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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

21
Jan20

O melhor e o pior de Silas


Pedro Azevedo

Numa época desportiva em que estamos confinados a uma tacinha e  ("wishful thinking" no topo) a uma participação mais ou menos relevante na Liga Europa é natural que a insatisfação dos sócios e adeptos leoninos aponte em todas as direcções. Evidentemente, Silas, como treinador do Sporting, também não está fora do ponto de mira. No entanto, serão justas essas críticas? Na minha opinião, sim e não. Sim, porque entendo que Silas nem sempre faz as escolhas certas, ou, pelo menos, as escolhas adequadas à nossa realidade. Nesse aspecto, nota-se demasiado conservadorismo, insistência em jogadores que se desconcentram e falham em momentos decisivos das partidas, falta de aposta consistente em jovens que objectivamente não são piores que muitas das contratações do último ano e sistemáticas substituições durante o jogo que não têm beneficiado a equipa (pese embora a condicionante da falta de profundidade de soluções). Esses são pontos negativos. Por outro lado, após algumas experiências, o treinador conseguiu estabilizar um sistema táctico e organizar um modelo de jogo que disfarça as evidentes lacunas do plantel como foi visível no Derby e Clássico, para além de comunicar e fazer-se entender melhor a sócios e adeptos que qualquer elemento da Estrutura. Esses são pontos positivos, que até poderão vir a ser potenciados por um pouco mais de golpe de asa. Acresce que Silas, apesar de estar consciente disso quando aceitou o irrecusável repto da SAD leonina, não escolheu o plantel nem teve ainda oportunidade de pôr o seu cunho pessoal nos remendos que serão necessários fazer. A verdade é que estamos a dia 20 de Janeiro e a poucos dias do fecho de Mercado de Inverno nada se alterou, "está tudo como dantes no quartel de Abrantes". É certo que quando a imprensa dá a entender que Silas pretende mais um defesa eu fico confuso e irritado. Confuso, porque um profissional deve entender as condicionantes da entidade que lhe paga, irritado porque provavelmente ninguém lhe transmite uma das marcas identitárias do clube (conjuntamente com o ecletismo), a Formação. Já perdemos Demiral e Domingos Duarte porque sucessivos treinadores e direcções entenderam que ainda não estavam prontos. Em vez deles escolhemos Marcelo, Ilori ou Neto. Depois, imediatamente antes de se lesionar com gravidade, o turco já tinha mandado para o banco um craque holandês contratado pela Juventus por 70 milhões de euros e Domingos foi escolhido para o Onze Revelação da Liga espanhola. Podia dar outros exemplos, mas a falta de estratégia de uma Direcção a meu ver pesa mais do que os apetites de ocasião de um treinador, pelo que a ordem para apostar na prata da casa deve sempre vir de cima. A não ser que, numa lógica "bottom-up", por um bambúrrio de sorte aterrasse em Alvalade um novo Malcolm Allison, um Big Mal que exterminasse o "big" mal do Sporting actual: a falta de convicções e a obstinação em não fazer o que tem de ser feito. Infelizmente, Silas não é Allison. As suas apostas em jovens são tímidas e enfermam da mesma falta de convicção que também se sente em cima. Por isso, Rodrigo foi sempre substituído até ao intervalo e desapareceu, Matheus Nunes está próximo "ma non troppo", Pedro Mendes entra sempre como pronto-socorro como se fosse legítimo pedir a um jovem que seja bombeiro e salvador da pátria ao mesmo tempo e Quaresma é preterido por Ilori de forma a que os sportinguistas sejam "queimados" em vez dele. Se para alguns isto é aposta na Formação, o que dizer do inglês que deu um total de 187 jogos a um misto de 6 jogadores jovens formado por Carlos Xavier, Mário Jorge, Virgílio (totalista, com 45 jogos), Ademar, Freire e Alberto? Pois é... Narrativas...

 

Posto isto, desde que Frederico Varandas entrou em funções já tivemos 5 treinadores. Desde Peseiro, Tiago Fernandes, Marcel Keizer, até Leonel "sem prazo e com uma missão" Pontes todos sentiram o chicote. Inclusivé Keizer, vendido anteriormente aos sócios e adeptos como um treinador de projecto, a decisão até hoje mais coerente desta Direcção, na medida em que não havendo qualquer projecto não se justificaria que um treinador personificasse o vazio. Adicionalmente, olhando para o R&C do 1ºTrimestre desta época de 19/20 pode verificar-se que o Sporting pagou 5.4M€ em indemnizações a treinadores e jogadores. Deste modo, defendo que Silas fique até ao final da temporada ou, pelo menos, enquanto esta Direcção continue em funções. Primeiro, porque o histórico da Estrutura encabeçada por Varandas e Viana não recomenda que acertasse em nova escolha, depois porque com este plantel até Jesus Cristo teria dificuldade em replicar o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes aplicado aos jogadores de futebol. E ainda há Bruno, Acuña e Mathieu...

silas scp.jpg

20
Ago19

O Keynesianismo-Keizerismo


Pedro Azevedo

Compramos Direitos Desportivos de futebolistas, sem dinheiro (défice estrutural de cerca de 60 milhões de euros, compras de 35 milhões desde Janeiro), como se fossemos a Reserva Federal Americana. Na verdade, não temos a faculdade permitida a um banco central de imprimir moeda, mas por vezes parece que temos uma rotativa em Alvalade. Também não podemos monetizar a dívida, embora já tenhamos encontrado forma de monetizar os créditos da NOS numa operação de antecipação de proveitos. O que não se entende é que a linha de produção da mina de diamantes sita em Alcochete continue interrompida na sua última estação por falta de artífices convictos e vontade institucional. Ontem, ao mais uma vez olhar para Matheus Nunes (bem contratado em Janeiro último, 500 mil euros por 50% do passe), um brasileiro radicado na Ericeira que o Estoril aí foi descobrir, jogador que pode fazer as posições "6", "8" ou "10" (embora seja como "8" que mais o gosto de vêr) e que na verdade tem tudo - recepção, aceleração com bola, transições rápidas, passe à distância, finta, visão de jogo (cabeça sempre levantada) - ,  fiquei perplexo como pôde não ser promovido à equipa principal, ou pelo menos ter tido a oportunidade de fazer a pré-época. Preferiu-se ir buscar um Eduardo (4 anos mais velho) e assim gastar parte do dinheiro que faria falta para manter Bas Dost. Talento especial que também se conseguiu observar em Mitrovski (grande golo), Quaresma, Plata (tem vindo a melhorar o seu entendimento colectivo do jogo), Joelson, ou mesmo Diogo Brás, há 2 anos quase unanimamente considerado o melhor da sua geração e que procura agora recuperar o tempo perdido, os 3 últimos uns alas que, embora não se espere que venham a ser uns Futres, têm um nível técnico muito superior a um Diaby. Não lapidar e dar talhe a estes jovens ao mais alto nível, tal como a muitos outros que andam por aí emprestados, preferindo importar jogadores de 4/5/6 milhões fora de portas, é um tipo de cegueira a que se deve dar o nome de síndrome do keynesianismo-keizerismo, uma doença "ke-ke" que sucede à exuberância irracional vivida no período BdC/JJ. Ao contrário de outros tipos de cegueira, em que o paciente não vendo tem a percepção e os outros sentidos muito bem apurados, esta é absolutamente lesiva em todos os sentidos. Como tal, urge curar. Por isso, Estrutura e treinador organizem-se, por favor. A bem do Sporting, evidentemente. 

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