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Castigo Máximo

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

De forma colocada, de paradinha, ou até mesmo à Panenka ou Cruijff, marcaremos aqui a actualidade leonina. Analiticamente ou com recurso ao humor, dentro ou fora da caixa, seremos SPORTING sempre.

Castigo Máximo

10
Out20

Panenka


Pedro Azevedo

Antonin Panenka, o médio que fez "czech-mate" à Alemanha na final do Euro 76, recuperou do estado crítico e encontra-se agora estável, embora ainda a necessitar de respiração assistida. Sendo, conjuntamente com Cruijff, um dos dois únicos heróis sem passado no Sporting dos muitos que serviram de inspiração a este blogue, Castigo Máximo não pode deixar de se associar a todos aqueles que à volta do mundo têm vindo a manifestar preocupação com o seu estado de saúde. Na esperança, ou ela não fosse bem Sportinguista, que Panenka invente contra a Covid-19 o mesmo tipo de Ovo de Colombo com que um dia deixou Sepp Maier impotente.

25
Mar20

Viver para reconstruir


Pedro Azevedo

Numa hora destas, em que mais do que o tempo estar parado é a nossa forma de viver que está suspensa, é-me difícil falar de futebol. Vivemos um momento singular onde nos é pedido para sobreviver. Não para desfrutar da vida como Deus a terá imaginado para nós, mas tão só sobreviver. Eu sei, acreditem, assim à partida parece pouco. Não foi essa a vida que escolhi para mim. Nunca me imaginei como um sobrevivente, como alguém capaz de trocar a liberdade de pensamento e de actuação por concessões várias que tantas vezes fazem o Homem perder-se no seu caminho. Mas aqui falamos de outro tipo de sobrevivência, é a nossa comunidade que está em risco. Este pedido que agora nos fazem é justo e vai ao encontro do ideal que persigo de sociedade: uma onde existe um sentido colectivo da vida e uma preocupação com o nosso semelhante e tudo o que nos rodeia. 

 

Tantas e tantas vezes no passado o Homem se isolou dos demais, egoísticamente, de forma interesseira, individualista e egocêntrica. Quis agora o destino que esse isolamento se exprimisse altruisticamente. Eu estou em crer que teremos sucesso nessa tarefa. A confirmar-se, tal como espero, pensem então no que poderíamos fazer enquanto seres humanos se o nosso altruismo se pudesse manifestar sem distanciamento social, todos juntos e com respeito mútuo trabalhando em prol de um projecto comum, de um amor compartilhado. Sem exibicionismos, sem umbiguismos, sem bons nem maus da fita, apenas partilhando o melhor da natureza humana que existe em cada um de nós. Gostaria que fechassem os olhos por um momento e imaginassem um Sporting assim...

 

Um dia, após a tempestade, virá a bonança. Com ela, uma nova era. A reconstrução começará em nós próprios, naquilo que necessitamos mudar para podermos fazer a diferença. Deus não nos pôs no mundo para sermos mais um, e cada um deve saber extrair de si o melhor do seu potencial e entregá-lo à comunidade. Fazer a diferença! O Sporting em que eu acredito também é isso, aquele clube que em pequenino me entrou pelos ouvidos numa onda média da rádio até que uma primeira visita ao estádio transformou a onda num tsunami de emoções que foi crescendo, crescendo, sem parar. Um dia eu quero voltar a ver toda a gente feliz no nosso estádio. Quero de volta o sentimento de partilha. Entre amigos e entre desconhecidos. Desejo que as memórias que cada um tem do clube voltem a ser um património comum. E que isso seja vivido, celebrado, com a alma que marca a nossa identidade, a nossa "leoninidade". 

 

Não há instituições sem homens que as sirvam. Portugal, enquanto nação, necessita do nosso civismo e do nosso sentido de responsabilidade neste momento. Como dizia António Quadros, apropriadamente citado pelo nosso Leitor Miguel Correia, Portugal está no mais fundo de nós, e sem ele seremos menos do que somos. Assim também o é com o Sporting. O clube nunca teria atingido o patamar mais alto se não fosse por esta necessidade que o Homem tem de se ligar a algo muito mais grandioso do que ele. Foi essa necessidade exponencial e exponenciada que tornou o Sporting enorme. Por isso, dos escombros do Sporting actual teremos de recuperar a razão das coisas, aquilo que nos liga e, ligando, nos multiplica. Não o que nos divide. Ter uma ideia diferente para o clube nunca poderá ser uma causa de divisão. Pelo contrário, será outra perspectiva, outra visão, algo que acrescentará. 

 

Eu sei, o Sporting, tal como qualquer outra instituição, não pode estar adiado. Mas neste momento é a nossa vida que está adiada, suspensa pelo tempo. A morte saiu à rua, entra-nos pelos telejornais todos os dias. Se isso não nos fizer reflectir sobre o pó que nós somos no Universo, não sei mais aquilo que nos poderá alertar sobre a fragilidade da nossa condição humana. Guardemos por isso o nosso engenho, a nossa inteligência para a tarefa futura de construção e não de destruição. Gerando humanidade e não desumanidade. Apresentando trabalho e não propaganda. Quando se tem uma visão, um sonho e se pensa primeiro no bem-maior colectivo em detrimento do interesse pessoal, não há caminho impossível de trilhar nem obstáculos ou adamastores suficientemente imponentes que nos possam travar. De resto, a única coisa realmente importante a preservar é a vida, a nossa (de todos nós) e a das instituições a que nos ligamos de forma afectiva e/ou profissional. Mantenham-se saudáveis!

 

#estamosjuntos

 

P.S. O meu louvor à anónima comunidade de profissionais de saúde que tem estado na linha da frente da luta contra a covid-19, muitas vezes sem os meios ou a protecção devida que agora parece que felizmente vão chegar. A esses médicos, enfermeiros e auxiliares o meu agradecimento. Vocês são os meus heróis! Também gostaria de agradecer a todos os portugueses que têm sabido interpretar o que está em causa e que com o seu comportamento responsável e cívico vêm ajudando a conter a propagação da doença. 

22
Mar20

Tudo ao molho e fé em Deus

A paragem do tempo


Pedro Azevedo

Há exactamente duas semanas atrás tinha deixado Alvalade com a certeza de que tínhamos ultrapassado as Aves sem contrair uma gripe. Agora, quinze dias depois, eis-me retido em casa perante a pandemia do coronavírus. Tudo parou: a economia parou, o futebol parou, nós parámos de circular. Dizem-nos que parados é que estamos bem, a ver se o nosso SNS consegue respirar o suficiente para dar conta do recado. Faz sentido, na medida em que este vírus ameaça a nossa vida e a daqueles que estão à nossa volta. Deste modo, pela primeira vez desde que me conheço, ganhar (comprar) tempo passou a ser sinónimo de deixar correr o tempo. Quem diz deixar correr o tempo, diz deixar correr o marfim, algo que, já se sabe, é particularmente caro ao cidadão Jorge Nuno Pinto da Costa. Por falar em Pinto da Costa, o azul e branco é que está a dar. Pelo menos a avaliar pela quantidade de vezes que o usamos para lavar as mãos. Não no sentido que Pilatos (ou o Benfica) lhe deu, bem entendido, que a Covid-19 é uma doença que não nos permite assobiar para o lado (muito menos com um apito), mas como medida essencial de higiéne que visa prevenir o contágio. A prevenção passa também muito pelo civismo e sentido de responsabilidade de cada um. Por ironia, quis o destino que um maior sentido colectivo dos portugueses se viesse a manifestar pelo isolamento físico, a quarentena. Nada que seja novidade para todos os Sportinguistas, habituados que estamos ao isolamento que os senhores do futebol português vêm impondo ao nosso clube ao longo dos anos. Mas, tal como na vida, também no futebol o verde é a cor da esperança. Mesmo sabendo-se que, à falta de comunicação presencial, os emails se vão intensificar...

 

Mantenham-se seguros e saudáveis!

#estamosjuntos

17
Mar20

A vida em isolamento / Teo-19 e o vírus do golo


Pedro Azevedo

Aproveito este tempo de quarentena para relembrar alguns antigos jogadores do Sporting porventura mais caídos em esquecimento. O primeiro que me ocorreu foi Teo Gutierrez, que em Alvalade vestiu uma camisola com o número 19 (da nossa inquietação e descontentamento recentes) estampado nas costas.

 

Para muitos foi sempre um "patinho feio". Excêntrico, protagonizou vários momentos insólitos, desde as novelas dos atrasos no regresso da América do Sul até ao roubo do spray a um árbitro na Liga Europa para comemorar um golo que havia marcado ao Besiktas. Insólita também foi sempre a sua relação com o golo. A ele vi marcar com o peito, a anca, o joelho, as costelas, ou simplesmente como pino desviando um remate de Carrillo que daria a vitória sobre o rival Benfica na Supertaça, como se a bola magicamente o procurasse a caminho do golo e usasse a parte do seu corpo "mais à mão" para o efeito. 

 

A verdade é que Teo Gutierrez foi sempre um jogador nuclear para Jorge Jesus. Número 19 nas costas, o "cafetero" sempre se distingiu pela forma inteligente como arrastava marcações, mostrando que tão ou mais importante do que o momento em que se tem a bola é saber o que fazer sem bola, afinal aquilo que acontece na esmagadora maioria do tempo de jogo. Descrevendo umas hipérboles à volta da grande área, o colombiano conseguia abrir espaços para João Mário, Ruiz ou Adrien entrarem nas suas costas e visarem a baliza ou servirem Slimani. Dái aliás resultariam vários golos leoninos nessa época de 2015/16. 

 

Infelizmente, uma inoportuna lesão a que se seguiu a demora no regresso da Colômbia coincidiriam com um período de menos fulgor do Sporting, algo que associado a factores externos alheios aos leões bem pode ter custado o título. No entanto, para que nunca esquecessemos o seu toque distintivo, capricharia no final da época com exibições que lhe valeriam diversas vezes a menção de melhor em campo. Sem criar raízes em Alvalade, viria a sair discretamente no final dessa época sem a repercussão que as vendas de Slimani ou de João Mário tiveram. No entanto, ao contrário destes - ausências colmatadas com a compra de Bas Dost e a promoção de Gelson - , o Sporting não encontraria na temporada seguinte um jogador à altura deste irreverente colombiano nascido em Barranquilla e com passagens pela Turquia, México e Argentina. Aliás, neste último país viria a jogar nos milionários do River Plate, clube pelo qual se notabilizou vencendo a Libertadores, Copa Sul-Americana, Recopa (Supertaça) da América do Sul e campeonato argentino. 

 

Ainda que em quarentena, estamos juntos!

#estamosjuntos #sporting

teo_gutierrez_.jpg

16
Mar20

O sentido da vida


Pedro Azevedo

Não, não vos venho aqui falar dos Monty Python e do seu magnífico "Meaning of life". O que me traz aqui hoje é o COVID-19, uma doença que tem o nome artístico de "Corona" e é inimigo da socialização e da liberdade. Muitas vezes tenho dito neste espaço que é preciso termos um sentido colectivo da vida. Pois bem, por ironia, quis o destino que esse sentido colectivo se exprimisse pelo isolamento. Se isso para alguns constituirá um paradoxo, não o será menos a ideia de que para ganhar tempo é fundamental cada um deixar o seu tempo correr. Em quarentena. Mas as coisas são o que são. É preciso que o SNS respire e para que isso aconteça o nosso sacrifício de recato é fundamental. O sentido de responsabilidade de cada um, também. Mais tarde, na reconstrução, outras formas de solidariedade serão necessárias. Conto convosco. Contém comigo.  

Destaque-covid-19.jpg

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