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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

12
Jan22

Ecletismo!


Pedro Azevedo

Nesta época de 2021/22 o Sporting continua a mostrar o seu ecletismo. E na Europa, onde o Visconde de Alvalade sempre sonhou ver o clube bater-se com os melhores! Aqui fica um resumo sobre a prestação de várias modalidades: apurados para os oitavos de final na Champions de futebol, os leões irão defrontar o Manchester City; em ténis de mesa, o Sporting logrou igualmente passar a fase de grupos da Champions, indo agora jogar contra os russos do Orenburg nos quartos de final; já no andebol, o Sporting está neste momento entre os 16 clubes que se a fase de grupos terminasse agora (faltam 4 jornadas) estariam qualificados para os oitavos de final. A competição é a segunda por ordem de importância da EHF e denomina-se Liga Europeia: no basquetebol, o Sporting joga na quarta competição europeia por ordem de importância (há uma Euroliga que organiza as duas competições de maior prestígio, onde Barcelona, Real Madrid e Bayern de Munique estão. e à FIBA cabe organizar a Champions e a Europe Cup, prova onde compete o Sporting). A manter-se o actual segundo lugar no seu grupo (faltam 4 jogos), os leões classificar-se-ão para os quartos de final: no voleibol, os leões estão nos oitavos de final da Taça Challenge, a terceira em ordem de importância. De referir que no hóquei em patins, o Sporting, à semelhança de Benfica, Barcelos, Porto, Oliveirense, Barcelona e seis outros, enquanto integrante da Associação Europeia de Clubes, recusou participar nesta edição da Liga Europeia por não concordar com os moldes em que se disputa.

01
Nov21

Máquina de sonhos e de alguns pesadelos


Pedro Azevedo

Fernando Mamede perfaz hoje 70 anos. Atleta com condições físicas ímpares, pecou sempre pela impreparação psicológica nas grandes competições internacionais. Ainda assim, ninguém esquece aquele dia em Estocolmo. Na cidade sueca onde um dia morreu a "razão" (Descartes), renasceu a emoção de ser português. Graças e ele, Mamede, Fernando Mamede, recordista do mundo dos 10000 metros. Uma máquina(!), e um dos melhores atletas que um dia vestiram a camisola do nosso Sporting. Imaginem o que poderia ter sido se a mente tem sempre acompanhado o corpo...

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01
Ago21

Mamona Assassina


Pedro Azevedo

Pulverizou o anterior recorde nacional (superado largamente em 3 dos 6 saltos), ultrapassou a barreira mítica dos 15 metros e obteve a medalha de prata na final no Triplo-Salto. Com este desempenho revelador de um "killer instinct" pouco habitual nas prestações dos portugueses nestes Jogos, Patrícia Mamona reduziu a pó as hipóteses das suas rivais. Só não chegou para a pernilonga venezuelana, mas essa é de um outro planeta. Ah, e o Sporting continua a emprestar atletas medalhados olímpicos ao COP. Dois em dois nestes JO (e Auriol a ser quarta no Peso, a terceira melhor prestação lusa até ao momento) e 8 em 26 (30,8%) no total da história do medalheiro português. Sobe assim para 11 o número de medalhas olímpicas obtidas por atletas ligados contratualmente ao Sporting. 

P.S. Numa final de enormíssimo nível, se Patrícia tem igualado o seu recorde nacional à partida para os Jogos (14,66m) ficaria no sexto lugar. Está tudo dito em relação à prestação superlativa da grande campeã leonina. 

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29
Jul21

Décima medalha


Pedro Azevedo

Depois de Armando Marques (Tiro, Fosso Olímpico) e Carlos Lopes (Atletismo, 10.000m) em Montreal (1976), de novamente o campeoníssimo Lopes (Atletismo, Maratona) em Los Angeles (1984), do polaco Juskowiak (Futebol) em Barcelona (1992), do nigeriano Amunike (Futebol) em Atlanta (1996), de Francis Obikwelu (Atletismo, 100m), Rui Silva (Atletismo, 1.500m) e Ionea Têrlea (Atletismo, 400m barreiras) em Atenas (2004) e de Emanuel Silva (Canoagem, K2 1.000m) em Londres (2012), Jorge Fonseca (Judo, -100Kg) é o mais recente medalhado olímpico português com ligação contratual ao Sporting. Parabéns, Jorge Fonseca! 

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20
Jun21

Glória!


Pedro Azevedo

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Ferran Font bisou e passou o Sporting de novo para a frente do marcador (6-5) e André Girão segurou a vitória ao defender um penálti de Gonçalo Alves a apenas 8 segundos do fim. O Sporting é campeão nacional de hóquei em patins, título que junta ao triunfo na Liga Europa. Uma grande época leonina no hóquei em patins, à semelhança do ocorrido no futebol, futsal e basquetebol.

18
Mai21

39º título europeu


Pedro Azevedo

O hóquei, tal como o amor, é fogo que arde sem se ver. Nesse contentamento descontente, de quem apenas imagina a bola, ganhei fascínio pelo bailado inerente ao jogo. Ainda no Pavilhão dos Desportos, admirei a patinagem artística e a condução de bola de António Livramento e fiquei muitas vezes maravilhado com a habilidade e as fintas do Chana, tendo esses sido para mim os maiores expoentes da modalidade. Para quem não valorize a estética, o hóquei não ganhará muito na transposição da rádio para a televisão, podendo até dizer-se que a emoção será maior pela rádio. A propósito, ainda me recordo de um célebre jogo contra o Voltregá, correspondente à meia-final da primeira Taça dos Campeões que vencemos, e do sentimento com que ouvi cada pincelada de génio com que Livramento e Chana iam pontuando uma exibição que constituiu um render da guarda para os até aí campeões Nogué, Ferrer e companhia. Muitos anos se passaram até podermos voltar a ver o Sporting campeão europeu. E este ano conseguimos o bi-campeonato, o nosso terceiro título na Champions do hóquei. O adversário, tal como no título anterior, voltou a ser o FC Porto, num jogo renhido e apenas decidido no prolongamento. Um Ângelo Girão (de novo) em grande nível e um Romero inspirado fizeram a pequena diferença final no marcador, suficiente para o Sporting possuir agora mais títulos de campeão europeu que Benfica e Porto. Parabéns ao Paulo Freitas e aos jogadores, ao Gilberto Borges, Miguel Afonso e, naturalmente, a Frederico Varandas. Com este triunfo, o Sporting obteve o seu 39º título europeu, o 30º se considerarmos apenas a principal competição de cada modalidade. 

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29
Mar21

A todo o gás em Sines


Pedro Azevedo

Sines foi este fim de semana uma porta de entrada para o contentor de golos com que a equipa de futsal do Sporting presenteou a sua homóloga do Benfica. Em jogo estava a Taça da Liga e a amarração dos encarnados iniciou-se com um golo de Merlim, o mago leonino. Antes do intervalo, Rocha refinou um pouco mais o marcador. No segundo tempo o Sporting chegou até aos 5-0, cortesia de Zicky (por duas vezes, há petróleo na nossa Formação!!!) e Pauleta. O Benfica ainda reduziu para 5-2, mas um último golo do capitão João Matos deixou a diferença final no resultado em águas profundas. Uma grande vitória do Sporting e mais um título na carreira do nosso Nuno Dias.

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20
Out20

Entrada com garras de leão


Pedro Azevedo

Depois de ter ultrapassado a última ronda de qualificação para a Taça EHF - a segunda competição europeia em prestígio (inferior à Champions e superior à Taça Challenge que já conquistámos em duas ocasioões) - eliminando os romenos do Dobogea Sud Constanta, o Sporting estreou-se na fase de grupos da referida competição vencendo fora uma outra equipa proveniente da Roménia, o Dínamo de Bucareste, por 27-25 (16-15 ao intervalo). Com este triunfo, o Sporting é um dos líderes do Grupo B com dois pontos, os mesmos dos alemães do Fuchse Berlin e dos franceses do Nimes. Na próxima jornada (27/10), os leões receberão no Pavilhão João Rocha o já velho conhecido Tatran Presov, uma equipa eslovaca que recentemente encontrámos na Champions e que nesta jornada foi derrotada em casa pelo Nimes (22-28). O IFK Kristianstad, da Suécia, completa este grupo de seis equipas em que se apurarão quatro para os oitavos-de-final da prova. Do lado do Sporting, Pedro Valdés (6 golos) e Carlos Ruesga (5) estiveram em evidência. Por curiosidade, de destacar que Valentin Ghionea, nosso antigo jogador e actualmente no Dínamo, foi o melhor marcador da partida com 8 golos.

10
Out20

João Almeida, o nome da rosa


Pedro Azevedo

Gosto muito de ciclismo e sou um grande fã das grandes voltas velocipédicas (Giro, Tour e Vuelta), em especial das suas etapas de alta montanha. Vivenciei o ocaso de Merckx e a emergência de Hinault, os duelos entre Fignon e Lemond, o domínio de Indurain e a ascensão e queda de Armostrong. Nesse sentido, a edição deste ano do Giro não me tem passado ao lado. Hoje, Castigo Máximo surgirá durante o dia com um fundo rosa em homenagem a João Almeida, ciclista português que acaba de igualar o recorde de Joaquim Agostinho do ciclista português que mais dias se manteve na liderança de uma grande Volta. Deste modo, realçar o feito de João Almeida é também evocar o "Tino de Brejenjas", o melhor ciclista luso de todos os tempos e grande vulto da história do nosso Sporting Clube de Portugal. Acontece que Agostinho, para além de dois pódios consecutivos no Tour, liderou durante 5 dias a Vuelta de 74, corrida que haveria de perder por apenas 11 segundos para o espanhol José Manuel Fuente entre acusações de erro dos cronometristas. Ora, com o fim da etapa de hoje (a 8ª da prova), João Almeida, ciclista de apenas 22 anos, termina assim o seu quinto dia consecutivo na posse da "maglia rosa", a camisola que distingue o líder do Giro de Itália, uma competição inspirada pelo jornal Gazzetta dello Sport que é célebre pela sua impressão em papel cor de rosa. A fazer a sua primeira grande volta, o ciclista das Caldas da Rainha é a mais recente esperança de Portugal voltar a ter um especialista em provas de 3 semanas. É certo que até já tivemos um campeão do mundo, Rui Costa, mas o ciclista que actualmente representa a UAE nunca mostrou a necessária resistência em provas longas. Característica, aliás, que ninguém pode jurar que João Almeida tenha, na medida em que nunca foi testado em competições que durassem para lá de 1 semana. Ainda assim, a liderança do Giro fica-lhe muito bem e será bonita enquanto durar. Parabéns ao João, eterno saudade pelo Agostinho. 

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23
Set20

Cesteiro que faz um cesto, faz um cento


Pedro Azevedo

Quarenta e dois anos depois, o basquetebol do Sporting está de regresso à Champions. A última aventura leonina ocorrera em 30 de Novembro de 1978, quando o Sporting se deslocou ao Luxemburgo para defrontar o BBC Amicale. O jogo saldou-se por uma derrota (99-95) que confirmou a já decidida eliminação dos nossos leões na fase de qualificação para a antiga Taça dos Campeões Europeus, num grupo onde para além dos luxemburgueses estavam os poderosos italianos do Emerson Varese. Apenas por curiosidade, nesse dia alinharam Augusto Baganha, Billy Eason, Carlos Lisboa, Hélder Silva, Leonel Santos, Manuel Sobreiro, Mário Albuquerque, Quim Neves, Rui Pinheiro e Tomané, tendo Eason (30 pontos), Pinheiro (21) e Albuquerque (20) se cotado como os nossos melhores marcadores. 

 

Hoje o Sporting regressou à principal competição europeia de clubes e logo com uma vitória. Na Bulgária, contra os suiços do Fribourg Olympic, os leões venceram por 84-78, apurando-se assim para o jogo decisivo que poderá dar a qualificação (inédita) para a fase de grupos, partida essa que ocorrerá na Sexta-feira contra os bósnios do Igokea, equipa difícil e que beneficia da rodagem que a Liga Adriática de Basquetebol (ABA League) - competição que lhe tem permitido defrontar gigantes como o Cibona Zagreb ou o Estrela Vermelha - lhe vem providenciando. Mas cesteiro que faz um cesto, faz um cento, e que bonito seria sairmos da Bulgária com a qualificação e um primeiro cento (100 pontos) nesta nova aventura europeia!

 

Num pavilhão com cadeiras pintadas de verde, a nossa equipa sentiu-se em casa e partiu para uma exibição sólida e apenas contrariada por um terceiro período menos bom que permitiu a aproximação dos suiços no marcador. Os parciais dos 4 períodos foram, respectivamente, 27-18, 23-18, 16-25 e 18-17. Em termos ofensivos, os jogadores de maior destaque foram Travante Williams (23 pontos), o poste John Fields (20 pontos e 11 ressaltos, duplo-duplo) e James Ellisor (10 pontos). Como pontos a corrigir, de destacar o elevado número de turnovers da nossa equipa (10) e a falta de protecção da zona próxima do cesto em alguns ressaltos defensivos que permitiu algumas segundas bolas aos helvéticos. 

P.S. Aquele afundanço do Fields na cara de um jogador da equipa suiça... O jogador do Fribourg nem teve tempo para anotar a "matrícula do carro" que o atropelou...

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20
Set20

Glórias Leoninas

Ricardo Ferraz


Pedro Azevedo

O "Senhor Boxe" um dia entrou-me pelo pequeno ecrã através da primeira telenovela portuguesa. Era o tempo da produção nacional tentar replicar o modelo dos brasileiros da TV Globo ou Bandeirantes e assim nasceu a Vila Faia. Nessa novela, Ricardo Ferraz, esse era o seu nome, piscava o olho à vida real, representando um treinador de boxe empenhado em ensinar o Pedro, personagem interpretada por um então muito jovem Nuno Homem de Sá. 

 

Ferraz foi uma figura mítica do boxe nacional e do nosso clube, tendo entrado no Sporting como treinador e coordenador da secção em 1961, data do reinício (inaugurada em 1923, pouco tempo depois foi suspensa) da prática da modalidade nos leões, mantendo-se nessas funções até 1989. No seu currículo constam vários campeões e uma equipa que venceu o título nacional por 8 anos consecutivos (13 títulos durante o seu "reinado"). A sua coroa de glória aconteceu em Moscovo 1980, quando o seu atleta Paquito (10 vezes campeão nacional) se conseguiu qualificar para os Jogos Olímpicos, tornando-se no primeiro e até hoje único pugilista português a conseguir tal feito. Outro atleta de eleição que treinou foi Vítor Carvalho (8 títulos de campeão nacional individual).

 

Revolucionário dos métodos de treino em Portugal, era particularmente rigoroso em matéria de disciplina dos atletas, factor que conjugado com um inovador plano alimentar e uma adequada preparação física os levava ao sucesso. "Campeão não é aquele que bate com mais violência, mas sim aquele que aplica os golpes nos pontos vulneráveis do adversário", afirmou um dia aquele para quem a resistência estava tanto nos braços e pernas como no cérebro. E ele bem sabia o que era a resistência, afinal era do Sporting, do nosso Sporting, e um leão nunca se verga. Obrigado, Senhor Ferraz!

01
Jul20

... E o Sporting é o nosso grande amor


Pedro Azevedo

O Sporting perfaz hoje 114 anos de existência. Cento e catorze anos é muito tempo, tanto que só 8 pessoas actualmente entre nós, por sinal senhoras, já eram nascidas quando o Sporting foi fundado. São elas as nipónicas Kane Tanaka, Shigeyo Nakachi e Mina Kitagawa, as gaulesas Lucile Randon e Jeanne Bot, as americanas Hester Ford e Iris Westman e a polaca Tekla Juniewicz.

 

Também não há muitos países cuja criação/independência sejam anteriores ao Sporting. Por exemplo, em África, só o Egipto, a Etiópia, a Libéria e Marrocos têm mais anos que o nosso clube. Na Oceania, apenas a Austrália precede o Sporting e por apenas 5 anos.

 

Perante estes contextos é fácil perceber o quão importante é preservar algo com tanta riqueza histórica e tão precioso e invulgar como o Sporting Clube de Portugal.

 

O Sporting está muito bem acompanhado no que respeita ao dia da fundação, pois a 1 de Julho nasceram também a diva Amália Rodrigues (1920) e o Capitão de Abril Salgueiro Maia (1944). Lá fora, o multi-campeão olímpico Carl Lewis (1961). E faz sentido, independentemente dos seus amores clubísticos! É que, se por um lado somos a voz de revolta de um certo (en)fado português, por outro a nossa visão do desporto sempre procurou promover a liberdade de decisão de todos os clubes e apelar à nobreza de carácter dos seus dirigentes. E temos para apresentar a grandiosidade de um ecletismo que também marca a nossa riquíssima história.  

 

Em 1906, o índice Dow Jones superou pela primeira vez os 100 pontos (25 812 actualmente), as regras do futebol passaram a contemplar o passe para a frente, Ascetic's Silver venceu o mítico Grand National com uma probabilidade de 20/1, o rei D. Carlos I nomeou João Franco como primeiro-ministro, os irmãos Wright conseguiram patentear a sua "máquina voadora", Santos-Dumont voou pela primeira vez, César e Cleópatra (George Bernard Shaw) estreou em NY, a China proibiu o comércio de ópio, o 1º cinema (Omnia Pathe) no mundo abriu em Paris, Reginald Fessenden tornou-se o primeiro radialista a transmitir música e o Irão passou a ser uma monarquia constitucional.  

 

E foi neste contexto muito marcado pelo pioneirismo um pouco por todo o mundo que José Alvalade fundou o Sporting Clube de Portugal em 1 de Julho de 1906, dando-lhe logo o objectivo de ser tão grande como os maiores clubes da Europa. 

 

Muitos parabéns Sporting! Obrigado pela companhia de todos os dias, por toda a glória e pelo privilégio de me poder associar a algo tão grandioso. Por isso, a dívida que tenho para contigo será algo que jamais poderei pagar em vida. Na alegria ou na tristeza, ser do Sporting sempre foi, é e será especial para mim. Muito mais do que um clube, ser do Sporting é idealmente uma forma única de estar na vida e por consequência também no desporto. No respeito pelos nossos concorrentes, na inovação e contributo para um desporto melhor, no saber ganhar e perder (dando sempre tudo para vencer), os alicerces do Sportinguismo. Mas, para nos abrigarmos dos dias tempestuosos, sempre precisámos de um tecto. E o que nos dá cobertura é a esperança inquebrantável que tanto intriga os nossos adversários e a resiliência indelével que nos une. Havemos de voltar a ser muito felizes juntos! Um bom dia para todos os Sportinguistas espalhados pelos 5 continentes. (E venham mais 114, a caminho da eternidade.)

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10
Jun20

Chana


Pedro Azevedo

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Antes ainda do futebol, o Sporting chegou aos meus ouvidos através do hóquei, por via dos relatos que passavam na rádio. Naquele tempo destacava-se um jovem nascido e criado na Linha (de Cascais), cuja formação incluía os Salesianos do Estoril. Foi aí, por influência do Padre Miguel, que Vítor Manuel dos Santos Carvalho, dito Chana, nasceu para o hóquei na Juventude Salesiana. 

Chegado ao Sporting em 71, vi-o jogar pela primeira vez no antigo Pavilhão dos Desportos, hoje "Carlos Lopes", onde o Sporting realizava os seus jogos antes da construção do seu próprio pavilhão, que se viria a situar ao lado do campo pelado. 


O Chana impressionou-me logo, não só pela quantidade de golos que marcava mas também pela elevada execução técnica empregue em cada lance. Em especial, o poder de finta e a codícia com que colocava a bola por cima do ombro dos guarda-redes, o seu ponto de maior vulnerabilidade, muitas vezes de ângulo dir-se-ia impossível, quando não por trás da baliza. 

No início era ele e o Rendeiro, embora o Salema também fosse um jogador a ter em conta. Depois, chegou o Ramalhete e a equipa ganhou outra segurança. Entretanto, o Chana lá ia brilhando, no Sporting como na seleção nacional, sempre como o melhor marcador. Eis então que João Rocha consegue adicionar a essa equipa as "pedradas" de Sobrinho, outro produto da escola salesiana, e Antonio Livramento.

 

Juntar a qualidade ímpar de patinagem e a técnica do "4" com a habilidade especial e a capacidade de remate do "8" hoje aqui evocado fez as delícias dos apaniguados Sportinguistas. O Sporting ao reuni-los conseguiu impor-se a todos os poderosos adversários que se lhe depararam no caminho. Um a um, todos foram caindo, desde o Benfica de Casimiro, Garrancho, Fernando Pereira, José Carlos, Jorge Vicente, Virgilio, Picas e Piruças, passando pelo Porto de Cristiano e Chalupa, o Infante de Sagres dos irmãos Gomes da Costa, ou o Oeiras dos irmãos Rosado, do Salema (ex-Sporting) e do Carvalho que corria e não deslizava sobre os patins e ainda viria a ser nosso.

 

O mesmo aconteceria na Taça dos Campeões, com o Sporting a trazer pela primeira vez na história do hóquei português a taça para o nosso país. Em noites memoráveis, com o Pavilhão de Alvalade a abarrotar, o Sporting começou por dar a volta ao campeão Voltregá (8-3;2-5), de Nogué e Ferrer, para depois desembaraçar-se com facilidade do Villanueva, de Carlos Trullols - o melhor guarda-redes da sua época, que depois do jogo de Alvalade afirmaria ter realizado a melhor exibição da sua carreira - , por 6-0 e 6-3. 

Já no final da sua carreira, recordo ainda dois grandes momentos de Chana. O primeiro, pela seleção nacional, em 82, no Mundial disputado em Barcelos, onde foi preponderante na vitória de Portugal sobre a Espanha, realizando uma exibição memorável com golos de sonho. Outro grande momento já havia vivido na final da Taça das Taças realizada no ano anterior. Após uma derrota em Oviedo, por 4-1, na primeira mão da final, o Sporting precisava de vencer por mais de 3 golos de diferença na segunda mão para arrecadar o troféu. Acresce que as coisas cedo se complicaram ainda mais, quando o Cibelles se colocou em vantagem por 2-1, totalizando uma diferença de 6-2 no cômputo das duas mãos. Eis então que Chana entrou em acção e com 2 golos de rajada voltou a pôr o Sporting na frente no jogo. Ainda assim faltavam 2 golos para empatar a final quando se iniciou o segundo tempo. Chana ainda voltaria a marcar (terceiro golo consecutivo) e com outro golo os leões conseguiram chegar ao final do tempo regulamentar empatados na final (1-4; 5-2). Foi então preciso recorrer-se a um prolongamento. No pavilhão, o calor era imenso e tal já se fazia sentir não só nos espectadores como também em todos os jogadores. Assim, a primeira parte serviu para recarregar baterias. A hipótese dos penaltis começou a parecer cada vez mais real, mas Chana, sempre ele, tinha outras ideias para a segunda parte: primeiro, com um golo soberbo, colocou o Sporting na frente pela primeira vez; depois, serviu primorosamente o regressado Salema para o 7-2 final (8-6 no total). No banco, Livramento, recém-empossado treinador do clube, exultava de alegria. 

Cinco vezes campeão nacional, em duas ocasiões conquistaria também a Taca de Portugal. A nível internacional acumulou Taça dos Campeões e Taça das Taças. Pela seleção nacional jogou 117 vezes e marcou 226 golos, sagrando-se por duas vezes Campeão do Mundo e por três vezes Campeão da Europa. 

Para mim, que vi jogar os dois, é muito difícil dizer quem foi melhor, se Livramento ou Chana. Na verdade, ambos foram extraordinários. No entanto, o meu coração pende para Chana, que venceu mais coisas pelo Sporting e, talvez por nunca ter jogado no nosso rival, sempre me pareceu um pouco injustiçado e sem o reconhecimento devido da imprensa, distinção essa que seria colocarem-no no mesmo patamar de Antonio Livramento. 

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