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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

05
Set22

Tudo ao molho e fé em Deus

Longa-amarelagem


Pedro Azevedo

O meu nome é Manuel Oliveira e tal como o meu homófono realizo longas-metragens, ou melhor, longas-amarelagens (já lá vou!). Vocês nem imaginam as fitas que eu faço... Mas tudo começa na direcção dos actores: é que o meu maior fascínio é  poder dizer "corta" através de um silvo. No fundo, especializei-me em apitagens a metro que visam o longo-prazo, a reforma. A ver se entro no "CAhiers du Cinema". No entretanto, vou aperfeiçoando a minha obra-prima. Coisa de mestre, mais concretamente de mestre-de-obras e sua prima. É que me falta em talento para um "Aniki" o que me sobra em fôlego para um... apito. Dito isto, na Sexta o dia foi bem produtivo. De tal forma que não houve viv'alma que não saísse do relvado amarelada. (E não foi só do equipamento.)

Hehehe(!), depois não digam que eu é que tenho maus-fígados. [Notas soltas de um jogo onde o Elevador de St Juste nem precisou de subir para ser eficaz e o Edwards sent(enci)ou o adversário.]

21
Fev22

Tudo ao molho e fé em Deus

A 18ª regra


Pedro Azevedo

Segundo o International Board, um jogo de futebol tem só dezassete regras. Soa a pouco. Assim sobra muito espaço para as recomendações. Como a da Lei da Vantagem, que o Malheiro tanto desprezou em Alvalade. Não sendo tal ainda suficiente, há então margem para a criatividade. Pululam assim coisas que não são regras mas se praticam em estádios por todo o país. Como a Lei do Mais Forte, que o Luís Godinho mostrou venerar em Moreira de Cónegos ao preferir ver o que não foi nítido e assim poder deixar de vêr o penálti e expulsão (segundo amarelo) a Uribe que se impunham, expulsão essa que mesmo assumindo o penálti já iria aliás perdoar. Essa lei não consta em nenhum manual oficial. Mas acaba por implicitamente se constituir como a 18ª regra do manual de regras do futebol português, o "Pinto da Costa (A)Board" sobre um jogo de futebol. "All aboard? The night train"... (E tudo começou na noite daquele acidental choque do Godinho contra o combóio em movimento que se chamava Danilo.)

 

Na antecâmara do jogo, o Rúben Amorim abraçou efusivamente o Bruno Pinheiro do Estoril. Por momentos, temi que o venerasse tanto quanto ao Guardiola. Mas não, e o Sporting embalou para uma exibição competente e personalizada. Com boas movimentações e trocas de bolas, o Sporting foi-se envolvendo na área onde o Estoril tinha o autocarro estacionado. E o golo finalmente surgiu, com o Pote a aproveitar o facto de o referido autocarro estar mal travado. E depois houve ainda o alegórico Momento Zidane, de passagem de testemunho no casino que também é o futebol, em que o ex-estorilista Matheus Nunes deu à roleta à frente de um croupier Geraldes que muito prometeu dar cartas no passado mas agora precisa que o levantem do chão como no título do livro do Saramago. 

 

O segundo tempo trouxe-nos a expulsão de Raúl Silva e a confirmação de Slimani. Bem sei que esta coisa de um jogador primeiro tocar na bola e depois isso servir de álibi para poder pôr o seu próximo a fazer tijolo no Cemitério dos Prazeres deve ser um caso muito interessante do ponto de vista de um advogado de defesa, mas o bom senso diz-me que, tal como no caso do Bragança, o jogador foi bem expulso. Quanto ao Slimani, para quem dizia que o homem estava velho, corcunda e já nem corria, aquele sprint de costa a costa, com a bola colada ao pé, deve ter emudecido muito boa gente. Além disso, combinou bem com o resto da equipa, participando na elaboração dos segundo e terceiro golos. Só lhe faltou o golo, mas isso ficará certamente para uma próxima oportunidade. Com um homem a mais, o Sporting dominou ainda mais o jogo. E marcou belos golos, o segundo depois de um toque de magia de Paulinho que isolou Matheus Reis, o terceiro num momento de inspiração de Pablo Sarabia.  

 

Temo que este campeonato se vá definir nos detalhes. O detalhe do penálti marcado a Matheus Reis contra o Braga, o detalhe do penálti e expulsão (a Uribe) perdoados ontem em Moreira (e ainda houve uma mão suspeita de Mbemba), já para não falar no detalhe do golo anulado ao Estoril contra o Porto que nem visionamento do detalhista VAR teve (por ter sido imediatamente anulado pelo árbitro). São já muitos detalhes (pouco ou nada nítidos, daqueles que não caberia ao VAR julgar) a depender dos mesmos, pelo que se calhar os mesmos poder-se-iam entregar a actividades que requeressem esse tipo de rigor, como ourivesaria ou mesmo rendas de bilros. Uma coisa é certa, o futebol ficaria mais rico. (E sempre seriam boas alternativas à consultoria informática, que a vida não é só ciberinsegurança ou empresas alegadamente "cibermulas" do dinheiro.)

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Reis

matheusreis7.jpg

20
Set21

Tudo ao molho e fé em Deus

Levante e ria


Pedro Azevedo

Depois do contacto com uns neerlandeses com nome de desinfectante, os jogadores do Sporting rumaram até à Amoreira com o corpo cheio de tintura de iodo e de mercurocromo. E pensos. Penso, logo desisto (como o Mamede)? Nada disso, ou não fosse um jogo a contar para a Liga Betadine (famosa casa de apostas anti-sépticas), e os nossos valentes rapazes dispuseram-se a trazer ainda mais 3 pontos no corpo para garantir a vitória. 

 

Um jogo no Vale da Amoreira é sempre uma boa promoção do futebol das energias renováveis. Em particular, do vento (eólica), que habitualmente faz-se sentir com inusitada intensidade. Por isso, tanto podemos assistir a golos de baliza a baliza e de canto directo como a testes de aerodinâmica da Ferrari e de outras equipas de competição automóvel. Ferraris não se viram, desde logo porque o JJ nunca foi fã dos ares do Estoril e ainda anda a lidar com o excesso de peças em MaraSeixalnello, pelo que o Rúben Amorim aproveitou para vir experimentar os seus domesticamente vitoriosos minis. E o teste nem correu mal. Bom, se o Adán não tivesse oito braços como um polvo a coisa poderia ter dado para o torto, mas assim deu tempo para que tudo se compusesse. E levou tempo, ai se levou! Por exemplo, foram precisos um cabeçudo, uma rodinha e uma paulada até um corridinho do Paulinho ser interrompido por um estorilista com o pé pesado e fora do ritmo e a dança da sorte nos sorrir. Chegou então o tempo para o reencontro do Xico Geraldes com os Sportinguistas, acto que se proporcionou através do insistente contacto com as canelas dos mesmos. Houve logo quem lhe chamasse um ensaio sobre a cegueira...  

 

Por muito que soprasse o vento foi como se não mexesse um(a) Palhinha. E isso é o melhor que se pode dizer do João, que a seu lado teve o Porro, que marcou um golo, e o Paulinho, que se mexeu muito. O Adán também foi importante, decisivo num momento que poderia ter sido chave do jogo. Regressado, o capitão Coates devolveu serenidade ao trio defensivo. Todos juntos, formaram um quinteto largamente responsável pela nossa importante vitória de ontem.

 

Pois é, parece que estamos de volta. Ou, como diria Mark Twain, as notícias da nossa morte foram manifestamente exageradas. Caímos, é certo, mas ontem o vento indicou levante.

 

Tenor "Tudo ao molho...": João Palhinha

EstorilSporting.jpg

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