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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

14
Dez20

Fábrica de golos


Pedro Azevedo

Pedro Marques voltou a bisar, desta vez contra o Fabril, numa vitória do Sporting B por três bolas a zero, um golo a mais do que o conseguido pelo FC Porto quando derrotou o outrora primodivisionário clube do Lavradio (Barreiro) em anterior eliminatória da Taça de Portugal. Deste modo, o ponta de lança leonino eleva para 9 golos em 7 jogos os seus números na presente época desportiva. A Pedro só faltou mesmo o golo de cabeça, marcando alternadamente de pé direito e de pé esquerdo. O seu primeiro resultou de um remate forte e colocado que não deu tempo ao guardião adversário de esboçar a defesa. Já o segundo foi uma pequena obra de arte, mudando de pé à última hora e colocando a bola lentamente e em jeito no poste mais distante. Não assisto aos treinos e portanto desconheço a prestação do Pedro nos mesmos e a forma como se está a entrosar com a equipa, mas parece-me óbvio que os jogos realizados até agora indicam que vai justificando mais minutos de utilização numa equipa principal onde terá potencialmente golos servidos em bandeja de prata por Pedro Gonçalves, Nuno Santos, João Mário e demais jogadores. Não será ainda certamente na terça-feira - uma pena! - devido ao pouco tempo de recuperação do esforço, mas se Ruben Amorim assim o entender talvez possamos ver o Pedro no banco como alternativa ao TT no jogo contra o Farense. Se o futebol é o momento na medida em que a componente anímica é tão importante quanto a táctica, técnica e física, entre Sporar e não Sporar melhor mesmo será o Pedro não desesperar e começar a ir a jogo. Temos (mais um) Ponta de Lança na cantera.

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05
Dez20

Sporar ou não Sporar


Pedro Azevedo

O tema do momento no futebol do Sporting versa sobre a titularidade ou não de Sporar. De facto, para quem olhe apenas para os golos e assistências, os números do esloveno estão longe de impressionar. Como tal, há quem legitimamente defenda que um ponta de lança tem obrigatoriamente de apresentar mais acções decisivas por jogo. Porém, o futebol está longe de ser apenas aquilo que os nossos olhos retêm num primeiro momento, sendo certo até que muitas vezes o que nos agrada à vista não nos enche a barriga. Quando há 3 anos criei o Ranking GAP, fi-lo para ajudar  a uma melhor compreensão do jogo e também para reparar a injustiça de não se verem plasmadas nas estatísticas ofensivas uma série de acções que conduzem ao golo. Desse modo, comecei a considerar passes de ruptura e participações em lances de ataque que são determinantes para golo. Assim, um passe de 30 metros a isolar o jogador que depois faz a assistência, ou o jogador que é carregado em falta dentro da área passaram a constar dessas minhas estatísticas enquanto participação importante para golo. Adicionalmente, incluí essas acções, conjuntamente com os golos e assistências, na medição da influência de um jogador. Foi isso, por exemplo, que me levou a concluir ser Bruno Fernandes o jogador mais influente do Sporting na época 17/18, a última de Jesus. Ora, olhando para o Ranking GAP, é possível verificar que apesar do seu número de golos (2) e de assistências (1) ser modesto, Sporar participou de forma importante em outros 5 golos. Assim sendo, não é para mim consensual que não esteja a cumprir com os objectivos. Há, porém, algo que me suscita apreensão e que creio diluirá a sua importância na equipa: a esmagadora maioria das acções que o revelaram influente resultaram de lances de transição. Ora, é minha convicção que, passado um primeiro momento em que beneficiou de algum menosprezo dos adversários, a nossa equipa encontrará muito menos espaços para transição nos próximos jogos, tendo de percorrer estradas secundárias e itenerários complementares com muito tráfego em detrimento das autoestradas em que se sente particularmente confortável. Provavelmente ainda não em Famalicão, equipa que assume o jogo e pretende construir desde trás, mas definitivamente no que virá para diante. Assim sendo, teremos muito mais jogos como o do Moreirense e muito menos como o de Guimarães. Nesse sentido, sem espaço, Sporar torna-se um jogador mais banal. Ele não é o ponta de lança clássico, mas sim um jogador essencialmente de transições, inteligente na movimentação de procura dos espaços (para si ou para os colegas) que se abrem entre os defesas contrários. Quando esse espaço lhe é retirado, Sporar vê expostas imediatamente duas debilidades: o seu fraco jogo de cabeça na área e a falta de faro de golo, características importantes para um "9". Assim, não sendo um cabeceador nato e não antecipando os lances, o esloveno tem muita dificuldade em contribuir para a equipa. É possível que com a idade que tem ainda possa haver alguma evolução, mas dificilmente Sporar será algum dia aquilo que se designa como um "Matador". Assim, antecipando as dificuldades que os autocarros estacionados à volta de Palhinha prometem avolumar, creio ser tempo de começar a dar algum tempo de jogo ao jovem Pedro Marques, o qual possui características mais híbridas, revelando dons que o esloveno não tem na área e mostrando-se igualmente competente em transições no que a acções de finalização diz respeito (vidé os golos obtidos recentemente na Holanda ou pela nossa equipa B), embora porventura não tão forte na associação com a restante equipa como o esloveno. Talvez ainda não com o Famalicão, pelos motivos que acima descrevi, mas em breve. É que, caso contrário, a pouca eficácia do ponta de lança acabará por induzir situações de risco máximo do tipo das utilizadas contra o Gil Vicente (3-2-5), o que nos poderá ser fatal quando do outro lado houver um "10" com bom tempo de passe a lançar a transição face a um equipa toda adiantada no relvado. 

 

P.S. Não descartar Tiago Tomás. Apesar de mais utilizado sobre a direita, TT mostrou contra o Gil Vicente uma qualidade essencial num ponta de lança: o timing de ataque à bola e remate. Nesse sentido, esse lance foi de compêndio.

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25
Nov20

Pedro, o perseverante


Pedro Azevedo

Pedro David Rosendo Marques é a nova coqueluche proveniente da Formação do Sporting. Uma colheita tardia, vintage, como tal delicada e de grande qualidade. Ouvi falar no Pedro pela primeira vez através de um primo "belém" (eu sei, acontece nas melhores famílias haver quem escape ao desígnio do leão) que, entusiasmado, me ia relatando o impacto tremendo que estava a ter nas camadas jovens do Belenenses. O Sporting contratou-o no seu primeiro ano de junior e logo se distinguiu pela profusão de golos que marcou. Recordo em especial um golo de belo efeito contra o Real Madrid na Youth League: servido por Abdu Conté, Pedro imitiu o movimento dos alcatruzes de um engenho hidráulico trazido para a península pelos muçulmanos para deixar o guardião madridista à nora, afagando primeiro a bola no ar com o seu pé esquerdo para depois rodar e chutar, sem deixar cair a bola, com o pé direito. Um golo de elevadíssima execução, porém não suficiente para chamar a atenção do juiz da nota artística que por essa altura embora já patinando ainda era rei em Alvalade. 

À míngua de oportunidades, o Pedro foi sendo condenado à irrelevancia. Ressurgiu por momentos numa outonal noite europeia quando as goleadas se sucediam, a esperança se vestia de verde e Keizer era ainda um encantador  de leões. Durou pouco, e a estrelinha do Pedro voltou a ofuscar-se. Na época passada foi para a Holanda onde jogou na Segunda Liga. Primeiro no Dordrecht, um clube que lutava para não descer de divisão. A equipa não era boa, levava grandes cabazadas, a bola não chegava lá à frente. Ainda assim, marcou 6 golos e fez 8 assistências, o suficiente para suscitar o interesse do Den Bosch, um clube do mesmo escalão mas com aspirações à subida. A sua estrela voltou a brilhar, terminando a época com 8 golos em 7 jogos realizados na sua nova equipa até à suspensão do campeonato devido à pandemia. Mais uma vez a conjuntura parecia estar contra o Pedro, e logo quando se estava de novo a afirmar. Regressou então ao Sporting e foi integrar a recém (re)criada equipa B. O cenário era o do Campeonato de Portugal. Em 4 jogos fez 4 golos, destacando-se não só como matador na área mas também nas transições. Nesse aspecto, o Pedro engana muito. Sempre composto, com o tronco muito direito, transmite a falsa ideia de ser lento. Mas só até começar a correr com a bola, momento em que a sua velocidade associada à boa articulação dos movimentos provoca imediatamente danos nos adversários que anteriormente o subestimaram. Dadas as suas boas prestações, o Pedro já "reclamava" uma oportunidade de jogar com gente grande. Foi convocado duas vezes, mas em ambas não saiu do banco. Até que, a pretexto da Taça de Portugal , finalmente teve a sua chance. Foram apenas 18 minutos, mas o seu impacto dificilmente poderia ter sido mais impressionante. Dois golos, a confirmação dos seus dotes de matador e uma sede de golo que não deixou nenhum Sportinguista indiferente foram a sua assinatura no jogo. E, do quase nada, em pouco tempo, tal como no anúncio publicitário todos ficámos cientes de que se calhar a solução (ponta de lança) estava no banco. Boa sorte, Pedro! E muito trabalho. 

(Golo ao Real Madrid aos 23 segundos do vídeo. Aos 46 segundos repete a dose.)

28
Set20

Para a imortalidade


Pedro Azevedo

Se o épico combate travado por "El Patrón" Sebastián Coates em Paços de Ferreira deveria inspirar os poetas homéricos, o lençol protagonizado por Daniel Bragança sobre Eustáquio (o da Tessalónica foi grande estudioso de Homero) mereceria passar à imortalidade num tríptico em pintura a óleo e têmpera sobre madeira (o jogo foi na capital do móvel). 

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29
Ago20

Gonçalo Inácio


Pedro Azevedo

Há já algum tempo que venho pondo os olhos em Gonçalo Inácio, central canhoto que também fez parte da sua formação a lateral esquerdo. E gosto. Muito. Nomeadamente como central, onde a sua visão de jogo, encurtamento rápido dos espaços e superior capacidade técnica dão diferentes tipos de soluções, desde passe à distância e bloco alto até superioridade numérica em zonas mais avançadas do campo por via da sua boa saída de bola de trás. Para continuar a ver...

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20
Jul20

Joelson, empresários e os vendilhões do templo


Pedro Azevedo

Mais uma vez o Sporting encontra inesperadas dificuldades na renovação de contrato com um seu jovem jogador. Mais do que pensar no Joelson, em seu pai ou nos empresários, veio-me à memória uma entrevista do ex-jogador Poejo em que este se confessou ostracizado por alegadamente ter recusado a sugestão de alguém na época pertencente à estrutura do Sporting para assinar com um determinado empresário. Sendo este um ângulo oculto para a generalidade das pessoas, fica a pergunta: de onde vem a influência de certos empresários junto dos miúdos? São exclusivamente os pais dos miúdos que a promovem? O Sporting precisa de ter a certeza que na sua estrutura do futebol juvenil não existem conflito de interesses sob a forma de angariação para qualquer tipo de empresários, nomeadamente aqueles que sistematicamente colocam inúmeros problemas ao clube aquando da renovação de contrato dos nossos jovens jogadores. A haver, os prevaricadores têm de ser afastados, processados (para servirem de "exemplo") e ver o resultado das suas acções tornado público a bem do bom nome da esmagadora maioria de valorosos técnicos e staff da nossa Formação que ao longo dos anos se têm dedicado com profisionalismo e brio à causa leonina. É que no Sporting não pode haver espaço para vendilhões do templo. 

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06
Jun20

Formar para rendimento


Pedro Azevedo

O lançamento por Ruben Amorim de vários jovens da nossa Formação tem de ser encarado como um sinal de esperança. No entanto, para que esse presságio se venha a mostrar consistente ao longo do calendário gregoriano é necessário mudar de paradigma. Não podemos formar jovens para os vender antes do tempo em nome da urgência de suprir o défice substancial da Demonstração de Resultados, o que acabará por suscitar novas investidas ao mercado como forma de reposição de activos e concomitantes custos associados. Não, esse paradigma está totalmente errado. O que deverá ser promovido, isso sim, é o aproveitamento desses jovens em nome do seu rendimento desportivo individual e contribuição para o rendimento desportivo colectivo.

 

Nos primeiros anos, o custo em salários desses jovens é reduzido. Isso ajuda a manter a folha de pagamentos da SAD em níveis sustentáveis. Tendo esse jogador rendimento desportivo, a sua relação custo/benefício será muito interessante para nós. Acresce que, dado o tempo passado connosco, o conhecemos bem. Sabemos como treina, como se comporta extra-futebol, o que precisa de ser desenvolvido. Logo, vender esse jogador prematuramente será um erro, ainda que possa proporcionar um proveito no imediato. Acresce que a nossa história está cheia de exemplos de má utilização do dinheiro proveniente da venda de jovens promissores, geralmente usado em "contratações cirúrgicas" que são como operações de coração aberto ao leão. Por isso, formar para rendimento (desportivo) deve ser o nosso paradigma. Depois, sim, a partir do momento em que o jogador mostre um rendimento superlativo e atraia a cobiça de grandes clubes, deveremos equacionar a venda. Nesse estádio do seu desenvolvimento o ordenado poderá já ser pesado para nós e haverá novas soluções na linha de produção prontas a serem testadas, pelo que um proveito extraordinário será bem-vindo. Igualmente, será uma forma de proporcionar a oportunidade de independência financeira a esse produto da nossa formação. 

 

A aposta na Formação tem de ser estratégica e não aquilo a que se recorre quando já falharam todas as outras soluções. Se for este último o caso, verão que tal aposta não perdurará no tempo. Desde logo, porque será necessário vender rapidamente para fazer dinheiro e assim colmatar o buraco de tesouraria (e da conta de exploração) deixado por políticas anteriores. Também porque acabarão por chegar jogadores de fora para substituir os nossos formandos, voltando-se à situação inicial.

 

Uma política desportiva estrategicamente assente na Formação assegura custos controlados. Esse é um ponto de partida muito importante. Depois, permite que se vá ao mercado apenas procurar qualidade extra (2-3 contratações) e não comprar em quantidade. Tal manterá os custos com pessoal em níveis saudáveis/sustentáveis, fará baixar as Amorizações e reduzirá os custos financeiros inerentes ao Passivo ou a operações de antecipação de receitas (proveitos). Também tornará gerível a dívida a Fornecedores. Além disso, esse núcleo duro de jogadores que conhecemos bem, mesclado com a qualidade importada, com alguns anos de amadurecimento poderá assegurar o sucesso desportivo. Ora, o segredo do negócio é a manutenção de custos controlados, pois é isso que nos permitirá ir consolidando, ano após ano, uma equipa e não ter a pressão de alienar direitos económicos de jogadores. Vendendo prematuramente e não deixando crescer os nossos leõezinhos, não será possível que o seu crescimento individual se traduza no crescimento da nossa equipa de futebol e nos seus resultados desportivos. Por isso, formar para rendimento (e para ganhar) é a opção. Formar para venda, aquilo que se retira de cada nova intervenção pública dos nossos dirigentes, será redutor e acabará por traduzir toda a aposta desde cedo (na Academia) na Formação num castigo de Sísifo. E já nem toco aqui com desenvolvimento no efeito nefasto para a nossa Cultura ou identidade de se enraizar nos nossos jovens a ideia de que estão a prazo e que o Sporting é apenas um trampolim para outros voos, o que talvez justifique uma relação dos nossos formandos com o clube que os adeptos gostariam que fosse de outra forma. 

 

P.S. Se muitos ficaram surpreendidos com o valor de venda de Thierry Correia, talvez o sentimento não tenha sido o mesmo após a chegada, por empréstimo, de Fernando, Bolasie e Jesé. Façam as contas todas, ordenados, comissões e pagamentos a clubes incluídos, e depois vejam qual foi o resultado líquido (financeiro) destas operações, já que quanto ao resultado desportivo estamos conversados.

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05
Mai20

Opinião: Nuno Saraiva


Pedro Azevedo

Num artigo de opinião no Record, Nuno Saraiva deixa algumas importantes pistas para o futuro. Aqui ficam excertos das principais ideias do nosso antigo director de comunicação:

 

  • "Há um único caminho possível em matéria de política desportiva e uma única estratégia de comunicação aceitável para enfrentar os próximos anos";
  • "A Formação do Sporting, na próxima época, tem de ser encarada por todos como uma oportunidade e nao como uma fatalidade";
  • "Mesmo não havendo petróleo, há talento em Alcochete. Se não apostarmos nele, jamais o conseguiremos comprovar";
  • "Em nossa casa, ou espalhados pelo mundo, temos ovos para somar à omelete de experiência de outros";
  • "Jogadores como Luís Maximiano (hoje titular indiscutível), João Palhinha, Francisco Geraldes, Daniel Bragança, Ivanildo Fernandes, Diogo Sousa, Rafael Barbosa, Leonardo Ruiz, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Nuno Mendes, Matheus Nunes, Dimitar Mitrovski, Joelson Fernandes, Diogo Brás, Pedro Mendes ou Pedro Marques têm de ser vistos como o nosso investimento e os nossos maiores reforços";
  • "É fundamental regressar ao tempo pré-Academia, em que os miúdos eram bem tratados no centro de estágio que existia por baixo das bancadas do velhinho e saudoso Estádio José Alvalade, e em que os treinos aconteciam no pelado. Nesse tempo todos queriam jogar no Sporting e foi dessas fornadas que saíram os Cristianos, os Figos, os Futres, os Quaresmas ou os Nanis";
  • "Temos de voltar a formar homens e atletas de excepção. (...) Do que precisamos é de ter novos Aurélios";
  • "Seja quem for Presidente do Sporting Clube de Portugal não pode seguir uma política de comunicação que sirva para iludir e enganar os sócios e adeptos, com frases feitas e chavões mobilizadores. Não! O que é preciso, repito, é ter a coragem de falar VERDADE, por mais dura e dolorosa que ela seja";
  • "Aquilo que pode e deve ser prometido é trabalho, empenho, compromisso e esforço para atingir um objectivo que é o único que, realisticamente, pode ser atingido: assegurar um lugar na edição de 2021/22 da Champions";
  • "(...) Isto é o princípio de um caminho. Porque eu acredito que este clube é viável e que tem futuro".

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02
Mar20

Uma oportunidade perdida


Pedro Azevedo

Ryan Gauld fez um hat-trick no Sábado pelo Farense, depois de ter bisado na semana anterior. Daniel Bragança e Rafael Barbosa marcaram pelo Estoril. Pedro Marques leva 8 golos nos últimos 4 jogos pelo Den Bosch. Matheus Pereira é líder das assistências no Championship, Mama Baldé é o melhor marcador do Dijon na Ligue 1, Domingos Duarte fez parte do 11 Revelação da La Liga para o jornal A Marca, Palhinha tem sido destaque no Braga e já venceu uma Taça da Liga, Leonardo Ruiz é um dos melhores marcadores da Segunda Liga. Para não falar do turco Demiral, contratado pela Juventus e titular nos últimos 7 jogos da equipa de Turim antes de uma lesão o ter deixado inactivo, período durante o qual remeteu para o banco uma contratação de 70 milhões de euros (De Ligt). 

 

A ideia da falta de qualidade da Formação não é provada pelos inúmeros factos. Qual então a razão que justificou esta opinião de Frederico Varandas? Preconceito? Motivos políticos? O que é certo é que a política desportiva assentou neste pressuposto e isso não só provocou o êxodo de vários jovens promissores que poderiam ter melhorado o rendimento desportivo da equipa e constituirem-se futuramente como importantes mais-valias para o clube como motivou uma ida ao mercado que se saldou por 15 jogadores contratados, cerca de 50 milhões de euros investidos, custos salariais desnecessários e incomportáveis para a realidade da SAD, aumento dos custos de financiamento devido à antecipação das receitas da NOS e subida da rúbrica de Fornecedores no Balanço para 56.7 milhões de euros, dos quais 50.7 milhões a pagar no curto-prazo (corrente, até 1 ano). O impacto total desta desastrosa política desportiva ainda está por fazer. Mas olhando para o R&C do 1º semestre de 2019/20 uma coisa é clara e inequívoca: durante o 2º trimestre da corrente época, o Sporting perdeu mais de 18 milhões de euros, facto absolutamente relevante atendendo a que este trimestre é o único que não é influenciado pelas janelas de transferências e reflecte verdadeiramente a realidade operacional da SAD. 

 

Aquando dos terríveis acontecimentos de Alcochete o Sporting tinha 9/10 jogadores de qualidade acima da média. Frederico Varandas herdou 6. Com o tempo foi vendendo quase todos, de Nani a Bruno Fernandes, passando por Raphinha e Dost. Sobram Mathieu e Acuña. Simultaneamente investindo em quantidade, à medida em que ia alienando a qualidade com o pretexto nalguns casos de contenção da despesa. Desperdiçando muito do potencial existente na Academia, subordinando-a à importanção de jogadores de classe média/baixa. Uma crise como a motivada por Alcochete teria sempre de ser encarada como uma ameaça à sustentabilidade do clube. Mas seria também uma oportunidade. Uma oportunidade de saneamento financeiro do clube, potenciando e optimizando os recursos disponíveis na nossa Formação através de uma abordagem transversal ao futebol. Infelizmente, tudo isto foi ingloriamente perdido em nome de uma política desportiva autista que promete vir a transformar o exercício de 2020/21 numa assustadora realidade do ponto de vista económico e financeiro. É impossível rever-me nisto, é impossível não temer o futuro perante isto. 

 

P.S. Agora, posteriormente às minhas críticas sobre os elevados custos do plantel face à sua qualidade e política desportiva em geral, um jornal visto como próximo da actual entourage leonina fala em maior critério na construção do plantel. É curioso e tomo a devida nota, até dado o actual estado das finanças leoninas e a sua debilíssima situação económica (vidé o deterioramento do Activo) que aqui apontei há pouco tempo atrás num artigo a que chamei "A realidade inconveniente". Após terem sido vendidos os anéis e não lapidados os diamantes da Formação. Por isso, candidamente, a Direcção leonina pretende agora que aceitemos os erros cometidos neste ano e meio como um estágio. Transmitindo que vai "emendar a mão", assim pedindo créditos para mais uma "volta". Quando há 6 meses atrás acusava os críticos da sua política desportiva de ignorantes em matéria de futebol e/ou desonestos intelectualmente enquanto destes zombava com o termo "contratações cirúrgicas". Mas alguém no seu perfeito juízo considera ter Frederico Varandas e seus pares condições para planear mais uma época desportiva? Os mandatos são para cumprir? Sim, em teoria. Na prática não, quando o bem maior, leia-se a perenidade da instituição, se sobrepuser. É que uma coisa é a solidariedade com os sócios e suas decisões e a democracia interna do clube, outra, bem diferente, é ser cúmplice e pelo silêncio caucionar um caminho que inevitavelmente conduzirá o Sporting ao abismo (se é que, numa versão não tão optimista, não nos encontramos já à beira do mesmo). 

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26
Fev20

Futebol de autor ou futebol de cada treinador?(*)


Pedro Azevedo

Numa altura em que o Record pôs a circular o nome de um putativo futuro treinador do Sporting, não descurando que tal possa ser a lebre para o início da corrida de galgos, creio ser importante deixar aqui uma reflexão publicada neste blogue em 16 de Julho do ano passado sobre essa matéria: 

 

Olhando para o futebol do Barcelona ou do Ajax de Amesterdão é claro que está presente uma filosofia de base e um conjunto de princípios que são incorporados desde a Formação. Por exemplo, um jogador como o holandês De Jong dificilmente poderia jogar numa equipa que não tivesse o mesmo entendimento do que é pretendido para a posição "6", isto é, que não desse prioridade à construção naquela zona do terreno. Talvez não tenha sido por acaso que o Barcelona, que sempre soube adaptar princípios da escola holandesa - ou Rinus Michels, Cruijff e Neeskens, numa primeira fase, Koeman, Witschge, o filho de Cruijff, Reiziger, Cocu, Zenden, os irmãos De Boer, Bogarde, Van Bronckhorst, Davids, Van Bommel e Cillessen, numa segunda fase não tivessem passado por lá - , não tenha hesitado na aquisição de De Jong, pagando por ele a módica quantia de 75 milhões de euros. 

 

A adopção de princípios de jogo na equipa principal comuns aos ensinados na Formação tem a vantagem de melhor poder potenciar os jovens, não se perdendo tantos na transição para sénior. No Sporting, entre outras razões que tenho discutido com os Leitores noutros Posts, muitos médios provenientes da Academia tiveram dificuldades na compreensão do 4-4-2 (Jorge Jesus) face ao 4-3-3 a que estavam habituados, especialmente os médios atacantes, de transição e os alas. Igualmente, não sendo tão clara a nível sénior a cultura de posse de bola, o que é pedido a alguns médios defensivos é mais repressão e menos imaginação, independentemente do sistema táctico adoptado, o que explica em parte as dificuldades que um Daniel Bragança ou um Matheus Nunes actualmente poderão sentir.

 

A pergunta que deixo para reflexão aos Leitores é se entendem que um clube formador de excelência como o Sporting deve ser autor da sua própria filosofia de jogo, formando os seus próprios treinadores ou indo ao mercado procurar treinadores que se adequem a essa filosofia, ou, em alternativa, se consideram que essa filosofia deve variar consoante cada novo treinador, podendo retirar-se daí algumas vantagens (entre as desvantagens que citei) provenientes dos jogadores se enriquecerem mais tacticamente pela utilização de diversos sistemas?

 

(*) Publicado anteriormente pelo autor em Castigo Máximo

25
Fev20

O Xico


Pedro Azevedo

"Ó Xico, Ó Xico
Onde te foste meter?
Ó Xico, Ó Xico
Não me faças mais sofrer" - "Xico", Luísa Sobral

 

Tenho uma ténue recordação do dia em que nasceu. Vários de nós foram papás nessa época e o Sérgio, na época um jovem (como eu) sempre transbordando de alegria e sentido de humor, trabalhava a poucos metros de mim, na mesma empresa. Seguimos caminhos diferentes e só uns bons anos mais tarde me apercebi de que o Francisco que jogava nas camadas jovens do meu Sporting era filho do outrora meu colega. Obviamente, tal fez-me seguir com redobrado interesse o seu desenvolvimento enquanto futebolista. 

 

O Xico nasceu para o futebol numa época em que os "trequartisti", maestros de condução de todo o jogo, começavam a ser substituídos por instrumentistas versáteis quando não por tocadores de bombo. Olhando por esse prisma, dir-se-ia que falhou o encontro com a história, ao contrário, por exemplo, de Rui Costa, o último "10" puro do futebol português. O Príncipe de Florença ainda viveu um tempo de romantismo no futebol onde aos futebolistas da sua posição era essencialmente pedido que pensassem e construíssem as jogadas atacantes. Também que soubessem marcar o "tempo", acelerando ou abrandando a batuta consoante o que o jogo pedia. Deco já foi um jogador híbrido, de um tempo moderno, tão capaz de destruir como de construir, um dois em um, "8" e "10" ao mesmo tempo. Olhando para Bruno Fernandes já se nota uma diferença significativa. Menos cerebral (embora igualmente inteligente) do que os maestros de outro tempo e por isso não tão dado a temporizações, mas com uma qualidade de remate invulgar que alia a uma óptima técnica individual, adequado timing de passe e uma resistência incomum que lhe permite fazer várias "piscinas" durante um jogo, Bruno é essencialmente um agitador, dinamitador até, um excelente guerrilheiro, sempre pronto a agredir a trincheira onde se refugia o adversário e a defender a sua doe o que doer.

 

Ora, o Geraldes nunca será um Bruno, ele tem muito mais semelhanças com o tipo de jogador que foi Rui Costa. O Xico é um cerebral, que lê e pensa o jogo e ama o passe, especialmente o último, de ruptura. Vê-lo em campo evoca reminiscências de um tempo que já não volta do primado do cérebro sobre o músculo. Um tempo em que havia tempo para criar, onde os campos ainda não estavam cheios de minas, armadilhas e sapadores militarizados e não havia 5 jogadores dispostos a destruir por cada criativo que ia a jogo. Por isso, o sentimento que mais expressa a sensação que tenho quando vejo o Xico é o de nostalgia. Eu sei que esse tempo de outrora não volta para trás, mas com ele no relvado estabelece-se um "faz de conta" em que por momentos eu sonho que tal será possível. Afinal, não é o futebol uma forma de escape à realidade? 

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19
Fev20

A realidade inconveniente


Pedro Azevedo

O Sporting continua a gastar demasiado no futebol para os resultados desportivos que apresenta. Tal concorre para Resultados sem transacção de jogadores fortemente negativos. Eis os principais desequilíbrios verificados a nível da SAD, visíveis através do R&C anual referente à época 2018/19 (não significativamente alterados em 2019/20):

 

  • Resultados Operacionais sem transacção de jogadores negativos em 29 milhões de euros, consequência do lado dos Proveitos da não qualificação para a Champions e do lado dos Custos do não ajustamento dos Custos com Pessoal e dos Fornecimentos e Serviços Externos (FSEs) à nova realidade europeia;
  • Subida das Amortizações para um valor de 30,9 milhões de euros, por via da insuficiente aposta em jovens da Formação (Valor Bruto e Amortização zero) e da aquisição de demasiados jogadores;
  • Resultados Financeiros negativos em 10,4 milhões de euros, devido a um aumento dos custos de financiamento da dívida;
  • Somando estas 3 rúbricas, a Sporting SAD perde 70,3 milhões de euros;
  • Não havendo ajuste dos Custos aos Proveitos, mantendo-se este cenário, a SAD precisará de realizar vendas anuais de 70,3 milhões de euros para não apresentar prejuízos.

 

Olhando para este cenário, é óbvio para todos que a realidade está muito longe da desejada sustentabilidade. Acresce que os resultados desportivos não justificam de todo o investimento produzido (aquisição de jogadores) e os gastos gerais em que a SAD incorre anualmente. Tal resulta de uma política desportiva delirante (pardon my french), completamente desfasada dos constrangimentos financeiros da SAD e que privilegia a quantidade em detrimento da qualidade e ignora a Formação. Olhando para a Demonstração de Resultados é perfeitamente identificável o não ajuste dos Custos à quebra de Proveitos motivada pela exclusão da Champions, desequilíbrio que não se reflecte positivamente de nenhuma maneira no desempenho da principal equipa de futebol do clube. Sendo certo que a situação já estava descontrolada nos últimos tempos de Bruno Carvalho, por via de um aumento pronunciado dos custos (cerca de 75 milhões de euros em Custos Com Pessoal) e de investimento (63,7 milhões de euros em 17/18 divididos em diferentes R&C) que estava ainda assim suportado num lote de jogadores de qualidade mas que ficou em parte ameaçado com as rescisões, a não imediata reacção à perda de Proveitos e a Alcochete agudizou o problema. É difícil não pensar que se poderia fazer muito melhor gastando e investindo muito menos. Não são só os benchmarks (referências) de mercado (Braga, Rio Ave, Famalicão) que o indiciam, é também o passado. Por exemplo, se olharmos para a temporada de 2013/14 verificamos o seguinte (face à temporada anterior): corte nos FSEs de 4,3 milhões de euros, redução dos Custos com Pessoal em 16,6 milhões de euros, diminuição no valor das Amortizações em 11,3 milhões de euros devido a uma maior aposta na Formação e melhoria dos Resultados Financeiros em cerca de 3 milhões de euros (menos dívida e renegociação das taxas de juro), para além de menos 3 milhões de euros em provisões. Tudo isto concorreu para uma melhoria dos Resultados da SAD em 38,2 milhões de euros. E os resultados desportivos? Bom, passámos de um 7º lugar em 2012/13 para um 2º lugar (qualificação para a Champions) em 2013/14, demonstrativo de que se pode fazer melhor, de uma forma sustentável, mesmo gastando muito menos. 

 

Conclusão: qualquer pessoa minimamente experiente em "turnaround" de empresas saberá que a actual situação é insustentável e que a aposta na Formação conjugada com uma política desportiva que privilegie a qualidade em detrimento da quantidade é a única solução possível. Ora, perante isto, o investimento de 47 milhões de euros em 15 contratações cirúrgicas em apenas 1 ano tem de ser considerado irresponsável, porque não só veio afectar ainda mais negativamente os Resultados da Sociedade como também não se perspectiva que possa proporcionar mais-valias significativas no futuro que possibilitem a cobertura do défice de exploração da Sociedade. Adicionalmente, a troca constante de treinadores (5 durante o consulado de Frederico Varandas) também não tem proporcionado a estabilidade necessária que mitigue um pouco os erros cometidos nas janelas de transferências. Para além disso, é hoje absolutamente notório um enfraquecimento da qualidade média do plantel face ao momento em que Varandas assumiu a presidência do clube. Nani, Raphinha, Bas Dost e Bruno Fernandes já não estão entre nós, Matheus Pereira, Domingos Duarte, Mama Baldé ou Ryan Gauld, jovens que estavam numa linha de sucessão, também não. Perante tudo isto, torna-se complicado perspectivar como a SAD conseguirá viver a partir de 2020/21, nomeadamente sabendo-se que sem cortar na despesa terá um défice de cerca de 70 milhões de euros e poucos jogadores de qualidade para o cobrir. 

 

Epílogo: Se Alcochete foi uma Tragédia Grega, na minha opinião a gestão produzida na SAD durante esta temporada deve ser encarada como uma nova peripécia dessa mesma Tragédia. À exuberância irracional do posicionamento de Bruno Carvalho nos últimos meses da sua presidência seguiu-se o preconceito com a Formação e o deslumbramento ("fácil, fácil") da política desportiva, tudo isto concorrendo para a situação dramática que actualmente se vive, que consiste em resultados desportivos medíocres e numa situação económica (a financeira resolveu-se apenas para esta época) deplorável e em constante deterioração. É urgente parar isto!

SAD.jpeg

18
Fev20

Liga Europa - A hora de Jovane?


Pedro Azevedo

Absolutamente decisivo em 3 dos últimos 4 jogos do Sporting - um bracarense, em cima do risco de golo, evitou o pleno - , o que mais terá Jovane Cabral de fazer para merecer a titularidade? E não me refiro a 1 jogo para experimentar, mas sim a uma série que lhe proporcione a tranquilidade que tantas vezes tem sido dada a quem porventura não tem feito o suficiente para a merecer. Para que definitivamente não se enraíze a ideia de que Jovane só serve como arma secreta, algo que teria de ser visto como bizarro à luz da pólvora seca comummente usada como 1ª opção. 

jovanesportingfeirense.jpg

 

05
Fev20

CR35!!


Pedro Azevedo

Esforço, dedicação, devoção e glória. Sempre o primeiro a chegar aos treinos e dos últimos a sair após uma recuperadora sessão de crioterapia, encontra nova motivação após cada recorde quebrado, a cada título individual ou colectivo conquistado. Campeão europeu e vencedor da Liga das Nações da UEFA por Portugal, 5 Champions por Real (4) e Manchester United (1), 5 Bolas de Ouro de melhor jogador do mundo. Parabéns Cristiano Ronaldo! Haverá alguém nos relvados que corporize melhor o lema do nosso Sporting Clube de Portugal? Infelizmente, hoje em dia não o podemos ver de leão ao peito. Mas, quem sabe se um dia não o voltaremos a ver de verde-e-branco a marcar golos como estes que deixo aqui em galeria...

1º golo pelo Sporting

1º golo pelo Manchester United

1º golo pelo Real Madrid

1º golo pela Juventus

1º golo por Portugal

Golo de bicicleta

Golos de calcanhar

Incríveis golos de cabeça

Melhores golos de livre

AND COUNTING!!!

31
Jan20

Ó "Evaristo", tens cá disto?


Pedro Azevedo

Matheus Nunes marcou este golo hoje em Coimbra. Na semana passada, no Estoril, fez a prodigiosa assistência que se pode observar no vídeo em anexo. É caso para perguntar: Silas, há melhor que o Matheus no plantel principal? O nosso treinador lá vai dizendo que Matheus está quase, quase, mas a hora parece nunca mais chegar a este "Pátio das Cantigas" (o Jesé que o diga, sem aspas)... 

29
Jan20

E depois do adeus


Pedro Azevedo

Bruno Fernandes está de saída para o Manchester United e a pergunta que se impõe é como será o futuro desportivo e financeiro do Sporting após a despedida do maiato. Se do ponto de vista desportivo há um óbvio enfraquecimento de qualidade, em termos financeiros a SAD dos leões deverá conseguir fechar a época 19/20 com um Resultado positivo. O problema coloca-se daí para diante. Com um défice estrutural nos Resultados (Operacionais+Amortizações) de cerca de 65 milhões de euros anuais, a SAD está obrigada no actual contexto a vender jogadores todos os anos para suprir esse "gap". O problema é que começa a faltar qualidade no plantel que o permita: Acuña, depois de Bruno o nosso jogador mais valioso, terá um valor de mercado de 20 milhões de euros e Mathieu, outro jogador de qualidade, já não tem um valor de mercado relevante devido à idade. Acresce que os jogadores contratados desde Janeiro de 2019 ainda não mostraram estar num patamar competitivo que lhes proporcione uma rápida valorização e os jovens da Academia não têm tido oportunidades significativas que lhes permitam desenvolver-se desportivamente e futuramente ver a sua cotação subir. Assim sendo, ficam mais expostos os erros cometidos nas janelas de transferência do ano passado onde investimos 40 milhões de euros que a valores de mercado actuais deverão valer seguramente menos. Como resolver então o problema estrutural não emagrecendo Custos com Pessoal (continuam a valores incomportáveis) e FSEs (a subir)? Vender toda a equipa não será solução...

 

P.S. Uma eventual não qualificação para as provas uefeiras só acentuará o problema.

bruno fernandes.jpg

"E depois do amor

E depois de nós

O adeus...

O ficarmos sós"

21
Jan20

A causa das coisas(*)


Pedro Azevedo

Recupero aqui um Post escrito em 15 de Junho de 2019 que ainda me parece estar actual. Faço-o na expectativa de despertar consciências, na Direcção e sócios e adeptos do clube, na esperança de que num dia não tão longínquo possa ser perceptível que o Sporting tem um rumo, um timoneiro e umas velas equipadas para beneficiar do vento de popa trazido por um povo irredutível na sua resiliência que só necessita de ser orientado para soprar o seu sportinguismo na direcção certa. Aqui vai, então:

 

Como se depreende do título de um livro escrito por Miguel Esteves Cardoso que marcou a minha geração, nada acontece por acaso. Existem sempre causas que explicam as coisas. No caso do Sporting, a situação até é mais complexa: existem causas e coisas (como no livro do MEC), e é o não sermos fiéis às nossas causas que em parte justifica as coisas que nos acontecem. Confusos? Vou tentar explicar adiante. 

 

Contextualizando, irei recorrer ao antigo presidente João Rocha. No seu tempo, a nossa causa era compreendida por todos. Era não só visível em teoria, mas também na prática. Falamos da aposta na Cidade Desportiva, no ecletismo do clube como forma de influência social e de prestígio nacional e internacional. Nesse tempo, só se gastava o que havia. O que não havia era Passivo, pelo que a maior ou menor qualidade da equipa de futebol reflectia o dinheiro disponível no início de cada época. Se era necessário reforçar outras modalidades, construir uma nova bancada onde anteriormente havia o peão, ou criar um novo pavilhão (Nave, por baixo da Bancada Nova) em virtude do desaparecimento do antigo (devido ao interface do metro), então já sabíamos que iríamos perder competitividade no futebol, pois as nossas fontes de financiamento eram essencialmente as quotizações dos sócios e os milhares de praticantes/pagantes de ginástica e natação. Ainda assim, num período (13 anos) que coincidiu com a afirmação do Sporting como maior potência desportiva nacional - creio que em 1980, o jornal A Bola atribuiu um prémio (Taça Stromp) ao clube mais eclético do país, baseado nas classificações obtidas por cada clube nas diferentes modalidades, que o Sporting venceu com mais pontos do que todos os outros clubes juntos - o Sporting ganhou 3 títulos de campeão nacional de futebol, a que juntou outras tantas Taças de Portugal e duas Supertaças, num total de 8 troféus conquistados no desporto-rei.

 

Sendo que o ecletismo era a bandeira de João Rocha, a Formação no futebol não era descurada. Pese as péssimas condições em termos de infra-estruturas (um campo pelado, face a 6/7 relvados que o benfica tinha junto ao estádio da Luz), o Sporting começou a produzir bons jogadores com alguma regularidade, essencialmente devido a um conjunto de treinadores/oheiros de eleição onde se destacavam Aurélio Pereira, César Nascimento e Osvaldo Silva. Foi assim que mais jogadores provenientes dos juniores começaram a aparecer na equipa principal. A uma primeira fornada composta por Freire, Ademar, Virgílio, Carlos Xavier, Mário Jorge e Pedro Venâncio, seguiu-se uma outra que incluía Paulo Futre, Litos e Fernando Mendes. 

 

Durante os anos que medearam entre a saída de João Rocha e o projecto Roquette, o Sporting foi progressivamente perdendo a sua hegemonia nas modalidades. Primeiro no basquetebol, que já vinha em queda desde os tempos de Rocha (secção suspensa em 82 e reactivada na 3ª divisão em 84), depois nas restantes. Em sentido contrário, a Formação de jogadores foi ganhando outra preponderância, surgindo uma nova geração de talentos composta por Figo, Peixe, Paulo Toreres, Poejo e Porfírio. Com a Nova Ordem, várias modalidades terminaram e a nossa causa passou a ser quase exclusivamente o futebol. Apenas andebol e atletismo se mantiveram, o primeiro por decisão dos sócios em referendo, o segundo devido ao prestígio do Professor Moniz Pereira, o qual ainda assim não foi suficiente para que o novo estádio contemplasse uma pista de atletismo. Não houve pista, mas houve fosso entre adeptos e equipa, literal e metafóricamente falando, algo que já se vinha agudizando desde a criação da sociedade anónima desportiva. A influência dos sócios foi trocada pela dos accionistas e os orçamentos começaram incrementalmente a contemplar capitais alheios provenientes de financiamentos bancários. 

 

A perda de protagonismo do ecletismo foi compensada pelo investimento na Formação. Mais especificamente na criação de infraestruturas que pudessem complementar o trabalho competente realizado por profissionais qualificados nos escalões mais jovens. Surgiu assim a Academia de Alcochete, obra de que Quaresma, Hugo Viana ou Ronaldo já praticamente não usufruiram. Nessa época, o Sporting procurava ter treinadores principais com um cunho formador, de forma a que melhor pudessem ser rendibilizados os talentos da Formação. Mirko Jozic e Lazlo Boloni são exemplos disso. 

 

Não deixa de ser curioso que as únicas duas vezes, em 40 anos, que o Sporting fez a dobradinha no futebol tenham ocorrido quando teve treinadores (Allison e Boloni) que apostavam na Formação. Pelo contrário, quando se tornou um interposto de jogadores trazidos por um Scouting duvidoso e se colocou nas mãos de empresários, o clube bateu no fundo. 

 

O primeiro mandato de Bruno Carvalho teve o mérito de ressuscitar a bandeira do ecletismo e de voltar a mobilizar os sócios. Compreendendo que a distância era um factor não difusor do sportinguismo, o pavilhão das modalidades foi construído. Durante um determinado período, os sócios foram vistos (correctamente!!) como o maior activo do clube e este foi reerguendo-se. Infelizmente, aos poucos, os contributos dos sócios começaram a ser vistos com desconfiança e a crítica construtiva vista como se partisse de uma oposição organizada, pelo que a liderança, até aí inspiradora, foi tornando-se mais e mais musculada. Até acontecer o que todos sabemos.

 

Todo este arrazoado serve para concluir que nem sempre fomos fiéis às nossas causas. Na minha opinião, a fidelidade a essas causas será determinante para o futuro do clube. Se o ecletismo gera influência social (uma forma de poder), associativismo e cultura de vitória, a Formação é essencial ao modelo de sustentabilidade. Como tal, qualquer tipo de tergiversão afastar-nos-á definitivamente do bom caminho. Por outro lado, o Sporting é um clube de sócios que tem de ser para os sócios. O presidente do clube existe para fazer felizes os sócios e para criar condições de perenidade do clube. Se não, qual seria o propósito da existência de um presidente e de um Conselho Directivo? Temos de ser claros e determinados na defesa das nossas causas, porque elas são os meios necessários à nossa prosperidade desportiva e financeira e à nossa força social. Por isso, temos de adequar a prática à teoria. Não basta dizer que se aposta na Formação, há que criar condições para que isso se materialize na equipa principal. E há que ter convicções: se a Formação nos últimos anos não foi boa, por que razão continuamos a renovar contratos com jogadores de 23/24 anos que nunca tiveram oportunidades? Se esses jogadores cumpriram um trajecto na extinta equipa B e ainda assim nunca tiveram hipóteses na equipa principal, por que razão defendemos tanto a existência dessa equipa? Se os actuais juniores não têm qualidade, porquê renovar-lhes o contrato? Se o treinador principal não aposta na Formação, qual a razão porque dizemos que o contratámos pelo seu perfil de formador? E qual a razão, perante cofres minguados, para continuarmos a comprar tantos jogadores que não façam a diferença? Um clube para os sócios não deve confundi-los. Deve, isso sim, ter uma mensagem clara e que faça sentido para todos. Uma mensagem que deve ser desprovida de politiquices e que elucide os sócios. Quanto aos sócios, estes devem colocar o clube acima de tudo. Às vezes olho para o Sporting e parece-me um partido político, cheio de prosélitos deste e daquele. Não se pode construir nada polarizando pela negativa, como também não se pode governar muito tempo escorado no anti-qualquer coisa, mas sim pela força de um projecto. As ideias, e sua implementação, têm de se traduzir no dia-a-dia do clube. O meio-caminho não é um caminho. Na vida, os atalhos saem sempre caros. A nossa história, recente e menos recente, assim o diz. Mas há uma vantagem muito grande em falhar: a aprendizagem que se recolhe. O erro é fundamental na vida. Por razões de insegurança, os portugueses repudiam o erro. Por isso, em Portugal, a culpa morre sempre solteira. Mas errar é bom (ao contrário da inacção, que é radical), nomeadamente se se traduzir em aprendizagem para o futuro. Agora, sermos autistas, não lermos os sinais, não analisarmos o processo, é ficarmos à espera que um dia os resultados nos mostrem como estávamos profundamente ilusionados. Porque, tal como ensina Kundera (adaptando à nossa realidade), é desta insustentável leveza do ser sportinguista que se faz o peso da nossa existência de muitos anos sem campeonatos e sem sustentabilidade. 

 

Não podemos continuar a sacrificar a próxima geração em função do próximo jogo. Não se pode adiar o inadiável em função de putativos resultados imediatos. O importante na vida é o processo. Os resultados podem disfarçar no curto-prazo a falta de estratégia. O problema é que quando os resultados deixam de aparecer ficamos com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Assim é o Sporting: a meio caminho entre a pesada herança e os 40 milhões de euros investidos num ano sob a presidência de Frederico Varandas. Gastando onde não se deve, acabamos sujeitos a ter de vender quem tem qualidade, enfraquecendo cada vez mais a equipa. Num ciclo não-virtuoso. A Formação? Segue dentro de momentos. Primeiro, um pequeno interregno para compromissos comerciais. 

 

(*) Republicação

virgílio.jpg

20
Jan20

Remendar e preparar o futuro


Pedro Azevedo

IN - OUT

Quaresma - Ilori (empréstimo com cláusula de compra €3M)

Matheus Nunes - Eduardo (empréstimo com cláusula de compra €5M)

Nuno Mendes - Borja (empréstimo com cláusula de compra €5M)

Joelson - Jesé (fim empréstimo)

João Oliveira - Rosier (empréstimo com cláusula de compra €10M)

Amin Younes (ala, Nápoles, €7.5M) - Bolasie (fim empréstimo)

Gonçalo Inácio (subir já definitivamente aos sub-23 e treinar com os séniores para preparar a sua integração no plantel principal em 20/21)

 

OUT (definitivo)

Wendel (€20M)

Luiz Phellype (€8M)

 

IN

Daniel Bragança (interrupção empréstimo)

Gelson Dala (interrupção empréstimo)

Francisco Geraldes (interrupção empréstimo)

Mbwana Samatta (ponta de lança, Genk, €10M e concorrência do Aston Villa)

 

EMPRÉSTIMOS SEM CLÁUSULA DE COMPRA

Jovane Cabral

Miguel Luís

 

Plantel (25 jogadores): Max, Renan e Diogo Sousa; Ristovski, João Oliveira, Coates, Quaresma, Neto, Mathieu, Acuña e Nuno Mendes; Doumbia, Daniel Bragança, Battaglia, Matheus Nunes, Bruno Fernandes e Francisco Geraldes; Joelson, Rafael Camacho, Gonzalo Plata, Amin Younes, Vietto, Pedro Mendes, Gelson Dala e Mbwana Samatta. 

16
Jan20

O estranho caso de Matheus Nunes


Pedro Azevedo

Um dia (antevisão do jogo com o Santa Clara) Silas diz que com elevada probabilidade ele rapidamente será opção - nomeando-o como um dos que estão mais perto de jogar pela equipa principal, com quem aliás já treina continuadamente - , num outro dia é suplente dos sub-23 treinados por Leonel Pontes na recente deslocação a Santa Maria da Feira após não ter participado nos dois anteriores jogos da mesma equipa (que aliás não ganhámos). Este é o dia-a-dia de Matheus Nunes, um jogador de quem ainda recentemente os adeptos leoninos voltaram a ouvir falar pela boca do capitão Bruno Fernandes, que referiu ser o brasileiro o jovem com mais condições de entrar na equipa do Sporting. Simplesmente, não só continua a não ser opção para Silas como agora também não joga e ganha ritmo com Leonel. Visto de fora, penso que isto carece de uma explicação. Sob pena de, não havendo, ficarmos a pensar que a articulação entre equipa principal e a Formação não está a funcionar devidamente e que isso não só não facilita a integração dos jovens ao mais alto nível como também não serve ao Sporting e à sua sustentabilidade. 

MatheusNunes.jpg

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