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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

17
Nov21

O futuro


Pedro Azevedo

O maior problema que vejo na Selecção portuguesa é a coexistência de vários jogadores que querem a bola no pé e a precariedade de futebolistas que procurem o espaço. É dos cânones do futebol, sem desmarcação não há passe. Aquilo que se oferece como básico não assiste à equipa de Portugal, não se estranhando assim que o nosso jogo se afigure como incaracterístico. Na verdade, Portugal está numa encruzilhada: não assume um jogo de transições nem opta claramente pelo ataque organizado. Se a opção fosse por estrategicamente entregar a bola ao adversário e procurar o contra-ataque, então uma equipa pressionante e com jogadores papa-léguas deveria ter Palhinha por detrás de uma dupla de médios constituída por Renato Sanches e Matheus Nunes. Podendo Bernardo Silva, ou Bruno Fernandes, ser o quarto homem do meio-campo, estabelecendo-se assim um losango. Na frente, Jota jogaria no limite da linha de fora de jogo, e Ronaldo seria o homem solto que apareceria no momento certo; mas se a ideia prevalecente fosse o ataque organizado, então o jogo posicional de Portugal exigiria quem se desse ao passe, se desmarcasse e garantisse também profundidade, um campo grande na hora de ter posse. Para isso teríamos de jogar com alas, colocando Jota na esquerda e Rafa na direita. Nessa ideia de jogo haveria 3 médios: Palhinha na contenção. Matheus ou Renato na transição, Bruno ou Bernardo na organização. Em qualquer ideia que vise o sucesso Palhinha tem de ser considerado, porque só ele actualmente garante que a nossa Selecção possa jogar 10 metros mais à frente, algo que Danilo não oferece (por defesa própria encosta-se aos centrais) e William, nesta altura da sua carreira, não faz com a intensidade necessária; alternativamente a esta última ideia, o 3-4-3 (e não o 3-5-2, por este expôr mais os laterais) poderia ser equacionado. Com Pepe, Rúben Dias e Inácio (Duarte ou Fonte) como centrais, Cancelo e Nuno Mendes (Guerreiro) dariam a profundidade nas alas. O meio campo contaria com Palhinha e Sanches ou Matheus, e a acompanhar Ronaldo poderiam aparecer dois mestres no jogo entre-linhas (Pote e Bruno Fernandes).

Parece-me portanto óbvio que Portugal neste momento ficou a meio caminho. Um meio caminho de coisa nenhuma, pai de todos os equívocos. E é sobre isso que cumpre reflectir. Quem? Esse trabalho só poderá caber ao selecionador nacional. Até porque os jogadores estarão concentrados e focados nos seus clubes e só a 21 de Março regressarão aos trabalhos d'A Equipa de Todos Nós. E uma firme ideia de jogo será um bom passo no sentido do sucesso futuro. Não se pode é pedir mais tempo para depois desperdiçá-lo ingloriamente. Isso não. Algo, por conseguinte, terá de mudar. 

PS: Sobre a análise do Portugal-Sérvia, excelente o título "A fé não calça botas", de Hugo Tavares da Silva no Tribuna Expresso (mas "A fé não calça chuteiras" seria melhor ainda). Aqui fica o meu humilde tributo ao autor. 

15
Nov21

Tudo ao molho e fé em Deus

“Primavera Marcelista” ou Revolução?


Pedro Azevedo

Portugal venceu o Euro 2016, ganhando somente um jogo nos 90 minutos. Quem viu o copo meio cheio atribuiu o título europeu à resiliência e crença de jogadores e equipa técnica, os outros creditaram-no ao animal sagrado da Índia (possível reminiscência imperialista por Goa, Damão ou Diu terem sido nossas). O que é certo é que essa conquista instaurou a ditadura dos resultados. Portugal ganhava, e pouco interessava que o seu jogo colectivo rivalizasse com o "poderoso"  Liechtenstein, sentimento que se acentuou com novo triunfo europeu, agora na Liga das Nações. E assim fomos andando, ao ponto de o endurecimento da ditadura (dos resultados) implicar que goleadas por 0-0 fossem bem aceites pela maioria. Até que chegaram os sérvios, tão criticados por históricamente não conseguirem formar uma equipa minimamente condizente com a valia individual dos seus jogadores, e mostraram que o "rei" ia nu. Seguir-se-á a "Primavera Marcelista" (em Março), na esperança de que o desanuviamento (das exibições) se alie aos resultados e o povo se alegre. Se não resultar, Abril será mês de revolução (aonde é que eu já vi isto?). 

P.S.1. É impressão minha ou, após tanto debate à volta da melhor forma de encaixar as condições climatéricas do local onde vai ser jogado o próximo campeonato do mundo no calendário, o Qatar ficou subitamente muito mais frio?  

P.S.2. Algo terá de estar substancialmente errado quando um lateral com o balanço ofensivo e a categoria de João Cancelo passa um jogo inteiro sem ultrapassar a linha do meio campo. 

P.S.3. Clubite à parte, a opção inicial por Danilo em detrimento de Palhinha (para jogar em 4-3-3 e não em 5-3-2, que mesmo mais tarde o 3-5-2 nunca apareceu em campo) parece-me muito pouco defensável. 

03
Set21

A ver jogar Portugal


Pedro Azevedo

Demasiados jogadores a pedirem a bola no pé e poucos a procurarem o espaço, eis a selecção portuguesa de futebol. Some-se a proverbial falta de objectividade no remate por parte da maioria dos jogadores lusos - demasiados toques na bola na hora de chutar à baliza, a anos-luz daquilo que vemos qualquer inglês ou alemão fazer - e estão explicadas as dificuldades encontradas por Portugal para bater uma frágil República da Irlanda.

 

Com apenas Diogo Jota e os laterais a desmarcarem-se, Portugal torna-se uma equipa previsível e muito dependente do génio da lâmpada que uma das suas inúmeras individualidades pode libertar. Tal torna-se ainda mais evidente quando o adversário estaciona o autocarro, condicionante que geralmente é suficiente para bloquear a engrenagem por as nossas variações do centro de jogo não serem suficientemente rápidas (ou devido à ineficácia do nosso jogo interior). 

 

Não surpreende assim que o suspeito do costume tenha sido a solução para resolver o problema que os "leprechaun" irlandeses colocaram a uns gigantes lusos com os pés fartos do barro que Fernando Santos não há modo de libertar. Uma vez mais, foi Cristiano, em dois momentos de atleticidade tonitruante, que nos salvou, elevando-se nas alturas com a aura de um deus do Olimpo do ludopédio. O que choca, ou talvez não se considerarmos o país onde vivemos, é ver Ronaldo dado como acabado e atacado nos media e redes sociais. A tal questão da dependência negativa, dizem eles. Na quarta-feira viu-se... Temo, porém, que um dia lá para a frente ainda venhamos a lamentar a ausência dessa tal tão danosa dependência. Creio até que nesse dia seremos definitivamente independentes... de ilusões. 

 

P.S. Dos 111 golos (180 jogos) de Ronaldo, 59 (62 jogos) foram marcados depois de completar 30 anos.

ronaldo irlanda.jpg

08
Jun19

Santos, o engenheiro do caos


Pedro Azevedo

Quando se soube o resultado do sorteio dos grupos da Liga das Nações, as previsões apontavam para que Portugal encontrasse França e Croácia (finalistas do último Mundial), e ainda a Bélgica, na Final Four da nóvel competição. 

 

Mas quem tem um treinador capaz de ganhar um Campeonato da Europa vencendo apenas 1 jogo (Gales) nos 90 minutos, sabe o poder do efeito borboleta. Relembremos que um improvável golo tardio (nos descontos) da igualmente improvável Islândia havia colocado Portugal no lado mais favorável do quadro dos últimos 16, fugindo a todos os principais favoritos (colocados do outro lado do quadro) e permitindo-lhe defrontar as mais acessíveis Croácia, Polónia e Gales até ao jogo decisivo. Assim, após 3 empates na fase inicial (3º lugar), algo que logo fez lembrar a Itália de 82, 1 jogo vencido nos penáltis (Polónia) e 2 desafios ganhos no prolongamento (um deles, Croácia, na resposta a um remate ao poste da baliza de Patrício), Portugal sagrou-se campeão do velho continente. 

 

Olhando para a organização táctica da equipa lusa no jogo das semi-finais da Liga das Nações, com vários jogadores fora da sua posição natural, nota-se um relevante investimento no planeamento do caos. Isto para os observadores poderá parecer inusitado, mas obedece à superior ordem das coisas: Fernando Santos soube ler os sinais e bateu asas à imaginação no sentido de se adaptar ao enunciado da teoria do caos e dele poder tirar o melhor partido. Por isso, a recorrência de eventos, para muitos erróneamente considerados aleatórios, é apenas a expressão de uma genial modelação do engenheiro, que propositadamente introduziu instabilidade de uma forma recorrente na equipa sabendo de antemão o comportamento futuro desse sistema caótico - utilizando para o efeito um icónico losango de inspiração "risco ao meio" mais próprio de uns anos 80 marcados por camisolas de lã com motivos geométricos e penteados inenarráveis -, algo que seria impossível de prever se o sistema fosse aleatório. 

 

Ou não fosse um engenheiro, onde alguns veem o acaso, Santos estuda o fenómeno representado por sistemas de equações. Nestes, a Holanda, que não conseguiu qualificar-se para o Euro 2016 e para o Mundial 2018, tirará do nosso caminho as favoritas França, Alemanha e Inglaterra, após esta última ter antecipadamente afastado as bem cotadas Espanha e Croácia. Ao mesmo tempo, Portugal passará por uma simpática Polónia e pela pior Itália de sempre até eliminar uma Suiça que alterou a sensibilidade às condições inciais ao eliminar a perigosa Bélgica. 

 

O que a Lorenz custou anos de investigação, laboratórios do MIT e mega-computadores, Santos determinou num espaço de tempo muito curto e em relvados de futebol. Resta-lhe apenas modelar o caos ao contexto de outros continentes, já que na Europa ele está aprovado e comprovado. Estranho é ainda haver quem atribua o seu sucesso à sorte ou à fé, quando afinal ele se deve à forma genial como engenhou a adaptação ao caos. 

fernando santos.jpg

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