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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

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Castigo Máximo

25
Nov21

Tudo ao molho e fé em Deus

A alegria do povo


Pedro Azevedo

De Mané Garrincha se dizia ser a "Alegria do Povo". Com o estádio cheio e contra adversários difíceis, Garrincha jogava como se estivesse numa peladinha entre amigos. Nunca acusava a pressão, nem tão pouco temia o circunstancial opositor de um determinado dia. Todos para ele eram "Joões", fossem eles do Flamengo, Fluminense, Vasco, ou da Checoslováquia ou Suécia. Movia-se por puro instinto, e só isso. Todos conheciam a sua finta, mas ninguém o conseguia deter.

 

Penso em Garrincha quando olho para Pedro Gonçalves. Troco apenas o instinto e a arte da revienga de um pela inteligência e assertividade no remate do outro. Quanto ao semi-alheamento comum a ambos, o do Mané tinha mais a ver com a falta de noção enquanto o do Pedro parece propositado e visar melhor enganar o adversário. Partilham porém o facto de ambos serem "cool as a cucumber", imperturbáveis de uma forma quase arrogante, absolutamente confiantes e seguros do seu papel desequilibrador no campo. 

 

Durante meia-hora não se viu o nosso Pote de Ouro no relvado. Mas da primeira vez que se deu por ele foi golo. De uma forma prática, sem adornos desnecessários, a um só toque, sabendo encontrar o espaço ideal para melhor ferir o adversário. Como se de um duende, um leprechaun se tratasse, escondendo-se entre a vegetação (relva) para aparecer de repente, traquino e astuto. Com esse golo, Pedro Gonçalves incendiou um José Alvalade até aí inquieto, possuído pelas dúvidas. É que a forte pressão alemã a meio-campo conseguiu durante muito tempo ofuscar a entrada pressionante dos leões e chegou a temer-se o pior. Mas Coates e Inácio estiveram imperiais na defesa, Matheus e Palhinha correram muito para esbater a inferioridade numérica a meio-campo e o Sporting conseguiu aguentar-se no jogo. Até que apareceu o Pote, uma e outra vez. Da segunda vez a concluir uma brilhante jogada colectiva: Matheus Nunes avançou pela direita, Paulinho amorteceu e deixou para Matheus Reis, este visou a zona de penálti onde Matheus Nunes segurou de costas como um ponta de lança, Sarabia tocou suavemente para a entrada da área e Pote rematou colocado e com uma violência dir-se-ia impossível para um golpe desferido com a parte de dentro do seu pé direito. O Sporting ia para o intervalo com a vantagem ideal que lhe permitia a qualificação imediata para a fase seguinte da Champions. Faltavam, porém, 45 minutos para carimbar essa passagem.

 

Entrámos bem no segundo tempo e uma combinação entre Pote e Sarabia poderia ter dado o terceiro golo não fora o cansaço já evidente do espanhol. Mas acabariam por ser os alemães a cometer o hara-kiri quando Emre Can se fez expulsar por agressão a Porro. Em noite de Pedros, a importância de Porro não se ficaria por aqui, surgindo a recarregar com êxito um penálti desperdiçado por Pote e ganho por Paulinho.  Com o 3-0 e mais um homem no terreno veio uma descompressão que se poderia ter revelado fatal. O jovem Nazinho foi lançado às feras em jogo internacional, os alemães reduziram, a inexperiência nestas andanças veio ao de cima e durante alguns minutos os leões deixaram de trocar a bola com critério, pelo que a ansiedade tomou conta de todos, espectadores incluídos, até ao silvo final do árbitro. Seguiu-se a festa, bem merecida.

 

O Sporting cometeu o feito de se apurar para os oitavos-de-final da Champions, algo que não acontecia desde 2008/09 com Paulo Bento, e o grande arquitecto de tudo isto é o Rúben Amorim. Depois de um início titubeante, quem diria que à quinta jornada já estaríamos apurados? Na vida estanos sempre a aprender, e o Amorim aprende muito depressa. Sagaz, inteligente e de comunicação assertiva, corajoso no lançamento de jovens e providencial na preparação do futuro, Rúben Amorim está na sua cadeira de sonho. Ou melhor, na nossa, porque enquanto ele por cá andar estaremos sempre bem sentados. Sonhando, e dormindo descansados.

 

Tenor "Tudo ao molho...": Pote

pote dortmund.jpg

29
Set21

Tudo ao molho e fé em Deus

Universidade Europeia


Pedro Azevedo

Leio que os nossos jogadores ingressaram na Universidade. Europeia, ao que parece. Uns, como Inácio, Bragança, Porro, Matheus Nunes ou TT, vieram directamente do décimo segundo ano, outros (Neto ou Feddal) são trabalhadores-estudantes que retomam agora os estudos e pretendem completar algumas cadeiras depois de anos de especialização como operários, todos juntos são inexperientes (ou pouco experientes) neste nível educativo. Ao que parece o intercâmbio com outros alunos europeus vem mostrando essas lacunas. Mais adiantados, os holandeses beneficiam de anos do programa Erasmus. E os alemães da Renânia de Norte-Vestfália crescem diariamente com a concorrência interna dos bem preparados alunos bávaros. Um dos nossos maiores problemas reside na falta de compreensão da álgebra elementar. Imagine-se uma zona nevrálgica do terreno que todos povoam pelo menos a três. Se nós só tivermos 2 homens, então precisaremos de um X que adicionado garanta os 3. Posto em equação matemática, teríamos X+2=3, em que X seria igual a 1. A questão é que o Sôtor Amorim insiste que X=0, como se quisesse provar que 2=3. Assim sendo, das duas uma: ou Amorim, através das demonstrações com os seus alunos, ganha o prémio nóbel da matemática, ou então o chumbo é certo. Outra dificuldade com que se deparam os nossos alunos é o da escassez de recursos. É que quem está de fora parece não compreender que não se podem ter desejos humanos quase infinitos num mundo de recursos limitados. Há por isso que continuar a investir na produção própria pois ela tem um baixo custo. Todavia, algumas críticas até podem ser justas, nomeadamente quando havendo poucos recursos se investe fortemente em algo ou alguém que não está sintonizado com o objectivo de uma função. Assim, mais do que cumprir-se com a função de obedecer ao desejo humano de grandeza, está a matar-se simplesmente o desejo. Porém, nem tudo é negativo. Por exemplo, os alunos Matheus Nunes e Pedro Porro vêm mostrando um nível internacional. As suas notas têm sido muito boas e isso prova que que em Portugal também há talento para trabalhar. O Palhinha é outro que tal, porém desatenções como a de ontem poderão revelar-se-lhe fatais. É que a expressão "Watch your Back!" será sempre um ensinamento a recolher, se não quisermos estar na vida de uma forma bizantina. E, por falar em Bizâncio, os turcos (de Istambul) estão já aí ao virar da esquina. Uma boa oportunidade para os nossos alunos mostrarem que não andam na Europa a passear os livros. 

 

Tenor "Tudo ao molho...": Matheus Nunes ("Mustang")

dortmundsport1.jpg

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