma zona. O jogo voltou a ficar interrompido, o sérvio esteve fora do campo a ser assistido (Miguel Luís chegou a estar de prevenção para entrar, de forma a que Gudelj pudesse recuar para a defesa), e as várias adaptações em tão curto espaço de tempo criaram alguma desestabilização (e mesmo pontual desorientação) na equipa leonina. O Porto, liderado por Brahimi, aproveitou, embora sem criar grande perigo, excepção feita a nova cabeçada de André Pereira, desta vez para defesa de Renan Ribeiro. Até que, num lance onde Gudelj estava muito metido na área e Wendel demorou um pouco a fechar, Herrera rematou praticamente sem oposição. O tiro não saiu colocado, mas Renan calculou mal a trajectória e deixou a bola ressaltar para a frente, proporcionando a recarga vitoriosa do recém-entrado Fernando. 

 

A perder a 10 minutos (mais descontos) do fim, Keizer arriscou o que pôde - já só tinha uma substituição possível - e trocou Gudelj por Diaby, recuando Nani para organizar o jogo com Bruno Fernandes. Sob a batuta dos capitães, o Sporting tomou as rédeas da partida e começou a ameaçar as redes de Vanã. Eis então que, num lance insólito, Diaby antecipa-se na área a Oliver e é carregado por este, em jogada sem perigo iminente. João Pinheiro não viu, mas o BiVAR (é verdade!!) chamou-lhe a atenção. Após visionamento das imagens, assinalou "penalty". Bas Dost converteu, igualando o marcador. O Sporting podia ter decidido o jogo ainda no tempo regulamentar, mas Vanã salvou miraculosamente o Porto ao defender um remate de Raphinha que concluiu uma assistência soberba de Bruno Fernandes. 

 

Seguimos para "penáltis" e o Sporting voltou a falhar primeiro. Após novo golo de Dost, Coates repetiu o falhanço da semi-final. Mas Renan tornava a baliza pequena e Militão escolheu (acertar no painel d`) a Super Bock. Bruno marcou com a classe do costume, e quando Hernâni partiu para a bola comentei para o lado que iríamos ganhar. Estatisticamente, os canhotos geralmente cruzam a bola nos penáltis e Renan também assim o pensou e defendeu. A conversão de Nani deixou-nos muito perto da vitória. Ficámos com duas hipóteses em aberto para ganhar o jogo: se o Porto falhasse a penalidade seguinte, ou Raphinha convertesse a última, o Sporting ganharia. Para sossego do meu coração, Felipe acertou no travessão e começou a festa. Abracei todos os que estavam à minha volta e já não ouvi os comentadores, mas admito que tenham tido uma noite longa a explicar como o Porto perdeu um jogo antecipadamente ganho. Deve ter sido coisa para um certo monólogo shakespeariano que envolve a constatação de que a consciência tem um milhão de diferentes vozes...

 

Na Pedreira, o Sporting levou a Taça e Keizer ganhou o seu primeiro título como treinador. Foi a segunda vitória consecutiva dos leões na competição, com a curiosidade dos 4 jogos da Final Four terem sido ganhos por penáltis. Já se sabe, connosco é sempre a sofrer até ao fim. Destaque-se também que ganhámos os últimos 8 jogos (!!) de mata-mata disputados contra o FC Porto (ninguém diria, pois o tratamento dispensado pela CS foi sempre de "underdog"), o que nos torna já numa espécie de São Jorge (proponho-o para padroeiro do clube) para os dragões, mesmo que neste caso tenhamos tido menos um dia de descanso e a erosão psicológica adicional de uma (prolongada) série de grandes penalidades. 

 

E assim, ao contrário das primeiras linhas de Ricardo III - "(Este é) o Inverno do nosso descontentamento" - , ou do livro homónimo de John Steinbeck, somos os CAMPEÕES DE INVERNO!!!

 

Tenor "Tudo ao molho...": Bruno Fernandes (mas "Renan é grande", como disse Dost). Num segundo plano, Petrovic, Coates e Nani (quando passou para o meio) estiveram acima dos restantes. Destaque ainda para Diaby, providencial ao ganhar a grande penalidade.

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16
Jan21

Tudo ao molho e fé em Deus

“The plot thickens!”


Pedro Azevedo

Caro Leitor, depois do Keizer, Leonel e Silas, ficámos convencidos que o Rúben era o careca bom. É certo que sem nível, dizia-nos um Zé Pereira folião e sempre disposto a tocar bombo em carnavais que envolvam o nosso Sporting, mas bom. Bom, na verdade, nós sabíamos de antemão que o Rúben não era propriamente careca, aquilo era mais um pente três ou, melhor dizendo, um pente 3 pontos. E de 3 pontos em 3 pontos, de vitória em vitória, a nação leonina ia regozijando. Mas agora o Rúben deixou crescer o cabelo e ao contrário de Sansão parece que perdeu a sua força. Para piorar o cenário, passou a ter nível. Ora, sobre o nível apropriado para treinar o Sporting os nossos adeptos até podiam ser dramaturgos. Tanto que cada um poderia substituir Ésquilo ou Sófocles e escrever uma tragédia grega sobre o tema. A coisa geralmente envolve peripécias com mestres da táctica, apostas enfáticas em pernas-de-pau (e tímidas na Formação) e rios de dinheiro fluindo qual êxodo ladeira abaixo. Foi o que me ocorreu ontem ao ver o Borja no relvado e o Gonçalo Inácio no banco. Acresce que pouco depois observei que o Vertonghen fez para aí uns 100 passes tensos e bem medidos a lançar o Nuno Tavares no corredor. Ora, o nosso Borja, que foi contratado para lateral e acabou a central por aí supostamente causar menos dano, no seu total inconseguimento não fez mais do que passar a bola para o lado e para trás durante 90 minutos. Além disso, no golo vilacondense que bem poderia ter sido nosso tais os seus protagonistas, não fez linha com a restante defesa, afundou-se no terreno, pôs em jogo todos os rioavistas e ainda ficou a olhar só para a bola saída dos pés do Geraldes e deixou o Mané entrar-lhe pelas costas. Em suma, se fosse possível elaborar um manual do que um defesa não deve fazer, o Borja poderia ilustrar a capa. Outra coisa que me intriga é o futebol do João Mário. Quer dizer, eu já fui um grande fã daquele futebol de corte e costura do João Mário de 15/16, mas a esta versão 20/21 falta muito corte a direito e em viés (com bola), ou mesmo cortar as vazas aos adversários. Tanto assim é que no golo do Rio Ave o João Mário adoptou o seu heterónimo Joãozinho Caminhante e foi acompanhando com os olhos a progressão do Xico Geraldes sem nunca lhe passar pela cabeça pôr o pézinho. Tudo somado, a razão pela qual permaneceu todo o jogo em campo é um daqueles mistérios tipo Roswell que ficará para sempre por desvendar. Mais fácil de compreender será o facto de um treinador levar um ponta de lança para o banco e não o utilizar quando precisa de ganhar o jogo. Neste caso, só pode mesmo ser castigo. Afinal, quem mandou o Pedro Marques marcar golos de contrafacção em Sacavém? O Jovane teve mais sorte e ainda conseguiu jogar 11 minutos. Suponho que está a ser guardado para o jogo do Benfica, caso os problemas musculares não o voltem a atormentar. Ainda assim, deu logo nota da sua principal qualidade ao apanhar uma bola perdida e caminhar frontalmente para a baliza. Depois de atrair 2 defesas, tocou para o Tiago Tomás. Foi a nossa melhor oportunidade do segundo tempo, mas, pronto, já se sabe que o Jovane é o patinho feio para uma grande parte da nossa massa associativa que só usa (cola) Cisne nos cromos que todos os anos se compram para a caderneta. Cromos tipo Plata: um craque, dizem alguns com olhos doces, um jogador de futebol de rua, dizem outros com olhos lassos como eu. E mesmo assim... É que na minha rua havia uns rapazes que tinham o mesmo entendimento do jogo colectivo do equatoriano. A diferença é que os melhores levavam a bola colada no pé, mesmo o piso sendo de paralelipípedo, e não a 1 metro de distância e aos repelões como o Plata a leva em perfeitos relvados enquanto, trapalhão, prepara o choque inevitável com o adversário e o ressalto subsequente. Um homem até ficaria deprimido, não houvesse Pote, Porro, Palhinha e TT (grande jogada individual a finalizar a primeira parte) para aquecer a alma. Diga-se porém que do antigo Rúben ainda resistiu uma jogada de laboratório. Só que desta vez a iniciativa não partiu da esquerda com o Nuno Mendes, mas começou na direita com o Porro. O passe, cruzado para a zona do lateral contrário, apanhou o Plata desmarcado. O cruzamento deste, deflectido ligeiramente, alcançou o Pedro Gonçalves. Até aqui tudo bem, o guarda-redes, expectante, aguardava um sinal proveniente do pé direito do ex-famalicense. Mas eis que o moço antecipa com o pé esquerdo e o polaco Kieszek nem se mexeu. Mais uma vez, o Sporting inaugurava o marcador com uma eficaz triangulação a toda a largura do terreno.

 

Catorze jornadas decorridas, o Sporting é primeiro. Se me dessem tal como certo no início da temporada, eu teria assinado logo por baixo. Esse é o copo meio cheio. O copo meio vazio é o facto de o nosso futebol recentemente se ter perdido algures na Ilha da Madeira. Também o Amorim não parece o mesmo, com substituições à Jesus e tudo e o Coates a ponta de lança. Eu tenho uma teoria, tudo ainda é consequência da Filomena, a tempestade que deve ter revolucionado a cabeça do Rúben e está a deprimir todos os Sportinguistas que queriam mesmo era ganhar o campeonato com 6 pontos à maior (eu por mim já me bastava que o Rúben usasse as 5 substituições permitidas pelo regulamento). Mas acredito que brevemente as coisas irão mudar. A chave? O Rúben volta ao pente 3, não se deixa impressionar com passagens de nível fechadas para circulação de comboios de mercadorias no mês de Janeiro e manda o Ferro às entrevistas rápidas e conferências de imprensa. O nosso pobre coração agradece. Estava tudo a ser tão previsível, para quê estragá-lo com suspense no novo ano? Entretanto, Porto e Benfica empataram e o Braga perdeu. Dir-se-ia que todos os testes realizados pelos candidatos já em pleno confinamento deram resultados negativos. Resta saber se algum é um falso negativo. Ou, se antes houve falsos positivos. "The plot thickens"!

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13
Jan21

Um Nobre influente em tempo de República


Pedro Azevedo

António Nobre protagonizou ontem mais um dia infeliz da arbitragem portuguesa. Primeiro ao punir com a amostragem do segundo cartão amarelo uma carga de ombro, logo legal, do nacionalista Rui Correia sobre um jogador do Porto. Acresce que, para além do lance ter sido mal ajuizado, a ter havido falta a punição só poderia ser o cartão vermelho pois o avançado do FC Porto ficaria de outro modo isolado e com a baliza à sua frente. Sem aduzir qualquer processo de intenção ao árbitro, a verdade é que a amostragem do amarelo validou automaticamente o primeiro erro, inviabilizsndo a apreciação posterior pelo VAR que decirreria do protocolo caso Antonio Nobre tivesse mostrado a cartolina escarlate. Mas não ficou por aqui a polémica: o golo que permitiu ao Porto levar o jogo para o prolongamento ê precedido por um toque da bola no braço de Taremi. Ora, durante semanas, no seguimento do alegado toque da bola no braço de Pore no decurso do Sporting-Moreirense, andámos a ouvir uma narrativa emanada de sábios da arbitragem que consistia em haver recomendações aos árbitros para invalidar jogadas de golo em que o braço de quem ataca tenha sido protagonista, não sendo relevante para o efeito a questão da intencionalidade ou não. Bom, a verdade é que esse era lance de VAR e este não terá visto nada que revertesse a decisão do árbitro. Chegados a este ponto, já ninguém se entende. As más decisões são mais que muitas, a falta de uniformidade de critérios idém e fica a ideia de que jamais nos libertaremos destas polémicas. Em simultâneo, tudo como dantes no Quartel de Abrantes, o Conselho de Arbitragem continua a assobiar para o lado. Até quando, e com que custos para a credibilidade do produto futebol português ainda não sabemos na sua verdadeira dimensão. 

13
Jan21

Vamos lá virar a página


Pedro Azevedo

Foi triste e dolorosa a eliminação da Taça de Portugal, mas agora temos vinte e uma finais pela frente. Próxima final: sexta-feira, dia 15 de Janeiro, recepção ao Rio Ave. Não vale a pena ficarmos a carpir mágoas porque assim não avançaremos. Acresce que não é possível reescrever a noite de segunda-feira, pelo que deve-se, isso sim, daí retirar ilações de molde a podermos justificadanente alimentar a esperança de que o futuro venha a estar em consonância com o caminho que temos vindo a trilhar até aqui no campeonato. Nesse sentido, não justificando a actual conjuntura quaisquer poupanças, têm de jogar de início aqueles que o treinador percepcione serem os melhores e há que manter o foco no que de nós depende e não cairmos na tentação de especular com o(s) jogo(s), usando sabiamente as substituições para que a equipa possa sempre manter um elevado ritmo em campo. Jogo a jogo... Vamos! 

12
Jan21

Reflexões sobre o jogo de ontem


Pedro Azevedo

- Os golos do Marítimo não foram consequência do processo colectivo, antes resultaram do somatório de erros individuais: passe errado na saída de bola de Neto e posterior abordagem macia de Feddal no primeiro golo, antecipação falhada de Nuno Mendes e não ataque ao espaço por parte de Sporar no segundo golo (defesa à zona na bola parada). 

- Os nossos interiores de ontem  (Tabata e Nuno Santos) pensam essencialmente como alas. Pode jogar um com Pote mais por dentro, mas os dois ao mesmo tempo diminuem-nos o jogo interior e a associação com os médios. Assim, ficámos reduzidos à procura da profundidade (na primeira parte mais efectiva por o Marítimo ter as linhas mais subidas, no segundo tempo infrutífera). Pote e Jovane são mais perfurantes com bola. O primeiro é muito inteligente a explorar os espaços entre-linhas, o segundo ataca o defesa que o está a marcar e com a sua mobilidade obriga-o a desposicionar-se e abre espaços para a entrada de outros jogadores.

 

- Não entendi a razão pela qual Jovane não entrou durante o jogo (só não sugiro que o tivesse iniciado por vir de lesão). Não conheço o estado físico de cada jogador, mas compreendo a gestão de esforço que Ruben Amorim operou após o desgastante jogo com o Nacional ocorrido apenas 3 dias antes. 

 

- Plata foi uma aposta falhada no corredor direito. Cometeu inúmeros erros defensivos e só no final do jogo fez alguma coisa de relevante ofensivamente. Antes, ao vir sistematicamente para dentro, anulou Tabata, ao contrário do que habitualmente faz Porro que atrai adversários na largura e assim abre espaços no centro. O equatoriano continua a demonstrar pouco entendimento do jogo e dos seus momentos. 

 

- Sporar é um ponta de lança com boa associação com o resto da equipa, mas sem instinto matador ou faro de golo. Isso é gritante em certos posicionamentos (falta de reacção adequada ao cabeceamento/assistência de Coates). Para além disso falha habitualmente golos cantados (ontem mais um). 

 

- O Sporting dominou a maior parte do tempo. Podia ter inaugurado o marcador logo aos 7 minutos ( TT, passe de Matheus), mas a partir daí os desequilíbrios que provocou no adversário não tiveram consequências por má definição do último passe/remate. No segundo tempo, o Marítimo foi um pouco mais afoito no ataque, curiosamente numa fase em que tinha até o bloco mais baixo e procurava mais a transição do que o ataque continuado. As entradas de Pote e Porro pareceram-me tardias, sendo que o espanhol foi ocupar a posição de central pela direita.

 

- O estado do terreno (muito irregular) dificultou obviamente o trabalho à equipa com melhores valores individuais. A bola saltava no contacto com a relva, e isso prejudicou mais os médios e os seus arrastamentos. 

- Será provavelmente só uma coincidência, mas num contexto em que se fala tantos dos méritos dos treinadores portugueses, não deixa de ser curioso que as únicas derrotas esta época do Sporting de Ruben Amorim tenham ocorrido em confronto com treinadores estrangeiros. 

 

- Sendo uma realidade que chegados a Janeiro já estamos fora em 2 das 4 competições em que entrámos (as nossas únicas duas derrotas significaram o afastamento prematuro de duas competições), não deixa também de ser digna de todos os encómios a nossa prestação  no campeonato. É preciso continuar a apoiar a equipa, a qual tem demonstrado até aqui uma óptima mentalidade competitiva. Se uma andorinha não faz a Primavera, também não podemos deixar que uma derrota nos abata ao ponto de nos retirar confiança no caminho meritório que Ruben Amorim e os jogadores vêm percorrendo. Isto é válido para nós, adeptos, mas também para o próprio grupo de trabalho que não se pode deixar afectar por este percalço. Ganhando na sexta-feira ao Rio Ave, a equipa ficará sempre numa posição privilegiada na tabela classificativa (Porto e Benfica defrontam-se no Dragão). E isso deverá ser motivação mais do que suficiente para reentrarmos num ciclo de vitórias. 

 

Na vitória como na derrota, Sporting sempre! Força! 

11
Jan21

Não há marca sem adeptos


Pedro Azevedo

Só há 3 coisas que fazem todo o sentido no futebol: a bola, os jogadores e o público. Sem bola não há jogo, sem jogadores não há arte, sem público essa arte nunca seria devidamente reconhecida. Nenhum clube se pode dar ao luxo de prescindir do seu público, do seu mercado. Sem adeptos que consumam o espectáculo do futebol não haveria direitos de TV, receitas de merchandising ou bilhetes vendidos. Sem proveitos, os clubes definhariam. Nesse sentido, entendo que a discussão à volta de ser benéfico para a equipa de futebol do Sporting não ter adeptos no seu estádio não faz qualquer sentido. Não se trata de ser verdade ou não - quantas e quantas vezes não disse aqui que mais importante que as razões de cada um é a razão do Sporting? - , trata-se, sim, de essa discussão ser lesa-Sporting porque deprecia a sua marca. Uma marca vale pelos seus consumidores, sem estes não tem valor. Ora, devemos repudiar e erradicar comportamentos como os da invasão a Alcochete ou certos "espectáculos pirotécnicos" em jogos de futebol, mas não se pode tomar a nuvem por Juno e confundir a massa associativa do clube com grupos de degenerados. Acresce que no Sporting a exigência tem sempre de ser máxima. Ela deve é ser corretamente aplicada. Nesse aspecto, o calibrar da linguagem por parte de quem dirige é fundamental no sentido de não se fomentarem ódios que colidam com o amor ao jogo e ao clube. Talvez se possa fazer mais alguma coisa em nome da promoção do jogo e dos seus valores, e isso se vir a traduzir em novos espectadores mais apaixonados pelo jogo e sua compreensão e não a querer ganhar a qualquer preço. Mas no alto rendimento há pressão, não há como escamoteá-lo. Michael Jordan não tinha pressão nos Bulls? Basta ver o documentário Last Dance, da Netflix, para percebermos que sim. Para além das 2 claques desavindas, muitas vezes senti-me revoltado com a nossa Bancada Central. Quantas vezes não vi e ouvi Nani ser assobiado por alegadamente prender a bola, quando o nosso ídolo apenas pretendia não a entregar à toa? Mas isso tem de se inscrever dentro de uma cultura de exigência. Por vezes a paixão tolda o adepto, outras vezes o seu não entendimento do jogo fá-lo invectivar este ou aquele jogador sem sentido. Porém, quem defende as cores verdes e brancas tem de estar à altura do desafio. Porque a recompensa também é grande, e não há adeptos como os do nosso clube na hora de acarinhar os feitos dos seus jogadores. Deste modo, temos de pensar na nossa massa associativa e de adeptos como um factor crítico ao nosso sucesso. O peso dos 3,5 milhões assim o determina e o valida. Pelo que, dizer que essa massa é contraproducente não é só insensato e lesivo do clube, está em dissonância com aquilo que dá sentido ao futebol. Que pare então esta discussão sobre os efeitos nocivos dos adeptos, pois ela só nos enfraquece. Além disso, está em contra-ciclo com a nossa brilhante carreira no campeonato, que nos fortalece. E quantos adeptos não dariam tudo para poderem manifestar in-loco nas bancadas o seu incorruptível apoio à nossa equipa, o seu agradecimento aos nossos briosos jogadores? Pensem nisso antes de ingenuamente começarem a desvalorizar o que é nosso. 

10
Jan21

Golo, influência e acções directas ao minuto


Pedro Azevedo

Golos por minuto de utilização.png

Legenda: 1º Quadro: minutos necessários para fazer 1 golo; 2º Quadro: minutos necessários para ter influência (golo, assistência, participação importante) em 1 golo; 3º Quadro: minutos necessários para ADG (acção directa para golo=golo ou assistência). 

 

Descontando os números de Pedro Marques (impressionantes, mas de amostra muito curta para ser conclusiva), há algum indicador que surpreenda o caro Leitor?

10
Jan21

Ranking GAP


Pedro Azevedo

Nesta temporada de 2020/2021, o Sporting disputou até agora 18 jogos - 13 para o Campeonato Nacional, 2 para a Liga Europa, 2 para a Taça de Portugal e 1 para a Taça da Liga -, obtendo 15 vitórias (83,3%), 2 empates (11,1%) e 1 derrota (5,6%), com 44 golos marcados (média de 2,44 golos/jogo) e 13 golos sofridos (0,72 golos/jogo).

 

A nível individual, eis os resultados (estatísticas ofensivas):

 

1) Ranking GAP (medalheiro): Pedro Gonçalves (11,2,3), N. Santos (5,9,0), TT (5,2,2);

2) MVP: Pedro Gonçalves (40 pontos), Nuno Santos (33), TT (21); 

3) Influência: Pedro Gonçalves (16 contribuições), N. Santos (14), Sporar (11);

4) Goleador: Pedro Gonçalves (11 golos), TT e Nuno Santos (5);

5) Assistências: Nuno Santos (9), Tabata, Porro, Vietto, Feddal, M. Nunes, J. Mário, Jovane, Pote e TT (2).

 

Fazendo uma análise por sectores em termos de pontos MVP (golo=3; assistência=2; participação=1), teremos:

 

Pontas de Lança (total=54): TT (21), Sporar (20), Vietto (7), Pedro Marques (6)

(nota: TT também jogou como interior)

 

Interiores (total=101): Pote (40), Nuno Santos (33), Jovane (16), Tabata (12)

(nota: Jovane também jogou como ponta de lança)

 

Médios Centro (total=20): João Mário e Matheus Nunes (7), Palhinha e Bragança (3)

 

Laterais/Alas (total=22): Porro (12), Nuno Mendes (8), Plata (2)

 

Centrais (total=18): Coates (10), Feddal (5), Gonçalo Inácio (3)

 

Guarda-redes (total=2): Adán (2)

 

Conclusões:

  • A posição de Interior contribui em acções de golo praticamente o dobro da posição de Ponta de Lança;
  • Os nossos Médios Centro têm menos preponderância nos golos que os Laterais/Alas e pouco mais que os Defesas Centrais, o que pode indicar que RA vê-os mais como um factor de equilíbrio defensivo, sendo os desequilíbrios ofensivos mormente produto da circulação em "U";
  • Ordem de importância no golo: Interiores, Ponta de Lança, Laterais/alas, Médios Centro, Centrais, Guarda-redes;
  • Um total de 19 jogadores já contribuiu para os golos leoninos. Dos utilizados, Max, Neto, Quaresma, Borja e Antunes ainda não tiveram preponderância nos golos marcados. 

 

 

Ranking GAP (Golos, Assistências, Participação decisiva em golo):

ranking gap 100121.png

09
Jan21

Tudo ao molho e fé em Deus

Contra ventos e marés


Pedro Azevedo

Foi uma semana estranha. Nos EUA, um homem vestido com pele de bisonte tomou o controlo da Câmara dos Representantes no Capitólio em nome de uma alegada revolução popular alimentada por um discurso anti-democrático onde sobra o ódio e escasseiam as subtilezas. Em Portugal, onde os lobos até ver vestem pele de cordeiro, a revolucionária foi a bola: no Domingo porque não rolou (milagre de Santa Clara), anteontem porque não parou de rolar (depressão Filomena). Na Choupana ainda houve quem jurasse que a bola era chata, mas Galileu Mota Galilei sentenciou "e pur si muove" (contudo, ela move-se). Dito isto, a talho de foice cortou a direito e mandou toda a gente para os balneários, adiando para ontem a realização do jogo.

 

Quais intrépidos marinheiros portugueses que em cascas de noz expostas às intempéries se dispuseram a descobrir novos mundos, os bravos jogadores do Sporting apresentaram-se de um imaculado branco perante a chuva tocada por rajadas de vento e um relvado enlameado. Ainda para mais, o comentador da SportTV anunciava - o drama, a tragédia, o horror - que na primeira parte o Nacional ia atacar no sentido para onde sopravam os ventos da Filomena. Estava lançada a epopeia. Num terreno onde os Ferraris atascariam, primeiramente houve que adaptar a forma de circulação. Muito jeito deu então o tractor de Palhinha e o arado de Pedro Gonçalves, oferecendo mobilidade e ajudando a revolver o último reduto nacionalista. Mesmo João Mário fazia por não desmerecer. Ainda que se sentindo como um bailarino do Bolshoi num hexágono do MMA, o internacional emprestado pelo Inter lá ia procurando através de processos simples soltar a bola o melhor possível. Não se aventurando no ataque, algo que Pote agradeceu para cultivar a sua semente de médio centro e daí criar raizes que dessem fruto ao nosso caudal ofensivo. Até que surgiu o golo. Como não há coincidências, o lance que inaugurou o marcador nada teve de acaso. Tanto assim foi que pareceu tirado a papel químico do nosso primeiro golo com o Braga, trocados apenas os protagonistas das duas acções decisivas: o Nuno Mendes como de costume centrou para as costas do lateral esquerdo adversário, o Pote antecipou-se e assistiu, o Nuno Santos finalizou. Íamos para o intervalo em vantagem e o Nacional mancomunado com a Filomena não havia sequer incomodado o Adán. Filomena? Ainda se fosse a Eva...

 

Na etapa complementar a toada manteve-se, agora com o vento a nosso favor. Na frente, o Pote prometia ganhar o Arado d'Ouro, no miolo o intratável Palhinha fazia e desfazia como se nada fosse com ele e lá atrás o Neto afastava para longe com o pé mais à mão. Puro azar, ou sede a mais ao pote, o Pedro Gonçalves por três vezes não conseguiu marcar: uma foi do Pote ao poste, outra o guarda-redes defendeu, outra ainda mostrou que os grandes jogadores até em cima de uma cama de pregos sabem jogar. O Palhinha também tentou de longe, mas o mais que conseguiu foi encher de lama a cara do desafortunado brasileiro que defende as redes do Nacional. Quem diria que este viria a precisar de uma viseira, e não necessáriamente devido ao Coronavírus? Com o tempo sentiu-se que o Nacional subira um pouco no terreno. O Rúben também o sentiu e mandou entrar dois tractores (Matheus e Jovane) e um todo-o-terreno (TT) para não sofrermos mais sobressaltos. O jogo lá se foi encaminhando para o fim. Estávamos em período de descontos. Tempo ainda para o Matheus avançar pela direita e centrar. Um defesa madeirense afastou atabalhoadamente. A bola ficou ali ao pé do TT que de pronto a endereçou para o coração da pequena área. O Jovane, que não precisa de muitos minutos para marcar um golo, não perdoou e sentenciou o jogo. "Pormaior": passava dos 90 minutos e nesse lance tínhamos 3 jogadores na área. 

 

Esforço, dedicação, devoção e glória, ou a superação da pista de lodo da Choupana como uma parábola da nova vida do leão com Rúben Amorim ao leme. Uma equipa híper-solidária, física e mentalmente fortíssima, ao ponto de até comover vê-la a laborar (a de Silas também comovia, o problema é que o sentimento depois perdurava durante toda a semana e quando dávamos por nós estávamos encharcados de Prozac). Com este carácter, o Sporting produz um "statement", impondo-se e mostrando a qualquer equipa que nos defronte que esta está sempre à beira de sofrer um golo. Ou, como se diz em carvalhalenglish, "You are here, you are eating", lema que talvez melhor reflicta a vontade quase "brutânica" com que estamos em campo. 

 

Tenor "Tudo ao molho..." : Pote

pedrogoncalves10.jpg

08
Jan21

A guerra do Solnado


Pedro Azevedo

Já após serem conhecidas as previsões meteorológicas para a Madeira e a Protecção Civil ter emitido um aviso, o telefone toca na sede da Liga Portugal. O seu presidente, Pedro Proença, atende e segue-se este diálogo:

 

- "Alô!?"

- "Pedro? Daqui fala a Depressão!"

- "Como ousais? Toda a gente no mundo do futebol sabe que deprimente só há um, o Proença e mais nenhum..."

- "Sim, reconheço que na tua cabeça não sopra uma aragem, mas eu sou o vento, um furacão, outro tipo de Depressão, Filomena..."

- "Ah, bom! E que desejais, Filomena?"

- "Era só para comunicar que Quinta-feira, a partir das 18h, vou atacar forte na Choupana."

- "Ó Filomena, mas tu metes medo a alguém? Ainda se fosses bruma ou nevoeiro (ou stock de gel para o cabelo)... Bate mas é a bola baixinho."

 

E ela bateu... E a bola lá foi rolando, baixinho, junto à relva...

 

O diálogo terá terminado por aqui. Nada foi feito atempadamente no sentido de antecipar ou adiar o jogo. Este, como seria abundantemente de esperar, nunca chegou a começar à hora marcada. 

(Está lá, é do inimigo?/Dailymotion)

(A Guerra de 1908/YouTube)

07
Jan21

Estatísticas da Liga 2020/21 (Jornada 12)


Pedro Azevedo

O Sporting aumentou em 2 pontos a vantagem para o 2º colocado no campeonato. É também a equipa que menos golos sofre (8). Mantém o melhor marcador da competição (Pote). 

 

  1. Melhor rácio de CA p/ falta cometida: Paços (novo) - 10,1% (17º Sporting - 18,8%).
  2. Pior Rácio de CA p/ falta cometida: Famalicão - 21,6%. 
  3. Menos Faltas com. por jogo: Benfica - 13,6 Faltas (11º Sporting - 16,4 Faltas).
  4. Mais Faltas com. por jogo: Paços de Ferreira - 18,9 Faltas.
  5. Menos CA por jogo: Rio Ave - 1,5 (17º Sporting - 3,1).
  6. Mais CA por jogo: Famalicão - 3,3.
  7. Menos Golos Sofridos: Sporting - 8 golos. 
  8. Mais Golos Sofridos: Tondela - 23 golos.
  9. Mais Golos Marcados: Porto - 31 golos (2º Sporting - 28). 
  10. Menos Golos marcados: B SAD e Rio Ave - 6 golos.
  11. Menos Posse de bola: Farense - 42,9%.
  12. Mais Posse de bola: Porto - 60,0% (3º Sporting - 56,9%).
  13. O Sporting cometeu 197 faltas que se traduziram em 37 amarelos (rácio de 18,8%).
  14. Os jogadores do Sporting sofreram 229 faltas que deram 41 amarelos (17,9%).
  15. Tiago Tomás é o leão com mais faltas sofridas (29, 5º na Liga).   
  16. Pote (aproveitamento de 42,3%) é o mais rematador do Sporting (26 remates).
  17. Pote é o Goleador da Primeira Liga (11 golos).
  18. Maior sequência vitórias consecutivas: Braga (6, entre a Jornada 3 e a Jornada 8).
  19. Mais Posse Estéril: Rio Ave (54,9%, 6 golos, 99 minutos de posse para fazer 1 golo).
  20. O crescimento no item acumulado de Posse de Bola do Marítimo pós-Lito Vidigal (de 39,5% para 45,7%) parece ter tido correlação com a melhoria na classificação (de 17º para 8º).
  21. Há uma correlação entre a menor posse de bola da Liga (42,9%) e a classificação (18º) do Farense.
  22. No sentido inverso, o Paços tem o 3º pior registo de Posse de Bola mas está em 6º lugar na Liga.
  23. O Paços é a equipa que comete mais faltas (227), mas tem o 2º melhor registo de CA, eficiência que se pode explicar por a equipa raramente ser apanhada desequilibrada em transição (baixa posse de bola).
  24. O Sporting tem mais 1 falta cometida que o Porto e mais 13 cartões amarelos. 
  25. O Sporting tem mais 3 faltas cometidas que o Braga e mais 14 amarelos.
  26. Angel Gomez (Boavista) e Darwin (Benfica) lideram nas assistências (5). Nuno Santos (4) é o 3º conjuntamente com Gauld (Farense) e Grimaldo (Benfica).
  27. Corona (Porto) lidera nos cruzamentos (45). Porro (11º, 36) é o melhor do Sporting.estatísticas12.png
07
Jan21

Alex Apolinário


Pedro Azevedo

O jogador Alex Apolinário, que me era de triste memória por ter marcado um golo, aliás soberbo, ao meu Sporting em eliminatória da Taça de Portugal, veio a falecer esta madrugada na sequência de uma paragem cardiorrespiratória sofrida Domingo passado durante um jogo contra o União de Almeirim. Pondo tudo em contexto do que é relativo, afinal a recordação que tinha do David do Ribatejo que havia feito frente ao Golias português não era assim tão triste, triste mesmo é ver desaparecer aos 24 anos este médio brasileiro formado no Cruzeiro cuja capacidade técnica augurava outros vôos. Ou não, acreditando que no Céu encontrará a paz eterna. À família enlutada, amigos, Futebol Clube de Alverca e a todos os que gostavam de o ver em campo apresento aqui as minhas sentidas condolências. RIP! 

alex apolinário.jpg

06
Jan21

Foi assim que aconteceu...


Pedro Azevedo

19.04.2019  Nacional - Sporting 0-1

 

Crónica "Tudo ao molho...": Ovos K

 

Mahatma Gandhi, que até gostava muito de futebol, dizia sobre a vida que a alegria está na luta, no sofrimento envolvido, na tentativa e não na vitória propriamente dita. Os jogadores do Sporting pareceram partilhar este pensamento e hoje, na Madeira, esforçaram-se até à exaustão para o pôr em prática. Em particular, o Diaby até se esmerou, cada falhanço na cara de Daniel Guimarães equivalendo-se à nona sinfonia de Beethoven. É certo que a época pascal que vivemos é propícia ao perdão, mas, caramba, também não era preciso exagerar...

 

O jogo até começou de forma auspiciosa - cartão amarelo a Acuña - , o que deve ser considerado como uma importante melhoria face ao acontecido na Vila das Aves. Na ausência de Wendel - Raphinha (lesão) e Renan (castigo federativo, cartão vermelho no jogo anterior) também estavam impedidos - , Idrissa Doumbia foi a jogo. O problema é que o marfinense foi ocupar em simultâneo o mesmo lugar no espaço que Gudelj, desafiando assim o Princípio da Impenetrabilidade da Matéria, algo que não pareceu incomodar demasiado Marcel Keizer mas é coisa para ter perturbado o repouso de um tal Isaac Newton. 

 

Sem quem transportasse o jogo pelo meio, os leões optaram por não fazer recuar Bruno Fernandes. Em vez disso, o maiato deslocou-se para a esquerda, procurando combinar com o falso ala desse lado (alternadamente Diaby ou Jovane) que entretanto se havia aproximado de Luís Phellype no eixo do ataque, ou pedindo a profundidade de Acuña para que este colocasse a bola na área. Perante a dúvida, a defesa nacionalista foi soçobrando e as oportunidades sucederam-se. Nesse transe, Diaby, por três vezes, podia ter marcado e o mesma aconteceu com Jovane, um jovem que parece apostado em aprender o pouco entendível francês do Mali. Em todas as vezes, Daniel Guimarães esteve no caminho da bola. O Felipe das Consoantes também tentou e tirou um coelho da cartola digno de fazer inveja a um qualquer vogal de um conselho de administração. Infelizmente, a bola saiu ao lado. Pese todo o pendor atacante, a falta de eficácia impediu o Sporting de chegar ao intervalo em vantagem no marcador. 

 

Para a etapa complementar, Keizer pareceu ter ordenado a Doumbia que se adiantasse no terreno e tentasse transportar jogo. Embora fora da sua posição natural, Idrissa procurou jogar mais para a frente e numa dessas ocasiões serviu soberbamente Diaby, mas o maliano com a baliza toda à mercê conseguiu encontrar um corpo na direcção da bola.  Logo de seguida, com a baliza escancarada, o suspeito do costume não chegou à bola por um triz. Aos 55 minutos, o Gudelj viu um cartão amarelo, motivo que o impede de jogar a próxima partida contra o Guimarães. O drama, a tragédia, o horror terá pensado a SportTV, que logo o nomeou para "Homem do Jogo"...

 

O Sporting continuava a distribuir Ovos Kinder, ou Keizer, ou lá como se chamam esses presentes de Páscoa, aos nacionalistas, até que Acuña levantou para a área e Luíz Phellype não perdoou. Em vantagem, Jefferson rendeu Jovane (e Miguel Luís substituiu Gudelj), continuando Acuña como lateral. O brasileiro serviu Diaby para golo mas o destino foi o do costume. Houve tempo ainda para vêr o ex-Brugge mostrar os seus dotes de recepção quando isolado para a baliza meteu canela a mais na bola, naquilo que deverá passar a fazer escola na Academia como "domínio à Diaby". Posto isto, a mim é que tiveram que dominar. Os nervos, claro. Ah, e claro, o Xico entrou a 1 minuto do fim, em nova "oportunidade" concedida pelo Keizer. Já dizia a Luísa Sobral: "Ó Xico, ó Xico, onde te foste meter?".

 

Tenor "Tudo ao molho...": Luíz Phellype (marcou o único golo do jogo e lutou bastante). Destaques para Mathieu, que muitas vezes fez de "8" em penetrações pelo meio-campo do Nacional, Acuña, que dominou totalmente o lado esquerdo da defesa, e Gudelj, hoje muito mais intenso defensivamente do que aquilo que tem sido normal nele, embora continue a não dar ao jogo atacante aquilo que é necessário num clube de topo. 

 

P.S. falando agora muito a sério, foi um prazer ouvir Gudelj expressar-se num quase perfeito português e sem aquele sotaquezinho castelhano que poderia advir do facto de ter acompanhado o pai quando este foi profissional de futebol em Espanha. Aliás, tanto quanto sei, o sérvio fala seis linguas. Muitas vezes critico-o pelas suas acções no campo, mas aqui fica o meu apreço por alguém que mostra respeitar o clube e o país, se comporta de forma profissional e é inteligente.   

luíz phellype.jpg

06
Jan21

Estrelinha vs sorte


Pedro Azevedo

Tenho lido nos últimos dias diferentes abordagens ao jogo que no pretérito Sábado disputámos com o Braga. Umas com uma análise que me parece excessivamente resultadista, outras pondo a tónica substancialmente na sorte. Com umas e outras não estou de acordo. Eu explico: quem leu a minha crónica sobre o jogo lembrar-se-á que eu acentuei a questão da estrelinha. Porventura, algumas pessoas terão ligado isso à sorte. Ora, se se relembram, eu associei a estrelinha ao destino, não à sorte. Por algum motivo a estrelinha é uma palavra do jargão futebolístico que habitualmente surge acompanhada por uma outra palavra: campeão. Juntamente com o artigo, compõe-se assim a expressão "estrelinha de campeão", o que no meu entendimento logo sugere uma dissociação face à sorte como factor meramente casual ou aleatório. Ora, em condições normais de pressão e temperatura, não há campeões sem mérito, pese embora em alguns momentos decisivos a tal estrelinha possa estar presente. Foi isso aliás que aconteceu ao Sporting nos jogos com o Famalicão e o Farense, em que golos ao cair do pano nos deram a vitória. Associei isso ao destino, como se o guião já estivesse antecipadamente escrito. Porém, isso não quer dizer que esse guião seja definitivo, a prova disso sendo a grosseira interferência externa que resultou na anulação do golo a Coates em Famalicão. Também com B SAD e Braga se sentiu essa estrelinha nos momentos decisivos, mas tal está mais associado ao imenso mérito de Adán do que à sorte no sentido aleatório do termo. Não que o jogo não tenha também uma componente de sorte. Por exemplo, o mesmo Adán pôs-se a jeito quando deixou a bola passar à sua frente após um pontapé de canto. Por sorte pura, ou demérito dos braguistas, a bola não encontrou o fundo das redes. Adicionalmente, a bola no poste não foi golo por escassos centímetros, eventualmente menos até do que a exígua medida que colocou Paulinho em fora de jogo no lance do golo invalidado ao Braga. Será que a uma diferença que não se nota a olho nu se deve creditar mérito? A não ser que alguém esteja na posse de informações que comprovem as extraordinárias competências como geómetras dos centrais leoninos (quiçá discípulos de Lagrange), na minha opinião não. 

A verdade é que nunca procurei na sorte a explicação para qualquer facto da minha vida. Não que não exista algo de aleatório, mas porque na maior parte das vezes aquilo que chamamos de sorte é essencialmente uma combinação de uma preparação adequada com a oportunidade certa. Isso serve para explicar o nosso primeiro golo: se o Pote tem uma percentagem de eficácia de remate superior a 42%, será assim tão de estranhar que à primeira oportunidade marque um golo? Do meu ponto de vista, insólito seria enviar a bola até ao hipódromo do Campo Grande, algo que não surpreenderia num Bolasie, por exemplo. Outro exemplo: a entrada de Matheus trancou o jogo. Isso foi absolutamente perceptível para quem assistiu à partida. Ainda assim poderia ter havido um momento de sorte pura dos braguistas, um ressalto ou algo do género em que o futebol é fértil, que certamente alteraria, do meu ponto de vista injustamente, o entendimento geral da sagacidade demonstrada por Ruben Amorim no momento de promover essa alteração. Mas não foi isso que aconteceu. Pelo contrário, o Matheus, que entrou para equilibrar o jogo (primeira alteração até hoje do modelo de Rúben), acabou por ser um factor de desquilíbrio ao sentenciar a partida após um ressalto de bola no guarda-redes. A tal estrelinha.

Não sou dado a questões extra-sensoriais, mas acredito que quando se trabalha bem se está mais perto do sucesso. Isso, aliado à energia positiva que sinto à volta da nossa equipa, creio que abre um caminho para o sucesso. Os deterministas chamar-lhe-ão o destino. Todavia, há agentes externos que poderão alterar esse destino que se perfigura. A nós caber-nos-á ser competentes em tudo o que dependa de nós, razão pela qual será sempre mais importante a autoconsciência, aprendendo com os erros e corrigindo-os, em vez de, simplisticamente, ignorá-los em função de um resultado final. Essa pelo menos é a minha opinião, não querendo com isto condicionar o direito à mesma por quem pensa de outra forma. Simplesmente, também tenho direito à minha, sem que de tal se possa creditar menos mérito à nossa saborosa vitória. Daí este esclarecimento. 

05
Jan21

O Sporting de Rúben Amorim


Pedro Azevedo

O futebol é um desporto que combina os aspectos técnicos, tácticos, físicos e mentais, sendo a maior ou menor capacidade de integrar harmoniosamente todos eles um factor crítico de sucesso (considerando apenas o que acontece dentro das quatro linhas e não relevando alegados jogos subterrâneos em que o futebol português frequentemente se vê envolvido). Assim sendo, pensei em deixar aqui a minha avaliação à actual equipa de futebol do Sporting, subordinando-a ao desempenho em cada um dos aspectos acima mencionados. Então, aqui vai:

 

- Técnica: a contratação de Pedro Gonçalves, regresso por empréstimo de João Mário e promoção de Matheus Nunes vieram dar a este equipa do Sporting um toque distintivo de classe. Pote é um jogador que partilha com Bruno Fernandes a capacidade de enquadrar o remate com a baliza. Ilustrativo disso é o facto de deter o melhor registo de eficácia de remate da Primeira Liga,registo esse traduzido no facto de 42,3% dos seus remates terminarem em golo. Raramente o vemos a chutar à toa na hora da finalização, pelo contrário os seus remates mais parecem um passe à baliza onde a colocação da bola é a prioridade. Além disso, é um jogador fino e inteligente, dotado de apurada visão de jogo, que bastas vezes recua da posição de interior para a de médio centro para ajudar na organização de jogo da sua equipa e provocar uma nuance táctica capaz de desequilibrar o opositor. O "Pantufas" é um jogador diferente. Muito hábil, parece bailar com a bola. Não é mais o jogador desequilibrador que vimos em 15/16, mas tem reservado o papel de controlo da qualidade da posse no miolo do terreno. Destaca-se pelo passe preciso nessa zona nevrálgica do terreno, raramente perdendo a bola e ajudando a equipa a sair em segurança desde trás. O "Menino do Rio" é um jogador de técnica finíssima. Por motivos que têm a ver com o rendimento da equipa, essa qualidade foi durante muito tempo desvalorizada por renomados experts do futebol. Talvez por jogar fora da sua posição natural aquando da ausência de Palhinha, Matheus viu-se obrigado a esconder o seu jogo. Mas há pormenores que não escapam a um olhar cuidado sobre o jogador. Desde logo, a forma como recebe de frente para a sua baliza e como roda com facilidade para qualquer um dos lados, independentemente de estar a ser pressionado, e fica a ver o jogo de frente. Depois, a passada larga com bola que lhe permite rapidamente galgar 20 ou 30 metros e criar desequilíbrio. Por fim, a exclusividade do seu "Turn", um tipo de finta que faz lembrar a especialidade desenvolvida por Johan Cruijff e que só está ao alcance de alguns eleitos. Sequeira pôde testemunhá-lo, ao vivo e a cores, no Sábado passado. Além dos supracitados, Bragança tem jogado menos mas tem um toque de bola distintivo e uma capacidade de passe de ruptura frontal que impressiona.

Atendendo às opções tácticas de Amorim, o Sporting tem neste momento 2 jogadores no seu onze titular com imensa categoria e um 12º jogador que não lhes fica atrás. Qualidade de nível mundial, porém não de forma abundante se pensarmos em categoria-extra que faz ganhar jogos individualmente. Nota (0 a 10): 6 

 

- Táctica: o 3-4-2-1 de Rúben Amorim tem potenciado as melhores qualidades dos nossos jogadores e escondido as suas maiores fraquezas. Nesse sentido, é um modelo vencedor, na medida em que a equipa tem sido claramente melhor do que o somatório dos seus valores individuais. Obviamente, há ainda muito a desenvolver. Na minha opinião, ofensivamente, a interligação do meio campo com os interiores está ainda longe de ser bem conseguida. Apesar da qualidade de passe curto de João Mário, há pouca progressão e o jogo empastela muito no meio campo. Nesse sentido, o jogo posicional do Sporting não é muito eficiente, acabando a equipa por tirar mais partido do ataque rápido ou da transição. Jogando João Mário mais longe de Palhinha do que no passado Matheus Nunes, o risco é de o internacional português acabar por roubar espaços que Pote tanto gosta de ocupar quando recua no terreno. Creio que esse aspecto carece de uma melhor articulação e tem estado na origem de um maior apagamento recente do ex-famalicense. Por outro lado, defensivamente, acontece muitas vezes vermos João Mário envolvido com os interiores e o ponta de lança na pressão alta sobre a saída de bola adversária. O risco é o de, passada essa zona de pressão, o adversário surgir em superioridade numérica no miolo do terreno, sendo Palhinha escasso para tanto fogo à sua volta. O B SAD soube explorá-lo, o Braga também com a nuance de Paulinho descer para ajudar a criar superioridade numérica nesse sector. Todavia, este sistema tem funcionado muito satisfatoriamente, permitindo um bom balanceamento ofensivo dos nossos laterais/alas e concomitantes desequilíbrios que permitem aos interiores jogar por dentro e aproveitar os espaços que aparecem por via da dissuasão provocada nas bandas do campo. Adicionalmente, os centrais recolhem conforto com este sistema, escondendo até o défice de velocidade que os caracteriza. A equipa jogo relativamente junta e raramente se desequilibra de uma forma flagrante, os jogadores vão para o campo com o guião certo e sabem exactamente o que fazer. Nota: 8

 

- Físico: os laterais/alas e o ponta de lança são os jogadores sujeitos a um maior desgaste, logo seguidos pelos interiores e médio defensivo. Os restantes quase que jogam de cadeirinha. Neste Sporting, os jogadores não correm por correr, sabem exactamente o que fazer, o que limita as perdas de rendimento do ponto de vista físico. Tiago Tomás (ou Sporar) será o jogador sujeito a maiores gastos de energia, com a equipa muitas vezes recorrendo aos seus apoios frontais à falta de melhor solução. Isso prende-se com a menor capacidade de saída de bola dos centrais e com o condicionamento adversário a Palhinha, o que, mais do que deveria, obriga a chutar a bola directamente para a frente. Os laterais também têm uma função desgastante, sempre acima e abaixo, sendo de destacar a forma física de Porro face a um Nuno Mendes que tem vindo a ser arreliado por algumas lesões. Do ponto de vista físico, a resposta global da equipa tem sido muito positiva, para o qual também contribui a rotação que Amorim sabiamente tem vindo a operar, limitando o desgaste. O não envolvimento nas competições europeus, sendo sempre negativo para um cube que tem como lema "tão grande como os maiores da Europa", tem sido um daqueles males que vêm por bem, permitindo à equipa treinar e não estar permanentemente a ter de jogar. Ainda assim, a sensação que o adepto recolhe é que a equipa vende saúde, tem disponibilidade física e uma "alma até almeida". Nota: 8

 

- Mental: quando vemos um jogador a mimetizar os voleibolistas e a lutar por cada lançamento lateral como se de um ponto se tratasse, então não há como não ficar agradado com o que se observa. Esse jogador, Porro, é claramente diferenciado do ponto de vista mental e parece ser feito daquela massa que consolida os campeões. Não é porém caso único: quando um suplente muito pouco utilizado como Pedro Marques é visto a ir ao fundo das redes adversárias após cada golo que marca, ficamos com a sensação que há muita competitividade e sede de ganhar nesta equipa. Nuno Santos é outro jogador particularmente raçudo, assim como Feddal, qualidade que lhe permite esconder algumas fragilidades. Coates e Neto também são vistos frequentemente a "dar o peito às balas", atirando-se para cima da bola e evitando golos certos, sinal de atitude. E quando à disponibilidade física se une a disponibilidade mental, então temos uma equipa. Nesse sentido, não é dispiciendo observar que 19 jogadores já contribuíram para os nossos golos, o que ilustra também a motivação dos que saem do banco para resolver. A sensação é que não há titulares absolutos, e isso constitui um factor de motivação para todo o plantel. A forma como Sporar entrou contra o Braga denota isso mesmo. Individualmente, há jogadores que podem ser mais fortes no aspecto mental. Por exemplo, a meu ver Matheus Nunes reune todas as condições físicas e técnicas para ser um jogador de topo. Melhorou também muito tacticamente com Rúben Amorim, pelo que o único limite que lhe encontro é o mental. Tem condições para exponenciar a meia-dúzia de intervenções que me fascinam em noventa minutos e traduzi-lo quantitativamente na produção de jogo. Raramente aproveita o remate forte e colocado que já lhe vimos nos sub-23 e ainda se mostra algo tímido em alguns momentos do jogo, parecendo não ter plena consciência das suas inúmeras capacidades. Todavia, não nos podemos esquecer de que há dois anos estava no Ericeirense, pelo que a sua progressão tem vindo a ser astronómica para um jogador que não teve escola e até há pouco tempo atrás conciliava o futebol com a actividade de pasteleiro.

Em traços gerais, gosto muito da atitude mental da equipa. Nota: 9

 

Nota final combinada: (6+8+8+9)/4= 7,75

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